terça-feira, 22 de janeiro de 2019

OVERKILL - Last Man Standing

Ano: 2019 
Tipo: Extended Play (EP) 
Selo: Nuclear Blast Records 
Importado 

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: A definição de um Big 4 do Thrash Metal norte-americano, infelizmente, acaba deixando de fora bandas clássicas que, muitas vezes, ainda são conhecidas apenas pelos fãs de Metal em si, ou seja, nenhuma projeção fora do underground. E por isso, muitas bandas com produtividade criativa elevada nos últimos tempos não têm a mesma projeção de outras que lançam discos medianos. Um dos mais injustiçados é a gangue de Nova York OVERKILL, que tem se mostrando mais e mais intenso e criativo em seus discos de uns anos para cá. E o EP “Last Man Standing” mostra isso claramente.

Análise geral: Raçudo e agressivo até os dentes, o Thrash Metal do quinteto apenas mostra que a idade foi deixando-o sua música cada vez mais bruta, mesmo com excelentes linhas melódicas. Além disso, uma ouvida no EP e se percebe que a identidade sonora do grupo continua intocada, apenas lapidada pela experiência. E digamos de passagem: “Last Man Standing” é um EP para se ouvir e detonar a sala, pois é impossível ficar parado!

Arranjos/composições:Em termos técnicos, o quinteto sempre soube tocar aquilo que fosse necessário para sua música, sem exacerbar a técnica, mas sem soar simplista. A conjunção de linhas melódicas eficientes, cada refrão feito para entrar nos ouvidos e não ser mais esquecido, e sempre com arranjos que vão se encaixando de forma concatenada. Mas é bom se prepararem, pois os riffs continuam cortantes, os solos ainda esbanjam melodias excelentes, baixo e bateria em uma solidez rítmica imensa, fora os vocais esganiçados continuarem eletrizantes. Sim, esses caras não brincam em serviço!

Qualidade sonora: A mixagem e masterização ficaram nas mãos de Chriss “Zeuss” Harris, que soube moldar a qualidade sonora do grupo de forma que soasse clara e agressiva, sempre com muito peso e energia, sem mutilar o “approach” quase que hardcorizado do quinteto em certos momentos. Ou seja, é bruto e limpo ao mesmo tempo.

Arte gráfica/capa: A arte de Travis Smith não é algo simplório, mas mesmo assim, nada complicado demais, apenas mais uma apresentação do mascote Chaly, que os acompanha desde sua origem. Serve como apresentação, já que os fãs da banda, em geral, se apegam mais à sua música que aos detalhes visuais.

Destaques musicais:“Last Man Standing” é um cartão de apresentação, lançado para aquecer e preparar o mercado para a chegada de “The Wings of War” em fevereiro próximo. Ou seja, é um aperitivo, mas que senhor aperitivo!

“Last Man Standing”: Primeiro Single a ser liberado, e a faixa de abertura do álbum. Logo, é fácil de entender que é uma saraivada de riffs velozes, com aquela pegada empolgante da banda, com muitos momentos em que a bateria mostra as garras dos dois bumbos (e como baixo afiado e mostrando peso). Uma típica canção rápida do quarteto, sempre com uma energia capaz de manter os medidores de volume em níveis extremos.

“Head of a Pin”: Quem conhece a banda de longos anos, sabe que o OVERKILL tem uma forte carga de influência do BLACK SABBATH em alguns momentos, e ela fica evidente nos tempos mais lentos desta canção. Os vocais estão excelentes, assim como o refrão é empolgante.

“Hello from the Gutter (Live)”: Um dos primeiros sucessos do grupo, esta é uma canção de seu terceiro álbum, “Under the Influence” (de 1988), e é uma versão ao vivo gravada durante a apresentação do grupo no Rock Hard Festival de 2015. Energia aos borbotões, sem contar que a captação ficou muito boa.

