segunda-feira, 26 de agosto de 2019

SACRED REICH - Awakening


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Awakening
2. Divide & Conquer
3. Salvation
4. Manifest Reality
5. Killing Machine
6. Death Valley
7. Revolution
8. Something to Believe


Banda:


Phil Rind - Vocais, Baixo
Wiley Arnett - Guitarras
Joey Radziwill - Guitarras
Dave McClain - Bateria


Ficha Técnica:

Arthur Rizk -Produção
John Aquilino -Engenharia de Som, Mixagem
Maor Appelbaum -Masterização
Paul Stottler -Artwork (capa)


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A escola de Thrash Metal norte-americana, por mais que muitos pareçam ignorar, é muito maior do que o Bay Area Thrash Metal de San Francisco ou o NYTM de Nova York. Muitas bandas vieram de outros cantos, como PANTERA de Arlington (Texas), SLAYER de Los Angeles (Califórnia), FLOTSAM AND JETSAM de Phoenix (Arizona)... São tantos nomes que não dá para citar.

No time dos que nunca conseguiram grande sucesso comercial (mas chegaram bem perto) está o quarteto SACRED REICH, de Phoenix (conterrâneos do FLOTSAM AND JETSAM). Após anos de hiato, eles retornaram por volta de 2006, e fazendo shows pelo mundo todo. E como toda volta que se preze, merecia um disco de inéditas para comemorar em grande estilo. E eis que chega “Awakening”, quinto “full length” desses matadores!


Análise geral:

Quem seguia a banda nos seus áureos tempos sabe bem qual o compromisso dessa gangue: fazer com que seu Thrash Metal duro, feroz e direto ao ponto desça goela abaixo de quem ousar encará-los.

Óbvio que os fãs se perguntarão: o disco está mais para fase inicial de “Ignorance”, onde o grupo esbarrava bastante no Hardcore, ou mais próximo a “Heal”, onde se podia perceber toques voltados ao Groove Metal em voga daqueles tempos?

Pode-se dizer que “Awakening”é quase que um compêndio da carreira da banda, com momentos mais ferozes como no início, e outros mais melodiosos como pouco antes de entrarem em seu hiato. Mas é incrível como a energia da banda está intacta, parecendo até que não existem 23 anos entre ele e “Heal”.

É um disco para dar dores de pescoço agudas!


Arranjos/composições:

O quarteto, para quem conhece, não é muito dado a criar arranjos excessivos em suas canções, nunca foram de rebuscar excessivamente o aspecto técnico. Existem sutilezas, boa técnica musical e linhas melódicas muito bem feitas (uma especialidade da banda), mas a agressividade é uma constante.

Óbvio que o refinamento dos tempos de “The American Way” e “Independent”está bem presente, moldando o som do grupo em um formato que o torna acessível aos fãs de Thrash Metal não tão brutal, mas ainda é mais suficiente para fazer as paredes tremerem!

Ah, sim: os arranjos estão ótimos, e se encaixam uns nos outros perfeitamente.


Qualidade sonora:

Arthur Rizk é quem assina a produção (e já trabalhou com nomes como UADA, CAVALERA CONSPIRACY, CIRITH UNGOL, CRO-MAGS e muitos outros), tendo John Aquilino na mixagem e Maor Appelbaum (que tem no currículo trabalhos com ANGRA, ANVIL, ARNMORED SAINT, CANDLEMASS, HALFORD e outros)fez a masterização. Ou seja, o nível de exigência foi alto em termos de qualidade sonora, criando algo que mantenha as características sonoras do grupo evidentes, mas dando-lhe uma modernizada.

Basicamente: claro em termos de timbragem instrumental (pois tudo soa agressivo, pesado e bem definido), bruto e ríspido até os ossos. Pode-se dizer que é um “update” muito bem acabado da qualidade sonora de “Independent” e “Heal”.


Arte gráfica/capa:

A capa do disco é o ponto mais “old school”: feita em apenas duas cores, o desenho vai lembrar os fãs do jeito mais despojado da banda. Mais uma vez, o mascote O.D. está de volta, pois quem fez a arte da capa é Paul Stottler, o mesmo que trabalhou com a banda em todas as capas de seus discos (tirando a de “Heal”).

Basicamente, é uma declaração que o SACRED REICH continua furioso!

