segunda-feira, 15 de abril de 2019

REATTOR - Reattor


Ano: 2019
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Black Legion Productions, Under Machine, Headcrusher Produções, Fronteira Produções
Nacional


Tracklist:

1. Into the War (intro)
2. Trincheira
3. Thrash Command
4. Primavera Nuclear
5. The Red Witch


Banda:


D. Legions - Vocais
Cláudio Souza - Guitarras
Léo Freitas - Guitarras


Ficha Técnica:

Víctor Próspero - Produção, baixo
Diego Almeida - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.blacklegionprod.com(Black Legion Productions)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Hoje em dia, com a poeira baixando, é possível ter-se apenas as bandas que estão dispostas a fazer trabalhos em determinadas vertentes sonoras. Isso ocorre quando um subgênero de Metal começa a sair da evidencia, caso atual do Thrash Metal.

Sim, pois a moda do “revival do Thrash Metal” já está com sinais óbvios de cansaço, e apenas quem quer fazer o estilo está ficando, o que é ótimo para os fãs do gênero, já que a avalanche de lançamentos estava ficando difícil de acompanhar. E é bom ouvir um EP como “Reattor”, da banda REATTOR, de Diadema (SP).


Análise geral:

O quinteto é jovem, tendo apenas 5 anos de existência (embora seus integrantes já tenham experiência em outros grupos da região). Mas se percebe em “Reattor” que o quinteto tem talento, impondo um Thrash Metal vigoroso e cheio de energia, na veia do Thrash Metal germânico dos anos 80 (especialmente KREATOR da fase “Extreme Aggression”/”Coma of Souls”, e alguns toques de SODOM da fase de “Agent Orange”), alguns toques de EXODUS, e nuances de Death Metal estão presentes (como ficam evidentes em “Thrash Command”). Ou seja, é bruto, mas sempre com bom trabalho em termos técnicos.

Vocais esganiçados à lá Mille Petrozza (embora alguns “inserts” guturais possam ser ouvidos), uma dupla de guitarras com riffs empolgantes e solos caprichados, base rítmica sólida e com boa técnica (e esbanjando peso), e tudo soando unido. É para dar dor de pescoços, pois empolga o ouvinte!


Arranjos/composições:

Longe de buscar ser inovador, o quinteto mostra ótima diversidade técnica, sendo capaz de fugir do ponto comum e criar algo que realmente ganha o ouvinte com facilidade.

O segredo deles: o grupo não se nega o uso de partes que sejam alienígenas ao Thrash Metal, ganhando assim mais variações, bem como mostra a capacidade em criar ótimos arranjos. Sim, eles são bons demais, e o dinamismo de suas canções é para não deixar que os ouvintes acreditem que eles são uma banda comum. Embora ainda possam amadurecer mais, estão longe de serem apenas mais uma banda.


Qualidade sonora:

Gravado no Toca do Chico Preto Studio, em São Bernardo do Campo (SP), sob a tutela do músico e produtor Víctor Próspero (que gravou as partes de baixo por conta dos problemas de saúde do ex-baixista Ricardo “Thrash” Costa), a sonoridade do EP é de um nível muito bom, soando claro e agressivo, mas de forma que se pode entender o que eles estão tocando.

Além disso, os timbres instrumentais foram escolhidos de forma que o EP soe agressivo e com certo toque de crueza, mas sem passar do ponto.

Poderia ser melhor, mas está de bom nível.


Arte gráfica/capa:

A capa é simples, direta, mostrando um reator nuclear com uma pessoa se protegendo contra a radiação. E essa arte tão simples traduz bastante a musicalidade da banda: cheia de energia e difícil de resistir!


Destaques musicais:

REATTOR
O grupo não tem por intenção renovar o Thrash Metal, mas por outro lado não aceita ser apenas mais um no meio de tantos. As canções de “Reattor” mostram elementos que podem ser mais explorados em trabalhos futuros, e assim, lapidando a personalidade do quinteto. Mas o que se ouvem nas 4 faixas do EP é um grupo que não tem por conformidade por meta de vida, ou seja, fazer mais do mesmo apenas para agradar certos setores da cena.