“Sonic Reducer (Live)”: Também oriunda da apresentação no Rock Hard Festival de 2015, esta é um cover do velho DEAD BOYS (grupo de HC Cleveland, e um dos pioneiros do gênero nos EUA). Passam-se os anos, e poucos percebem isso, já que a versão do quinteto é tão pessoal que os mais desatentos deixam essa informação passar.

“We Gotta Get Out of This Place”: Esta é um cover do THE ANIMALS, que ganhou um jeitão Harcore/Punk Rock, e é uma canção bônus que faz parte da versão japonesa de “Bloodletting”(de 2000), agora disponibilizada para o ocidente.

Conclusão: “Last Man Standing” não tem nada de inédito em termos de canções de estúdio (“Last Man Standing” e “Head of a Pin” estarão no álbum vindouro), as canções ao vivo são um excelente aperitivo, e mesmo sendo ótimo, este é um EP que atrairá mais os fãs da banda. Mas com essas canções, a possibilidade de ganharem novos fãs não é pequena.

Nota: 86%


Tracklist

1. Last Man Standing 
2. Head of a Pin 
3. Hello from the Gutter (Live) 
4. Sonic Reducer (Live) 
5. We Gotta Get Out of This Place


Banda:


Bobby “Blitz” Ellsworth - Vocais
Dave Linsk - Guitarra solo
Derek “The Skull” Tailer - Guitarra base
D. D. Verni - Baixo, backing vocals
Jason Bittner - Bateria


Ficha Técnica:

Overkill - Produção
Zeuss - Mixagem, masterização
Travis Smith - Artwork


Contatos:

Site Oficial: http://wreckingcrew.com
Facebook: https://www.facebook.com/OverkillWreckingCrew
Instagram: https://www.instagram.com/OverkillOfficial
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domingo, 20 de janeiro de 2019

MALEVOLENT CREATION - The 13th Beast

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Century Media Records
Importado


Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Após o ressurgimento no finalzinho dos anos 80, quando era considerado um estilo morto, o Death Metal já teve altos e baixos de popularidade. O mais interessante é que existem bandas que tem uma criatividade absurda e não chegam a terem a mesma recepção de gigantes. Nada mais é que o bom e velho “quem chega primeiro sempre é mais notado”, comum a todos os gêneros de Metal. E o quarteto norte-americano MALEVOLENT CREATION (de Fort Lauderdale, Flórida) é uma prova disso, vide seu recém-lançado 13º disco, “The 13th Beast”.

Análise geral: Basicamente, o quarteto sofreu uma reforma em 2017, só restando de sua formação original o veterano guitarrista Phil Fasciana, mas manteve seu estilo clássico: o mesmo Death Metal insano da escola norte americana (com aquela pegada altamente influenciada por “Reign in Blood” do SLAYER). E percebe-se também que o quarteto soube se atualizar mais uma vez, e sua música ganhou um impacto abusivamente violento. E sem mencionar que a energia que flui desse disco é abusivamente absurda e envolvente.

Arranjos/composições:Como já citado, o quarteto pegou seu jeito à lá “Floridian Death Metal” tradicional e o atualizou, o que lhes conferiu mais brutalidade, mas sem perder sua identidade. A velocidade é estonteante em certos momentos, com muito “double bass” na bateria, mas também tem-se tempos mais refreados e outros com a rapidez mais voltada à “Old School” do gênero. Mas se percebe que a técnica está bem refinada, sabendo criar arranjos diferenciados que se encaixam uns nos outros perfeitamente. Mas mesmo diante disso tudo, “The 13th Beast” é um disco de fácil assimilação: ouviu, gostou.

Qualidade sonora: Bastaria dizer que “The 13th Beast” foi mixado e masterizado por Dan Swanö para encerrar esta seção da resenha. Bruto, agressivo e explosivo de doer os ouvidos, mas sempre com uma sonoridade limpa e bem definida. Além disso, o quarteto não se afasta dos elementos mais tradicionais do Death Metal, logo, os timbres são graves e bem escolhidos, de forma que possam soar claros.

