sexta-feira, 21 de setembro de 2018

KRISIUN - Scourge of the Enthroned


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Century Media Records (overseas)/ Shinigami Records (Nacional)
Nacional


Tracklist:

1. Scourge of the Enthroned
2. Demonic III
3. Devouring Faith
4. Slay the Prophet
5. A Thousand Graves
6. Electricide
7. Abysmal Misery (Foretold Destiny)
8. Whirlwind of Immortality


Banda:


Alex Camargo - Baixo, vocais
Moyses Kolesne - Guitarras
Max Kolesne - Bateria


Ficha Técnica:

Andy Classen - Produção, mixagem, masterização
Eliran Kantor - Artwork


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Quando falamos em bandas de Metal brasileiro que possuem expressão no exterior, 3 nomes são lembrados instantaneamente: SEPULTURA, ANGRA e KRISIUN. No caso do último, muito de seu sucesso vem não só de sua incessante atividade desde os anos 90, seja lançando discos ou fazendo shows em tudo que é canto, mas de sua fidelidade ao Brutal Death Metal de sempre. E essa fidelidade transpira em cada momento de “Scourge of the Enthroned”, seu mais recente disco, que a parceria entre a Century Media Records e a Shinigami Records nos trouxe em lançamento nacional.

Basicamente, em termos de sonoridade, os gaúchos apenas exploram a música a qual estão acostumados a fazer desde os tempos de “Curse of the Evil One” (seu primeiro Split CD, lá de 1993), embora mais bem lapidado pela sabedoria e experiência. Só que o trio sempre sabe criar músicas e arranjos que nos envolvem, inclusive com uma estética cuidadosa em termos de refrão. Ou seja, continua bruto, com boas variações de ritmo (há anos eles evitam fazer algo de um fôlego só), agressivo de doer os dentes, mas com muito bom gosto e que gruda em nossos ouvidos.

Ou seja, “Scourge of the Enthroned” é um típico disco do KRISIUN, consensual com tudo que já fizeram.

Muito do impacto sonoro do disco vem de sua qualidade sonora. Se de um lado os timbres instrumentais foram escolhidos de forma que tudo seja impactante, por outro, o trabalho de Andy Classen (sim, mais uma vez ele tem a responsabilidade de trabalhar com o grupo) mostra-se primoroso, já que mesmo tão agressivo, percebe-se aquela finalização em termos de limpeza essencial. Tudo pode ser ouvido separadamente, embora soe como um murro nos tímpanos dos menos acostumados. Além disso, a capa de Eliran Kantor (que já fez trabalhos para FLESHGOD APOCALYPSE, CROWBAR, HATE ETERNAL, entre outros) é primorosa, bela e prende a atenção.

Se em “Forged in Fury” tínhamos um disco longo e mais burilado, em “Scourge of the Enthroned” temos a antítese: um disco mais curto, bruto e feroz. Mas lembrando de que a agressividade do trio nunca é gratuita, ser assim por ser. Ela surge como consequência de quem tem isso no sangue, flui de forma natural, algo que com o KRISIUNé uma marca registrada. E mesmo soando sólido, percebe-se que o grupo calibrou sua música com arranjos milimétricos, preenchendo todos os espaços.

Regida por uma velocidade estonteante, temos “Scourge of the Enthroned”, que abre o disco (e reparem bem como nas passagens rítmicas, a bateria está fantástica em termos técnicos), sendo seguida pela também veloz e explosiva “Demonic III” (os riffs das guitarras estão excelentes, bem como os solos doentios que são uma “trademark” do grupo). Com foco em uma ambientação mais densa, temos “Devouring Faith”(incrível como conseguem esta façanha mantendo a velocidade, e que vocais). A velocidade de quebrar pescoços retorna em “Slay the Prophet” (um massacre de baixo e bateria que apresentam boa técnica, embora mantendo aquela pegada rápida do trio) e de “A Thousand Graves” (outra que evita complicações, embora não esteja isenta de mudanças ritmo, e em alguns momentos, aquelas tradicionais levadas do Hardcore surgem aqui e ali). Com alguns arranjos mais rebuscados e mesmo uma estética mais elegante em termos de arranjos, “Electricide”vem para arruinar os alto-falantes, com guitarras bem sacadas. Evocando mais uma vez a velocidade extrema tradicional de seus trabalhos com vocais extremamente ferozes, temos “Abysmal Misery (Foretold Destiny)” (incrível como conseguem variar do simples ao mais complexo sem comprometer a solidez da composição em si). E fehando com chave de ouro, temos o esporro de “Whirlwind of Immortality”, que chega a deixar o ouvinte paralisado no lugar pelas passagens que grudam em nossos ouvidos (inclusive com alguns linhas melódicas interessante fluindo das guitarras).

