quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

NAILED TO OBSCURITY - Black Frost


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Black Frost
2. Tears of the Eyeless
3. The Aberrant Host
4. Feardom
5. Cipher
6. Resonance
7. Road to Perdition
8. Abyss (2019 version) (bônus)
9. Autumn Memories (2019 version) (bônus)
10. Fallen Leaves (2019 version) (bônus)


Banda:


Raimund Ennenga - Vocais
Jan-Ole Lamberti - Guitarras
Volker Dieken - Guitarras
Carsten Schorn - Baixo
Jann Hillrichs - Bateria


Ficha Técnica:

V. Santura - Produção, Engenharia de Som, Mixagem, Masterização
Santiago Caruso - Artwork


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de PARADISE LOST (antigo), ANATHEMA (antigo), TIAMAT (antigo), e Doom Death Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Em termos históricos, o BLACK SABBATH lançou as sementes do que viria a ser o Doom Metal com seus 3 primeiros álbuns, e bandas como WITCHFINDER GENERAL, SAINT VITUS, TROUBLE, THE OBSESSED e outros deram continuidade ao azedume original; o CANDLEMASS levou o gênero a outro patamar ao usar vocais líricos e uma sonoridade mais limpa, sem perder o peso característico; no início dos anos 90, PARADISE LOST e MY DYING BRIDE deram origem ao Doom Death Metal, fundindo os andamentos lentos do Doom Metal com a brutalidade do Death Metal, e os experimentalismos deste e de outros iriam definir elementos que hoje são a espinha dorsal de bandas mais extremas em termos de Doom Metal.

Desta forma, vê-se que o quinteto alemão NAILED TO OBSCURITY é depositário de uma tradição de quase 50 anos de música em seus ombros. Mas “Black Frost”, seu quarto e mais recente disco (que saiu no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil) mostra que são capazes de criar algo diferenciado.


Análise geral:

Pode-se aferir que o quarteto faz o que podemos chamar de Doom Death Metal melódico, ou seja, o peso e azedume do Doom Metal, a brutalidade opressiva do Death Metal e melodias soturnas que experimentalismos dentro do gênero acabaram permitindo.

A diferença: apesar da opressão, existe algo de elegante e quase de gótico em certos momentos (como ouvido em “The Aberrant Host”), e a banda mostra personalidade ao criar seu próprio jeito de fazer música em um estilo já bem desgastado.

Simplificando: é bom demais!


Arranjos/composições:

Um dos pontos mais fortes do grupo: sua capacidade de arranjar as canções de forma diferenciada.

Como dito, Doom Death Metal já não é algo de novo, então, trilhar este gênero é algo que necessita não só de “gostar de fazer”, mas de ter talento para tanto. E o grupo é capaz de criar uma boa dinâmica entre ritmos, e além de saber usar bem os contrastes de partes suaves com momentos intensos. E isso em uma banda que faz algo mais tradicional em termos de instrumentos, pois todas as ambientações são criadas pelas guitarras, e não por teclados.


NAILED TO OBSCURITY ao vivo
Qualidade sonora:

V. Santura (guitarrista do TRIPTYKON e DARK FORTRESS) é quem produziu, fez a engenharia sonora, mixou e masterizou “Black Frost”, conferindo à banda uma sonoridade que é clara e densa nos momentos mais limpos, mas brutal e azeda nas partes extremas. Além disso, a escolha dos timbres dos instrumentos foi de uma sabedoria incrível, justamente para que tudo possa soar claro, mas bruto.

Sim, é um trabalho muito bem feito, e que encaixa como uma luva na proposta musical do disco.


Arte gráfica/capa:

O artista argentino é o responsável pela arte de “Black Frost”, criando algo que aparenta ser simples e bem orgânico, mas que ao mesmo tempo, transpira a forte aura melancólica que exala das músicas do grupo.


Destaques musicais:

Para aqueles que gostam de Doom Death Metal, “Black Frost” é um disco indispensável, que realmente é rico em termos de ambientações melancólicas aliadas à brutalidade do gênero.