Arte gráfica/capa: German Latorres é o responsável pela arte do disco, e criou uma capa impactante, que chama a atenção dos fãs, e emparelhada com aquilo que se ouve musicalmente, logo, ficou ótima.

Destaques musicais: Pode-se encarar “The 13th Beast” como um disco de Death Metal tradicional, logo, os fãs do gênero não terão do que reclamar em suas 11 canções, especialmente porque o quarteto mostra uma criatividade de primeira. E mesmo sendo um disco extremamente homogêneo, se destacam no meio dessa carnificina musical:

“End the Torture”Uma típica canção de abertura de disco, com uma introdução mais tétrica precedendo um festival de mudanças de ritmo (o que evidencia o ótimo trabalho de baixo e bateria), mas é impossível não notar como as guitarras estão ótimas. E nos solos, o músico convidado Ryan Taylor mostra-se antenado com o estilo do grupo. 
“Mandatory Butchery”: A mais pura essência do Death Metal “Made in Florida” pulsa nessa canção, cheia de momentos que são facilmente assimilados pelos ouvintes. E que muralha de riffs compacta (mas existem momentos mais cadenciados interessantes em vários pontos, mostrando a diversidade da música do quarteto).

“Agony for the Chosen”: uma música reta e direta, embora adornada com arranjos muito bem escolhidos. Ótimo trabalho da bateria, além de mostrar um refrão de primeira, um dos melhores de todo o disco.

“Born of Pain”: É a típica canção com tempos não tão velozes, mas com bumbos duplos rápidos. Os vocais estão ótimos, encaixando na canção, em todos os seus momentos. E existe certo alinhavo melódico evidente em muitos momentos (especialmente nas partes mais lentas).

“The Beast Awakened”: Boas mudanças de ritmo, agressividade e energia fluindo aos borbotões pelas caixas de som, outro ótimo refrão e os vocais estão excelentes.

“Bleed Us Free”: Mais uma vez, a banda faz a fusão de elementos da velha escola (os riffs de guitarra) com algo mais moderno (reparem na força de baixo e bateria), criando uma canção brutal, simples e que gruda nos ouvidos.

“Knife at Hand”: mesmo brutal e opressiva de uma forma mais tradicional, é repleta de partes em que melodias ficam bem mais evidenciadas, criando contrastes interessantes e diversificando o trabalho do grupo (e que guitarras, exibindo riffs compactos e solos doentios).

“Release the Soul”: Contrastando partes mais cadenciadas e momentos mais velozes, é outra canção que grudará nos ouvidos dos fãs. Esta mostra toda essência do quarteto, bem como sua fidelidade às suas raízes musicais.

Conclusão: “The 13th Beast” chega com força para ser um dos grandes discos de Death Metal de 2019, ao mesmo tempo em que o MALEVOLENT CREATION mostra que os fãs de Metal extremo deveriam lhes dar mais chances, pois esse disco mostra o quanto estão melhores em termos criativos que nomes já manjados que andam lançado discos meia-boca por aí. E ele serve também como homenagem ao vocalista Brett Hoffmann, falecido ano passado.

Nota: 96%


Tracklist:

1. End the Torture
2. Mandatory Butchery
3. Agony for the Chosen
4. Canvas of Flesh
5. Born of Pain
6. The Beast Awakened
7. Decimated
8. Bleed Us Free
9. Knife at Hand
10. Trapped Inside
11. Release the Soul


Banda:


Lee Wollenschlaeger - Vocais, guitarras
Phil Fasciana - Guitarras
Josh Gibbs - Baixo
Philip Cancilla - Bateria


Ficha Técnica:

