sábado, 9 de setembro de 2017

DECAPITATED - Anticult (álbum)


Ano de lançamento: 2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Impulse
2. Deathvaluation
3. Kill the Cult
4. One-Eyed Nation
5. Anger Line
6. Earth Scar
7. Never
8. Amen


Banda:


Rafał Piotrowski - Vocais
Vogg - Guitarras
Hubert Więcek - Baixo
Młody - Bateria


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Nos tempos atuais, é muito simples para qualquer banda continuar fazendo o famoso “mais do mesmo”, ou seja, uma repetição infindável da fórmula que o grupo já abordou. Os fãs muitas vezes preferem isso, quase como uma consequência destas tendências setentistas e oitentistas dos últimos anos, onde muitos batem no peito dizendo com um estranho orgulho: “não queremos fazer nada de novo”. Mas ainda bem que existem aqueles que não cruzam os braços e não aceitam regras, que bancam o desafio e peitam quem quer que seja com coragem. E neste grupo está o quarteto polonês DECAPITATED, que retorna à carga com “Anticult”, seu mais recente álbum, lançado no Brasil pela parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

Desde “Blood Mantra”, o quarteto tem aglutinado mais e mais influências de estilos modernos do Metal, bem como algumas doses de Rock ‘n’ Roll e Groove Metal, o que anda deixando os fãs mais antigos do grupo de cabelos em pé. Mas ao mesmo tempo, o que se percebe é que esta evolução não está fora do que o grupo criou para si, onde se percebe uma massa sonora agressiva e brutal, cheia de uma energia absurda e uma personalidade musical toda própria. Mas “Anticult”é um disco brutal e agressivo, que nos mostra um peso descomunal. Mas ao mesmo tempo, é esteticamente bem cuidado, soando moderno e vivo, capaz de esmagar ossos e destruir pescoços!

Cuidado, pois o material é altamente bruto!

A produção do álbum é assinada pelo próprio Vogg (guitarrista e líder do grupo), tendo a mixagem de Daniel Bergstrand(que também produziu as partes de bateria também) e a masterização de Lawrence Mackrory. E tudo isso para garantir que “Anticult” soe pesado, agressivo e brutal, mas com uma clareza instrumental perfeita. Sim, somos capazes de ouvir os arranjos do grupo perfeitamente, e o toque de modernidade ficou por conta dos timbres instrumentais, muito bem escolhidos e alinhados com a proposta sonora do álbum. E um detalhe: a bateria foi gravada sem o uso de trigger!

A arte de capa, uma criação de Lukasz Jaszak (que também fez o layout) é sombria e maravilhosa, mostrando que o quarteto tem muito a dizer em suas letras contra todas as formas de cultos que vemos em nossos cotidianos. E ficou perfeita para apresentar o que a banda está fazendo musicalmente.

Se preparem, pois “Anticult”veio para ser um divisor de águas na carreira do DECAPITATED. E por isso a banda soa coesa, rejuvenescida, sem medo de encarar seus fãs ou quem quer que seja. Os vocais de Rafał estão muito bem encaixados na proposta do álbum, com timbres guturais mais claros do que conhecemos, enquanto a base rítmica do estreante Hubert (baixo) e de Młody (bateria) é sólida como uma muralha, pesada e muito técnica, dando uma aula. Já as guitarras de Vogg dispensam apresentações: ele é um Guitar Hero do Metal extremo, criando riffs insanos e técnicos, solos ótimos e é responsável por manter o DNA do grupo presente desde sua criação.