“Trincheira”: Uma faixa com boas mudanças de ritmo, agressiva e cheia de energia, daquelas que incitam o slamdancing facilmente. Cheia de bom trabalho técnico, se destacam baixo e bateria pelo peso e diversidade rítmica.

“Thrash Command”: Outra em que a pancadaria come solta, cheia de arranjos ganchudos, muita energia e empolgação, e mesmo algumas partes bem Death Metal surgem aqui e ali. As guitarras estão excelentes, com riffs fortes e solos caprichados.

“Primavera Nuclear”: Novamente trechos oriundos do Death Metal em termos de ritmo surgem, mas em geral é uma canção com tempos não muito velozes, mas com uma pegada daquelas que faz a cabeça balançar sozinha. Destaque para os contrastes dos vocais rasgados com os guturais.

“The Red Witch”: Força e peso bem acima da média, apresentando boa técnica, além daquela energia espontânea que embala o ouvinte. Mas existem alguns toques mais técnicos aqui e ali que tornam a audição um prazer.

Aliás, as letras ds canções são ótimas, falando de temas como o acidente nuclear de Chernobil (“Primavera Nuclear”), a psicopata Ilse Koch, esposa de Karl Otto Koch, comandante dos campos de extermínio de Buchenwald e Majdanek (“The Red Witch”), guerra (“Trincheira”), e mesmo a dureza da vida cotidiana dos fãs de Metal (“Thrash Command”).


Conclusão:

“Reattor” vem para mostrar que o Thrash Metal ainda tem muita lenha para queimar, e que o REATTOR é um nome bastante promissor do cenário brasileiro.

Só uma crítica: bem que “Reattor” poderia ser um álbum, pois a sensação de “quero mais” é inevitável...

Em tempo: o baterista Diego Almeida foi efetivado na banda após as gravações, e no baixo entrou Beto Júnior.


Nota: 8,4/10,0


Trincheira



The Red Witch


UGANGA - Servus


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Anno Domini (intro)
2. Servus
3. Medo
4. O Abismo
5. Dawn
6. Hienas
7. 7 Dedos (Seu Fim)
8. Couro Cru
9. Imerso     
10. Lobotomia
11. Fim de Festa
12. E.L.A.
13. Depois de Hoje...


Banda:


Manu Joker - Vocais
Murcego González - Guitarras
Christian Franco - Guitarras
Thiago Soraggi - Guitarras
“Ras” Franco - Baixo, vocais
Marco Henriques - Bateria


Ficha Técnica:

Manu Joker - Produção
Gustavo Vasquez - Produção, mixagem, masterização
Wendell Araújo - Artwork (capa e contracapa)
Marco Henriques - Artwork (encarte)


Contatos:

Site Oficial: www.uganga.com.br
Assessoria: www.somdodarma.com.br(Som do Darma)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Em geral, as más experiências com bandas geram desânimo, fraqueza, desistência, e então, o fim. Muitos cansam de apanhar dentro do cenário, seja no Brasil ou no exterior, pois fazer música (e tentar viver dela) nunca é algo simples. Mas existem bandas que não aceitam, não se rendem, e usam o caos e provações para se fortalecer e criar música.

Neste grupo, sem sombra de dúvidas, está o sexteto mineiro UGANGA, das férteis terras de Minas Gerais que, depois de realizar um exorcismo de emoções negativas e frustrações no DVD “Manifesto Cerrado”, enfim lança seu quinto álbum, “Servus”.


Análise geral:

Chamar o trabalho do grupo meramente de Thrashcore ou Crossover não lhe faz justiça. Se uma análise da música do sexteto for feita de forma mais profunda, serão percebidos traços de estilos não convencionais (e mesmo alienígenas ao Metal) no meio desse caldeirão musical/cultural que é o trabalho deles. O que se sente nas canções de “Servus” é que a liberação de emoções vista no DVD lhes fez bem.