Dan Swanö - Mixagem, masterização
German Latorres - Artwork
Ryan Taylor (ATOMIK, COMBAT, CONDITION CRITICAL, SOLSTICE) - Guitarra solo em “End the Torture” e “Canvas of Flesh”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:








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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

MADRIGAL - Conturbação Natural

Ano: 2019 
Tipo: Full Length 
Nacional

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: A vocação do Metal brasileiro sempre teve uma “quedinha” para as vertentes mais extremas, talvez um legado do impacto e sucesso inicial do SEPULTURAe seu Split com o OVERDOSE. Digamos que algo em torno de 60% do cenário brasileiro seja voltado ao lado extremo do Metal, o que explicaria o ótimo trabalho de bandas que seguem por estes caminhos. Talvez isso explique a sedução de “Conturbação Natural”, primeiro álbum do MADRIGAL (também conhecido como MDRGL), exerce sobre os ouvintes.

Análise geral: A dupla faz algo mais atmosférico e soturno em termos de Black Metal, algo que nos lembra de nomes como ARCTURUS, ANCIENT e SATYRICON em seus trabalhos iniciais, quando o lado Black Metal não fora subjugado por experimentações progressivas. Na realidade, pode soar um pouco “Depressive Black Metal” devido à forte aura melancólica que permeia suas canções, devido às melodias sombrias que foram criadas pela banda.

Arranjos/composições:O trabalho do grupo dista de algo muito complexo em termos de técnica instrumental, mas nem por isso chega a ser simplista demais. O grupo soube criar arranjos muito bons e melodias que são facilmente assimiladas pelo ouvinte. Mas não pense que isso os deixaria fora do gosto musical dos fãs de Black Metal na linha da SWOBM, pois é bem alinhado em essência com grande parte do que era feito no eixo Noruega-Alemanha-Suécia-Finlândia nos anos 90, ou seja, soturno, pesado, agressivo e envolvente. Reparem que existe o uso de tons vocais diferentes (ou seja, o rasgado costumeiro existe, mas não é constante), os riffs de guitarra são simples e envolventes, e baixo e bateria formam uma base rítmica sólida (embora a banda não se furte de usar o “double bass” em vários momentos.

Qualidade sonora:Por ser algo que fica próximo às origens da SWOBM dos anos 90, a sonoridade de “Conturbação Natural” é crua, mas diferentemente do que se usa na “estética do feio” tão comum nos discos que tentam emular esse tipo de sonoridade. A qualidade sonora é boa, e a crueza parece estar mais associada aos timbres dos instrumentos (como a guitarra que vai lembrar muito os timbres do ANCIENT na época de “The Cainian Chronicle”) que à produção. Logo, não haverá problemas em entender o que a banda faz.

Arte gráfica/capa:Feita por Thiago Farias, é algo simples, direto e sem firulas. O Slipcase que protege a capa de acrílico (ou jewelcase, como queiram) é bem simples, assim como também o são capa e contracapa. O encarte também evita algo muito rebuscado, com as letras em uma diagramação bem comum. Mas é justamente dessa forma que arte visual e a música formam uma unidade.

Destaques musicais:Para os fãs de Metal extremo, “Conturbação Natural” tem muito a dizer, e soa sempre honesto. E se destacam entre as 8 canções:

“Episódio II - Penhascos Altos”: uma canção opressiva e de uma ambientação melódica soturna, com tempos cadenciados, e de onde surgem vocais agonizantes em meio aos timbres agressivos (e existem partes mais limpas, inclusive). As linhas melódicas são bem simples, logo, ela embala os ouvintes facilmente.

“Episódio III - Odes Ancestrais”: E a dupla mais uma vez busca algo mais lento e atmosférico, com riffs de guitarra que chegam a dar arrepios. O jeito mais fúnebre e agressivo também é repleto de ótimas melodias.

“Episódio V - Brado Pluro”: Esta já vem com um jeito mais tradicional de se fazer Black Metal, justamente porque a dose de agressividade aumenta um pouco, remetendo ao lado mais cadenciado da Velha Escola do estilo nos anos 90.

