sexta-feira, 12 de abril de 2019

FORKILL - At the Sound of the Devil's Bell


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Succubus’ Lament (intro)
2. Emperor of Pain
3. Let There Be Thrash
4. Keepers of Rage
5. Warlord
6. When Hell Rises
7. Leviathan (instrumental)
8. R. E. D.
9. Killed at Last
10. Old Skullz
11. In Your Face
12. Knight of Apocalypse (instrumental)
13. Vendetta


Banda:


Matt Silva - Vocais, guitarras
Ronnie Giehl - Guitarras
Gus “Guzzy” N. S. - Baixo
Rodrigo Tártaro - Bateria


Ficha Técnica:

Daniel Escobar - Produção, mixagem, masterização
Ronnie Giehl - Produção
Rafael Tavares - Artwork (capa)
Marcelo Mictian - Design, outline


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://wargodspress.com.br/wargods/(Wargods Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Essencialmente, o Thrash Metal é um estilo que empolga o ouvinte e o incita ao slamdancing por ser uma mistura do peso do Metal tradicional, a adrenalina e energia do Punk Rock/Hardcore, e as linhas melódicas do Hard Rock dos anos 70. Talvez seja o mais empolgante estilo extremo do Metal.

Hoje em dia, existem tantas vertentes de Thrash Metal que fica difícil acompanhar todas elas. Mas o melhor é poder ouvir bandas que mantém toda energia do passado aliada à uma formatação sonora mais moderna. E é o caso do “Old Skullz” cariocas do FORKILL, que após 6 anos de luta, enfim chega com seu segundo release, o álbum “At the Sound of the Devil’s Bell”.


Análise geral:

Para início de conversa, o quarteto sofreu várias mudanças de formação, entrando o guitarrista/vocalista Matt Souza e o baterista Rodrigo Tártaro, que trouxeram energia e juventude ao som do grupo. E aliados aos veteranos Ronnie Giehl e Gustavo N. S., responsáveis por manter a essência musical que apresentam desde o início, ou seja, Thrash Metal puro com ótimos “inserts” de Metal tradicional.

Basicamente, “At the Sound of the Devil’s Bell” é profundamente influenciado pelo Thrash Metal norte-americano, tendo referências claras em ANTHRAX, EXODUS, TESTAMENT, MEGADETH, FORBIDDEN e outros, mas mantendo aspectos herdados do Metal tradicional e toques de MOTÖRHEAD. Ou seja, é agressivo e bruto, mas permeado de ótimas melodias e técnica musical caprichada (sem ser excessiva)... Ou seja, sem ser nada inovador em termos de Thrash Metal, tem personalidade e é daqueles discos para ouvir de ponta a ponta sem enjoar. O headbanging é certo!


FORKILL
Arranjos/composições:

Se o aspecto técnico é bem feito, isso não tira a espontaneidade e energia de suas canções, que possuem riffs insanos, solos certeiros, uma saraivada de refrães viciantes, mas sempre com um alinhavo melodioso que vem do Metal tradicional dos anos 80.

Os andamentos variam bastante, mas sem complicar demais o trabalho da base rítmica (onde baixo e bateria focam em boas variações, mas sempre mantendo a pegada pesada), sempre com arranjos que chegam aos nossos ouvidos e se agarram aos tímpanos. Aliás, a dinâmica de arranjos e entre o instrumental e os vocais está de alto nível.


Qualidade sonora:

Há tempos que o trabalho de Daniel Escobar como produtor musical no Rio de Janeiro vem se mostrando de alto nível. E tendo Ronnie Giehl coproduzindo o disco, o resultado é simplesmente incrível: um som claro, pesado e bem definido, com os instrumentos fluindo separadamente, mas soando agressivo e com aquele “feeling” thrashy da segunda metade dos anos 80.

Ou seja, as modernas tecnologias de estúdio garantiram um produto final que soa claro aos ouvidos, mas pesado e com bons timbres instrumentais. Mas ao mesmo tempo, se mantém a personalidade “à moda antiga” do quarteto.


Arte gráfica/capa:

“Forkit” de “At the Sound of the Devil's Bell”
Pode-se dizer que a arte é a cereja do bolo desse CD.