SACRED REICH ao vivo (Fonte: Facebook)

Destaques musicais:

Basicamente, “Awakening”é o típico disco que, quanto mais se ouve, mais se gosta, e não se enjoa. E por isso, chega a ser sofrido destacar uma ou outra canção.

O disco abre com “Awakening”, uma pancada reta e direta, sem muitas firulas (como o que se conhece de “Ignorance”), com um refrão poderoso e ótimo trabalho de baixo e bateria, seguida da intensa e veloz “Divide & Conquer”, que mostra uma energia absurda (e que fica um pouco mais lenta no refrão, onde melodias surgem e grudam nos ouvidos). “Salvation” tem tempos um pouco mais lentos, mas com uma pegada extremamente pegajosa e com melodias evidentes (e que arsenal de riffs esses caras tem). Apesar do início e refrão lentos, “Manifest Reality” é outra incitação explícita ao moshpit, veloz e pegajosa, com elementos claros vindos do HC/Crossover norte-americano (riffs insanos e solos bem feitos presentes), enquanto aquele Thrashão mais cadenciado e pegajoso dá as caras em “Killing Machine” (como a bateria está ótima nessa música, com técnica e viradas excelentes, embora a solidez das conduções seja sua prioridade). Em uma pegada mais Hard Rock/Rock ‘n’ Roll à lá “Ask Ed” (de “Heal”) é apresentada em “Death Valley”, onde os vocais estão de primeira, com boas variações de timbre. Mais pancadaria HC/Crossover aparece de novo em “Revolution”, onde a técnica instrumental é simples (mas nada trivial), justamente fazendo-a tão pegajosa e simples de gostar. Um pouco mais melodiosa e expondo toda a carga de influências de Hard Rock e Southern Rock da banda é “Something to Believe”, onde o baixo mostra sua boa técnica, mas impossível não falar das guitarras (mais uma vez excelentes), e a bateria segura e firma.


Conclusão:

O SACRED REICHera uma das poucas bandas de seu tempo que havia retornado e ainda não havia lançado material novo. Mas “Awakening”fez cada segundo da espera valer a pena, e cujo defeito é ser curto demais!

Clássico como  “Independent” ou “The American Way”? Só o tempo pode responder a esta pergunta, mas é fato que este é mais um ótimo disco do quarteto.

Hey, Phil, Wiley, Joey, Dave: we want to hear more of you as soon as possible!!!


Nota: 9,3/10,0


Awakening



Manifest Reality



Spotify

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

SYMPTOMEN - Welcome to Brazil


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Mud of Death
2. Welcome to Brazil
3. Hail to the King
4. Toxic Life
5. Nation’s Disease
6. Born in Hell
7. Brazil I Am
8. Sinners
9. The End of Our Days


Banda:


Iago Pedroso -Vocais, Guitarras
Kim Malthus -Guitarras, Backing Vocals
Manassés Procópio - Baixo
Ricardo Menezes - Bateria


Ficha Técnica:

Iago Pedroso -Gravação, Mixagem, Masterização


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.wargodspress.com.br(Wargods Press)


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Brasil sempre foi uma galinha dos ovos de ouro para políticos e corruptos. Não é preciso escrever muito para mostrar que, desde longos séculos, o país continua sendo uma verdadeira orgia digna de Sodoma e Gomorra em termos de política, corrupção e interesses de poucos suprimindo as necessidades de muitos. E quantas não foram as vezes que são vistas essas aberrações? Aliás, elas são vistas sempre, entra governo, sai governo.

Não, não é necessário ser de direita ou esquerda para se postar contra. Basta ser decente e honesto para isso...

Essa triste realidade já foi retratada muitas vezes em letras de discos de Metal, e o SYMPTOMEN, da cidade de Tatuí (interior de SP) chega para destilar sua música crítica com “Welcome to Brazil”, seu terceiro álbum.


Análise geral:

Rotular o trabalho do quarteto como Heavy Metal seria um pecado.

Óbvio que a noção melódica e partes envolventes estão ali, mas ao invés de buscarem algo à lá NWOBHM (como é bem comum no Brasil), o trabalho do grupo vai buscar influências na escola dos EUA e Alemanha suas influências, sem contar que aglutinam algo da adrenalina do Speed/Power Metal dos anos 80, e mesmo nuances do Thrash Metal de nomes como METALLICA e MEGADETH em seus momentos mais melodiosos. Existem até toques regionais brasileiros em certos momentos (como no Groove do Samba que se ouve em “Welcome to Brazil”).

