terça-feira, 3 de dezembro de 2019

KAMALA - Live in France


Ano: 2019
Tipo: Disco ao Vivo
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Internal Peace
2. Open Door
3. Believe
4. Stay With Me
5. Take Away
6. My Religion
7. Suicidal Attack
8. Mantra


Banda:


Raphael Olmos - Vocais, Guitarras
Allan Malavasi - Vocais, Baixo
Isabela Moraes - Bateria


Ficha Técnica:

Ricardo Biancarelli - Mixagem, Masterização
Mathieu Monpontet - Gravação, Captação ao Vivo


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Indicação: fãs de Thrash/Death Metal em geral


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Toda banda que não esteja restrita a trabalhos de estúdio (algo comum aos projetos no formato “one man band”) tem, por uma obrigação imposta por uma tradição de quase 5 décadas, lançar um disco ao vivo. Nos anos 80, um disco ao vivo ruim poderia implicar no final da carreira de uma banda, ou então a colocava em um patamar mais elevado. Basta dizer que “Alive I” do KISS e “Live After Death” do IRON MAIDEN foram importantíssimos para a carreira de ambas.

Seguindo esta tradição, o trio KAMALA, de Campinas (SP) acaba de lançar seu primeiro registro ao vivo, chamado simplesmente de “Live in France”.


Análise geral:

Depois de cinco discos de estúdio e várias turnês na França, o trio mostra a maturidade, bem como a capacidade de fazer um show ao vivo de primeira.

“Live in France” vem coroar o momento em que a formação está consolidada desde o lançamento de “Eyes of Creation” (2019), coesa e firme. E o mais importante: a sonoridade ao vivo do grupo não perde em nada, e ganha aquela energia crua e intensa de suas apresentações.

E verdade seja dita: o Thrash/Death Metal do grupo ao vivo é algo realmente insano!


Repertório:

Discos ao vivo chamam a atenção pelo “setlist” que ele apresenta. E é fato que “Live in France” foca em canções de “Eyes of Creation” e “Mantra”, e apenas uma dos discos antigos (que é “Take Away” de “Kamala”), mas também seria impossível condensar tanto em material em um disco simples. Além do mais, discos ao vivo tem material focado no último lançamento da banda (em cuja turnê de divulgação a banda se encontra). Óbvio que poderia ter canções de “The Seven Deadly Chakras” (2012) e “Fractal” (2009) fossem bem vindas. O que só seria possível em um duplo ao vivo, logo, o repertório está ótimo.

Aliás, se percebe que a banda ao vivo sabe interagir com o público, como a apresentação dos integrantes durante “Mantra”. E os presentes participam cantando em alguns momentos.

KAMALA ao vivo

Qualidade sonora:

Em geral, captar a energia de shows ao vivo e conseguir coloca-la em discos sempre foi uma dificuldade absurda, mesmo com as modernas tecnologias digitais. Mas em “Live in France”, se percebe completamente a “aovivocidade” da banda, mas sem que sua música soe embolada. Nada disso, tudo está limpo e cristalino, mas bruto e pesado.

Aos mais chatos em termos de detalhes, fica claro que durante os solos de guitarra, as bases realmente desaparecem, mostrando que os famosos “overdubs” são poucos, e de forma que a aura “live” não seja prejudicada.

Ótimo trabalho de Ricardo Biancarelli na mixagem e masterização, e de Mathieu Monpontet na gravação.


Arte gráfica/capa:

O grupo optou por uma arte bem simples, com fundo preto e o símbolo da banda pintado com as cores da bandeira francesa. Simples, direto e reto, para que todas as atenções fiquem apenas na música.


Destaques musicais:

Para quem conhece o trio, sabe que eles conseguem fundir uma pancadaria Thrash/Death Metal intensa com uma aura extremamente positiva. E isso é possível se sentido em todas as canções de “Live in France”.

De “Internal Peace” (uma pancadaria insana, com riffs raivosos, boas mudanças de ritmo, e mudanças de vozes), passando pela energia intensa de “Open Door” e de “Believe” (ótimas variações de andamento, mostrando a força de baixo e bateria), a pegada um pouquinho mais Thrash Metal Old School de “Stay With Me” (que ganhou mais agressividade por conta da evolução que a banda sofreu da época até hoje), a a sinuosa e bruta “Take Away” (baixo e guitarras muito bem, e que ótimo trabalho nos dois bumbos) e “My Religion” (as partes mais lentas mostram a aura mais moderna da banda, algo que foi surgindo em seus trabalhos de forma gradual), além dos hinos “Suicidal Attack” e “Mantra” (que fecha o disco e é daquelas para marcar os ouvidos e os ossos, sem falar na apresentação dos integrantes). Se sobrou algo do pescoço, é melhor usar gelo.

