segunda-feira, 4 de novembro de 2019

THE 69 EYES - West End


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Two Horns Up
2. 27 & Done
3. Black Orchid
4. Change
5. Burn Witch Burn
6. Cheyenna
7. The Last House on the Left
8. Death & Desire
9. Outsiders
10. Be Here Now
11. Hell Has no Mercy


Banda:


Jyrki69 - Vocais
Bazie - Guitarras
Timo-Timo - Guitarras
Archzie - Baixo
Jussi69 - Bateria
           

Ficha Técnica:

Johnny Lee Michaelis - Produção, Gravação, Mixagem, Teclados, Cordas, Programação, Percussão
Svante Forshäck - Masterização
Dani Filth - Vocais e Backing Vocals em “Two Horns Up” e “The Last House on the Left”
Wednesday 13 (Joseph Poole) - Vocais e Backing Vocals em “The Last House on the Left”
Calico Cooper - Vocais e Backing Vocals em “The Last House on the Left”


Contatos:

Site Oficial: http://69eyes.com
Assessoria:
E-mail:


Indicação: fãs de Gothic Rock, THE SISTERS OF MERCY, FIELDS OF THE NEPHILIM, MOONSPELL, TIAMAT, THE MISSION


Introdução:

Certas vezes, é extremamente trabalhoso para muitos que rotular o que uma banda musicalmente. Quanto maior o “background” musical de uma pessoa, esse tipo de coisa se torna um desafio, pois os ouvidos percebem sutilezas e toques vindos de outros gêneros musicais.

No caso do quinteto finlandês THE 69 EYES, é ainda pior, pois como se pode ouvir no mais recente trabalho do grupo, “West End” (lançado no Brasil recentemente pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Brasil), o amplo espectro de influências da banda converge para algo único.


Análise geral:

O quinteto coloca no caldeirão Gothic Rock, Hard Rock, Glam Rock/Metal, Dark Rock, e mesmo alguns toques de Post-Punk e Classic Rock em sua música. É até difícil de explicar como tantos estilos puderam contribuir para a construção de algo musicalmente simples de ser assimilado. Sim, é fato que a música do quinteto é baseada em melodias bem simples de serem assimiladas, mas com boas doses da melancolia do Gothic Rock, e isso com a energia do Sleaze Rock.

Aliás, diga-se de passagem: não é difícil ficar viciado em “West End”.


Arranjos/composições:

O THE 69 EYES não rebusca em termos técnicos. Longe disso, a música é baseada em arranjos simples, mas sempre mantendo um jeito melódico grudento que não tem como resistir. Mas cuidado: isso não significa que o grupo toque um disco de um fôlego só, ou mesmo que as canções sejam semelhantes entre si.

O que se ouve em “West End” é algo realmente criativo, e afastado de modelos musicais já erodidos. Pode-se dizer que o grupo sabe criar riffs memoráveis, solos melodiosos e marcantes, uma base rítmica sólida, e um ótimo trabalho de vocais (que remete diretamente a nomes como Carl MacCoy, Andrew Eldritch e Wayne Hussey). Mas a criatividade é ouvida em teclados, cordas e outros que vão surgindo em certos momentos. E isso tudo resulta em uma música feita com ótimas melodias e refrães marcantes. É ouvir e se apaixonar.


Qualidade sonora:

É um dos pontos onde “West End” se mostra vencedor.

O trabalho de Johnny Lee Michaelis (produção, gravação e mixagem) e Svante Forshäck (masterização) consegue deixar tudo soando claro, limpo e compreensível, mas com timbres que permitem que as músicas soem distorcidas nas medidas certas. E sem falar que o brilho moderno e atual deu um “boost” às canções.


Arte gráfica/capa:

A banda optou por uma capa simples, com a foto de balões negros, algo que realmente dá uma ambientação visual bem soturna. O encarte, em formato pôster, tem as letras de um lado, e do outro, uma foto do grupo.


THE 69 EYES
Destaques musicais:

11 excelentes músicas aguardam os fãs, e isso sem mencionar que a presença de Dani Filth (do CRADLE OF FILTH) em “Two Horns Up” e “The Last House on the Left”, do cantor Joseph Poole (mais conhecido como Wednesday 13, bem conhecido por seu trabalho com o MURDERDOLLS e outros) em “The Last House on the Left”, e de Calico Cooper (filha de Alice Cooper e vocalista do BEASTÖ BLANCÖ) também em “The Last House on the Left” deram um sabor diferenciado a “West End”.