Pode-se aferir que a banda faz um molde moderno do movimento conhecido como NWOTHM (New Wave of Traditional Heavy Metal), ou seja, é Heavy Metal tradicional, só que não tão focado assim na velha escola.

E sim, o disco é ótimo!


Arranjos/composições:

É onde o grupo ganha o jogo.

Sabendo não se prender demais a modelos já erodidos, a capacidade de dar um feeling jovem e cheio de energia às canções, sempre com uma visão de que não estamos mais no passado. Longe disso, os arranjos mostram que a banda olha para o futuro.

Ótimas melodias, bom approachtécnico (sem ser exagerado), além de diversidade rítmica, tudo funciona bem azeitado, sem tirar nem pôr nada.


Qualidade sonora:

Como forma de TCC de sua graduação em Tecnologia em Produção Fonográfica na FATEC, Iago Pedrososoube construir uma sonoridade bem definida e clara, que permitisse as melodias da banda e seus arranjos serem compreendidos, mas com uma dose cavalar de peso.

A agressividade vem dos timbres instrumentais, pois houve preocupação em deixar tudo limpo, mas com força e rispidez.

Basicamente: é limpo, bem feito e agressivo de doer os ouvidos.


Arte gráfica/capa:

A arte da capa deixa óbvio o conteúdo lírico do álbum: uma crítica aos poderes políticos que colocam fogo no país enquanto se deleitam em festas e coquetéis.

Além disso, fica óbvia na arte a vocação ao peso e agressividade do grupo.


Destaques musicais:

Destilando fúria e melodias em 9 canções, o grupo realmente mostra que tem tudo para se tornar grande no cenário. Sim, eles têm muito talento.

As melhores: “Mud of Death”, cheia de melodias, e com ótima técnica (guitarras de primeira, roncando riffs brutos e solos melodiosos, e as letras falam sobre o infeliz desastre ambiental de Mariana, MG); “Welcome to Brazil” com seu molejo latino aliado ao peso do Metal (toques de Samba e Bossa surgem alguns momentos, com guitarras ótimas mais uma vez, mas como baixo e bateria estão bem); a veloz e envolvente “Hail to the King” (o refrão é excelente, e os vocais estão muito bem); o jeito quase Thrashy de “Nation’s Disease”; a pancadaria Thrash com melodias tradicionais de “Born in Hell” (óbvias influências de METALLICA e mesmo de bandas do US Metal como THE RODSsurgem logo de cara); e a pegada envolvente e sedutora de “Sinners” (essa é para dar torcicolos por conta da energia, e sem mencionar que baixo e bateria mais uma vez roubam a cena). Mas o disco inteiro é excelente, daqueles que se ouve de ponta a ponta sem medo.

Antes que esqueçamos, um detalhe importante: “Welcome to Brazil” pode ser ouvido (e adquirido) nas seguintes plataformas digitais:

Youtube: https://goo.gl/tbcnnc  
Spotify: https://goo.gl/isyBtc  
Deezer: https://goo.gl/YifwSr 
iTunes: https://goo.gl/6qpw8E  


Conclusão:

Mostrando personalidade e força, o SYMPTOMEN vem para botar a cara no mundo com “Welcome to Brazil”, e como foi lançado em Dezembro de 2018, vem com tudo para ser votado como um dos melhores discos de 2019!


Nota: 9,3/10,0


Mud of Death



Brazil I Am

AEGONIA - The Forgotten Song


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado


Tracklist:

1. In the Lands of Aegonia
2. Rain of Tears
3. With the Mists She Came
4. Restless Mind
5. Dreams Come to Me
6. Battles Lost and Won
7. The Offer
8. The Stolen Song
9. Gone
10. The Severe Mountain
11. A Bitter Fate
12. The Ruins of Aegonia


Banda:


Elitsa Stoyanova -Vocais, Violino
Nikolay Nikolov -Guitarras, Vocais, Kaval
Atanas Georgiev - Baixo
Ivan Kolev - Bateria


Ficha Técnica:

Nikolay Nikolov -Gravação, Mixagem, Masterização
Neli Gancheva - Oboé em “Valley of the Vale”


Contatos:

Assessoria: https://www.metalmessage.de/(MetalMessage)


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Via de regra, os países europeus que fizeram parte do bloco socialista após a segunda Guerra Mundial, ou que estiveram sob um regime nos moldes da antiga U.R.S.S., manifestam um lado voltado ao Folk/Pagan Metal. Conforme entrevistas com membros de bandas desses países, esta “busca” pelas velhas culturas é árdua, uma vez que os regimes supracitados tenderam a erradicar o paganismo (um ótimo exemplo foi a caçada de Mao Tsé-Tung aos templos budistas, quase destruindo o Kung Fu Shaolin), mas mesmo assim, ela existe.

