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domingo, 30 de junho de 2019

BURNING WITCHES: Martelando Metal duro como o aço (Entrevista)



Por “Metal Mark” Garcia


No meio do tsunami de bandas de Metal Old School que tomou conta do cenário, de tempos em tempos um novo nome chama a atenção. E o quinteto feminino suíço BURNING WITCHES é um deles, como o segundo álbum da banda, “Hexenhammer”(uma bela mistura de Metal tradicional com algumas influências de Power/Speed Metal e Hard Rock) está aqui para provar.

E como o disco está sendo lançado no Brasil, tivemos a oportunidade de falar com essas Bruxas do Metal (mais especificamente com a baterista Lala) para saber um pouco mais da história e ambições delas, bem como sobre o futuro.

Lala Frischknecht

MMG: Antes de tudo, gostaria de agradecer pela oportunidade. Como o BURNING WITCHES é um nome ainda não muito conhecido pelos Metalheads brasileiros, poderia nos falar um pouco da história da banda, como vocês se juntaram? E existia a ideia de formar uma banda exclusivamente de membros mulheres? E qual é o conceito, a ideia principal, por trás do nome da banda?

Lala: Olá, Heavy Metal Thunder. Aqui é Lala e eu vou falar em nome das Bruxas. Obrigado por nos entrevistar.

O BURNING WITCHES foi fundado em 2015, na cidade de Brugg, Suíça. É o sonho de Romana (N.T.: guitarrista do grupo) ter uma banda só com integrantes mulheres. Ela possui outra banda, chamada ATLAS AND AXIS, onde somente ela é mulher.

Ela começou a procurar por integrantes e Jeanine Grob (N.T: baixista do grupo), uma amiga de longa data, se tornou o primeiro membro oficial. Ela então encontrou Seraina Telliem uma festa. Deu um estalo imediatamente por conta das habilidades musicais de ambas. Após uma longa busca e diferentes audições para uma baterista adequada, elas me encontraram. Romanapediu a Alea Wyss para preencher a vaga no outro machado (NT.: é comum o uso de “Axe”, ou seja, "Machado", para falar da guitarra em uma forma bem conhecida no cenário). Mas infelizmente, ela saiu da banda por motivos pessoais e foi substituída por Sonia Nusselder como nova integrante. Tivemos semanas bem difíceis porque Seraina também deixou a banda recentemente e quis se concentrar em sua carreira solo. Encontramos Laura por meio de nosso contato holandês por meio de Sonia. Ela fez o primeiro show dela conosco no Sweden Rock Festival e foi um sucesso.

Todas nós amamos Heavy Metal e por aí vai. E isso nos une. O mundo é muito pequeno. Como um ouvinte e frequentador de shows, você nunca saberá se alguém que irá encontrar vai mudar sua vida. A música une as pessoas e felizmente, não requer linguagem, raça ou gênero.

Somos apaixonadas por tocar e, ao mesmo tempo, ajudar e dar suporte umas as outras em uma família de verdade.

E não podíamos pensar em outro nome, Somos apenas um bando de garotas doidas que estão prontas a queimar pelo Metal, e é por isso que nos chamamos BURNING WITCHES.

Laura Guldemond (vocais)

MMG: A Suíça é conhecida no mundo inteiro por nomes como CELTIC FROST, CORONER e mais alguns, mas aparenta aos que moram fora da Europa que é raro ver mais nomes fortes vindos do país. Como se sentem sendo “herdeiras” de tais nomes do Metal?

Lala: É uma honra sermos herdeiras de tais grandes bandas da Suíça que levaram as pessoas a tocarem música ou serem parte de uma banda.

Talvez isso aconteça porque estamos em um país pequeno, e o Metal perde ouvintes por conta da influência do Pop e outros estilos musicais mainstream. Apesar de essas pessoas darem suporte a diferentes tipos de Metal, bem como vão a shows underground ou grandes concertos, ainda é difícil para as bandas conseguirem algo. A população na Suíça é bem pequena. Mas estamos felizes que, mesmo morando em um país tão pequeno, o cenário musical aqui é apoiado pelas pessoas por elas mesmas, que lutam para manter o cenário vivo.


Romana Kalkuhl (guitarras)
MMG: Mesmo sendo uma banda jovem em 2016, as revistas alemãs Metal Hammer e Rock Harddenominaram sua primeira Demo como a “Demo do Mês”. Esse fato deu uma ajuda em abrir portas e para espalhar o nome do BURNING WITCHES por toda Europa?