Sim, até demais, pois apesar do estilo musical ainda ser o mesmo conhecido desde seus primeiros trabalhos, o sexteto soa mais coeso e evoluído, e bem mais solto. Mesmo porque a adição de uma terceira guitarra (com a entrada de Murcego González) deu mais “punch”, mais peso e agressividade, mas ajudou a aglutinar mais influências e certo “groove” ao som do sexteto.

Basicamente, quem já gostava do UGANGA antes, vai continuar gostando; quem não gostava até agora, precisa lhes dar uma chance.


Arranjos/composições:

A essência Thrashcore do grupo é evidente, puxando-os para algo mais direto e reto, mas quando o arcabouço de influências individuais começa a surgir, as músicas vão ganhando mais e mais diversidade em termos de arranjos. O ritmo continua sendo um dos pontos fortes do grupo: justamente por ter um amplo espectro de influências musicais, a diversidade rítmica é enorme.

Os vocais são, como sempre, muito bons. O uso dos timbres agressivos normais é entremeado por urros guturais aqui e ali, fora os backing vocals (que lembram aqueles usados por bandas de Hardcore “Old School”). As guitarras estão ótimas como sempre, mostrando um peso e agressividade, mas sem perder a noção melódica e certo groove latino.

E se preparem, pois eles podem ir de CRO-MAGSa LED ZEPPELIN com direito a toques à lá PANTERA em uma mesma canção de poucos minutos sem pudores. Mas quem conhece esses mineiros, não esperaria outra coisa.


Qualidade sonora:

Gravado, mixado e masterizado no Brasil, “Servus” soa ríspido e cru nas medidas certas para ter o “feeling” orgânico que o grupo tanto busca, mas sem abrir mão de algo feito com qualidade. Sim, tudo soa claro, intenso e pesado.

Mas existe um “segredo” no som do grupo: nada é gravado de forma a buscar os tons instrumentais mais absurdos possíveis. Longe disso: tudo é gravado da forma em que o UGANGA pode reproduzir ao vivo, ou seja, fogem de excessivas edições digitais. Soar cru e com qualidade é isso.


Arte gráfica/capa:

Feita em um digipak muito bonito, a arte de Wendell Araújo evoca a aura rebelde do Hardcore, mas ao mesmo tempo, invocando elementos de ancestralidade afro-brasileira (a figura da capa remete diretamente aos cultos de Cadomblé, Umbanda e outras vertentes da religiosidade em questão).


Destaques musicais:

UGANGA
Se a música do grupo mostra diversidade, não há pelo que se assustar, pois todas as canções de “Servus”soam coesas e consensuais. Talvez seja o disco mais evoluído, denso e pesado do grupo, mas não é nem de longe simples.

Melhores canções:

“Servus”: O ritmo em geral não é veloz, com ótimas conduções e backing vocals à lá H.C.N.Y. Mas existem partes bem “sabbáthicas” em alguns momentos (onde os vocais ganham tons mais amenos), partes de “1X1” herdadas do Crossover, e mesmo solos melódicos.

“Medo”: Hardcore à lá CRO-MAGS com o peso de partes mais cadenciadas e mesmo técnicas surgem. É uma música mais simples, direta e empolgante, graças às harmonias bem feitas.

“O Abismo”: Fugindo um pouco do Thrashcore, esta é uma canção longa e de andamento cadenciado, mas empolgante e cheia de ótimas melodias. As guitarras estão excelentes nos riffs, os solos são caprichados, esbanjando toques mezzo Tony Iommi, mezzo Southern Rock. Mas o peso da base baixo-bateria é incrível.

“Hienas”: Uma mistura de Thrashcore com Crossover e a adição pontual de elementos de Death Metal se faz presente, juntamente com momentos percussivos bem encaixados (juntamente com vocais cantando em uma entonação típica do Rapcore). Criativa e esmagadora de ossos.

