segunda-feira, 29 de julho de 2019

SUNROAD - Heatstrokes


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Mind the Gap
2. Given and Taken
3. Screaming Ghosts
4. Lick My Lips
5. Empty Stage
6. Unleash Your Heat
7. Heatstrokes
8. Spelbound Age
9. Overwhelmed
10. Dare to Dream


Banda:


André Adonis - Vocais, Guitarra Base, Guitarra Solo em 3 e 7
Mayck Vieira - Guitarras, backing vocals
P. Jordan - Baixo, backing vocals
Fred Mika - Bateria, backing vocals


Ficha Técnica:

Fred Mika - Produção, Artwork
Netto Mello - Produção, Mixagem, Masterização


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.somdodarma.com.br(Som do Darma)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Hoje em dia, o mundo inteiro tem experimentado o renascimento do Hard/Glam Metal dos anos 80. O estilo realmente faliu nos anos 90 nos EUA, e apesar de gigantes do estilo por lá ainda terem moral, o sucesso comercial de antes não existe. E isso faz com que outros países sejam criadouros de banda do gênero, entre eles, Suécia e Finlândia têm sido os mais notáveis.

Mas quem disse que o Brasil fica de fora?

Cada vez mais, bandas do gênero estão surgindo por aqui, e não é nenhum pecado dizer que uma das pontas de lança daqui é o quarteto SUNROAD, de Goiânia, que na ativa há quase 15 anos, chegam com seu sétimo disco de estúdio, o excelente “Heatstrokes”.


Análise geral:

A identidade do quarteto não é complexa de ser investigada: o mais puro Hard/Glam Metal dos anos 80, com boa dose do Hard Rock dos anos 70. Só que a banda está com uma pegada pesada (ainda mais que em seus discos anteriores) e a técnica que remete diretamente ao US Metal dos anos 80 (nomes como LIZZY BORDEN e MALICE surge naturalmente como referência sonora).

Mas não se preocupem: quem é fã não tem do que reclamar, pois a identidade de antes continua evidente. É apenas um novo ângulo que a banda se permitiu na abordagem de seu jeito de fazer música.

E pode-se aferir: eles capricharam MUITO!


Arranjos/composições:

Nada no trabalho do quarteto é mais eficaz que sua capacidade de arranjar as canções de maneira espontânea e melodiosa, caprichando nas partes de refrães (que são pegajosos demais, e essa é uma das características mais fortes da banda), boas ambientações de teclados. Mas quando partes para vocais-guitarras-baixo-bateria, é bom sair da frente, pois o caldo engrossa de vez.

O que ocorreu com o grupo é que resolveram colocar para fora ainda mais de sua agressividade e energia, ganhando peso como conseqüência direta, mas sem abrir mão de melodias “chicletosas” e ótimas ambientações acessíveis.

Basicamente: é estilo “bateu, levou”, ou adaptando-se o bordão para o mundo musical, “ouviu, gostou”.


Qualidade sonora:

Se em trabalhos anteriores o balanço crueza-peso-clareza estava um pouco fora do ponto certo, dessa vez, eles acertaram em cheio.

A sonoridade de “Heatstrokes”, criada por Fred Mika e Netto Mello consegue dar às canções aquilo que elas precisam: a clareza para que suas melodias estejam acessíveis aos ouvidos, a força e o peso de seu lado mais Heavy Metal, mas aquele toque de “Rock cru” essencial.

Muito da crueza sonora vem dos timbres, escolhidos a dedo e lapidados da melhor forma possível.


Arte gráfica/capa:

A arte é de Fred Mika, e ficou muito bonita com essa imagem de fundo. O encarte possui uma diagramação simples, também usando a arte da capa como fundo. Algo bem tradicional, mas que sempre rende bons frutos.


Destaques musicais:

“Heatstrokes” é um disco que realmente vale o tempo investido, pois a banda caprichou bastante.

