segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

TUATHA DE DANANN - The Tribes of Witching Souls


Ano: 2019
Tipo: Extended Play (EP)
Nacional

Tracklist:

1. The Tribes of Witching Souls
2. Turn
3. Warrior Queen
4. Your Wall Shall Fall
5. Conjura
6. Outcry
7. Tan Pinga Ra Tan
8. Rhymes Against Humanity (Demo 2004) (faixa bônus)
9. The Tribes of Witching Souls (Demo Instrumental) (faixa bônus)


Banda:



Bruno Maia - Vocais, flautas, guitarras, viola, bouzouki, mandolin, banjo
Giovani Gomes - Baixo, vocais urrados
Edgard Brito - Teclados


Ficha Técnica:

Bruno Maia - Produção
Brendan Duffey - Mixagem de “The Tribes of Witching Souls”, “Turn”, “Warrior Queen”, “Your Wall Shall Fall” e “Conjura”, masterização
Fabrício Altino - Bateria, mixagem de “Outcry” e “Tan Pinga Ra Tan”
Paulo “Coruja” Oliveira - Arte da capa
Edgar Franco - Ilustração de Gaia (encarte)
Eduardo Vidiabos - Ilustração do Bardo (parte interna da capa)
Martin Walkyier - Vocais em “Your Wall Shall Fall”
Dana Russi Maia - Vocais em “Warrior Queen”
Daisa Munhoz - Vocais em “Warrior Queen”
Fernanda Lira - Vocais em “Tan Pinga Ra Tan”
Nita Rodrigues - Vocais em “Tan Pinga Ra Tan”
Rodrigo Abreu - Bateria em “Your Wall Shall Fall”
Alex Navar - Gaita de fole em “Turn” e “Your Wall Shall Fall”
Nathan Viana - Violino
Jacqueline Taylor - Guitarra em “Your Wall Shall Fall”
David Briggs - Bodhan em “Warrior Queen”
Rafael Salobrena - Bodhan em “Warrior Queen”

Contatos:

Site Oficial: http://www.tuathadedanann.art.br/
Facebook: https://www.facebook.com/Tuathadedanannofficial/
Instagram: https://www.instagram.com/tuathaofficial/
Assessoria:
E-mail: contato@tuathadedanann.art.br

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Fazer algo dentro do conhecido Folk Metal no Brasil sempre foi difícil, pois lidar com o preconceito “true Metal” que acaba tornando muitos fãs surdos a algo fora do convencional não é fácil. É preciso talento para calar e convencer os que acreditam nisso.

Mas ainda bem que tal fato não impede muitas bandas de trilharem por este caminho. E o pioneiro do gênero por aqui é o TUATHA DE DANANN, os bardos de Varginha (MG), que tiveram enorme sucesso nos primeiros anos da década passada, e que após ficarem em silêncio de 2004 a 2015 (somente um vídeo ao vivo foi lançado em 2009), eles voltaram em 2015 com “Dawn of a New Sun” e estão em atividade constante, fazendo shows e agora, sedimentam esse retorno em alto nível com “The Tribes of Witching Souls”, seu mais recente lançamento, um EP que a Heavy Metal Rock colocou no mercado.


Análise geral: Basicamente, o estilo do grupo foi amadurecendo com o passar dos anos, ficando cada vez mais Folk/Celtic Metal, e mesmo mantendo algumas influências extremas pontuais (alguns vocais mais agressivos), ele está mais encorpado e justo. Fica óbvio aos ouvidos mais experientes que o grupo tem (como sempre teve) um toque de Rock Progressivo dos anos 70 (algo de JETHRO TULL) mesclado às influências de Metal tradicional e Power Metal, além da adição de música Folk e Celta do Velho Continente.

Basicamente: o grupo criou uma forma musical para si em uma época em que esta vertente do Metal ainda engatinhava, onde a maioria apenas usava de melodias Folk com uma pegada Metal. Isso porque o grupo foi fundado em 1995, poucos anos depois do pioneiro SKYCLAD dar o ponto de partida, usando violinos.

Desta forma, estabelece-se a importância histórica e a originalidade do TUATHA DE DANANN.


Visão interna da arte
Arranjos/composições: A beleza de suas composições não precisa ser mais exaltada do que comumente já é. A riqueza de arranjos e a capacidade de unir tantas influências díspares em uma música sólida e consensual não é um trabalho lá muito fácil. Mas eles conseguiram nos passado e ainda conseguem, especialmente quando saem do convencional, como na versão orquestral de “Tan Pinga Ra Tan”(originalmente do clássico “Tingaralatingadun”), e na beleza interiorizada da versão acústica de “Outcry” (de “Dawn of a New Sun”).

Ah, nas inéditas? 