Melhores momentos: a brutal e opressiva “Black Frost” (com seus andamentos lentos e soturnos, tudo mostrando um trabalho firme e bem entrosado de baixo e bateria); os contrastes de partes agressivas e momentos melancólicos e limpos de “Tears of the Eyeless”; as mudanças entre algo gótico e Death Metal mostradas em “The Aberrant Host” (onde se percebe a versatilidade dos vocais, e ao mesmo tempo, se percebe algo que o TIAMAT mostrava em “Wildhoney”); o peso cadenciado e agressivo de “Feardom” e “Cipher” (nesta última, mais uma vez a banda exibe uma enorme riqueza de contrastes, e que trabalho ótimo de guitarras), o típico ‘approach’ Doom Death Metal alemão (ou seja, pesado, agressivo, mas melancólico e soturno ao mesmo tempo) de “Resonance” e “Road to Perdition”. Ou seja, todas as 7 faixas do disco em si são ótimas.

Mas nem se atrevam a deixar de lado as novas versões do grupo para “Abyss”, “Autumn Memories” e “Fallen Leaves”, todas do primeiro disco do grupo (“Abyss”, de 2007), agora com a formação atual, ganhando assim mais peso, impacto e mesmo agressividade.

Não dá para ouvir uma só, e nem uma única vez!


Conclusão:

O tempo em geral separa os discos “mais um” dos clássicos, algo que nenhum escritor pode aferir com exatidão (na realidade, a tendência é errar feio), mas “Black Frost” vem para estabelecer o NAILED TO OBSCURITY como um gigante do gênero.


Nota: 9,0/10,0


Black Frost



Tears of the Eyeless

NORTHTALE - Welcome to Paradise


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Welcome to Paradise
2. Higher
3. Follow Me
4. The Rhythm of Life
5. Time to Rise
6. Way of the Light (bonus)
7. Shape Your Reality
8. Everyone’s a Star
9. Siren’s Fall
10. Bring Down the Mountain
11. Playing With Fire
12. If Angels Are Real
13. Even When


Banda:


Christian Eriksson - Vocais
Bill Hudson - Guitarras
Mikael Planefeldt - Baixo
Jimmy Pitts - Teclados
Patrick Johansson - Bateria


Ficha Técnica:

NorthTale - Produção
Jonas Kjellgren - Mixagem, Masterização
Felipe Machado Franco - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Indicação: fãs de HELLOWEEN, STRATOVARIUS, GAMMA RAY e Power Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Ao pensar em Power Metal e suas vertentes, é comum vir à mente países como Alemanha, Itália, Finlândia e Suécia (apesar do Brasil ser um celeiro e tanto para bandas do gênero). Mas o que poucos sabem é que o rótulo surgiu primeiramente nos Estados Unidos no início dos anos 80, denotando uma resposta (no sentido de ser uma consequência, e não uma competição) a NWOBHM. O rótulo foi usado por um número enorme de grupos (mesmo METALLICA e SLAYER foram chamados de bandas de Power Metal antes da canonização do Thrash Metal em 1986), mas muitas já mostravam a pré-disposição para algo que fundisse a velocidade do nascente Thrash Metal com a técnica refinada do JUDAS PRIEST e IRON MAIDEN, algo que o HELLOWEEN sedimenta nas duas partes de “The Keeper of the Seven Keys”.

Isso significa que o Power Metal (seja como ele for feito) é um estilo universal, que abarca todas as nacionalidades possíveis. Por isso, não chega a ser espantoso ver uma banda como o NORTHTALE, que reúne músicos da Suécia, Estados Unidos e Brasil, e que acaba de lançar seu primeiro álbum, “Welcome to Paradise”. E a Shinigami Records junto com a Nuclear Blast Brasil nos concedem uma versão nacional essa joia.


