segunda-feira, 18 de novembro de 2019

OPETH - In Cauda Venenum


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Garden of Earthly Delights
2. Dignity
3. Heart in Hand
4. Next of Kin
5. Lovelorn Crime
6. Charlatan
7. Universal Truth
8. The Garroter
9. Continuum
10. All Things Will Pass


Banda:


Mikael Åkerfeldt - Vocais, Guitarras
Fredrik Åkesson - Guitarras, Backing Vocals
Joakim Svalberg - Teclados, Backing Vocals
Martin Mendez - Baixo
Martin Axenrot - Bateria, Percussão


Ficha Técnica:

Mikael Åkerfeldt - Produtor
Stefan Boman - Produtor, Mixagem
Geoff “Pounda” Pesche - Masterização
Seempieces - Arte, Design
Dave Stewart - Orquestrações, Arranjos de Cordas


Contatos:

Site Oficial: www.opeth.com
Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Progressive Metal e Rock Progressivo em geral, ANATHEMA


Introdução:

Existem aqueles grupos que vão fundo em carreiras musicais cheias de transições. Em muitos casos, isso pode causar o esvaziamento da base de fãs, em outros, estes se adaptam, e em outros ainda, novos fãs se achegam ao mesmo tempo em que os velhos se afastam.

E como todos já sabem, o OPETH é desses que vivem se transformando com certa constância, nunca sendo repetitivo. Mas é fato que de “Pale Communion” (2014) e “Sorceress” (2016) para cá, a banda tem causado certo frisson em seus fãs. Isso sem mencionar algumas polêmicas (como aquela pela declaração de que Mikael Åkerfeldt se sentia livre por ter parador de usar vocais agressivos). Aos que preferem o passado mais sujo, “In Cauda Venenum” pode não ser uma experiência muito agradável, mas para sua legião de fãs mais recentes, será um deleite. Ainda mais que tanto sua versão dupla (que tem o disco normal e a versão cantada em sueco) como a simples foram lançadas aqui pela colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

“In Cauda Venenum” pode ser encarado como o mais consensual e sólido disco da fase Progressiva atual do quinteto. E antes que perguntem: não existem vocais urrados.

O minimalismo do grupo não quebra o fluxo espontâneo das canções. Ao mesmo tempo, aquele feeling “noir” intimista contrasta com partes mais pesadas (mesmo cheia de arranjos progressivos). Óbvio que soa criativo e pesado, mas é necessário que ouvinte se dispa de convicções ou ideias prévias sobre o grupo. Além disso, é um disco difícil de ser assimilado, talvez até mesmo por fãs ocasionais de Rock Progressivo. Ou seja: existem momentos meramente melancólicos, e outros em que peso e agressividade se mesclam a estruturas progressivas sem pudores.

Guardadas às devidas proporções, poderia se dizer que o quinteto seria uma versão metálica do MARILLION com o rebuscamento de um GENESIS.


Arranjos/composições:

Pode se dizer que as viagens melancólicas/progressivas, bem como os momentos mais pesados de “In Cauda Venenum” são permeados de arranjos encaixados com maestria, que apesar da técnica, não soa pedante em termos técnicos, algo que deixaria os ouvidos exaustos. Mas nem de longe é algo simplista, pois necessita de uma boa dose de paciência para ser assimilado.

Óbvio que fazer algo assim exige uma boa dose de engenhosidade dos músicos, e mesmo que a criatividade esteja em alta. Mas quem conhece o OPETH, sabe que isso nunca foi um problema.


OPETH
Qualidade sonora:

As mãos do próprio Mikael Åkerfeldt cuidaram da produção, tendo ao seu lado Stefan Boman como co-produtor (e que ainda cuidou da mixagem), deixando a masterização para Geoff “Pounda” Pesche.

O que resulta dos esforços deles: uma sonoridade bem cuidada, clara a ponto de tudo ser compreendido. Mas há um toque de sujeira extra em certas partes, quase que emulando o feeling presente em velhas gravações dos anos 70 do Rock Progressivo.



Arte gráfica/capa:

Um disco de Rock Progressivo com uma ambientação como a de “In Cauda Venenum” precisa de uma arte realmente à altura, como a Seempieces soube fazer.

Ela é soturna, chamativa, e bem feita. E obviamente vai trazer a mente dos fãs algo dos 70 visto em discos de bandas como PINK FLOYD.


Destaques musicais:

Como já mencionado, é preciso estar isento de concepções prévias para poder adentrar os mistérios desse disco. Se ainda estiverem presos ao passado de discos como “Morningrise”, “Blackwater Park” ou mesmo “Ghost Reveries”, vai ser difícil compreender a amplitude musical de “In Cauda Venenum”.

Os melhores momentos: o mix de peso e técnica apresentado em “Dignity” (com pelas partes de teclados e rebuscamento da parte de baixo e bateria), mesmos elementos apresentados em “Heart in Hand” (está com certos toques mais grooveados), a belíssima e introspectiva “Lovelorn Crime” (onde o lado Folk Rock do grupo aflora, remetendo a algo de Simon & Garfunkel em termos de ambientação), a profundidade melódica Progressiva de “Universal Truth”, a estética “noir” dura e intimista de “The Garroter”, e a sinuosa e sedutora “All Things Will Pass”.

Mas novamente: este disco NÃO É TÃO SIMPLES de ser compreendido, logo, não ouça uma vez e tire conclusões apressadas!