Lala: Como uma banda novata na época, seria impossível ter uma chance de nos apresentar, e sendo uma “Demo do Mês” em revistas tão grandes como a Rock Hard e Metal Hammerfoi um ótimo começo, e nos ajudou a conseguirmos mais exposição. Não esperávamos aquilo. Somos gratas a elas por nos reconhecerem. Talvez as pessoas tenham nos visto lá se perguntaram quem diabos éramos nós, ficaram curiosas e acabaram checando nossa música.


MMG: Em dezembro de 2016, vocês lançaram um Single, “Burning Witches”, e em maio do ano seguinte, “Burning Witches” (o álbum) foi lançado. Como foi a recepção a ele pela imprensa e fãs de Metal? As coisas melhoraram como esperavam?

Lala: Na realidade, foi uma Demo limitada a 666 cópias com duas canções, “Black Widow” e “Burning Witches”, que esgotou em um período curto de tempo.

E sim, tivemos uma resposta grande das pessoas após o lançamento de nosso primeiro disco, “Burning Witches”. Acho que foi revigorante para elas verem uma banda feminina tocando Heavy Metal dos anos 80 em um cenário dominado por homens. É muito surpreendente ver que as pessoas curtiram nossa música. Não esperávamos que isso acontecesse. E naquela época, começamos a conseguir mais shows, e também uma chance de tocar em grandes festivais como o “Bang Your Head” na Alemanha, que foi nosso primeiro grande festival.


MMG: Hora de colocar “Hexenhammer” como centro das atenções. Levou apenas 1 ano entre o lançamento dele e o de “Burning Witches”, uma estratégia não muito usual para od dias de hoje, onde as bandas preferem períodos mais longos entre dois lançamentos. A pergunta: por que tão cedo? E como a Nuclear Blast Records recebeu a ideia de um segundo álbum apenas um ano depois do primeiro?

Sonia “Anubis” Nusselder (guitarras)
Lala: Após o lançamento de nosso primeiro álbum, continuamos escrevendo canções. Já tínhamos 5-6 músicas antes da Nuclear Blast Records nos oferecer um contrato. Então foi um “timing” perfeito. Sem pressa alguma. Como me lembro ouvir a notícia de que a Nuclear Blast queria nos contratar: foi um momento inesquecível, era inacreditável saber do interesse de um selo tão grande. Estamos muito felizes de saber que eles acreditaram em nosso potencial, não só como uma banda feminina, mas como uma banda que pode fazer música boa e refrescante.


MMG: O título do disco, “Hexenhammer”, está ligado de alguma forma à concepção musical ou lírica de alguma forma? Por favor, nos fale de suas idéias sobre ele.

Lala:Tínhamos a ideia de que o Hexenhammer (NT.: em alemão, significa “Martelo das Bruxas”, o livro conhecido da Idade Média) poderia ser um conceito perfeito para um disco, porque também lida com nossa história. E fazia sentido para todas nós. Ele é uma Bíblia da Caça às Bruxas que lida com a perseguição e extermínio de bruxas. E é também uma parte triste da história.

Existem algumas canções que se referem ao Hexenhammer e ao seu criador. Como nossas canções “Dead Ender” e “Hexenhammer” são sobre Heinrich Kramer, que é o autor do livro, um canalha que dizia que as vidas das Bruxas não tinham importância, e que deveriam ser queimadas vivas. A canção “Executed“ é sobre Anna Göldi, a última Bruxa da Suíça e sua vida angustiante. Mas também temos letras sobre a criação de guerras, comportamento humano, racismo, mitos de Bruxas como “Man-Eater”. Algumas são baseadas em opiniões e na imaginação.


MMG: Uma coisa que chama a atenção em “Haxenhammer” é a presença dos integrantes do DESTRUCTION, Schmier e Damir Eskić trabalhando na produção (junto com V. O. Pulver, que trabalhou também na gravação, na mixagem e na masterização). Mas eles são músicos de Thrash Metal, e vocês estão em um formato mais voltado ao Metal tradicional, então, como foi trabalhar com eles? As diferenças musicais melhoraram as coisas para vocês?

Jeanine Grob (baixo)
Lala: Schmier é um amigo de longa data de Romana, e Damir (também do GOMORRA) é o marido dela. Esses caras formidáveis estão conosco desde o primeiro dia, ou antes do BURNING WITCHES ser formado. São essas as pessoas que nos ajudam de muitas maneiras, nossos mentores e, claro, eles são nossa família. Ter Schmiere Damir a nosso lado é como ganhar na loteria (risos). V. O. Pulver também é um amigo de longa data de Schmier e também de nossa família Metal. Confiamos totalmente nele desde “Burning Witches”. Essas pessoas têm décadas de conhecimento na indústria musical.