Análise geral:

De cara, percebe-se que é um Power Metal influenciado por nomes como HELLOWEEN, GAMMA RAY, BLIND GUARDIAN e outros desse quilate. Mas como dito, o grupo é um esforço de músicos de 3 países diferentes, e com experiência de sobra em suas carreiras (passagens por nomes como YNGWIE J. MALMSTEEN, W.A.S.P., STORMWIND, CIRCLE II CIRCLE, DORO, U. D. O., NIGHTRAGE, VITAL REMAINS, SAVATAGE, TWILIGHT FORCE, SABATON estão nos currículos dos membros da banda), começam-se a surgir nuances de Glam/Hard Rock e mesmo Heavy Metal tradicional no trabalho do grupo.

Sente-se essa fluência de estilos na pegada pesada e agressiva de certas partes (como se ouve em alguns riffs de “Follow Me”), nos momentos em que as canções soam mais acessíveis. Basicamente, o quinteto tece uma colcha de influências sobre o alinhavo do Power Metal clássico.

Se é bom? Pra mais de metro!!!!


Arranjos/composições:

Baseada na experiência de cada integrante e no que pode contribuir em termos musicais, a diversidade subjetiva das canções de “Welcome to Paradise” é notada. Por isso os arranjos e detalhes são, muitas vezes, fora do comum (como a própria faixa-título mostra em algumas partes).

A técnica instrumental da banda é muito boa, mas cede espaço à criação de melodias pegajosas, refrães de fácil assimilação, e peso na dose mais correta.


NORTHTALE ao vivo
Qualidade sonora:

Nesse aspecto, é algo bem clássico: limpo de uma maneira que até os mínimos detalhes das canções podem ser entendidos. Mas é bom não levarem isso ao pé da letra, pois existem partes em que não existem guitarras base sob os solos (“Follow Me” tem essa característica, onde baixo e teclados entram no lugar de riffs), o que denota uma preocupação em soar o mais próximo do ao vivo possível. Um trabalho muito bom da banda e de Jonas Kjellgren (que fez a mixagem e masterização do disco).

Ficou de alto nível, verdade seja dita.


Arte gráfica/capa:

A belíssima arte é do artista colombiano Felipe Machado Franco (vocalista do THUNDERBLAST), que fez algo no sentido mais clássico em termos de arte gráfica para bandas de Power Metal, e o uso de tons de preto, branco e azul ficou excelente.


Destaques musicais:

Mesmo longe de inovar em termos de Power Metal (em que pese os elementos musicais mais subjetivos já citados), “Welcome to Paradise” é pegajoso de uma forma maravilhosa, ou seja, é ouvir e gostar.

A “bicuda na porta” chamada “Welcome to Paradise” abre o disco, com um refrão marcante, e embora as guitarras puxem para o Power Metal, baixo e bateria dão uma pegada pesada à lá Heavy Metal tradicional; uma introdução mais sinfônica dos teclados é o ponto de partida para “Follow Me”, uma canção rica em termos de guitarras (bases, solos e arranjos fantásticos); os toques de dramaticidade presentes na pesada “The Rhythm of Life” são marcantes (graças às mudanças de timbres dos vocais); a veloz e pegajosa “Shape Your Reality” (reparem algumas conduções de baixo e bateria, e vejam a vibração do Metal tradicional); os toques de US Metal/Hard Glam norte americano que permeiam o peso cavalar de “Everyone’s a Star” (outro refrão pegajoso de lascar); o peso-pesado e ambientação densa de “Bring Down the Mountain” (algo não convencional para o estilo, embora os teclados criem partes que remetam ao gênero e o refrão seja algo típico do gênero); e o jeito de Power Metal nórdico (ou seja, praticado na Suécia, Noruega e Finlândia) de “If Angels Are Real”. Estas podem ser vistas como as melhores para que o ouvinte seja introduzido ao trabalho do quinteto.

Depois, vira vício!


Conclusão:

Pode-se dizer que, apesar de novato, o NORTHTALE mostra imenso potencial. E que “Welcome to Paradise” possua vários sucessores, pois merece!


