quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

MAJESTICA - Above the Sky


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Above the Sky
2. Rising Tide
3. The Rat Pack
4. Mötley True
5. The Way to Redemption
6. Night Call Girl
7. Future Land
8. The Legend
9. Father Time (Where Are You Now)
10. Alliance Forever
11. Future Land (2002) (bônus)
12. Spaceballs (THE SPINNERS) (bônus)


Banda:


Tommy Johansson - Guitarra Solo, Vocais, Teclados
Chris David - Baixo, Backing Vocals
Alex Oriz - Guitarras, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Tommy Johansson - Produção
Ronny Milianowicz - Produção, Gravação, Mixagem
Tony Lindgren - Masterização
Alex Oriz - Gravação
Chris Rörland - Arte da Capa, Design
Uli Kusch - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de SABATON, HELLOWEEN, GAMMA RAY e Symphonic Power Metal


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Óbvio que a “moda” (que aqui se refere ao sucesso comercial temporário de certa vertente de Metal) do Power Metal já cedeu há alguns anos, e assim, o número quase que infinito de lançamentos do gênero diminui bastante, permitindo que os fãs possam ouvir com atenção o que tem saído por aí.

E mesmo no caso de muitos discos virem com “mais do mesmo”, vez por outra existem agradáveis surpresas. Uma delas é a do trio sueco MAJESTICA (antes conhecido como REINXEED), que chega com seu primeiro disco sob este nome, o ótimo “Above the Sky”, que acaba de sair no Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

Não há absolutamente nada de novo no trabalho da banda: é apenas o bom e velho Heavy/Power Metal, enriquecido por ótimas passagens de teclados, refrães grudentos, vocais agudos e todos os velhos clichês do gênero.

A diferença: a banda possui músicos calejados, com passagens por nomes como SABATON (o guitarrista/vocalista Tommy hoje integra o grupo) e TWILIGHT FORCE, logo, se percebe claramente que há algo na banda que lhes confere identidade.

Em outras palavras: pode não ser algo inédito, mas é algo excelente.


Arranjos/composições:

Falar em Heavy/Power Metal é a mesma coisa que entender que a técnica instrumental tem que ser apurada. E a banda assim o  faz, apesar de evitarem exageros entediantes.

Nos refrães e certas passagens, aqueles backing vocals inspirados em QUEEN, as guitarras mostram riffs inspirados e solos melodiosos de primeira, baixo e bateria mostram peso, boa técnica (inclusive com aqueles bumbos duplos essenciais ao gênero), teclados com passagens ora grandiosas, ora mais comportadas. E de arranjo em arranjo, eles fizeram de “Above the Sky” um disco e tanto. E sem falar que, na ausência de um baterista próprio, contaram com uma forcinha do experiente Uli Kusch (sim, o mesmo que passou por HELLOWEEN, GAMMA RAY, MASTERPLAN e outros).

Basta dizer que em momento algum soa cansativo, repetitivo ou chato. Pelo contrário: gruda nos ouvidos de tal forma que é impossível não aplaudir o trio!


MAJESTICA ao vivo
Qualidade sonora:

Limpa, pesada e bem feita, a sonoridade do disco é de alto nível, com tudo com timbres esmerados, e audível mesmo aos menos interessados em detalhes técnicos.

Um trabalho de primeira de Tommy Johansson (produção), Ronny Milianowicz (produção, gravação, mixagem) e Tony Lindgren (masterização).


Arte gráfica/capa:

Chris Rörland (guitarrista do SABATON, e por isso, colega de Tommy) é quem fez a arte da capa e o design gráfico de “Above the Sky”. Algo elegante, chamativo e clássico do gênero.


Destaques musicais:

É impossível resistir ao trabalho musical do grupo assim que o CD começa a tocar. Alternando ambientações e ritmo, “Above the Sky” ganha o ouvinte!