E estar em uma banda de Metal tradicional não nos afeta, ou mesmo nossos mentores, que são de uma banda de Thrash Metal. Isso porque todos estão, de uma forma ou outra, ouvindo algo e, no fim do dia, será tudo sobre música e como faze-la de uma forma certa e boa.


MMG: Courtney Cox (guitarrista do THE IRON MAIDENS, e que tocou no PHANTOM BLUE) faz um solo de guitarra em “Maiden of Steel”. Como surgiu a ideia de convidá-la para tocar com vocês? E como se sentem com o resultado?

Lala: Courtney é uma amiga de Romana, e ela pediu a Courtney se ela poderia tocar em alguma canção nossa, e ela concordou. E ficou ótimo. Você pode ouvir muitas variações melódicas no solo dela em “Maiden of Steel”, e sim, ela é uma guitarrista que arrebenta como todos sabem, ha ha. Obrigado, Courtney!


MMG: Não gosto de falar sobre minhas reflexões pessoais em entrevistas, mas quando ouvi a música do BURNING WITCHES em “Hexenhammer”, soou para mim como algo novo, fresco e cheio de vida, o posto ao que ouço com freqüência em bandas que tocam tais gêneros musicais velhos (que tentam desesperadamente emular as qualidades sonoras do passado). Qual é o segredo de tão impressionantes energia e vida?


Lala:Muito obrigada. Romana é quem faz todos os riffs. Seraina fez as letras e também contribuía na composição das músicas. Romana tem muitas idéias e é bem rápida em escrever canções. Acho que é uma mistura de talento e devoção aquilo que você ama fazer. Praticar enquanto se diverte também ajuda bastante e torna a ambientação verdadeiramente maravilhosa e sem nenhum tipo de pressão. Não temos medo de experimentar novos materiais porque a canção já está finalizada, ainda podemos decidir se é suficiente para nossa própria satisfação. Acontece que esse é o sonho de todos hoje em dia, e se torna ainda mais cheio de energia porque nós só temos uma visão e objetivo, e essa visão é de fazer música boa e refrescante, e tocar isso o mais pesado que pudermos, e aproveitar cada momento enquanto estamos no palco tocando. Bons elos e amizade são importantes em uma banda. Eles criam uma boa ambientação para trabalhar da forma mais divertida e fácil.


Lala Frischknecht (bateria)
MMG: Esta pode soar um pouco ingênua, mas porque gravaram uma versão para “Holy Diver” do DIO? E o resultado final é ótimo, me permita dizer.

Lala: Bem, obrigado. “Holy Diver” é a primeira música canção que ensaiamos juntas e tocamos ao vivo pelo menos uma cem vezes. Ela é um dos melhores hinos do Metal no cenário musical. Amamos toca-la ao vivo enquanto as pessoas cantam. E nos conectar a elas é o ponto alto durante nossos shows.


MMG: Como dito acima, no nome do BURNING WITCHESainda não é muito conhecido no Brasil, mas enquanto falamos, tanto “Burning Witches/Burning Alive” como Hexenhammer” estão sendo lançados aqui pela Shinigamy Records/Nuclear Blast Brasil. O que acha disso? E se talvez isso faça as coisas crescerem por aqui, então esperamos que venham queimar nosso país com shows!

Lala:Obrigado a todos por acolherem nossa música em seu belo país. Não esperávamos que nossa música fosse alcançar o Brasil. É tão bom ver como a música pode navegar pelo mundo. É óbvio que existem pessoas que podem nunca ter ouvido falar de nós. É uma ótima chance a explorar e mostrar as pessoas que fazemos um bom e refrescante Heavy Metal. Esperamos poder ir e tocar em seu país. E ouvimos falar que as plateias brasileiras são insanas! Isso nos interessa, e esperamos algum dia queimar o palco e encanta-los para nosso círculo de bruxas.


MMG: Enquanto falamos, as notícias dizem que a vocalista Serainadeixou o grupo, e que uma nova Bruxa se juntou ao círculo: Laura Guldemond. Como as coisas estão indo com ela na banda? E ela cantou com vocês no Sweden Rock Festival, então como foi esta experiência de tocar o primeiro show com uma nova vocalista em um festival tão grande?

Lala: Sim, infelizmente Seraina deixou a banda. Foi triste, mas não podíamos fazer nada. Todos são livres para fazerem o que quiserem de suas vidas. Mas somos afortunadas em encontrar nossa nova Bruxa, Laura. E que talento imenso e garota louca que ela é, o mesmo que nós, ha há... Não são muitas pessoas que conseguem aprender 10 músicas em um período curto e cantar com culhões em um grande palco. Estamos orgulhosas dela. Ela gosta de ação, então é perfeita, ha ha.

