sábado, 11 de novembro de 2017

JEV - Jev (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,0/10,0

Tracklist:

1. The Racing
2. Driver
3. Move it On
4. Syren
5. Wildest Youth
6. Your Look
7. When is Love
8. Heaven
9. Over This Time
10. Everytime I’ll Loose my Mind (Long Live Rock and Roll)


Banda:


Hebert Davis - Vocais
Cleiton Soman - Guitarras
Allan Tavares - Baixo
Jéssica Alessandra - Bateria


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


De alguns anos para cá, o Hard Rock/Glam Metal parece estar retornando com toda força pelo mundo todo, em especial na Europa. Mas como é legal saber que os ecos de tal renascimento estão chegando ao Brasil e trazendo uma nova geração de bandas do estilo por aqui. E de São José dos Campos (SP), lá vem o quarteto JEV, descendo o malho em seu primeiro disco, “Jev”.

Sim, é Hardão de primeira à lá SKID ROW, com toda aquela carga pesada e intensa, mas óbvio que existem toques de DEF LEPPARD, KISS e mesmo MOTLEY CRUE em alguns momentos, mas se percebe também que há muitas influências de sonoridades mais modernas na música do grupo. O instrumental é bem pesado e melodioso, mas cheio daqueles toques mais acessíveis e cada refrão que não sai mais da cabeça. E como a música deles flui com energia e espontaneidade. É ouvir e gostar.

Glaubert Ribatcuidou da produção, mixagem e masterização de “Jev”, tendo o vocalista Hebert Davis na co-produção. E a sonoridade do disco soa agressiva e bruta, cheia, justamente o que mostra como o grupo tem uma pegada bem moderna. Mas ela permite que as melodias e arranjos musicais fluam sem problemas. Poderia ser um pouquinho mais limpa e com timbres mais simples, mas está muito bom como está.

O JEV tem como ponto positivo não viver de passado, já que o disco não soa datado ou acumulando clichês dos anos 80. Longe disso, temos que “Jev” tem uma energia jovem, com músicas bem dinâmicas, melodias bem feitas e pesadas, sem exageros técnicos e apostando em canções grudentas. E a energia que transpira das canções vai nos envolvendo facilmente.

O disco é ótimo, mostrando em suas oito músicas muita energia e vida (tendo em mente que “The Racing” é uma introdução, e “Syren”e uma curta faixa feita com efeitos). Mas não destacar o peso melodioso, moderno e grudento de “Driver” com seu refrão marcante e guitarras bem arranjadas, as melodias arrasa-quarteirão e bicuda na porta de “Move it On” e seus vocais de primeira, o trabalho fundamental de baixo e bateria na mais cadenciada “Wildest Youth” (onde o lado mais KISS dos anos 80 fica bem evidente na base rítmica), a beleza sedutora da balada “When is Love”, e a energia mais crua e ríspida que surgem nas melodias de “Over This Time” e “Everytime I’ll Loose my Mind (Long Live Rock and Roll)”.

Um bom disco, mas o potencial da banda, pelo que pode ser percebido, é enorme. Logo, esperemos que “Jev”tenha sucesso e leve o quarteto a um segundo disco.

Aliás, “Jev” pode ser ouvidos nas plataformas digitais abaixo.

Google Play - http://bit.ly/2y8JIxO

BELLINI - Bellini (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 8,7/10,0

Tracklist:

1. O Que Aconteceu Aqui?
2. A Rua e a Lua
3. Não
4. Quase Sempre Disfarço
5. Meu Bem
6. Seguir
7. Como Ser Sincero
8. Música!
9. Sonho
10. Queria Bem Mais


Banda:


Bellini - Vocais, bateria
E. Damm - Baixo, guitarras, B3, backing vocals
Glauber Ribat - Bateria
Dudu Chermont - Guitarras em “O que Aconteceu Aqui?” e “A Rua e a Lua”
Fred Nascimento - Violão, gaita em “Sonho”


Contatos:

Site Oficial: www.bellinirock.com
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Para que certas coisas sejam bem entendidas em termos de Rock no Brasil, é preciso deixar claro que duas vertentes estão presentes no consciente coletivo de todos, mas é preciso defini-las: de um lado temos as que preferem algo mais sujo e com energia, apesar do forte acento melódico (caso de bandas como CASA DAS MÁQUINAS, GOLPE DE ESTADO, GOATLOVE e outros), e aquelas que conhecemos do chamado Rock Brasil dos anos 80, que tanto fizeram sucesso. Mas temos que falar uma verdade: transitando entre estes estilos está “Bellini”, primeiro disco do cantor BELLINI, de São Carlos (SP).

