sexta-feira, 19 de julho de 2019

SABATON - The Great War


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Future of Warfare
2. Seven Pillars of Wisdom
3. 82nd All the Way
4. The Attack of the Dead Men
5. Devil Dogs
6. The Red Baron
7. Great War
8. A Ghost in the Trenches
9. Fields of Verdun
10. The End of the War to End All Wars
11. In Flanders Fields


Banda:

Foto: Timo Isoaho

Joakim Brodén - Vocais, Teclados
Chris Rörland - Guitarras
Tommy Johansson - Guitarras
Pär Sundström - Baixo
Hannes Van Dahl - Bateria


Ficha Técnica:

Jonas Kjellgren - Produção, Mixagem
Maor Appelbaum - Masterização
Antti Martikainen - Arranjos Orquestrais em "Fields of Verdun", Arranjos Orquestrais na “History Version” do Álbum
Péter Sallai - Artwork
Thobbe Englund - Guitarra solo em Fields of Verdun”


Contatos:

Assessoria:
E-mail:


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Falar sobre a guerra é um ato necessário. É preciso deixar como herança das futuras gerações um conhecimento profundo (e real) dos males que elas acarretam. Repetindo as clássicas palavras de uma velha estória em quadrinhos, “na guerra, o único vencedor é a morte”.

Não, ninguém é fascista ou opressor ou outra coisa do tipo porque lida com temas que muitos ficam com medo de tratar (talvez porque possam destruir ilusões). É uma obrigação, e nisso o quinteto sueco SABATONé uma ponta-de-lança, pois lidam com o tema em todos os seus discos. E em “The Great War”, novo disco do grupo, não poderia ser de outra forma. Aliás, parabéns à aliança entre a Shinigami Records em conjunto com a Nuclear Blast Brasil lançam aqui em duas versões: a versão Jewelcase comum e a “hystory version” em versão Digipack, que possui narrativas entre cada uma das canções.


Análise geral:

Desde que conseguiu consolidar e refinar sua fórmula musical na trinca “The Art of War” (2008), “Coat of Arms” (2010) e “Carolus Rex” (2012), além de uma reformulação em suas fileiras pouco depois (somente o vocalista/tecladista Joakim Brodén e o baixista Pär Sundström permaneceram), o Heavy/Power Metal do quinteto não mudou muito, nem mesmo com a entrada do guitarrista Tommy Johansson no lugar de Thobbe Englund (que agora se dedica à banda que leva seu nome, e que acabou de lançar um tributo ao JUDAS PRIEST chamado “Hail to the Priest”). E isso mostra solidez.

Basicamente, é o mesmo jeito melodioso e cheio de energia de sempre, baseado em canções de simples assimilação (daquelas que marcam o ouvinte e que todos cantam nos shows), em cada refrão sendo feito para o bom e velho “bateu, ficou”, e em um fluxo de energia constante e pegajoso.

Mas há uma ambientação alegre e divertida, completamente alto astral, o que é válido em tempos em que, cada vez mais, a música está perdendo esse elemento importante.  

Capa da “History Version”

Arranjos/composições:

Mesmo percebendo que a banda lapida muito bem suas composições e coloca uma forte carga emocional no que faz, nada em “The Great War” soa complicado ou excessivo. É na justa medida, com guitarras caprichando em riffs marcantes e solos simples (mas eficientes), um trabalho forte e encorpado na base rítmica (baixo e bateria conduzem bem os ritmos e possuem boas mudanças aqui e ali, sem complicar as canções), os teclados atualmente mais criam ambientações do que algo que soe pedante (embora mostrem mais diversidade de timbres); e vocais com sua aproximação grave característica.

Mas ao mesmo tempo, “The Great War” parece mais solto e espontâneo que os discos anteriores, e assim, mais seguro e sólido.

E pela primeira vez desde “Carolus Rex”, os suecos usam o expediente de um disco focado em um conceito único (embora não exista conectividade entre as letras de cada canção de forma objetiva), sendo esse focado totalmente na Primeira Guerra Mundial (que também era chamada de A Grande Guerra ou Guerra das Guerras antes de Segunda Guerra Mundial, e que serão abreviadas para WWI e WWII durante o restante da resenha).