Também gravamos um vídeo para uma canção com ela cantando, chamado “Wings of Steel”, que está no youtube como um visualizador oficial (NT.: este vídeo está logo abaixo da entrevista), mas estará disponível como Digi Single em 19 de Julho. E que canção ótima com tanto poder, melodias e velocidade! Laura realmente acertou nela!

BURNING WITCHES ao vivo no Sweden Rock Festival

MMG: O vídeo promocional para “Hexenhammer” é a canção-título. Quem escolheu esta canção em especial? E existem planos para algum novo para breve?

Lala:Todas nós decidimos fazer desta a faixa-título. Achamos que seria a canção perfeita para mostrar as pessoas o que elas poderiam esperar de “Hexenhammer”. Um verdadeiro Heavy Metal dos anos 80 com um toque da era moderna. Uma vez que tiver ouvido, não poderá sair, pois terá sido enfeitiçado, mas é certo que não vai se arrepender, ha há.

Atualmente, estamos trabalhando de forma intensa para novos materiais para nosso novo álbum, que deverá ser lançado no final de 2020. Logo, cuidado, colegas! Tenham certeza de estarem com os cintos apertados, ha ha. Será um tipo ardente de Heavy Metal.


MMG: Como falamos de shows, como está a agenda de vocês por agora? Alguma turnê fora da Europa está marcada? Espero que o Brasil esteja em seus planos, e vou pedir a vocês para assinarem minhas cópias de “Burning Witches” e “Hexxenhammer”(risos).

Lala: No momento, estamos ocupadas fazendo muitos shows na Europa e trabalhando no novo material para o disco novo que mencionei antes. Ainda não temos datas para o Brasil, mas é claro que visitaremos e tocarem em seu belo país, e beber Caipirinha enquanto caminhamos em Ipanema ha ha.

E ficaremos felizes em autografar seus discos. Sempre amamos fazer isso, ha ha.

BURNING WITCHES

MMG: Bem, é isso. Quero agradecer a você mais uma vez e, por favor, deixe sua mensagem para seus fãs e para os leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Lala: Muito obrigado pelo seu apoio. Queremos mandar todo nosso amor para vocês. “Keep It Burning”, camaradas. “Stay Heavy” e mais força ao “Heavy Metal Thunder Brazil”! Obrigado por espalharem as palavras. Horns up!


Contatos:



P.S.: O Heavy Metal Thunder Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de entrevistar Lala (and thank a you a lot, Lala).

Veja os vídeos para “Executed”, “Hexenhammer” e “Wings of Steel”:


Executed



Hexenhammer



Wings of Steel

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Jugernautas da Velha Guarda em seu Zênite - Entrevista com ENFORCER


Por “Metal Mark” Garcia


Desde a chegada dos estilos Old School de Metal, o nome do quarteto sueco ENFORCER se tornou um dos mais fortes do meio. Misturando a NWOBHM com influências de Speed Metal, desde de “Death by Fire” (2013) as legiões de fãs da banda aumentaram em número, e o grupo se tornou um nome forte com “From Beyond” (2015).

Mas eles mostraram coragem com “Zenith”, seu ultimo álbum, onde algumas influências mais acessíveis apareceram em sua música. E tivemos a oportunidade de falar com o guitarrista/vocalista Olof Wikstrand e saber sobre o presente momento, um pouco do passado e de seus planos futuros.

Olof Wikstrand

MMG: A primeira coisa que quero é agradecer pela oportunidade, e para iniciar, a banda experimentou um crescimento com “Death by Fire” e “From Beyond”. E “Zenith” está lançado, então vocês esperam alcançar ainda mais fãs?

Olof Wikstrand: É claro, é sempre útil para uma banda ter mais pessoas que se apegam a ela. Isso significa que podemos fazer shows maiores, produções maiores, shows melhores e eventualmente mais música. Mas ser famosos ou fazer isso grande nunca foi um de nossos objetivos. Apenas fazemos música que gostaríamos de ouvir. Acredito que o crescimento maior e mais rápido vimos de “Into the Night” até ”Diamonds” 2010. Mas sim, “Zenith”é um album muito diversificado, então definitivamente esperamos que qualquer Metal Head ou fanatic por Rock possa encontrar algo que goste nele.


MMG: A primeira música do disco (no caso, “Die for the Devil”), foi lançada para aquecer as coisas entre os fãs, mas algumas reclamações que falaremos mais abaixo apareceram. Sabem de algo sobre isso? Se sim, o que acha?