“7 Dedos (Seu Fim)”: De cara, tem-se um ritmo mais voltado ao Hardcore europeu do início dos anos 80, mas logo surgem partes mais cadenciadas e remetendo ao Metal/Hardcore moderno. Outro ótimo momento da base rítmica, que dá peso e fluência à canção.

“Imerso”: Thrashcore com toques “grooveados” brasileiros de muito bom gosto. É uma canção permeada por uma aura agressiva de bruta, destilando revolta e peso ao mesmo tempo.

“Lobotomia”: Puro Hardcore à lá “Brazilian Way”, pois é uma versão do clássico do grupo paulista LOBOTOMIA. Mas esse “ramake” deles respeitou a original, logo, é uma faixa simples, direta, e agressiva até os dentes.

“E.L.A.”: “Scratches” e batidas programadas se mistura com viola caipira, além de vocais cantados em ritmo de Rap e MPB, e mesmo a presença de vocais femininos é perfeita. É um momento mais experimental, muito bem feito e que ajuda a dar uma folga aos ouvidos.

“Depois de Hoje...”: outra faixa bem experimental, com certo toque de Space Rock, com passagens mais lentas e efeitos eletrônicos. Mas a expressividade densa e agressiva dada pelos vocais ríspidos e riffs brutos.


Conclusão:

Uma verdade no final das contas: “Servus” é realmente fruto de todo processo de superação visto em “Manifesto Cerrado”, bem como uma resposta se a banda deveria ou não continuar (dúvida que eles tiveram na época).

E, diga-se de passagem: ainda bem que continuaram, pois a energia que flui desse disco mostra que o UGANGA é daqueles que faz falta demais.

Nota: 9,7/10,0

Servus



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sexta-feira, 12 de abril de 2019

FORKILL - At the Sound of the Devil's Bell


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Succubus’ Lament (intro)
2. Emperor of Pain
3. Let There Be Thrash
4. Keepers of Rage
5. Warlord
6. When Hell Rises
7. Leviathan (instrumental)
8. R. E. D.
9. Killed at Last
10. Old Skullz
11. In Your Face
12. Knight of Apocalypse (instrumental)
13. Vendetta


Banda:


Matt Silva - Vocais, guitarras
Ronnie Giehl - Guitarras
Gus “Guzzy” N. S. - Baixo
Rodrigo Tártaro - Bateria


Ficha Técnica:

Daniel Escobar - Produção, mixagem, masterização
Ronnie Giehl - Produção
Rafael Tavares - Artwork (capa)
Marcelo Mictian - Design, outline


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://wargodspress.com.br/wargods/(Wargods Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Essencialmente, o Thrash Metal é um estilo que empolga o ouvinte e o incita ao slamdancing por ser uma mistura do peso do Metal tradicional, a adrenalina e energia do Punk Rock/Hardcore, e as linhas melódicas do Hard Rock dos anos 70. Talvez seja o mais empolgante estilo extremo do Metal.

Hoje em dia, existem tantas vertentes de Thrash Metal que fica difícil acompanhar todas elas. Mas o melhor é poder ouvir bandas que mantém toda energia do passado aliada à uma formatação sonora mais moderna. E é o caso do “Old Skullz” cariocas do FORKILL, que após 6 anos de luta, enfim chega com seu segundo release, o álbum “At the Sound of the Devil’s Bell”.


Análise geral:

Para início de conversa, o quarteto sofreu várias mudanças de formação, entrando o guitarrista/vocalista Matt Souza e o baterista Rodrigo Tártaro, que trouxeram energia e juventude ao som do grupo. E aliados aos veteranos Ronnie Giehl e Gustavo N. S., responsáveis por manter a essência musical que apresentam desde o início, ou seja, Thrash Metal puro com ótimos “inserts” de Metal tradicional.