Desta forma, fica claro que “Scourge of the Enthroned” mostra o KRISIUN em uma excelente fase, e por evitarem muitas complicações, não erram.

Candidato a um dos melhores discos de bandas brasileiras do ano.

Nota: 95%


terça-feira, 18 de setembro de 2018

DROWNED - 7th


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Bitter Art of Detestation
2. Rage Before Some Hope
3. Toothless Messiah
4. Murder, Sex, Hate and More
5. Violent March of Chaos
6. Damaged Wood Coffins
7. Epidemic and God Selfishness
8. Elitist Heaven Ruled by Devil
9. The Time Bomb Conscience
10. KRH317
11. Ministry of National Inquisition


Banda:


Fernando Lima - Vocais
Marcos Amorim - Guitarras, vocais
Kerley Ribeiro - Guitarras
Rafael Porto - Baixo 
Beto Loureiro - Bateria


Ficha Técnica:

Marcos Amorim - Mixagem, masterização
Fernando Lima - Design, capa


Contatos:

Assessoria: http://metalmedia.com.br/drowned/ (Metal Media)

Texto: “Metal Mark” Garcia


O cenário Metal mineiro tem profundas raízes, ainda mais quando falamos de Metal extremo. Nomes clássicos e conhecido mundo afora são do estado, e muitos deles pertencem a Belo Horizonte, capital do estado. E um dos maiores “juggernauts” do Metal nacional é de lá, o quinteto DROWNED, que após algum tempo sumido, retoma a carga e vem para rasgar tímpanos com seu mais novo trabalho, “7th”.

Diferente de muitas bandas da região, o trabalho deles sempre foi baseado em uma concepção não muito complexa de ser pensada: Death Metal com elementos de Thrash Metal em constante evolução, ou seja, se de um lado o grupo ainda conserva a fúria que os tornou famosos no início da década passada, em especial em discos como “Bonegrinder”e “Back from Hell”, de outro aglutinou influências melódicas mais jovens, beirando um pouco o Melodic Death Metal. Desta forma, temos que o grupo mostra um trabalho que lembrará o ouvinte de nomes como DISMEMBER (fase “Death Metal” e “Hate Campaign”), HYPOCRISY, IN FLAMES e THE HAUNTED antigos, mas de uma forma muito pessoal deles. E em termos musicais, o quinteto faz algo de personalidade, agressivo e de bom gosto, pois a experiência os lapidou para grandes coisas.

Ou seja, “7th” é um disco de primeira, algo que só eles poderiam fazer.

Em termos de sonoridade, o grupo caprichou. O trabalho de Marcos Amorim na mixagem e masterização deixou o trabalho deles bem claro aos ouvidos, com todos os instrumentos aparecendo nas proporções devidas e com bons timbres. Mas ao mesmo tempo, o peso e a agressividade estão ali, prontos para causar dores de pescoço nos mais incautos. E o trabalho gráfico ficou de primeira, com a banda buscando uma arte de capa bem simples, encarte com uma diagramação econômica, mas muito bem feita (e com uns detalhes interessantes, como as iniciais nas fotos individuais dos integrantes).

O sétimo disco do DROWNED vem para recolocar o grupo como um dos pilares do Death Metal brasileiro, com canções inspiradas e bem arranjadas. Nada do que se ouve nesse disco é descartável, está faltando ou é excessivo. Pelo contrário, “7th” parece um rolo compressor pronto para passar por cima de tudo e todos, com arranjos bem feitos, linhas melódicas de bom gosto, e instrumental técnico casando com vocais agressivos variando muito de timbres.

