terça-feira, 22 de agosto de 2017

AYREON - The Source (CD Duplo)


2017
Nacional

Nota: 9,7/10,0

Tracklist:

Disco 1:

1. The Day That the World Breaks Down
2. Sea of Machines
3. Everybody Dies
4. Star of Sirrah
5. All That Was
6. Run! Apocalypse! Run!
7. Condemned to Live


Disco 2:

1. Aquatic Race
2. The Dream Dissolves
3. Deathcry of a Race
4. Into the Ocean
5. Bay of Dreams
6. Planet Y is Alive!
7. The Source Will Flow
8. Journey to Forever
9. The Human Compulsion
10. March of the Machines


Banda:


Arjen Lucassen - Guitarras, baixo, bandolim, sintetizadores, Hammond, solina strings
Ed Warby - Bateria


Convidados:


James LaBrie - Vocais (como o Historiador)
Tommy Karevik - Vocais (como o Líder da Oposição)
Tommy Rogers - Vocais (como Químico)
Simone Simons - Vocais (como a Conselheira)
Nils K. Rue - Vocais (como o Profeta)
Tobias Sammet - Vocais (como o Capitão)
Hansi Kürsch - Vocais (como o Astrônomo)
Michael Mills - Vocais (como TH-1)
Russell Allen - Vocais (como o Presidente)
Michael Eriksen - Vocais (como o Diplomata)
Floor Jansen - Vocais (como a Bióloga)
Zaher Zorgati - Vocais (como o Pregador)
Will Shaw - Backing vocals
Wilmer Waarbroek - Backing vocals
Lisette van den Berg - Backing vocals
Jan Willem Ketelaars - Backing vocals
Joost van den Broek - Piano
Ben Mathot - Violino
Maaike Peterse - Violoncelo
Jeroen Goossens - Instrumentos de sopro
Paul Gilbert - Guitarra solo
Guthrie Govan - Guitarra solo
Marcel Coenen - Guitarra solo
Mark Kelly - Sintetizadores


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Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Álbuns de Rock Progressivo ou de Prog Metal nunca são muito simples de serem abordados. Digo isso devido à forte carga técnica e às muitas variações instrumentais que existem em trabalhos do gênero. Muitos possuem a mais errada das idéias: que discos do gênero são cansativos, enfadonhos e entediantes.

Este autor costuma dizer que sempre surge um disco que quebra qualquer tipo de concepção errada, que coloca regras e dogmas no chão. E verdade seja dita: o multi-instrumentista e compositor holandês Arjen Lucassen é capaz de fazer qualquer um rever suas idéias, especialmente quando falamos do projeto dele, o AYREON. E o décimo disco de estúdio deste, chamado “The Source”, realmente é destruidor de concepções errôneas.

Musicalmente falando, temos uma mistura de Metal Sinfônico com elementos de Prog Metal e mesmo muita “vibe” de Rock Progressivo fluindo desse disco. Óbvio que esse tipo de mistura não é lá tão novo assim, mesmo porque o projeto já faz isso há quase 25 anos, mas a abordagem de Lucassen foge do trivial, pois mesmo os momentos mis complexos de “The Source”não quebram sua acessibilidade. Sim, é bem trabalhado, cheio de partes Progressivas e sinfônicas, mas mantendo um enfoque melódico (proposital ou não) de que o produto final possa ser assimilado por um público cada vez mais amplo. E isso com uma gama de vocalistas e músicos convidados que faz o conceito de Ópera Rock chegar bem perto de seu sentido mais interior: uma orquestra Heavy Metal, onde somente Lucassen e Ed Warby (baterista do GOREFEST nos anos 90) sejam os músicos que participam de todas as canções. E imaginem isso em um disco duplo de estúdio!