Primeiramente, ele vem com um slipcase (algo raro em termos de discos de bandas brasileiras) com toda arte da capa e contracapa de “At the Sound of the Devil’s Bell”, onde a arte (muito bonita, por sinal) é uma clara referência a “Crusader” do SAXON, e cujo título remete a “At the Sound of the Demon Bell”, clássico do MERCYFUL FATE (a quarta faixa de “Melissa”, de 1983).

A diagramação do encarte ficou bem agressiva devido ao uso de tons de vermelho e preto, e se encaixa no que o quarteto faz musicalmente.

Além disso, o disco ainda trás um pôster com a capa do CD e fotos da banda, e um adesivo com o logotipo do FORKILL.


Destaques musicais:

Pode-se dizer que os seis anos entre os dois discos serviu para amadurecer bastante as composições de “At the Sound of the Devil’s Bell”, e dar a elas a finalização necessária. Assim, as composições soam homogêneas e fortes, com um impacto que deixa o ouvinte de queixo caído.

E se destacam as seguintes:

“Emperor of Pain”: Uma faixa empolgante, que já abre o disco em grande estilo. A velocidade é a característica de bandas de Thrash Metal clássico, mas com boas mudanças de andamento, além de um refrão que gruda nos ouvidos.

“Let There Be Thrash”: Aqui se tem aquele típico Thrashão para bater cabeça e cair no moshpit. Mais uma vez, o ritmo mostra mudanças, especialmente quando o refrão é apresentado. A ferocidade das guitarras nos riffs e solos é algo insano, sem falar que o baixo se evidencia bastante.

“Keepers of Rage”: O ritmo fica mais cadenciado, e a canção é mais abrasiva, com alguns toques de SLAYER, mas sem perder sua essência clássica. E que se diga que os vocais estão ótimos nesses timbres esganiçados.

“Warlord”: Nessa canção, algo do Thrash Metal alemão surge (lá do SODOM na época de “Agent Orange”), dando um aspecto mais bruto, mas o refrão se permite ser mais melodioso. E que backing vocals e riffs!

“When Hell Rises”: Essa tem um “outfit” que se pode encontrar em discos como “Show No Mercy” e “Hell Awaits”, apenas adaptado ao jeito mais clássico do grupo. Novamente, bons contrastes no trabalho rítmico nos são apresentados, fora uma bateria de peso e mantendo os tempos bem definidos.

“R. E. D.”: Veloz e instigante, já abre com uma virada de tanto, mais o ritmo reduz de velocidade em certo momento, onde os dois bumbos imperam. Logo o ritmo ganha mais velocidade, e perto do refrão, alguns toques mais técnicos são apresentados, sem contar alguns urros que surgem, e ótimos backing vocals mais uma vez. Outra que vai causar estragos nos ossos alheios nos shows.

“Killed at Last”: curta e grossa, essa tem um jeitão próximo ao Thrash Metal da escola de Nova York, especialmente ao ANTHRAX antigo. E mais uma vez, melodias simples e vocais muito bons.

“Old Skullz”: Se é possível imaginar uma canção onde se possa misturar elementos de MOTÖRHEAD, S.O.D. e ANTHRAX, é nessa. É uma declaração de guerra, uma constatação do jeito de ser do FORKILL, pois se denominar uma “caveira velha” é a mesma coisa que se dizer membro da velha guarda.

“In Your Face”: Aqui se percebe a agressividade respingando pelos alto-falantes. Além disso, baixo e bateria se evidenciam, graças às muitas mudanças de ritmo e técnica de ambos. É um murro nos dentes de tão boa, e que refrão!

“Vendetta”: Uma regravação de uma das melhores canções de “Breathing Hate”, aqui ganhando um toque mais atualizado, além de alguns toques mais caprichados em termos de técnica. Sem destoar da original, essa versão ficou excelente.

Vale citar que “Succubus’ Lament” é uma introdução climática com vocais femininos, enquanto “Leviathan”e “Knight of Apocalypse” são instrumentais acústicas, focada em cordas limpas e efeitos soturnos.

Ou seja, para se aproveitar esse discão, é preciso ouvir de ponta a ponta, sem pular faixas.