Nota: 9,1/10,0


Higher



Shape Your Reality



Everyone’s a Star


MAJESTICA - Above the Sky


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Above the Sky
2. Rising Tide
3. The Rat Pack
4. Mötley True
5. The Way to Redemption
6. Night Call Girl
7. Future Land
8. The Legend
9. Father Time (Where Are You Now)
10. Alliance Forever
11. Future Land (2002) (bônus)
12. Spaceballs (THE SPINNERS) (bônus)


Banda:


Tommy Johansson - Guitarra Solo, Vocais, Teclados
Chris David - Baixo, Backing Vocals
Alex Oriz - Guitarras, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Tommy Johansson - Produção
Ronny Milianowicz - Produção, Gravação, Mixagem
Tony Lindgren - Masterização
Alex Oriz - Gravação
Chris Rörland - Arte da Capa, Design
Uli Kusch - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de SABATON, HELLOWEEN, GAMMA RAY e Symphonic Power Metal


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Óbvio que a “moda” (que aqui se refere ao sucesso comercial temporário de certa vertente de Metal) do Power Metal já cedeu há alguns anos, e assim, o número quase que infinito de lançamentos do gênero diminui bastante, permitindo que os fãs possam ouvir com atenção o que tem saído por aí.

E mesmo no caso de muitos discos virem com “mais do mesmo”, vez por outra existem agradáveis surpresas. Uma delas é a do trio sueco MAJESTICA (antes conhecido como REINXEED), que chega com seu primeiro disco sob este nome, o ótimo “Above the Sky”, que acaba de sair no Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

Não há absolutamente nada de novo no trabalho da banda: é apenas o bom e velho Heavy/Power Metal, enriquecido por ótimas passagens de teclados, refrães grudentos, vocais agudos e todos os velhos clichês do gênero.

A diferença: a banda possui músicos calejados, com passagens por nomes como SABATON (o guitarrista/vocalista Tommy hoje integra o grupo) e TWILIGHT FORCE, logo, se percebe claramente que há algo na banda que lhes confere identidade.

Em outras palavras: pode não ser algo inédito, mas é algo excelente.


Arranjos/composições:

Falar em Heavy/Power Metal é a mesma coisa que entender que a técnica instrumental tem que ser apurada. E a banda assim o  faz, apesar de evitarem exageros entediantes.

Nos refrães e certas passagens, aqueles backing vocals inspirados em QUEEN, as guitarras mostram riffs inspirados e solos melodiosos de primeira, baixo e bateria mostram peso, boa técnica (inclusive com aqueles bumbos duplos essenciais ao gênero), teclados com passagens ora grandiosas, ora mais comportadas. E de arranjo em arranjo, eles fizeram de “Above the Sky” um disco e tanto. E sem falar que, na ausência de um baterista próprio, contaram com uma forcinha do experiente Uli Kusch (sim, o mesmo que passou por HELLOWEEN, GAMMA RAY, MASTERPLAN e outros).

Basta dizer que em momento algum soa cansativo, repetitivo ou chato. Pelo contrário: gruda nos ouvidos de tal forma que é impossível não aplaudir o trio!


MAJESTICA ao vivo
Qualidade sonora:

Limpa, pesada e bem feita, a sonoridade do disco é de alto nível, com tudo com timbres esmerados, e audível mesmo aos menos interessados em detalhes técnicos.

Um trabalho de primeira de Tommy Johansson (produção), Ronny Milianowicz (produção, gravação, mixagem) e Tony Lindgren (masterização).


Arte gráfica/capa:

Chris Rörland (guitarrista do SABATON, e por isso, colega de Tommy) é quem fez a arte da capa e o design gráfico de “Above the Sky”. Algo elegante, chamativo e clássico do gênero.


Destaques musicais:

É impossível resistir ao trabalho musical do grupo assim que o CD começa a tocar. Alternando ambientações e ritmo, “Above the Sky” ganha o ouvinte!