E como já é de praxe, montar uma sonoridade consensual e sólida com tanta gente assim é um verdadeiro parto sem anestesia. Só mesmo a batuta do maestro Arjen Lucassen na produção, mixagem e gravação para garantir isso, sendo que as vozes de James LaBrie, Hansi Kürsch, Tobias Sammet, Russell Allen e Tommy Rogers foram captadas por outros técnicos. E na masterização, Brett Caldas-Lima e Pieter Kop fizeram um ótimo trabalho, garantindo que “The Source” soe pesado, claro e coeso, como se todos estivessem trabalhando ao mesmo tempo e no mesmo estúdio (só o timbre da caixa que poderia ser um pouco mais bem acabado).

A arte, por sua vez, é um trabalho primoroso de Yann Souetre, que buscou retratar todo conceito da obra em sua arte, que ficou excelente, ancorando visualmente a música dos dois discos.

Como já é de praxe em termos de discos do AYREON, “The Source” é um disco conceitual, e apresenta a volta do grupo ao tema de ficção científica, em quatro diferentes partes (“The Frame”, “The Align of the Ten”, “The Transmigration” e “The Rebirth”). Mas óbvio que isso acaba forçando a banda a se superar musicalmente, a ir adiante e criar algo diferenciado. E conseguem, pois o disco é absurdamente ótimo.

É difícil achar uma música que se destaque, mas indicamos as seguintes:

No disco 1, indicamos a longa e variada “The Day That the World Breaks Down”, com suas melodias grandiosas e orquestrações singulares (fora belas guitarras), o belíssimo trabalho dos violinos em “Sea of Machines” e seus belos duetos e teclados, a graça sutil e Folk que surge espontaneamente em “All That Was” (que belíssimos vocais femininos!), o sabor mais agridoce de “Run! Apocalypse! Run!” e suas partes “heavyssívas” com ótimos teclados e bom trabalho de baixo e bateria, e a bem trabalhada e cheia de arranjos melodiosos “Condemned to Live”.

No disco 2, temos uma pedrada bem pesada logo de cara que se destaca, que é “Aquatic Race” e seus riffs mais densos (embora existam partes melodiosas bem envolventes), a mezzo lenta e mezzo pesada “The Dream Dissolves” (nas partes mais introspectivas, os teclados mostram arranjos belíssimos), a belíssimas partes vocais em “Into the Ocean” e seu jeitão Progressivo anos 70, a grandiosa e mais rápida “Planet Y is Alive!” (com muitas guitarras ótimas e uma base rítmica excelente), a cálida e intimista “The Source Will Flow”, a ganchuda e envolvente “Journey to Forever” com seu refrão excelente e seus arranjos Progressivos/Folk que remetem bastante ao Progressivo de nomes como YES e JETHRO TULL em certos momentos, mesmos elementos presentes em “The Human Compulsion”. E o encerramento quase agonizante e mecânico de “March of the Machines” nos chama à reflexão dos perigos de usar demais a tecnologia.

Grandioso e complexo, mas acessível e envolvente, “The Source” irá conquistar ainda mais fãs para o AYREON, sem dúvidas. E aproveitem a versão nacional, que a Hellion Records colocou nas lojas!




SODOMA - Mutapestaminação (Álbum)


2017
Selo: Altera Pars Records
Nacional

Nota: 9,7/10,0


Tracklist:

1. Audiatur et Altera Pars
2. Pesthereticanonica
3. 7Strega
4. Mutapestaminação
5. Libertinos
6. Devora-te
7. Ramaerata
8. Destrói Dei Verbum
9. Viperovz Papisa


Banda:



Hate Devoro - Vocais, baixo
Samidarish - Guitarras
Seth - Guitarras
Dagon - Bateria


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/sodoma (Media Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma banda com identidade já definida pode, entre um disco e outro, sofrer um processo evolutivo. Óbvio, mas acontece de forma que, muitas vezes, não somos capazes de prever. E quanto maior o intervalo de tempo entre dois discos, mais claramente se percebe a evolução de um grupo. E no caso do quarteto SODOMA (de João Pessoa, Paraíba), é evidente ao ouvirmos “Mutapestaminação”, seu novo álbum que acaba de sair, o quanto o grupo evoluiu.