Conclusão:

Se as pessoas buscarem em “At the Sound of the Devil’s Bell” algo inovador, pode desistir. Repetindo: este é um disco de Thrash Metal clássico. Mas isso não significa que ele não seja um disco excelente (o que ele é, e muito), de personalidade e capaz de seduzir o ouvinte logo de cara.

E desta forma, pode-se dizer que o FORKILLse junta ao WOSLOM, ao VORGOK e ao ANCESTTRAL como grandes nomes do Classic Thrash Metal do Brasil.

Nota: 10,0/10,0


Emperor of Pain



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quinta-feira, 11 de abril de 2019

IN THE WOODS... - HEart of the Ages


Ano: 1995 (lançamento original) / 2019 (lançamento nacional)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Yearning the Seeds of a New Dimension
2. HEart of Ages
3. ...In The Woods...
- Prologue
- Memories of...
- Epilogue
4. Mourning the Death of Aase
5. Wotan’s Return
6. Pigeon
7. The Divinity of Wisdom
8. White Rabbit (Jefferson Airplane cover)


Banda:


Ovl. Svithjod - Vocais
Christian “X” Botteri - Guitarras
Oddvar A:M. - Guitarras
Christopher “C:M.” Botteri - Baixo


Ficha Técnica:

Bjorn “Berserk” Harstad - Produção
Trond Are - Produção
Thorbjorn Haugland - Artework
Anders Kobro - Bateria
Synne “Soprana” Larsen - Vocais femininos


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:


1993.

Este foi o ano em que a cena Metal da Noruega foi exposta ao mundo todo por conta do assassinato de Oystein Aarseth(conhecido como Euronymous, guitarrista e líder do MAYHEM). Basicamente, todos os olhares do mundo se voltaram para ver o que o país poderia oferecer musicalmente. Em verdade, o Black Metal recebeu uma formatação nova, fresca e inebriante por lá, ao ponto de gerar tantos subgêneros de si mesmo que chega a ser difícil a catalogação do mesmo.

1995.

Após dois anos, percebeu-se que a fragmentação do Black Metal havia gerado algo novo, sensacional e quem tem inúmeros representantes: o chamado Avant-garde/Progressive Black Metal, ou seja, a fusão de aspectos musicais do Black Metal “made in Norway” com aquela ambientação etérea e encorpada do Rock Progressivo dos anos 70. Grupos como VED BUENS ENDE, ARCTURUS e BORKNAGAR começaram a deixar sua marca na história do estilo.

Mas o que poucos sabem é que a Noruega teve (e ainda tem) um pioneiro do estilo: IN THE WOODS..., que está há anos lutando e lançando discos de primeira, sendo que o que teve maior impacto no Brasil é o seu primeiro lançamento, “HEart of the Ages” (sim, a grafia é assim mesmo). E a Cold Art Industry Records nos brinda com um luxuoso relançamento dessa obra de arte musical (no caso do Brasil, é a primeira vez que ele ganha uma versão nacional), com algumas surpresas realmente deliciosas.


Análise geral:

De seus pares de época, o IN THE WOODS... é o que tem uma maior influência de Rock Progressivo dos anos 70, em especial das viagens lisérgicas etéreas de YES e PINK FLOYD, e algo do famoso Space Rock com o uso de teclados que dão uma ambientação suave e mesmo introspectiva em muitos momentos, inclusive com o uso de vocais limpos muito bem encaixados. Mas quando o grupo pega pesado e mostra seu lado Black Metal, em nada fica a dever a nomes como SATYRICON e MAYHEM daqueles dias (embora o grupo seja musicalmente bem mais diversificado e técnico).

Existem também momentos mistos, onde os vocais limpos se encaixam sobre partes instrumentais mais ríspidas.

Para os dias de hoje, “HEart of the Ages” pode não parecer tão inovador ou experimental para os que não viveram aqueles anos entre 1993 e 1996, mas continua soando clássico, e é uma tentação aos fãs do gênero.


Arranjos/composições:

Como os grupos do gênero, o quarteto usa de muitas mudanças de ritmos e ambientações, o que faz com que suas longas canções não soem entediantes aos ouvidos. Além disso, o IN THE WOODS... tem por característica soar mais sujo, mais primordial em termos de Black Metal, quando mostra seu lado mais agressivo.