Dessa forma, não é de estranhar que o trabalho de bandas e mais bandas do leste europeu sejam permeadas por elementos pagãos e Folk. E o AEGONIA, da Bulgária, é mais um deles, conforme “The Forgotten Song”, primeiro disco do grupo, deixa claro.


Análise geral:

O quarteto cria algo que transpira toda uma aura Folk/Pagan mixada a ambientações Doom/Gothic modernas, criando algo melancólico e que envolve o ouvinte, permitindo uma viagem mental pelo passado. Mas é bom saber que as canções do grupo mostram peso e energia, e eles mostram personalidade bem própria.

Sem querer estabelecer comparativos que influenciem demais os leitores, o trabalho do grupo vai lembrar uma mistura de elementos usados por nomes como TRISTANIA, TIAMATantigo (da época de “Wildhoney”) e THE SINS OF THY BELOVED com partes folk à lá KORPIKLAANI em seus momentos mais densos e introspectivos (como pode ser ouvido em “Pine Woods”).

Sim, é muito bom mesmo!


Arranjos/composições:

Tal tipo de trabalho exige sabedoria em termos de arranjos, e eles mostram isso em todo disco.

O grupo faz uso de violino e kaval (um tipo de flauta) para criar suas partes folk, se afastando de outros que não sejam guitarras, baixo e bateria. Nisso, se percebe que o grupo é realmente um pouco mais voltado aos aspectos mais pesados do Metal, sabendo usar os instrumentos clássicos para criar suas ambientações.

Óbvio que há um dinamismo em termos de arranjos, bem como contrastes entre o suave e melancólico com partes mais pesadas, mas sempre sem ser algo que choque os ouvidos. Longe disso, a suavidade é uma marca registrada da banda.


Qualidade sonora:

Como o grupo foi criado por Nikolay Nikolov e Elitsa Stoyanova em 2011, ele cuidou da gravação, mixagem e masterização de “The Forgotten Song”, criando algo limpo e bem definido, mas com peso nas devidas proporções quando exigido (especialmente nos momentos de vocais com timbres urrados). Pode não estar 100% dentro do que o grupo precisa, mas está de bom nível.


Arte gráfica/capa:

O grupo mostra algo mais simples como capa do disco. Algo que remete ao conteúdo musical, óbvio, mas simples, permitindo que as atenções fiquem todas na música.

AEGONIA ao vivo

Destaques musicais:

12 boas canções desfilam pelos alto-falantes, mostrando que o AEGONIA tem potencial para se firmar como um grande nome do gênero.

As melhores canções: a densa “In the Lands of Aegonia”, que antecede a Folk/Gothic “Rain of Tears” (uma canção rica em ambientações, com ótimas partes de vocais femininos e violinos, mas com a presença marcante do baixo nos momentos limpos), as belas flautas e partes introspectivas de “With the Mists She Came” (lindas linhas melódicas com guitarras mostrando riffs de primeira), o jeito Doom/Gothic tradicional de “Restless Mind”, o jeitão mais melancólico e profundo de “Battles Lost and Won” e de “The Offer”, e o Folk Metal introspectivo mostrado em “Gone”, em que pese o fato do disco inteiro ser muito bom. Tanto que parecem veteranos em termos de profissionalismo e musicalidade.


Conclusão:

Óbvio que o AEGONIAtem talento suficiente para ir ainda mais longe do que aquilo que compuseram para “The Forgotten Song”, mas por agora, é uma ótima pedida, realmente.


Nota: 8,3/10,0


Restless Mind



Bandcamp

A Estratégia da Polêmica, ou como cair em contos de vigário...


Por “Metal Mark” Garcia


E lá vamos nós de novo...

Há alguns dias, eu estava eu olhando o Facebook após uma maratona insana de resenhas. Cansado, olho e de repente surge em minha linha do tempo (ou timeline, como queiram), dou de cara com uma postagem sobre dois integrantes de uma banda lascando um beijo na boca, dizendo ser um protesto contra a homofobia na Rússia. Não sou fã da banda, logo, não citarei nomes (mesmo porque acredito que todos os leitores saibam a quem me refiro)...