“Above the Sky” é um típico Power Metal de abertura, uma faixa cheia de melodias bem sacadas que envolvem o ouvinte de cara, com um refrão excelente (e que trabalho de vocais, guitarras e teclados excelente, sem falar na debulhada do baixo), “The Rat Pack” já tem um andamento um pouco mais lento, sendo climática e pesada (sendo assim, baixo e bateria se sobressaem, sem falar no peso de ambos); o jeito épico e pesado de “Mötley True” é sedutor, sem falar que os teclados estão muito bem sob esta base rítmica sólida (e os backing vocals estão perfeitos); em “The Way to Redemption”, o peso fica ainda mais pesado, mas um feeling um pouco melancólico surge nas melodias (especialmente por conta dos riffs em certas passagens); a acessível “Night Call Girl” (basicamente, pode-se dizer que é quase como se o EUROPE do passado tentasse fazer Power Metal, pois os teclados criam partes realmente sedutoras para os menos acostumados com o estilo); “Future Land” é outra que apela para uma pegada mais clássica/épica, mas logo ganha mais peso (e a técnica instrumental também fica em níveis bem menos intrincados, e que guitarras); a divertidíssima “Father Time (Where Are You Now)” (que disse que para fazer Metal é preciso obliterar esse conceito? E que canção grudenta), e a envolvente “Alliance Forever”. Além disso, o disco possui duas faixas extra: a versão demo de 2002 de “Future Land”, que é bem legal (embora mais crua por conta da qualidade de gravação), e o cover de “Spaceballs” do THE SPINNERS (um velho Pop/Techno dos anos 80, que fez parte da trilha sonora do filme “S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço”), que aqui ganhou mais peso e energia em relação à versão original.

Estas são as melhores em uma primeira audição, mas o disco inteiro é de primeira!


Conclusão:

Pelo que se pode perceber, “Above the Sky” vem marcar um novo tempo na vida da banda, e sob o nome de MAJESTICA, eles devem conquistar muita coisa, pois estão em um patamar mais alto que a média.

Duvidam? Ouçam o disco, e boa diversão!


Nota: 9,5/10,0


Above the Sky



Rising Tide

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

CHACINA - Mortus Operandi


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Sequestro
2. Mariana
3. Somos Todos Iguais
4. Hit
5. Pastor
6. Podres Poesias
7. Na Alma
8. Estado Islâmico (bônus)


Banda:



Allan Big Thunder - Vocais
Miguel Araujo - Guitarras
Jefferson Novaes - Baixo
Billy Dark Machine - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:

Indicação: fãs de Thrash/Death Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Resistência de fato não é um ato que discursos no Facebook ou filtros resolvam. Saber resistir é aguentar as pancadas que o underground brasileiro dá aos que estão dentro dele (sejam bandas, fãs, selos e assessorias de imprensa) e ir adiante, seja como for, e matando um leão por dia.

Nisso, pode-se dizer que o quarteto CHACINA, de Piracicaba (SP) é um autêntico sobrevivente, já que estão nessa vida a quase 30 anos, e somente agora conseguem lançar seu primeiro álbum, “Mortus Operandi”, que a Heavy Metal Rock colocou nas lojas.


Análise geral:

A bem da verdade, é preciso dar os parabéns a esses sujeitos, pois essa luta de 1990 para cá nunca é algo simples.

O fato é que o grupo tece um Thrash Metal/Crossover intenso e bruto, na linha de bandas dos Estados Unidos, especialmente nomes como NUCLEAR ASSAULT, OVERKILL, e alguns toques à lá SOD e CRO-MAGS. E nas mãos deles, o que poderia dar a ideia de algo mofado ou de prazo de validade vencido é destroçada por algo feroz, cheio de vida e energia, com a agressividade fluindo aos borbotões pelos alto-falantes.

Sim, “Mortus Operandis” é uma boa definição para tímpanos doendo e apitando por horas, e torcicolos resistentes a analgésicos fortes!


Arranjos/composições:

Essa vertente com jeito mais Old School tem que ser preenchida por uma dose enorme de espontaneidade. É preciso ser você mesmo, e eles mostram isso claramente.

Cantando em português, e sabendo usar de elementos do passado (como os riffs mostram constantemente), e certo toque de modernidade (as conduções nos dois bumbos que se ouvem no disco são algo diferente para a aproximação clássica do gênero). Nada extremamente técnico, mas sempre envolvente, e a banda mostra uma habilidade e tanto no tocante a refrães de fácil assimilação.


Qualidade sonora:

Outro ponto em que o grupo soube aliar passado e presente.

Mantendo a sujeira essencial que vem do estilo com uma sonoridade mais moderna e encorpada, cada uma das faixas de “Mortus Operandi” é facilmente entendida e assimilada. Além disso, o grupo não teve frescuras na hora de escolher os timbres de seus instrumentos, sempre com algo que fica entre o novo e o clássico, sem pudor algum. E quem reclamar, possivelmente ouvirá uma bela saraivada de palavras de baixo calão.


Arte gráfica/capa:

Uma arte direta, reta e sem frescuras, mostrando que a banda não veio para brincar, e que transpira toda sua raiva contra a realidade que os cerca. Os temas são bem atuais, para ser sincero.


Destaques musicais:

Basta dizer uma velha gíria para definir o que apresenta “Mortus Operandi” em termos musicais: o pau vai quebrar na casa de Noca!

“Sequestro” é toda montada em cima de riffs de guitarra raivosos e vocais rascantes, sem falar no belo trabalho da bateria (especialmente nos bumbos), com um andamento não tão veloz, enquanto “Mariana” segue com tempos intensos e refreados (permitindo que o baixo exiba passagens bem legais sob o refrão). Curta e extremamente “SÓDica” é “Somos Todos Iguais”, uma pancadaria extrema, apesar do andamento refreado. Em “Hit”, a velocidade aumenta, e ao mesmo tempo, a agressividade musical do grupo se torna mais ácida, com guitarras tecendo riffs interessantes, e “Pastor” segue a mesma pegada (um festival de tempos 1 X 1 nervosos da bateria, acompanhada de vocais agressivos de primeira). O tempo mais uma vez desacelera em “Podres Poesias”, de uma forma totalmente HxCxNxY, enquanto “Na Alma” é moshpit certo por conta de sua levada empolgante e intensa (típica música que vai dar torcicolos e causar contusões nos shows da banda). E fechando, tem-se a faixa bônus “Estado Islâmico”, exatos 1:51 de rispidez e Thrashcore nervoso, alimentado por guitarras e vocais insanos.


Conclusão:

Se existisse justiça dentro do cenário, o CHACINA receberia aplausos efusivos pelo que fizeram em “Mortus Operandi”, já que souberam trazer toda sua fluência Thrashcore do passado para o presente sem pudores.

Parabéns, pois vocês, por tudo, são a verdadeira resistência. O resto é conversa fiada...


Nota: 8,5/10,0


Estado Islâmico

DOGMA BLUE - Quietus


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Disorder
2. Quietus
3. No Garden
4. Dissolution
5. Mucamba


Banda:



Marcelo Paes - Vocais
Tales Ribeiro - Guitarras
Rodrigo Kolb - Guitarras
Roberto Greboggy - Baixo
André Prevedello - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Assessoria: http://roadie-metal.com/press/ (Roadie Metal Press)

Indicação: fãs de Metal Tradicional, Hard Rock clássico dos anos 70, e outros


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Cada vez mais as bandas de Metal estão investindo em gravações muito cedo, sem lhes dar o devido tempo de amadurecer as ideias. Em um mundo onde tudo se tornou sinônimo de “ser o mais veloz” em termos de tudo, grupos jovens acabam indo cedo demais para o estúdio, o que pode resultar em um resultado ruim.

Mas no caso do quinteto curitibano DOGMA BLUE, isso não chega a ser algo grave. Embora “Quietus”, seu primeiro EP, mostre pontos que necessitem de amadurecimento, já se tem a clara visão de seu potencial.