“Two Horns Up” é o típico Glam Rock com doses de Gothic, onde se ouvem vocais de primeira (tanto os de Jyrki69 como os de Dani), seguida do acessível Sleaze Gothic Rock “27 & Done” (que refrão e guitarras). Com um jeito mais voltado ao Post-Punk (apesar da distorção Hard/Glam das guitarras), “Black Orchid” ainda mostra alguns pianos muito bem encaixados. Em “Change”, ótimas partes de teclados preenchem a ambientação mais soturna e melancólica criada pelas guitarras. Pondo tudo abaixo, vem a ótima “Burn Witch Burn”, cheia de energia e mostrando peso (uma contribuição de baixo e bateria, que estão ótimos), seguida do Rock direto e denso em “Cheyenna” (reparem que guitarras pesadas). E graças às participações especiais em “The Last House on the Left”, tem-se um monstro de Frankenstein Gothic com muito peso (e não tem como não destacar os vocais). Mais amena e melancolicamente melodiosa, tem-se “Death & Desire”, um típico Gothic Rock com uma aura “noir” de excelência (novamente os vocais mostram toda sua expressividade). Misturando a acessibilidade do Gothic Rock com a distorção do Hard/Glam, “Outsiders” é a típica canção que gruda nos ouvidos e não solta mais. “Be Here Now” explicita ainda mais fundo no lado Gothic Rock/Post-Punk do grupo, e “Hell Has no Mercy” (a saideira) vem fechar o disco com uma pegada ainda mais melancólica, mas mesmo assim, cheia de melodias grudentas.

Ou seja: “West End” é para ser ouvido de ponta a ponta!


Conclusão:

“West End” é viciante e excelente. E não é à toa que o THE 69 EYES tem uma legião de fãs por aqui, que podem ter acesso a esse disco mais facilmente agora.


Nota: 10,0/10,0

Texto: “Metal Mark” Garcia


Two Horns Up

MEMORIAM - Requiem for Mankind


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Shell Shock
2. Undefeated
3. Never the Victim
4. Austerity Kills
5. In the Midst of Desolation
6. Refuse to Be Led
7. The Veteran
8. Requiem for Mankind
9. Fixed Bayonets
10. Interment (instrumental)


Banda:


Karl Willetts - Vocais
Scott Fairfax - Guitarras
Frank Healy - Baixo
Andy Whale - Bateria


Ficha Técnica:

Russ Russell - Produção, Mixagem, Masterização
Dan Seagrave - Arte da capa
Marcelo Vasco - Design, Layout


Contatos:

Instagram:
Assessoria:
E-mail:


Indicação: para fãs de BOLT THROWER, BENEDICTION, e Death Metal dos anos 90 em geral


Introdução:

Metal à moda antiga (ou Old School, se preferirem dessa forma) é algo que, para ser feito, ou é algo que você carrega em seu interior, ou você copia de alguém. Por isso muitas bandas soam forçadas aos ouvintes mais experientes, pois não adianta ser bom músico, tem que ter isso em si. E é simples para quem já faz isso há mais tempo, pois já viveu algum movimento.

No Death Metal, por exemplo, muitos tentam pegar aquela sonoridade tão costumeira da primeira metade dos anos 90 e refazer, mas soa em muitos casos, artificial. Já os que são daqueles tempos, é algo que conseguem, pois está no sangue. É o caso do quarteto inglês MEMORIAM, que apesar de ser jovem (foi fundado em 2016), seus músicos são experiente e calejados de muitos anos tocando o gênero. Por isso, “Requiem for Mankind” (terceiro disco do grupo) soa tão bem aos ouvidos, e como foi lançado por aqui via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil, é uma boa pedida para os fãs mais ávidos.


Análise geral:

Para quem ainda não sabe, BOLT THROWER, BENEDICTION, CEREBRAL FIX, NAPALM DEATH e SACRILEGE são bandas que estão nos currículos de seus integrantes, logo, já se percebe que fazer Death Metal é como eles mesmos.

Em “Requiem for Mankind”, tem-se uma autêntica aula de como se fazer Death Metal dos anos 90 com uma sonoridade adaptada para os novos tempos. Todos os elementos mais básicos estão em suas composições, e o “feeling” atual vem da gravação. Ou seja, aquela crueza musical quase pueril está aqui, e soando jovem e vigorosa.


Arranjos/composições:

Como citado acima, todos os elementos mais conhecidos do Death Metal à moda antiga estão aqui: ritmo com velocidade sem exageros, boas mudanças de tempos, vocais urrados de uma forma bem clássica (quem conhece o trabalho de Karl, sabe como ele evoluiu com o passar dos anos), guitarras tecendo riffs pesados e brutos, e tudo funcionando como uma máquina bem azeitada.