“Above the Sky” é um típico Power Metal de abertura, uma faixa cheia de melodias bem sacadas que envolvem o ouvinte de cara, com um refrão excelente (e que trabalho de vocais, guitarras e teclados excelente, sem falar na debulhada do baixo), “The Rat Pack” já tem um andamento um pouco mais lento, sendo climática e pesada (sendo assim, baixo e bateria se sobressaem, sem falar no peso de ambos); o jeito épico e pesado de “Mötley True” é sedutor, sem falar que os teclados estão muito bem sob esta base rítmica sólida (e os backing vocals estão perfeitos); em “The Way to Redemption”, o peso fica ainda mais pesado, mas um feeling um pouco melancólico surge nas melodias (especialmente por conta dos riffs em certas passagens); a acessível “Night Call Girl” (basicamente, pode-se dizer que é quase como se o EUROPE do passado tentasse fazer Power Metal, pois os teclados criam partes realmente sedutoras para os menos acostumados com o estilo); “Future Land” é outra que apela para uma pegada mais clássica/épica, mas logo ganha mais peso (e a técnica instrumental também fica em níveis bem menos intrincados, e que guitarras); a divertidíssima “Father Time (Where Are You Now)” (que disse que para fazer Metal é preciso obliterar esse conceito? E que canção grudenta), e a envolvente “Alliance Forever”. Além disso, o disco possui duas faixas extra: a versão demo de 2002 de “Future Land”, que é bem legal (embora mais crua por conta da qualidade de gravação), e o cover de “Spaceballs” do THE SPINNERS (um velho Pop/Techno dos anos 80, que fez parte da trilha sonora do filme “S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço”), que aqui ganhou mais peso e energia em relação à versão original.

Estas são as melhores em uma primeira audição, mas o disco inteiro é de primeira!


Conclusão:

Pelo que se pode perceber, “Above the Sky” vem marcar um novo tempo na vida da banda, e sob o nome de MAJESTICA, eles devem conquistar muita coisa, pois estão em um patamar mais alto que a média.

Duvidam? Ouçam o disco, e boa diversão!


Nota: 9,5/10,0


Above the Sky



Rising Tide

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

CHACINA - Mortus Operandi


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Sequestro
2. Mariana
3. Somos Todos Iguais
4. Hit
5. Pastor
6. Podres Poesias
7. Na Alma
8. Estado Islâmico (bônus)


Banda:



Allan Big Thunder - Vocais
Miguel Araujo - Guitarras
Jefferson Novaes - Baixo
Billy Dark Machine - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:

Indicação: fãs de Thrash/Death Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Resistência de fato não é um ato que discursos no Facebook ou filtros resolvam. Saber resistir é aguentar as pancadas que o underground brasileiro dá aos que estão dentro dele (sejam bandas, fãs, selos e assessorias de imprensa) e ir adiante, seja como for, e matando um leão por dia.

Nisso, pode-se dizer que o quarteto CHACINA, de Piracicaba (SP) é um autêntico sobrevivente, já que estão nessa vida a quase 30 anos, e somente agora conseguem lançar seu primeiro álbum, “Mortus Operandi”, que a Heavy Metal Rock colocou nas lojas.


Análise geral:

A bem da verdade, é preciso dar os parabéns a esses sujeitos, pois essa luta de 1990 para cá nunca é algo simples.

O fato é que o grupo tece um Thrash Metal/Crossover intenso e bruto, na linha de bandas dos Estados Unidos, especialmente nomes como NUCLEAR ASSAULT, OVERKILL, e alguns toques à lá SOD e CRO-MAGS. E nas mãos deles, o que poderia dar a ideia de algo mofado ou de prazo de validade vencido é destroçada por algo feroz, cheio de vida e energia, com a agressividade fluindo aos borbotões pelos alto-falantes.

Sim, “Mortus Operandis” é uma boa definição para tímpanos doendo e apitando por horas, e torcicolos resistentes a analgésicos fortes!


Arranjos/composições:

Essa vertente com jeito mais Old School tem que ser preenchida por uma dose enorme de espontaneidade. É preciso ser você mesmo, e eles mostram isso claramente.

