domingo, 27 de maio de 2018

HEAVATAR - Opus II - The Annihilation


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. None Shall Sleep
2. Into Doom
3. Purpose of a Virgin Mind
4. Hijacked by Unicorns
5. The Annihilation
6. Wake Up Now!
7. A Broken Taboo
8. An Awakening
9. A Battle Against All Hope
10. A Look Inside
11. Metal Daze (Manowar cover)
12. The Look Inside (orchestral)


Banda:


Stefan Schmidt - Guitarra base, vocais
Sebastian Scharf - Guitarra solo
Daniel Wicke - Baixo
Jörg Michael - Bateria


Ficha Técnica:

Heavatar - Produção, mixagem
Stefan Schmidt - Produção, mixagem
Jurgen Jusk - Masterização
Dan Lind - Arte da capa, design
Petter Olsson - Teclados, efeitos
Robin Matsson - Arranjos de cordas


Contatos:

Site Oficial: http://heavatar.net/
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Quando uma banda nova tem em sua formação integrantes já reconhecidos dentro do cenário musical, as comparações são imediatas. È comum expectativa de como a banda vai soar. Imagine isso quando um dos músicos tem vasta experiência e já tocou em nomes muito conhecidos. O nível de cobrança chega às nuvens!

É basicamente com isso que o quarteto alemão HEAVATAR, a nova banda de Stefan Schmidt (do VAN CANTO) e de Jörg Michael (do HEADHUNTER, ex-membro de bandas com STRATOVARIUS, RUNNING WILD e RAGE), tem que lidar. Mas graças aos esforços da Shinigami Records, temos em mãos a versão nacional de “Opus II: The Annihilation”, e assim, tirar as dúvidas.

No fundo, o que encontramos no disco é o bom e velho Heavy/Power Metal germânico, só que com uma roupagem mais moderna e pesada, mesmo com muitos inserts de música clássica (que chegam a ser referenciados no encarte do CD em cada música onde eles são encontrados). Óbvio que se você procurar bumbos constantemente à velocidade da luz, vocais agudos, pode ter uma certeza: não os encontrará por aqui com frequência (os vocais agudos, nem pensar). A vocação do grupo é mesmo pegar pesado, de forma mais agressiva, mas com as linhas melódicas do Power Metal. A técnica instrumental levada às últimas consequências também não é a tônica do trabalho, embora o quarteto tenha um bom nível técnico. O foco é criar músicas sólidas, e com excelentes melodias. Embora outros grupos já tenham feito algo semelhante, o HEAVATAR tem talento e se diferencia.

Em termos de produção, como dito, o grupo optou por uma sonoridade mais agressiva e moderna, que lhes permita soar mais pesados. Mas de forma algum estão com o som confuso, longe disso: está bem limpo, garantindo que o ouvinte entenderá o que é tocado sem dificuldades. Eles souberam balancear bem peso, melodia, agressividade e clareza sonora. E a arte da capa e design ficaram muito bons, embora seja algo já usado à exaustão.

Bons arranjos, músicas pesadas, melodias que entram nos ouvidos... Uma velha fórmula em termos de Metal, mas que nas mãos do HEAVATAR ganhou vida. O peso é tamanho que tem horas que esbarram no Thrash Metal (basta ouvir algumas passagens de “None Shall Sleep” e comprovarão o que digo). Mas é muito bom, e eles sabem dar uma diferenciada em sua música (novamente: não existem novatos no grupo).