O que diferencia o quarteto de “emuladores” atuais é a espontaneidade. Sim, pois “Requiem for Mankind” não soa forçado ou pretensioso, mas mesmo com seu jeito clássico, é atual, e vivo. Aliás, vivo e feroz!


MEMORIAM ao vivo
Qualidade sonora:

A banda não abriu mão de buscar algo de mais qualidade para a sonorização de “Requiem for Mankind”, pois Russ Russell (que tem trabalhos com NAPALM DEATH, DIMMU BORGIR, AT THE GATES, AMORPHIS e outros em seu currículo) é quem colocou a mão na massa.

Resultado: a crueza sonora clássica do Death Metal está ali, mas os ouvintes perceberão que vem do conjunto de timbres instrumentais usados pelo quarteto, pois a sonoridade está clara e bem definida, permitindo que a música do quarteto seja assimilada facilmente. Ou seja, tem-se o melhor dos dois mundos.


Arte gráfica/capa:

Só de falar o nome do mestre Dan Seagrave deveria ser mais que suficiente para se ter uma ideia do que a arte da capa expressa. Mais à moda antiga impossível. Além disso, o trabalho de Marcelo Vasco no layout e design deu um brilho todo especial. E sem falar que a Shinigami Records tem usado bastante o recurso do “obi” em seus lançamentos.


Destaques musicais:

Até o número de canções reflete a essência Old School do quarteto: 10 amassa crânios capazes de deixar pescoços e ouvidos doendo com facilidade.

“Shell Shock” parece ser uma canção simples e direta, mas algumas mudanças de ritmo se mostram providenciais (o que mostra que baixo e bateria estão bem, sem exagerar demais na técnica ou velocidade); um ritmo em andamento mediano aguarda o ouvinte na brutal “Undefeated” (que é permeada por ótimos riffs de guitarra); algumas melodias sinistras e brutas surgem nas guitarras durante “Never the Victim”, mostrando a versatilidade do grupo; a ambientação soturna e diferenciada de “Refuse to Be Led” é outro ponto alto (com baixo e bateria mostrando mais uma vez sua força); o jeito sedutor à moda antiga de “Requiem for Mankind” (uma canção realmente permeada por elementos dos anos 90, especialmente nos riffs e vocais) e “Fixed Bayonets” (impossível não se empolgar com essas harmonias). E a instrumental “Interment” revelam melodias cruas e soturnas que não são tão usuais nesse jeito de se fazer Death Metal, mas que não destoam do contexto do disco.

Estas são as melhores, embora o disco inteiro seja uma aula de autenticidade (e integridade) musical.


Conclusão:

Se a velha regra de “o terceiro disco é à vera”, o MEMORIAM passa no teste com louvor. É ouvir “Requiem for Mankind” e ter esta certeza.


Nota: 9,1/10,0

Texto: “Metal Mark” Garcia

Shell Shock



Requiem for Mankind

sábado, 2 de novembro de 2019

GUILHERME COSTA - Light of Revelations



Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Fight Against Myself 
2. Bloody Wars
3. Inside my Mind
4. Rising Star 
5. The Sound of Hope
6. A Invitation to the Soul
7. Light of Revelations
8. Homeland
9. Come On and Play (bônus)
10. The Beginning of a Journey (bônus)
11. The King’s Last Speech (bônus)


Banda:



Guilherme Costa - Guitarras, Baixo, Bateria, Teclados


Ficha Técnica:

Gus Monsanto - Produção, Vocais em “Fight Agaisnt Myself” e “Light of Revelation”
Celo Oliveira - Produção
Jefferson Gonçalves - Vocais em “Rising Star”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Alguns guitarristas percebem que, para alcançar um público mais amplo, é necessário se expressar não apenas com seis cordas. Infelizmente, salvo raros casos, poucos “guitar orientated albums” conseguem alcançar ouvintes que não sejam outros guitarristas. É um meio musical difícil de penetrar, mas não impossível.

E nisso, o guitarrista GUILHERME COSTA mostra-se um nome e tanto, pois seu mais recente trabalho, o álbum “Light of Revelations” foge às regras.


Análise geral:

O que existe no CD é uma mistura de temas instrumentais e alguns cantados, logo, consegue fundi o que há de melhor dos dois mundos: quem é um ouvinte comum vai gostar do que é exibido nas faixas cantadas (e mesmo nas instrumentais), e quem gosta de apreciar o aspecto técnico das seis cordas vai gostar, pois o estilo de Guilherme é bem versátil.

Além disso, a expressividade musical da guitarra foge à regra ‘ótimo para guitarristas, chato para ouvintes comuns’. Longe de ser meramente um guitarrista de Metal e Rock, há um evidente jeitão Fusion Rock evidente, e um toque eclético interessante (como a ambientação ‘noir’ de “Inside my Mind”).

Traduzindo: é um disco que satisfará a todos, sem exceção.


Arranjos/composições:

Como um guitarrista com boa formação acadêmica (Guilherme é formado em Licenciatura em Educação Musical Escolar pela UEMG), o que se houve em termos musicais é um estilo de tocar sólido e cheio de ‘feeling’, totalmente focado em criar boas composições, e não aulas de ‘shreds’ para exercitar egos inflados. E não seria nenhum pecado dizer que “Light of Revelation” tende a ir de encontro ao gosto musical de muitos. Rock, Blues, Pop, Jazz, Metal, tem de tudo um pouco, mas sempre de forma coesa.

Além disso, é interessante como as canções são bem arranjadas, proporcionando passagens dinâmicas e outras que se agarram aos ouvidos. Sim, algo tão encolvente que dá vontade de ouvir 10, 20 vezes seguidas.


Qualidade sonora:

Gus Montsanto e Celo Oliveira produziram o disco no Dalva 1 Studios, em Niterói (RJ). E mesmo para os mais exigentes e catadores de piolhos (ou seja, aqueles que adoram analisar a sonoridade de um disco ponto a ponto) não terão do que reclamar: a sonoridade é forte, vigorosa e pesada, mas clara e muito inteligível.

Poderia ser melhor? Sim, mas já está ótima.


Arte gráfica/capa:

A colaboração entre Bruno Bavose (fotografia) e a Ana Morais (artista gráfico) criou uma capa interessante, que pode ser uma representação dos contrastes dos sentimentos humanos, da inconstância que nos permeia.


Destaques musicais:

Com maior tempo para expor suas ideias em forma de música, Guilherme acertou a mão, fazendo de “Light of Revelation” uma experiência ótima.

“Fight Against Myself” é pesada e cantada, permeada por um feeling melodioso e moderno, e cheia de energia, enquanto a instrumental “Bloody Wars” já tem um jeito mais Metal (não é de estranhar um jeitão meio Maiden nas guitarras dobradas). Já “Inside my Mind” (outra faixa instrumental) mostra um clima bem ‘boate noir’, com um jeito mais melancólico. As belíssimas melodias de “Rising Star” (mais uma cantada) são comoventes, justamente porque há contrastes de partes limpas e distorcidas. Um Hard com toques Prog Metal instrumental e pegajoso é o que se tem em “The Sound of Hope”, enquanto algo mais Folk/acústico e aconchegante dá as caras em “A Invitation to the Soul”. Mais pesada e voltada ao Power Metal sinfônico é “Light of Revelations”, outra cantada, e que tende a conquistar os ouvintes por suas melodias. Agora, todo o lado Fusion Rock do disco surge em “Homeland”, ou seja, surge a fluência técnica minimalista nos arranjos de guitarras, mas que não sobrecarregam os sentidos (inclusive se percebem ‘inserts’ de música brasileira aqui e ali).

Na versão física do disco, ainda existem 3 bônus: as canções do EP “Come On and Play”, que são a própria faixa-título, “The Beginning of a Journey” e “The King’s Last Speech”, justamente um presente para quem não conseguiu o EP.


Conclusão:

O jeito mais simples e acessível aos que não são fãs de discos para guitarristas de “Light of Revelation” é uma grata surpresa, e mostra que GUILHERME COSTA é um artista impressionante, que merece espaço em qualquer coleção de discos que se preze.


Nota: 8,6/10,0

Fight Against Myself

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

GUILHERME COSTA - Light of Revelations


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Fight Against Myself 
2. Bloody Wars
3. Inside my Mind
4. Rising Star 
5. The Sound of Hope
6. A Invitation to the Soul
7. Light of Revelations
8. Homeland
9. Come On and Play (bônus)
10. The Beginning of a Journey (bônus)
11. The King’s Last Speech (bônus)


Banda:


Guilherme Costa - Guitarras, Baixo, Bateria, Teclados


Ficha Técnica:

Gus Monsanto - Produção, Vocais em “Fight Agaisnt Myself” e “Light of Revelation”
Celo Oliveira - Produção
Jefferson Gonçalves - Vocais em “Rising Star”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Alguns guitarristas percebem que, para alcançar um público mais amplo, é necessário se expressar não apenas com seis cordas. Infelizmente, salvo raros casos, poucos “guitar orientated albums” conseguem alcançar ouvintes que não sejam outros guitarristas. É um meio musical difícil de penetrar, mas não impossível.

E nisso, o guitarrista GUILHERME COSTAmostra-se um nome e tanto, pois seu mais recente trabalho, o álbum “Light of Revelations” foge às regras.


Análise geral:

O que existe no CD é uma mistura de temas instrumentais e alguns cantados, logo, consegue fundi o que há de melhor dos dois mundos: quem é um ouvinte comum vai gostar do que é exibido nas faixas cantadas (e mesmo nas instrumentais), e quem gosta de apreciar o aspecto técnico das seis cordas vai gostar, pois o estilo de Guilherme é bem versátil.

Além disso, a expressividade musical da guitarra foge à regra ‘ótimo para guitarristas, chato para ouvintes comuns’. Longe de ser meramente um guitarrista de Metal e Rock, há um evidente jeitão Fusion Rock evidente, e um toque eclético interessante (como a ambientação ‘noir’ de “Inside my Mind”).

Traduzindo: é um disco que satisfará a todos, sem exceção.


Arranjos/composições:

Como um guitarrista com boa formação acadêmica (Guilhermeé formado em Licenciatura em Educação Musical Escolar pela UEMG), o que se houve em termos musicais é um estilo de tocar sólido e cheio de ‘feeling’, totalmente focado em criar boas composições, e não aulas de ‘shreds’ para exercitar egos inflados. E não seria nenhum pecado dizer que “Light of Revelation” tende a ir de encontro ao gosto musical de muitos. Rock, Blues, Pop, Jazz, Metal, tem de tudo um pouco, mas sempre de forma coesa.

Além disso, é interessante como as canções são bem arranjadas, proporcionando passagens dinâmicas e outras que se agarram aos ouvidos. Sim, algo tão encolvente que dá vontade de ouvir 10, 20 vezes seguidas.


Qualidade sonora:

Gus Montsanto e Celo Oliveira produziram o disco no Dalva 1 Studios, em Niterói (RJ). E mesmo para os mais exigentes e catadores de piolhos (ou seja, aqueles que adoram analisar a sonoridade de um disco ponto a ponto) não terão do que reclamar: a sonoridade é forte, vigorosa e pesada, mas clara e muito inteligível.

Poderia ser melhor? Sim, mas já está ótima.


Arte gráfica/capa:

A colaboração entre Bruno Bavose (fotografia) e a Ana Morais (artista gráfico) criou uma capa interessante, que pode ser uma representação dos contrastes dos sentimentos humanos, da inconstância que nos permeia.


Destaques musicais:

Com maior tempo para expor suas ideias em forma de música, Guilherme acertou a mão, fazendo de “Light of Revelation” uma experiência ótima.

“Fight Against Myself” é pesada e cantada, permeada por um feeling melodioso e moderno, e cheia de energia, enquanto a instrumental “Bloody Wars” já tem um jeito mais Metal (não é de estranhar um jeitão meio Maidennas guitarras dobradas). Já “Inside my Mind” (outra faixa instrumental) mostra um clima bem ‘boate noir’, com um jeito mais melancólico. As belíssimas melodias de “Rising Star” (mais uma cantada) são comoventes, justamente porque há contrastes de partes limpas e distorcidas. Um Hard com toques Prog Metal instrumental e pegajoso é o que se tem em “The Sound of Hope”, enquanto algo mais Folk/acústico e aconchegante dá as caras em “A Invitation to the Soul”. Mais pesada e voltada ao Power Metal sinfônico é “Light of Revelations”, outra cantada, e que tende a conquistar os ouvintes por suas melodias. Agora, todo o lado Fusion Rock do disco surge em “Homeland”, ou seja, surge a fluência técnica minimalista nos arranjos de guitarras, mas que não sobrecarregam os sentidos (inclusive se percebem ‘inserts’ de música brasileira aqui e ali).

Na versão física do disco, ainda existem 3 bônus: as canções do EP “Come On and Play”, que são a própria faixa-título, “The Beginning of a Journey” e “The King’s Last Speech”, justamente um presente para quem não conseguiu o EP.


Conclusão:

O jeito mais simples e acessível aos que não são fãs de discos para guitarristas de “Light of Revelation” é uma grata surpresa, e mostra que GUILHERME COSTAé um artista impressionante, que merece espaço em qualquer coleção de discos que se preze.


Nota: 8,6/10,0

Fight Against Myself

terça-feira, 1 de outubro de 2019

FUNERAL TEARS - The Only Way Out


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Be Humane
2. Look in the Mirror
3. Become the God
4. The Only Way Out
5. Outro


Banda:


Nikolay Seredov -Todos os instrumentos, Vocais


Ficha Técnica:

Nikolay Seredov - Masterização
Mayhem Project Design - Arte da Capa, Design


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Desde que o Doom Metal foi semeado pelo BLACK SABBATH com “Master of Reality” em 1971, aprimorado por nomes como SAINT VITUS, WITCHFINDER GENERAL, TROUBLE e outros, muita água rolou embaixo da ponte em relação ao gênero.

Nos anos 80, o CANDLEMASStrouxe uma estética mais elegante ao azedume constante do Doom Metal, enquanto PARADISE LOST e MY DYING BRIDE começaram a construir os subgêneros extremos do estilo. Nisso, ainda no início dos anos 90, surge o Funeral Doom Metal, que pode ser descrito como a mistura do Doom Metal (ou do Doom Death Metal) com a tristeza sombria e melancólica de hinos fúnebres, pois os tempos ainda mais lentos que na vertente clássica, combinada a ambientações extremamente tristes e um peso avassalador, é algo bem diferente, tanto que pode ser intragável aos fãs com visões mais conservadoras. E pode ser dizer que a força de “The Only Way Out”, quarto disco da “one man band” russa FUNERAL TEARS, só pode ser plenamente compreendida pelos conhecedores do gênero. E a Cold Art Industry Records colocou nas lojas a versão nacional do disco.


Análise geral:

Só pela descrição acima, fica claro que “The Only Way Out” é um disco de Funeral Doom Metal que transita entre momentos melodiosos cheios de melancolia, e alguns momentos mais extremos. E é incrível perceber que essa atmosfera soturna e fúnebre pode soar elegante e terna aos ouvidos, mas sempre tendo em vista que partes brutais e lentas virão.

O interessante é que nesta escola, o trabalho de Nikolay Seredov (a mente por trás da banda) é realmente rico e diversificado, algo não tão comum assim. Dessa forma, este disco tem muito a oferecer.


Arranjos/composições:

O trabalho do FUNERAL TEARS é baseado em contrastes de luz e sombra, uma expressão simples para descrever um trabalho recheado de arranjos musicais de ótima qualidade, seja nas partes lentas e fúnebres como naquelas mais agressivas. E é outro ponto interessante: não há uma inclinação a obedecer regras impostas, a música é guiada apenas pela espontaneidade.

Sim, é bem espontâneo o que se ouve aqui, livre de concepções do tipo “tem que ser desse jeito”, pois os arranjos não são comuns. É Funeral Doom Metal, só mais rico musicalmente do que se costuma ouvir nessa vertente.


Qualidade sonora:

A produção sonora de “The Only Way Out” busca algo limpo na medida certa, apenas o suficiente para que a força extrema e orgânica de sua música surja em sua totalidade. Sim, é os instrumentos podem ser ouvidos separadamente sem esforços, mas o efeito geral do que se ouve é algo fúnebre, com aquela sensação de estar caminhando em meio à uma floresta queimada sob um céu totalmente cinzento com uma chuva fina de congelar os ossos. Óbvio que esta seria uma descrição do que a sonoridade é, embora o mais correto seria: claro, mas orgânico.


Arte gráfica/capa:

A versão nacional de “The Only Way Out” tem dois formatos: Digipack e Jewelcase, à escolha do cliente.

Versão Digipack

Ambas estão dentro de um slipcase preto, que reforça a aura Funeral Doom Metal da banda, e isso sem falar no adesivo, sendo estes exclusivos da versão brasileira. E o encarte, como de praxe da Cold Art Industry Records, é feito em papel envernizado.

Versão Jewelcase



Destaques musicais:

“The Only Way Out”apresenta aos fãs cinco ótimos cânticos fúnebres, todos com longas durações (exceto “Outro”, com seus quase cinco minutos).

“Be Humane” abre o disco, transitando entre partes fúnebres, momentos atmosféricos e “inserts” brutais (onde ótimos vocais urrados surgem mesmo nas partes mais brandas, e mostrando ótimo trabalho em termos de riffs), seguida pelo cortejo funerário de “Look in the Mirror” (o baixo se sobressai bastante nas partes mais lentas do início). Em “Become the God”, novamente o contraste de partes soturnas e momentos brutais é evidente (inclusive há gritos rasgados bem semelhantes aos de Dani Filth em alguns momentos). E mesmo com momentos agressivos, impera a introspecção melancólica em “The Only Way Out”, onde as guitarras estão ótimas. E “Outro”, como o nome já deixa claro, é apenas um encerramento instrumental.

E sim, “The Only Way Out” é um disco ótimo, que tende a agradar fãs de vários subgêneros de Metal, embora a assimilação de primeira não seja tão fácil.


Conclusão:

O FUNERAL TEARStem uma carreira sólida, como “The Only Way Out” mostra, e assim, merece ter seus outros trabalhos lançados no Brasil.


Nota: 9,0/10,0


Look in the Mirror

ROTTING CHRIST - Theogonia (RELANÇAMENTO)


Ano: 2007 (Original) / 2019 (Relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. ΧΑΟΣ ΓΕΝΕΤΟ (The Sign of Prime Creation)
2. Keravnos Kivernitos
3. Nemecic
4. Enuma Elish
5. Phobos’ Synagogue
6. Gaia Tellus
7. Rege Diabolicus
8. He, the Aethyr
9. Helios Hyperion
10. Threnody


Banda:


Sakis Tolis - Vocais, Guitarras, Teclados
Themis Tolis - Bateria
Andreas Lagios - Baixo


Ficha Técnica:

Sakis Tolis - Produção, Mixagem, Masterização
Aris Christou - Engenharia de Som, Mixagem
Magia - Vocais em “Nemecic”
Giorgos Bokos - Guitarra solo em “Helios Hyperion”
Christos Antoniou - Arranjos de corais
Douglas Silva - Artwork


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Falar do ROTTING CHRIST, mesmo em perspectiva, é falar de uma história cheia de transições musicais e mudanças, pois a rigor, cada disco do grupo apresenta algo diferente do anterior. Mas sempre de autenticidade e fidelidade às raízes.

Desde sua fundação em 1984 (quando ainda se chamava BLACK CHURCH) até o ano de 2007, a banda teve uma fase inicial mais crua e soturna (que compreende obras como “Thy Mighty Contract” de 1993 e “Non Serviam” de 1994), passando pelo refinamento musical e de qualidade sonora (na fase que compreende “Triarchy of the Lost Lovers” de 1996, “A Dead Poem” de 1997), a modernização a algo que fosse melódico, soturno e com leves toques de Doom/Gótico (“Sleep of the Angels” de 1999), e a tentativa de voltar a soar mais brutal e seco do passado, sem esquecer o refinamento melódico (que se ouve em “Khronos”de 2000, “Genesis” de 2002, e “Sanctus Diavolos” de 2004). Logo, o que poderia acontecer depois disso tudo?

A resposta veio em 2007, após 3 anos de sumiço: o quarteto ressurge do silêncio em uma nova gravadora, com uma nova formação, e finalmente, um novo disco, “Theogonia”. E que a Cold Art Industry Records acaba de relançar em uma versão luxuosa no Brasil.


Análise geral:

Com todas essas transições, o que “Theogonia” tem para mostrar, afinal de contas?

Basicamente, é o início de uma fase onde o grupo mostra uma faceta mais épica, grandiosa, com certa influência étnica mediterrânea (como se percebe na maior presença da língua grega em suas letras em relação, e mesmo no uso de latim em alguns momentos), mas mantendo seu som característico e já lapidado pela experiência. Aliás, nada disso chega a ser absurdo, pois este é um disco conceitual. Sim, “Theogonia”(que significa “A Genealogia ou Nascimento dos Deuses”) é baseado no poema de mesmo nome, e é uma obra de Hesíodo (poeta grego que viveu entre os séculos 8 e 7 Antes de Cristo, tendo sido contemporâneo de Homero).

Hesíodo
Mas cuidado: apesar de soar claro e bem definido, existem canções aqui que poderiam estar em qualquer disco anterior da banda, e por isso, “Theogonia” é consensual com o passado, mas já mostra sinais do que viria mais adiante.

Mais uma característica interessante que é quase que subjetiva aos sentidos: “Theogonia” é o disco do grupo que mais soa espontâneo. É quase como se a pausa de três anos tivesse revigorado as idéias.


Arranjos/composições:

Eis onde “Theogonia”faz a diferença.

Aparentemente, os 3 anos sem novos trabalhos parecem ter recarregado as baterias da banda, e assim, se percebe que há um esmero, uma riqueza de arranjos musical ainda maior que no passado, sem contar que o talento em termos de mudanças de ritmo e a adição de corais e elementos étnicos ajudou demais a música da banda. Mas como dito acima, eles não perderam o tino de fazer algo mais fúnebre e atmosférico.

Um dos pontos mais fortes: a orientação quase que total das melodias para as guitarras, deixando os teclados bem mais na parte de ambientação. Isso permitiu que o grupo (nessa encarnação como um quarteto) pudesse reproduzir mais facilmente o que fizeram em estúdio.


Qualidade sonora:

O ponto que a banda mostrou que estava disposta a mudanças radicais, ousaram e ganharam o jogo.

Sakis fez a produção, mixagem (onde Aris Christouajudou) masterização de uma forma não usual ao Black Metal. No fundo, pode se notar muita influência de Classic Rock/Hard Rock na sonoridade, o que dá a “Theogonia” uma ambientação clássica, mas com os timbres dos instrumentos (especialmente das guitarras) bem limpos e agressivos. Basicamente, soa orgânico, mas poderoso, pesado e sinistro.

Aliás, é um dos pontos mais inovadores, já que fizeram algo à moda deles, e não seguindo padrões.

Bem, pioneiros como são, não é de se espantar.


Arte gráfica/capa:

É uma lindeza.


Neste relançamento, a Cold Art Industry Records caprichou demais.

Primeiro de tudo, a arte é totalmente nova, bem mais bonita que a original. E tudo em um Digipack lindo e bem feito, e todo em um papel especial muito resistente (em especial para os cupins de encartes da vida), um lindo pôster e um slipcase caprichadíssimo.

Ainda existe uma versão deluxe com caixinha de madeira, adesivo e palheta da banda.

Versão deluxe

Destaques musicais:

É até desnecessário dizer que “Theogonia” é mais uma obra-prima do grupo. Agora, para quem estava acostumado com o que eles fizeram até este disco, leva um tempo para se acostumar por causa da sonoridade.

De cara, duas pedradas lindas: “ΧΑΟΣ ΓΕΝΕΤΟ (The Sign of Prime Creation)” (veloz e climatic, é uma faixa até simples em termos de arranjos) e “Keravnos Kivernitos” (cheia de guitarras dobradas e riffs memoráveis, refrão marcante e boas mudanças de andamentos, e cujo título em grego fica “ΚΕΡΑΥΝΌΣ ΚΥΒΕΡΝΗΤΟΣ” e significa “senhor do relâmpago”, uma alusão a Zeus). Depois, diferente da ordem original, vem a clássica “Nemecic”, introduzida por teclados, com vocais em corais muito bons, andamento mais cadenciado que permite que as melodias sejam bem claras aos ouvidos, e que trabalho de primeira de baixo e bateria (fora alguns teclados fazendo efeitos étnicos interessantes). “Enuma Elish” é outra canção veloz e marcante, com corais muito bem sacados, enquanto “Phobos’ Synagogue”é um pouco mais lenta, mas com um impacto pesado de primeira, deixando aquele feeling à lá “Non Serviam” bem claro aos ouvidos (embora atualizado). E “Gaia Tellus” segue a tendência de soar mais cadenciada e climática, sem ser veloz e com vocais vorazes. A curta “Rege Diabolicus” nem chega aos 3 minutos, logo, fica claro que o enfoque é na rapidez agressiva e bem arranjada do grupo (reparem bem nas guitarras), fora a força “rhythmic piledriving” de baixo e bateria. Mais uma torrente de energia intensa temperada com arranjos instrumentais excelentes é mostrada em “He, the Aethyr”, que tem momentos bem atmosféricos que lembram o passado mais sujo da banda, e que solo de guitarra mais bem encaixado (logo, não é à toa que ficou anos no setlist de shows). Carregada em termos de melodias soturnas, mas com uma pegada mais veloz e vocais com efeitos, vem “Helios Hyperion”, mas com aquela vibe “Greek Black Metal” com arranjos que vão direto ao coração. E fechando, “Threnody” começa com um jeito mais Epic Black Metal, com um andamento não muito veloz, focado em algo que transita entre o tétrico e o melancólico.


Conclusão:

O que se pode aferir: na época, “Theogonia” representava o renascimento do ROTTING CHRIST em uma nova encarnação, que é consensual com o passado, e revigorada para o futuro.

No mais, são apenas 300 cópias, logo, corram atrás das suas, antes que fiquem chupando o dedo!


Nota: 10,0/10,0


Keravnos Kivernitos



Enuma Elish



Threnody