Basicamente, “At the Sound of the Devil’s Bell” é profundamente influenciado pelo Thrash Metal norte-americano, tendo referências claras em ANTHRAX, EXODUS, TESTAMENT, MEGADETH, FORBIDDEN e outros, mas mantendo aspectos herdados do Metal tradicional e toques de MOTÖRHEAD. Ou seja, é agressivo e bruto, mas permeado de ótimas melodias e técnica musical caprichada (sem ser excessiva)... Ou seja, sem ser nada inovador em termos de Thrash Metal, tem personalidade e é daqueles discos para ouvir de ponta a ponta sem enjoar. O headbanging é certo!


FORKILL
Arranjos/composições:

Se o aspecto técnico é bem feito, isso não tira a espontaneidade e energia de suas canções, que possuem riffs insanos, solos certeiros, uma saraivada de refrães viciantes, mas sempre com um alinhavo melodioso que vem do Metal tradicional dos anos 80.

Os andamentos variam bastante, mas sem complicar demais o trabalho da base rítmica (onde baixo e bateria focam em boas variações, mas sempre mantendo a pegada pesada), sempre com arranjos que chegam aos nossos ouvidos e se agarram aos tímpanos. Aliás, a dinâmica de arranjos e entre o instrumental e os vocais está de alto nível.


Qualidade sonora:

Há tempos que o trabalho de Daniel Escobar como produtor musical no Rio de Janeiro vem se mostrando de alto nível. E tendo Ronnie Giehl coproduzindo o disco, o resultado é simplesmente incrível: um som claro, pesado e bem definido, com os instrumentos fluindo separadamente, mas soando agressivo e com aquele “feeling” thrashy da segunda metade dos anos 80.

Ou seja, as modernas tecnologias de estúdio garantiram um produto final que soa claro aos ouvidos, mas pesado e com bons timbres instrumentais. Mas ao mesmo tempo, se mantém a personalidade “à moda antiga” do quarteto.


Arte gráfica/capa:

“Forkit” de “At the Sound of the Devil's Bell”
Pode-se dizer que a arte é a cereja do bolo desse CD.

Primeiramente, ele vem com um slipcase (algo raro em termos de discos de bandas brasileiras) com toda arte da capa e contracapa de “At the Sound of the Devil’s Bell”, onde a arte (muito bonita, por sinal) é uma clara referência a “Crusader” do SAXON, e cujo título remete a “At the Sound of the Demon Bell”, clássico do MERCYFUL FATE (a quarta faixa de “Melissa”, de 1983).

A diagramação do encarte ficou bem agressiva devido ao uso de tons de vermelho e preto, e se encaixa no que o quarteto faz musicalmente.

Além disso, o disco ainda trás um pôster com a capa do CD e fotos da banda, e um adesivo com o logotipo do FORKILL.


Destaques musicais:

Pode-se dizer que os seis anos entre os dois discos serviu para amadurecer bastante as composições de “At the Sound of the Devil’s Bell”, e dar a elas a finalização necessária. Assim, as composições soam homogêneas e fortes, com um impacto que deixa o ouvinte de queixo caído.

E se destacam as seguintes:

“Emperor of Pain”: Uma faixa empolgante, que já abre o disco em grande estilo. A velocidade é a característica de bandas de Thrash Metal clássico, mas com boas mudanças de andamento, além de um refrão que gruda nos ouvidos.

“Let There Be Thrash”: Aqui se tem aquele típico Thrashão para bater cabeça e cair no moshpit. Mais uma vez, o ritmo mostra mudanças, especialmente quando o refrão é apresentado. A ferocidade das guitarras nos riffs e solos é algo insano, sem falar que o baixo se evidencia bastante.

“Keepers of Rage”: O ritmo fica mais cadenciado, e a canção é mais abrasiva, com alguns toques de SLAYER, mas sem perder sua essência clássica. E que se diga que os vocais estão ótimos nesses timbres esganiçados.

“Warlord”: Nessa canção, algo do Thrash Metal alemão surge (lá do SODOM na época de “Agent Orange”), dando um aspecto mais bruto, mas o refrão se permite ser mais melodioso. E que backing vocals e riffs!