O estilo de BELLINIé simplesmente Rock ‘n’ Roll sem muito compromisso com vertentes. Momentos mais voltados ao Classic Rock podem ser ouvidos em muitas músicas (como fica claro em “O Que Aconteceu Aqui?”), outros mais Pop, e por aí vai. Mas se percebe que o cantor é bem talentoso, sabendo usar bem sua voz em todo disco, bem como cria melodias de fácil assimilação. Podemos dizer que o disco é um autêntico “tem pra todo mundo”, mas sempre bem feito e que irá satisfazer os ouvidos dos menos radicais.

Mixado e mixado no Estúdio Urca, no RJ, podemos dizer que a sonoridade de “Bellini” é bem interessante. Embora se perceba que não houve exageros que poderiam tirar a ambientação espontânea do disco, deixando tudo um pouco mais visceral, percebe-se que houve uma preocupação em soar claro e inteligível. Poderia ser melhor, óbvio, mas está bom.

O fato é: o cantor soube criar um disco interessante, com músicas que possuem melodias ótimas, refrãos que grudam nos ouvidos, e bom nível técnico nos instrumentos (sem exagerar, pois a proposta do trabalho não é essa). Os arranjos são bem simples, mas eficientes para se encaixar no objetivo de Bellini: ser um disco que seja, antes de tudo, divertido, descompromissado, e que possa entreter a todos.

Em dez canções, percebe-se a competência do disco em momentos mais clássicos em termos de Rock, como em “O Que Aconteceu Aqui?”, cheia de teclados inteligentes e linhas melódicas bem simples, com certo acento Bluesy; nas linhas harmônicas de “A Rua e a Lua”, onde alguns backing vocals ficaram bem encaixados e o refrão seduz o ouvinte, e mesmo partes mais pesadas como se ouve em “Meu Bem”, que possui toda aquela carga densa vinda do Blues. Mas o lado mais Pop Rock anos 80 surge com força em “Não” (as melodias dessa canção a tornariam um hit das rádios em 1985 ou 1986, com certeza), a melodiosa e mesmo ingênua “Quase Sempre Disfarço” (puro Pop Rock, cheia de alguns arranjos de guitarras bem legais, e que você na segunda audição já começa a cantar), a belíssima balada de voz, violão e teclados em “Como Ser Sincero”. Estas são as melhores canções, em que pese que o disco inteiro é muito bom.

No mais, “Bellini”é um disco convidativo, daqueles que se coloca no carro nas sextas à noite e se vai para as baladas curtir uma cerveja, um beijo, uma noite.

Ah, sim: você pode ouvir “Bellini” nas plataformas digitais.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PRIMATOR (Heavy Metal - São Paulo/SP)


Início de atividades: 2010

Discos lançados:  “Involution”

Formação atual: Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassie (guitarra), André Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria)

Cidade/Estado: São Paulo/SP


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

André Anjos: A banda nasceu entre amigos e a motivação foi a paixão comum de todos pelo gênero: heavy metal. Todos já tinham tido alguma experiência musical anterior em bandas cover e desta vez, desde o início, nosso desejo foi em ser uma banda autoral, que produzisse conteúdo e participasse ativamente da cena.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

André:  A maior dificuldade tem sido a falta de espaço em casas de shows e a ausência de eventos que promovam a divulgação de novas bandas. Atualmente tem sido bem difícil encontrar oportunidades destas bandas mostrarem seus trabalhos. Mas acreditamos que isso se dá pela baixa procura do público também.

Com relação a isso, vemos o cenário bem “morno”. Parece que há um certo saudosismo no público que consome este gênero que cria uma barreira que impede o fomento do cenário e a viabilização de novos trabalhos, mantendo o público como consumidor apenas das grandes bandas, de trabalhos de décadas atrás, ou ainda de bandas covers.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

André : Aqui em São Paulo o cenário não é diferente. Existem muitas casas destinadas ao público rock e com excelente estrutura para apresentações, mas a maioria, para não dizer a totalidade, destina seu espaço à grandes bandas, que trazem grandes públicos, ou a bandas que fazem covers de bandas famosas. Este cenário desfavorece a cena autoral e principalmente as bandas com trabalhos recentes.
O gênero por aqui tem se mantido pela força das bandas mesmo, que hoje produzem suas músicas e discos de maneira totalmente independente e com recursos próprios. O mesmo vemos acontecer com shows, onde as bandas participam ativamente da produção dos eventos, divulgação, estruturação e execução.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