Particularmente, não dou IBOPE para aquilo que não gosto, logo, só vi mesmo a manchete, e tão pouco o beijo deles comoveu minha pessoa. É cada um na sua, eu penso e vivo do meu jeito, o leitor da mesma forma, e por aí vai. Cada um na sua, e o mundo continuará girando.

O que me deixou mordido: lá estou eu olhando a postagem dessa matéria em um grupo do qual fazia parte. A primeira, com a notícia, por motivos de discussões com direito a baixarias foi retirada do ar (uma sábia decisão da moderação); a segunda, explicando os motivos, lá vem um leite com pêra, sem nem ser solicitado a dar opinião, agride a religião alheia, dizendo que “conservadores deveria estar em igrejas, e não no Metal”. Digno de uma criança chorona, e quase respondi. Poderia citar o sucesso comercial do STRYPER nos anos 80 como contra-exemplo, já que os beijoqueiros em questão não chegaram ao mesmo nível nem em seu auge (lembrando que a balada “I Believe in You” chegou a ser tema de novela Global por aqui e tocava toda hora nos programas de rádio), mas deixei para lá. Bruce Dickinson (que é a favor do Brexit), Michael Sweet, Dave Mustaine, Gene Simmons e tantos outros discordam dele sobre conservadores no Metal e no Rock, um tema aborrecido que nem faz sentido estender. Não é meu foco, mesmo porque quem brinca com criança (que é como vejo uma enorme parte desses militantes), acaba sujo de urina...

O que pensei na hora que vi a notícia: “eis mais uma banda desesperada, tentando aparecer de alguma forma”. Há quem discorde, citando o fato que sempre estão em grandes festivais. Mas a ausência de discos de canções inéditas, e mesmo o fato que não vejo muitas news ou postagens sobre a banda são um ótimo termômetro para aferir este fato: esta banda pode estar sendo consumida pelo tempo.

Diferente de prós e contras militâncias LGBT, minha mente viu apenas mais um golpe publicitário.

Basicamente, o motivo disso pode ser explicado por simples palavras: polêmicas vendem, rendem visualizações e “likes”. Mais uma vez, recordo o leitor que estou nessa vida de Metal há mais de 30 anos, logo já vi e li coisas do arco da velha. Coisas que a maioria dessa geração Nutella que se ressente e fica escandalizada teria pavor de saber. Coisas que os transformaria em fãs de coisas chatas com alguns grandes nomes do Pop Brasil dos anos 80 ou da MPB dos 70. Coisas que o tempo foram me revelando que não passam de estratégia de marketing.

Vai um morcego aí, tio?
Explicando por meio de um exemplo: um belo dia, lendo “Eu Sou Ozzy” (se ainda não leram, boa diversão, pois vale cada página), lia algo lá da época em que o Madman ainda vivia seus dias de loucura, chapado de cana, drogas e remédios, arrancou as cabeças de duas pombas na reunião com o pessoal da CBS (era algo sobre o lançamento de “Blizzard of Ozz” na Alemanha, se não me falha a memória). Depois que percebeu que deu uma senhora pisada na bola, Ozzy pensou que tomaria uma bronca épica de Sharon. Mas ela vira para ele, fala algumas coisas em tom ameno, e no final fala “a imprensa vai adorar isso”. Já comentei esse fato em matérias anteriores para revistas em que colaboro, mas continua sendo um ótimo exemplo de como usar algo ruim em seu favor. Até mesmo os processos pelos suicídios acabaram divulgando o trabalho de Ozzy (que sempre foi de alto nível, independente de qualquer coisa).

Outro bom exemplo: a infeliz morte de Cliff Burton acabou se transformando em uma alavanca que colocou o METALLICA ainda mais em evidência. Óbvio que a banda nunca quis isso, e o grupo se encontrava crescendo (em grande parte por conta de eles serem “opening act” de Ozzy na turnê do “The Ultimate Sin”), mas essa notícia os colocou em evidência para muitos fãs que não conheciam a banda. Foi algo muito impactante para a época, e lá fora, chegou a grandes jornais (aqui, só revistas especializadas e zines deram importância, lembrando que essa tragédia foi em setembro de 1986, e eu lembro que estava em um show do VULCANO no RJ).

Até brigas entre bandas davam (e ainda dão) alto Ibope. 