“When Hell Rises”: Essa tem um “outfit” que se pode encontrar em discos como “Show No Mercy” e “Hell Awaits”, apenas adaptado ao jeito mais clássico do grupo. Novamente, bons contrastes no trabalho rítmico nos são apresentados, fora uma bateria de peso e mantendo os tempos bem definidos.

“R. E. D.”: Veloz e instigante, já abre com uma virada de tanto, mais o ritmo reduz de velocidade em certo momento, onde os dois bumbos imperam. Logo o ritmo ganha mais velocidade, e perto do refrão, alguns toques mais técnicos são apresentados, sem contar alguns urros que surgem, e ótimos backing vocals mais uma vez. Outra que vai causar estragos nos ossos alheios nos shows.

“Killed at Last”: curta e grossa, essa tem um jeitão próximo ao Thrash Metal da escola de Nova York, especialmente ao ANTHRAX antigo. E mais uma vez, melodias simples e vocais muito bons.

“Old Skullz”: Se é possível imaginar uma canção onde se possa misturar elementos de MOTÖRHEAD, S.O.D. e ANTHRAX, é nessa. É uma declaração de guerra, uma constatação do jeito de ser do FORKILL, pois se denominar uma “caveira velha” é a mesma coisa que se dizer membro da velha guarda.

“In Your Face”: Aqui se percebe a agressividade respingando pelos alto-falantes. Além disso, baixo e bateria se evidenciam, graças às muitas mudanças de ritmo e técnica de ambos. É um murro nos dentes de tão boa, e que refrão!

“Vendetta”: Uma regravação de uma das melhores canções de “Breathing Hate”, aqui ganhando um toque mais atualizado, além de alguns toques mais caprichados em termos de técnica. Sem destoar da original, essa versão ficou excelente.

Vale citar que “Succubus’ Lament” é uma introdução climática com vocais femininos, enquanto “Leviathan”e “Knight of Apocalypse” são instrumentais acústicas, focada em cordas limpas e efeitos soturnos.

Ou seja, para se aproveitar esse discão, é preciso ouvir de ponta a ponta, sem pular faixas.


Conclusão:

Se as pessoas buscarem em “At the Sound of the Devil’s Bell” algo inovador, pode desistir. Repetindo: este é um disco de Thrash Metal clássico. Mas isso não significa que ele não seja um disco excelente (o que ele é, e muito), de personalidade e capaz de seduzir o ouvinte logo de cara.

E desta forma, pode-se dizer que o FORKILLse junta ao WOSLOM, ao VORGOK e ao ANCESTTRAL como grandes nomes do Classic Thrash Metal do Brasil.

Nota: 10,0/10,0


Emperor of Pain



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quinta-feira, 11 de abril de 2019

IN THE WOODS... - HEart of the Ages


Ano: 1995 (lançamento original) / 2019 (lançamento nacional)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Yearning the Seeds of a New Dimension
2. HEart of Ages
3. ...In The Woods...
- Prologue
- Memories of...
- Epilogue
4. Mourning the Death of Aase
5. Wotan’s Return
6. Pigeon
7. The Divinity of Wisdom
8. White Rabbit (Jefferson Airplane cover)


Banda:


Ovl. Svithjod - Vocais
Christian “X” Botteri - Guitarras
Oddvar A:M. - Guitarras
Christopher “C:M.” Botteri - Baixo


Ficha Técnica:

Bjorn “Berserk” Harstad - Produção
Trond Are - Produção
Thorbjorn Haugland - Artework
Anders Kobro - Bateria
Synne “Soprana” Larsen - Vocais femininos


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:


1993.