Olof: A internet é uma arena estúpida para opiniões estúpidas e não me aborrece em nada o que as pessoas escrevem. Lançamos uma canção que sentimos que era bem pesada e direta, e que falava muito do álbum. “Die for the Devil” é um grande hino de Metal Arena inspirado por bandas como SCORPIONS, OZZY OSBOURNE e DIO. Algumas pessoas perceberam isso, outra não. A única coisa que importa é que eu entendi.


Jonathan Nordwall
MMG: As reclamações de que falo acima são baseadas nas influências melódicas nas canções de “Zenith”. Sim, está melodic e um pouco mais comercialmente acessível que antes, apresentando influências de Hard Rock e mesmo de Glam Metal. Então, o que aconteceu no processo de composição? E essa visão melódica foi algo espontâneo ou era algo que queriam fazer? E como você pessoalmente compararia “Zenith” com seus álbuns anteriores?

Olof: Não existem traços de “Glam Metal” em “Zenith”. Honestamente, não tenho ideia de onde as pessoas tiraram isso. Melódico, sim. Algumas canções são talvez um pouco mais comercialmente acessíveis, e outras não o são. Temos tentado encontrar um bom balanço em “Zenith” entre melódico e não-melódico, velocidade e peso, criatividade e clichê, agressão e moderação, épico e canções mais diretas. Tudo para conseguir uma mistura perfeita e um álbum que é grandioso, e que pode ser comparado aos clássicos do gênero. Um álbum onde todas as canções podem ser tocadas do início até o fim, e que cada canção pode ser um “hit Single”. Pessoalmente, creio que “Zenith” é, de longe, o melhor álbum que já fizemos. Um marco em minha vida


MMG: Novamente, como foi no passado, vocês chamaram a responsabilidade de produzir “Zenith” para vocês mesmos. E olhando algumas entrevistas na internet, vocês levaram algo entre 2 anos e dois anos e meio para gravar e produzir o disco. Por que tanto tempo?

Olof: Estivemos muito ocupados, excursionando por em torno de dois anos para promover “From Beyond”. Então o que mais tomou tempo foi descobrir o que queríamos fazer, de termos certeza que faríamos algo que fosse inspirado e relevante ao invés de lançar outro álbum. Uma vez que tínhamos as músicas, a gravação foi bem tranquila. Temos produzido a nós mesmos em cada álbum que fizemos, logo não é algo novo ou estranho para nós.


Tobias Lindqvist
MMG: Ainda sobre a qualidade sonora, o resultado dessa vez, mesmo soando orgânico e à moda antiga, mas tudo melhorou, os instrumentos estão definidos de uma forma que não eram antes. È uma consequência da evolução, ou experimentaram tudo até o ponto de estarem plenamente satisfeitos?

Olof: Acho que tivemos uma ideia bem forte de como queríamos que o álbum soasse tanto quanto sabíamos como as músicas deveriam soar. Queríamos um disco que pudesse soar atemporal, mas grandioso. Queria que a bateria soasse como se fosse a maior bateria já gravada. Uma produção grandiosa e orgânica, mas com os benefícios das técnicas de gravação modernas.


MMG: Três canções se tornaram videos promocionais de “Zenith”: “Die for the Devil”, “Searching for You”e “Regrets”. A pergunta é se foram vocês que escolheram essas canções, foi uma ideia do selo, ou um acordo entre as duas partes?

Olof: Também temos um vídeo para “Sail On” que iremos lançar mais tarde, em algum ponto desse ano. Acho que foi um acordo entre todos nós. Aquelas 3 canções são daquelas que se destacam no disco e mostram uma grande variedade. “Die for the Devil” porque tivemos ótimas recepções dessa canção das pessoas para quem a tocamos. “Searching for You”por conta da velocidade e agressividade, e porque ela iria satisfazer nossos velhos fãs, e “Regrets” para mostrar alguns dos novos sons que estamos experimentando.

MMG: Talvez “Regrets” esteja causando a vocês algumas dificuldades, pois é uma balada, com o uso de pianos e uma estética extremamente acessível. Bem, como tem sido a recepção a ele? É a primeira balada do grupo, não é?

Olof: As recepções tem sido grandes para ela. Ouvi muita gente chamando-a de canção favorite, o que é ótimo ouvir quando você faz algo diferente do que já havia feito. De qualquer modo, nós tivemos uma “meia-balada” no álbum anterior em “Below the Slumber”, então escolhemos fazer isso e incluir uma balada complete nesse álbum.
  