Seis anos separam “Sempiterno Agressor” (penúltimo álbum da banda) e “Mutapestaminação”, e vemos que o Death/Black Metal do grupo evoluiu muito em todos os quesitos. Está mais bem acabado, mais agressivo que antes, com um jeitão um pouco mais envolto no Black Metal, de onde o trabalho atual herdou melodias sombrias. O nível de esporreira sonora do grupo cresceu ainda mais, sem dó os ouvidos alheios, mas ao mesmo tempo, a qualidade estética como um todo está em níveis estratosféricos.

Ou seja, “Mutapestaminação”é um disco infernal em todos os sentidos. Inclusive em ser um disco marcante para o gênero.

As nove canções do álbum passaram pelas mãos de Victor Hugo Targino na produção, mixagem e masterização. Mas o resultado é que, apesar de bruto e explosivo na agressividade, “Mutapestaminação” soa claro e limpo, com timbres instrumentais bem selecionados e pesados. Óbvio que tem aquela dose de peso e crueza que os grupos do gênero precisam ostentar em seus discos, mas a qualidade beira o soberbo.

A arte visual é de primeira, com uma capa desafiadora (feita por Rafael Tavares), layout inteligente, além da diagramação do encarte ser mais simples, mas eficiente e chega onde o grupo quer. E isso em um Digipack interessante, que já pudemos ver antes em bandas do Norte e Nordeste.

E se preparem, pois o SODOMAmostra que veio com sede de sangue e luxúria, soando mais agressivo e requintado que antes. Os arranjos estão muito bem feitos, preenchendo todos os espaços, sem contar que a entrada do baterista Dagon deu mais peso e diversidade aos ritmos do grupo. Maduro, requintado e agressivo até a raiz, é uma regurgitada brutal nos cornos de qualquer atrevido que lhes cruze o caminho.

Essa matilha se esforçou para criar um disco de quebrar os ossos e dentes alheios e fazer história. São nove massacres sonoros de primeira grandeza, cantados em português e mostrando letras bem construídas.

Melhores momentos: a insana e técnica “Pesthereticanonica” e sua tempestade de riffs e solos brutais (uma velocidade extrema, mas com boas mudanças rítmicas), o inferno veloz e opressivo de “7Strega” e seus vocais insanos (e isso sobre um instrumental muito bem feito), o ataque assassino de uma base rítmica sólida e técnica em “Mutapestaminação”(como a bateria está técnica, forçando o baixo a se superar), a libidinosa e provocante “Libertinos” e suas melodias brutais, a mais tradicional em termos de Death/Black Metal “Devora-te” (embora o trabalho dos vocais seja bem diferente do que conhecemos), as partes soturnas e mais cadenciadas da foice musical chamada “Ramaerata”(que guitarras as desse quarteto!), a carnificina de “Destrói Dei Verbum” e novamente a base rítmica cometendo um massacre de ótimo bom gosto (com técnica e um peso salutar), e a o holocausto de pecado e morte que exala da veloz “Viperovz Papisa” e seus vocais insanos (mas como os ritmos se alternam sem que a canção oca). E a introdução “Audiatur et Altera Pars”, que inicia o disco, serve para convocar todos os lobos dessa matilha para um massacre sonoro absurdo e de extremo bom gosto. Ou seja, falei de todas para mostrar como o disco é de alto nível.

Deixem-se seduzir pelo trabalho do SODOMA e unam-se à Matilha para uma caçada de sangue, morte e luxúria ao som de “Mutapestaminação”. Vão gostar da experiência!