A dinâmica de andamentos, os encaixes dos arranjos musicais, tudo funciona perfeitamente, de forma espontânea, com uma vibração e energia que muitas vezes chega a surpreender o ouvinte. E isso é o que torna “HEart of the Ages” um disco único.


Qualidade sonora:

Nesse ponto, o grupo não foge do que as bandas da época faziam, ou seja, um “blend” da força, peso e crueza do Black Metal norueguês em termos de sonoridade. Mas sabendo que a música do quarteto precisava soar clara e inteligível para os ouvintes, Bjorn “Berserk” Harstad (o produtor) buscou algo que conseguisse ter clareza suficiente para tanto, mas sem que os tons instrumentais da banda deixassem sua sujeira natural.

Tal afirmação deixa claro que “HEart of the Ages” tem uma carga musical herdada do “true Norwegian Black Metal” de sua época, mas mesmo assim, com horizontes mais amplos.


Arte gráfica/capa:

Lembrando: esta é a primeira vez que “HEart of the Ages” recebe uma versão brasileira, que por si só já mostra diferenças.

A primeira é a existência de um “slipcase” de proteção da capa acrílica muito bem feita. O encarte foi todo reformulado, agora com as letras mais claras e inteligíveis que na versão original, brancas com um fundo preto, mas mantendo a fonte original, bem como suas linhas de rodapé. E é todo em papel envernizado brilhoso.

Trocando em miúdos: é a apresentação ideal para esse discão. E ainda tem pôster e um card que acompanham o CD, caso adquiram o disco na pré-venda.


Destaques musicais:

A verdade é que “HEart of the Ages” tem uma beleza estética que transcendeu os anos, e que continua tão envolvente quanto em Abril de 1995 (época de seu lançamento original). E além das sete canções da versão original, esta versão ainda tem um bônus.

“Yearning the Seeds of a New Dimension”: 12 minutos de puro prazer musical. Uma introspectiva e longa introdução de teclados precede uma parte calma e amena, focada em vocais limpos e foco nos teclados. Mas depois de dois versos, vem uma parte mais brutal, cheia de guitarras sujas em riffs rasgados e solos melodiosos, onde predominam vozes rasgadas, mas depois, mesmo ainda com distorção, vocais melodiosos surgem em uma sequência altamente envolvente e empolgante.

“HEart of the Ages”: Aqui, a coisa fica pesada e agressiva em um andamento lento e toques de Space Rock (por conta dos sintetizadores). Há algo do BATHORY da época de “Hammerheart”alinhavando a canção (provavelmente por conta das guitarras). Mas mesmo assim, existem partes mais Progressivas em diversos momentos.

“...In The Woods...”: Mesmo não tão longa assim, esta canção é dividida em 3 partes, com a primeira (“Prelude”) sendo puramente Black Metal na linha tradicional da Noruega, com guitarras bem agressivas. Na sequência, “Memories of...” vem em um meio termo entre o Black Metal tradicional e elementos de Rock Progressivo (muito devido aos vocais e backing vocals), com baixo e bateria mostrando serviço. “Epilogue” volta a ter prevalência ríspida e suja, mas com o andamento mais lento.

“Mourning the Death of Aase”: uma canção bem climática e introspectiva, como a introdução de “Yearning the Seeds of a New Dimension”, com muito foco nos teclados e tendo por diferencial o uso de belos vocais femininos, quase como em um lamento fúnebre.

“Wotan’s Return”: Agora se chega a 14 minutos de um verdadeiro festival de mudanças de ritmo, com prevalência de partes extremas (e de solos de guitarra técnicos), mas é bom notar que existe uma parte experimental no meio, algo bem soturno. Nela, o lado Progressivo realmente ficou oculto (a não ser pela boa técnica musical mostrada pelo quarteto).

“Pigeon”: segue a mesma linha Progressiva de “Mourning the Death of Aase”, com muita prevalência de teclados e pianos.