Jonas Wikstrand

MMG: Enquanto falamos, o álbum já está nas lojas e plataformas digitais há um mês. Sei que ainda é meio cedo, mas como vocês estão indo com “Zenith”? A recepção está sendo as que esperavam, menor ou maior que as expectativas?

Olof: Ainda é muito cedo para dizer algo, eu acho. Mas as reações têm sido muito boas. Vamos ver quando sairmos em turnê.


MMG: Espero que saibam que “Zenith” está sendo lançado aqui no Brasil pela colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil. O que acha disso?

Olof: Sem opinião. Para ser honesto com você, nunca ouvi falar da Shinigami Records. Fazer essa parte do trabalho não é algo que eu ponha muito de atenção. Eu escrevo e toco, e deixo essa parte para outros.


MMG: Bem, vocês devem estar na estrada agora, tocando bastante. Então, como tem estado a agenda? Espero que esteja sendo ótimo! E podemos esperar alguns shows do ENFORCER aqui no Brasil? E por falar nisso, vou pedir a vocês para autografarem minhas cópias de seus álbuns (risos)!

Olof: Eu realmente espero que possamos fazer alguns shows no Brasil logo. Sempre ficamos felizes de assinar qualquer coisa que as pessoas nos tragam, e de poder sair com todos os nossos amigos e fãs que temos por aí e que dão suporte à nossa causa.


MMG: Bem, é isso; Mais uma vez, muito obrigado pela entrevista e, por favor, deixe a mensagem do ENFORCER aos leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Olof: Vejo vocês em breve! Heavy Metal para sempre! 666


Contatos:


P.S.: O Heavy Metal Thunder Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de entrevistar Olof Wikstrand (and thank a you a lot, Olof).

Veja os vídeos de “Die for the Devil”, “Searching for You” e “Regrets”, canções de “Zenith”.


Die for the Devil


Searching for You



Regrets

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Estrada direta ao Rock ‘n’ Roll - entrevista com o PRISTINE



Por “Metal Mark” Garcia

“Uma banda de Rock de Tromsø” são as palavras que começam a biografia do grupo PRISTINE em sua página no Facebook. E eles são uma banda excelente, pois a música da banda é um Classic Rock guiado por uma dose de energia e podem fazer seus tímpanos explodirem!

O quinto e mais recente lançamento do grupo, o álbum “Road Back to Ruin” está sendo lançado no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil, então tivemos a oportunidade de falar com a vocalista e compositora Heidi Solheim.

Heidi Solheim


MMG: Antes de tudo, gostaria de agradecer por esta oportunidade de entrevistar você, e para começar, por favor, conte a história do PRISTINEem algumas palavras, pois são poucos os fãs brasileiros que já foram devidamente apresentados à sua música no momento.

Heidi Solheim:Muito obrigado por suas palavras gentis! É muito bom falar com você também. PRISTINE vem do extremo norte da Noruega, uma bela e destacada parte do mundo. É tão ao norte que no verão o sol nunca se põe, e no inverno, é a estação escura sem luz alguma. Esta é uma parte do mundo cheia de contrastes, solidão e brutalidade da natureza.

PRISTINE foi fundado ao redor de mim e de minha música em 2010. Me mudei para a cidade de Tromsø e encontrei a banda lá. Eu já havia escrito algumas músicas e quis experimentar com uma banda. Rapidamente aprendemos que temos um fraco pelos ícones do Rock dos anos 70, bandas psicodélicas e vocalistas de Blues/Rock. Em 2011, lançamos nosso debut na Noruega, chamado “Detoxing”, e começamos nosso caminho em direção ao ponto em que estamos hoje.

MMG: A Noruega é bem conhecida por sua cena de Metal extremo, especialmente o Black Metal de Oslo e Bergen. Mas vocês são uma banda de Rock ‘n’ Roll. Acredita que este fato, este contraste, pode chamar alguma atenção para seu trabalho musical?

Heidi: A cena Black Metal da Noruega é bem conhecida pelos fãs de Metal e para o mundo em geral, e muitas belas coisas extremas vieram da Noruega naquela época. A impressão de muita gente da cena musical em sua totalidade é colorida pelo crescimento do Black Metal naqueles tempos, mas para nós, não era um gênero ou acontecimentos que sabíamos muito. Oslo e Bergen são cidades distantes de nossa parte do país, então nos sentíamos como tudo aquilo tivesse acontecido em outro mundo diferente do qual crescemos.

Espen Jakobsen
Mas eu tenho notado que perguntas sobre nossa ligação com a cena Black Metal norueguesa surgem frequentemente, e para um país tão pequeno, é uma comparação natural, eu acho, 😊


MMG: Mesmo com vocês tendo 4 discos até agora, parece que “Road Back to Ruin”, lançado pela Nuclear Blast Records, pode ajudá-los a crescer mais. E como ele foi lançado em Abril passado, vocês já têm um feedback dele, estou correto? E como os fãs têm recebido “Road Back to Ruin”?