Papo reto: “Anticult”é uma moenda de ossos, mas sempre bem trabalhada e com muito bom gosto. E embora todas as 8 canções sejam ótimas, a mistura de técnica e brutalidade de “Impulse” (onde vemos um trabalho ótimo em termos de baixo e bateria, criando uma tempestade de mudanças rítmicas ótimas, mas sem perder a coesão e o peso), as linhas harmônicas cheias de groove intenso e azedo apresentadas em “Deathvaluation”e “Kill the Cult”, a violenta “One-Eyed Nation” (com um trabalho ótimo dos vocais e guitarras fenomenais), a agressividade cativante e charmosa de “Angerline” (outra em que baixo e bateria mostram eficiência, com boas variações de tempo), o trabalho perfeito do grupo como um todo no hino “Earth Scar” (riffs hipnóticos, solo melodioso, vocais com uma expressividade enorme, fora baixo e bateria segurando o ritmo com muito peso e boa técnica, e um refrão excelente), e o jeitão um pouco mais tradicional em termos de Death Metal polonês de “Never” (embora alguns momentos mais cheios de groove surjam perto do refrão), e a instrumental sinistra “Amen”, que fecha o álbum com maestria, são a expressão de um grupo maduro, forte e disposto a garantir seu lugar de honra no Metal extremo. Ou mesmo no Metal como um todo!

O que nos resta dizer sobre “Anticult”: o disco causará reações extremas, pois é bem no estilo “ame ou odeie”. Mas creio que os fãs da banda não têm do que reclamar.

No mais, o DECAPITATEDestá aí, renovado e vigoroso, pronto para triturar seus ossos e transformá-los em poeira!


AGORHY - Infrator (EP)


2017
Nacional

Nota: 9,2/10,0


Tracklist:

1. Apoteose Encarniçada
2. Infrator
3. Maquila Infernal
4. Amazônia Nunca Mais
5. Stressofrenia
6. Capitalist Perversion


Banda:


Leonardo Lavatori - Vocais, guitarras
Hugo Bott - Baixo
Rodrigo Pina - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Desde que o Grindcore se popularizou no Brasil no inicio dos anos 90, muitas boas bandas surgiram por aqui, com trabalhos de primeira, e dispostos a causar a sensação que os mais desavisados e puritanos estão tendo os tímpanos massacrados com uma serra elétrica. E ainda bem que eles estão por aí, pois toda contestação é bem vinda, como uma porradaria sonora faz bem ao coração. E nisso, o trio carioca AGORHYé um mestre. Um veterano de 20 anos de muita resistência e com música de alto nível, e depois de 9 anos desde o lançamento do álbum “Ruptura” (de 2008), eles retornam à carga com o ótimo “Infrator”, um EP com seis canções.

Como dito, o trio é um especialista em fazer Grindcore direto e muito agressivo, só que cheio de influências de Hardcore, Death Metal e estilos afins. Em relação aos trabalhos anteriores, tem-se a clara idéia de que as mudanças de formação (antes um quinteto, agora um trio) e os anos os levaram a algo mais equilibrado e seco, mais raivoso e direto. Não, de forma alguma isso implica que é ruim, mas o oposto: o AGORHYclaramente evoluiu para um formato mais conciso e simples, e assim atraente e muito envolvente. É ouvir, gostar e cair no Slamdancing desenfreado!

A sonoridade de “Infrator”é realmente de uma estética crua e direta. Como dito, a sonoridade está mais seca, mais justa, e por isso, a compreensão do que eles estão tocando fica evidente. Os timbres estão bem diretos e com uma estética mais orgânica, sem aparentes edições digitais, causando assim o derretimento encefálico dos menos acostumados, mas a alegria de muitos. E a capa é justamente um manifesto político diante da ambição que está correndo o mundo em ritmo acelerado, antenada com as letras do CD.

O AGORHY, como dito acima, é um veterano da cena carioca, com calos evidentes das dificuldades da região. Mas são justamente esses calos da experiência que transpiram na musicalidade honesta do grupo, que não busca ser extremamente técnica, mas brutal e opressiva, vomitando seu descontentamento com a corrupção. Mas se repararem bem, a espontaneidade dos arranjos não tira o brilho dos mesmos, logo, não se iludam: existem mentes pensantes dando um duro dos diabos sob essa colcha de vocais gritados, guitarras com riffs diretos e agressivos (mas de muito bom gosto), fora o baixo distorcido e a bateria mostrarem uma técnica não muito convencional ao estilo. E a aposta em canções com duração mais curta é um acerto, pois nos faz querer ouvir mais e mais.