Os melhores momentos do disco são: o peso agressivo das guitarras em “None Shall Sleep” (cheia de bases de primeira, solos melodiosos, e melodias sinuosas), o a essência do Power Metal clássico alemão de “Into Doom” (ótimo trabalho de baixo e bateria, backing vocals muito certinhos, com alguns bumbos mais velozes aparecendo), a empolgante e pesada “Purpose of a Virgin Mind” (bons duetos de guitarras, e as guitarras com timbres brutos destilam harmonias bem feitas), a cadência melodiosa criativa de “Hijacked by Unicorns”, os inserts de Beethoven na bruta e opressiva “The Annihilation” (uma prova do quanto o Metal tem ligações com a música clássica, sem mencionar o belo refrão), “An Awakening” e toda sua aura folk/pagan (belos vocais femininos), e na curta e bela “A Look Inside”. Mas ainda temos duas faixas bem interessantes: a versão bem pessoal do quarteto para “Metal Daze” do MANOWAR, que tem uma pegada pesadíssima e cheia de energia, mas respeitando a versão clássica; além de uma longa versão cheia de partes orquestrais para “The Look Inside” (de pouco mais de 2 minutos, chega a mais de 13, mas sempre com uma beleza ímpar).

Um disco muito bom, que vale a pena ouvir com toda calma do mundo, mas garanto: o HEAVATAR ainda vai dar muitas alegrias aos fãs. Por enquanto, “Opus II - The Annihilation” é um senhor lançamento.

Nota: 85%

WE SELL THE DEAD - Heaven Doesn’t Want You and Hell is Full


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Body Market
2. Echoes of an Ugly Past
3. Leave Me Alone
4. Imagine     
5. Turn It Over
6. Too Cold to Touch
7. Trust
8. Pale and Perfect
9. Silent Scream


Banda:


Apollo Papathanasio - Vocais
Niclas Engelin - Guitarras
Jonas Slättung - Baixo, vocais
Gas Lipstick - Bateria


Ficha Técnica:

Oscar Nilsson - Mixagem, masterização, engenharia
Dan Lind - Arte da capa, design
Petter Olsson - Teclados, efeitos
Robin Matsson - Arranjos de cordas


Contatos:

Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Vez por outra, quando músicos experientes começam um trabalho paralelo às suas bandas principais, é bom que os fãs se preparem, pois podem se decepcionar, já que em geral, eles buscam similaridades com os trabalhos das bandas que já conhecem. Por isso, é bom que se tome cuidado. Mas mesmo com a decepção dos mais fanáticos, em geral, encontramos trabalhos bem legais, que apenas distam das bandas já estabelecidas. Mas teria graça se os músicos se repetissem?

Por isso, é bom que se tome cuidado quando ouvirem “Heaven Doesn’t Want You and Hell is Full”, primeiro disco do quarteto sueco WE SELL THE DEAD, que acaba de chegar ao Brasil pela Shinigami Records.

No quarteto, só existem músicos experientes, mas os nomes de Niclas Engelin (guitarrista do IN FLAMES), Apollo Papathanasio (vocalista do SPIRITUAL BEGGARS), e Gas Lipstick (ex-baterista do HIM) podem dar uma ideia errônea do que a banda faz. Em “Heaven Doesn’t Want You and Hell is Full”, o grupo foca suas energias em um Metal tradicional à lá BLACK SABBATH da fase pós-Hughes com algo de Hard Rock clássico, e muito da estética do Gothic Rock. Óbvio que é diferente do usual ou do que todos poderiam esperar, e por isso, é muito bom.

Em termos de qualidade sonora, o disco é um tiro certo: não existe nada em termos de produção sonora que não tenha ficado extremamente bem cuidado. Tudo soa claro e compreensível, mas ao mesmo tempo, pesado e intenso. E como o disco tem uma forte carga emotiva, bem dizer melancólica, necessitava de algo encorpado, e eles conseguiram. Além disso, a arte visual acompanha todo o conceito musical da banda, priorizando tons de preto, branco e cinza em contrastes com vermelho, além da “cartoonização” dos membros da banda na capa e na arte do encarte ficou ótima.

Apesar de ser o primeiro disco do WE SELL THE DEAD, o quarteto já chegou com tudo, mostrando um trabalho realmente criativo, com linhas melódicas até simples, mas sempre carregadas de feeling. E isso tudo, apoiado na experiência dos integrantes tornam “Heaven Doesn’t Want You and Hell is Full” uma experiência e tanto. Aliás, é ouvir e gostar, não tem como, já que a banda capricha nos arranjos.