Conclusão:

A verdade é que o OPETH realmente busca algumas partes mais pesadas de seu passado, mas ao mesmo tempo, “In Cauda Venenum” mostra que o quinteto está mais e mais se aprofundando no Rock Progressivo com certo “insight” eclético e experimental de seus últimos discos.

Óbvio que isso vai gerar muita polêmica e disse-me-disse, mas qual grande disco não é assim?

Nota: 8,8/10,0


Texto: “Metal Mark” Garcia


Dignity

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Potencial Comercial: ou porque o Metal brasileiro está se apequenando...


Por “Metal Mark” Garcia


Nesses tempos em que crenças pessoais e ideologias militantes assolam o Metal, muitas bandas têm metido os pés pelas mãos e caído em arapucas. Por isso, pouquíssimos são aqueles que poderiam entrar no time de SEPULTURA, ANGRA e KRISIUN como bandas brasileiras que têm relevância no mercado internacional. E a ideia é simples: todos têm aniquilado seu potencial comercial por motivos a serem dissertados nesse texto.

Por “potencial comercial”, entenda-se a capacidade de uma banda de Metal tem de crescer sob certas condições, e assim, alcançar sucesso comercial (ou seja, em vendas de discos e merchandising). Ou seja, é quanto a banda pode crescer tendo os devidos investimentos.

Ilustrando o que quero dizer por meio de alguns exemplos históricos.

Nos anos 80, era muito comum que bandas que vinham de selos independentes ter uma sonoridade com energia e mais crua, e ao entrarem em uma grande gravadora, sofriam alterações. As gravadoras contratavam produtores para moldarem (o mais certo seria “polir”) a música de determinado grupo ao público vigente, o que era uma estratégia que podia render bons frutos, mas que também poderia significar fracasso. Nisso, as gravadoras estavam tentando maximizar o potencial comercial desses grupos, mas obviamente erravam mais que acertavam. Não era uma questão bem X mal, mas meramente financeira.

RAVEN: Este é um ótimo exemplo no sentido negativo de potencial comercial.

RAVEN antes da era da Atlantic Records

O trio inglês vinha em uma ascensão em termos de público desde que lançaram “Rock Until You Drop”, e com 3 discos, era uma potência dentro do underground, tanto que o METALLICA foi banda de abertura na época da “Kill ‘em All For One Tour”. Mas bastou entrarem em uma “major” (a Atlantic Records) que fizeram “Stay Hard” (em 1985, para se exato), um disco que assustou os fãs da época, pois era bem mais voltado ao que fazia sucesso no mercado norte-americano (ou seja, Hard/Glam como MÖTLEY CRÜE, RATT e outros) que a seu jeito Hard/Heavy clássico. Foi um golpe duro aos fãs mais antigos, e a situação piorou ainda mais com “The Pack is Back” (de 1986). A coisa foi tão feia que a banda, que poderia ter sido um novo IRON MAIDEN ou JUDAS PRIEST em termos de sucesso (sim, eles tinham potencial para tanto) ficou apequenada pelo resto de sua carreira. Se de um lado perderam muitos fãs (que os trocaram por bandas emergentes daqueles anos), não conseguiram criar uma base sólida de novos fãs que os permitissem crescer mais. O potencial comercial do grupo (que não era pequeno) foi perdido por uma enorme falta de estratégia de como lidar com a banda e sua música. E se completou com a perda do “timing”, pois a NWOBHM estava perdendo forças e o Thrash Metal começava a crescer e ter apoio das gravadoras grandes. Basta ver o sucesso comercial de “Master of Puppets”, também de 1986). O RAVEN teve que se contentar em ser uma banda “Cult” pelo resto de sua existência, mesmo fazendo ótimos discos de 1987 para cá.

Capa de “The Pack is Back”. Reparem na diferença de visual
entre o passado e esse disco. Mais Glam impossível.

Outros como PICTURE (tanto que “Traitor”, de 1985, eclipsou quase tudo que a banda havia feito de bom antes), SAVATAGE (“Fight for the Rock”, de 1986 só não causou estragos piores porque, um ano depois, lançaram o ótimo “Hall of the Mountain King”, mas nunca cresceram o que podiam) caíram nessa mesma arapuca. O hoje chamado clássico do ACCEPT, “Metal Heart” (de 1985), teve uma recepção cheia de narizes torcidos por parte dos fãs naqueles tempos por conta de elementos mais acessíveis em suas músicas.

Uma clara mostra que os fãs desse tipo de Metal não aceitavam mudanças, e como o próprio público estava mudando (lembrando: a NWOBHM e bandas de Metal tradicional em geral estavam perdendo espaço para o Thrash Metal, enquanto o Hard/Glam e o AOR reinavam supremos nas paradas de sucesso).

Exemplo positivo: METALLICA.

RAVEN e METALLICA durante a  “Kill ‘em All For One Tour”

Talvez seja o maior exemplo de todos de quem sabe aproveitar oportunidades.

Disco após disco, sempre cresceram até o sucesso de “Metallica”, mas se observarmos direito, eles sempre usaram estratégias de marketing interessantes, e nunca perderam o “timing”. Estavam sempre no lugar certo, na hora certa e fazendo a coisa certa. Mesmo as idas na direção oposta (o fato de não gravarem vídeos, os discursos contra o Hard/AOR que infestava o cenário dos EUA), e mesmo as brigas com Dave Mustaine na imprensa e a (infeliz) passagem de Cliff Burton os ajudou. Óbvio que tudo isso sempre embasado em músicas de alto nível. Aliás, a banda não fazia concessões, era do jeito deles ou não era (apenas em “Metallica” isso foi mudado, pois a visão de Bob Rock os ajudou a chegarem no próximo nível).