Eles simplesmente mostram o motivo de serem tão respeitados no cenário: não deixam espaços para palavras negativas, com arranjos muito bem feitos, linhas melódicas de simples assimilação e bom nível técnico. E isso sem mencionar os convidados especiais que deram um brilho todo especial às canções onde aparecem.


Qualidade sonora: O fundador do grupo, Bruno Maia, tomou as rédeas da produção do EP, tendo Brendan Duffey e Fabrício Altino cuidando da mixagem (sendo que Brendan ainda fez a masterização). A sonoridade de “The Tribes of Witching Souls” é linda, consegue ter peso, clareza e agressividade necessárias para que as canções soem consensuais e inteligíveis para os ouvintes. E fazer isso com tantos instrumentos musicais diferentes é bem difícil, que fique claro.


Arte gráfica/capa: Não é de se espantar que o trabalho gráfico do EP seja tão belo e de alto nível, com capa, espelho, contracapa e encarte perfeitos em termos de arte visual. Sempre fizeram algo mais belo, que apresentasse aos fãs e ouvintes aquilo que a música vem a transmitir.
Arte de Gaia de Edgar Franco (usada no encarte e
na capa do Single 
“Your Wall Shall Fall”).


Destaques musicais: Basicamente, não existem “melhores momentos” em “The Tribes of Witching Souls”, pois o EP inteiro é irresistivelmente maravilhoso. Não há música no disco que seja dispensável, que esteja abaixo ou acima das outras.

“The Tribes of Witching Souls”: É uma típica canção que o grupo costuma fazer, com ótimas linhas melódicas de simples assimilação, andamento nem lento ou veloz, e tudo adornado com ótimos arranjos de instrumentos Folk. Óbvio que os vocais estão maravilhosos, tanto nos normais, nos corais e mesmo nos pontuais urros guturais.

“Turn”: Aqui já surge uma “vibe” um pouco mais moderna e agressiva devido à predominância dos ótimos riffs de guitarra. Mas certo toque de Prog metal surge na ambientação da canção, isso sem mencionar que os teclados e refrão estão excelentes.

“Warrior Queen”: Belíssimos vocais femininos adornam essa canção que está muito mais próxima ao Folk puro por conta das melodias e prevalência de teclados, violinos e flautas. E que toque de beleza extra graças aos vocais femininos.

“Your Wall Shall Fall”: Apesar da ambientação Celta/Épica, a voz marcante e ríspida de Martin Walkyier (o fundador do SKYCLAD, que tem passagens pelo SABBAT e HELL, e é o pai por direito do Folk Metal, e que já havia gravado uma participação com os mineiros em “Rhymes Against Humanity” no disco anterior) dá aquela dose extra de agressividade. E é praticamente impossível não cantarolar o refrão após a primeira audição.

“Conjura”: Uma canção mestiça, aonde um jeito mais bruto vindo do Metal moderno se encaixa na base inspirada pelo Rock Progressivo setentista. Óbvio que as melodias inspiradas pelo Folk estão presentes graças aos instrumentos característicos do gênero, mas o conjunto dos vocais é belíssimo, bem como a força da base rítmica de baixo e bateria.

“Outcry”: Como já citado, é a versão acústica da mesma canção presente em “Dawn of a New Sun”. Mas é incrível como o uso de viola cria uma ambientação melancólica e intimista, e que ótimos vocais.

“Tan Pinga Ra Tan”: O jeito mais intimista casou bem com essa canção puramente Folk. A voz limpa de Fernanda Lira (do NERVOSA) e de Nita Rodrigues encaixaram perfeitamente nesse “remake” providencial (isso sem mencionar que o uso de flautas e violas é de alto nível).

As duas faixas bônus são as versões Demo de “Rhymes Against Humanity” (lá de 2004) e “The Tribes of Witching Souls” (aqui em sua forma Instrumental) são ótimas, e servem para dar aquele encerramento com chave de ouro ao disco.

Ah, sim: “Your Wall Shall Fall” e “Conjura” estão com a ordem trocada na contracapa do EP.


Conclusão: O TUATHA DE DANANN mostra em “Tribes of the Witching Souls” que ainda são únicos dentro do que fazem, que merecem aplausos e fizeram deste EP um dos melhores lançamentos do ano.