“The Divinity of Wisdom”: E lá vem outro gigante (mais de 9 minutos de duração), com momentos de riffs sujos e ríspidos sobre momentos mais Space Rock dos teclados, criando um início denso e melancólico. Óbvio que existem partes mais focadas na introspecção que são belíssimas, mas também aqueles outros em que a agressividade chega a saltar os olhos. E os vocais femininos mais uma vez dão aquele toque de beleza adicional.

“White Rabbit”: Esta é uma versão de um velho e conhecido “hit” do finado JEFFERSON AIRPLANE, que ficou mais pesada e densa devido à personalidade do quarteto norueguês. Mas não existem motivos para preocupação: esta não chega a alterar nada da versão original, mesmo com os acréscimos de teclados e distorção nas guitarras. E esta versão pertence a um Single do grupo, lançado em 1996 (no lado A, e no lado B está “Mourning the Death of Aase”).


Conclusão:

Enfim, o público brasileiro tem acesso a esse clássico do Avant-garde/Progressive Black Metal. E aproveitem, pois a versão nacional de “HEart of the Ages” é limitada a poucas cópias!

Ah, sim: como curiosidade, o IN THE WOODS... foi formado em 1991 por membros da formação original do GREEN CARNATION, banda fundada e liderada pelo guitarrista Tchort (ex-baixista do EMPEROR).


Nota: 100%


HEart of the Ages (álbum completo sem “White Rabbit”)



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segunda-feira, 8 de abril de 2019

TORMENTA - Batismo da Dor


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Cumulusnimbus
2. Batismo da Dor
3. Escravo da Ilusão
4. Reféns do Medo
5. Em Nome de Deus
6. Dono da Verdade
7. Antaustorm’
8. A Noite Espessa
9. Perseverança
10. Mal Necessário


Banda:


Rogener Pavinski - Vocais, guitarras
Flávio Santana - Guitarras
Fernando “Muttley” - Baixo
Luis Fregonesi - Bateria


Ficha Técnica:

Tormenta - Produção
Rômulo Felício - Gravação, mixagem, masterização
Rogener Pavinski - Gravação, mixagem, masterização, sintetizadores, violão, arte do encarte


Contatos:

Assessoria: http://metalmedia.com.br/tormenta/(Metal Media)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A dura realidade brasileira, muito provavelmente, é um dos fatores mais relevantes para a prevalência do Metal extremo de nosso país. Poderia até se dizer que 70-75% do que é feito em termos de Metal por aqui está nas vertentes mais agressivas. Mas esta prevalência acaba fazendo com que os ouvintes sejam bem seletivos.

Mas uma dica a estes: ouçam o trabalho do quarteto TORMENTA, um veterano de Ribeirão Preto (SP) que tem mais de 20 anos de luta nas costas, e que agora consegue chegar ao seu primeiro disco, “Batismo da Dor”.


Análise geral:

Basicamente, é um disco de Thrash Metal com aquela mistura de aspectos agressivos de METALLICA e SLAYER, com um equilíbrio entre estas influências. Mas existem partes em que um lado melódico mais apurado surge (especialmente nos ótimos riffs e solos de guitarras), além de uma técnica muito boa herdada do Techno Thrash do KREATOR antigo.

Embora não seja inovador em termos de estilo, sente-se que o grupo tem personalidade, e poderia ir além (ouçam a belíssima instrumental “Antaustorm’” e entenderão isso claramente), mas “Batismo da Dor” já é, por si só, um disco muito bom, que empolga o ouvinte desde a primeira audição.


Arranjos/composições:

Como já dito acima, o Thrash Metal do grupo, embora focado em algo que se equilibra entre a técnica e a agressividade, tem ótimos arranjos, alguns deles tão simples que não saem mais da memória do ouvinte. Além disso, não são um grupo de um “fôlego só”, ou seja, existe boa diversidade de ritmos, o que força baixo e bateria a mostrarem peso e trabalho.

Mas cuidado: existem claros toques de Hardcore em vários momentos, deixando tudo ainda mais agressivo.

Ou seja: é um disco quase que impossível de resistir!


TORMENTA
Qualidade sonora:

A produção ficou nas mãos da banda, tendo a dupla formada por Rômulo Felício e Rogener Pavinski cuidado da gravação, mixagem e masterização, garantindo assim uma qualidade sonora que permita entender o que estão tocando com clareza (fator auxiliado pela boa escolha de timbres instrumentais), mas sem que se perca a agressividade tão seminal da música do TORMENTA.