“Apoteose Encarniçada”é repleta de mudanças rítmicas ótimas e um trabalho de primeira de bateria (fora os riffs certeiros e o solo de guitarra providencial darem uma dose extra de peso), enquanto “Infrator” vem em uma porradaria Punk/Crust de primeira, onde o baixo se evidencia no meio das mudanças de tempos (sim, o trio não é de fazer algo muito reto). Puxando um pouquinho mais para o Crossover extremo à lá RDP, “Maquila Infernal”é ganchuda, com um refrão de primeira, ótimos vocais ferozes (os timbres são ótimos em termo de voz), e dista do simplório em termos de ritmo. Já “Stressofrenia” é uma música que realmente evoca o Grindcore puro e simples, com alguns momentos bem “pogo dance”, e certo groove surge no trabalho da base baixo-bateria. Mas o EP ainda tem duas surpresas agradáveis: a primeira é uma versão atualizada e suja de “Amazônia Nunca Mais” do RDP, que a banda interpreta de seu jeito (reparem bem na força das guitarras), mas mantendo sua estética original (com assobio no final e tudo); e “Capitalist Perversion”, do finado SUBTERA, onde o andamento é mais lento em certas partes, onde o peso impera e o baixo gorduroso fica evidente, e em outras, o pau quebra para todos os lados, em um caos Grindcore pesado e bruto (reparem nos efeitos usados no vocal, como casaram bem com a banda).

No mais, “Infrator”é um ótimo lançamento, e que apesar das dificuldades, o AGORHY não leve mais tanto tempo para nos brindar com um trabalho novo. 

O Underground brasileiro agradece.

Ah, sim: “Infrator” está disponível nas plataformas digitais abaixo.

Spotify: https://open.spotify.com/artist/7udhS4hRk0AtLSILgkjYBV
Deezer: http://www.deezer.com/br/album/44507611
Soundcloud: https://soundcloud.com/user-711689804










sexta-feira, 8 de setembro de 2017

WATAIN - Casus Luciferi (Álbum)


2003 (relançamento 2017)
Nacional

Nota: 9,2/10,0

Tracklist:

1. Devil’s Blood
2. Black Salvation
3. Opus Dei (The Morbid Angel)
4. Puzzles ov Flesh
5. I Am the Earth
6. The Golden Horns of Darash
7. From the Pulpits of Abomination
8. Casus Luciferi


Banda:


E. - Baixo, vocais
C. - Guitarras
H. - Bateria


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um dos maiores pecados na visão distorcida de muitos fãs de Metal é a evolução que uma banda sofre durante sua carreira. Ninguém consegue fazer discos seguidos que se tornarão referências em qualquer vertente sendo repetitivo. E pelo visto, os suecos do WATAINentenderam esta regra de ouro desde muito cedo. Se em “Rabid Death’s Curse” o grupo se mostrava promissor e cheio de potencial, “Casus Luciferi”, seu segundo álbum, mostra que eles eram uma banda que merecia a atenção de todos.

Lançado no por aqui recentemente pela divisão brasileira da Drakkar Production, o segundo álbum dos suecos é uma mostra de como eles conseguem ser versáteis sem abrir mão de seu estilo característico.

Ainda fazendo um Black Metal cru e agressivo até os ossos, em “Casus Luciferi” se percebe que o WATAIN começa permitir-se o uso de um refinamento musical em termos de arranjos, bem como expandiram mais sua musicalidade com melodias ainda mais bem definidas e encorpadas (algo que ficará ainda mais evidente nos futuros álbuns do grupo), com estruturas harmônicas mais bem acabadas. É Black Metal na mais pura essência do gênero, ainda com aquele jeitão da escola sueca do gênero, apenas mais bem estruturado e um pouco menos cru.

Produzindo, mixando, masterizando e cuidado da engenharia sonora de “Casus Lucifieri” está Necromorbid, que é ninguém menos que o mesmo Tore Stjerna com quem eles trabalharam em “Rabid’s Death Curse”. E parece que a experiência mútua de ambos os lados contribui muito para que o disco soe mais limpo e consensual, sem, no entanto, perder sua sonoridade Black Metal. Ainda há crueza e sujeira, mas com maior definição sonora e timbres instrumentais mais bem escolhidos e claros.