Fonte: Metalhead Zone

O mesmo vale para KISS (ou acreditam que a presença de Bob Ezrin na produção de “Destroyer”, a guinada para o Hard/Glam nos anos 80, o final da fase mascarada, e mesmo a turnê com a formação original e usando as maquiagens não foram estratégias bem pensadas?), IRON MAIDEN (na biografia “Run to the Hills” se vê como as presenças de Rod Smallwood e de Martin Birch foram importantes em termos de estratégia e mesmo de música) e outros que estão ou no time dos gigantes ou dos grandes. Mesmo o AC/DC com toda sua atitude ‘fuck you’ teve que se curvar diante da sabedoria comercial de “Mutt” Lange (duvido que queriam ter que trabalhar em empregos comuns na Austrália depois de terem tantos discos lançados), o que fez da trinca “Highway to Hell”, “Back in Black” e “For Those About to Rock” um sucesso e os permitiu alcançar o tão almejado estrelato (se duvidam, procurem lear a biografia da banda escrita por Mick Wall). 

TRADUZINDO: É preciso algo além da música em si para se chegar lá. É preciso estratégia de marketing, e tudo mais que for possível para que a banda atinja o maior número de fãs possível. Mesmo algumas polêmicas podem ajudar (Ozzy que o diga).

Estabelecida a definição de potencial comercial e seus exemplos, podemos analisar um momento histórico problemático: a atual fragmentação do cenário nacional em torno de ideologias políticas. Elas podem ser abordadas como um problema severo e perigosas ao potencial comercial de qualquer grupo (menos os que são gigantes, pois estão acima do bem e do mal, onde as instabilidades não os atingem).

No Brasil, vemos um tiroteio ideológico de todos os lados (que piorou muito após a eleição presidencial de 2018). 

Uns exigem que as bandas se postem politicamente (como se alguém fosse obrigado a isso); o outro lado, por sua vez, defende que o Metal não possui uma ideologia partidária. Em ambos os casos, um bom profissional diria que não se deve cair nesse tipo de armadilha, justamente para não se limitar em termos de público. Em uma visão simplesmente pragmática em termos de marketing, não existem fãs de esquerda ou direita em termos financeiros, apenas fãs que pagam pelo trabalho das bandas. Repetindo de forma mais simplificada e clara: não existem fãs opressores e nem fãs oprimidos, existem fãs!

Vejam bem: no momento em que os ânimos estão divididos entre esquerda e direita, exigir que uma banda se posicione de um lado nessa briguinhas de crianças no pátio de escola (perdoem-me ser sincero, mas é a impressão que tenho) é desagradar um ou outro segmento. A conseqüência óbvia é a perda de uma fatia de público, e isso em uma época em que a venda de discos e audições via streaming não rendem quase nada para os grupos. Estes sobrevivem com venda de merchandising e cachê de shows (aquelas que são suficientemente grandes para tanto), logo, isso significa a perda de dinheiro, e assim, a banda vai definhando até sumir de cena. Sinto muito, mas sentimentalismos underground (e ideologias) não pagam as contas... E ninguém fica gastando do próprio bolso ad infinitum sem ter alguma compensação, a menos tenha ótimas condições (o que fere o opositor de um dos segmentos citados).

Se isso ocorresse nos anos 80, no auge do poder das grandes gravadoras, é certo que alguém delas daria uma bela bronca em engraçadinhos do tipo. Sim, isso daria um belo chute nos fundilhos de quem queria se posicionar politicamente. A gravadora queria lucrar, logo, nada mais simples que dispensar os insatisfeitos com suas decisões, pois eles, se não vendem, são dispensáveis. 

Sendo sincero: todas as bandas que se meteram nesse balaio de gato ideológico deram um imenso tiro no pé (se é que sobrou algo do pé depois de tantas palhaçadas). Em uma perspectiva futura, o número de audições nas plataformas digitais diminuirá, e a mesma coisa pode ocorrer com a presença do público em shows. Se as mesmas já tocam fora, é possível minimizar esse dano, mas as restritas ao Brasil vão sentir isso mais duramente. Danificaram a potencialidade de angariar público, ou seja, de aumentar a receita financeira que oxigena a carreira do grupo, pois nenhum fã gosta de ser ofendido em suas pessoalidades (ao qual todos têm direito, mesmo que o leitor discorde disso). Talvez por isso uma das bandas que mais se posicionou politicamente antes do pleito do ano passado tenha encerrado as atividades: viram a conseqüência dos próprios atos. Tanto é assim que viraram piada nas redes sociais, até bem mais que foram apoiados. Perderam mais que ganharam, não importam ideologias.

KORZUS
Óbvio que este autor sabe (e viu) da tal lista de bandas ditas “antifas” que andou rolando pela internet há alguns meses, e que traduzindo em miúdos, são as que se posicionaram politicamente em prol da esquerda. Por tudo que se pode ver, o encolhimento comercial de cada uma delas é questão de tempo. Inclusive os músicos destas bandas estão marcados por uma enorme parcela do público, que pelo visto, os perseguirá de tal forma que tudo que tentem pode dar burros n’água. Repetindo: comercialmente, uma banda não tem fãs de esquerda ou direita, mas tem fãs. Ao autor da lista, se ler estas palavras, digo que seu tiro saiu pela culatra: o número de pessoas que afirmou que usará esta lista para evitar essas bandas é enorme. Ou seja, você jogou contra o próprio patrimônio, ou seja, contra o Metal. Se tem banda, se é produtor, enfim, alguém que depende um pouco que seja de capital de giro, errou, ainda mais em tempos que sigilo é algo praticamente inexistente em redes sociais.