“Episódio VII - A Queda”: Mais uma vez, a banda apela para o Black Metal mais tradicional dos anos 90, com maior velocidade. Baixo e bateria aparecem mais e se destacam bastante pela força e peso do ritmo (embora os vocais estejam ótimos).

Conclusão: “Conturbação Natural” é o primeiro disco do MADRIGAL. Desta forma, mostra que ainda podemos esperar mais do trabalho do grupo. Mas até lá, esse álbum é precioso e merece a aquisição.

Nota: 87%


Tracklist:

1. Episódio I - A Subida
2. Episódio II - Penhascos Altos
3. Episódio III - Odes Ancestrais
4. Episódio IV - Alvoroço Doentio
5. Episódio V - Brado Pluro
6. Episódio VI - Interlúdio
7. Episódio VII - A Queda
8. Episódio VIII - Outro (instrumental)


Banda:


Dkt Avatae - Vocais
Nts Oldskull - Todos os instrumentos


Ficha Técnica:

Manfredo Savassi - Engenharia, mixagem, masterização
Thiago Farias - Artwork, design


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:


“Episódio VII - A Queda”: https://www.youtube.com/watch?v=YOaA9Ie9vRc



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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

HAIDUK - Exomancer

Ano: 2018 
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado

  
Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Entre o final dos anos 70 e meados dos anos 80, o Canadá era um forte exportador de bandas de Metal de alta qualidade. Mas os anos foram passando, e conforme outros países foram mostrando mais e mais bandas novas e maior diversidade musica, o cenário Metal do Canadá foi ficando cada vez mais “doméstico”, ou seja, mais voltado para o consumo interno. Mas vez por outra, ótimos nomes surgem de lá, como o do HAIDUK, uma “one man band” que nos chega com seu terceiro álbum, “Exomancer”.

Análise geral: Sendo direto ao ponto, o trabalho musical do HAIDUKé o mais puro e bruto Death/Black Metal que se possa imaginar, como as primeiras bandas que ousaram fazer tal mistura nos anos 90, sendo apenas muito bem tocado em termos técnicos, com muitos momentos bem minimalistas. Mas isso não deixa que a música soar pedante ou mesmo tediosa. Nada disso: tudo soa com enorme energia e é altamente empolgante aos fãs de Metal extremo.

Arranjos/composições: Tendo apenas um integrante, fica óbvio que “Exomancer” mostra um trabalho musical bem pessoal. E é óbvio que a expressão musical do disco é acessível aos fãs, com linhas melódicas muitas vezes simples (que lembram as bandas da SWOBM dos anos 90). Se as músicas soam minimalistas e caóticas em vários momentos, foram um conjunto extremamente envolvente, com arranjos musicais que grudam em nossos ouvidos.

Luka Milojica (HAIDUK) 
Qualidade sonora: Com sua aura Death/Black Metal dos anos 90, fica óbvio que a sonoridade de “Exomancer” tem uma orientação mais para a crueza. Mas isso não significa que soe sujo demais ou mesmo sem que seja possível compreender o que é tocado. Longe disso: a crueza faz parte do trabalho, logo, é uma sonoridade emparelhada ao que as músicas pedem (embora um pouco mais de clareza fosse deixar tudo no ponto ideal).

Arte gráfica/capa: Para a concepção sombria do álbum, a capa não poderia ficar de outra forma: trabalhada em tons de preto, verde e branco, é algo sinistro, que encaixa no contexto musical/lírico ouvido em suas canções..

Destaques musicais: Se “Exomancer” possui elementos musicais que já são conhecidos, existe a personalidade de Luka Milojica (mentor e único músico do HAIDUK) pulsando em cada uma delas, que leva o grupo a nos dar algo bem pessoal. E se destacam entre as canções.