Nota: +100%

“Tribes of the Witching Souls”: http://bit.ly/2NoOKM0




“Your Wall Shall Fall”: http://bit.ly/2NoOKM0

ROADIE METAL DVD Volume II



Ano: 2019
Tipo: DVD
Nacional


Tracklist:


1. TORTURE SQUAD - Don’t Cross My Path
2. TRATOR BR - Floresta Armada
3. DEATH CHAOS - Hammerdown
4. MELANIE KLAIN - Lavagem Cerebral
5. DYNASTY - Step By Step
6. HEAVENLESS - The Reclaim
7. SINERA - Com as Próprias Mãos
8. SEVENTH SIGN FROM HEAVEN - The Devil Fears My Name
9. VALLEY OF ARMORES HEART - Brave Armores Heart
10. NETUNO DOOM - The Second Sun
11. ARTILHARIA - Assalto ao Monte Castelo
12. KAVERNOSOS - Por Fé Final
13. FACES OF DEATH - Consummatum Est


Contatos:

  
Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: DVDs, até alguns anos atrás, vinham apenas suprir a lacuna deixada por shows em países de difícil acesso (imaginem a dificuldade de se tocar em países do Oriente Médio ou mesmo em Bangladesh), ou como documentários sobre uma banda (ou dado momento de suas carreiras, como a gravação de um novo disco). Mas um novo formato começa a estabelecer-se no cenário: as coletâneas de bandas em DVD, uma forma de distribuir e divulgar trabalhos de uma forma delas que, apesar da existência das plataformas digitais na internet, ainda possuem enorme “appeal”. Sim, ali se encontram vídeos oficiais e lyric vídeos das mesmas, em um pacote eclético. E um nome que começa a sua sequência em série é da “Roadie Metal”, que chega ao segundo volume nesse formato.


Análise geral: No caso, tem-se dessa vez um DVD simples (o primeiro volume foi duplo), com 13 bandas de vertentes diferentes de Metal. Tal ecletismo sempre foi um problema para os fãs mais radicais, mas é justamente onde o fã irá ganhar: tem uma banda que gosta, pode achar nas outras algo diferente que venha a gostar.

No caso, tem-se o Death Metal bruto e bem feito do DEATH CHAOS ao lado do Metal moderno e grooveado do MELANIE KLAIN; o Metal tradicional pesado do DYNASTY vivendo harmoniosamente ao lado da sujeira Stoner Rock/Metal do KAVERNOSOS e pelo Metalcore explosivo do SINERA. E sim, cada banda vem mostrando seu valor e potencial. Poderiam mesmo suceder grandes nomes do exterior que vivem do próprio passado (e do fanatismo dos fãs mais chatos).

Sim, o resultado final é muito, muito bom.


Qualidade sonora/visual: Com sempre ocorre em coletâneas, não há como homogeneizar toda a qualidade sonora e visual, já que cada banda grava conforme seus recursos e sonoridade característica. Mas é perceptível que o profissionalismo anda caminhando a passos largos por aqui, pois mesmo os grupos que poderíamos caracterizar como “amadores” (sem ser ofensivo) fizeram vídeos de primeira.

Há apenas uma crítica: o menu para escolhas poderia ser mais personalizado. Esse jeito mais simples é bem legal, mas poderia ser melhor.


Arte gráfica/capa: A capa ficou ótima, como é de costume dos lançamentos da Roadie Metaldesde a época das coletâneas em CD simples. Mas o encarte é que deu uma evoluída muito boa, pois com o menor número de bandas, o espaço aumentou, então aparecem minibiografias de cada grupo, links de contato e fotos mais visíveis de cada grupo.


Destaques musicais/vídeos: Em termos de coletâneas, esta é a parte mais injusta, onde se deve referenciar os que se destacam. Visando dar destaques e pormenorizar o trabalho de cada um, e tendo em vista que são 13 bandas apenas, todas foram resenhadas.

Vamos lá:

TORTURE SQUAD - “Don’t Cross My Path”:Hoje um dos nomes mais conhecidos do cenário, o quarteto de Death/Thrash Metal de São Paulo (SP) usou de imagens ao vivo com a música de estúdio tocando. Uma estratégia antiga, mas que sempre funciona bem. Impossível não falar da técnica de baixo e bateria.

TRATOR BR - “Floresta Armada”:de Bauru (SP) vem esse grupo com um mix bem feito de Death Metal, Grindcore e elementos de Thrasg Metal, com um vídeo feito em forma de animação, ou seja, um desenho animado (mesmo os músicos aparecem estilizados) que tem uma música brutal e técnica. Uma ideia bem diferente do usual.

DEATH CHAOS - “Hammerdown”:Com uma pegada Death Metal tradicional e alguns elementos modernos permeando sua canção, os curitibanos mostram um jeito já conhecido de fazer vídeo aqui: cenas da banda tocando em meio à mata entremeados por partes onde uma estória (focada em um serial killer, pelo visto) é contada. As guitarras mostram um trabalho arrasador em termos de riffs e solos.

MELANIE KLAIN - “Lavagem Cerebral”:o quinteto de Mococa (SP) é outro que usa do recurso de alternar imagens de protesto engajado com cenas do grupo tocando em um galpão. Metal moderno com toques de Groove Metal, New Metal e Metalcore que ficou ótimo, especialmente pelos vocais.