Este foi o ano em que a cena Metal da Noruega foi exposta ao mundo todo por conta do assassinato de Oystein Aarseth(conhecido como Euronymous, guitarrista e líder do MAYHEM). Basicamente, todos os olhares do mundo se voltaram para ver o que o país poderia oferecer musicalmente. Em verdade, o Black Metal recebeu uma formatação nova, fresca e inebriante por lá, ao ponto de gerar tantos subgêneros de si mesmo que chega a ser difícil a catalogação do mesmo.

1995.

Após dois anos, percebeu-se que a fragmentação do Black Metal havia gerado algo novo, sensacional e quem tem inúmeros representantes: o chamado Avant-garde/Progressive Black Metal, ou seja, a fusão de aspectos musicais do Black Metal “made in Norway” com aquela ambientação etérea e encorpada do Rock Progressivo dos anos 70. Grupos como VED BUENS ENDE, ARCTURUS e BORKNAGAR começaram a deixar sua marca na história do estilo.

Mas o que poucos sabem é que a Noruega teve (e ainda tem) um pioneiro do estilo: IN THE WOODS..., que está há anos lutando e lançando discos de primeira, sendo que o que teve maior impacto no Brasil é o seu primeiro lançamento, “HEart of the Ages” (sim, a grafia é assim mesmo). E a Cold Art Industry Records nos brinda com um luxuoso relançamento dessa obra de arte musical (no caso do Brasil, é a primeira vez que ele ganha uma versão nacional), com algumas surpresas realmente deliciosas.


Análise geral:

De seus pares de época, o IN THE WOODS... é o que tem uma maior influência de Rock Progressivo dos anos 70, em especial das viagens lisérgicas etéreas de YES e PINK FLOYD, e algo do famoso Space Rock com o uso de teclados que dão uma ambientação suave e mesmo introspectiva em muitos momentos, inclusive com o uso de vocais limpos muito bem encaixados. Mas quando o grupo pega pesado e mostra seu lado Black Metal, em nada fica a dever a nomes como SATYRICON e MAYHEM daqueles dias (embora o grupo seja musicalmente bem mais diversificado e técnico).

Existem também momentos mistos, onde os vocais limpos se encaixam sobre partes instrumentais mais ríspidas.

Para os dias de hoje, “HEart of the Ages” pode não parecer tão inovador ou experimental para os que não viveram aqueles anos entre 1993 e 1996, mas continua soando clássico, e é uma tentação aos fãs do gênero.


Arranjos/composições:

Como os grupos do gênero, o quarteto usa de muitas mudanças de ritmos e ambientações, o que faz com que suas longas canções não soem entediantes aos ouvidos. Além disso, o IN THE WOODS... tem por característica soar mais sujo, mais primordial em termos de Black Metal, quando mostra seu lado mais agressivo.

A dinâmica de andamentos, os encaixes dos arranjos musicais, tudo funciona perfeitamente, de forma espontânea, com uma vibração e energia que muitas vezes chega a surpreender o ouvinte. E isso é o que torna “HEart of the Ages” um disco único.


Qualidade sonora:

Nesse ponto, o grupo não foge do que as bandas da época faziam, ou seja, um “blend” da força, peso e crueza do Black Metal norueguês em termos de sonoridade. Mas sabendo que a música do quarteto precisava soar clara e inteligível para os ouvintes, Bjorn “Berserk” Harstad (o produtor) buscou algo que conseguisse ter clareza suficiente para tanto, mas sem que os tons instrumentais da banda deixassem sua sujeira natural.

Tal afirmação deixa claro que “HEart of the Ages” tem uma carga musical herdada do “true Norwegian Black Metal” de sua época, mas mesmo assim, com horizontes mais amplos.


Arte gráfica/capa:

Lembrando: esta é a primeira vez que “HEart of the Ages” recebe uma versão brasileira, que por si só já mostra diferenças.

A primeira é a existência de um “slipcase” de proteção da capa acrílica muito bem feita. O encarte foi todo reformulado, agora com as letras mais claras e inteligíveis que na versão original, brancas com um fundo preto, mas mantendo a fonte original, bem como suas linhas de rodapé. E é todo em papel envernizado brilhoso.