Qualidade sonora:

Pela primeira vez desde “The Art of War”, a banda optou por usar outro produtor, embora não seja um desconhecido. Dessa vez, Jonas Kjellgren (que já está no time desde o ao vivo “World War Live: Battle of the Baltic Sea”, de 2011), que trabalhou masterizando (e mixando os discos ao vivo do grupo) sentou-se na cadeira de comando e guiou o grupo, além de mixar.

Talvez esse seja o ponto da virada, pois a sonoridade limpa e fluida de “The Great War” encaixou com toda ambientação mais leve e solta, mas sem que peso e a devida dose de agressividade fossem deixados para trás.

Aliás, tudo ficou mais bem definido, com tudo audível e apresentando timbres instrumentais excelentes.


Arte gráfica/capa:

O trabalho de Péter Sallai ficou excelente, e na capa, a verdade é clara: só sabe a dor e o desespero que uma guerra pode causar é quem luta nela. Ainda mais a perspectiva for sobre a triste WWI e seu legado tenebroso: os primeiros usos de armas químicas fatais (o gás de cloro, usado pela primeira vez em 22/04/1915 pelo exército alemão, e que matou 5000 pessoas e feriu mais 10000, algo proibido pelas convenções de Haia de 1899 e 1905, início), as aparições de tanques de guerra, aviões, comunicações sem fio, submarinos (durante a fase naval).

É de fazer qualquer ser humano com um mínimo de sentimentos chorar de amarga tristeza...


Destaques musicais:

SABATON preparando suas táticas (foto: Tallee Savage)

Gá de Cloro, guerra das trincheiras, Passchendaele (ou Terceira Batalha de Ypres), os genocídios de armênio, gregos e assírios cometidos pelo Império Otomano (talvez os primeiros ecos da Shoá da WWII) e outros são de conhecimento geral e estão associados à WWI, bem como ás tristes lembranças registradas sobre esses nomes e eventos. E os horrores dessa guerra são narrados em “The Great War”. E como sempre, a banda complica a escolha de melhores canções.

“The Future of Warfare” abre o disco com uma canção baseada bastante em teclados simples e guitarras cheia de energia (e a letra narra o uso de tanques de guerra pela primeira vez em uma batalha, ocorrido na Batalha de Flers-Courcelette, de 15 a 22/09/1916), energia essa que permeia as melodias pegajosas de “Seven Pillars of Wisdom”, onde os teclados criam um fundo perfeito para as guitarras e vocais (um refrão marcante, solo bem feito, e a letra remete a Lawrence da Arábia, militar britânico que atuou na Revolta Árabe, de 1916-1918). Em “82nd All the Way”, novamente a banda cria um hit com refrão forte e boas conduções rítmicas (a letra é sobre o ousado sargento Norte-Americano Alvin York, cujos atos heróicos na Ofensiva Meuse-Argonne lhe rendeu as maiores condecorações de seu país a um militar na WWI), e é seguida pela climática e intensa “The Attack of the Dead Men”, cheia de passagens um pouco mais lentas e grudentas (letra: o tema é a dura resistência do exército russo à ofensiva alemã na Fortaleza de Osowiec, uma luta encarniçada que durou meses, e pode ter antecipado o espírito de luta de ambos os países mostrado na Batalha de Stalingrado, na WWII). “Devil Dogs” mostra uma estruturação harmônica e melódica bem semelhante a “Smoking Snakes” (de “Heroes”, de 2014), ou seja, é um Heavy/Power Metal grandioso e empolgante, guiado por uma marcação sólida de baixo e bateria (A letra retrata a Batalha da Floresta de Belleau, de 1-26 de junho de 1918, e que teve uma participação essencial dos fuzileiros navais norte-americanos). As 80 vitórias de Manfred von Richthofen (o aviador alemão conhecido como o Barão Vermelho, o grande ás da WWI), uma canção também grudenta por conta de sua levada simples e direta, mostrando ótimos vocais (além do som de Hammond dos teclados, algo inédito para o grupo). “Great War” é épica e mostra certa melancolia em seus teclados e riffs, sem mencionar o uso de contrastes de partes de teclados e voz com outras mais grandiosas (cuja letra narra a WWI do ponto de vista de quem lutou, ou seja, os horrores e traumas causados por quem esteve no “front”). O sniper Francis Pegahmagabow, atirador de elite canadense e o maior da WWI em sua categoria, é celebrado por sua intrepidez e feitos em “A Ghost in the Trenches”, uma ótima canção alto astral, cheia de um trabalho ótimo de guitarras e vocais. A vitória francesa sobre o exército alemão na Batalha de Verdun (21/02/1916 a 18/12/1916, a mais longa batalha de toda a WWI) é contada na pegajosa e incendiária “Fields of Verdun”, outra em que a energia do grupo estoura os medidores de volume (novamente, guitarras ótimas e refrão marcante). “The End of the War to End All Wars” mostra um lado mais melancólico/épico das melodias do grupo, com ótimos riffs e vocais, enquanto baixo e bateria exibem força nos andamentos (o nome da canção, “o fim da guerra para acabar com todas as guerras” vem de um bordão usado na WWI, antes idealista, hoje meramente depreciativo, e a letra aborda o alto custo da WWI: entre 15 e 20 milhões de mortos). O triste outro “In Flanders Fields” encerra o disco, um lamento poético escrito pelo Tenente-Coronel canadense John McCraeem 03/05/1915, após perder um amigo. Ele é usado até hoje em celebrações pelos mortos na WWI em seus países.