DYNASTY - “Step By Step”: Metal tradicional com alguns toques agressivos em suas melodias e mesmo partes de Hard Rock aqui e ali. Outra vez, a mescla de imagens da banda tocando com imagens normais (sem que exista uma estória a ser contada). Belíssima canção dessa turma de Nova Lima (MG), diga-se de passagem.

HEAVENLESS - “The Reclaim”:o trio de Death Metal com toques de Thrash Metal moderno de Mossoró (RN) fez algo mais sinistro, em um ambiente noturno ao ar livre, com foco na banda tocando, mas com imagens entremeadas de alguém vestido de capuz carregando uma cruz invertida (e outra pegando fogo). Uma canção cadenciada e bruta, com um trabalho muito bom das guitarras.

SINERA - “Com as Próprias Mãos”: Metalcore puro, direto e agressivo, usando mais vocais urrados que normais. A canção é de um peso absurdo, sem mencionar que o vídeo é interessante, já que optaram por mostrar cenas de uma luta de MMA e seus preparativos. Esse grupo de Santos (SP) promete!

SEVENTH SIGN FROM HEAVEN - “The Devil Fears My Name”: E lá do Norte do Brasil, de Picus (PI) vem com um Metal melodioso e moderno, com muita energia e um jeito grudento de ser. Um dos clipes mais legais da coletânea, pois o uso de cenas de um show ao vivo, entremeadas por cenas do público curtindo a apresentação, é algo valioso, pois deixa de ser artificial ou forçado.

VALLEY OF ARMORED HEART - “Brave Armored Heart”: Um grupo de Folk/Pagan Metal com jeitão melodioso à lá e pegada agressiva (e com toques de músicas regionais do Brasil). O mais interessante é o foco visual em algo voltado ao indígena, só que com alto astral, longe do pessimismo de tantos. A banda ainda precisa melhorar os vocais masculinos, mas de resto, essa turma de São José dos Campos (S) está no caminho certo.

NETUNO DOOM - “The Second Sun”:Doom Metal sujo vindo direto de Fortaleza (CE). Pesado e com o ritmo bem arrastado, é um nome promissor, só precisando dar uma melhorada nos vocais (são bons, mas não tão compatíveis como podem ser). Bem diferente em termos de vídeo, temos a banda sendo captada em um ensaio, algo bem simples, na cara e funcional. Tem futuro.

ARTILHARIA - “Assalto ao Monte Castelo”: E Gravatá (PE) mostra que tem Metal tradicional agressivo à lá NWOBHM de primeira. O grupo resolveu fazer suas filmagens em um terreno de algo parecido com uma fábrica antiga, focando tudo na banda (exceto no início, onde se fala um pouco da Batalha de Monte Castelo, uma das realizações da FEB na campanha da Itália na Segunda Guerra Mundial). Uma música ótima, a banda faz bonito, mas a qualidade de gravação pode melhorar, pois pelo visto e sem estigmatizar a banda, estamos vendo o SABATONbrasileiro em ação. Merecem aplausos!

KAVERNOSOS - “Por Fé Final”:Apesar de se denominarem Stoner, esse trio de Colatina (ES) tem um jeitão Rock à lá MOTÖRHEAD sujo e melódico evidente, com melodias de simples assimilação e muita energia. É outro que preferiu gravar tudo em um estúdio de ensaios, focando unicamente na banda. É uma canção curta e que deia aquele sentimento de “quero mais” no ouvinte.

FACES OF DEATH - “Consummatum Est”: o quarteto Thrasher de Pindamonhangaba (SP) preferiu usar um lyric video mais no sentido tradicional, com imagens de tensão armamentista e caos que se mesclam à letras da música. E o Thrash metal moderno e bruto do grupo é algo digno de aplausos e menções honrosas, especialmente pelas guitarras.


Conclusão: Mais uma vez, um DVD da Roadie Metal nos mostra o quanto o cenário nacional é rico em musicalidade. Ouça, veja e aproveite!

Nota: 90%

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

ORTHOSTAT - Monolith of Time


Ano: 2019
Tipo: Full Length 
Nacional 

Tracklist: 

1. Ambaxtoi 
2. Qetesh 
3. Eridu 
4. Incitatus 
5. Baetylus 
6. The Will of Ningirsu 
7. Tezcatlipoca 
8. Orthostat 


Banda: 



David Lago - Guitarras, vocais
Rudolph Hille - Guitarras
Eduardo Rochinski - Baixo


Ficha Técnica:

Thiago Nogueira - Bateria, produção, mixagem, masterização
David Lago - Produção


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/OrthostatDM
Instagram:
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/ (Sangue Frio Produções)
E-mail: davidlago@live.com


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Fazer Death Metal tradicional tem se tornado cada vez mais uma tendência para muitas bandas jovens no Brasil. Além disso, o “revival” dos anos 80 que anda acontecendo por estar, de certa forma, desencadeando isso como consequência do Efeito Borboleta. Por isso, nomes como o do trio ORTHOSTAT, de Jaraguá do Sul (SC), que chega com seu primeiro álbum, “Monolith of Time”.