Cantando em português, e sabendo usar de elementos do passado (como os riffs mostram constantemente), e certo toque de modernidade (as conduções nos dois bumbos que se ouvem no disco são algo diferente para a aproximação clássica do gênero). Nada extremamente técnico, mas sempre envolvente, e a banda mostra uma habilidade e tanto no tocante a refrães de fácil assimilação.


Qualidade sonora:

Outro ponto em que o grupo soube aliar passado e presente.

Mantendo a sujeira essencial que vem do estilo com uma sonoridade mais moderna e encorpada, cada uma das faixas de “Mortus Operandi” é facilmente entendida e assimilada. Além disso, o grupo não teve frescuras na hora de escolher os timbres de seus instrumentos, sempre com algo que fica entre o novo e o clássico, sem pudor algum. E quem reclamar, possivelmente ouvirá uma bela saraivada de palavras de baixo calão.


Arte gráfica/capa:

Uma arte direta, reta e sem frescuras, mostrando que a banda não veio para brincar, e que transpira toda sua raiva contra a realidade que os cerca. Os temas são bem atuais, para ser sincero.


Destaques musicais:

Basta dizer uma velha gíria para definir o que apresenta “Mortus Operandi” em termos musicais: o pau vai quebrar na casa de Noca!

“Sequestro” é toda montada em cima de riffs de guitarra raivosos e vocais rascantes, sem falar no belo trabalho da bateria (especialmente nos bumbos), com um andamento não tão veloz, enquanto “Mariana” segue com tempos intensos e refreados (permitindo que o baixo exiba passagens bem legais sob o refrão). Curta e extremamente “SÓDica” é “Somos Todos Iguais”, uma pancadaria extrema, apesar do andamento refreado. Em “Hit”, a velocidade aumenta, e ao mesmo tempo, a agressividade musical do grupo se torna mais ácida, com guitarras tecendo riffs interessantes, e “Pastor” segue a mesma pegada (um festival de tempos 1 X 1 nervosos da bateria, acompanhada de vocais agressivos de primeira). O tempo mais uma vez desacelera em “Podres Poesias”, de uma forma totalmente HxCxNxY, enquanto “Na Alma” é moshpit certo por conta de sua levada empolgante e intensa (típica música que vai dar torcicolos e causar contusões nos shows da banda). E fechando, tem-se a faixa bônus “Estado Islâmico”, exatos 1:51 de rispidez e Thrashcore nervoso, alimentado por guitarras e vocais insanos.


Conclusão:

Se existisse justiça dentro do cenário, o CHACINA receberia aplausos efusivos pelo que fizeram em “Mortus Operandi”, já que souberam trazer toda sua fluência Thrashcore do passado para o presente sem pudores.

Parabéns, pois vocês, por tudo, são a verdadeira resistência. O resto é conversa fiada...


Nota: 8,5/10,0


Estado Islâmico

DOGMA BLUE - Quietus


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Disorder
2. Quietus
3. No Garden
4. Dissolution
5. Mucamba


Banda:



Marcelo Paes - Vocais
Tales Ribeiro - Guitarras
Rodrigo Kolb - Guitarras
Roberto Greboggy - Baixo
André Prevedello - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Assessoria: http://roadie-metal.com/press/ (Roadie Metal Press)

Indicação: fãs de Metal Tradicional, Hard Rock clássico dos anos 70, e outros


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Cada vez mais as bandas de Metal estão investindo em gravações muito cedo, sem lhes dar o devido tempo de amadurecer as ideias. Em um mundo onde tudo se tornou sinônimo de “ser o mais veloz” em termos de tudo, grupos jovens acabam indo cedo demais para o estúdio, o que pode resultar em um resultado ruim.

Mas no caso do quinteto curitibano DOGMA BLUE, isso não chega a ser algo grave. Embora “Quietus”, seu primeiro EP, mostre pontos que necessitem de amadurecimento, já se tem a clara visão de seu potencial.