Há aqueles que desejam ficar fora dessa estória, inclusive com declarações óbvias. 

O fato de KORZUS, TORTURE SQUAD e outros estarem com essa posição neutra não significa omissão ou que estão pactuando com o atual governo, mas que estão, muito provavelmente, preocupados com suas carreiras a longo prazo. E porque (sabiamente) discordam de ambos os lados nessa peleja cômica (ambas as bandas falaram isso com todas as palavras nos eventos em que existiram manifestações políticas por parte dos fãs, e foram hostilizadas na internet posteriormente). E como dito antes, ninguém tem que ter posição política explícita, a lei garante isso. Se posicionar pró ou contra o atual governo do Brasil, pró ou contra os anteriores, vai terminar em desgaste com o público e perdas que podem não ser reparadas, a menos que as bandas tenham suporte financeiro do exterior (ou seja, já tenha público cativo no exterior).

O melhor conselho: deixar que a música falar por si (para as bandas que gostam desse tipo de tema) sem alimentar polêmicas desnecessárias nesse assunto, e não fazer de seus shows comícios. 

Aliás, uma crítica: qual banda dessas que foi chamada para fazer comício político? Há anos o Metal sempre é ignorado por partidos e candidatos políticos, enquanto pagam fortunas por artistas mais populares. Sim, nenhum deles vai lá sem ganhar grana ou alguma divulgação (lembremos que a MPB está, criativamente falando, falida há anos, logo, seus artistas precisam se mostrar vez por outra, pois musicalmente é um estilo esgotado). Deixem de ser bobocas, façam música, toquem e pronto, ninguém quer saber de suas vidas ou ideologias, quanto mais de suas opiniões partidárias ainda mais quando tentam enfiar isso goela abaixo dos outros, em uma mostra de que não sabem viver em democracia e não respeitam o direito de expressão e pensamento alheios. Querem o direito para si, mas nunca para o outro que não quer bater palmas para maluco dançar nessa tragicomédia em que transformaram o cenário. Inclusive o Heavy Metal Thunder Brasil fica tendo que lidar com denúncias, porque este autor se atreve a falar uma verdade que poucos querem ouvir: reclamam de censura, mas são os piores censores; reclamam de quem não se posiciona politicamente, mas querem censurar quem não está ao lado deles. 

Aliás, cabe dizer que bandas como BEHEMOTH, EMPEROR, DISSECTION, BURZUM e outras entraram na mira dessa turma. Bandas que os influenciaram como músicos, mas hoje, cospem no prato que um dia comeram, como se sua música não refletisse cada uma delas.

Pensem: existem conservadores e liberais, pessoas de direta e esquerda, entre membros de bandas famosas. Aliás, não é porque apóia seu pensamento político que o músico/grupo se torna bom (ou se torna ruim por discordar de você). Óbvio que muitos músicos do primeiro time já têm públicas suas opções políticas (ou permitem as pessoas pensar dessa forma), mas eles já estão acima do bem e do mal. Kirk Hammet, Dave Mustaine, Tom Araya, Alice Cooper, Gene Simmons, Kerry King... A lista é longa, mas vejam os nomes e de que bandas eles são: só de grupos já consagrados, que qualquer polêmica que pense o leitor, não as atinge. E isso não se aplica a bandas que precisam criar uma sólida base de fãs, que quase têm que mendigar “likes” e visualizações nas mídias sociais. Tapinhas nas costas de correligionários não bancam sua banda, mas o dinheiro dos fãs.

Óbvio que todos podem (e devem ter) um pensamento político, e mesmo partidário, pois é direto constituído. Agora devem manter isso em seus devidos particulares, sem agredirem a outros (como teimam em fazer no Brasil) por pensarem diferentes, pois fãs agredidos são fãs que não pagam pelos seus trabalhos, são fãs que não vão mais aos seus eventos, não usam suas camisas, não ouvem suas músicas. E se serve de termômetro, são menos “likes” em suas páginas no Facebook.

Se alguém viu partidarismo aqui, lhes direi apenas para tirarem a venda dos olhos. Estou falando de aspectos financeiros e adjacências, e sendo mais honesto que muitos bobocas políticos são. Não bato palmas para maluco dançar como alguns professores falidos fazem, te vendendo luxo como lixo em uma série de mentiras em que eles mesmos não acreditam. Desculpem, mas ninguém é fascista-machista-homofóbico e outros gritos de ordem vazios só porque discorda de vocês e de sua agenda ideológica, e nem me venham com perguntas estilo “você acha que...”, pois não caio em arapucas do tipo. Este autor é PRÓ METAL, entenderam? P-R-Ó-M-E-T-A-L, letra por letra, para ver se soletrando suas mentes emperradas pegam no tranco! Não preciso mandar mensagens subjetivas, mando na lata!