Ketoladog é o mesmo Davthvs com quem o grupo trabalhou para a arte de “Rabid Death’s Curse”. Desta vez, ele fez uma capa muito boa e simples, mas o encarte em forma de livreto lhe permitiu usar gravuras diferentes aliadas às letras. E mais uma vez, ficou ótimo.

O que separa o que se ouve em “Casus Luciferi” do que o WATAINfez em “Rabid Death’s Curse” é o amadurecimento, a capacidade o grupo de explorar seu próprio universo musical e criar arranjos mais bem acabados, uma preocupação estética que substituiu a ingenuidade inicial. E não é à toa que o grupo só cresceu depois desse disco em termos de exposição.

Este disco é mais homogêneo e com uma abordagem mais refinada, o que nos permite dizer que suas oito músicas são excelentes. Mas a porradaria extrema e com boa diversidade rítmica de “Devil’s Blood”, o peso cavalar e azedume infernal de “Black Salvation” (que belo trabalho de baixo e bateria nesses ritmos tão variados), o cortejo fúnebre atmosférico e soturno de “Opus Dei (The Morbid Angel)”e seu trabalho fantástico de vocais, o inferno de peso e de riffs avassaladores de “I Am the Earth” (onde certo retoque de técnica musical surgem nas guitarras nessa pegada mais cadenciada), a extrema e brutal “From the Pulpits of Abomination”, e a abrasiva e mais simples “Casus Luciferi” (que tem uma pegada mais próxima ao material do disco anterior, mas destilada ao longo de oito minutos de pura obscuridade mórbida nos vocais).

Tal qual o lançamento de seu antecessor, “Casus Luciferi” também tem tiragem limitada, logo, é bom irem à luta por suas cópias!

WATAIN - Rabid Death’s Curse (Álbum)


2000 (relançamento 2017)
Nacional

Nota: 8,7/10,0

Tracklist:

1. The Limb Crucifix
2. Rabid Death’s Curse
3. On Horns Impaled
4. Life Dethroned
5. Walls of Life Ruptured
6. Agony Fires
7. Angelrape
8. Mortem Sibi Consciscere
9. When Heavens End


Banda:


E. - Baixo, vocais
C. - Guitarras
H. - Bateria


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Relançamentos possuem muitas tarefas a cumprir. A principal, de um ponto de vista de fã, é conseguir uma cópia do disco em questão, e de uma observação temporal, o quanto a banda evoluiu. Hoje, pelos esforços da Drakkar Productions Brasil, temos acesso mais simples e barato a “Rabid Death’s Curse”, primeiro disco do WATAIN, um dos fenômenos mais recentes do Black Metal, e isso às portas do lançamento do novo disco do grupo.

Em termos comparativos, “Rabid Death’s Curse” é um disco de 17 anos atrás, com o então trio mostrando uma música brutal e ríspida, claramente influenciada pelo trabalho de bandas como MARDUK e BATHORY e todo encargo da escola sueca do gênero, mas ainda assim já mostravam bastante identidade. E por ser logo o primeiro trabalho dos suecos, se percebe que existe um talento musical latente e bruto que necessita de ser lapidado pelo tempo. Mas não se percam, já que o disco possui atrativos ótimos.

A produção, masterização e engenharia do álbum são assinadas por Tore Stjerna, que ainda era um produtor novato, mas que soube dar uma cara ao som do trio, a ponto e ser produtor dos quatro álbuns do grupo. Aqui, impera a crueza e peso cavalar, a sujeira proposital que leva “Rabid Death’s Curse” a soar bem orgânico e espontâneo, com timbres instrumentais costumeiros ao gênero. Embora longe da perfeição, é o que melhor se encaixa na proposta do grupo naqueles tempos.