Onze faixas de moer os ossos esperam nossos ouvidos, todas elas excelentes. É impossível não bater palmas para a mistura de melodia e agressividade de The Bitter Art of Detestation” (um arrasa-quarteirões poderoso, mostrando ótimas mudanças de ritmo) e em “Rage Before Some Hope” (um massacre sonoro guiado por ótimas guitarras em riffs memoráveis), os contrastes de partes mais introspectivas e outras mais brutais de “Toothless Messiah”(reparem bem como a técnica de baixo e bateria é sensível), a técnica mais “grooveada” e moderna de “Murder, Sex, Hate and More”, os ritmos dissonantes e quebrados apresentados em “Violent March of Chaos” (os vocais estão muito bem, com ótimos backing vocals e urros de primeira), as melodias sedutoras que surgem em meio à rispidez de “Damaged Wood Coffins”, a marcante e mais lenta “Epidemic and God Selfishness” (a sétima faixa frisada na contracapa, logo, temos uma faixa multifacetada em termos de arranjos, com uma dinâmica fantástica entre as partes instrumentais e vocais), os detalhes mínimos em termos de guitarras que permeiam “Elitist Heaven Ruled by Devil”, a rispidez Thrash/Death moderna de “The Time Bomb Conscience”, as estruturas Melodic Death Metal presentes em “KRH317”, e as variações de ritmo apresentadas em “Ministry of National Inquisition” (ótimos arranjos vocais). Sim, é para aplaudir de pé o que o DROWNED faz!

“7th” vem para mostrar o quão vivo o DROWNED está, e se preparem, pois a banda vai conquistar cada um dos que ouvirem esse disco. Tenham certeza!

Nota: 100%




DON AIREY - One of a Kind


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

CD 1 (“One of a Kind”):

1. Respect
2. All Out of Line
3. One of a Kind
4. Everytime I See Your Face
5. Victim of Pain
6. Running Free
7. Lost Boys
8. Need You So Bad
9. Children of the Sun
10. Remember to Call
11. Stay the Night


CD 2 (gravado no Fabrik, Hamburgo, em 14 de Março de 2017):

1. Pictures of Home
2. Since You’ve Been Gone
3. I Surrender
4. Still Got the Blues



Banda:


Don Airey - Teclados
Carl Sentance - Vocais
Simon McBride - Guitarras
Laurence Cottle - Baixo 
John Finningan - Bateria


Ficha Técnica:

Don Airey - Produção
Steve Bentley-Klein - Cordas
Piers Mortimer - Mixagem (todas as faixas exceto as do CD 2)
Andrew Thompson – Masterização (todas as faixas exceto as do CD 2)
Eike Freese - Mixagem e masterização do CD 2


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Discos solos de artistas consagrados sempre são uma imensa incógnita. Definindo limites para um amplo leque de possibilidades, ou vem algo similar ao que ele faz em sua banda principal (ou fez), ou algo sem similaridades com ela. Logo, o disco “One of a Kind”, do tecladista DON AIREY (que nos chega pela Shinigami Records) está dentro das fronteiras definidas por tais parâmetros, mas nos trazendo algumas surpresinhas muito boas.

Para início de conversa, Donjá tocou com músicos e bandas como OZZY OSBOURNE (tocou em “Diary of a Madman” e “Bark at the Moon”, onde sua presença é marcante), RAINBOW, COLOSSEUM II, GARY MOORE, JETHRO TULL, MICHAEL SCHENKER GROUP, THE COMPANY OF SNAKES, WISHBONE ASH, participou ainda como membro ao vivo com Graham Bonnet e Uli Jon Roth, e fez aparições em trabalhos de JUDAS PRIEST, BLACK SABBATH, UFO, SAXON, Glenn Tipton, Andrew Lloyd Webber, Bruce Dickinson, Brian May e uma lista imensa de artistas, e atualmente está no DEEP PURPLE. Experiência é com ele mesmo, e o que temos em “One of a Kind”é o mais puro Classic Rock/Hard Rock com “inserts” de Rock Progressivo. Mas podem pensar duas vezes, já que o disco não soa clichê ou datado, mas atual, vigoroso e com músicas vibrantes. E se acompanham (ou acompanharam) o trabalho de Donem algum período, verão que ele pegou um pouco de cada, adicionou seu toque pessoal e pronto: está lançado um grande disco!

No lado sonoro, a produção é caprichada. Óbvio que tudo soa claro e bem definido, como se esperaria de um músico experiente e exigente, mas o disco tem aquele toquezinho de crueza necessário a uma obra de Rock. O ponto forte é: mesmo com toda a tecnologia digital moderna, o jeitão de “One of a Kind” é de um disco bem espontâneo, solto, com aquele clima orgânico do passado, mas com a sonoridade firme e clara que a modernidade consegue. Tem-se então o melhor de dois mundos, mesmo na parte ao vivo.