Análise geral: O trio é especializado em fazer o que podemos chamar de Death Metal tradicional com enfoque “Old School”, ou seja, faz referência ao som que se popularizou entre o final dos anos 80 e a primeira metade da década de 90, com inspiração nos cenários da Inglaterra (as influências de BOLT THROWER e BENEDICTION são sensíveis) e dos Estados Unidos (os vocais tem um jeitão à lá INCANTATION). O que os diferencia da maioria é o uso de uma técnica mais apurada que essa vertente costuma apresentar.

Nos temas líricos, fala-se mais em antigas civilizações e outros assuntos relacionados, o que lhes dá um toque de personalidade.

Arranjos/composições: Bruto e cru, o grupo ainda carece de maior lapidação em termos musicais, pois está na média do que se costuma ouvir do gênero. É bom, com arranjos bem legais em termos de baixo e bateria, bons riffs e vocais competentes, mas carece de mais amadurecimento. O potencial para tanto eles têm, mostram personalidade nos arranjos técnicos e nas boas mudanças de ritmo, logo, o disco é bom e os ajustes são apenas uma questão de mais ensaios e shows para entrarem no ponto certo.

ORTHOSTAT
Qualidade sonora: “Monolith of Time”poderia ter rendido mais se a produção sonora fosse melhor. Não chega a ser algo ruim ou intragável como alguns discos dos anos 90, mas não é a ideal para o trabalho do grupo. Os timbres instrumentais poderiam soar melhor aos ouvidos, em especial o das guitarras (que ficaram ocos em alguns momentos). A banda é boa, e busca soar o mais orgânica possível, mas pode (e deve) melhorar.

Arte gráfica/capa: A arte da capa é muito boa, e nela se revela toda a inclinação do trio para os anos 90, pois ela tem aquela aura sinistra dos trabalhos de Dan Seagrave.

Destaques musicais: A qualidade sonora não chega a ser um tormento, logo, é possível perceber que as canções de “Monolith of Time” denunciam uma banda que tem talento mais que suficiente para fazer algo único. E se destacam entre as 8 composições:

“Ambaxtoi”: após uma longa introdução, temos uma canção brutal e com riffs de guitarra muito bons, além de boas mudanças de andamento, variando do veloz do Death Metal tradicional até passagens mais cadenciadas.

“Eridu”: riffs velozes e solos doentios vão sendo os destaques desse murro seco nos ouvidos, e tem-se uma canção mais simples e direta.

“Baetylus”: algumas partes pontuais Doom Death Metal à lá PARADISE LOST de seus primórdios são ótimas, mas no geral tem-se maior prevalência de ritmos velozes. Os vocais são legais, mas uma maior diversidade de timbres viria bem a calhar e enriqueceriam o trabalho do grupo.

“The Will of Ningirsu”: é uma canção empolgante devido à lá SLAYER das guitarras, e à pegada mais rápida em algumas partes.

“Tezcatlipoca”: uma faixa longa, com mais de 9 minutos de duração, cheia de todos os elementos que compõem o trabalho do trio, com muitas mudanças de ritmo, e a base rítmica ficou de primeira (a bateria, apesar de tocada por um músico convidado, está fantástica), sem mencionar que os solos mostram certa inclinação melodiosa (que merece ser explorada no futuro). E o fluxo de energia é absurdo.

Conclusão: O ORTHOSTAT é um bom nome, que tende a se aperfeiçoar mais e mais conforme a experiência for amadurecendo-os e lapidando sua música. E mesmo não sendo um clássico, “Monolith of Time” é daqueles discos que merecem ser ouvidos com muito carinho.