Arte gráfica/capa:

A capa é uma imagem de Enrico Ferrarini, chamada “Urlo”, que se encaixa no contexto musical/lírico do grupo. O encarte, por sua vez, ficou mais simples, direto e funcional. Ainda é necessário dizer que na diagramação de cada letra existe uma referência filosófica que a precede, para esclarecer o que o grupo quer dizer nas letras.


Destaques musicais:

“Batismo da Dor” é um disco que levou mais de duas décadas para ser lançado, mas nem por isso soa datado ou sem energia. De forma algum, suas canções soam atuais e cheias de vida. E as melhores são:

Melhores momentos:

“Batismo da Dor”: Riffs intensos e grudentos à lá SLAYER da época de “Hell Awaits” grudam nos ouvidos, mas a canção inteira é permeada por “inserts” de Hardcore que encaixaram como uma luva.

“Escravo da Ilusão”: Aqui o ritmo começa a mostrar maior alternância. 70% tem aquela pegada em tempo mediano, mas existem partes mais lentas que encaixaram perfeitamente. E que belo trabalho de baixo e bateria.

“Reféns do Medo”: Uma das mais canções mais cadenciadas, mostrando uma energia absurda e um trabalho de guitarras maravilhoso, especialmente porque os solos transpiram melodias bem pensadas.

“Antaustorm’”: Justamente por ser um momento mais introspectivo e melodioso, com uma ambientação sombria, que merece ser aplaudida. A presença de sintetizadores e violão deu um jeitão diferente que merece ser explorado futuramente em suas canções.

“A Noite Espessa”: Mais uma em que a força da Velha Escola surge em suas harmonias bem feitas. Os vocais agressivos em tons normais (bem similar ao que se ouve em bandas antigas de Hardcore) ficaram bem legais, mas podem melhorar ainda mais no futuro.

“Perseverança”: E eis que o grupo começa a ousar a sair dos modelos musicais pré-existentes. O início é bem melancólico e sombrio, até que vira uma explosão de agressividade encorpada e moldada por belas melodias.

“Mal Necessário”: Outra em que melodias soturnas vão adentrando o abrasivo conteúdo musical do grupo. É uma canção moderna, bem feita, e que mostra o quanto o quarteto pode oferecer.


Conclusão:

A verdade é que “Batismo da Dor” poderia (e deveria) ter sido lançado há alguns anos, pois o cenário merece uma banda com tal potencial. E pode-se dizer que o TORMENTA tem tudo para ser grande, pois é atrevido o suficiente para ousar. E ser ousado é necessário sempre.

No mais, ouçam, comprem e prestigiem, pois o grupo merece aplausos.


Nota: 91%


Batismo de Fogo


  
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terça-feira, 26 de março de 2019

ROTTEN FILTHY - The Hierophant


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. Freezing Desolation
3. Monarchy of Bliss
4. The Wise and His Servants
5. Into a Sacred Rite
6. Principle of Pain
7. Tyet
8. Lady of Sword
9. V (instrumental)
10. At the Depths of Your Realm
11. Ancient Pray
12. Outro (instrumental)


Banda:


James Pugens - Vocais
Alex Mentz - Guitarras
Marcelo Caminha Filho - Baixo
Guilherme Machine - Bateria


Ficha Técnica:

Marcello Caminha - Violão em “Freezing Desolation” e “Ancient Pray”
Bollet - Mixagem, masterização, vocais em “Principle of Pain”


Contatos:

Site Oficial:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Basicamente, desde que o SEPULTURA lançou “Schizophrenia”em 1987, houve a sedimentação do que se define como Thrash/Death Metal no Brasil, bem como seu gêmeo Death/Thrash Metal (sim, a ordem alterna o produto final neste caso). De lá para cá, muitos trabalhos foram lançados, alguns com enfoque mais Old School, outros mais atuais, e alguns outros aglutinam influências diversificadas.

E mais interessante ainda é ver que, neste último segmento, o quarteto gaúcho ROTTEN FILTHY consegue ser criativo, como mostra em “The Hierophant”, seu disco mais recente.