Em termos gráficos, a apresentação como um todo é bem simples, sem muitas embromações, com uma diagramação rápida e direta. Nisso, percebe-se que a opção foi por algo que permita que a atenção do ouvinte fique apenas nas músicas, e isso é mais que suficiente. Bem mais, para ser sincero.

No lado musical, o jeitão descompromissado de “One of a Kind” é extremamente sedutor, com ótimas melodias, cada refrão polido na medida certa, mas sem que o disco perca sua aura de espontaneidade. Embora bem arranjadas e com boa técnica, não se percebe exageros, mesmo sabendo que temos (fora Don), músicos de primeira grandeza como Carl Sentance (vocalista atual do NAZARETH), Simon McBride (guitarrista que tocou no finado SWEET SAVAGE), e Laurence Cottle (baixista que já tocou com Gary Moore) nessa banda. Aliás, é bom que se diga que o foco do disco não está nos músicos, mas nas músicas, logo, essas feras se juntaram para criar um obra de arte, verdade seja dita!

O disco 1 é o “One of a Kind” propriamente dito, onde temos as 11 canções inéditas. E é de tocar o coração a energia empolgante de “Respect” (uma canção onde se fundem os elementos dos 70 e atuais sem problemas, um Hardão clássico com ótimos riffs de guitarras e refrão marcante), o jeitão bluesy à lá DEEP PURPLE de “All Out of Line” (os andamentos são sólidos, com ótimo trabalho de baixo e bateria), as lindas melodias envolventes de “One of a Kind” (a acessibilidade é ótima, contrastando peso e melodia, e encorpada pelos teclados e elementos de Classic Rock, fora um refrão maravilhoso e o trabalho dos vocais é excelente), a solidez harmônica e densa de “Victim of Pain” (guitarras com riffs bem modernos, e uma estética que remete aos 80 e 90, mas sempre com a classe de quem sabe o que faz), a beleza encorpada de “Running Free” (reparem bem nos arranjos instrumentais, e em como as linhas vocais se encaixam perfeitamente sobre eles, especialmente na cama de teclados e pianos jazzísticos), o encontro do peso dos 80 e 90 com a estética “Heavyssiva” que se ouve em “Lost Boys” e em “Children of the Sun”, e o Hard Rock “ponha a casa abaixo” em “Stay the Night”. São estes os melhores

Agora, o CD 2 é gravado ao vivo, em uma apresentação do grupo no Fabrik, Hamburgo (Alemanha), em 14 de Março de 2017. E nas quatro canções, hinos eternos de bandas por onde Donjá deu o ar da graça. E digamos de passagem, as versões para “Pictures of Home” (do DEEP PURPLE), “Since You’ve Been Gone” (que originalmente é do ex-guitarrista do ARGENT, Russ Ballard, e inclusive aparece em seu disco solo de 1976, “Winning”, mas que depois foi regravada pelo RAINBOW), “I Surrender” (do RAINBOW), e “Still Got the Blues” (de GARY MOORE), todas fazendo bonito e honrando as originais, mas mostrando a força do grupo ao vivo, logo, nos faz querer ver um show deles por aqui.

“One of a Kind” é uma bela peça de arte que merece figurar em qualquer coleção que se preze.

Nota: 100%


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

SUN DIAMOND - Sun Diamond


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Frozen Bones
2. Detached
3. Let Me Drunk (and R.I.P.)
4. Go to the Yard
5. She Took the High Road
6. To Call Home
7. Money Wars
8. Blackstar
9. My Bunker


Banda:


Ailton Neto - Vocais
Eduardo Teixeira - Guitarras
Leo Campanha - Guitarras
Miguel Guerra - Baixo
Lucas Alves - Bateria


Ficha Técnica:

João Figueirôa - Mixagem
Paulo Germano - Masterização


Contatos:

Site Oficial:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Quando se fala em Nordeste para as pessoas fora do cenário Metal, muitos pensam em seca, miséria, coronéis e praias. Dentro do cenário, sabemos de muito tempo que a região sempre foi um celeiro para headbangers e bandas jovens de muito valor. E continuam brotando bandas e mais bandas por lá, sendo que um novato como o SUN DIAMOND, de Recife (PE), já chega metendo uma bicuda na porta com “Sun Diamond”, seu primeiro trabalho.