Análise geral:

Apesar de ainda bem jovem, o quinteto é composto de músicos já com calos da experiência. E por isso, percebe-se uma banda que possui influências musicais bem diversificadas que acabam se calcificando em algo que fica entre o Metal tradicional com algo de Thrash/Groove Metal. E isso foge ao modelo que tantos adotam no Brasil (onde ou se quer ser da NWOBHM ou do Thrash Metal alemão), o que deixa claro que o grupo tem personalidade. Aliás, é preciso dizer que melodia, feeling e alguma dose de agressividade, fórmula já bem batida, nas mãos deles ganham uma energia e frescor novos, além dos refrães serem muito bons.

O que precisa amadurecer: os vocais podem ser trabalhados de forma melhor (a voz é boa, só precisa mesmo de mais ensaios para encaixar em 100% na base instrumental), mas alguns ensaios e shows devem colocar tudo nos lugares.


Arranjos/composições:

Eis o ponto onde o quinteto ganha pontos: eles sabem arranjar suas músicas muito bem.

O que guia a banda é o feeling, e não a necessidade de exibir virtuosismo. Logo, a consequência é óbvia: melodias espontâneas, técnica em nível sóbrio, além de ótimas mudanças de ritmo e ambientações.


Qualidade sonora:

Em termos de sonoridade, “Quietus” fica devendo um pouco.

Por terem tentado buscar algo mais seco e que evidenciasse a agressividade, a impressão em certos momentos é de algo oco. Está pesado, claro e inteligível, mas carece de algo mais pesado e mesmo moderno, pois o trabalho deles pede isso.

Não está ruim, longe disso, mas poderia ser bem melhor.


Arte gráfica/capa:

Nesse ponto, a banda caprichou.

O uso da capa com uma paisagem desolada pela guerra é um artifício sempre interessante, e o esmero ao usar o formato Digipack, foto com tudo correto.


Destaques musicais:

A musicalidade híbrida e espontânea da banda rende muitos pontos, justamente porque é livre de concepções ou ideias desgastadas pelo uso.

“Disorder” é cheia de peso e agressividade, mas apresentando uma estética simples e elegante de baixo e bateria (basta olhar as debulhadas em vários momentos), enquanto “Quietus” possui uma vibração suja que lembra um pouco o Hard Rock dos anos 70 (embora no peso das guitarras seja evidente uma forte dose de groove noventista), elementos que também permeiam a ambientação azeda e “sabbathica” de “No Garden” (que foi o primeiro Single da banda, lançado ano passado). Em “Dissolution”, aquela famosa fórmula de ‘início balada, peso e agressividade de certo ponto em diante’, que funciona muito bem com o grupo. E “Mucamba” tem um jeito Hard ‘n’ Heavy de primeira, com algo de acessibilidade em alguns momentos.

Pode-se assim aferir que “Quietus” é um bom lançamento, acima da média.


Conclusão:

Se “Quietus” ainda não revela todo o potencial do grupo, é certo que o DOGMA BLUE pode ser considerado uma revelação do cenário. É só aparar algumas arestas, acertar os vocais, e sai debaixo!

No mais, sejam bem vindos, e boa sorte!


Nota: 7,7/10,0


Quietus



No Garden

KAMALA - Live in France


Ano: 2019
Tipo: Disco ao Vivo
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Internal Peace
2. Open Door
3. Believe
4. Stay With Me
5. Take Away
6. My Religion
7. Suicidal Attack
8. Mantra


Banda:


Raphael Olmos - Vocais, Guitarras
Allan Malavasi - Vocais, Baixo
Isabela Moraes - Bateria


Ficha Técnica:

Ricardo Biancarelli - Mixagem, Masterização
Mathieu Monpontet - Gravação, Captação ao Vivo


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Indicação: fãs de Thrash/Death Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Toda banda que não esteja restrita a trabalhos de estúdio (algo comum aos projetos no formato “one man band”) tem, por uma obrigação imposta por uma tradição de quase 5 décadas, lançar um disco ao vivo. Nos anos 80, um disco ao vivo ruim poderia implicar no final da carreira de uma banda, ou então a colocava em um patamar mais elevado. Basta dizer que “Alive I” do KISS e “Live After Death” do IRON MAIDEN foram importantíssimos para a carreira de ambas.