“Death Portent”: Muitas partes dissonantes, com técnica apurada e boas mudanças de ritmo. Se a técnica musical soa detalhista, a música sangra em vitalidade, sempre com ótimas guitarras.

“Unsummon”: Cheia de melodias e partes técnicas não convencionais, o ritmo é mais cadenciado, priorizando uma ambientação fúnebre e melancólica. As partes rítmicas estão ótimas.

“Evil Art”: Mais e mais as partes técnicas surgem de forma espontânea, mantendo a força da canção em seu jeito denso e mórbido de ser. Isso graças aos riffs de guitarra que remetem justamente aos primórdios da SWOBM.

“Icevoid Nemesis”: o Minimalismo técnico do grupo se mescla perfeitamente a uma ambientação soturna fúnebre semelhante a de clássicos como “De Mysteriis Dom Sathanas”e “The Shadowthrone”. Os vocais guturais aparecem menos, mas são bem marcantes.
“Crypternity”: Mais uma que se destaca devido aos arranjos bem encaixados de guitarras.

Ainda existem as instrumentais “Subverse”, “Doom Seer”e “Pulsar”, cada uma com sua própria estória a contar ao ouvinte.

Conclusão: A bem da verdade, o HAIDUK mostra em “Exomancer” que ainda tem muito potencial para transformar em música, e digamos de passagem: que a banda dure muitos anos, pois nos brindou com algo incomum e ótimo nos tempos atuais.

Nota: 88%


Tracklist:

1. Death Portent
2. Unsummon
3. Evil Art
4. Subverse (instrumental)
5. Icevoid Nemesis
6. Doom Seer (instrumental)
7. Pulsar (instrumental)
8. Blood Ripple
9. Once Flesh
10. Crypternity


Banda:


Luka Milojica - Vocais, todos os instrumentos


Ficha Técnica:

Luka Milojica - Gravação, mixagem, masterização
Caelan Stokkermans - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.haiduk.ca
Instagram:
Assessoria:





Bandcamp:

SOLFERNUS - Neoantichrist

Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Satanath Records
Nacional


Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: A ruptura dos países ligados ao antigo regime comunista da finada URSS trouxe ao mundo uma nova leva de bandas vindas de locais onde antes o Rock era visto como “subverso” e “causa do desvio” para a juventude. Hoje, onde outrora existiu a opressão, o Metal cresce e se desenvolve. E a República Tcheca há anos revela nomes muito bons. E não é à toa que bandas como o SOLFERNUS, de Brno, vem destroçando os ouvidos com “Neoantichrist”, seu segundo disco, lançado em 2017.

Análise geral: É um traço de bandas de países que antes estiveram atrás da finada Cortina de Ferro terem pessoalidades diferentes. E no caso do quarteto, não é diferente. O Black Metal do grupo é permeado de influências de Death Metal, Thrash Metal e mesmo vários elementos melodiosos, sem deixar de ser brutal e agressivo. Basicamente, a música é bem pessoal, diferente, e que tende a surpreender os fãs do gênero. E sim, é excelente!

Arranjos/composições: É fato que o SOLFERNUS evita se enquadrar dentro de um ou outro modelo musical, se nega a seguir regras. Por isso, a música do grupo sangra em energia, mas é feita sobre arranjos musicais ótimos. Tudo é bem feito, e ao mesmo tempo, as mudanças de ritmo evitam que os ouvintes fiquem se sentindo entediados. Longe disso, tudo em “Neoantichrist” é precioso e desce bem. Basicamente, é algo feito baseado em contrastes entre a brutalidade e o requinte. 

Qualidade sonora: O trabalho de Paul Dread e Pavel Kolařík na produção (com o último tomando conta da mixagem e masterização) garantiram uma sonoridade muito bem feita. Tudo é audível, sem que se perca a agressividade, e mantendo a energia nas alturas. Ao mesmo tempo, a escolha dos timbres dos instrumentos é de primeira. Pode-se dizer que a banda fez um esforço enorme para criar a excelente sonoridade de “Neoantichrist”, mas valeu a pena: tudo funciona bem balanceado.