Em um ato de homenagem pelos que perderam suas vidas, eis a tradução do poema:

Nos campos de Flandres, as papoulas florescem
Entre as cruzes, linha a linha,
Que marca nosso lugar; e no céu
As cotovias, ainda bravamente cantando, voam
Escassamente ouvidas em meio às armas abaixo.

Nós somos os mortos. Dias curtos atrás
Nós vivemos, sentimos o amanhecer, vimos o brilho do pôr do Sol,
Amamos e fomos amados, e agora nós jazemos
Nos campos de Flandres.

Assuma nossa briga com o inimigo:
Para vocês, de mãos trêmulas, nós passamos
A tocha; seja sua para elevá-la bem alto.
Se você quebrar a fé conosco que morremos
Nós não dormiremos, embora as papoulas floresçam
Nos campos de Flandres.

Talvez este seja o maior legado de “The Great War” aos fãs: entender ao que conflitos podem levar, e a importância de manter a paz...


Conclusão:

Mesmo com os horrores da WWI, “The Great War” mostra mais uma vez que o SABATON está vivendo um ótimo momento de sua carreira, e que tem tudo para se tornar um dos pilares do Metal dos próximos anos.


Nota: 10,0/10,0


Great War



Fields of Verdun



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quinta-feira, 18 de julho de 2019

BRADO - We Are


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Gimme a Reason
2. Just One
3. Becoming Prey
4. Guiding Your Way
5. Everything… is Pain
6. Such an Animal
7. King of Your Mind
8. Calling You
9. Horn Hands
10. Don’t Lose Your Mind


Banda:


Eric Bruce - Vocais, Guitarras
Charlles Pazin - Guitarras, Backing Vocals
Kiyo Ishikawa - Baixo
Rick Koba - Bateria


Ficha Técnica:

Thiago Bianchi - Produção, Mixagem, Masterização
Carlos Fides - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.asepress.com.br/music(ASE Music)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

No que se convencionou chamar de vertentes modernas de Metal, existem (como em todas as subdivisões que se possa pensar), bons nomes e outros nem tanto. E um gênero que tem começado a mostrar a cara é o que se convencionou chamar de Modern Hard Rock, ou seja, a mistura da agressividade jovial dos estilos modernos mixada à melodias pegajosas e músicas mais simples.

E é justamente assim que vem o BRADO, quarteto de SP, que chega com uma pancada bem dada, o disco “We Are”.


Análise geral:

O trabalho do BRADO pode ser comparado ao de bandas modernas cujas melodias são bem apuradas, mas cuja energia e adrenalina são claras, e sem deixar de ter suas doses homeopáticas de agressividade. Algo no mesmo jeitão do STORMBRINGER inglês, apenas mais diversificado e eclético que este.

Óbvio que muitos fãs de coisas mais antigas vão reclamar, mas no geral, o trabalho do quarteto é muito bom.


Arranjos/composições:

É bom que se diga que o grupo sabe mixar um approachduro e pesado com melodias pegajosas, além de ostentar uma energia enorme. Tudo vindo de um trabalho técnico que dista do exagero, mas sem ser simplista. Basicamente, o que guia a capacidade de arranjar suas músicas de maneira arrojada e eficiente, sem que nada esteja faltando ou seja excessivo.