Análise geral:

O grupo continua sendo brutal e ríspido como sempre foi em seu jeito Death/Thrash Metal de ser, com a diferença que neste (que é seu segundo álbum) existe a adição de elementos musicais diferentes, como tempos quebrados, influências de Jazz e outros (em um estilo semelhante ao que o DEATHfazia na época de “Individual Thought Patterns”). Mas não se enganem os mais apressadinhos (e radicais): a identidade musical deles não está alterada.

Sim, “The Hierophant” é um bom disco.


Arranjos/composições:

Como existe maior prevalência de elementos diferentes, obviamente que o resultado final soa técnico aos ouvidos, mas não existe a perda de peso ou mesmo de objetividade. Além disso, mesmo mais bem arranjado, não houve diminuição no jeito espontâneo de ser.

Aliás, a energia do disco chega a beira o ao vivo, com alguns pontos estrategicamente pensados nesse sentido (como a ausência de guitarra base no solo em “Freezing Desolation”). Isso os faz soar espontâneos e crus, mas com as vantagens de uma gravação de estúdio.


Qualidade sonora:

Ao se falar na qualidade sonora, ela soa crua e bruta. Isso se deve justamente à busca de algo com o “feeling” de um show ao vivo, sem exagerar muito nas edições e tocando apenas o que se pode conseguir de um show. Mas isso não significa que esteja embolado ou desconexo, de forma alguma. O problema ficou na gravação em si, não na mixagem ou masterização.

Existem formas diferentes de se fazer isso e obter resultados mais consistentes, pois o resultado final poderia ser bem melhor, mas não está ruim. O trabalho de Bollet na mixagem e masterização (feitas Civil Alien Studios, em Los Angeles) ficou ótimo.


Arte gráfica/capa:

A arte não é complexa em termos de design. Em compensação, há um autêntico “tsunami” de interpretações possíveis, todas de forma subjetiva. Mas Hierofante vem do grego ἱεροφάντης (Hierophantes), que significa literalmente “aquele que explica as coisas sagradas”, e é a denominação usada para sumo sacerdotes no Egito e Grécia na antiguidade. Ou seja, existe algo de fundo metafísico na arte, e não é sem motivação.


Destaques musicais:

“The Hierophant” é um disco denso, pesado e com momentos extremamente ácidos, e suas canções realmente são mostras de um grupo que precisa ser mais conhecido pelos fãs de Metal extremo.

Melhores momentos:

“Freezing Desolation”: Guitarras ferozes e pesadas, além de uma pegada envolvente, alguns momentos no baixo lembram a técnica de Alex Webster, mas não se assustem, pois as mudanças de ritmo são excelentes (além do refrão grudento).

“Monarchy of Bliss”: O gutural profundo do início não é de todo compatível com o instrumental cadenciado, mas a canção é recheada de partes ótimas. E como baixo e bateria estão bem.

“The Wise and His Servants”: Uma “vibe” modernosa se mescla à influência de BLACK SABBATH (por conta dos riffs) e CANNIBAL CORPSE (esse baixista tem uns dez dedos, não é possível). Sim, é isso que leu, e é uma faxia cheia de momentos sinuosos do instrumental.

“Principle of Pain”: Com o jeito mais grooveado que oscila entre partes mais técnicas e outras com claro toque de melancolia, é um dos momentos mais viajantes de todo o disco, fugindo bastante do convencional.

“Tyet”: Outra em que a modernidade deu as caras, e é orientada para algo que soa técnico e desconexo. Nessa, esses timbres vocais esganiçados encaixaram como uma luva.

“V”: mais de 8 minutos de uma instrumental fluida e cheia de vibração. Óbvio que o grupo vai despejando toda sua técnica virtuosa sobre o ouvinte, mas sempre indo de momentos à lá BLACK SABBATH com outros em uma ambientação puramente moderna.


Conclusão:

“The Hierophant” é um disco e tanto, e o ROTTEN FILTHY tende a crescer mais e mais. Aparando as arestas e buscando uma gravação melhor, ninguém os segura.


Nota: 85%


Tyet



Disco completo



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