Basicamente, a impressão que reina após o final de “Live in France” é a mesma de discos ao vivo simples clássicos: por que raios não foi um disco duplo?


Conclusão:

O KAMALA encerra um ciclo com “Live in France”, e já começa a se preparar para voos mais altos.

Basicamente, “Live in France” os coloca no time das bandas que não cabem mais no Brasil.


Nota: 9,2/10,0


Mantra

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

GAMMA RAY - To the Metal! (Relançamento)


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Empathy
2. All You Need to Know
3. Time to Live
4. To the Metal
5. Rise
6. Mother Angel
7. Shine Forever
8. Deadlands
9. Chasing Shadows
10. No Need to Cry


Banda:


Kai Hansen - Guitarras, Vocais
Henjo Richter - Guitarras, Teclados
Dirk Schlächter - Baixo, Vocais adicionais em “No Need to Cry”
Dan Zimmermann - Bateria


Ficha Técnica:

Kai Hansen - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Dirk Schlächter - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Hervé Monjeaud - Arte da Capa
Alexander Mertsch - Artwork, Design do Encarte
Michael Kiske - Vocais em “All You Need to Know”
Corvin Bahn - Teclados
Nadine Nottbohm - Vocais Femininos em “All You Need to Know” e “Mother Angel”


Contatos:

Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Heavy/Power Metal, HELLOWEEN, UNISONIC, e outros


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O tempo passa e vai erodindo mais e mais certas bandas, por mais que a formação se mantenha constante. As famosas variações de qualidade ocorrem em decorrência do desgaste dos músicos entre si, das longas turnês, e outros fatores. Por isso, apesar do que os mais fanáticos digam, todas as bandas possuem discos que saíram aquém do que elas realmente podem render.

Um bom exemplo disso é “To The Metal”, décimo disco de estúdio do quarteto alemão GAMMA RAY, lançado originalmente em 2010, e que agora é relançado graças a colaboração entre a Shinigami Records e a earMUSIC.


Análise geral:

A verdade é que o grupo, ativo desde 1989, nunca teve muito espaço para descanso, sempre caindo na estrada (e verdade seja dita: eles são uma das bandas da Alemanha que mais toca ao vivo pelo mundo), isso sem mencionar que a formação da banda estava estabilizada desde 1997, o que representariam 13 anos juntos. Ou seja, certo desgaste já estava acontecendo. E embora em “To the Metal” ainda se tenha material de alto nível, não está no nível de clássicos como “Land of the Free” ou “Power Plant”. É muito bom, não decepciona, mas não é fantástico.

Há pontos positivos, como alguns experimentos interessantes, como o Groove moderno que aparece em “Empathy”, e o enfoque um pouco mais “Down Rock” em certas partes de “Mother Angel”. Basicamente, o grupo estava buscando ampliar seus horizontes musicais e trabalhar de uma forma menos linear em termos de Heavy/Power Metal.


Arranjos/composições:

Por ter influências externas ao estilo clássico do grupo, “To the Metal” mostra a banda extremamente afiada, o que também mostra o quanto a formação estabilizada por mais de uma década ajuda.

Há riqueza de andamentos, momentos mais agressivos e sujos (como se poder ouvir em “All You Need to Know”), mas no geral, a banda continua caprichando em melodias com bom nível técnico, refrães marcantes, e um nível de energia absurdo. Novamente: pode não ser um disco perfeito, mas é muito bom em termos de arranjos.

GAMMA RAY ao vivo

Qualidade sonora:

Kai Hansen e Dirk Schlächter cuidaram da produção, gravação, mixagem e masterização de “To the Metal”, e a sonoridade soa mais artesanal e seca, o que deixou o disco soando mais agressivo que de costume (uma sacada nos timbres da bateria mostra isso claramente).

Mas ao mesmo tempo, o nível de clareza sonora é alto, permitindo que tudo possa ser acessado pelo ouvinte sem problemas.


Arte gráfica/capa:

Hervé Monjeaud é quem assina a arte da capa. O contraste de cores é bem grande, embora a arte ainda aparente ser simples. Tudo para tentar ambientar a musicalidade que o disco exibe. Ficou ótimo, diga-se de passagem.