O quinteto é adepto do Heavy Metal tradicional, e nos fica óbvio que eles fazem um amálgama entre as vertentes europeias (em especial as da Inglaterra e da Alemanha) com algo que vem dos EUA. Basicamente, a música deles sangra em energia jovem, mas sempre encorpada com ótimas linhas melódicas e trabalho técnico muito bom. Apesar desse formato musical já estar bastante erodido pelo uso contínuo, os rapazes sabem como fazer as coisas a seu modo, logo, sente-se a energia deles embasada em uma personalidade musical sólida, e que mesmo sem ser novo, tem muito valor.

Em termos de produção sonora, “Sun Diamond” mostra algo cru e direto, sem muitas firulas e edições. A verdade é que a gravação no Estúdio Muzak, tendo a mixagem de João Figueirôa, e masterização de Paulo Germano, resultaram em algo mais simples e direto, buscando um clima bem “plug and play” que casou bem com a proposta do grupo. Sem enfeitar demais, fazendo tudo o mais próximo do que se pode fazer ao vivo, foi uma opção sábia.

Em termos de arte gráfica, o grupo optou por uma capa extremamente simples, mas essa forma sempre dá bons frutos, já que as atenções ficam todas na música, que é o mais importante.

Apesar da juventude e de algumas ressalvas a serem feitas (como os vocais, que podem melhorar em seus timbres no futuro, sendo que a voz em si é boa), o SUN DIAMOND é um grupo promissor, e uma grande revelação, e mostram sangue nos olhos suficiente para encararem grandes desafios. Em termos de arranjos e criatividade, não ficam devendo em nada a nomes já bem estabelecidos do cenário.

As 9 faixas de “Sun Diamond” mostram uma banda muito talentosa, onde se destacam a energia crua e envolvente de “Frozen Bones” (belas partes de baixo e bateria na condução do ritmo), o “feeling” Hard ‘n’ Roll de “Detached” (extremamente grudenta, com refrão de primeira, belos backing vocals, e os vocais estão bem), a diversidade musical de “Let Me Drunk (and R.I.P.)”(reparem os “inserts” de Jazz aqui e ali em uma faixa com uma descarga de energia absurda), o jeito meio “Sabbathíco” de “She Took the High Road”, a pegada mais melodiosa e introspectiva de “To Call Home” (reparem como nas partes mais lentas os vocais estão muito bem), e o jeitão agridoce de “My Bunker” (equilíbrio bem legal entre peso, melodia, agressividade e introspecção).

Desta forma, fica bem claro que o SUN DIAMOND realmente merece elogios pelo que ouvimos em “Sun Diamond”, mas eles têm potencial para irem ainda mais longe.

Nota: 82%


ANGUERE - Choque/Cadeia


Ano: 2018
Tipo: Full Length/Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional

 “Choque”


Tracklist:

1. HCRC
2. Campo Minado
3. Corrupção FDP
4. Estado de Choque
5. Espelho Imoral
6. Domínio do Mal
7. Guerra Santa
8. Anguere
9. Liberdade
10. Mecanismo Corroído
11. Olho Cego
12. Repressão


Banda:

Thiago Soares - Vocais
Cléber Roccon - Guitarras
Luciano Cecagno - Baixo
Adriano R. Padro - Bateria


Ficha Técnica:

Anguere - Produção
JB Estúdio - Gravação, mixagem, masterização
Wildner Lima - Artwork


“Cadeia”


Tracklist:

1. Barricada
2. Cadeia
3. N.O.I.A. (Ninguém Olha para Indivíduos Atormentados)


Banda:

Thiago Soares - Vocais
Cleber Roccon - Guitarras
Adriano R. Prado - Bateria


Ficha Técnica:

Anguere - Produção
Thiago Zepon - Gravação, mixagem, masterização


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Com o tempo, muitas vezes, a noção do que seria um estilo musical “de raiz” vai ficando mais e mais distante de nossas mentes, fato ocorrido devido à evolução constante que a música possui. Mas ainda bem que existem bandas que se prendem ao que há na Velha Escola, mantendo assim a chama acesa. No caso do Hardcore/Crossover, podemos aferir que o ANGUERE, de Rio Claro (SP), vem despejando uma violência extrema em “Choque” (de 2015) e no EP “Cadeia” (2017).