No passado, quem lia entrevistas nos velhos zines e revistas cansou de ver tretas como VENOM, X MERCYFUL FATE X MANOWAR (as 3 bandas não se bicavam de jeito nenhum), METALLICA X MEGADETH, SEPULTURA X SARCÓFAGO... Foram tantas que nem dá para lembrar.

Floor Jansen vs Kerry King: quem levaria?

Dos nosso tempos: lembram de Floor Jansen do NIGHTWISH reclamando do assédio dos fãs? Ou da vez em que ela falou publicamente do SLAYER? Ou o infinito (e chato) lamento de Max e Iggor Cavalera por causa do SEPULTURA? Pois é, cada uma dessas notícias cheira MUITO a oportunismo desmedido, uma oportunidade de ganhar holofotes e divulgar turnês e discos, e atualmente, compartilhamentos gratuitos dessas coisas no Facebook, Instagram e Twitter.

Se eu falar do Metal brasileiro então, a coisa fica feia, e sem necessidade alguma.

Refletindo: quais são as bandas do Brasil que estão conseguindo se manter sem esforços? A resposta é o mesmo grupo seleto de 4 ou 5 bandas, cuja citação é desnecessária, todos sabem quem são.

A maioria vive dentro do underground, logo, não faz muito sentido se envolver em polêmicas, seja lá pelo motivo que for. Aliás, torno a dizer: quem alimentou polêmicas por conta de políticos do ano passado para cá se queimou, e continua se queimando de tal forma que perdeu (e continuará perdendo) público. Em termos comerciais (como já falei antes nesta matéria), bandas não podem querer ter fãs só de um segmento político, mas fãs, pura e simplesmente. Sem essa mentalidade, ou vai ficar relegada ao underground (e nunca conseguirá se bancar, ou seja, será sempre uma fonte de gastos para os músicos), ou acaba desaparecendo de vez. E conseqüentemente, cada vez menos se pagará por seus shows, e assim, menos merchandising vendido, menos apelo, e enfim, o ostracismo que leva a banda em questão a um amargo fim.

Voltando ao tema principal. 

Particularmente, eu nem visualizo esse tipo de notícia. Não tenho paciência para notícias que acobertam caçadas a “likes”, audições nas plataformas digitais e seu devido compartilhamento, pois o desespero hoje é nessa direção (pois poucos compram discos físicos), e mesmo assim, elas não pagam tão bem como as bandas precisam. Se é assim, tem-se que ganhar com shows e venda de merchandising, mas como se a banda está fora da mídia? Se quer ganhar algo de mim nesse sentido, mostre música de alto nível. 

Entendam: basta uma polêmica, e defuntos aparecem. Sim, aquela banda que você mal vê/ouve falar, quando apronta algo, é por isso.

Por isso, no fundo, a polêmica inicial que mencionei soa como uma busca desesperada por novos fãs, uma vez que o mercado russo parece render bem, e o grupo, que teve muito prestígio na década passada, anda meio que sumido em termos de popularidade por aqui (novamente: quase não vejo nada da banda na imprensa há tempos por conta de seus trabalhos, se bem que é mais fácil ver postagens sobre Bolsonaro, Lula e outros políticos que qualquer matéria do IRON MAIDEN nos últimos dois anos). Por isso, o ato não me soa protesto ou algo do tipo, mas oportunismo e busca por audições e visualizações.

Mais uma: o uso de compartilhamentos nas plataformas sociais gera indicadores. E um dos que mais usa indicadores de internet em seu favor é o IRON MAIDEN. Lembram que foi noticiado que eles usando o número de downloads ilegais como indicador para onde devem fazer mais shows? E deu certo, pois vendem merchandising como água e ainda angariam novos fãs.

IRON MAIDEN: usando indicadores em seu proveito.

Artistas brasileiros, inclusive, adoram meter os bedelhos com o pessoal do Rock, porque já sabem que vai gerar repercussão para eles. Não citarei nomes, mas lembram de certa celebridade (que não canta Rock) usando camisas de bandas de Metal? Ou de certo falido da MPB que falou que “O Rock não chega na favela”? Pois é: viraram notícia em sites de Metal, ganharam visualizações e procuras na internet (e dinheiro) às custas dos fãs. Talvez seja de gente assim que venham os “dislikes” no Youtube, e nem imaginam que qualquer reação é uma reação. Ou seja, é o velho esquema de “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. 