Cabe um testemunho: nos anos 80, existiam diferenças políticas entre os fãs. Isso sempre existiu. O que não existia: NINGUÉM brigava com NINGUÉM por causa disso. Basicamente, a geração dos nascidos nos anos 70 parece ter, por conta da educação familiar, entendido o bom e velho “me respeite para ser respeitado”. Não são todos (tem uns velhos por aí que andam aprontando das suas), mas era mais ou menos por aí.

Pronto, tudo preto no branco. Agora, se querem continuar com isso, sigam em frente. Escrevi e avisei, e não posso evitar que se destruam, mas não me envolvam em sua pantomima infantil e cega. Não quero e não vou participar de seus joguinhos de intrigas, fofocas e outros!

Encerrando: a banda ter os pés no chão e avaliar suas possibilidades, o público-alvo e a buscar formas de despertar a curiosidade para começar a estender sua base de fãs, e evitar mexer em temas que dividam seu público (como política, militâncias e partidarismos). No mais, que cada um cuide de sua carreira conforme desejar. Aliás, conservador, liberal ou outro são meros rótulos, nos quais não me encaixo. Se você vê este autor em um deles, melhor você ir ao psiquiatra, pois está doente e vazio.



No mais, o Metal é para todos, quer gostem, quer não gostem... Aliás, aos que não gostaram, a porta da rua é serventia da casa.

Passar bem!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

SONATA ARCTICA - Talviyö


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Message from the Sun
2. Whirlwind
3. Cold
4. Storm the Armada
5. The Last of the Lambs
6. Who Failed the Most
7. Ismo’s Got Good Reactors (instrumental)
8. Demon’s Cage
9. A Little Less Understanding
10. The Raven Still Flies with You
11. The Garden


Banda:


Tony Kakko - Vocais, Teclados, Programação, Orquestrações, Ukulele, Percussão
Elias Viljanen - Guitarras
Henrik Klingenberg - Teclados, Backing Vocals
Pasi Kauppinen - Baixo, Backing Vocals
Tommy Portimo - Bateria


Ficha Técnica:

Sonata Arctica - Produção
Mikko Tegelman - Produção, Gravação, Mixagem
Svante Forsbäck - Masterização
Pasi Kauppinen - Gravação, Mixagem
Onni Wiljami - Arte da Capa
Janne Pitkänen - Layout
Mari-Anneli Sarkkinen - Backing Vocals
Teemu Koskela - Backing Vocals
Marja Hakala - Backing Vocals
Mia K. - Backing Vocals
Outi V. - Backing Vocals
Hilla - Vocais adicionais
R. K. - Vocais adicionais
Jussi Tegelman - Efeitos de vento em “Whirlwind”


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Power Metal, STRATOVARIUS, BATTLE BEAST, EDGUY, ANGRA, RHAPSODY OF FIRE


Introdução:

Existem aquelas bandas que sempre são perseguidas, mas que se mantém firmes em sua proposta e, mesmo quando erram, arcam com as consequências.

Seja por justiça ou recalque, o fato é que o quinteto finlandês SONATA ARCTICA sempre foi bastante espinafrado no Brasil. Mas mesmo assim, sempre tiveram renome e moral, além de uma imensa legião de fãs. E agora, mostrando o quanto têm moral por aqui, a Shinigami Records e a parceira Nuclear Blast Brasil bateram o pé e lançaram “Talviyö” (mais recente disco do grupo) no Brasil.


Análise geral:

A verdade é que “Talviyö” (que significa “noite de inverno” em finlandês) continua o estilo que a banda tem delineado há alguns anos, especialmente em “The Ninth Hour”: o bom e velho Power Metal de sempre, agora mais amadurecido, menos veloz e ainda mais melódico e acessível que antes.

Mas se a banda perdeu em termos de velocidade, ganhou em elegância. Pode-se dizer que alguns toques de AOR entraram na sonoridade do grupo, o que os permite alcançar um público mais amplo.

Basicamente, é um disco feito na medida certa, e muito bem equilibrado.


Arranjos/composições:

A qualidade musical do grupo continua inquestionável, só que a maior amplitude de influências permite ao quinteto. De certa forma, uma das primeiras coisas que salta os olhos é que “Talviyö” é um disco solto, espontâneo e vindo da mais pura inspiração.

Óbvio que o minimalismo ainda se faz presente em alguns momentos, em outros, o velho “insight” Power Metal dá as caras, mas sem perder o jeito mais acessível (uma ouvida em “Message from the Sun” deixa isso bem claro).

Além disso, tudo está muito bem conectado, pois vocais, guitarras, baixo, teclados e bateria estão justos em seus arranjos, se mesclando de forma harmoniosa.


SONATA ARCTICA
Qualidade sonora:

A banda já queria trabalhar com Mikko Tegelman desde “The Nineth Hour” (o que não pode acontecer por conflitos de agendas), e agora, fica justificado o motivo: a clareza sonora, a disponibilização dos instrumentos (sinal de uma mixagem muito bem feita), a timbragem dos instrumentos, tudo ficou perfeito. Tanto o lado pesado quanto a estética melodiosa encorpada estão claros aos ouvidos.

Ou seja, tudo funcionou perfeitamente no estúdio.


Arte gráfica/capa:

Onni Wiljami criou uma belíssima arte gráfica para a capa, com um painel que ilustra uma noite nevada (trabalhado em um formato Digipack de 3 páginas), uma planície bem conhecida para os finlandeses que convivem com as temperaturas extremamente baixas próximas ao círculo polar ártico.