O grupo tem foco em um Hardcore/Thrashcore/Crossover com alguns “inserts” de ritmos regionais e mesmo os “blast beats” do Grindcore (que são perceptíveis em “Domínio do Mal”), mas sem ferir a aura impactante e suja do Hardcore. Nada disso, e nem de longe o grupo chega perto do Harcore moderno ou dos estilos mais melodiosos, aqui é cortunada na porta e dedada nos olhos, esbanjando energia e violência pelos falantes. E não adianta: eles não pegam leve de jeito nenhum, e isso é bom, já que sua música é um convite ao pogo sem dó, tamanha a energia que flui de suas canções. Em “Choque”, imperam a agressividade e o jeito mais voltado ao Crossover tradicional, enquanto em “Cadeia”, os inserts regionais e passagens com Groove são mais evidentes, fruto da evolução sonora do grupo, mas que de forma alguma descaracteriza sua música.

A produção tanto de “Choque”busca ser orgânica e abrasiva, fazendo com que a sonoridade seja mais suja e impactante, mas sempre com boa definição em termos de clareza. No caso de “Cadeia”, temos algo sonoramente mais burilado, profissional, mas mesmo assim, a brutalidade musical do grupo não ficou alterada (pelo contrário, parece ainda mais agressivo que antes). E a arte em ambos os lançamentos mostra algo simples, funcional, o espírito mais puro do HC feito em imagens, e casaram bem com os discos. A banda produziu ambos os discos, diferindo apenas em quem fez a mixagem e a masterização.

Se compararmos ambos os discos, veremos que “Choque” é um autêntico telefone nos tímpanos dado com tijolos, pois a musicalidade do grupo está mais direta e intensa, enquanto “Cadeia” nos mostra algo mais bem trabalhado, com uma musicalidade onde o Groove e passagens regionais ficaram mais evidentes (pois antes eram mais subjetivas devido à massa sonora que eles criavam). Mas a primeira ideia que se tem é que eles mantiveram sua identidade, pois impera a consensualidade, apesar dos anos que separam ambos os lançamentos.

“Choque” nos brinda com 12 tijoladas nos ouvidos, mostrando uma fúria HC como não se ouve há muitos anos. A curta e grossa “HCRC”(11 segundos de tiro e queda), o jeito Thrashcore moderno de “Campo Minado” (ritmo alternando entre a velocidade abusiva e as partes mais cadenciadas nos mostram como baixo e bateria são firmes e apresentam boa técnica), os toques regionais que surgem no meio do caos brutal de “Corrupção FDP” (andamento mais lento, vocais urrados no meio de riffs agressivos) e em “Estado de Choque” (esta com partes velozes empolgantes, além das partes mais grooveadas valorizadas por baixo e bateria), a pancadaria desmedida de “Domínio do Mal” (as partes com “blast beats” encaixam-se como uma luva à canção), o massacre grooveado de “Anguere”(onde elementos que se tornarão evidentes no futuro ficam bem claros aos nossos ouvidos), o Thrashcore trincado de “Mecanismo Corroído”, e a raiva gotejante de “Olho Cego” são os momentos mais marcantes do álbum, embora ele seja todo muito bom.

“Cadeia” tem apenas 3 canções, mas serve para mostrar como a música do grupo evoluiu. Há mais cuidados com o acabamento de cada uma das três, logo, se preparem. Em “Barricada” está presente um “blend” entre a agressividade de antes com maior presença de elementos regionais e mesmo passagens Rappeadas (e os vocais ficaram mais ricos em termos de timbres); em “Cadeia”, fora o groove intenso de antes, estão presentes partes com ritmos quebrados muito bons, que mostram a coesão de baixo e bateria; e fechando, temos “N.O.I.A. (Ninguém Olha para Indivíduos Atormentados)”, uma cuspida hardcorizada nos olhos, onde Groove e Thrashcore se fundem ao Hardcore para gerar algo bruto e empolgante,

Desta forma, percebe-se que “Choque” e “Cadeia” são discos que nos mostram uma banda com muita energia, disposta a ir longe. E digamos de passagem: o ANGUERE tem pegada e disposição para tanto!