Ainda: se você não gosta de um artista, por que gosta de falar dele em seus perfis nas mídias sociais? É justamente isso que todos eles querem! Por isso muitos te provocam, te irritam, te atacam: para que usando seu ressentimento, você poste várias vezes por dia, e por muitos dias, o nome da banda (gerando assim indicadores). Eis aí como você é enganado por artistas, e mesmo por políticos e celebridades. Dê a eles seu silêncio, e aí sim eles ficarão preocupados e incomodados. Nada pior para eles que o desprezo.

No mais, se querem tanto ter um lado nessas questões de polêmicas, seja como quiserem; agora, diferente da criança imatura mencionada no início (o fã leitinho com pêra que nunca deve ter ouvido falar em GODFLESH, NIN, ou mesmo no MINISTRY), façam isso sem mexer com quem está quieto. 

Seria uma postura madura, embora não maturidade e educação não estejam em voga nesse meio depois das eleições do ano passado...

P.S.: Depois disso, já saí de mais um grupo por conta do povo da “resistência”, que acha bonito ficar ostentando intelecto de vaquinha de presépio na net. Sempre digo: acredite no que quiserem, votem em quem acreditarem, só que mexer com quem está quieto tem consequências.

Para vocês, o caso se resolve com o negão do WhatsApp...


P.P.S.: não me adicionem em grupos!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

TWILIGHT FORCE - Dawn of the Dragonstar


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional

Tracklist:

1. Dawn of the Dragonstar
2. Thundersword
3. Long Live the King          
4. With the Light of a Thousand Suns
5. Winds of Wisdom 
6. Queen of Eternity
7. Valley of the Vale
8. Hydra
9. Night of Winterlight
10. Blade of Immortal Steel


Band:


Allyon - Vocais
Lynd - Guitarras, Alaúde
Aerendir - Guitarras
Born - Baixo
Blackwald - Teclados, Piano, Violino, Címbalo
De’Azsh - Bateria


Ficha Técnica:

Blackwald - Produção, mixagem, masterização
Lynd - Produção, mixagem
Kerem Beyit - Artwork (capa)


Contatos:

Assessoria:


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Não é incomum que, depois dos estresses e desilusões da vida cotidiana, todos busquem algo fora do universo real, algo que leve as pessoas para um universo diferente.

Na literatura, quantos são os escritores que deram asas à própria imaginação e criaram universos literários que permitem aquela boa e velha escapadela por algumas horas. Autores como J. R. R. Tolkien, Julio Verne, Bram Stoker, H. P. Lovecraft, Edgar Rice Burroughs, Robert E. Howard e tantos trouxeram ao mundo a fantasia, que foi penetrando o subconsciente de todos. Quem nunca quis ser Aragorn, Legolas, Van Helsing, Tarzan, Conan, ou qualquer personagem de fantasia em um momento de aborrecimento? Quantas não foram as vezes que se quis deixar esse mundo para trás em busca de aventura e romance?

Pois é. Por isso as bandas que investem nessa temática são tão importantes, pois aliam a música à literatura e nos permitem um alívio.

Por isso, bandas como o sexteto sueco TWILIGHT FORCE são tão importantes, pois elas nos concedem a diversão. Ainda mais que o terceiro disco do grupo, chamado “Dawn of the Dragonstar”, acaba de ser anunciado pela parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasilcomo um de seus próximos lançamentos.


Análise geral:

O grupo é especializado em um formato de Epic/Symphonic Power Metal melódico, rápido e trabalhado na mesma veia que nomes como RHAPSODY OF FIRE, só que realçando ainda mais o lado épico/folk de suas canções. A energia liberada em cada música é extremamente pegajosa e envolvente, tudo graças a melodias perfeitas criadas por ótimas orquestrações.

Aliás, é impossível não se imaginar em Númeror, Nargothrond, Moria, Minas Tirith, ou em outro local da Terra Média, ou mesmo em Shadizar, Aquilônia ou outro canto do mundo durante a Era Hiboriana. Elfo, anão, humano, orc, hobbit, ou outro tipo de personagem que queria, se permita essa viagem!

Sim, a música do grupo, mesmo sem reinventar o gênero, vem para somar e mostrar que eles têm personalidade se sobra!


Arranjos/composições:

A verdade é que o grupo sabe arranjar perfeitamente suas canções.

A Sociedade TWILIGHT FORCE teve uma mudança de “Heroes of the Mighty Magic” (de 2016): Chrileondeixou o grupo, enquanto Allyon se tornou o novo bardo do grupo, ampliando possibilidade musicais.