Heidi: Nós temos experimentado um feedback quente e ótimo pelo lançamento de “Road Back To Ruin” até agora! Tem sido absolutamente fantástico e tocante ler e experimentar as reações ao nosso disco. Uma verdadeira motivação para continuarmos a escrever novas músicas e tocar em mais cidades!

MMG: Nos aprofundemos em “Road Back to Ruin”: quais são as diferenças e similaridades dele com seus discos anteriores?

Heidi: Penso que o PRISTINE se tornou uma banda mais sofisticada e “robusta” depois desses anos. Como “Road Back to Ruin” nós fomos com uma atitude mais corajosa em relação à gravação e à composição. Se olharmos nosso primeiro disco, “Detoxing”, creio que evoluímos para uma banda mais pesada de Classic Rock. Ainda lançamos música diversificada com melodias fortes e muitos contrastes, em minha opinião. Mas em “Road Back to Ruin”, acredito que levamos a diversidade a outro nível. Penso que este é o álbum que lançamos com a maior diferença em expressões e “feeling” na música.


MMG: “Road Back to Ruin” possui dez excelentes canções, mostrando influências de bandas de Classic Rock como BLACK SABBATH, DEEP PURPLE e outras, mas com uma energia crua que chama a atenção do ouvinte de maneira forte. Como foram as coisas durante o processo de composição? Existe um método de trabalho ou as coisas surgem de forma espontânea? E por falar nisso, sua música tem uma personalidade forte, algo diferente de muitas bandas de seu gênero hoje em dia.

Heidi: Muito obrigado! É ótimo ouvir que você gostou de nossa música.

Sobre o processo de composição, ainda sou a responsável pelas letras, cordas e melodias. Eu geralmente viajo para a cabine de meus pais no norte todo inverno para escrever mais músicas. O frio extremo e a escuridão que temos no norte a cada inverno é algo que realmente me inspira a escrever música. Há certo sentimento de solidão que pode ser de tirar o fôlego. Tomei muito tempo tentando encontrar o “fio condutor” que queria quando começo a escrever um novo disco. Com “With Road Back to Ruin”, eu tinha muitos objetivos e tópicos sobre os quais queria refletir. Uma das minhas primeiras metas era escrever canções mais pesadas que nos discos anteriores - mais diretas, cheias de energia e com riffs mais escuros. Sobre as letras, queria escrever canções que refletissem minha crescente preocupação com os valores sociais e políticos que estão crescendo hoje em dia, e ao mesmo tempo, queria escrever sobre minha própria história, minha vida e minha experiência. É sempre muito difícil compartilhar 100% daquilo que você tem no coração, mas para mim é a coisa mais importante de ser feita por um compositor. Nossa missão na vida é refletir o mundo como nós o vemos, não importando se são as coisas pequenas da vida ou os grandes desafios globais que vemos. Para mim é muito importante colocar o quanto for possível de sentimentos e emoções na música que escrevo, e essa é sempre a prioridade maior.

Após eu ter escrito 12-13 músicas para “Road Back to Ruin”, eu as gravei e mandei para os rapazes da banda. Mais tarde, nos encontramos e completamos os arranjos. E isso sempre tem feeling fantástico! Experimentar a música que você escreveu sozinha na floresta, e ver as canções se tornando poderosas e independentes em uma banda é uma experiência absolutamente incrível!


Heidi e Gustav Eidsvik
MMG: A qualidade Sonora de “Road Back to Ruin” é realmente excelente, unindo um feeling organic e cru com uma aparência moderna e limpa.  E é outra diferença do trabalho do PRISTINE em relação a grande parte das bandas atuais de Classic Rock. Desta forma, podemos dizer que o produtor Øyvind Gundersen e o técnico Christian Engfelt tiveram um papel importante nesse aspecto? Soar dessa forma foi uma decisão da banda, ou foi um acordo entre ambas as partes?

Heidi: Obrigado! Øyvind Gundersen e Christian Engfelt realmente entenderam onde nós queríamos chegar em termos de música e expressão. E isso foi uma coisa muito importante para nís, e totalmente essencial no processo criativo de gravar um álbum.

Øyvind trabalhou antes com muita música de inspiração eletrônica, Folk music, Pop e outros gêneros, e isso foi uma belíssima contribuição para nosso disco. Ele veio para este projeto de mente aberta e com uma atitude que foi criativa e inovadora. Amamos isso e estamos muito felizes com essa colaboração!