Destaques musicais:

Mais uma vez: embora não possa ser comparado aos clássicos do grupo, “To the Metal” é um disco bem fácil de gostar, pois as composições são caprichadas. E as melhores canções para uma primeira audição são:

A veloz e cativante “All You Need to Know” (que mostra o estilo classic do grupo, com partes velozes contrastando com outras mais melodiosas, refrão marcante, e mais uma vez, a banda trouxe Michael Kiske para dar uma força nos vocais, junto com Nadine Nottbohm nos toques femininos, e mesmo alguns vocais Gothic Rock dão o ar da graça), o alinhavo levemente rascante de “Time to Live” (um trabalho bem legal de baixo e bateria, com ritmos não tão velozes ou complexos, e aqueles backing vocals bem grudentos durante o refrão), a pesada e climática “To the Metal” (o andamento diminui ainda mais de velocidade, ficando mais pesado, com os vocais fazendo um trabalho ótimo nos timbres naturalmente esganiçados de Kai), a rica em melodias e mudanças de ritmo “Rise” (basicamente, o jeito clássico do grupo de fazer música, embora com guitarras com riffs mais agressivos, embora sem complicar a evolução das melodias), a pegada mais visceral e voltada ao Rock ‘n’ Roll/Hard Rock de “Mother Angel” (alguns riffs vão lembrar o trabalho do ACCEPT, e novamente, Nadine dá um toque de classe com sua voz melodiosa), “Shine Forever” (os timbres mais agudos dos vocais encaixaram como uma luva na base instrumental, sem falar que o baixo mostra uma debulhada e tanto no início) e “Chasing Shadows”, ambas mostrando o clássico jeito GAMMA RAY de ser.

É, o disco é muito bom mesmo.


Conclusão:

Basicamente, “To the Metal” marca o fim da formação que estava junta desde 1997 (o baterista Dan sairia da banda em 2012), e assim, pode ser visto como o encerramento de uma era para a banda.

E este lançamento, por sua vez, torna acessível aos fãs sua aquisição.


Nota: 8,5/10,0


To the Metal!



Rise

AXEL RUDI PELL - XXX Anniversary Live


Ano: 2019
Tipo: Duplo ao Vivo
Nacional


Tracklist:

CD1:

1. The Medieval Overture (Intro)
2. The Wild and the Young
3. Wildest Dreams
4. Fool Fool
5. Oceans of Time
6. Only the Strong Will Survive
7. Mystica (incl. Drum Solo)
8. Long Live Rock

CD2:

1. Game of Sins/Tower of Babylon (incl. Keyboard Solo)
2. The Line
3. Warrior
4. Edge of the World (incl. Band Introduction)
5. Truth and Lies
6. Carousel
7. The Masquerade Ball/Casbah
8. Rock the Nation


Banda:


Johnny Gioeli - Vocais
Axel Rudi Pell - Guitarras
Ferdy Doernberg - Teclados, Backing Vocals
Volker Krawczak - Baixo
Bobby Rondinelli - Bateria


Ficha Técnica:

Anton Kabanen - Produção, Mixagem, Gravação
Emil Pohjalainen - Masterização
Roman Ismailov - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.axel-rudi-pell.de
Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Hard Rock clássico, RAINBOW, YNGWIE MALMSTEEN, e outros


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Seguir uma carreira musical que chegue aos 30 anos não é algo simples. Em meio a problemas como o combalido mercado musical de hoje, aos problemas em manter formações estáveis, e mesmo o desânimo e o tédio causados pela rotina em se manter ativo, conseguir passar uma década na ativa é um feito enorme, quanto mais 3 décadas!

Óbvio que o guitarrista alemão Axel Rudi Pell é um autêntico herói nesse quesito, mantendo-se na ativa apesar de todos os problemas. E é por isso que é respeitado dentro do cenário. E comemorando seus 30 anos de muitos discos excelentes e turnês marcantes, vem o duplo CD ao vivo “XXX Anniversary Live”, que acaba de sair no Brasil pela Shinigami Records, tanto em digipack como jewelcase.


Análise geral:

Como já dito, manter uma banda na estrada (e ativa) por 30 anos é marca de quem sabe o que quer fazer da vida. Nisso, Axel sempre se rodeou de músicos de alto nível.

Agora, é incrível como o Hard Rock/Classic Rock do grupo funciona bem ao vivo, e mesmo em tempos em que “overdubs” e infinitas edições digitais surgem em registros do tipo, este duplo ao vivo mantém uma forte aura de “aovivocidade”, ou seja, se percebe que não há muitas correções. É o quinteto fazendo sua parte, mostrando peso, entrosamento e classe.