Trocando em miúdos: é a apresentação ideal para esse discão. E ainda tem pôster e um card que acompanham o CD, caso adquiram o disco na pré-venda.


Destaques musicais:

A verdade é que “HEart of the Ages” tem uma beleza estética que transcendeu os anos, e que continua tão envolvente quanto em Abril de 1995 (época de seu lançamento original). E além das sete canções da versão original, esta versão ainda tem um bônus.

“Yearning the Seeds of a New Dimension”: 12 minutos de puro prazer musical. Uma introspectiva e longa introdução de teclados precede uma parte calma e amena, focada em vocais limpos e foco nos teclados. Mas depois de dois versos, vem uma parte mais brutal, cheia de guitarras sujas em riffs rasgados e solos melodiosos, onde predominam vozes rasgadas, mas depois, mesmo ainda com distorção, vocais melodiosos surgem em uma sequência altamente envolvente e empolgante.

“HEart of the Ages”: Aqui, a coisa fica pesada e agressiva em um andamento lento e toques de Space Rock (por conta dos sintetizadores). Há algo do BATHORY da época de “Hammerheart”alinhavando a canção (provavelmente por conta das guitarras). Mas mesmo assim, existem partes mais Progressivas em diversos momentos.

“...In The Woods...”: Mesmo não tão longa assim, esta canção é dividida em 3 partes, com a primeira (“Prelude”) sendo puramente Black Metal na linha tradicional da Noruega, com guitarras bem agressivas. Na sequência, “Memories of...” vem em um meio termo entre o Black Metal tradicional e elementos de Rock Progressivo (muito devido aos vocais e backing vocals), com baixo e bateria mostrando serviço. “Epilogue” volta a ter prevalência ríspida e suja, mas com o andamento mais lento.

“Mourning the Death of Aase”: uma canção bem climática e introspectiva, como a introdução de “Yearning the Seeds of a New Dimension”, com muito foco nos teclados e tendo por diferencial o uso de belos vocais femininos, quase como em um lamento fúnebre.

“Wotan’s Return”: Agora se chega a 14 minutos de um verdadeiro festival de mudanças de ritmo, com prevalência de partes extremas (e de solos de guitarra técnicos), mas é bom notar que existe uma parte experimental no meio, algo bem soturno. Nela, o lado Progressivo realmente ficou oculto (a não ser pela boa técnica musical mostrada pelo quarteto).

“Pigeon”: segue a mesma linha Progressiva de “Mourning the Death of Aase”, com muita prevalência de teclados e pianos.

“The Divinity of Wisdom”: E lá vem outro gigante (mais de 9 minutos de duração), com momentos de riffs sujos e ríspidos sobre momentos mais Space Rock dos teclados, criando um início denso e melancólico. Óbvio que existem partes mais focadas na introspecção que são belíssimas, mas também aqueles outros em que a agressividade chega a saltar os olhos. E os vocais femininos mais uma vez dão aquele toque de beleza adicional.

“White Rabbit”: Esta é uma versão de um velho e conhecido “hit” do finado JEFFERSON AIRPLANE, que ficou mais pesada e densa devido à personalidade do quarteto norueguês. Mas não existem motivos para preocupação: esta não chega a alterar nada da versão original, mesmo com os acréscimos de teclados e distorção nas guitarras. E esta versão pertence a um Single do grupo, lançado em 1996 (no lado A, e no lado B está “Mourning the Death of Aase”).


Conclusão:

Enfim, o público brasileiro tem acesso a esse clássico do Avant-garde/Progressive Black Metal. E aproveitem, pois a versão nacional de “HEart of the Ages” é limitada a poucas cópias!

Ah, sim: como curiosidade, o IN THE WOODS... foi formado em 1991 por membros da formação original do GREEN CARNATION, banda fundada e liderada pelo guitarrista Tchort (ex-baixista do EMPEROR).


Nota: 100%


HEart of the Ages (álbum completo sem “White Rabbit”)



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