Qualidade sonora:

Verdade seja dita: tudo que passa pelo estúdio Fusão VM&T já causa grandes expectativas em termos de sonoridade, e “We Are” não é diferente, pois tudo é de alto nível.

Tudo está soando claro e bem definido, com os timbres mais corretos possíveis, mas sempre com as doses certas de distorção (para que a música do grupo tenha agressividade).


Arte gráfica/capa:

Carlos Fides (da Artside Digital Studio) criou uma arte bonita, com impacto visual que realmente chama a atenção do ouvinte.


Destaques musicais:

Verdade seja dita: a experiência musical de alguns integrantes do grupo (HARPPIA, J-ROX, entre outros) faz a diferença, fazendo com que toda a fusão de gêneros que se ouve em “We Are” (Heavy Metal tradicional, Hard Rock, Glam Metal, Metalcore e outros podem aparecer conforme se ouve mais e mais o disco) seja coesa.

Melhores momentos: o conjunto de melodias modernosas e pegajosas de “Gimme a Reason” (bons riffs de guitarra), o grude nervoso e intenso de “Just One” (que mesmo com toda a agressividade que tem, mostra melodias ótimas e um refrão grudento), o toque de acessibilidade Heavy/Pop de “Guiding Your Way” (quase uma canção para adolescentes, e por isso mesmo, muito boa, e com vocais muito bons), a balada envolvente e cheia de harmonias em “Everything… is Pain”, o peso introspectivo e ácido de “King of Your Mind”, e a pancada que mixa elementos de Hard Rock e Metal tradicional moderno “Don’t Lose Your Mind” (trabalho peso pesado de baixo e bateria). Basicamente, o disco inteiro é muito bom, e essas servem como referência para as primeiras audições.

Ah, sim, o álbum pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais:



Conclusão:

Fechando, é bom ver uma banda com um jeito diferente do usual como o BRADO. E assim, “We Are” tende a ser muito bem recebido pelo público mais jovem e os de mente mais aberta, tanto aqui quanto fora do Brasil.


Nota: 8,3/10,0

Just One



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TREND KILL GHOSTS - Kill Your Ghosts



Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional




Tracklist:



1. Kill Your Ghosts (intro)
2. Like Animals
3. Fight
4. Living a Lie
5. Deceivers
6. Ghost's Revolution
7. Promise
8. Frozen
9. Belief




Banda:




Diogo Nunes - Vocais
Rogério Oliveira - Guitarras
Danilo Dill - Baixo
Leandro Tristane - Bateria




Ficha Técnica:



Lucia Ricardo - Vocais em 7
Ralf Scheepers - Vocais em 6
Raphael Dantas - Vocais adicionais
Lúcia Ricardo - Vocais femininos




Contatos:



Site Oficial:
Assessoria: http://www.asepress.com.br/music(ASE Music)



Texto: “Metal Mark” Garcia




Introdução:



Muitas vezes, a inclinação do Metal brasileiro às tendências mais extremas acaba cansando muitos fãs. A overdose de brutalidade em termos musicais pode ou fazer um banger largar tudo em certa altura de sua vida dentro do cenário, ou levá-lo a ouvir algo diferente. Por isso a existência de estilos mais melódicos é tão importante (e esse mecanismo pode ser na forma inversa da mesma forma).



Apesar de não ser inovador, o quarteto TREND KILL GHOSTS, de Guarulhos (SP) mostra um trabalho bem legal em “Kill Your Ghosts”, primeiro disco do grupo.




Análise geral:



O grupo foca seus esforços em criar um jeito deles de fazer Heavy/Power Metal tradicional, ou seja, seguindo os passos de nomes como HELLOWEEN, EDGUY e outros nessa mesma pegada. Por isso, a banda soa melodiosa, com um trabalho instrumental eficiente (e tecnicamente sóbrio), mas com boa dose de peso.



Sim, apesar de não ser nada de novo, é muito bom e fácil de ser absorvido por nossos sentidos.




Arranjos/composições:



Evitando exageros técnicos ou velocidades estratosféricas, o grupo mostra força e peso, com arranjos de fácil assimilação pelos ouvintes. Vocais competentes (inclusive com alguns urros guturais aqui e ali, como em “Like Animals”), bons riffs de guitarra, baixo e bateria com boa dose de peso e boa variação de tempos, tudo nas medidas certas. Ainda existem teclados aqui e ali que são bem sacados, verdade seja dita.