Nota: 75%


MONSTRATH - The World Serves to Evil


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional



Tracklist: 

1. Demon Sold 
2. Incubus in Church 
3. Hellkhan 
4. Child of God 
5. Malum Suscitat 
6. Stygian 
7. Crushed Faith 
8. Chains of the Soul 
9. Bag of Bones 
10. Perishing in Christ 


Banda: 


Loi Trejo - Vocais 
J. Lugger - Guitarras 
Ramírez Cortázar - Guitarras 
Morales Elmano - Baixo 
Niko Teixeira - Bateria 


Ficha Técnica: 

Tchelo Martins - Produção, mixagem, masterização 
Tiago Assolini - Mixagem, masterização 
Wagner Meirinho - Mixagem, masterização 


Contatos: 

Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/ (Sangue Frio Produções) 
E-mail: 

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Apesar de ser uma vertente com raízes underground e já ter sido usado e abusado por inúmeras bandas, o Death Metal continua tendo forte “appeal” no Brasil, como mais e mais bandas novas que surgem e fazem algo no estilo. Mas é interessante ver que alguns surgem criando música à sua maneira, deixando um pouco os modelos de lado e buscando algo próprio. O quinteto MONSTRATH, de São Paulo, é um deles, chegando com seu primeiro álbum, “The World Serves to Evil”.

Análise geral: Um dos pontos mais chamativos é que, apesar da agressividade desmedida de seu trabalho musical, o grupo não abre mão de fazer algo mais técnico, com a adição de momentos com Groove pontuais, e mesmo alguns toques melodiosos (como se repara nos solos). Mas se falar nisso faz com que os cabelos dos mais puritanos fiquem de pé, não se preocupem: basicamente, a música deles poderia ser definida como uma mistura de MORBID ANGEL e NAPALM DEATH com a adição de elementos do antigo AT THE GATES. Mas não se prendam à comparação, pois eles têm personalidade se sobra. Por isso há uma busca por identidade musical (e eles estão no caminho certo).

Arranjos/composições: É preciso compreender que toda essa aura bruta nasce de um “set” de riffs de guitarra muito agressivos, mas de muito bom gosto. O aspecto técnico fica evidenciado pela base rítmica sólida, pesada e com bom trabalho (reparem a técnica do baixo em “Crushed Faith” como uma amostra disso), e os vocais usando timbres mais urrados que propriamente guturais. E se percebe em vários momentos que a banda não acumula elementos apenas de Death Metal (existem partes de guitarra que irão lembrar bastante o que a dupla Andy LaRocque e Pete Blakk fazia nos anos 80), o que enriquece sua música. Além disso, a diversidade rítmica e ótimos arranjos instrumentais se complementam de forma harmoniosa.

Qualidade sonora: Gravado nos estúdios Loud Factory e Audiolab Vintage Studio, a sonoridade do disco como um todo é muito boa, buscando mesclar agressividade e limpeza sem que um aspecto sobreponha o outro. E “The World Serves to Evil” soa pesado e bruto, mas com uma sustentação bem feita.

MONSTRATH
Arte gráfica/capa: A mensagem das letras do quinteto fica óbvia na capa, e o sentido do título é evidente, com o rosto dos líderes mundiais. A ideia: não importa, pois todos acabam servindo a algo ruim.

Destaques musicais: Brutal e bem feito, “The World Serves to Evil” chega a surpreender os ouvintes em muitos aspectos, e, além disso, a banda busca distribuir a inspiração em cada uma de suas canções, o que faz o disco soar homogêneo. Mas podem ser citadas algumas faixas como mera referência nas primeiras audições.

“Demon Sold”: o impacto de peso e velocidade inicial é evidente, com a base rítmica criando boas mudanças e contrastes (pois existem mudanças de tempos). Os vocais gritados estão ótimos, criando algo diferente do gutural comum, sem falar nos solos melodiosos das guitarras.

“Incubus in Church”: Intensa e bruta, mas com um feeling “Old School Death Metal” da Flórida. É uma canção mais direta, mas com uma aula dos vocais para quem se aventura pelas vertentes extremas do Metal.

“Child of God”: o primeiro Single da banda, e é uma canção em que prima por um andamento mais comportado, mais direto. Mas isso não impede baixo e bateria de criarem algumas passagens mais cadenciadas.

“Crushed Faith”: apesar do jeitão de Death Metal tradicional “made in Florida”, verão que existem passagens diferenciadas, influências que são alienígenas ao estilo. A debulhada no baixo vai lembrar os afoitos do que Alex Webster faz, mas novamente, a parte com solos é puro KING DIAMOND.

“Perishing in Christ”: fechando, uma pancadaria veloz e bruta, com uma energia abusivamente crua fluindo da canção. Há influências de Black Metal permeando a base rítmica e os riffs de guitarras, mas os vocais sustentam o lado mais Death Metal do grupo.

Conclusão: A verdade é que o MONSTRATH já nasceu com uma banda de alto nível, e dessa forma, faz com que a audição de “The World Serves to Evil” algo prazeroso aos fãs das vertentes extremas de Metal. Mas eles possuem talento para irem ainda mais longe.