Seguindo esta tradição, o trio KAMALA, de Campinas (SP) acaba de lançar seu primeiro registro ao vivo, chamado simplesmente de “Live in France”.


Análise geral:

Depois de cinco discos de estúdio e várias turnês na França, o trio mostra a maturidade, bem como a capacidade de fazer um show ao vivo de primeira.

“Live in France” vem coroar o momento em que a formação está consolidada desde o lançamento de “Eyes of Creation” (2019), coesa e firme. E o mais importante: a sonoridade ao vivo do grupo não perde em nada, e ganha aquela energia crua e intensa de suas apresentações.

E verdade seja dita: o Thrash/Death Metal do grupo ao vivo é algo realmente insano!


Repertório:

Discos ao vivo chamam a atenção pelo “setlist” que ele apresenta. E é fato que “Live in France” foca em canções de “Eyes of Creation” e “Mantra”, e apenas uma dos discos antigos (que é “Take Away” de “Kamala”), mas também seria impossível condensar tanto em material em um disco simples. Além do mais, discos ao vivo tem material focado no último lançamento da banda (em cuja turnê de divulgação a banda se encontra). Óbvio que poderia ter canções de “The Seven Deadly Chakras” (2012) e “Fractal” (2009) fossem bem vindas. O que só seria possível em um duplo ao vivo, logo, o repertório está ótimo.

Aliás, se percebe que a banda ao vivo sabe interagir com o público, como a apresentação dos integrantes durante “Mantra”. E os presentes participam cantando em alguns momentos.

KAMALA ao vivo

Qualidade sonora:

Em geral, captar a energia de shows ao vivo e conseguir coloca-la em discos sempre foi uma dificuldade absurda, mesmo com as modernas tecnologias digitais. Mas em “Live in France”, se percebe completamente a “aovivocidade” da banda, mas sem que sua música soe embolada. Nada disso, tudo está limpo e cristalino, mas bruto e pesado.

Aos mais chatos em termos de detalhes, fica claro que durante os solos de guitarra, as bases realmente desaparecem, mostrando que os famosos “overdubs” são poucos, e de forma que a aura “live” não seja prejudicada.

Ótimo trabalho de Ricardo Biancarelli na mixagem e masterização, e de Mathieu Monpontet na gravação.


Arte gráfica/capa:

O grupo optou por uma arte bem simples, com fundo preto e o símbolo da banda pintado com as cores da bandeira francesa. Simples, direto e reto, para que todas as atenções fiquem apenas na música.


Destaques musicais:

Para quem conhece o trio, sabe que eles conseguem fundir uma pancadaria Thrash/Death Metal intensa com uma aura extremamente positiva. E isso é possível se sentido em todas as canções de “Live in France”.

De “Internal Peace” (uma pancadaria insana, com riffs raivosos, boas mudanças de ritmo, e mudanças de vozes), passando pela energia intensa de “Open Door” e de “Believe” (ótimas variações de andamento, mostrando a força de baixo e bateria), a pegada um pouquinho mais Thrash Metal Old School de “Stay With Me” (que ganhou mais agressividade por conta da evolução que a banda sofreu da época até hoje), a a sinuosa e bruta “Take Away” (baixo e guitarras muito bem, e que ótimo trabalho nos dois bumbos) e “My Religion” (as partes mais lentas mostram a aura mais moderna da banda, algo que foi surgindo em seus trabalhos de forma gradual), além dos hinos “Suicidal Attack” e “Mantra” (que fecha o disco e é daquelas para marcar os ouvidos e os ossos, sem falar na apresentação dos integrantes). Se sobrou algo do pescoço, é melhor usar gelo.

Basicamente, a impressão que reina após o final de “Live in France” é a mesma de discos ao vivo simples clássicos: por que raios não foi um disco duplo?


Conclusão:

O KAMALA encerra um ciclo com “Live in France”, e já começa a se preparar para voos mais altos.

Basicamente, “Live in France” os coloca no time das bandas que não cabem mais no Brasil.