Mas um dos pontos interessantes do grupo: as melodias da banda evitam complexidades extravagantes. Todas são fáceis de assimilar, deixando o ouvinte preso à poltrona, sem conseguir se desvencilhar do disco.




Qualidade sonora:



Por ser um primeiro disco, e ainda por cima independente, a qualidade sonora de “Kill Your Ghosts” não está 100% à altura do que o grupo faz. Ainda crua demais para o que eles fazem, que exigiria algo mais limpo. Óbvio que está em bom nível, mas não é aquilo que a banda merece.



E por “bom”, entenda-se que não é ruim, mas também não é excelente.




Arte gráfica/capa:



Eis o momento clichê do grupo, pois a capa mostra uma arte que vem do universo de fantasia medieval/hiboriana que se conhece dos quadrinhos de Conan e da obra de Tolkien. É um recurso já erodido, mas que sempre funciona quando a música é boa.



E no caso do TKG, é muito boa.




Destaques musicais:



Pode-se dizer que“Kill Your Ghosts” dá a impressão de ser um disco nascido de uma banda jovem (o que de fato o é, pois foi fundada em 2018), pois se percebe que estão sedimentando seu estilo e buscando algo mais próprio.



Se destacam entre todas: o peso melodioso e sinuoso (em termos de melodias) de “Like Animals”, a pegada Heavy/Power Metal tradicionalíssima de “Fight”(cheia de partes pesadas contrastando com momentos melodiosos em que vocais e baixo aparecem bastante), o trabalho mezzoPower Metal e mezzo Prog (por conta da ambientação) mostrado em “Deceivers” (os vocais podem parecer um pouco “mais do mesmo” para os ouvintes, mas mostram uma força e energia bem próprios), a energia fogosa e com jeito de Metal tradicional moderno de “Ghost’s Revolution” (que tem a presença de Ralph Scheepers nos vocais), e o peso suave e envolvente de “Belief” (guitarras muito boas). Mas o disco inteiro é uma experiência agradável e positiva para todos.




Conclusão:



Dessa forma, é preciso aferir que “Kill Your Ghosts” é um bom disco de estréia, e mostra que o TREND KILL GHOSTS tem muito potencial, e com certeza, muito a oferecer em um futuro bem próximo.



Nota: 7,7/10,0


Ghost’s Revolution



Bandcamp

FURIA INC. - Raw


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Raw (intro)
2. The Endless Void
3. Max (The Moon Dagger)
4. D-Generation
5. Light the Fire
6. Killing Machine
7. Slaves to the Blood
8. Private Fiction
9. Devouring Darkness
10. The Knight and the Bishop


Banda:

Foto: Bruno Sessa

Victor Cutrale - Vocais
Gustavo Romão - Guitarras
Fabio Carito - Baixo
Neto Romão - Bateria


Ficha Técnica:

Wagner Meirinho - Produção, Gravação
Thiago Assolin - Produção, Gravação
Brendan Duffey - Mixagem, Masterização


Contatos:

Assessoria: http://www.asepress.com.br/music(ASE Music)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Brasil tem por essência a fusão de estilos. É uma forte característica pegar esse ou aquele estilo e dar uma diferenciada. E mesmo com muitos apenas seguindo a tendência, outros poucos preferem fazer tudo à sua maneira, e danem-se modelos!

Um desses que preferem fazer diferente é o quarteto FÚRIA INC., quarteto sujos integrantes são das cidades de São Paulo e Guarulhos, e que mostra uma fúria híbrida em “Raw”, seu segundo álbum.


Análise geral:

Em essência, o grupo pega o Thrash Metal dos anos 90, enche de influências de Groove Metal e toques de vertentes mais modernas para criar uma música gordurosa, agressiva, mas bem trabalhada e cheia de energia.

Mas é preciso cuidado: a rispidez e brutalidade da música podem deixar os fãs com dores de pescoço e tímpanos.


Arranjos/composições:

A banda não chega a criar arranjos muito complexos. Sua preocupação é soar pesado e agressivo, algumas vezes próximo ao Hardcore moderno (como se percebe nos corais e andamentos de “Killing Machine”). As canções soam compactas, sólidas e brutas, mas bem feitas.