Nota: 88%


“Child of God”: http://bit.ly/2SQLHSJ



Spotify

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

ROADIE METAL VOLUME 11


Ano: 2019
Tipo: Coletânea Dupla
Selo: Roadie Metal Records
Nacional
  

Tracklist:

CD 01:

1. DEATH CHAOS - Through the Eyes of Brutality
2. RAVENOUS MOB - The Enemy Undying
3. LIVING LOUDER - The Crow
4. REFFUGO - Reffugo
5. BORN TO KILL - Goodbye Soldier
6. WARAGE - Torture
7. RHEGIA - Shadow Warrior
8. LUSFERUS - Luciférico Hino
9. ANGUERE - Cadeia
10. TIBERIUS PROJECT - You Bitch!
11. LIBERTAD - Closed Fists
12. SENTINELAS DO REI - Rios do Deserto
13. NOVO CHÃO - Terra Dos Homens
14. WAR MACHINE - A New Kind
15. WAR ETERNAL - Burning Alive

CD 02:

1. KRAKKENSPIT - Fear My Name
2. MEDICINE FOR PAIN - Vendida Como Bonecas
3. HEAVENLESS - The Reclaim
4. TORTURIZER - Slaughtersouse
5. DIALHARD - Now You’re Free
6. EPITAH - Something Better Than God
7. CROMATA - Resigned in Blood
8. MAMUTE - The End
9. THE DAMNED HUMAN FLASH - Inferno
10. IN SOULITARY - Hollow
11. LONEHUNTER - Eternal Time
12. ZERO HORA - Batina do Papa
13. CxDxM - Como Um Muro Inatingível
14. OBSCURED BY THE CLOUDS - Ethereal


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Os anos 80 foram aqueles em que as coletâneas de bandas ganharam definitivamente espaço. Além de não serem tão caras (o investimento era mínimo em questões de estúdio e gravação, já que cada banda entrava com a canção pronta), o interessante era o conjunto da obra: muitas e muitas bandas juntas. E nomes como METALLICA, SLAYER, FLOTSAM AND JETSAM, RAVEN, VENOM, SARCÓFAGO, e outros acabaram ganhando notoriedade nelas; séries como “Metal Massacre”, “Warfare Noise”, “Lead Weight”, “Headthrashers Live” e inúmeras outras foram importantíssimas para a sedimentação do cenário mundial. Mesmo hoje, na era digital, elas continuam por aí, como a série “Roadie Metal” continua, chegando ao seu 11º volume.

Análise geral: Talvez esse seja o volume mais eclético de todos, indo de bandas de Heavy Metal tradicional ao Death/Black mais bruto possível, os dois discos mostram uma enorme diversidade musical, ou seja, muitas opções sonoras. Isso pode deixar os mais radicais com a pulga atrás da orelha, mas no geral, um fã de bom senso saberá aproveitar ao máximo esta coletânea que selecionou nomes de bom nível para nela estarem.

Qualidade sonora: Aqui começam a aparecer diferenças entre as canções, já que cada banda fez as coisas ao seu modo, justamente para se encaixar no próprio estilo que toca. No geral, o resultado é bom, e não se pode reclamar tanto.

Arte gráfica/capa: Como sempre, a arte é um primor, com uma capa muito bonita. O papersleeve (as famosas capas que imitam as dos antigos discos de vinil) usado ficou bem legal, dividido em duas partes, e cada disco tem seu próprio encarte, onde estão fotos e informações de contatos das bandas.

Destaques musicais: Em coletâneas, cada banda segue suas próprias regras em termos de composição, logo, isso pode criar oscilações no nível musical. Óbvio que entre as 29 canções existem momentos ótimos; outros que ainda necessitam de amadurecer um pouco mais (o que o tempo e ensaios ajudarão a sanar). Mas se destacam as seguintes bandas e respectivas canções:

DEATH CHAOS - “Through the Eyes of Brutality”: o quarteto destila um Death Metal tradicional recheado de elementos modernos. Boas mudanças de ritmo, guitarras de alto nível e vocais que são muito bons, mas que podem melhorar (alguns timbres não tão guturais ajudariam a diversificar o trabalho).

LIVING LOUDER - “The Crow”: Um toque do mais delicioso Classic Rock/Hard Rock setentista que se possa pedir. Mezzo LED ZEPPELIN, mezzo DEEP PURPLE e com muita personalidade, o trio cativa o ouvinte por suas linhas melódicas envolventes e de fácil assimilação.

REFFUGO - “Reffugo”: Bruta e cantada em português, é uma canção de Death Metal Old School direta e reta. Boas mudanças de ritmo e um trabalho ótimo em termos de baixo e bateria são sensíveis.

RHEGIA - “Shadow Warrior”: Uma banda de Heavy/Power Metal com nuances Prog Metal (reparem no baixo para terem a noção disso), com muito peso e boa técnica. Tem muito futuro, mas precisa ajustar mais os vocais, bem como precisam de uma gravação mais limpa.