Destaques musicais:

“Talviyö” não é um disco pretencioso, nem soa como tal. A espontaneidade que transpira de suas composições é sinal de amadurecimento dos integrantes do quinteto, bem como a força da formação (que está junta desde 2013). E embora não seja um disco conceitual, existem ligações entre as letras.

As belas e grudentas melodias de “Message from the Sun” abrem o disco, com uma canção rica em detalhes, mas bem acessível (e que belo trabalho de vocais e backing vocals, sem mencionar o refrão que não sai mais da mente do ouvinte), seguida da madura e pesada “Whirlwind” (que lindos teclados, ricos em termos de arranjos subjetivos, sem mencionar outro refrão excelente). A climática e apoteótica “Storm the Armada” mostra tempos mais comportados e é mais simples em termos técnicos, mas mostra um trabalho ótimo de baixo e bateria (bem como de vocais femininos). Também mais acessível (apesar da ambientação Progressiva) é “Who Failed the Most”, outra com arranjos bem acessíveis (e simples demais de se cantar junto). Revistando os elementos do passado, tem-se a instrumental “Ismo’s Got Good Reactors”, onde partes próximas ao que os fãs de “Silence” (primeiro disco de sucesso do grupo) gostam, especialmente no que tange a riffs e solos de guitarras. Uma paulada Power/Prog com toques AOR é ouvida em “A Little Less Understanding”, uma música memorável e também bem simples de ser assimilada (e que vocais!). E a sutileza aveludada de “The Raven Still Flies with You” é permeada de melodias aconchegantes que se agarram aos ouvintes, sempre com ótimas partes de teclados.

Estas, em um primeiro momento, servem para introduzir o ouvinte a “Talviyö”, mas o disco inteiro é ótimo.


Conclusão:

Pode-se aferir que quem gosta dos finlandeses, vai adorar “Talviyö”. Os que sempre os depreciaram vão continuar a fazê-lo. Mas para aqueles que são capazes de um olhar mais profundo, perceberão que o SONATA ARCTICA lançou mais um grande disco, e fugindo do ponto comum do Power Metal clássico, mostram que ainda vão durar muito tempo.

E que a polêmica continue...


Nota: 9,3/10,0

Texto: “Metal Mark” Garcia


Cold



Who Failed the Most


terça-feira, 5 de novembro de 2019

TURILLI/LIONE RHAPSODY - Zero Gravity (Rebirth and Evolution)


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Phoenix Rising
2. D.N.A. (Demon and Angel)
3. Zero Gravity
4. Fast Radio Burst
5. Decoding the Multiverse
6. Origins (instrumental)
7. Multidimensional
8. Amata Immortale
9. I Am
10. Arcanum (Da Vinci’s Enigma)
11. Oceano (bonus - Cover de Josh Groban)           


Banda:


Fabio Lione - Vocais
Luca Turilli - Guitarras, Teclados
Dominique Leurquin - Guitarras
Patrice Guers - Baixo
Alex Holzwarth - Bateria


Ficha Técnica:

Fabio Lione - Produção
Luca Turilli - Produção
Stefan Heilemann - Arte da Capa
Simone Mularoni - Gravação, Mixagem, Masterização
Arne Wiegand - Violão, Mandolin, Piano
Joost van den Broek - Teclados em “Oceano”
Alessandro Conti - Corais em “Zero Gravity”
Emilie Ragni - Backing Vocals em “Phoenix Rising”, “D. N. A. (Demon and Angel)”, “Zero Gravity”, “Multidimensional”, “Amata Immortale” e “Arcanum (Da Vinci's Enigma)”, Corais em “Zero Gravity”
Simone Mularoni - Guitarra Base, Guitarra Solo em “Fast radio Burst” e “I Am”
Elize Ryd - Vocais em “D. N. A. (Demon and Angel)”
Mark Basile - Corais em “Zero Gravity”, Vocais em “I Am”
Sascha Paeth - Baixo em “Oceano”


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Indicação: fãs de Symphonic Metal, RHAPSODY OF FIRE e VISION DIVINE, e outros.


Introdução:

Alguns discos possuem estórias inusitadas por trás dos bastidores.

Em 2017, depois de 8 anos sem se encontrarem, Fabio Lione e Luca Turilli (ambos conhecidos por terem tomado parte na formação clássica do RHAPSODY OF FIRE) resolveram excursionar em comemoração pelos 20 anos do lançamento de “Legendary Tales”. E isso acabou levando ambos a formarem o TURILLI/LIONE RHAPSODY, pois viram que ainda tinham muito a dizer musicalmente, e por isso, agora chega o debut do grupo, “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)”, que acaba de sair por aqui graças aos esforços entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

Óbvio que as comparações com o RHAPSODY OF FIRE serão automáticas. E não são de todo falsas, uma vez que Luca e Fabio imprimiram suas marcas na banda antes de saírem (bem como os outros membros também tocaram no grupo), só que o Symphonic Metal apresentado nesta nova empreitada é bem mais rica em termos de diversidade musical, e mesmo modernidade (basta ver que existem partes de teclado com arranjos mais modernos). Ou seja, mesmo com elementos que remetem ao passado, há algo de diferente, novo e deliciosamente instigador nas canções de “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)”.

Além disso, o foco agora fica mais nas guitarras e vocais, algo óbvio, embora nenhum dos outros instrumentos fique escondido ou sem ser valorizado.