MMG: Pode ter parecido estranhas algumas comparações do trabalho do PRISTINE  feitas acima, mas foram feitas porque Classic Rock parece ser uma tendência na música desde 2 ou 3 anos atrás. Como eu disse antes, vocês são diferentes e possui um trabalho pessoal, logo, pode comentar o que faz “Road Back to Ruin” soar tão bem e cheio de identidade?

Heidi: O PRISTINE sempre tem gravado os instrumentos principais (bacteria, guitarras, baixo, vocais) ao vivo em estúdio. E esse rapidamente se tornou nosso método, e também se tornou um tipo de marca registrada nossa, eu diria.

Acho que isso tem muito a ver com as impressões dos ouvintes de som e música. Nós simplesmente AMAMOS fazer shows ao vivo, e fazendo gravações ao vivo em estúdio se tornou uma maneira de pôr aquela energia e feeling em um disco. É uma forma intuitiva de gravar, totalmente oposta a de gravar música em camadas (primeiro a bateria, depois o baixo, então as guitarras, e etc). Nós entramos em uma grande sala e ensaiamos as músicas 1 ou 2 vezes, e então apertamos o “gravar”. É um sentimento intenso, e você realmente fica focado e atento do que te cerca. Esta energia pode ser fantástica na gravação!


Ottar Tøllefsen
MMG: “Sinnerman” e “Bluebird” foram as canções retiradas do album para servirem como videos de divulgação de “Road Back to Ruin”. A pergunta é: por que essas? E quem escolheu: a banda, a gravadora, ou ambos os lados chegaram a um acordo?




Heidi: Tivemos um bom diálogo com a gravadora, e rapidamente concordamos que as canções “Sinnerman”, “Bluebird”, “Cause & Effect” e “Aurora Skies” mereciam uma atenção extra. “Sinnerman” e “Bluebird” são belos Rocks, rápidos e com uma boa energia. E também quisemos mostrar versatilidade e contraste, e escolhemos as duas baladas.


MMG: Ainda sobre “Sinnerman”: parece que o video conta uma estória. Se estou certo, qual é?

Heidi: Haha, sim. Eu amo aquele vídeo! Falamos com um produtor de videos e ele veio com a ideia de fazer um POV (“point of view”, ou “ponto de vista”) visto pelo ponto de vista de um membro da equipe. Ele quis criar um video musical totalmente diferente do padrão “banda-tocando-sua-canção”, e eu realmente me apaixonei pela ideia. Ele tem bastante tempo, ação, elementos divertidos, e eu o amo! Esse é o tipo de video que você quer ver onde ele acaba.

A letra de “Sinnerman” é sobre outro assunto, por sua vez. É sobre entrar no carro, deixar todos os seus problemas para trás e dirigir para suas próximas aventuras. Mas eu gosto do fato que o video possa ser sobre algo completamente diferente.


MMG: “Road Back to Ruin” está sendo lançado no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil. O que acha disso? Se estou correto, é o primeiro disco de vocês lançado aqui, e pode abrir algumas portas.

Heidi: Este é nosso Segundo discos lançado pela Nuclear Blast na Alemanha, mas sim, é o nosso primeiro lançamento no Brasil. E estou realmente animada em apresentar a música ao bom povo do Brasil, e espero que ele possa abrir portas para nós, para podermos ir e fazer uma turnê em seu belo país!


MMG: E como estão as coisas com shows e turnês? Existem expectativas de tocarem fora da Europa por agora? E o Brasil está em seus planos?

Heidi: Temos excursionado bastante pela Europa nesses últimos anos, então estamos trabalhando e estabelecendo contatos em outros mercados enquanto conversamos. E seria fantástico excursionar pelo Brasil! Com certeza, faremos nosso melhor para fazer isso acontecer.


MMG: Bem, é isso. Mais uma vez, quero agradecer pela gentileza e tempo, então, por favor, deixe a mensagem do PRISTINE para os leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Heidi: Muito obrigado pela entrevista.

Continuem lendo o Heavy Metal Thunder Brasil e esperamos ver vocês logo! Rock on!

Paz e amor,

Heidi Solheim (vocalista e compositora do PRISTINE)


Contatos:



P.S.: O Heavy Metal Thunder Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de entrevistar Heidi Solheim (and thank a you a lot, Heidi).

Veja os vídeos de “Sinnerman”, “Bluebird”, “Cause & Effect” e “Aurora Skies”, canções de “Road Back to Ruin”.


Sinnerman



Bluebird



Cause & Effect



Aurora Skies