Nota: 9,2/10,0


Mantra

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

GAMMA RAY - To the Metal! (Relançamento)


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Empathy
2. All You Need to Know
3. Time to Live
4. To the Metal
5. Rise
6. Mother Angel
7. Shine Forever
8. Deadlands
9. Chasing Shadows
10. No Need to Cry


Banda:


Kai Hansen - Guitarras, Vocais
Henjo Richter - Guitarras, Teclados
Dirk Schlächter - Baixo, Vocais adicionais em “No Need to Cry”
Dan Zimmermann - Bateria


Ficha Técnica:

Kai Hansen - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Dirk Schlächter - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Hervé Monjeaud - Arte da Capa
Alexander Mertsch - Artwork, Design do Encarte
Michael Kiske - Vocais em “All You Need to Know”
Corvin Bahn - Teclados
Nadine Nottbohm - Vocais Femininos em “All You Need to Know” e “Mother Angel”


Contatos:

Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Heavy/Power Metal, HELLOWEEN, UNISONIC, e outros


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O tempo passa e vai erodindo mais e mais certas bandas, por mais que a formação se mantenha constante. As famosas variações de qualidade ocorrem em decorrência do desgaste dos músicos entre si, das longas turnês, e outros fatores. Por isso, apesar do que os mais fanáticos digam, todas as bandas possuem discos que saíram aquém do que elas realmente podem render.

Um bom exemplo disso é “To The Metal”, décimo disco de estúdio do quarteto alemão GAMMA RAY, lançado originalmente em 2010, e que agora é relançado graças a colaboração entre a Shinigami Records e a earMUSIC.


Análise geral:

A verdade é que o grupo, ativo desde 1989, nunca teve muito espaço para descanso, sempre caindo na estrada (e verdade seja dita: eles são uma das bandas da Alemanha que mais toca ao vivo pelo mundo), isso sem mencionar que a formação da banda estava estabilizada desde 1997, o que representariam 13 anos juntos. Ou seja, certo desgaste já estava acontecendo. E embora em “To the Metal” ainda se tenha material de alto nível, não está no nível de clássicos como “Land of the Free” ou “Power Plant”. É muito bom, não decepciona, mas não é fantástico.

Há pontos positivos, como alguns experimentos interessantes, como o Groove moderno que aparece em “Empathy”, e o enfoque um pouco mais “Down Rock” em certas partes de “Mother Angel”. Basicamente, o grupo estava buscando ampliar seus horizontes musicais e trabalhar de uma forma menos linear em termos de Heavy/Power Metal.


Arranjos/composições:

Por ter influências externas ao estilo clássico do grupo, “To the Metal” mostra a banda extremamente afiada, o que também mostra o quanto a formação estabilizada por mais de uma década ajuda.

Há riqueza de andamentos, momentos mais agressivos e sujos (como se poder ouvir em “All You Need to Know”), mas no geral, a banda continua caprichando em melodias com bom nível técnico, refrães marcantes, e um nível de energia absurdo. Novamente: pode não ser um disco perfeito, mas é muito bom em termos de arranjos.

GAMMA RAY ao vivo

Qualidade sonora:

Kai Hansen e Dirk Schlächter cuidaram da produção, gravação, mixagem e masterização de “To the Metal”, e a sonoridade soa mais artesanal e seca, o que deixou o disco soando mais agressivo que de costume (uma sacada nos timbres da bateria mostra isso claramente).

Mas ao mesmo tempo, o nível de clareza sonora é alto, permitindo que tudo possa ser acessado pelo ouvinte sem problemas.


Arte gráfica/capa:

Hervé Monjeaud é quem assina a arte da capa. O contraste de cores é bem grande, embora a arte ainda aparente ser simples. Tudo para tentar ambientar a musicalidade que o disco exibe. Ficou ótimo, diga-se de passagem.