“Mind the Gap” abre o play com uma pegada pesada e agressiva, mas com lindas linhas melódicas (especialmente no refrão), e um leve acento de AOR. Em “Given and Taken” o lado US Metal dos anos 80 aflora, com belas debulhadas do baixo, além de riffs certeiros e boa dose de agressividade. O peso melodioso se faz presente mais uma vez em “Screaming Ghosts”, cuja ambientação é bem crua, o que torna as melodias mais duras, mas mesmo assim, acessíveis; e o mesmo ocorre com a mais arrastada “Lick My Lips” (ambas com belas partes de bateria). Belos teclados introduzem e estão presentes na sensível e pegajosa “Empty Grace” (uma balada daquelas que fariam sucesso nos programas de rádio dos anos 80), onde os contrastes de vocais bem postados e momentos mais pesados surgem. E “Unleash Your Heat” parece uma outro curta e grossa para fechar a balada. Também bem acessível e pegajosa é a hardoza “Heatstrokes”, que embora mostre peso, tem aquele jeito AOR bem evidenciado no refrão e na ambientação da canção, mesmo elementos da grudenta “Spelbound Age” (que apesar da acessibilidade, soa mais elaborada em termos de guitarras), um Hard mais cadenciado e duro. Novamente rebuscando os elementos do US Metal vem a pancada melódica “Overwhelmed”, com harmonias simples, mas certeiras (é ouvir e ser seduzido), mesmo elementos da pegada mais lenta e bruta de “Dare to Dream” (outra pancada Hard ‘n’ Heavy nos moldes norte-americanos).

Eita disquinho bão pra ninguém botar defeito, e pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais:

Spotify: http://bit.ly/2YlhOrU 
Deezer: http://bit.ly/2YrgzaU
iTunes: https://apple.co/2W5nmJw 
Google Play: http://bit.ly/2HkSDzY 
Amazon: https://amzn.to/2HkS7lw 
Youtube: http://bit.ly/30lBOfX


Conclusão:

Os anos de experiência e a coragem do SUNROADlhes permitiram construir um disco tão bom como “Heatstrokes”, e pelo visto, é mais uma banda que vai conquistar o exterior antes do Brasil. Se bem que eles merecem muito!

Nota: 9,2/10,0


Lick My Lips



Empty Stage

DEVACHAN - Regeneração


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Domain Principia Inferiorum (intro)   
2. Regeneração     
3. Jogo da Vida     
4. Um Sonho?       
5. Loucuras, Guerra e Poesias   
6. Devachan
7. Olho Por Olho... 
8. Caminho do Medo       
9. Eis a Questão    
10. Punctus Contra Punctum


Banda:


Gabriel Augusto Dias - Vocais
Leandro Augusto Dias - Guitarras
Michael Veríssimo - Teclados
Daniel Augusto Dias - Baixo
Thiago Zico Teixeira - Bateria


Ficha Técnica:

Felipe Colenci - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Rodrigo Ricardo - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Jean Michel (DSNS Art) - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria: www.somdodarma.com.br(Som do Darma)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Quando se pensa no Metal feito no Brasil, pensa-se logo nas bandas que cantam em inglês, uma vez que os primeiros grupos de sucesso faziam música dessa forma. Mas muitos esquecem que bandas como SALÁRIO MÍNIMO, VÍRUS, CENTÚRIAS, KORZUS, ABUTRE, AZUL LIMÃO, METALMORPHOSE e tantos outros, anteriores ao “boom” de 1985-1986, já faziam seus trabalhos na língua pátria.

Dando sequência a esta ideologia do Metal cantado em português, vem o DEVACHAN, quinteto de Iperó (SP), lançando seu primeiro “full length”, “Regeneração”.