Óbvio que fã de “Chaos A. D.” e “Vulgar Display of Power” devem amar o disco, pois o jeitão moderno e grooveado das canções é bastante pegajoso para eles, sendo que o grupo capricha em seus refrães, sem falar que as melodias agressivas soam muito bem.


Qualidade sonora:

“Raw” foi gravado sob a tutela de Wagner Meirinho e Thiago Assolin no estúdio Loud Factory (SP), tendo as mãos de Brendan Duffey cuidando da mixagem e masterização na Califórnia (EUA).

Óbvio que esse esforço todo resultaria em uma qualidade sonora de alto nível, onde todos os instrumentos podem ser ouvidos sem dificuldades (inclusive com uma timbragem justa para o trabalho musical do quarteto), mas com aquele jeito azedo e carregado de grupos modernos.


Arte gráfica/capa:

A capa de “Raw”transpira sua essência musical, e mesmo dá idéias subjetivas que remetem ao nome do disco. Um belo trabalho, mesmo sendo feito em uma forma mais simples que o usual.


Destaques musicais:

“Raw” é um murro na cara de pura agressividade, mas ao mesmo tempo transpira uma aura de cuidado em termos de criatividade.

Das 9 canções (já que “Raw” é apenas uma introdução), se destacam a força, peso e modernidade de “The Endless Void” (há traços que beiram o Metal Industrial, com ótimos contrastes entre vocais gritados e outros sussurrados), o peso do Djent aliado à elementos Groove Thrash Metal de “D-Generation”, as guitarras tecendo ótimos riffs e solo em “Light the Fire”, a simplicidade pós-Thrash de “Killing Machine” (outra com fortes influências de Metal Industrial acopladas numa pegada Hardcore), algumas passagens de Melodic Death Metal modernos que dão um toque de acessibilidade musical a “Private Fiction” (baixo e bateria exibem ótima pegada nessa canção), e a intensa “The Knight and the Bishop”. No fundo, o disco inteiro é muito bom, verdade seja dita.


Conclusão:

O trabalho do FURIA INC. tende a crescer mais e mais, e tem um bom público para eles por aqui. E “Raw” é uma ótima pedida!


Nota: 8,3/10,0


Light the Fire



Spotify

terça-feira, 16 de julho de 2019

HATEMATTER - Metaphor


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Flow (intro)
2. Before the Plunge
3. They Arrive
4. Tears in Rain (intro)
5. At Tannhauser Gates
6. Nexus 9 (intro)
7. Blackout Afterglow
8. A Bitter Taste
9. The Wasteland (intro)
10. Fury Road
11. The Agonizing Wail
12. The Burning Dogma
13. Scourge of the Earth


Banda:

Foto: Tuco Media

Luiz Artur - Vocais
Gustavo Polidori - Guitarras
André Buck - Guitarras
André Martins - Baixo
Lucas Emidio - Bateria


Ficha Técnica:

Brendan Dufay - Produção, Mixagem, Masterização
Rafael Augusto Lopes - Gravação
Raquel Lopes (VOX ígnea) - Vocais em 3


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.asepress.com.br/music(ASE Music)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Por conta da falta de cultura e mesmo de ensino de alto nível no Brasil, muitos fãs de Metal tendem a manter posicionamentos extremamente conservadores, não se permitindo ouvir tendências sonoras modernas. Talvez isso seja a fonte de muitas bandas Old School do Brasil terem um enfoque tão oitentista que acabam tentando (e não conseguindo) emular a crueza sonora da época. O caminho não é esse. Isso é estar em uma caverna ideológica idêntica à da Alegoria da Caverna de Platão.

Raros são os que, no Brasil, se atrevem a trilhar moldes de vanguarda. Mas eles existem, e um deles é o quinteto HATEMATTER, de São Paulo. “Metaphor”, terceiro álbum da banda, atesta isso.


Análise geral:

Basicamente, eles são uma banda de Death Metal moderno com a pegada mais melódica e esteticamente bem cuidada do que conhecesse como “Gothenburg Death Metal”, ou seja, aquele Death Metal agressivo, mas lapidado com boas melodias, praticado por nomes como IN FLAMES, SOILWORK, AT THE GATES e DARK TRANQUILLITY em suas fases mais iniciais. Mas calma lá: o quinteto vai além disso, pois tem personalidade própria.

Ou seja, a música do quinteto é tecnicamente bem feita, solda e pesada, onde o balanço entre melodias e agressividade está ótimo. A energia que flui das canções é absurda!