Destaques musicais:

Mais uma vez: embora não possa ser comparado aos clássicos do grupo, “To the Metal” é um disco bem fácil de gostar, pois as composições são caprichadas. E as melhores canções para uma primeira audição são:

A veloz e cativante “All You Need to Know” (que mostra o estilo classic do grupo, com partes velozes contrastando com outras mais melodiosas, refrão marcante, e mais uma vez, a banda trouxe Michael Kiske para dar uma força nos vocais, junto com Nadine Nottbohm nos toques femininos, e mesmo alguns vocais Gothic Rock dão o ar da graça), o alinhavo levemente rascante de “Time to Live” (um trabalho bem legal de baixo e bateria, com ritmos não tão velozes ou complexos, e aqueles backing vocals bem grudentos durante o refrão), a pesada e climática “To the Metal” (o andamento diminui ainda mais de velocidade, ficando mais pesado, com os vocais fazendo um trabalho ótimo nos timbres naturalmente esganiçados de Kai), a rica em melodias e mudanças de ritmo “Rise” (basicamente, o jeito clássico do grupo de fazer música, embora com guitarras com riffs mais agressivos, embora sem complicar a evolução das melodias), a pegada mais visceral e voltada ao Rock ‘n’ Roll/Hard Rock de “Mother Angel” (alguns riffs vão lembrar o trabalho do ACCEPT, e novamente, Nadine dá um toque de classe com sua voz melodiosa), “Shine Forever” (os timbres mais agudos dos vocais encaixaram como uma luva na base instrumental, sem falar que o baixo mostra uma debulhada e tanto no início) e “Chasing Shadows”, ambas mostrando o clássico jeito GAMMA RAY de ser.

É, o disco é muito bom mesmo.


Conclusão:

Basicamente, “To the Metal” marca o fim da formação que estava junta desde 1997 (o baterista Dan sairia da banda em 2012), e assim, pode ser visto como o encerramento de uma era para a banda.

E este lançamento, por sua vez, torna acessível aos fãs sua aquisição.


Nota: 8,5/10,0


To the Metal!



Rise

AXEL RUDI PELL - XXX Anniversary Live


Ano: 2019
Tipo: Duplo ao Vivo
Nacional


Tracklist:

CD1:

1. The Medieval Overture (Intro)
2. The Wild and the Young
3. Wildest Dreams
4. Fool Fool
5. Oceans of Time
6. Only the Strong Will Survive
7. Mystica (incl. Drum Solo)
8. Long Live Rock

CD2:

1. Game of Sins/Tower of Babylon (incl. Keyboard Solo)
2. The Line
3. Warrior
4. Edge of the World (incl. Band Introduction)
5. Truth and Lies
6. Carousel
7. The Masquerade Ball/Casbah
8. Rock the Nation


Banda:


Johnny Gioeli - Vocais
Axel Rudi Pell - Guitarras
Ferdy Doernberg - Teclados, Backing Vocals
Volker Krawczak - Baixo
Bobby Rondinelli - Bateria


Ficha Técnica:

Anton Kabanen - Produção, Mixagem, Gravação
Emil Pohjalainen - Masterização
Roman Ismailov - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.axel-rudi-pell.de
Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Hard Rock clássico, RAINBOW, YNGWIE MALMSTEEN, e outros


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Seguir uma carreira musical que chegue aos 30 anos não é algo simples. Em meio a problemas como o combalido mercado musical de hoje, aos problemas em manter formações estáveis, e mesmo o desânimo e o tédio causados pela rotina em se manter ativo, conseguir passar uma década na ativa é um feito enorme, quanto mais 3 décadas!

Óbvio que o guitarrista alemão Axel Rudi Pell é um autêntico herói nesse quesito, mantendo-se na ativa apesar de todos os problemas. E é por isso que é respeitado dentro do cenário. E comemorando seus 30 anos de muitos discos excelentes e turnês marcantes, vem o duplo CD ao vivo “XXX Anniversary Live”, que acaba de sair no Brasil pela Shinigami Records, tanto em digipack como jewelcase.


Análise geral:

Como já dito, manter uma banda na estrada (e ativa) por 30 anos é marca de quem sabe o que quer fazer da vida. Nisso, Axel sempre se rodeou de músicos de alto nível.