A arte é bem simples e direta. Davthvs fez uma capa e um layout que encaixassem no trabalho dos suecos, mas simples e direto, com encarte preto com letras brancas, fotos do grupo, e isso em uma folha que dobra em três partes. Algo que aparenta ser barato, mas que funcionou perfeitamente.

Se ainda está longe de ser o WATAIN de alguns anos no futuro, se percebe a honestidade da música deles. É bruto e agressivo, mas mesmo assim, com boa musicalidade, bons arranjos musicais e mesmo partes em que o grupo não se furta do uso de melodias mórbidas e alguns arranjos de outros gêneros. Sim, o grupo já estava buscando sua identidade naqueles tempos.

E é justamente esta identidade que dá vida às 8 canções do álbum. Mas as melhores são a abertura a seco e direta de “The Limb Crucifix”, recheada de riffs abusivos e vocais ríspidos, as passagens mais cadenciadas e mórbidas de “Rabid Death’s Curse” (onde se percebe um trabalho ótimo de baixo e bateria, diga-se de passagem), a porradaria veloz de “On Horns Impaled” (mas tendo em vista que o grupo não faz músicas retas ou sem mudanças e ritmo), a ótima coleção de arranjos bem feitos de “Walls of Life Ruptured” (uma exibição de gala dos vocais, além de certo clima fúnebre surge nas passagens mais refreadas, onde o baixo distorcido do grupo troveja para todos os lados), o caldeirão fervente de riffs sujos de “Agony Fires”, e a longa e muito bem trabalhada “Mortem Sibi Consciscere” (onde já se percebe todo potencial do grupo para os que não conseguiram ver até o momento, pois eles soam sólidos como uma unidade, sem se destacar esse ou aquele instrumento). E de bônus, esta versão de “Rabid Death’s Curse”, tal qual a de 2004, trás “When Heavens End”, um cover do velho DØDHEIMSGARD norueguês, que ganhou uma roupagem mais agressiva e com contornos melancólicos.

Um disco de primeira, e que finalmente está mais acessível aos fãs. E aproveitem, pois “Rabid’s Death Curse” deve esgotar logo!

SPELL FOREST - Candelarum (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,5/10,0


Tracklist:

“Candelarum” EP:

1. Candelarum
2. Rebellionis
3. Hoc Est Corpus Meus
4. Viva Satanas

“Adornus Satani” Rehearsal Demo 1998:

5. Moon of Serpent
6. Adornus Satani

“Adornus Satani” Rehearsal Demo 2000:

7. The Majestic Throne of Forest (Intro)
8. Moon of Serpent
9. Adornus Satani
10. Gran Dominium
11. The Dark Sphere of Soul
12. Dark Enchantment
13. Tormented by the Evil Existance (Outro)


Banda:

Lord Mephyr - Vocais, guitarras, teclados, baixo
Pestiferat XIII - Bateria, percussão


Contatos:

Facebook:
Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Quando se fala em Black Metal no Brasil, muito se pensa no aspecto das polêmicas, mas não deveríamos nunca deixar de lado o aspecto musical. Apesar de tudo, o gênero agrega muito valor a todos os outros. E por aqui, podemos dizer que temos de tudo em termos de Black Metal, e o SPELL FOREST, um grupo de muita experiência nos ombros, é um dos nomes mais fortes e criativos do gênero. E como a Drakkar Productions Brasilpossui forte preocupação mercadológica com os fãs do estilo, eles bancaram o relançamento do EP “Candelarum” de 2014, só que com algumas faixas bônus ótimas.

O que temos em mãos é uma compilação. Temos, juntamente com as faixas do supracitado EP mais as duas Demos-ensaios “Adornus Satani”, sendo uma de 1998 e a outra de 2000, antes que a banda lançasse seu primeiro álbum em 2001. O que se percebe através dessa passagem que compreende 16 anos é que o SPELL FOREST mantém uma identidade musical forte, mas que não se nega a evoluir dentro dos limites do Black Metal soturno e sombrio nos moldes da SWOBM. E essa fusão de personalidade com uma visão diferenciada e experiente faz da banda um nome bem conhecido no underground e com um trabalho tão bom.