Nota: 86% (cada disco)


WHITE DRAGON PROJECT - Prepare for the Changes


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Prepare for the Changes
2. The End of the World
3. Tears for Somebody
4. White Dragon
5. Light Warrior
6. Six Destinies
7. Evolution
8. I will Fly Free
9. Game of Life
10. Doomsday


Banda:


Leonardo Rodrigues - Vocais
Alex Cesar - Guitarras
Gabriel Fernandes - Guitarras
Jhony Mariano - Baixo
Rafael Fernandes - Teclados
Alisson Carvalho - Bateria

  
Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: https://www.facebook.com/wargodspress (Wargods Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Alguns discos nascem do esforço pessoal de um músico, do quanto ele põe de si em cada momento da criação da obra em si. E o projeto musical WHITE DRAGON PROJECT, nascido da vontade de ferro do vocalista Leonardo Rodrigues (que já passou por nomes como SOUL FIRE e HARMONYCA) em fazer com que o cenário da cidade de Cataguases (interior de MG) se fortaleça. E o que se ouve em “Prepare for the Changes”, primeiro disco do grupo, deixa evidente esse desejo não ficará no âmbito das ideias.

Ao ouvir o disco, se percebe um Heavy Metal tradicional vigoroso e cheio de energia, influenciado profundamente pelas bandas da NWOBHM (em especial, o IRON MAIDEN), embora com vários “inserts” do Hard Rock clássico (ou Classic Rock nas mais modernas rotulações do gênero) devido à presença de teclados, e de estruturas melódicas sólidas que são simples de serem assimiladas (do tipo que se ouve, se compreende e gosta). Uma fórmula musical já bem conhecida e usada muitas vezes, mas que sempre nos concede ótimos resultados quando há uma personalidade por trás do trabalho, e isso o WHITE DRAGON PROJECT tem, e muita.

Traduzindo: “Prepare for the Changes” é um disco muito bom.

Embora a qualidade sonora seja boa, nos concedendo um som visceral e próximo ao orgânico, ela poderia ser melhor. Fica óbvio que um pouco menos de crueza faria bem, pois nos momentos mais distorcidos e cheios de energia, a parte da limpeza e definição fica abaixo do que o trabalho do grupo precisa. Não está ruim, de forma alguma, mas poderia ser bem melhor.

No tocante à parte gráfica, vemos uma capa linda, que de forma bem subjetiva faz alusão ao nome do álbum. Em termos de diagramação, ficou ótimo, mas de um ponto de vista mais profissional, poderia ser melhor. Está ótimo, mas não excelente.

Agora, quando a música começa a rolar, qualquer ponto negativo vai sendo esmaecido diante de um trabalho tão sedutor. Há um equilíbrio entre a parte técnica (pois a execução das músicas é excelente, vide os toques mais Prog Metal de “Tears for Somebody”) e a criatividade melódica (como as linhas são inspiradas, grudentas, e bem definidas). Além disso, há uma aura positiva em “Prepare for the Changes”, algo que nos leva a enfrentar o dia a dia de peito aberto e sorriso no rosto. É o típico trabalho que faz bem ao espírito e ao coração, além dos ouvidos.

Destacar músicas nesse disco fica bem ao gosto do ouvinte, já que as 10 músicas de “Prepare for the Changes” são bem homogêneas. Mas a faixa-título (que se inicia com uma longa introdução climática cheia de teclados, precedendo uma canção com linhas melódicas ótimas e um trabalho lindo das guitarras, especialmente nos duetos), os contrastes de partes mais lentas e outras mais distorcidas de “The End of the World” (o que nos permite ver a fluência das harmonias, fora os vocais mostrarem variações de timbres muito boas), a pegada mais agressiva e empolgante de “Tears for Somebody” (as partes mais técnicas são ótimas, mostrando a força de baixo e bateria, mas que refrão grudento), a pegada cativante de “White Dragon” (outra com refrão marcante), a velocidade empolgante de “Light Warrior” (esta recheada por detalhes de guitarra que remetem um pouco ao HELLOWEEN clássico), as melodias mais introspectivas e belas de “I Will Fly Free” (que nos permite testemunhar a versatilidade criativa em termos de melodias da banda), e a pesada e grudenta “Doomsday” nos mostram que o grupo tende a crescer mais e mais no cenário nacional.

Não sei se “Prepare for the Changes” vai colocar o nome de Cataguases em evidência no cenário, mas que vai concretar o do WHITE DRAGON PROJECTcomo uma banda de primeira, ah, isso vai. Tenha certeza!
  
Nota: 81%