Além disso, a presença de solos de bateria e teclados, bem como a apresentação dos integrantes, dá um toque clássico.


Repertório:

O que pode pôr tudo a perder, ou ganhar o jogo, em termos de discos ao vivo é o “setlist” escolhido.

Mas para quem acompanha a carreira do alemão e sua banda, é claro que já sabe que “XXX Anniversary Live” é o terceiro disco ao vivo da banda (e segundo disco duplo, já que “Made in Germany”, de 1995, é um CD simples). Além do mais, é preciso entender que o disco foi gravado durante a turnê de divulgação de “Knights Call”, de 2018, logo, nem é preciso dizer que boa parte do material dele se encontra aqui. Mas alguns clássicos como “Casbah” e “Carousel” também estão aqui.

Ou seja, o repertório é muito, muito bom!


Axel Rudi Pell ao vivo
Qualidade sonora:

Como já é de praxe, Axel produziu “XXX Anniversary Live”, tendo Ralf Speitelna captação das canções, Thomas Geiger na mixagem e Ulf Horbelt na masterização.

Mas diferentemente de muitos, a opção foi de fazer a sonoridade desse disco ao vivo ser realmente ao vivo, sem aquela coisa mecânica e fria que vem de infinitos remendos e overdubs. Se eles existem, são quase imperceptíveis.

Ah, sim: apesar do feeling claramente orgânico, tudo pode ser ouvido claramente nos mínimos detalhes. Se soa ao vivo e espontâneo, o faz com uma qualidade ótima.


Arte gráfica/capa:

A capa de Holger Fichtner é muito bonita, e embora simples em termos de contrastes, é elegante como já virou uma “trademark” do grupo. E no encarte, uma declaração de Axel, bem como vem recheado de ótimas fotos dos shows, e mesmo imagens de cartazes. Um belo design feito por Kai Hoffmann.


Destaques musicais:

Um disco ao vivo se deve observar como um todo, para ver como a banda e público reagem, a energia gerada por ambos. E pelo que se ouvem nessas gravações feitas em várias cidades da Europa (Bochum e Budapeste são duas delas), os fãs foram ao êxtase.

Basicamente, no CD 1, é para se aplaudir a performance da banda em momentos como “The Wild and the Young” (belíssimo trabalho de guitarras, tanto nos riffs como nos solos), a melodiosa e cativante “Wildest Dreams” (belo refrão e vocais em uma pegada pesada à lá Classic Rock dos anos 70), a pesada e climática “Fool Fool”, o peso mamutesco e elegante de “Only the Strong Will Survive”, a longa “Mystica” (baixo e bateria fazendo bonito, especialmente por conta do solo de Bobby Rondinelli), e a excelente “Long Live Rock” (outra em que os vocais estão muito bem).


Já no CD2, o jeito mais acessível de “The Line” (bela introdução de teclados, inclusive), a selvageria encorpada de “Warrior” (um super Hardão, com guitarras lindas em termos de melodias), a curta e cativante “Truth and Lies” (uma instrumental excelente), a mistura do jeito acessível do Hard Rock com peso de “Carousel”, e a saideira com jeitão Classic Rock de “Rock the Nation” são de fazer o queixo cair.

Bom é apelido!


Conclusão:

Axel Rudi Pell é muito respeitado fora do Brasil (aqui, nem tanto, já que a fragmentação do cenário por conta de estilos e visões ideológicas prejudica muito qualquer artista), e tanto os fãs mais antigos como os mais novos vão babar por “XXX Anniversary Live”.

Ah, sim: eis um tutorial de como fazer um disco ao vivo de verdade!


Nota: 9,0/10,0

  
Only the Strong Will Survive

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

BEAST IN BLACK - From Hell With Love


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Cry Out for a Hero
2. From Hell With Love
3. Sweet True Lies
4. Repentless
5. Die by the Blade
6. Oceandeep
7. Unlimited Sin
8. True Believer
9. This is War
10. Heart of Steel
11. No Surrender
12. Killed by Death (MOTORHEAD) (bônus)
13. No Easy Way Out (Robert Tepper) (bônus)


Banda:


Yannis Papadopoulos - Vocais
Anton Kabanen - Guitarras,  Teclados, Orquestrações, Backing Vocals
Kasperi Heikkinen - Guitarras
Mate Molnar - Baixo
Atte Palokangas - Bateria


Ficha Técnica:

Anton Kabanen - Produção, Mixagem, Gravação
Emil Pohjalainen - Masterização
Roman Ismailov - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.beastinblack.com
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de BATTLE BEAST, e Heavy Metal finlandês


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Talvez estas palavras não sejam novidade, mas é fato que cada país tem uma “marca registrada” em termos musicais, especialmente quando se fala em Heavy Metal como um todo. Por mais que existam os emuladores, dificilmente uma banda norte-americana tem uma sonoridade similar às da Inglaterra. Comparem BLACK SABBATH a BLUE ÖYSTER CULT, e começaram a perceber que existem diferenças entre as escolas dos países em questão. Nisso, nos dias de hoje, a Finlândia produz bandas e mais bandas, todas com algo que mostra que se está lidando com grupos daquelas terras.

E isso é evidente em “From Hell With Love”, segundo álbum do quinteto BEAST IN BLACK, de Helsinque, e que acaba de ser lançado no Brasil pela Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

Para quem não sabe, o quinteto é o irmão mais jovem do BATTLE BEAST, sendo fundado por Anton Kabanen, ex-guitarrista e membro original. E desde que veio seu primeiro disco, “Berserker”, a banda tem causado certo frisson nos fãs. E não é à toa.

Primeiramente, na banda, estão também o baixista húngaro Máté Molnár (que foi do WISDOM), o guitarrista Kasperi Heikkinen (que entre outros, tocou com U.D.O., GAMMA RAY e DIRKSCHNEIDER), o vocalista grego Yannis Papadopoulos, e o baterista Atte Palokangas (conhecido por ter passado pelo THUNDERSTONE). É um time e tanto.

O BEAST IN BLACK tem uma pegada muito pesada e agressiva que contrasta com um jeito melodioso e cativante com toda a carga do “traditional Finnish Heavy Metal”. A diferença que “From Hell With Love” soa mais acessível que seu antecessor, e em relação à sua banda irmã, mostre mais peso, justamente por ser mais influenciado pelo Heavy Metal tradicional e Hard Rock (e mesmo alguns toques subjetivos de Prog Metal/Symphonic Metal aqui e ali, e algumas passagens AOR), ao passo que o outro já se abriu para estilos mais acessíveis.

Mas não se enganem com as palavras e comparações: a banda tem uma personalidade bem forte e óbvia.


BEAST IN BLACK ao vivo
Arranjos/composições:

O jeito mais acessível desse disco não esconde a capacidade da banda em criar ótimos arranjos, embora longe de ser minimalista ao ponto de ser cansativo.

Outro ponto é que as melodias são de fácil assimilação, cada refrão é extremamente envolvente, e a banda soa espontânea e com energia. E apesar desse jeito de ser fazer música já ser bem conhecido, nas mãos da banda se torna algo pessoal, algo que mostra que o quinteto merece todo os elogios que recebe desde que surgiu.


Qualidade sonora:

Anton Kabanen produziu, mixou e acompanhou de perto as gravações, tendo a masterização sido feita por Emil Pohjalainen.

Como se pode imaginar, o nível de profissionalismo é alto, logo, tudo soa claro e bem inteligível aos ouvidos, mas o peso é esmagador, com um balanço bem feito entre melodias e agressividade. Além disso, “From Hell With Love” é um disco sem medo de soar moderno. Longe disso, tudo foi feito para ser atual.


Arte gráfica/capa:

A arte gráfica de Roman Ismailov é ótima, buscando aparentar algo saído das revistas de heróis da Marvel ou DC Comics (o que não é de se espantar, já que o nome da banda é uma influência direta do mangá “Berserk”, de Kentaro Miura), expressando algo do universo de fantasia no jeito de “A Espada Selvagem de Conan”.


Destaques musicais:

Não dá, é difícil escolher alguma faixa que se destaque em “From Hell With Love”. O disco é marcante, envolvente, cheio de nuances e contrastes de luz e sombra. Mas por preciosismo (preguiça?), as mais indicadas para uma primeira ouvida no trabalho:

“Cry Out for a Hero” (um Hard ‘n’ Heavy moderno e grudento, cheio de ótimas melodias e vocais rascantes, refrão marcante e excelentes guitarras), “From Hell With Love” (um típico Heavy Metal moderno e com toques melódicos acessíveis, uma contribuição dos teclados), “Sweet True Lies” (é clara a acessibilidade musical, quase como se nomes como BON JOVI, FIREHOUSE ou mesmo JOURNEY, tocassem Heavy Metal), “Repentless” (teclados e guitarras mostram aquela aura Prog Metal/Symphonic Metal mencionada antes, com conduções rítmicas pesadas à lá Finnish Metal), “Oceandeep” (que é introspectiva e quase acústica em seu início, inclusive com toques de flauta, e que próximo ao fim ganha peso e energia), “Unlimited Sin” e “True Believer” (ambas mostram claros toques AOR/Pop em certas ambientações, embora o alinhavo pesado e agressivo seja evidente, e um ótimo trabalho de vocais e backing vocals), “Heart of Steel” (uma pancada de peso e belas atmosferas criadas pelos teclados, com certo jeito de Hard ‘n’ Heavy dos anos 80), e “No Surrender” (mais uma em que o lado AOR/Pop surge com força, com boas dobradinhas entre as guitarras e teclados).

Para ilustrar a dualidade em que o grupo mostra em sua música, tem-se duas canções extras: “Killed By Death” (eterno hino do MOTÖRHEAD, que aqui ganhou um jeitão mais melodioso para temperar a agressividade original) e “No Easy Way Out” (do cantor Robert Tepper, conhecida por estar na trilha sonora de “Rocky IV”, um AOR/Pop de muito sucesso da época, que aqui ganhou mais peso e agressividade por causa das guitarras).

Mas não se deve deixar “Die by the Blade” ou “This is War” de fora da primeira audição. Logo, o melhor é colocar o disco para tocar e aproveitar.


Conclusão:

Pode-se dizer que o BEAST IN BLACK é a grande surpresa do ano, já que “From Hell With Love” veio muito melhor que a encomenda. Além disso, essa versão nacional merece ser adquirida sem remorsos.

Aliás, aproveitem, pois é um dos grandes discos do ano!
  
Nota: 10,0/10,0


From Hell With Love



Sweet True Lies



Die by the Blade


HÅRD:ON - Bad Habits Never Die



Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Bad Habits Never Die
2. Catwalk
3. Dr. She
4. Touchdown
5. Sunset Drive
6. Open Your Eyes
7. Kings of the Pit
8. Two to Tango
9. Life


Banda:


Chris Hoff - Vocais
Alex Hoff - Guitarras, Teclados, Backing Vocals
Ricardo Bolão - Baixo, Backing Vocals
Daniel Gohn - Bateria


Ficha Técnica:

Hård:On - Produção
José “Heavy” Luís Carrato - Produção, mixagem, masterização


Contatos:

Site Oficial: www.hardonmusic.com
Assessoria:

Indicação: fãs de RATT, MÖTLEY CRÜE, DOKKEN, KISS da fase “Creatures of the Night” até “Revenge”, e Hard/Glam em geral

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

No atual “revival” das sonoridades dos anos 60, 70 e 80, existem muitas bandas que estão por aí apenas fazendo tudo aquilo que já foi feito, como uma máquina de xerox em série. Seja no exterior, seja no Brasil, seja no estilo que for, é sempre necessária uma triagem para separar as cópias daquelas que realmente merecem elogios.

E o quarteto paulista HÅRD:ON faz bonito com “Bad Habits Never Die”, seu segundo disco, que acaba de ser lançado pela Shinigami Records.


Análise geral:

Melodioso, ganchudo e pesado, o trabalho musical do quarteto se baseia no que se convencionou chamar de Hard/Glam Metal da primeira metade dos anos 80, quando o gênero ainda pulsava com energia e peso, antes de sua maior abrangência comercial (quando o peso e agressividade diminuíram em prol de maior acessibilidade). Basicamente, não é nenhum pecado dizer que aquele mix de peso, melodias e energia que se conhece de discos como “Metal Health”, “Shout at the Devil”, “Stay Hungry”, “Pyromani” e outros está presente aqui. Basicamente, o estilo quando começava a estourar nas paradas de sucesso.

O que os diferencia: a banda mostra personalidade, e soa viva, sem querer viver no passado. Entenderam que o se pode soar moderno, sem destoar do que se quer fazer.


HÅRD:ON ao vivo
Arranjos/composições:

A verdade é que a fórmula musical do grupo não é desconhecida: melodias simples e acessíveis, refrães recheados com backing vocals que grudam nos ouvidos, boa técnica musical, mas a solidez de um conjunto de peso.

Óbvio que existe um “feeling” que leva as mentes diretamente aos anos 80, e que os coloca no mesmo patamar de bandas atuais que fazem sucesso na Europa. Mas não é algo forçado não existe a pretensão de “ser anos 80”, mas é algo que flui de forma completamente espontânea.


Qualidade sonora:

O grupo assumiu a produção de “Bad Habits Never Die” em união com José “Heavy” Luís Carrato (sim, o mesmo que trabalhou com bandas antológicas do Brasil como PLATINA, A CHAVE DO SOL, GUETO, CAMISA DE VÊNUS e outros, e ele ainda fez a mixagem e a masterização), como ocorrera em seu primeiro disco (“Hård:On”, de 2016). E ainda: as partes instrumentais foram gravadas no Rocks Studio (São Paulo, Brasil), enquanto as vozes foram captadas no Cubic Sun Studio (Berlim, Alemanha).

O resultado é algo que soa limpo e compreensível para os ouvintes (tudo pode ser entendido sem esforços), mas com uma dose extra de peso. Aliás, pode-se aferir que certa aura artesanal permeia as canções, ou seja, um toque de crueza para dar mais impacto e peso.


Arte gráfica/capa:

Basicamente, a arte da capa é permeada por elementos gráficos atuais, mas ao mesmo tempo, toques bem “anos 80” ficam evidentes por conta das referências a jogos, cigarros, bebidas e Rock ‘n’ Roll. Algo capaz de deixar os cabelos de mais conservadores e politicamente corretos de pé ao mesmo tempo.


Destaques musicais:

Esse soco Hard ‘n’ Heavy chamado “Bad Habits Never Die” é compost de 9 canções que são capazes de seduzir até a mais empoeirada das múmias paralíticas que possam pensar, pois são ótimas. Mas se destacam para uma primeira audição:

“Bad Habits Never Die” (suavidade e aspereza convivendo harmoniosamente, com um andamento lento e pesado, mas sem deixar que as melodias se percam, além de guitarras pesadas de primeira, tanto nos riffs como nos “leads”), “Catwalk” (peso-pesado à lá KISS da fase Hard/Glam, refrão marcante, sem mencionar que guitarras e vocais estão ótimos), “Touchdown” (um fluxo de energia absurdo, passagens marcantes, peso em doses generosas, com baixo e bateria marcantes), “Sunset Drive” (onde mais uma vez baixo e bateria mostram sua vibração, e isso em uma faixa onde a acessibilidade musical é enorme), “Two to Tango” (excelente técnica apresentada pelas guitarras nas bases, além de vocais de primeira), e “Life” (uma senhora balada, com melodias cativantes).

Mas na segunda ouvida, não há como não ouvir o disco todo. Logo, evitem surpresas: ouçam todas logo de cara!


Conclusão:

Fica clara a ideia de que o HÅRD:ON evoluiu bastante, e que “Bad Habits Never Die” tende a abrir mais portas para a banda, tanto no Brasil como fora daqui.

Estão esperando o que? Comprem suas cópias, e boa diversão!


Nota: 9,0/10,0


Bad Habits Never Die

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

OPETH - In Cauda Venenum


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Garden of Earthly Delights
2. Dignity
3. Heart in Hand
4. Next of Kin
5. Lovelorn Crime
6. Charlatan
7. Universal Truth
8. The Garroter
9. Continuum
10. All Things Will Pass


Banda:


Mikael Åkerfeldt - Vocais, Guitarras
Fredrik Åkesson - Guitarras, Backing Vocals
Joakim Svalberg - Teclados, Backing Vocals
Martin Mendez - Baixo
Martin Axenrot - Bateria, Percussão


Ficha Técnica:

Mikael Åkerfeldt - Produtor
Stefan Boman - Produtor, Mixagem
Geoff “Pounda” Pesche - Masterização
Seempieces - Arte, Design
Dave Stewart - Orquestrações, Arranjos de Cordas


Contatos:

Site Oficial: www.opeth.com
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Progressive Metal e Rock Progressivo em geral, ANATHEMA


Introdução:

Existem aqueles grupos que vão fundo em carreiras musicais cheias de transições. Em muitos casos, isso pode causar o esvaziamento da base de fãs, em outros, estes se adaptam, e em outros ainda, novos fãs se achegam ao mesmo tempo em que os velhos se afastam.

E como todos já sabem, o OPETH é desses que vivem se transformando com certa constância, nunca sendo repetitivo. Mas é fato que de “Pale Communion” (2014) e “Sorceress” (2016) para cá, a banda tem causado certo frisson em seus fãs. Isso sem mencionar algumas polêmicas (como aquela pela declaração de que Mikael Åkerfeldt se sentia livre por ter parador de usar vocais agressivos). Aos que preferem o passado mais sujo, “In Cauda Venenum” pode não ser uma experiência muito agradável, mas para sua legião de fãs mais recentes, será um deleite. Ainda mais que tanto sua versão dupla (que tem o disco normal e a versão cantada em sueco) como a simples foram lançadas aqui pela colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

“In Cauda Venenum” pode ser encarado como o mais consensual e sólido disco da fase Progressiva atual do quinteto. E antes que perguntem: não existem vocais urrados.

O minimalismo do grupo não quebra o fluxo espontâneo das canções. Ao mesmo tempo, aquele feeling “noir” intimista contrasta com partes mais pesadas (mesmo cheia de arranjos progressivos). Óbvio que soa criativo e pesado, mas é necessário que ouvinte se dispa de convicções ou ideias prévias sobre o grupo. Além disso, é um disco difícil de ser assimilado, talvez até mesmo por fãs ocasionais de Rock Progressivo. Ou seja: existem momentos meramente melancólicos, e outros em que peso e agressividade se mesclam a estruturas progressivas sem pudores.

Guardadas às devidas proporções, poderia se dizer que o quinteto seria uma versão metálica do MARILLION com o rebuscamento de um GENESIS.


Arranjos/composições:

Pode se dizer que as viagens melancólicas/progressivas, bem como os momentos mais pesados de “In Cauda Venenum” são permeados de arranjos encaixados com maestria, que apesar da técnica, não soa pedante em termos técnicos, algo que deixaria os ouvidos exaustos. Mas nem de longe é algo simplista, pois necessita de uma boa dose de paciência para ser assimilado.

Óbvio que fazer algo assim exige uma boa dose de engenhosidade dos músicos, e mesmo que a criatividade esteja em alta. Mas quem conhece o OPETH, sabe que isso nunca foi um problema.


OPETH
Qualidade sonora:

As mãos do próprio Mikael Åkerfeldt cuidaram da produção, tendo ao seu lado Stefan Boman como co-produtor (e que ainda cuidou da mixagem), deixando a masterização para Geoff “Pounda” Pesche.

O que resulta dos esforços deles: uma sonoridade bem cuidada, clara a ponto de tudo ser compreendido. Mas há um toque de sujeira extra em certas partes, quase que emulando o feeling presente em velhas gravações dos anos 70 do Rock Progressivo.



Arte gráfica/capa:

Um disco de Rock Progressivo com uma ambientação como a de “In Cauda Venenum” precisa de uma arte realmente à altura, como a Seempieces soube fazer.

Ela é soturna, chamativa, e bem feita. E obviamente vai trazer a mente dos fãs algo dos 70 visto em discos de bandas como PINK FLOYD.


Destaques musicais:

Como já mencionado, é preciso estar isento de concepções prévias para poder adentrar os mistérios desse disco. Se ainda estiverem presos ao passado de discos como “Morningrise”, “Blackwater Park” ou mesmo “Ghost Reveries”, vai ser difícil compreender a amplitude musical de “In Cauda Venenum”.

Os melhores momentos: o mix de peso e técnica apresentado em “Dignity” (com pelas partes de teclados e rebuscamento da parte de baixo e bateria), mesmos elementos apresentados em “Heart in Hand” (está com certos toques mais grooveados), a belíssima e introspectiva “Lovelorn Crime” (onde o lado Folk Rock do grupo aflora, remetendo a algo de Simon & Garfunkel em termos de ambientação), a profundidade melódica Progressiva de “Universal Truth”, a estética “noir” dura e intimista de “The Garroter”, e a sinuosa e sedutora “All Things Will Pass”.

Mas novamente: este disco NÃO É TÃO SIMPLES de ser compreendido, logo, não ouça uma vez e tire conclusões apressadas!


Conclusão:

A verdade é que o OPETH realmente busca algumas partes mais pesadas de seu passado, mas ao mesmo tempo, “In Cauda Venenum” mostra que o quinteto está mais e mais se aprofundando no Rock Progressivo com certo “insight” eclético e experimental de seus últimos discos.

Óbvio que isso vai gerar muita polêmica e disse-me-disse, mas qual grande disco não é assim?

Nota: 8,8/10,0


Texto: “Metal Mark” Garcia


Dignity