Agora, é incrível como o Hard Rock/Classic Rock do grupo funciona bem ao vivo, e mesmo em tempos em que “overdubs” e infinitas edições digitais surgem em registros do tipo, este duplo ao vivo mantém uma forte aura de “aovivocidade”, ou seja, se percebe que não há muitas correções. É o quinteto fazendo sua parte, mostrando peso, entrosamento e classe.

Além disso, a presença de solos de bateria e teclados, bem como a apresentação dos integrantes, dá um toque clássico.


Repertório:

O que pode pôr tudo a perder, ou ganhar o jogo, em termos de discos ao vivo é o “setlist” escolhido.

Mas para quem acompanha a carreira do alemão e sua banda, é claro que já sabe que “XXX Anniversary Live” é o terceiro disco ao vivo da banda (e segundo disco duplo, já que “Made in Germany”, de 1995, é um CD simples). Além do mais, é preciso entender que o disco foi gravado durante a turnê de divulgação de “Knights Call”, de 2018, logo, nem é preciso dizer que boa parte do material dele se encontra aqui. Mas alguns clássicos como “Casbah” e “Carousel” também estão aqui.

Ou seja, o repertório é muito, muito bom!


Axel Rudi Pell ao vivo
Qualidade sonora:

Como já é de praxe, Axel produziu “XXX Anniversary Live”, tendo Ralf Speitelna captação das canções, Thomas Geiger na mixagem e Ulf Horbelt na masterização.

Mas diferentemente de muitos, a opção foi de fazer a sonoridade desse disco ao vivo ser realmente ao vivo, sem aquela coisa mecânica e fria que vem de infinitos remendos e overdubs. Se eles existem, são quase imperceptíveis.

Ah, sim: apesar do feeling claramente orgânico, tudo pode ser ouvido claramente nos mínimos detalhes. Se soa ao vivo e espontâneo, o faz com uma qualidade ótima.


Arte gráfica/capa:

A capa de Holger Fichtner é muito bonita, e embora simples em termos de contrastes, é elegante como já virou uma “trademark” do grupo. E no encarte, uma declaração de Axel, bem como vem recheado de ótimas fotos dos shows, e mesmo imagens de cartazes. Um belo design feito por Kai Hoffmann.


Destaques musicais:

Um disco ao vivo se deve observar como um todo, para ver como a banda e público reagem, a energia gerada por ambos. E pelo que se ouvem nessas gravações feitas em várias cidades da Europa (Bochum e Budapeste são duas delas), os fãs foram ao êxtase.

Basicamente, no CD 1, é para se aplaudir a performance da banda em momentos como “The Wild and the Young” (belíssimo trabalho de guitarras, tanto nos riffs como nos solos), a melodiosa e cativante “Wildest Dreams” (belo refrão e vocais em uma pegada pesada à lá Classic Rock dos anos 70), a pesada e climática “Fool Fool”, o peso mamutesco e elegante de “Only the Strong Will Survive”, a longa “Mystica” (baixo e bateria fazendo bonito, especialmente por conta do solo de Bobby Rondinelli), e a excelente “Long Live Rock” (outra em que os vocais estão muito bem).


Já no CD2, o jeito mais acessível de “The Line” (bela introdução de teclados, inclusive), a selvageria encorpada de “Warrior” (um super Hardão, com guitarras lindas em termos de melodias), a curta e cativante “Truth and Lies” (uma instrumental excelente), a mistura do jeito acessível do Hard Rock com peso de “Carousel”, e a saideira com jeitão Classic Rock de “Rock the Nation” são de fazer o queixo cair.

Bom é apelido!


Conclusão:

Axel Rudi Pell é muito respeitado fora do Brasil (aqui, nem tanto, já que a fragmentação do cenário por conta de estilos e visões ideológicas prejudica muito qualquer artista), e tanto os fãs mais antigos como os mais novos vão babar por “XXX Anniversary Live”.

Ah, sim: eis um tutorial de como fazer um disco ao vivo de verdade!


Nota: 9,0/10,0

  
Only the Strong Will Survive