Análise geral:

Apesar de ainda bem jovem, o quinteto é composto de músicos já com calos da experiência. E por isso, percebe-se uma banda que possui influências musicais bem diversificadas que acabam se calcificando em algo que fica entre o Metal tradicional com algo de Thrash/Groove Metal. E isso foge ao modelo que tantos adotam no Brasil (onde ou se quer ser da NWOBHM ou do Thrash Metal alemão), o que deixa claro que o grupo tem personalidade. Aliás, é preciso dizer que melodia, feeling e alguma dose de agressividade, fórmula já bem batida, nas mãos deles ganham uma energia e frescor novos, além dos refrães serem muito bons.

O que precisa amadurecer: os vocais podem ser trabalhados de forma melhor (a voz é boa, só precisa mesmo de mais ensaios para encaixar em 100% na base instrumental), mas alguns ensaios e shows devem colocar tudo nos lugares.


Arranjos/composições:

Eis o ponto onde o quinteto ganha pontos: eles sabem arranjar suas músicas muito bem.

O que guia a banda é o feeling, e não a necessidade de exibir virtuosismo. Logo, a consequência é óbvia: melodias espontâneas, técnica em nível sóbrio, além de ótimas mudanças de ritmo e ambientações.


Qualidade sonora:

Em termos de sonoridade, “Quietus” fica devendo um pouco.

Por terem tentado buscar algo mais seco e que evidenciasse a agressividade, a impressão em certos momentos é de algo oco. Está pesado, claro e inteligível, mas carece de algo mais pesado e mesmo moderno, pois o trabalho deles pede isso.

Não está ruim, longe disso, mas poderia ser bem melhor.


Arte gráfica/capa:

Nesse ponto, a banda caprichou.

O uso da capa com uma paisagem desolada pela guerra é um artifício sempre interessante, e o esmero ao usar o formato Digipack, foto com tudo correto.


Destaques musicais:

A musicalidade híbrida e espontânea da banda rende muitos pontos, justamente porque é livre de concepções ou ideias desgastadas pelo uso.

“Disorder” é cheia de peso e agressividade, mas apresentando uma estética simples e elegante de baixo e bateria (basta olhar as debulhadas em vários momentos), enquanto “Quietus” possui uma vibração suja que lembra um pouco o Hard Rock dos anos 70 (embora no peso das guitarras seja evidente uma forte dose de groove noventista), elementos que também permeiam a ambientação azeda e “sabbathica” de “No Garden” (que foi o primeiro Single da banda, lançado ano passado). Em “Dissolution”, aquela famosa fórmula de ‘início balada, peso e agressividade de certo ponto em diante’, que funciona muito bem com o grupo. E “Mucamba” tem um jeito Hard ‘n’ Heavy de primeira, com algo de acessibilidade em alguns momentos.

Pode-se assim aferir que “Quietus” é um bom lançamento, acima da média.


Conclusão:

Se “Quietus” ainda não revela todo o potencial do grupo, é certo que o DOGMA BLUE pode ser considerado uma revelação do cenário. É só aparar algumas arestas, acertar os vocais, e sai debaixo!

No mais, sejam bem vindos, e boa sorte!


Nota: 7,7/10,0


Quietus



No Garden

KAMALA - Live in France


Ano: 2019
Tipo: Disco ao Vivo
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Internal Peace
2. Open Door
3. Believe
4. Stay With Me
5. Take Away
6. My Religion
7. Suicidal Attack
8. Mantra


Banda:


Raphael Olmos - Vocais, Guitarras
Allan Malavasi - Vocais, Baixo
Isabela Moraes - Bateria


Ficha Técnica:

Ricardo Biancarelli - Mixagem, Masterização
Mathieu Monpontet - Gravação, Captação ao Vivo


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Indicação: fãs de Thrash/Death Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Toda banda que não esteja restrita a trabalhos de estúdio (algo comum aos projetos no formato “one man band”) tem, por uma obrigação imposta por uma tradição de quase 5 décadas, lançar um disco ao vivo. Nos anos 80, um disco ao vivo ruim poderia implicar no final da carreira de uma banda, ou então a colocava em um patamar mais elevado. Basta dizer que “Alive I” do KISS e “Live After Death” do IRON MAIDEN foram importantíssimos para a carreira de ambas.