Arranjos/composições:

Óbvio que a riqueza sonora é algo já esperado quando os nomes de Fabio e Luca são mencionados. E isso transpira nos arranjos multifacetados de cada uma das músicas, com muitas mudanças de ambientações, indo do agressivo sinfônico ao introspectivo e profundo. E isso sem mencionar os toques de Ethnic Music, Prog Metal e outros.

Falar no nível de detalhamento em “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)” é ter que mencionar o minimalismo, logo, melhor apenas dizer que nada soa artificial, mecânico ou excessivo. Até mesmo toques extremamente melodramáticos surgem nas canções.

Ah, sim: as letras fogem do padrão, pois ao invés de mais “Dungeons & Dragons”, os temas tratam de ciência, psicologia, espiritualidade e outros.


TURILLI/LIONE RHAPSODY ao vivo
Qualidade sonora:

O nível de exigência de Fabio e Luca fica claro na sonoridade.

Ambos produziram o disco, tendo Simone Mularoni na gravação, mixagem e masterização, transformando os anseios da banda em uma qualidade sonora que é perfeita: clara e limpa de uma forma que tudo pode ser ouvido, absorvido e entendido em problemas. Mas o lado pesado do grupo está bem evidenciado (especialmente pela timbragem moderna das guitarras e baixo).


Arte gráfica/capa:

A arte da capa já ilustra que em ““Zero Gravity (Rebirth and Evolution)”, os temas de dragões, capa e espada foram abandonados. Como já mencionado, o enfoque é todo em temas como ciência e mesmo espiritualidade. E tudo ficou muito bem feito, bonito, mas com um enfoque mais simples no encarte.

Um lindo trabalho de Stefan Heilemann, diga-se de passagem.


Destaques musicais:

11 canções aguardam o ouvinte. Cada uma delas é uma gema preciosa, ainda mais com as presenças de convidados Elize Ryd (do AMARANTHE), Mark Basile (DGM), Sascha Paeth (produtor musical e membro do AVANTASIA) e Arne Wiegand (do SANTIANO).

“Phoenix Rising” abre o disco com uma mistura de momentos sinfônicos e partes cheias de mudanças de tempo com jeito de Prog Metal (os vocais estão perfeitos, com boa diversidade de timbres e uma interpretação linda, e sem mencionar os corais, os vocais femininos e backing vocals e alguns toques de Ethnic Music), seguida pela grudenta e moderna “D.N.A. (Demon and Angel)” (recheada por guitarras excelentes, refrão marcante e teclados grandiosos). Com um jeito Prog/Rock eclético à lá QUEEN vem “Zero Gravity” (baixo e bateria mostram bastante sua técnica e pegada pesada). A beleza e classe dos pianos dá um toque extra de classe sinfônica à “Decoding the Multiverse” (cheia de contrastes de momentos mais lentos com outros grandiosos). Em “I Am”, mais contrastes de luz e sombras (ou seja, mudanças de momentos mais introspectivos e outros mais pesados), rica em elementos sinfônicos e modernos (e outra aula dos vocais). Em “Arcanum (Da Vinci’s Enigma)”, temos uma canção cantada em italiano (como foi em “Amata Immortale”), pesada e sinfônica, permeada por guitarras ótimas e teclados que criam ótimas ambientações. E o cover da banda para “Oceano”, do cantor norte-americano Josh Groban é linda e encaixou no contexto musical do disco (e que a termo de curiosidade, se encontra em “Closer”, segundo disco do cantor, lançado em 2003).

Todas são ótimas, mas estas se destacam.


Conclusão:

Aos fãs que vierem buscando algo do passado do RHAPSODY OF FIRE, melhor desistirem. “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)” é mesmo uma nova gênese para Luca e Fabio.

Mas aos que possuem bom gosto, ouça e aproveitem essa viagem metafísica em formato Symphonic Metal.


Nota: 10,0/10,0

Texto: “Metal Mark” Garcia


Phoenix Rising



Zero Gravity

THE RODS - Brotherhood of Metal


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Brotherhood of Metal
2. Everybody’s Rockin’
3. Smoke on the Horizon
4. Louder Than Loud
5. Tyrant King
6. Party All Night
7. Tonight We Ride
8. 1982
9. Hell on Earth
10. The Devil Made Me Do It
11. Evil in Me           


Banda:


David “Rock” Feinstein - Guitarras, Vocais
Garry Bordonaro - Baixo
Carl Canedy - Bateria, Vocais


Ficha Técnica:

The Rods - Produção
Chris Collier - Mixagem, Masterização
Eric Philippe - Arte da Capa
Lonnie Park - Teclados, Vocais


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Indicação: fãs de Metal tradicional, OMEN, MOTÖRHEAD, RIOT V, e de U. S. Metal em geral


Introdução:

Quando se fala do cenário Metal dos EUA, antes da explosão ainda na primeira metade dos anos 80, alguns grupos deram indícios que algo viria a acontecer. Bandas como BLUE ÖYSTER CULT, RIOT (hoje RIOT V) nos anos 70 já mostravam que algo estava surgindo: o U. S. Metal, um jeito de fazer Metal que seria influenciado pelo Hard Rock e Metal dos anos 70, mais influências de JUDAS PRIEST e mesmo da NWOBHM. E pode-se aferir que um dos fundadores do som característico do cenário norte-americano é, sem sombra de dúvidas, o THE RODS, trio de Cortland (Nova York). E com uma resiliência digna de sua geração, lá vem o grupo com mais uma pancada nos ouvidos, o excelente “Brotherhood of Metal”, que a Shinigami Records acaba de lançar no Brasil.