LUSFERUS - “Luciférico Hino”: E chega a vez de um Black/Death ríspido e melodioso à lá DISSECTION, com ótimas partes de guitarra. O trabalho musical é cheio de mudanças de ambientação, indo do brutal ao suave sem problemas.

ANGUERE - “Cadeia”: Hardcore/Crossover sem dó dos ouvidos alheios, com um andamento mais cadenciado e com alguns “inserts” de ritmos regionais do Brasil (que nem sempre serão percebidos pelo ouvinte). Bons vocais e ótimas guitarras.

WAR MACHINE - “A New Kind”: Uma canção voltada aos tempos da NWOBHM, em especial ao IRON MAIDEN de “Iron Maiden”. É muito legal e empolgante, com ótimas partes de guitarras e baixo, mas o vocalista precisa dar uma melhorada (tem bom timbre, mas ainda precisa amadurecer no quesito agressividade).

No disco 2, tem mais:

KRAKKENSPIT - “Fear My Name”:É uma banda de Heavy Metal tradicional com um enfoque moderno, ou seja, tem aquela ambientação mais pesada e agressiva, com um jeitão ICED EARTH muito bom, com boa base rítmica, guitarras excelentes e vocais competentes. Só a qualidade sonora que pode dar uma melhorada no futuro.

HEAVENLESS - “The Reclaim”:A solidez do trabalho do grupo é bem conhecida. Aqui, apresentam um Thrash/Death Metal arrastado e muito pesado, com um trabalho bem forte de baixo e bateria, riffs gordurosos e vocais urrados de primeira.

TORTURIZER - “Slaughterhouse”:Outro que é bem conhecido, e que mostra enorme evolução em relação ao que se ouve no EP de estreia do trio. Agressivo, veloz e intenso, baixo, guitarras e bateria formam uma unidade sólida e bruta para que os vocais urrados sejam perfeitamente assentados.

DIALHARD - “Now You’re Free”: Um belo Hard ‘n’ Heavy da parte desse quinteto, que soa melodioso e intenso, capaz de tocar o ouvinte. Tudo soa muito bem, e os vocais são muito bons (restando apenas ajustar os tons mais agressivos, pois a vocalista é ótima), e realmente merecem um disco todo deles.

EPITAH - “Something Better Than God”: Excelentes ideias são apresentadas nessa canção, um Thrash Metal intenso e vigoroso à lá Bay Area, mas esbarram numa qualidade musical que deveria ser melhor (a música deles pede isso). Percebe-se que as guitarras e a bateria são de primeira.

MAMUTE - “The End”:Doom/Stoner poderoso e com muito Groove. Soa gorduroso e melódico, mas como a qualidade de gravação não ajuda tanto, ela ficou aquém do seu potencial, embora não a ponto de não se perceber a força das guitarras do grupo.

IN SOULITARY - “Hollow”: Um dos nomes mais fortes do Metal extremo do Brasil. Seu mix de Black/Thrash/Death com partes melodiosas é fabuloso, apresentando ótimos vocais, guitarras de primeira e cozinha rítmica excelente. Merecem mais que uma chance! Ouçam bem alto!

LONEHUNTER - “Eternal Time”: Um mix inteligente de Death Metal old School com aspectos modernos, boas partes mais técnicas e teclados sinistros. A gravação é fraca para o que eles fazem, mas se percebem algumas similaridades com o NOCTURNUS em “The Key”, logo, são uma banda promissora.

ZERO HORA - “Batina do Papa”: Tosqueira Punk Rock de raiz, direto, reto e uma bicuda nos ouvidos. É ótimo, tem muito futuro, mas uma melhorada na qualidade sonora ajudaria bastante (podem soar com crueza, mas mais bem definido), pois está um pouco embolado.

OBSCURED BY THE CLOUDS - “Ethereal”: E para fechar, um Doom Gótico de primeira, com aquela ambientação melancólica e densa, boas partes de teclados, ótimos vocais limpos (as partes guturais precisam de um “boost”). Mas a qualidade sonora fica devendo, pois em termos musicais, são uma ótima banda.

Conclusão: Óbvio que a maioria das bandas ainda precisa de uma evoluída no aspecto musical, a maioria tem que acertar na escolha da sonoridade mais correta para o que desejam, mas lembrando de que as clássicas coletâneas de Metal dos anos 80 (em especial, a “Metal Massacre”) eram baseadas em canções de Demo Tapes, até que está bom.

Às bandas que não foram citadas: não se decepcionem, pois ainda tem muito potencial a usar.

Parabéns à Roadie Metal por mais esse bom trabalho, que pode ser ouvido nas plataformas digitais abaixo:








Nota: 80%