Seguindo esta tradição, o trio KAMALA, de Campinas (SP) acaba de lançar seu primeiro registro ao vivo, chamado simplesmente de “Live in France”.


Análise geral:

Depois de cinco discos de estúdio e várias turnês na França, o trio mostra a maturidade, bem como a capacidade de fazer um show ao vivo de primeira.

“Live in France” vem coroar o momento em que a formação está consolidada desde o lançamento de “Eyes of Creation” (2019), coesa e firme. E o mais importante: a sonoridade ao vivo do grupo não perde em nada, e ganha aquela energia crua e intensa de suas apresentações.

E verdade seja dita: o Thrash/Death Metal do grupo ao vivo é algo realmente insano!


Repertório:

Discos ao vivo chamam a atenção pelo “setlist” que ele apresenta. E é fato que “Live in France” foca em canções de “Eyes of Creation” e “Mantra”, e apenas uma dos discos antigos (que é “Take Away” de “Kamala”), mas também seria impossível condensar tanto em material em um disco simples. Além do mais, discos ao vivo tem material focado no último lançamento da banda (em cuja turnê de divulgação a banda se encontra). Óbvio que poderia ter canções de “The Seven Deadly Chakras” (2012) e “Fractal” (2009) fossem bem vindas. O que só seria possível em um duplo ao vivo, logo, o repertório está ótimo.

Aliás, se percebe que a banda ao vivo sabe interagir com o público, como a apresentação dos integrantes durante “Mantra”. E os presentes participam cantando em alguns momentos.

KAMALA ao vivo

Qualidade sonora:

Em geral, captar a energia de shows ao vivo e conseguir coloca-la em discos sempre foi uma dificuldade absurda, mesmo com as modernas tecnologias digitais. Mas em “Live in France”, se percebe completamente a “aovivocidade” da banda, mas sem que sua música soe embolada. Nada disso, tudo está limpo e cristalino, mas bruto e pesado.

Aos mais chatos em termos de detalhes, fica claro que durante os solos de guitarra, as bases realmente desaparecem, mostrando que os famosos “overdubs” são poucos, e de forma que a aura “live” não seja prejudicada.

Ótimo trabalho de Ricardo Biancarelli na mixagem e masterização, e de Mathieu Monpontet na gravação.


Arte gráfica/capa:

O grupo optou por uma arte bem simples, com fundo preto e o símbolo da banda pintado com as cores da bandeira francesa. Simples, direto e reto, para que todas as atenções fiquem apenas na música.


Destaques musicais:

Para quem conhece o trio, sabe que eles conseguem fundir uma pancadaria Thrash/Death Metal intensa com uma aura extremamente positiva. E isso é possível se sentido em todas as canções de “Live in France”.

De “Internal Peace” (uma pancadaria insana, com riffs raivosos, boas mudanças de ritmo, e mudanças de vozes), passando pela energia intensa de “Open Door” e de “Believe” (ótimas variações de andamento, mostrando a força de baixo e bateria), a pegada um pouquinho mais Thrash Metal Old School de “Stay With Me” (que ganhou mais agressividade por conta da evolução que a banda sofreu da época até hoje), a a sinuosa e bruta “Take Away” (baixo e guitarras muito bem, e que ótimo trabalho nos dois bumbos) e “My Religion” (as partes mais lentas mostram a aura mais moderna da banda, algo que foi surgindo em seus trabalhos de forma gradual), além dos hinos “Suicidal Attack” e “Mantra” (que fecha o disco e é daquelas para marcar os ouvidos e os ossos, sem falar na apresentação dos integrantes). Se sobrou algo do pescoço, é melhor usar gelo.

Basicamente, a impressão que reina após o final de “Live in France” é a mesma de discos ao vivo simples clássicos: por que raios não foi um disco duplo?


Conclusão:

O KAMALA encerra um ciclo com “Live in France”, e já começa a se preparar para voos mais altos.

Basicamente, “Live in France” os coloca no time das bandas que não cabem mais no Brasil.


Nota: 9,2/10,0


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