Usando uma visão melancólica Vitoriana ao mundo atual, as letras são excelentes, mostrando a realidade atual do ser humano. Sim, o disco tem todo jeito de seguir uma linha conceitual, logo, se preparem. A densa e pesada “Echoes of an Ugly Past” é uma faixa pesada, densa e cheia de passagens Doom Metal pesadas, mas revestidas de elegância (e que vocais maravilhosos). Já usando de uma estética toda Pos Punk/Gothic em cima de um andamento pesado, temos “Leave Me Alone”, que vai seduzindo o ouvinte com suas melodias bem introspectivas (e temos riffs bem simples, mas muito bem pensados). Já extrapolando na melancolia e introspecção, temos algo bem próximo ao Gothic Rock em “Imagine” (mais um belo trabalho dos vocais, com bons backing vocals). Indo ainda mais fundo no lado Gothic em algumas partes, “Turn It Over” mostra algo bem mais acessível (e com um trabalho simples, mas pesado, de baixo e bateria). Usando de arranjos de pianos muito belos, temos a balada “Too Cold to Touch”, que é bem diferente do contexto do álbum, mas que ficou uma joia rara (e que nos dá uma mostra da versatilidade dos vocais). Mixando peso e melancolia com maestria, temos “Trust”, outra pérola valiosa com melodias introspectivas simples. Rebuscando o lado mais pesado e bruto do grupo (sem que as melodias sejam obliteradas), temos “Pale and Perfect”, outra em que o feeling denso que permeia o disco está bem evidente nas guitarras, e são os mesmos elementos de “Silent Scream”, embora esta esteja com uma aclimatação ainda mais melancólica, fechando o disco com chave de ouro. Só não se menciona “The Body Market” porque a mesma é uma introdução.

Eles já começaram por cima com “Heaven Doesn’t Want You and Hell is Full”, e podemos considerar o WE SELL THE DEAD como um dos mais fortes candidatos ao posto de revelação de 2018 com certeza.

Nota: 98%



sexta-feira, 25 de maio de 2018

DYSNOMIA ‎- Anagnorisis


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Anagnorisis
2. Vorax Chronos
3. The Fall of Phaethon
4. Janus - Faced Serpents
5. Library of Babel
6. Prometheam
7. Occam’s Razor
8. Sertões


Banda:


João Jorge - Vocais, guitarras
Fabrício Pereira - Guitarras
Denilson Sarvo - Baixo
Érik Robert - Bateria


Ficha Técnica:

Dysnomia - Produção
Gabriel do Valle - Produção, mixagem, masterização
Carlos Fides - Artwork


Contatos:




Texto: Marcos Garcia


Sobreviver no Metal brasileiro é quase que uma prova de insistência, e não de resistência. O descaso dos fãs com as bandas nativas, as dificuldades econômicas, a falta de apoio e outros fatores mostram que não é fácil. E vejam que falo de um dos países com a cena mais diversificada de todos, pois tudo que é estilo tem representantes por aqui, e alguns que nem mesmo constam lá fora. Tem bandas no Brasil com sonoridades únicas, que vão sendo construídas na base da raça e lapidadas pelo tempo e dificuldades. E assim, com todos esses fatores, vem ao mundo “Anagnorisis”, segundo álbum do quarteto DYSNOMIA, de São Carlos (SP).

A verdade seja dita: eles estão em outro nível, cada vez mais evoluídos e diferenciados de outras bandas por aqui. Poderíamos dizer que eles seguem uma linha sonora que mixa o Technical Death Metal com o Thrash Metal moderno de bandas da Suécia como THE HAUNTED (mais lá no início da carreira), ou seja, é algo bruto e opressivo, mas bem tocado, com levadas empolgantes, ótimas melodias e passagens que grudam nos ouvidos. E podemos dizer que eles deram um passo adiante em relação ao ótimo “Proselyte” de 2016. A evolução é de saltar os olhos.

Ou seja, se preparem para ouvirem um dos melhores discos nacionais do ano!

Em termos de sonoridade, “Anagnorisis” consegue ter aquela fusão entre algo agressivo e pesado com aquele nível de clareza essencial. Tudo soa com timbres excelentes e bem definidos, e em todos os instrumentos estão ajustados nos devidos lugares. E a arte do disco é muito boa, com contrastes não muito convencionais, mas que encaixaram perfeitamente na proposta musical da banda.

Arranjos bem burilados, técnica e peso nas medidas certas, o DYSNOMIA faz com que a audição de “Anagnorisis” seja uma experiência prazerosa aos ouvidos dos mais iniciados. Ao mesmo tempo, se pode perceber que a inspiração está em alta, dosando a agressividade com inteligência. Houve uma autêntica catarse na música do grupo, que agora soa pessoal, algo deles.

Uma riqueza de arranjos musicais diversificados preenche “Anagnorisis”, com ótimos arranjos de guitarras e uma aula de mudanças de ritmo. Esta mesma riqueza vai preencher a voraz “Vorax Chronos” (que tem uma quedinha maior para o Death Metal, com um trabalho muito bom de baixo e bateria). E uma dinâmica de riffs interessante e com um toque de groove surge em “The Fall of Phaethon” (as partes mais lentas são excelentes, e que vocais). Um pouco mais tradicional em termos de Death/Thrash Metal é “Janus - Faced Serpents”, mas se preparem para uma torrente de energia com boa técnica que vai causar torcicolos. Mais uma vez se percebe certo toque de groove em algumas partes de “Library of Babel”, que transpira arranjos e detalhes de primeira. Em “Prometheam” se percebe como a capacidade da banda associar influências de Thrash e Death Metal é assustadora, com boas passagens e mudanças de tempos. Com um jeitão mais voltado ao Death/Thrash clássico (embora bem mais técnico), “Occam’s Razor” vem carregada de guitarras de primeira, com riffs certeiros e solos bem feitos. E fechando, “Sertões” tem trechos com clara influência de ritmos brasileiros, para dar uma ambientação melódica interessante ao trabalho agressivo do quarteto, bem como é uma das faixas mais diversificadas do disco.

Por todo disco, se percebem referências a autores de livros e obras, fazendo clara alusão aos temas das letras (vale a pena pesquisar sobre eles, garanto), o que torna “Anagnorisis” um disco inteligente e que deve ser apreciado em sua totalidade. Inteligência em tempos que o povo prefere cerveja a um livro...

O DYSNOMIAevoluiu, e começa a dar claras mostras que o Brasil vai ficar pequeno para eles. E esse disco é a mostra de quanto eles são capazes.

Nota: 100%

PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS ‎- The Age of Absurdity


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1.      Ringleader
2.      Freak Show
3.      Skin and Bones
4.      Gypsy Kiss
5.      Welcome to Hell
6.      Dark Days
7.      Dropping the Needle
8.      Step Into the Fire
9.      Get On Your Knees
10.  High Rule
11.  Into the Dark
12.  Silver Machine


Banda:


Neil Starr - Vocais
Phil Campbell - Guitarras
Todd Campbell - Guitarras, gaita
Tyla Campbell - Baixo
Dane Campbell - Bateria


Ficha Técnica:

Romesh Dodangoda - Produção, engenharia, mixagem
Christian Wright - Masterização
Matt Riste - Artwork


Contatos:

Assessoria:



Texto: Marcos Garcia


Desde 2015, um dos pináculos do Heavy Metal e do próprio Rock ‘n’ Roll, o inesquecível MOTORHEAD, descansa em paz. E merecidamente, já que a contribuição do grupo (seja como trio ou quarteto) para os estilos musicais citados acima é inestimável. Mas dizer que os músicos da banda iriam ficar parados é outra coisa. O baterista Mikkey Dee se encontra no SCORPIONS, mas o guitarrista Phil Campbell arregaçou as mangas e deu início a uma nova empreitada, PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS, que nos chega com “The Age of Absurdity”, e a Shinigami Records e Nuclear Blast Brasilbotaram o disco nas lojas por aqui.

Mas a que Phil e seus filhos (sim, quase todos os membros são filhos dele) estão vindo, afinal de contas?

Óbvio que muitos encontrarão similaridades com o MOTORHEAD, pois Phil passou 32 anos de sua vida na banda, ajudando a moldar uma parte de sua musicalidade. Mas são bandas ligadas apenas pelo “approach” mais visceral, sujo e espontâneo. Mas ao mesmo tempo, se percebe que o quinteto tem outras aspirações sonoras, com algumas incursões no Blues, e por aí vai. E “The Age of Absurdity” transpira espontaneidade e mesmo simplicidade, mas sempre com ótimas composições e boa dose de acessibilidade em muitos momentos. E esse disco cheira a bar, cigarros e whisky, verdade seja dita.

Para criar uma atmosfera mais simples e orgânica, o grupo trouxe Romesh Dodangoda (que já trabalhou com o MOTORHEAD, BRING ME THE HORIZON, BULLET FOR MY VALENTINE). Mas ao mesmo tempo, existe um feeling moderno, com boa dose de limpeza e muito peso. Tudo funciona perfeitamente, mesmo porque o quinteto não necessita de uma superprodução. E o lado gráfico ficou excelente, com uma apresentação digna de um disco de Rock ‘n’ Roll de raiz.

Basicamente, a música do PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS é baseada em feeling, ou seja, no bom e velho Rock ‘n’ Roll sujo sem compromissos com quem quer seja. O negócio aqui é pôr para fora o que se sente, sem firulas e sem querer saber da opinião alheia. As músicas soam espontâneas, com ótimas melodias de simples assimilação, um trabalho de peso e muita energia. É ouvir e gostar.

O disco é ótimo de ponta a ponta, sem deixar espaços para deméritos. Mas há momentos sublimes e dignos de palmas, como se pode ouvir na energia contagiante de “Ringleader”(um trabalho direto e ótimo das guitarras) e “Freak Show” (há momentos em que os andamentos remetem ao AC/DC, ou seja, uma base rítmica sólida e pesada), no jeito mais moderno de “Skin and Bones”, o Rock ‘n’ Roll descompromissado de “Gypsy Kiss” (mais uma vez, guitarras de primeira, e vocais bem encaixados), o jeitão bluesy cheio de feeling de “Welcome to Hell” (reparem bem o uso de uma gaita, um recurso bem pouco usado nas bandas mais atuais), a energia crua e direta de “Dark Days”, o toque de sensibilidade da balada “Into the Dark” (é, quase mesmo, pois os momentos mais pesados causam dores em quem tem próteses dentárias), e o coice melodioso e bruto de “Silver Machine”.

Podemos assim dizer que Phile família mostram que ainda podem dar muito ao Rock em “The Age of Absurdity”, logo, mãos à obra e ouçam até furar (o disco ou os tímpanos)!

Nota: 87%




FUNERATUS ‎- Accept the Death


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Accept the Death
2. Rise and Fall Again
3. Asphalt Eaters
4. Lost Souls
5. Indian Healing
6. Follow the Track
7. Victory
8. Vision From Hell
9. Endless Battle


Banda:


Fernando - Vocais, baixo
André Nalio - Guitarras
Guru Reis - Bateria


Ficha Técnica:

Funeratus - Produção
Joca - Produção
Andy Classen - Mixagem, masterização
Alcides Burn - Artwork
Fábio Laguna - Teclados na introdução de “Vision From Hell”


Contatos:

Site Oficial:



Texto: Marcos Garcia


A vocação para estilos extremos do Brasil sempre foi fonte de muitos trabalhos excepcionais. Mas cabe dizer às novas gerações que existem bandas de longa experiência tocando por aí, que são tão lendárias como gigantes de nosso cenário. Óbvio que mesmo o Metal não é justo, e muitos nomes ótimos ficam ocultos da maioria. Nisso, poucos sabem o quanto o trio FUNERATUS, de Mococa (interior de São Paulo), pode dar ao Metal extremo brasileiro. E seu terceiro álbum, “Accept the Death” vem mostrar isso, bem como coroar o ótimo momento da banda.

Uma das coisas mais extraordinárias de “Accept the Death” é ver como o grupo, dono de 25 anos de experiência e muitas lutas no underground, soube se adaptar aos tempos modernos sem abrir mão de sua musicalidade característica. Ainda temos no disco o bom e velho Death Metal bruto e agressivo até os ossos de sempre, com clara influência da Velha Escola dos anos 90, mas com muitas partes onde se percebe que eles não pararam no tempo. Ou seja, o trabalho do trio continua sendo um deleite para os fãs mais tradicionais, mas atualizado e pronto para novos desafios.

Ou seja, se preparem, pois eles estão com sede de sangue!

Gravado no Brasil, mas com mixagem e masterização feitas na Alemanha, a sonoridade de “Accept the Death” é excelente, mantendo timbres pesados e agressivos, mas com uma clareza assustadora. Sim, o disco tem peso e brutalidade em uma apresentação mais moderna e bem cuidada, no nível de grandes nomes de fora, mas sempre nos permitindo compreender o que eles estão tocando. E a arte da capa e do encarte são ótimas, antenadas com a proposta musical/lírica do trio.

Na ausência de álbuns desde “Echoes in Eternity” de 2004, o FUNERATUS vem com muita vontade e energia de sobra, fazendo de “Accept the Death” um disco ótimo, inclusive com arranjos musicais bem pensados. E a forma de tocar Death Metal e mesmo de sua sonoridade possuem assinaturas pessoais (vejam os timbres do contrabaixo, como ele é presente o tempo todo), o que torna a audição desse álbum algo realmente prazeroso.

A banda soube distribuir a inspiração em cada uma das composições, e destacam-se algumas por mera referência inicial. E o melhor de tudo: o trio funciona como uma unidade insana, capaz de esmagar pescoços!

A pancada seca e brutal de “Accept the Death” com seus riffs insanos, as passagens trampadas de “Rise and Fall Again” (ótimas mudanças de ritmo, mostrando a força e presença de baixo e bateria), a opressão esmagadora de “Lost Souls” (reparem que existem algumas partes bem jazzísticas em alguns momentos, sem falar que a banda novamente mostra mudanças de tempo muito boas), o dueto “Follow the Track” (nessa, o trio realmente soa como um tanque de guerra: coeso, brutal e técnico, e nas medidas certas) e “Victory” (o andamento não tão veloz ajuda a dar um peso enorme em algumas partes, onde a técnica da bateria fica bem evidente), e a pegada mais técnica e não tão veloz da instrumental “Endless Battle” (que não está aqui apenas para preencher espaço, mas mostra como a brutalidade característica do grupo consegue englobar um trabalho técnico ótimo).

Se realmente o terceiro disco de uma banda é um teste, podemos dizer que o FUNERATUS passou com louvor, pois “Accept the Death”mostra que são um nome extremamente relevante no cenário nacional, e que podem ocupar o espaço ao lado de bandas como KRISIUNe REBALLIUN sem temor. Música e raça para isso, essa banda tem de sobra.
  
Nota: 96%



sexta-feira, 18 de maio de 2018

MEMORIAM - The Silent Vigil


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Soulless Parasite
2. Nothing Remains
3. From the Flames
4. The Silent Vigil
5. Bleed the Same
6. As Bridges Burn
7. The New Dark Ages
8. No Known Grave
9. Weaponised Fear
10. Dronestrike V3


Banda:


Karl Willetts - Vocais
Scott Fairfax - Guitarras
Frank Healy - Baixo
Andrew Whale - Bateria


Ficha Técnica:

John Dewsbury - Produção, mixagem, masterização
James Pitt - Produção, mixagem, masterização
Scott Fairfax - Mixagem
Dan Seagrave - Artwork
Marcelo Vasco - Design, layout


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Texto: Marcos Garcia


No atual momento, a tendência (ou moda, como queiram) é rebuscar as sonoridades mais antigas. Sonoridades dos anos 70, 80 e mesmo os 90 andam fazendo a alegria de muitos, mas nem sempre encontramos a vibração, a essência da dita época na música. Isso é somente para aqueles que realmente viveram os tempos que referenciam, e em raríssimos casos, novatos conseguem aglutinar valor à herança deixada por veteranos. E ao ouvirmos o trabalho do quarteto inglês MEMORIAM, essa ideia fica ainda mais solidificada, pois temos uma banda jovem com integrantes experientes no que fazem. Ainda mais em “The Silente Vigil” segundo trabalho dos ingleses, que acabou de ser lançado no Brasil pela colaboração entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

Para aqueles que ainda desconhecem o quarteto, eles são todos ex-membros de bandas clássicas do Death Metal inglês como BOLT THROWER, NAPALM DEATH, CEREBRAL FIXe BENEDICTION. O que esperar deles?

Death Metal Ols School, pura e simplesmente, com aquele mesmo jeitão pesado, bruto e soturno que a escola inglesa legou para as gerações futuras. A diferença é que o MEMORIAMnão vive de passado, pois sua música soa viva e vibrante, com arranjos que grudam em nossos ouvidos. Ao contrário dos que imitam a velha guarda, esses sujeitos são da velha guarda, logo, a música deles tem o diferencial de que tanto falo: a energia, a vibração, a aura que apenas os veteranos possuem.

Sonoramente falando, “The Silent Vigil” possui uma transposição excelente do velho jeito do Death Metal de ser para os padrões atuais. Sim, a primeira coisa que se percebe é que a agressividade da banda é evidenciada por timbres instrumentais bem escolhidos. Mas ao mesmo tempo, baixo e bateria soam bem claros aos ouvidos, assim como os urros guturais estão ótimos (e a dicção não é prejudicada). E se preparem, pois o nível de brutalidade é absurdo!

Além disso, a arte da capa é ótima, evocando toda aura dos anos 90. Mas o nome de Dan Seagravena arte da capa, mais o de Marcelo Vascono design e no layout já dizem tudo. Dois mestres!

Massacrante, “The Silent Vigil” é, basicamente, um passo adiante de “For the Fallen” (2017). A banda soa bem mais coesa e centrada, o que acarreta em composições mais bem acabadas, com arranjos musicais ainda simples, e por isso, o trabalho do MEMORIAMé tão espontâneo, cheio de energia e empolgante. É ouvir e gostar, simples assim.

Disposto a não deixar pescoços inteiro, o disco inteiro é ótimo. Mas a veloz e bruta “Soulless Parasite” com suas ótimas passagens rítmicas (algo não muito trabalhado, mas sólido e pesado, permitindo que a canção evolua de forma bem harmônica), o peso opressivo dos andamentos não tão velozes de “Nothing Remains” (como esses vocais encaixam bem nas linhas instrumentais), o trabalho de primeira das guitarras em “From the Flames” (eles realmente empolgam, fazendo com que a cabeça se mova espontaneamente, e reparem bem como a base rítmica aparece mais uma vez), a cadenciada e azeda carga de “The Silent Vigil” e de “Bleed the Same”(que vocais ótimos, encaixados sobre riffs de guitarra de primeira qualidade, e isso em ambas as canções), o hino Old School que se ouve em “As Bridges Burn”, os arranjos sinuosos das guitarras de “The New Dark Ages”, e a carga lenta e bruta de “No Known Grave” e de “Weaponised Fear”. E ainda temos de bônus “Dronestrike V3”, um arregaço em velocidade mediana típica das bandas inglesas de Death Metal dos anos 90.

Finalizando, fica claro que o MEMORIAM é, antes de tudo, um herdeiro da essência do Death Metal Old School inglês, tanto pelo histórico de seus integrantes como pela música que apresenta. E “The Silent Sigil”é a prova cabal disso, bem como é um disco fenomenal!

Nota: 91%


DEEP PURPLE - Live in Long Beach 1971


Ano: 2018
Tipo: Disco ao Vivo
Nacional


Tracklist:

1. Speed King
2. Strange Kind of Woman
3. Child in Time
4. Mandrake Root


Banda:


Ian Gillan - Vocais
Ritchie Blackmore - Guitarras
Roger Glover - Baixo
Jon Lord - Teclados
Ian Paice - Bateria


Ficha Técnica:
  
Martin Pullan - Masterização
Paul Lester    Liner - Notas
Alexander Mertsch - Layout, artwork
Elliot Mass - Engenharia sonora


Contatos:

Assessoria:  

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Realmente, a banda com mais discos ao vivo em todo mundo deve ser o DEEP PURPLE. Em uma conta pessoal, eles chegam aos 30 títulos em toda sua história, mas é preciso dizer que cada um deles tem seu valor, e muitas vezes, uma estória para contar. E há algo de especial em “Live in Long Beach 1971”, que acaba de sair por aqui pela Shinigami Records.

O principal: temos uma apresentação da MK II em 30/07/1971, a mais clássica das formações do grupo. Esta apresentação ocorre pouco depois do lançamento de “Fireball” (cuja data é 09/07/1971), embora sem nenhuma faixa deste. O grosso do material é de “In Rock”, embora “Mandrake Root” venha do primeiro disco da banda, “Shades of Deep Purple”, e “Strange Kind of Woman” seja uma canção de um Single de fevereiro de 1971 (e que acabou sendo lançada nas versões do disco lançadas nos EUA, Canadá e Japão no lugar de “Devil’s Eyes” da versão europeia). Este show (onde o quinteto foi suporte para a banda de Rod Stewart, o THE FACES) foi transmitido pela rádio KUSC 91,5 FM, e mostra a banda destilando sua capacidade de improvisar nos palcos.

Sim, improvisação, algo que muitos fãs mais modernos, acostumados à música engessada, e muitas vezes fria e burocrática, talvez estranhem. Mas isso era comum naqueles anos de ouro onde rótulos e outras perdas de tempo não existiam. A música era o mais importante, e isso meus caros, o DEEP PURPLE sempre teve. Aliás, são mestres nisso!

A sonoridade do disco é extremamente orgânica, com a energia do quinteto “in your face”, e se consegue ouvir a performance individual de cada músico sem problemas. A remasterização de 2014 de um brilho a mais, sem descaracterizar a qualidade de áudio original. Além disso, o encarte é uma coisa linda, com fotos e detalhes da época, e toda uma explicação para aquela apresentação. Muito, muito bom.

O traço mais forte da MK II era que a guerra de egos entre os integrantes do DEEP PURPLE os levava a um misto de influências que criava um Hard Rock/Classic Rock sólido, agressivo e com ótimas melodias. Dos vocais bluesy gritados aos fraseados rocker com toque de música clássica, passado pelos teclados noir e uma solidez técnica de baixo e bateria, tudo funciona em equilíbrio, aglutinando influências e marcando época.

O disco tem 4 canções. Óbvio que isso vai causar estranhamento entre os fãs, mas é preciso lembrar que, em cada uma delas, o improviso é a tônica. “Speed King” e “Strange Kind of Woman”, hinos agressivos e potentes em suas versões originais, feitos com excelentes guitarras e vocais, aqui se tornam gigantes de mais de 11 minutos cada, onde a banda inteira mostra sua capacidade jazzística de improvisar. A vida que a clássica “Child in Time” ganhou graças aos longos solos de teclados é incrível, e saltou de seus 10 minutos originais para um gigante de 20 minutos. E de um Rock ‘n’ Roll clássico, “Mandrake Root” ganhou peso e uma interpretação vocal mais intensa e emotiva (por conta do toque bluesy da voz de Ian), sem contar que baixo e bateria está ótimo (falar do solo de guitarra é mera formalidade). Ou seja, a MK II consegue melhorar o material que a MK I gravou, graças a excelência de seus músicos.

Desta forma “Live in Long Beach 1971” documenta o auge da MK II, já que as guerras internas iriam desfazê-la em algum tempo.

Nota: 88%