DESDOMINUS - Without Domain (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. Supremacia Underground
2. Opposition Warrior
3. Without Domain
4. False Creator’s Creator
5. The Other Side... (Atheist Mind)
6. Intro
7. Reality of Whispers Mine
8. Ejaculate in Your Stupidity
9. The Fall and the Vision
10. Judgement of the Souls


Banda:


Douglas - Vocais, guitarras
Willian Gonsalves - Guitarras, violão, vocais limpos
Ney Paulino - Bateria, narrações poéticas


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Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem discos lançados por bandas do Brasil que, mesmo com o desdém do fã nativo, se tornam clássicos com o passar dos anos. E ao mesmo tempo, vão ficando raros, esgotados, ainda mais nesses tempos em que as mídias físicas andam perdendo espaço para o formato digital. Por este motivo, podemos dizer que o selo Heavy Metal Rock é corajoso em disponibilizar mais uma prensagem para “Without Domain”, primeiro disco do DESDOMINUS, de Americana (SP). E tanto gravadora como banda merecem aplausos por isso.

O tempo não passa para “Without Domain”, mesmo depois de 14 anos desde seu lançamento original. E verdade seja dita: a vocação do grupo para criar um Blackened Death Metal melodioso à lá DISSECTION já era perceptível, naqueles tempos. Mas não se enganem: o grupo (um trio na época) já mostrava a que vinha naqueles tempos, que tinha talento e personalidade suficientes para criar algo grandioso, com linhas de guitarras que mostravam a mistura perfeita entre brutalidade e melodia, baixo e bateria com boa técnica, e com vocais bem rasgados típicos do Black Metal. E verdade seja dita: mesmo com esse tempo todo, a música deles não soa datada em nada.

Ou seja, “Without Domain” ainda é um disco maravilhoso.

A produção sonora que o grupo teve na época foi muito boa. Firme, suja nas devidas proporções para manter o trabalho agressivo, mas permitindo a compreensão do ouvinte, cada uma das faixas está com uma sonoridade muito boa. Mesmo nas faixas oriundas da Demo Tape “Judgement of the Souls” (de Junho de 1999) estão com boa sonoridade. Poderiam ser melhores, óbvio, mas elas não só encaixam bem no contexto da música do grupo, mas era o que se podia fazer na época.

A arte, por sua vez, ficou ótima para capa e contracapa, e o encarte poderia ter sido mais bem feito em termos de cores, com letras mais claras nesse fundo escuro. Mas ficou bom, e nessa versão, o disco é em Digipack, um atrativo a mais.

Com bom nível técnico e muita personalidade (inclusive vocais femininos podem ser ouvidos em “Reality of Whispers Mine”), o trio convence por uma música bem feita e agressiva, mas com lindas melodias dando total embasamento ao que eles podiam fazer. E não é pouco, inclusive com narrativas poéticas em nosso idioma no início das canções.

A rispidez e criatividade musical do DESDOMINUS transcendem todas as dificuldades, em especial a raivosa “Supremacia Underground” com seus vocais rasgados e boas mudanças de ritmo (entremeadas por boas melodias), a fúria brutal e trabalhada de “Opposition Warrior” (baixo e bateria mostram boa técnica e entrosamento), a bem feita e com arranjos fenomenais de guitarras e vocais “Without Domain” (alguns vocais limpos aparecem aqui e ali, bem como melodias surgem dos riffs do grupo), “False Creator’s Creator” e seu início com linhas de violão, que logo dão espaço à riffs melodiosos, um andamento um pouco mais lento e com boas variações rítmicas (com baixo e bateria guiando essas mudanças sem nenhum percalço), e o outro melodioso de “The Other Side... (Atheist Mind)”, feito com voz e violão. A idéia que de inicio temos é que “Without Domain” seria um EP, mas que recebeu a adição das faixas da Demo Tape “Reality of Whispers Mine”, onde vemos faixas ótimas como “Reality of Whispers Mine” e seus belas passagens de guitarras, a mais brutal e opressiva “Ejaculate in Your Stupidity”, a mais cadenciada e envolvente “The Fall and the Vision”, e os contrastes entre violência desmedida e partes melódicas introspectivas de “Judgement of the Souls” nos permitem ver que a banda se manteve consensual e fiel às suas raízes, mas sabendo evoluir.