SOLFERNUS

Arte gráfica/capa: Para uma banda de Black Metal, a arte da capa tem que ser algo chamativo, e mesmo polêmico. E Thomas Bruno criou algo do tipo, que é simples em termos de traços e cores. E além de despertar a atenção, é bem feito e que se encaixa com a proposta sonora do grupo.

Destaques musicais: No fundo, “Neoantichrist” é o tipo de disco que todo fã gostaria de encontrar mais vezes, pois é muito bem feito e a qualidade musical se distribui homogeneamente por todas as canções do disco. Mas destacam-se as seguintes.

“Ignis ~ Dominion”: Uma introdução com guitarras prepara o ouvinte para uma canção brutal, veloz e agressiva, que apresenta a banda e o disco aos ouvintes. Mas mesmo assim, mostra excelente nível técnico e belas melodias, além de toques de Thrash Metal em vários riffs de guitarra (sem contar que ainda existem partes de violão com melodias orientais aqui e ali).

“Glorifired”: A velocidade diminui um pouco, mas não a agressividade e o peso. As partes mais cadenciadas realmente se agarram aos nossos ouvidos, levando a cabeça do ouvinte a balançar sozinha. E é que trabalho de primeira dos vocais.

“Mistresserpent”: Mais arrastada e cadenciada, é uma canção de ambientação soturna, com o uso de efeitos fazendo fundo. Mas como as guitarras estão fabulosas, seja nas melodias transcendentais, seja nos riffs introspectivos.

“Pray for Chaos!”: A velocidade tramita entre o veloz e algo mais climático, e influências de Crossover/Thrash Metal surgem nas linhas melódicas. É a típica canção que se ouve e não se consegue esquecer, e ótimo trabalho de contrastes nos vocais e nos solos de guitarras.

“That One Night”: E o quarteto não cansa de nos surpreender, usando linhas de efeitos que realmente encaixam no meio de tanta agressividade. E é incrível o trabalho de baixo e bateria em termos de peso e técnica.

“Once Upon a Time in the East”: A força das influências externas ao Metal surge nessa canção, cujo andamento é cadenciado e bruto (com alguns momentos mais velozes à lá Old School Black Metal). Mais uma vez belas melodias aparecem, com ótimo uso de contrastes de timbres dos vocais.

“Neoantichrist”: Andamento mais lento na linha das primeiras bandas da SWOBM, mas sempre com excelentes melodias rascantes. Mais uma vez, a técnica de baixo e bateria surgem no meio desse azedume enegrecido e de bom gosto.

Conclusão: “Neoantichrist” vem para mostrar o que a República Tcheca tem de melhor em termos de Metal extremo, e verdade seja dita: o SOLFERNUS tem tudo para se estabelecer como uma das pontas-de-lança do Metal de seu país, pois qualidade não lhes falta.


Nota: 96%


Tracklist:

1. Ignis ~ Dominion
2. Glorifired
3. Mistresserpent
4. Pray for Chaos!
5. That One Night
6. Between Two Deaths
7. Once Upon a Time in the East
8. My Aurorae
9. Neoantichrist
10. Stone in a River


Banda:


Khaablus - Vocais
Igor - Guitarras, backing vocals, teclados, effeitos
Mamba - Baixo
Paul Dread - Bateria


Ficha Técnica:

Paul Dread - Produção
Pavel Kolařík - Produção, mixagem, masterização
Thomas Bruno - Arte da capa
Khaablus - Layout
Big Boss - Vocais em “Pray for Chaos!”
Hanz - Violão em “Ignis ~ Dominion” e “My Aurorae”


Contatos:

Site Oficial:
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Assessoria:




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