Análise geral:

Basicamente, o quinteto faz um Heavy Metal tradicional clássico, com boa dose de peso e melodias bem estruturadas. Há um toque de Rock Progressivo dos anos 70 bem evidente (pois os teclados não se satisfazem em apenas criar “fundos” melódicos), mas ao mesmo tempo, surgem elementos mais modernos em algumas partes (devido às conduções rítmicas nos dois bumbos)

Sem inovar, mas com personalidade, o grupo realmente nos brinda com uma música bem feita e elegante, mas ao mesmo tempo, pesada e com o devido toque de agressividade. E não seria um pecado dizer que a banda seria um encontro bem feito de influências de RUSH, ICED EARTH e bandas da NWOBHM, mas com sua própria identidade.


Arranjos/composições:

O grupo sabe o que fazer na parte dos arranjos, pois se percebe a fluência de suas músicas de maneira espontânea, sem exagerarem demais na técnica ou em enfeites dissonantes (existe técnica instrumental evidente, mas o enfoque não é a exibição). Tudo soa sólido e compactado, e com melodias simples de serem assimiladas.

E é justamente essa consensualidade entre arranjos que faz tudo soar bem aos ouvidos, sem mencionar que a banda é rica de mudanças de ritmo, evitando assim que sua música soe cansativa.


Qualidade sonora:

Felipe Colenci e Rodrigo Ricardo respondem pela produção, gravação, mixagem e masterização de “Regeneração”. A sonoridade resultante é boa, embora pudesse ser melhor em termos de clareza (há momentos em que os teclados ficam baixos demais), dando equilíbrio e peso às canções.

No tocante à timbragem dos instrumentos, a banda optou por algo um pouco menos “enlatado”, ou seja, enfeitado demais com infinitas edições digitais. Tudo soa o mais próximo do ao vivo possível.


Arte gráfica/capa:

Jean Michel (da DSNS Art) foi quem fez a arte gráfica. E o ponto forte é: nada de criar uma arte super-rebuscada para a capa, mas simples e funcional, com uma diagramação inteligente no encarte.

Mais que isso desfocaria o brilho das canções, verdade seja dita.


Destaques musicais:

O DEVACHAN já havia dado sinais de seu potencial em “Andarilho”, seu EP de 2013, e agora mostra que é um nome bem forte.

“Domain Principia Inferiorum” é uma introdução que precede a pesada “Regeneração”, cujos andamentos não são lá muito rápidos, e com ótimas partes de teclado (bem progressivas em alguns momentos). Em “Jogo da Vida”, a banda já mostra uma técnica mais burilada, com clara referência ao trabalho do RUSH nos anos 70, e com partes muito boas de teclados e riffs certeiros. Alguns elementos de Thrash Metal aparecem nas guitarras em “Um Sonho?”, uma canção rica em ambientações (os teclados cuidam muito bem disso) e em melodias no solo de guitarra. A beleza instrumental sensível de “Loucuras, Guerra e Poesias” é imensa, com partes introspectivas bem melodiosas, mas com momentos de crescendo bem pesados (e assim, a versatilidade dos vocais fica evidente). Com claras menções ao Prog Metal setentista, “Devachan” mostra uma pegada densa e trabalhada em termos de arranjos, com baixo e bateria criando doses de peso e mudanças de tempo providenciais. Claras influências de RUSH, YES e Metal tradicional vão surgindo sequencialmente em “Olho por Olho...”, seguida pelas melodias densas e ambientação “noir” da sensível “Caminho do Medo”, onde guitarras e baixo mostram sua força e criatividade. E “Eis a Questão” é outra lição de como se equilibrar peso, melodias, agressividade e partes grandiosas, com uma exibição de gala de bateria e teclados. “Punctus Contra Punctum” é uma outro climática para fechar de vez o disco.

Basicamente, a banda nivelou tão bem suas canções que fica difícil destacar uma ou outra. E o disco pode ser ouvido gratuitamente no Spotify: https://open.spotify.com/album/5SuYLFRgvmVxDjZGHFS6wr


Conclusão:

O DEVACHAN é uma banda promissora, como “Regeneração”deixa claro. Aparando as arestas necessárias com ensaios e shows, mais uma produção um pouco melhor, ninguém segura esse quinteto!

Nota: 8,4/10,0


Loucuras, Guerras e Poesias