Sabendo contrastar a força de orquestrações excelentes com riffs de guitarras certeiros, técnica e peso fluindo de baixo e bateria, e tudo isso funcionando perfeitamente para os vocais exibirem contrastes de tons ótimos. Mas o ponto forte do disco: as canções não são complexas em termos técnicos, ou mesmo pedantes. Nada disso, esses guerreiros mostram um trabalho musical extremamente pegajoso, baseado em refrães grandiosos, ambientações bem feitas e mudanças de tempo excelentes. Tudo o que um disco de primeira precisa ter.


Qualidade sonora:

Assim como em “Heroes of the Mighty Magic”, esse disco também foi forjado pelas mãos de Blackwalde Lynd, tudo para que “Dawn of the Dragonstar” tivesse uma expressão clara, uma qualidade sonora de alto nível. O nível de detalhamento das canções é alto, logo, foi preciso realmente deixar tudo bem claro, mas mantendo a dose correta de peso.

Além disso, a preocupação com os timbres foi tão grande que resolveram usar uma guitarra Fender Stratocaster para a gravação da maioria dos solos de guitarra, ou seja, algo bem definido.


Arte gráfica/capa:

Mais uma vez o sexteto contou com o artista gráfico Kerem Beyit, que fez uma capa muito bonita, antenada com o conteúdo lírico do disco.

A Sociedade do TWILIGHT FORCE

Destaques musicais:

Se já tiverem lembas e cantis com água nas mãos, a espada na cintura, as flechas na aljava e suas devidas vestes de proteção, é momento de se permitirem uma jornada prazerosa pelo mundo de “Dawn of the Dragonstar”.

Que o Poder do Dragão nos guie e nos guarde!

As lendas começam com a grandiosa e sedutora “Dawn of the Dragonstar”, uma canção recheada por belíssimas orquestrações e um refrão marcante (onde os vocais mostram seus timbres agudos exuberantes); na sequência, vem a épica “Thundersword” (uma trova temperada com aço élfico e ótimas passagens clássicas dos teclados, mas como baixo e bateria mostram um trabalho excelente e técnico na base rítmica), seguida de “Long Live the King”, que tem o andamento não tão veloz (o que permite que as melodias sejam mais bem compreendidas), e cujos corais grandiosos são apaixonantes. O equilíbrio entre partes orquestradas e peso é sustentado pela magia os Istari em “With the Light of a Thousand Suns” (reparem nos timbres operísticos dos vocais) e “Winds of Wisdom” (ambas são cheias de belíssimos contrastes de ambientações, e a riqueza melódica permite o ouvinte a entender o precioso trabalho das guitarras nos riffs e solos), as nuances mais acessíveis de “Queen of Eternity” (alguns toques à lá QUEEN surgem nas melodias, e que belíssimas combinações formadas por guitarras e teclados) e “Valley of the Vale” (nesta, os elementos tradicionais do gênero em termos de ritmo são encontrados, ou seja, bateria rápida com bumbos acelerados, mas existem boas mudanças de tempo, mostrando como a base rítmica sabe ser técnica, mas sem perder peso). Moldada pelos malhos dos anões de Moria vem a clássica e grandiosa “Hydra” (épica, com ótima diversidade de ambientações, e como as guitarras estão bem, com riffs bem construídos). Em uma pegada Symphonic Power Metal clássica vem “Night of Winterlight” (adornada por belíssimos vocais e partes orquestrais). Fechando, vem a epopéia de mais de 12 minutos de duração chamada “Blade of Immortal Steel” (basicamente, toda a banda está ótima, e tudo que explora musicalmente está claro, com muitas ambientações diferentes contrastadas). Dessa forma, as heróicas estórias do sexteto são contadas.

E um ponto interessante: os integrantes se apresentam nos shows vestidos como personagens do universo de suas letras. E isso acaba levando os fãs para dentro do universo deles.


Conclusão:

As antigas profecias se confirmam, pois “Dawn of the Dragonstar” é realmente um ótimo disco, e que tende a angariar mais e mais fãs para esses Guerreiros do Poder da Alvorada.

Aproveitem, e deixem que o TWILIGHT FORCE leve-os a um mundo novo, onde a fantasia e a diversão os aguardam...


Nota: 10,0/10,0


Dawn of the Dragonstar



Queen of Eternity



Night of Winterlight