No mais, o DESDOMINUScontinua sua saga no Brasil, mas a facilidade de ter mais uma vez “Without Domain” é algo maravilhoso. Quem já tem a versão original vai querer pelo Digipack, e quem ainda não tem, enfim terá esta obra maravilhosa do Metal brasileiro.

Ouça sem moderação alguma!

MORCROF - Codex Gnosis Apokryphv: Portae Ex Solis Svrsvm Aqvilonem (Single)


2015
Nacional

Nota: 9,1/10,0

Tracklist:

1. Prealvdivm: Aperite Portae
2. Portae Ex Solis Svrsvm Aqvilonem


Banda:


Eziel Kantele-Väinö - Vocais
Brahmss Kermanns - Teclados
R’Bressan - Guitarras
C’Borges - Guitarras
Paullus Moura - Baixo, backing vocals
R’Herton - Bateria


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Assessoria: http://www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/(Cangaço Rock Comunicações)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O cenário Black Metal brasileiro, apesar dos muitos problemas existentes nele, é um dos melhores do mundo. Somente nessas terras existe a diversidade sonora em basta observar que cada vertente do Black metal existe por aqui. E honrando a velha escola, o Brasil tem o veterano MORCROF (de São Paulo), com seus 25 anos de experiência. E enquanto aguardamos a chegada de seu novo disco, vamos aproveitando do Single “Codex Gnosis Apokryphv: Portae Ex Solis Svrsvm Aqvilonem”, de 2015.

Ainda temos o bom e velho Black Metal soturno e de andamentos cadenciados, onde se tem a clara influência da escola grega, especialmente do VARATHRON, mas com melodias subjetivas e teclados à lá ROTTING CHRIST, mais a identidade própria do grupo. Os arranjos de teclados dão aquele teor mórbido e sombrio ao grupo, que possui um ataque de guitarras excelente (com ótimos riffs, onde as melodias têm sua origem), mais um trabalho técnico e pesado de baixo e bateria (pois manter esses tempos mais lentos interessantes durante todo o tempo não é algo simples de se conseguir), e ótimos vocais que oscilam entre timbres operísticos, guturais fúnebres e alguns momentos mais rasgados. É uma fórmula que, sabendo aplicar, não tem erro, ainda mais quando o grupo sabe ser criativo.

A produção consegue dar uma sonoridade que é sombria, mas clara para que compreendamos o que o sexteto está fazendo. Óbvio que a qualidade poderia ser melhor, já que os timbres de baixo e bateria poderiam mais bem definidos, mas mesmo assim, está em um nível bom. Aliás, talvez esse jeito mais cru e sujo seja mesmo o que a banda deseja, mas sem que afete a nossa compreensão.

O Single tem duas faixas: “Prealvdivm: Aperite Portae”, que serve como introdução para a sinistra “Portae Ex Solis Svrsvm Aqvilonem”, uma moenda de ossos pesada e azeda, cheia de linhas melódicas mórbidas, vocais que alternam de timbres, e a parte instrumental é pesada e intensa, além de muito bem feita. A canção ultrapassa os 8 minutos de duração, mas faz parte da identidade do grupo ser assim. É parte do que o MORCROF é, e sempre rende ótimos frutos.

No mais, aguardemos ansiosos por seu mais novo trabalho, que se chamará “.:.CODEX.GNOSIS.APOKRYPHV.:.arcano.verba.revelatio.:.” e deve estar quase saindo da forja de Hefesto. Mas até lá, ouçam este Single e o ao vivo “Live at the Brazilian Swamp”, para aliviar a ansiedade.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA - Amber Galactic (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. Midnight Flyer
2. Star of Rio
3. Gemini
4. Sad State of Affairs
5. Jennie
6. Domino
7. Josephine
8. Space Whisperer
9. Something Mysterious
10. Saturn in Velvet
11. Just Another Night (Bônus Track)


Banda:


Björn “Speed” Strid - Vocais
David Andersson - Guitarras
Sebastian Forslund - Guitarras, percussão
Sharlee D’Angelo - Baixo
Richard Larsson - Teclados
Jonas Källsbäck - Bateria

Convidados:

Johanna Beijbom - Backing vocals
Åsa-Hanna Carlsson - Violoncelo
Martin Lindqvist - Saxofone


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


E eis que o projeto THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA, surgido do desejo do vocalista Björn “Speed” Strid e do guitarrista David Andersson (ambos do SOILWORK) e do baixista Sharlee D’Angelo (do ARCH ENEMY, WITCHERY e SPIRITUAL BEGGARS) de explorarem um universo musical diferente do que estavam acostumados, chega ao terceiro disco, “Amber Galactic”, que aporta esta terra de Vera Cruz pela parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

Mas qual seria a sonoridade da banda, para aquele que não são iniciados e ainda não conhecem o trabalho deles?

Para início de conversa, esqueça as bandas principais de ambos, pois não vai encontrar nada daquilo no NFO. Aqui é o mais puro, divertido, melodioso e descompromissado Classic Rock dos anos 70, com claras referências à Soul Music da Motown, mais aquela aura do Rock e Rhythm’n’Blues, inclusive com a presença de saxofones, violoncelos e backing vocals femininos. Basicamente, é o som que existia antes do Metal apenas longe de ser datado com muito swing e energia. E sim, extremamente pessoal e diferente, além das melodias que aderem a nossos ouvidos e não saem mais.

Bom é apelido!

A produção de “Amber Galactic” é excelente. O sexto tomou as rédeas do processo nas mãos, tendo a engenharia sonora de Bengan Andersson, a mixagem de Sebastian Forslund (que também fez a arte gráfica do disco), mais a masterização de Thomas “PLEC” Johansson. Tudo para que o disco soe espontâneo, com uma pegada mais “old”, mas longe de soar datado. E sabe-se lá como, mas é isso que temos: o novo e o velho se mesclando de uma forma que o vencedor é o ouvinte.

Arranjos bem feitos, um dinamismo musical enorme, boa técnica (do jeito que as músicas pedem), cada um dos refrãos são altamente pegajosos, e as canções são inspiradas (e sem perder a espontaneidade), onde vemos que TOTO, SUPERTRAMP e outros deixaram uma marca no grupo, sem, no entanto, fazer com que essas influências fiquem aparentes (é bem trabalhoso percebê-las). Por isso o trabalho da banda transcende muito rótulos. É THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA, e ponto final!

E não, esqueçam, destacar uma ou outra canção de “Amber Galactic” é um sacrilégio! Ouçam o disco de ponta a ponta!

Para uma referência inicial, indicamos a sedutora e ganchuda “Midnight Flyer” e seus andamentos de primeira (fora o trabalho dos vocais estar magnífico, fora as ótimas guitarras), o belo trabalho de backing vocals e arranjos de baixo e bateria em “Star of Rio” e em “Gemini”, a presença criativa dos teclados (que alinhavam perfeitamente a música) e guitarras em escalas havaianas em “Sad State of Affairs”, “Jennie” e seus ótimos arranjos quase Pop dos teclados (tem bastante da pegada Pop dos anos 70 e início dos 80), “Domino” e seu jeito quase Disco Music (e seu excelente refrão), a grudenta e de melodias acessíveis “Josephine” (outra com belos teclados, mas os vocais e backing vocals estão em alto nível novamente e que refrão chicletoso do cão), o famoso “ouvi-gamou” que permeia os arranjos de guitarras do Rockão de “Space Whisperer”, o típico AOR/Pop Rock “made in 1981-1982” de “Something Mysterious” (poderia seguramente ser trilha sonora de filme ou de comercial de cigarros, com certeza), e o Boogie provocante de “Saturn in Velvet” com um groove essencial na sessão rítmica. E sem mencionar a ótima faixa-bônus, “Just Another Night”, uma versão bem personalizada do grupo para o velho hit de Mick Jagger, vindo direto do primeiro disco solo dele (“She’s the Boss”, de 1985), que aqui soa um pouco menos eclético que o original, mas igualmente excelente, inclusive pelo ótimo solo de saxofone.

Mais uma vez, sou forçado a falar de todas as canções, pois não há uma delas que seja especial, favorita ou melhor que as outras. O disco inteiro é maravilhoso.

Aproveitem, pois o disco é sensacional, e vai te ganhar de vez, sejam fãs de Metal, Rock, saudosistas do Pop dos anos 70 ou 80... Basta estar vivo para gostar de “Amber Galactic”!






BAD BEBOP - Prime Time Murder (Álbum)


2017
Selo: Rind
Nacional

Nota: 8,7/10,0

Tracklist:

1. D.O.A.
2. Deceiver
3. Vicious
4. Gone Wrong
5. 22
6. Trouble
7. Greed
8. River


Banda:


Juliano Ribeiro - Vocais, baixo
Henrique Bertol - Guitarras
Celso Costa - Bateria


Contatos:

Site Oficial: 
Bandcamp: 
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/badbebop (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As diferenças estilísticas entre bandas é algo salutar dentro do Rock and Roll como um todo. Seria insuportável se existisse apenas uma vertente no estilo, pois seria uma chatice só. E de Curitiba (Paraná), vem mais um ótimo nome: BAD BEBOP, uma banda ainda jovem, mas que mostra um trabalho de gente grande em “Prime Time Murder”, seu disco de estréia.

É preciso dizer que a banda faz um estilo de Metal que pega influências tanto no Stoner Rock como no Groove Metal, logo, temos em mãos um grupo que busca fazer um estilo de música que soa pesado e forte, mas azedo como o inferno, mas com boas melodias. Óbvio que o trio apresenta uma técnica sóbria, algo que é consequência de suas canções (e não a motivação). É um trabalho muito bom mesmo, longe de ser datado ou chato.

Produzido por Henrique Bertol (guitarrista da banda) e gravado no estúdio Institudium, em Curitiba, o disco ainda foi mixado por Felipe Debiasio, e teve a masterização nas mãos do Absolute Master Studio (que tem feito trabalho que são referências em termos de masterização no Brasil). A sonoridade é intensa, suja e orgânica, com um forte clima “live” (basta repararem que a banda não usa guitarra base por baixo dos solos, algo que ao vivo eles não conseguiriam fazer), algo que se enquadra perfeitamente no que a música do grupo precisa. Aliás, ficou ótima. Já a capa do disco, feita por Allan de Angeles, é bem simples, mas funcional, direta, permitindo que as atenções fiquem somente na música da banda.

Formado por músicos que já foram do NECROPSYA, junto com um membro do SEMBLANT (o baixista/vocalista Juliano), a experiência musical acumulada os permite fazer de “Prime Time Murder” uma experiência e tanto para nossos ouvidos, com uma música pesada, firme e cheia de vibração e groove. O grupo usa de arranjos que se encaixam uns nos outros de maneira harmoniosa, como peças de um brinquedo de montar. E que músicas!

As 8 faixas do disco duram em média entre 3:30-4:00 minutos, logo, não cansam nossos ouvidos, mas a pegada grooveada e pesada de “D.O.A.” (belo trabalho em termos de baixo e bateria, conduzindo muito bem os andamentos da música) e de “Deceiver” (essa é bem pesada, com levadas melódicas aqui e ali, e com belas partes dos vocais), as melodias mais introspectivas e sedutoras de “Gone Wrong” (uma canção que mostra o quanto o trio é versátil e sabe criar arranjos tanto mais lentos como outros mais brutos e sujos), a explosão Groove/Stoner de “Trouble” e seus riffs fortes, e o forte clima Southern Rock que flui de “River” se destacam bastante. 

O BAD BEBOP veio para ficar, e esperemos que fiquem por anos conosco.




FIRE STRIKE - Slaves of Fate (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 8,7/10,0

Tracklist:

1. Reach For Your Life
2. Master of the Seas
3. Slave of Your Fate
4. Electric Sun
5. The Wolves Don’t Cry
6. Losing Control
7. Streets of Fire
8. Lust
9. Our Shout is Heavy Metal


Banda:


Aline Nunes - Vocals
Helyad Amaro - Guitarras
Henrique Schuindt - Guitarras
Edivan Diamond - Baixo
Alan Caçador - Bateria

Convidados:

Andria Busic - Backing vocals em “Reach for Your Life”, “Streets of Fire” e “Our Shout is Heavy Metal”, violão em “losing Control”
Ivan Busic - Narração épica em “Eletric Sun”
Pedro Zuppo - Vocais em “Master of the Seas”


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Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer Metal à moda antiga não é algo simples. Antes de tudo, é necessário que o músico sopre vida dentro de estilos que já foram erodidos pelo tempo e/ou pelo uso indiscriminado. De outro, mostrar personalidade própria dessa forma é bem difícil, já que é extremamente comum as comparações com medalhões. Mas mesmo assim, existem bandas que fazem um trabalho bem legal, diferente de cópias bolorentas do que já foi feito.

Uma delas é o quinteto FIRE STRIKE, de São Paulo. E se eles já haviam feito um trabalho muito bom no EP “Lion and Tiger”, mostram que as labutas no underground fizeram o grupo amadurecer e nos brindar com seu primeiro “full-length”, “Slaves of Fate”, que a Shinigami Records colocou no mercado.

A priori, percebe-se a clara influência da NWOBHM no som do grupo (em especial o IRON MAIDEN), mas ao mesmo tempo, não é errado perceber as nuances que bandas como ACCEPT, FAITHFUL BREATH e WARLOCK também deixaram no som deles. Ou seja, peso e melodia nas doses certas, o enfoque técnico é uma consequência do que as músicas pedem, além de boa dose de energia e refrãos marcantes. Pode até não ser nada inédito, mas merece aplausos.

Um dos diferenciais do quinteto da maioria de seus pares de estilo é que a produção sonora do grupo foi bem cuidada. Andria Busic (ele mesmo, o ex-DR. SIN) produziu o disco e cuidou da mixagem e masterização. A sacada mais esperta em termos de sonoridade foi deixar o grupo soando orgânico e simples, sem muitas firulas, mas com boa dose de peso e bem clara. Aliás, a clareza deriva justamente dos aspectos tecnológicos modernos, que deram um toque diferenciado ao disco.

Em termos de arte, a capa de Celso Mathias ficou ótima, mas o uso das cores verde e amarelo no encarte deu uma diferenciada bem legal no velho padrão de fundo preto com letras brancas ou fundo branco com letras pretas.

O trabalho do FIRE STRIKE mostra-se mais maduro e coeso que antes, com a possibilidade de atingir uma parcela grande do público. E o trabalho do grupo é muito honesto: é Heavy Metal tradicional, puro e simples, apresentando uma releitura bem feita dos velhos clichês (mas que sempre funcionam na mão de quem sabe o que faz).

Em “Slaves of Fate”, se destacam bastante a energia envolvente de “Master of the Seas” (uma pegada pesada envolvente, com vocais de primeira além de belos duetos de guitarra), a força rítmica de “Slave of Your Fate” (bela mistura de passagens melódicas e introspectivas com refrão marcante, com baixo e bateria mostrando boa técnica), a acessibilidade Hard’n’Heavy marcante de “Electric Sun” e de “The Wolves Don’t Cry”, a debulhada à lá NWBOHM de “Streets of Fire”, e a mistura de energia, peso e melodia bem equilibrada de “Lust”. Mês de forma alguma isso quer dizer que “Reach For Your Life”, “Losing Control” ou “Our Shout is Heavy Metal” sejam faixas dispensáveis, bem longe disso.

Indicado aos fãs de Metal tradicional, bem como aos que possuem bom gosto.