André: É um comentário bem estranho (rs). Sei lá, dizer que está morrendo um gênero que já tem umas cinco décadas de existência, gerou e ainda gera tanta influência não só na música, mas também na cultura, estilo de vida... Não creio que o Metal esteja morrendo ou que um dia morrerá. Quem participa do meio e acompanha o que acontece sabe que boas bandas, nas mais diferentes vertentes do Metal, estão surgindo e renovando o gênero. Tem sido assim no Brasil e no mundo.

Acho que esse comentário é fruto desse saudosismo de parte do público, que ainda está agarrado aos grandes nomes do metal que estão a se aposentar com o passar do tempo, naturalmente. Também, cabe as novas bandas se posicionarem dentro deste cenário e assim encontrar um caminho de comunicação com esse público “órfão”, que após o luto da perda há de abrir os olhos para novas paixões (rs).

Essa é a dualidade que vivemos hoje, natural de um processo de renovação.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

André: Pergunta difícil! Mas acho que falta os atores da cena (público, bandas, produtores) entenderem que é responsabilidade compartilhada destas figuras fazer a cena acontecer. É frequente a reclamação de que a grande mídia não abre espaço para o gênero, que não há incentivos e assim por diante. E não que não seja verdade, mas o que cada um de nós faz de efetivo para mudar isso? Acredito que o caminho seja por aí, uma mudança de mentalidade e atitude nossa, que gere barulho e faça o Metal chamar atenção de cada vez mais gente.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

André: Antes agradecemos a oportunidade dada pelos amigos da Metal Samsara em divulgar nosso trabalho e o que pensamos. Muito bacana essa reflexão sobre a cena! Aos leitores que estão nos conhecendo, convidamos a ver nossos conteúdos nas redes sociais. E a todos, espero nos encontrarmos nos próximos shows da Primator


Mais  Informações:


Ouça To Mars, do CD “Involution”:

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Metal United World Wide: May 5, 2018!


Metal United World Wide (MUWW) is a project which brings together metal bands, fans, show organisers, media and other supporters for one big event. The idea is to have metal shows all over the world on the same date identified by the same banner. Everybody can be part and shows are individually organized. The aim is to create a world wide feeling of community as well as attract attention to the performing bands who are predominantly underground bands.

A community project needs community support. The project does not charge participation fees but relies on the support of the metal community. Around 20 show organisers have already agreed to put on a show on 5 May 2018 so far and there are a number of others interested. Below this text and at our website is the updated overview: 


Are you a band, show organiser, media representative or other metal institution? Do you already have a show or tour on that date? Do think this is a great project and you would like to get on board? Contact events@metal-roos.com.au. Everybody is welcome and can join. After all, this is Metal UNITED World Wide!!! \m/

We are proud to announce that Wacken Open Air has agreed to support our project. Please visit our list of partners to find out who else is on board. The list will be growing rapidly and of course you can be part. www.metal-united-world-wide.com/partners

Whatever you do, mark your diaries and be part of something special on 5 May 2018! \m/



EPICA: launch new 'Consign To Oblivion' live video + kick off EU tour!


Dutch symphonic metal giants EPICA are proud to announce the launch of their brand new live video for 'Consign To Oblivion'. The video was captured during EPICA's sold out show at the Zénith in Paris last February where the band closed their most successful European tour to date together with an excited legion of 5,000 fans! This live video perfectly mirrors the band's craving for non-stop innovation and for continuously improving their live performance. 'Consign To Oblivion - Live at the Zénith' will show you how the EPICA live experience has reached new dimensions once again!

Lead guitarist Isaac Delahaye comments on the video:

"Hey legion! Here's a live video we still had on the shelf. Glad we can take you into the world of 'Consign To Oblivion', the song that usually marks the end of an EPICA show. It's bombastic and builds towards an epic climax, and it's always fun to play. Enjoy watching, and see you soon during our European tour with VUUR and MYRATH!"

The video was captured and edited by Panda Productions. Check out this stunning video, here: 



This Thursday, EPICA will embark on their headline tour across Europe together with supports VUUR & MYRATH. All dates can be found below.


»The Ultimate Principle Tour 2017« w/ VUUR, MYRATH

09.11. PL Krakow - Klub Studio
10.11. CZ Zlín - Masters of Rock Café
12.11. D Berlin - Kesselhaus
13.11. D Hamburg - Markthalle
14.11. D Cologne - Essigfabrik
15.11. F Metz - La Bam
17.11. F Nantes - Stereolux
18.11. F Bordeaux - Krakatoa
20.11. E Madrid - La Riviera
21.11. P Lisbon - Meo Arena
22.11. P Porto - Hard Club
24.11. E Barcelona - Razzmatazz 1
25.11. F Marseille - Le Moulin
26.11. F Lyon - Le Transbordeur
28.11. D Stuttgart - LKA Longhorn
29.11. D Munich - Backstage
01.12. I Bologna - Estragon
02.12. CH Pratteln - Z7
03.12. F Lille - L'Aeronef


Tickets and VIP upgrades are available, here: www.epica.nl/tour

More EPICA dates:

w/ supports
06.04. UK Nottingham - Rock City
07.04. UK Glasgow - ABC1
08.04. UK Bristol - o2 Academy
10.04. IRL Dublin - Tivoli
12.04. UK Manchester - o2 Ritz
13.04. UK London - o2 Forum

14.04. NL Tilburg - 013 (w/ MYRKUR, OCEANS OF SLUMBER)
20. - 22.06. N Halden - Tons of Rock
02. - 04.08. D Wacken - Wacken Open Air
17./18.08. A Graz - Metal on the Hill



EPICA celebrates 1000th show anniversary at 013 Tilburg!

On Saturday 14th April, 2018 symphonic metal icons EPICA will celebrate their 1000th show anniversary at 013 in Tilburg, the Netherlands. After their recent sold out shows in the Netherlands, EPICA is more than proud to announce that they will perform this mile-stone event at the legendary 013 venue, the exact same venue where it all started for the band 16 years ago!

Rest assured that this night will be celebrated the right way as EPICA invited some very special guests to make sure this night will be remembered! Danish metal sensation MYRKUR and USA's progressive metallers OCEANS OF SLUMBER are already confirmed, and more guests are still to be announced!

Vocalist Simone Simons stated:

"Back in 2002, we could have never imagined that one day we'd be playing our 1,000th live show! This couldn't have happened without the support of our dearest and most loyal EPICA legion, so in order to make this an unforgettable night, we've invited some very cool guests to perform with us!"

Guitarist Mark Jansen added:

"I remember our very first show at 013, Tilburg as if it was yesterday. Back then we were supporting ANATHEMA, but now 16 years later, we'll have the honour to be celebrating our 1,000th show at the same venue as headliners. We could have never achieved this without the support of our loyal fans, so we definitely wanted to make this an amazing night to celebrate all together with also some very cool special guests! We hope to see you all in Tilburg!"

Early bird tickets are available now! You can also purchase a special bundle which includes an exclusive t-shirt of this show! You can order your preferred version via this link:


On September 1st, EPICA proudly unleashed their long-awaited EP »The Solace System«. This EP includes six brand new tracks, which were written and recorded during the process of their latest album »The Holographic Principle«, which charted worldwide!

Get your physical copy, here: http://nblast.de/EpicaSolaceSystem
Or from the EPICA webshop, here: http://smarturl.it/thesolacesystem
Purchase the digital versions or stream the songs, here: http://nblast.de/EpicaDigital

More on »The Holographic Principle«:
'The Solace System' OFFICIAL MUSIC VIDEO:
'Immortal Melancholy' OFFICIAL MUSIC VIDEO:

More info:

terça-feira, 7 de novembro de 2017

MIASTHENIA - Antípodas (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Ymaguare
2. Novus Orbis Profanum
3. Conjupuyaras
4. Antípodas
5. Ossário
6. 1542
7. Araka’e
8. Bestiários Humanos


Banda:


Hécate - Vocais, teclados
Thormianak - Guitarras, baixo
Nygrom - Bateria


Contatos:

Twitter:
Instagram:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


De alguns anos para cá, temos o surgimento de um movimento interessante no Brasil: o Levante do Metal Nativo, ou seja, as bandas que são conscientes das lendas mitológicas e cultura Pré-Colombiana. E elas têm a necessidade de levar adiante esse legado cultural da Alma Mater brasileira, tão judiada e esquecida por intelectuais e mesmo pelo público brasileiro de Metal.

E um dos nomes pioneiros nessa revolta é o do trio de Brasília MIASTHENIA, que há 23 anos luta no underground, sempre fazendo trabalhos relevantes e de bom gosto, e que chega com seu quinto álbum, “Antípodas”, que aqui é resenhado.

Fugindo da “capetologia” barata e manjada, o trio mergulha fundo nas lendas e mitos da América Pré-Colombiana, sempre embalados em um Pagan/Black Metal intenso e soturno, bem trabalhado e com excelentes melodias. A grande diferença é que em “Antípodas”, o grupo está explorando ainda mais seu lado melodioso, e mesmo duetos entre vozes masculinas e femininas podem ser notados. Se o simplismo nunca foi a tônica do trabalho musical do MIASTHENIA, mesmo com canções um pouco mais curtas, ele não se faz presente. E a energia crua e indomável do grupo se encontra em cada um dos detalhes do disco.

Em resumo: “Antípodas”é um disco maravilhoso, criativo e de altíssimo nível!

A produção é do veterano Caio “Dynahead” Cortonesi, que também fez a mixagem e masterização, tudo no BroadBand Studio, em Brasília. E mais uma vez, a qualidade sonora é muito boa, seca e bruta, mas sempre com aquela crueza essencial para o trabalho do grupo. Mas nem por isso é difícil de compreender os arranjos e melodias das canções, as linhas melódicas são bem definidas e os timbres instrumentais foram escolhidos com sabedoria.

A arte visual é assinada Márcio Menezes (da Blasphemator Art), com layout e encartes de Slanderer Crowley. Tudo transpira aquela aura de resistência nativa, da cultura perdida que clama por revide. E como ficou bonita nesses tons de verde. E se repararem direito, o Digipack possui contrastes em alto relevo na capa.

Hécate nas gravações do vídeo de “Conjupuyaras”
Musicalmente, “Antípodas”é o trabalho mais maduro do MIASTHENIA. Os arranjos e linhas melódicas sombrias se tornaram mais envolventes, ao mesmo tempo em que a essência da banda que conhecemos desde “XVI” se encontra intocada. Mas mesmo assim, percebe-se que o grupo está musicalmente mais maduro. Além do mais, mesmo que não seja a intenção, temos nas mãos um disco conceitual, narrando a empreitada do conquistador Francisco de Orellana (que ajudou Francisco Pizarro na conquista do Peru) que desceu o Rio Amazonas de sua origem nos Andes até o Oceano Atlântico, mas sob a perspectiva Pagã dos indígenas. Além disso, percebe-se a valorização do feminino no disco, a força da mulher emancipada e forte na figura das Amazonas (ou Coniupuyaras, como são chamadas no disco). Musicalmente, mais maduros, a banda está usando mais solos de guitarras que antes, duetos de vocais limpos com rasgados, ótima técnica instrumental, e justamente estes elementos dão mais vida à sua música de primeira que eles estão fazendo.

“Ymaguare” é uma introdução grandiosa e cheia de corais indígenas, mostrando a necessidade de se opor para se manter íntegro, que é seguida por “Novus Orbis Profanum” (ou “Novo Mundo Profano”), uma música cheia de linhas melódicas bem feitas, rica em grandes momentos de teclados e belas melodias das guitarras, tudo para mostrar a vinda dos colonizadores que vieram em busca de riquezas. Em “Conjupuyaras”, a brutalidade tétrica do grupo se alia a uma pegada mais dinâmica e alguns momentos ainda mais agressivos, mas reparem como os vocais estão de primeira (assim como baixo e bateria), tudo para contar a luta de Orellana contra a resistência por parte das Icamiabas (tribo guerreira formada exclusivamente de mulheres, conforme narrado por Frei Gaspar de Carvajal, um religioso que acompanhava Orellana). Em “Antípodas”, a banda mostra uma canção com uma forte ambientação sinistra, algo na sua pegada mais antiga, cheia de belos riffs de guitarra, tudo para que se compreenda que os colonizadores não conseguiam compreender a cultura dos povos da América, apenas sendo atormentado por pesadelos terríveis à luz da fé cristã, onde eram atormentados.  A saga do conquistador continua em “Ossário”, cheia de uma energia crua envolvente, onde mais uma vez as guitarras e teclados se mesclam em arranjos lúgubres, evocando os locais sagrados dos sacrifícios humanos das Amazonas, cheios de ossos. “1542” é o ano em que a jornada de Orellana se encerra na foz do Rio Amazonas, na Ilha de Marajó, onde ainda se encontra em fuga das Icamiabas, buscando retornar ao Velho Mundo, mas sob as maldições e pragas de suas perseguidoras que os acompanharão pelo resto da vida, e segue-se uma canção soturna e opressiva, onde os teclados e vocais ganham uma dimensão de maior destaque. Mais tradicionais no estilo da banda são “Araka’e” (arrasadora e rápida, com um trabalho excelente de baixo e bateria) e “Bestiários Humanos” (mais lenta, densa e introspectiva em seu início, mas logo ganha mais agressividade e energia, com guitarras ótimas e vocais rasgados incríveis), que apesar de aparentemente não estarem ligadas ao tronco principal das letras do disco, mostram a resistência dos povos pagãos da América do Sul aos ritos e costumes dos conquistadores. 

O MIASTHENIA é sempre excelente, um dos grandes nomes do Metal do Brasil. No fundo, “Antípodas” não só coroa um momento de pura criatividade da banda, mas mostra que o trabalho do grupo é grande demais para o Brasil.

E segue a resistência do Metal Nativo!



DR. GORI (03/11/2017 – Magé Tênis Clube – Magé/RJ)


Texto/Fotos: Marcos “Big Daddy” Garcia


Feriadões são complicados para o cenário musical, já que no RJ, é comum que grandes parcelas da população se desloquem para a Região dos Lagos do estado. Mas mesmo assim, o quarteto mageense DR. GORI fez sua parte e levou um bom público para as dependências do Magé Tênis Clube na quente sexta-feira, dia 03/11. O quarteto ainda aproveitou para fazer o lançamento oficial de seu DVD.

O público foi de pessoas que conheceram o trabalho de bandas locais como CENTRAL DO BRASIL, COMUM ACORDO, GOOX, ESTADO CRÍTICO e outros da segunda metade dos anos 80. Ou seja, pessoas que gostam do Rock Pop Brasil oitentista, e de bandas internacionais da época.


A noite estava agradável, o clima era quente (mas não sufocante), até que após as 23h00min, Jovani(vocais), Fábio (guitarras), Nideílson (baixo) e Marcelo “Uruba” (bateria) subiram ao palco e começaram sua apresentação.

O repertório do quarteto é composto de covers dos anos 80. Óbvio que o grupo possui canções próprias, mas deu ênfase a versões de bandas como ULTRAJE A RIGOR, LEGIÃO URBANA, BARÃO VERMELHO e outros. Acredito que, por ser um show comemorativo (lembrando: a banda estava lançando seu DVD), ou seja, uma festa onde se dispuseram a divertir o público e se divertirem, eles fizeram esta opção.

Ao vivo, a banda toda é muito coesa e se sai bem. Jovani canta bem, tem boa postura ao vivo e sabe se comunicar com o público, mesmo ponto forte do guitarrista Fábio (bom no que faz, se saindo bem mesmo nos momentos de improvisos). Nideílsoné um ótimo baixista, toca bem, mas precisa urgentemente sair do fundo do palco, ser mais visto pelo público (timidez não faz parte do jogo, meu caro). Já Marcelo na bateria se sai muito bem, com boa técnica e segurando firme o ritmo.


O som estava bom, mas como o Magé Tênis Clube não possui a melhor acústica do mundo, o som da guitarra acabou ficando muito baixo. Sim, o som da banda estava claro, você conseguia ouvir os instrumentos, mas a guitarra estava baixa demais.

O show em si foi bem divertido e com uma boa dose de energia, com o público dançando ao som de músicas como “Por Que Que a Gente é Assim?”, “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, além de momentos de participação de metais em alguns covers de LULU SANTOS e PARALAMAS DO SUCESSO. Mas os melhores momentos foram quando tocaram “Último Romântico” e “Lanterna dos Afogados”.


Uma crítica bem pessoal: um setlist mais curto seria bem vindo, além de uma fórmula de 50% do repertório ser de musicais autorais do grupo, e 50% dele de covers. Eu sei que se não houver covers não dá público, pois conheço o público da cidade. Mas teríamos como fazer uma análise um pouco mais profunda.


No mais, uma boa noite, diversão garantida para quem lá esteve no show, dor de cotovelo para quem não foi, e uma alternativa de diversão para quem não quis ficar se espremendo em casas de praia ou hospedarias lotadas em busca de água salgada.