Arranjos/composições:

Na linha das bandas citadas, é fácil encontrar contrastes entre vocais rasgados, guturais e limpos, bem como entre momentos limpos e introspectivos com rispidez desmedida. Tudo isso com ritmos que se alternam bastante, boa diversidade técnica, e mesmo partes tribais aparecem (como em “Blackout Afterglow”).

É interessante ver como a energia que flui desse disco é algo abusivo, e pode causar dor nos tímpanos dos menos acostumados. Aliás, a capacidade da banda arranjar suas canções de forma consensual, bem como de criar ótimas melodias e momentos pegajosos é algo incrível!


Qualidade sonora:

“Metaphor” foi gravado no Brasil, sendo que tudo foi feito no estúdio Casanegra, sob a supervisão de Rafael Augusto Lopes. A Produção, mixagem e masterização (feitas nos EUA) são de Brendan Duffey. Desta forma, a banda recebeu uma qualidade sonora perfeita para que sua música soe viva e agressiva, unindo peso, melodia e agressividade em um formato moderno e coeso.

A timbragem dos instrumentos ficou excelente, de uma forma que tudo pode ser compreendido, mas as guitarras e baixo fugiram daqueles tons gordurosos que muitas bandas mais modernas utilizam. Por isso, está distante sonoramente do New Metal (este autor se recusa a escrever errado) e do Metalcore.


Arte gráfica/capa:

A capa possui um design até simples, mas que permite muitas interpretações diferentes. Fica óbvio que a temática das letras do quinteto lida com temas de um futuro distópico e claustrofóbico, como o visto em livros e filmes como “Blade Runner” (1982). Papo cabeça profundo e mostrando algo que tanto anda em falta ao povo de nosso país: maior profundidade cultural.


Destaques musicais:

Pode-se dizer que “Metaphor”é um disco corajoso, justamente por ousar fazer aquilo que muitos têm receio de fazer. E justamente por isso é tão bom, soa tão bem aos ouvidos.

“Flow” é uma introdução com teclados e cordas, preparando o ouvinte para o “blend” de melodias e agressividade de “Before the Plunge”, cheia de energia e partes empolgantes (os contrastes de tons vocais são excelentes, do normal ao rasgado, e depois urros guturais). Belas melodias introspectivas se misturam a uma ambientação agressiva moderna para criar a forte “They Arrive” (baixo e bateria mostram uma ótima técnica e peso, sem deixar de falar nos solos de guitarras, que andam caindo em desuso, e nos belos vocais femininos). “Tears in Rain” é outra introdução claustrofóbica para abrir alas para “At Tannhauser Gates”, que também mistura agressividade com tempos melodiosos e variados, e uma exibição de gala das guitarras em riffs excelentes (e em belíssimas partes limpas, além dos solos de primeira), e “Nexus 9” (outra introdução) fecha a trilogia conceitual do álbum. “Blackout Afterglow” é uma faixa moderna e com melodias bem maduras, e onde mais uma vez, a base rítmica se destaca. Em “A Bitter Taste”, tem-se a canção mais moderna e próxima ao Melodic Death Metal sueco atual, mais ainda assim, agressiva ao ponto de causar incômodo aos ouvidos cheios de bolor ou metidos à vanguarda. “The Wasteland” (mais uma intro) precede “Fury Road”, que apesar de uma sonoridade Melodic Death Metal, remete o ouvinte diretamente aos primórdios do Swedish Death Metal clássico por conta da pegada hardcorizada empolgante, mas sem deixar de ter solos melodiosos bem encaixados, e esses mesmos elementos são encontrados em “The Agonizing Wail” e “The Burning Dogma” (esta última com alguns tempos mais complexos que a média do disco, e algumas partes bem bate-estacas). E fechando, a bruta e pegajosa “Scourge of the Earth”, com belas linhas melódicas e mais uma vez, com “inserts” de vocais femininos providenciais.

É o típico disco para se ouvir a aproveitar a exibição de gala.


Conclusão:

O HATEMATTER é a prova que se pode fazer algo diferente e moderno no Brasil em termos de Death Metal, e “Metaphor”mostra-se um disco ótimo, inteligente e refinado. Um dos grandes discos nacionais desse ano!


Nota: 9,7/10,0


Blackout Afterglow



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