Em termos de qualidade sonora, é mais que óbvio que elas existem. As das Demos estão em um bom nível para a época, onde as limitações financeiras e de equipamentos (e mesmo de um pouco de “know-how” de como se gravar o gênero por aqui), e mesmo porque a crueza faz parte do charme do Black Metal, verdade seja dita. Já as quatro do EP possuem uma crueza mais calculada, embora permitindo que os instrumentos sejam ouvidos e compreendidos. Tudo isso visando soar mais orgânico, cru e sombrio, e justamente por isso, ficou muito bom.

A arte, feita por Mara Huwe e o design interno da Svart Design deixam o disco ainda mais belo e fúnebre, com o uso de tons de preto, branco e cinzento, tudo isso em um belo formato Digipak de três painéis.


Embora não tão conhecido no cenário mundial como seus compatriotas do MYSTERIIS, PATRIA e OCULTAN, o trabalho musical do SPELL FOREST é digno de menção honrosa e tão bom quanto cada um deles. Sombrio e pesado, agressivo na medida certa, com uma técnica musical sóbria e ótimos arranjos, suas canções seduzem os ouvintes mais e mais conforme nos ambientamos a ela.

“Candelarum”, como dito anteriormente, originalmente é um EP de quatro faixas, onde “Candelarum” mostra-se uma canção um pouco mais tradicional em termos de Black Metal (com ótimas guitarras mostrando melodias soturnas e teclados sinistros ambientando-a), seguida da agressividade à lá MAYHEM antigo de “Rebellionis” com sua base rítmica veloz em um bate-estacas impiedoso (embora com boas mudanças rítmicas por parte de baixo e bateria), o peso ríspido e bruto de “Hoc Est Corpus Meus” e de “Viva Satanas” (ambas com ótimos vocais e riffs excelentes) mostram como o grupo tem lenha para queimar.

Em termos das Demos, é bom se preparar, pois a qualidade sonora é extremamente crua, especialmente em “Adornus Satani” de 1998, com a de 2000 um pouco melhor. Mas ambas as versões para “Moon of Serpent” e “Adornus Satani” de ambas as Demos, mais “Gran Dominium” e sua agressividade espontânea e envolvente, e a explosiva “Dark Enchantment” nos levam à conclusão de que o grupo é realmente fiel às suas raízes musicais, mas sem ficar preso ao passado.

No mais, o SPELL FOREST não necessita de muitos elogios, já que o trabalho deles por si já diz tudo. Logo, aproveitem, pois a tiragem de “Candelarum” é limitada a 500 cópias apenas!

STONEX (Hard'n'Heavy Metal Old School - Sergipe/PE)


Banda: STONEX

Início de atividades: No final do ano de 2012

Discos lançados:Um EP intitulado “Seeds Of Evil”.

Formação atual: Ramon Guerreiro (vocais), Mark Hazz (guitarras), Dálvaro Soares (guitarras), Alessandro Mongini (baixo), Adriano Tavares (bateria)

Cidade/Estado:Aracaju/SE


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Todos já eram veteranos na cena em um grau maior ou menor. E com muitas idéias na cabeça.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Dinheiro e divulgação (risos). Sempre foi assim e será.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

A mesma merda de sempre. Alguns produtores de merda tentando tirar proveito do underground. Felizmente nem todos agem da mesma maneira. E como nós agimos com parceiros interessados na música, nós somos do contra. Nossos parceiros são os melhores. Idiotas aproveitadores existem em todo lugares. Que legal hein!!!


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Desde os gregos já era decretada o fim de alguma coisa. Gregos??? Esse argumento é recorrente. Não?

O bastão é passado, sempre existiram bons e ruins artistas em qualquer gênero. Mas por enquanto a taxa de O2 e N2 permanece inalterado na atmosfera.

A criatividade humana não tem medida.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

O Metal precisa de pessoas realmente interessadas em mudar a consciência coletiva. Chega de preconceitos e regrinhas. A polícia também se veste preto.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Tratem bem sua família. Estudem o seu instrumento. Toquem alto sua música. E se estiver com vergonha de sair de preto, não saia. É a atitude que conta.