Análise geral:

Basicamente, em “Brotherhood of Metal”, o grupo não mostra nenhuma alteração profunda em seu estilo, ou seja, é a mesma forma de Metal tradicional do cenário dos Estados Unidos (que tem por característica primordial o apego a linhas melódicas grudentas, vindas do Hard Rock; e boa técnica musical), apenas atualizada para os tempos atuais. De novo, são ouvidas algumas partes de teclados, recurso que o grupo não usava desde “Heavier Than Thou” de 1986 (que são evidentes da introdução de “Brotherhood of Metal” e em “Everybody’s Rockin’”). O que está um pouquinho (só um pouquinho) mais evidente é o lado melodioso de sua música, o que não deixa a agressividade de lado.

Traduzindo: de um lado, a banda não exagera na técnica (embora mostrem ótimo domínio de seus instrumentos em alguns momentos), e de outro, mostra conjuntos de melodias de fácil assimilação pelo ouvinte, além de refrães marcantes. Os teclados não chegam a alterar o que a banda mostra desde seu início, apenas se encaixam de forma perfeita nos momentos mais necessários.


Arranjos/composições:

Falar de arranjos com um grupo com quase 40 anos de vida nas costas é quase desnecessário.

Tudo funciona perfeitamente, como uma máquina bem lubrificada, com os arranjos se encaixando bem uns nos outros, riffs de guitarras grudando nos ouvidos, solos eficazes, baixo mostrando peso (e mesmo algumas partes mais técnicas, como se pode ouvir em “Tonight We Ride”), e a bateria mostra peso e energia (e também boa técnica, com viradas bem sacadas e conduções nos dois bumbos em momentos providenciais), e vocais crus e diretos.

Precisa mais que isso?


Qualidade sonora:

Fugindo um pouco do usual para bandas da velha guarda, o trio soube modernizar a sonoridade.

Óbvio que a banda ainda toca de forma bem orgânica e simples (como um ensaio em estúdio, onde plugaram os instrumentos e tocaram à vera), com uma timbragem completamente tradicional dos anos 80 (ou seja, sem muitos exageros). Mas o nível de limpeza é enorme, se equiparando às melhores produções dos dias de hoje.

Ou seja, mistura a sonoridade clássica do grupo, apenas com um “insight” moderno, que deu vida às canções.


Arte gráfica/capa:

A arte da capa, para quem ainda não conhece bem o THE RODS, é uma referência ao clássico “Wild Dogs”, de 1982 (que por um milagre, chegou a ser lançado no Brasil, sendo item de colecionador em LP). E é bom dizer que a Shinigami Records disponibilizou o disco nas versões Jewelcase e Digipack.


Destaques musicais:

Para quem sempre achou que o THE RODS tem o status de banda “cult” pelo fato de David ser primo do saudoso Ronnie James Dio (e chegaram a tocar juntos no ELF), estas 11 canções vão mostrar como é enorme este equívoco. Além disso, é uma mostra como muitas bandas ditas “old school” apenas copiam quem entende do riscado.

Uma longa introdução melodiosa e lenta precede a pancadaria peso-pesado de “Brotherhood of Metal”, uma canção climática e com ótimo trabalho de Carl e Garry na base rítmica (e que refrão marcante, onde teclados temperam as melodias). Aquele típico Hard ‘n’ Heavy “Made in USA” surge em “Everybody’s Rockin’” (cheia de riffs e solos de primeira, além de outro refrão que gruda nos ouvidos) e “Smoke on the Horizon” (peso colossal, e alguns contornos de Classic Rock são claros graças aos teclados). Um bom exemplo como a energia grudenta do Hard Rock está no DNA do U. S. Metal pode ser ouvido claramente em “Louder Than Loud”. Já pegando mais pesado simples e eficiente “Tyrant King” conquista o ouvinte rapidamente. Apresentando o groove tão comum das bandas norte americanas da segunda metade dos anos 70, “Party All Night” é outra canção com refrão excelente (reparem como o baixo de Garry mostra ótima técnica). Se estiver pronto para bater cabeça com tempos não tão velozes assim, “Tonight We Ride” foi feita para você, pois é um grude de peso e melodia. Em “1982”, outro Hard ‘n’ Heavy escandaloso e pesado de doer os dentes, onde o grupo fala de si nas letras, em uma autobiografia de primeira (e com detalhes que muitos não sabem). Mais pesada e com uma energia de “dirty Rock ‘n’ Roll”, a forte “Hell on Earth” vem para ganhar o ouvinte com suas melodias excelentes e vocais (e a bateria de Carl está ótima), assim como “The Devil Made Me Do It” (onde a velocidade diminui e se tem uma clara influência de AC/DC). Rebuscando um pouco mais o passado do grupo em termos de andamentos e peso, “Evil in Me” é aquela canção que todo jovem deveria ouvir, pois é uma ode à rebeldia, sem falar que o refrão marca como ferro em brasa, e que linhas melódicas pesadas!

É, o THE RODS mostram o motivo de serem uma banda tão respeitada no underground...


Conclusão:

Ao ouvir “Brotherhood of Metal”, fica a impressão que o THE RODS merece mais reconhecimento, já que depois de tantos anos, ainda criam um disco tão viciante!

Parabéns, e thank you, David, Garry and Carl for such fine piece of Metal!


Nota: 10,0/10,0

Texto: “Metal Mark” Garcia


Louder Than Loud