Obrigado pelo espaço.

Metal is Forever!!!


Links para contatos:
Canal do Youtube: Banda Stonex Official
Instagram: @Banda_stonex


APOPHANOUS (Progressive Thrash Metal - São Paulo/SP)


Banda: APOPHANOUS

Início de atividades: Fevereiro de 2015

Discos lançados: “Obliteration Has Come” EP (Abril/2016)

Formação atual: Álvaro Albuq (baixo, backing vocals), Fábio Trevisan (bateria), Tiago Lima (guitarras) e Vitor Alcântara (vocais)

Cidade/Estado: São Paulo/SP.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Vitor: O início da banda basicamente possui duas histórias paralelas que se cruzam. Uma envolve o Fábio (bateria) e eu (vocalista) que resolvemos procurar por pessoas interessadas e engajadas em fazer um som pesado autoral de forma séria.

O outro lado da história envolve o Tiago (guitarra) recém-chegado em SP que decidiu procurar por pessoas a fim de tocar um som autoral pesado e com qualidade. A Internet foi responsável por juntar as duas histórias e o resultado foi a APOPHANOUS!

Meses depois o Álvaroapareceu para completar o time. Na época nós 3 (Fabio, Álvaro e eu) trabalhávamos na mesma empresa e um dia, em uma conversa no café, combinamos um ensaio e desde então o Álvaro integra a banda completando esse choque de universos.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

A nossa maior dificuldade vai além do cenário. São Paulo é uma cidade enorme e todos nós trabalhamos longe de nossas casas, custando boa parte do dia em deslocamento, o que interfere nos nossos estudos como músicos. O mesmo se reflete no fato de não morarmos todos no mesmo bairro. Acreditamos que se estivéssemos próximos os resultados seriam superiores.

Com relação ao cenário uma grande dificuldade é o acesso às casas de shows, aos eventos e as oportunidades de mostrarmos o nosso trabalho de forma orgânica, sem forçar a barra ou precisar de um “empurrãozinho”. Em São Paulo também há uma característica cultural onde a demanda por bandas cover é maior que bandas autorais, tornando as oportunidades ainda menores.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Atualmente nosso foco está direcionado às composições do nosso futuro álbum, mas temos contato com alguns produtores e algumas casas de show que possuem boa estrutura para eventos de Metal e o público também é bastante participativo. Posso citar, por exemplo, o Centro Cultural Zapata, no centro de SP que abre as portas para as bandas independentes com boa estrutura e sem exigir venda de ingressos abusivos ou coisas do gênero. No geral temos várias casas de Metal/Rock na cidade para todos os públicos e estilos.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

A cena Metal é muito envolvida em saudosismos e não podemos negar que muita coisa mudou do final dos anos oitenta para os dias de hoje. Mas as épocas mudam, o público muda. Porém a essência sempre estará lá. Grandes nomes partem e outros novos surgem, ainda que aqueles mais ortodoxos torçam o nariz para tal.

Nós procuramos seguir firmes, fazer o nosso som, com a nossa personalidade e enquanto houver alguém batendo cabeça nós estaremos lá!    


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

A coisa é mais embaixo. Para o cenário dar certo falta o Brasil dar certo (risos). Os grandes shows são caros, o custo dos consumos é caro (10 reais numa cerveja é sacanagem!!!), vivemos todos momentos bem difíceis economicamente e tudo isso de certa forma reflete no cenário.

Por fim, a mudança depende de todos nós: das bandas, dos coletivos, dos produtores de evento, das casas de show, da mídia independente e do público. Só é ouvido quem é grande, e unidos somos colossais!


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gostaríamos de agradecer ao Metal Samsara pela oportunidade e pelo bate papo! Agradecemos também a todos os leitores e convidamos para que fiquem ligados nas novidades em nossa fanpage! Por fim, conheçam as bandas locais da sua cidade. Tem muita coisa boa surgindo e muitas bandas com potencial incrível para serem as novas grandes bandas.


Wake up! It’s not a Dream!!



Links para contatos: