terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

BURN INCORPORATED - Supernova

Ano: 2018 
Tipo: Extended Play (EP) 
Selo: Independente 
Nacional



















Tracklist: 

1. Hate
2. Lonely
3. Until My End
4. Supernova


Banda: 


Hariel Davela - Vocais
Gabriel Alonso - Guitarras
Raphael Alonso - Baixo
Vincenzo Nuciteli - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/BurnInc
Instagram: https://www.instagram.com/burnincorporated
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/burn-incorporated/ (Roadie Metal Press)
E-mail: burnbanda@gmail.com


Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: De alguns anos para cá, bandas com cada vez menos idade têm gravado cedo seus primeiros registros. Muitos, inclusive, chegam ao primeiro disco antes de um ano de formação, o que (em muitos casos) pode pegar a banda ainda sem a necessária maturidade. O quarteto BURN INCORPORATED (para os mais íntimos, BURN, INC.), de Monte Alto (SP), que nos mostra o que pode em seu EP “Supernova”.

Análise geral: Basicamente, o grupo transita entre o Classic Rock e o Metal tradicional (com um enfoque mais moderno) e adicionando à sua música toques de Prog Metal, algo que já tem alguns representantes por aí. Mas mesmo assim, a banda mostra que tem personalidade e vem para somar, para contribuir com sua música bem feita, melódica e que fala diretamente ao coração dos ouvintes.

Arranjos/composições: Se por um lado o quarteto não chega a ser minimalista em termos de detalhes, preferindo soar com peso e envolvente a se perder em mostras de auto-indulgência musical, por outro mostra uma técnica instrumental muito boa. Ótimos arranjos de guitarras, com baixo e bateria mostrando boa técnica na condução dos ritmos, bons vocais (que precisam trabalhar um pouco mais os timbres agressivos, já que nos momentos limpos são ótimos, como fica evidente em “Until My End”). Os arranjos são ótimos assim como as linhas melódicas, e o quarteto tem enorme potencial, só precisam acertar as arestas (coisas que shows e ensaios farão).

Qualidade sonora: A qualidade sonora de “Supernova”é muito boa, clara e pesada nas medidas corretas (como os momentos mais suaves e melodiosos transparecem). Óbvio que a crueza das partes pesadas poderia ser menor, pois a agressividade já flui das canções. Aliás, uma timbragem um pouquinho mais burilada poderia ajudar bastante no próximo trabalho. Não é que esteja ruim (como dito acima, o trabalho em termos de produção está muito bom), mas pode ser melhor, a música deles pede isso.

Arte gráfica/capa: O aspecto visual ficou excelente, caprichado e muito bonito, com uma arte que dá a clara impressão de algo “quente” a quem a olha em seus detalhes. Muito bonito, verdade seja dita.

Destaques musicais: “Supernova” é composto de quatro músicas, cada uma delas com seus méritos próprios:

“Hate”: Como o nome da canção deixa claro, o quarteto apresenta uma “vibe” mais agressiva e seca, embora adornada com arranjos bem feitos das guitarras. O andamento em si não é veloz ou lento, e permite que o ouvinte compreenda a canção (que pode ser assimilada facilmente, sem grandes esforços).

“Lonely”: Ainda com o jeito Heavy Metal/Classic Rock que lhes é característico, o lado mais melodioso e mesmo acessível de sua música fica evidenciado. É uma canção sólida, bem feita e que se agarra aos ouvidos (especialmente por conta do refrão). E o trabalho de baixo e bateria se destaca bastante pelas conduções.

“Until My End”: Essa é o que podemos dizer feita de “contrastes de luz e sombra”, ou seja, existem partes limpas e introspectivas (com ótimas melodias e os vocais limpos são ótimos), e outras que são mais pesadas, mesmo sem quebrar a noção de amenidade.

“Supernova”: Uma canção instrumental, bem feita e com ótimas melodias, com uma boa exibição de cada instrumento musical, tudo nas medidas para não que ela não se torne uma “egotrip” chata aos ouvintes. Longe disso, talvez seja o melhor momento do EP (sem desconsiderar os vocais).

Conclusão: Se de um lado o BURN INCORPORATED ainda precisa de mais amadurecimento, é indiscutível seu talento e espontaneidade. Acertando tudo isso, ninguém os segura, pois é isso que “Supernova” mostra aos ouvintes.


Nota: 80%








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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

HERETIC - To the False

Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional
















Tracklist:

1. Unobtainium
2. The Whip of God
3. Sitar Sauvage (instrumental)
4. Trail of Sins         
5. Until the Day It Comes
6. The End
7. Hymn to Sirius
8. Asaty
9. Truth (instrumental)
10. Rising Power


Banda:


Erich Martins - Vocais
Guilherme Aguiar - Guitarras, sintetizadores, tabla indiana, flauta, esraj, oud, darbouka, bouzouki, orquestrações
Laysson Mesquita - Baixo


Ficha Técnica:

Guilherme Aguiar - Produção
Lucas Cão - Guitarras
Mario Duplantier - Músico convidado em “Sitar Sauvage”
Luis Maldonalle - Guitarras


Contatos:

Site Oficial: http://heretika.wix.com/heretic
Facebook: https://www.facebook.com/heretic.project
Instagram:
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/heretic/ (Roadie Metal Press)
E-mail: hereticact@gmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: É interessante acompanhar como a evolução no tempo vai lapidando e transformando o trabalho musical de muitas bandas de Metal. Óbvio que isso causa certo frisson nos fãs mais antigos. A evolução para muitas é uma conseqüência do experimentalismo musical em que vivem imersas, e é o caso do HERETIC, de Goiânia, que após “The Errorism” de 2016, lançou o ótimo “To the False” em 2017.

Análise geral: A maior diferença da banda em relação a “The Errorism” está na utilização de vocais. Sim, o Oriental Progressive Metal da banda deu uma guinada nesse sentido, logo, se percebe também que as músicas ficaram até mais simples, menos “viajantes” em termos progressivos (mas não menos eclética ou técnica). Mas a adição de um cantor não descaracterizou o trabalhou da banda, só lhe deu uma visão mais centrada e objetiva. Obviamente isso os torna mais palatáveis aos fãs de Metal, uma vez que música instrumental costuma ser intragável para uma enorme parte dos fãs.

Arranjos/composições:Como dito, esse disco tem uma aproximação mais simples e pesada que seus antecessores, mas o que não significa ser algo simplório. De forma alguma, já que os arranjos são milimetricamente encaixados uns nos outros, sempre buscando a manter as músicas orientadas para algo mais palatável aos fãs menos afeitos à técnica, mas mantendo o ecumenismo já conhecido. A adição dos vocais ficou muito boa, lembrando cantores como Tim “Ripper” Owens e Ralf Scheepers em alguns momentos (no uso dos tons mais agudos), mas o trabalho técnico de baixo e bateria (alguns toques quase jazzísticos nas quatro cordas, e ótima diversidade na condução do ritmo), além de guitarras ótimas em riffs e solos, e outros instrumentos que entraram no imenso caldeirão cultural do grupo deram aquele toque oriental do Oriente Médio tão importante.

Qualidade sonora:Pode-se aferir que trabalho na produção musical (feito por Guilherme Aguiar, mentor do projeto) ficou muito bom. Ainda soa um pouco mais cru que o necessário na parte de timbragem em alguns momentos, pois uma qualidade sonora mais limpa ficaria mais bem encaixada na proposta do grupo, embora não chegue a atrapalhar a compreensão do que é tocado ou mesmo àquilo que as canções se propõem. Resumindo: está muito bom, só não está perfeito no que a música do HERETICmerece.

Arte gráfica/capa:Nisso, não há o que ser dito, já que o formato Digipack de três partes valorizou muito a arte baseada em tons mais escuros. Tudo ficou quase que perfeito em termos de arte, especialmente a capa com o escaravelho estilizado

Destaques musicais:A música diversificada e encorpada do HERETICpode não ser tão palatável assim para os ouvidos menos exigentes, já que o trabalho mostrado em “To the False” é o que se pode definir como inteligente, antes de tudo. E os destaques entre suas 10 ótimas canções são:

“Unobtainium”: Sete minutos de puro prazer musical, oscilando entre momentos meramente orientais (como a introdução) e partes mais pesadas, com o andamento não muito rápido, mostrando riffs de primeira e solos bem encaixados. E que refrão marcante!

“The Whip of God”: Mais pesada e com tempos próximos do que bandas de Heavy Metal tradicional de abordagem mais moderna costumam usar, ou seja, algo mais refreado e com um toque de agressividade extra sobre as linhas melodiosas. Os vocais estão muito bem em seu tom rascante natural.

“Sitar Sauvage”: Por ser uma canção instrumental, o enfoque mais diversificado e experimental do Oriental Progressive Metal dos discos anteriores. Os tempos são bem quebrados, além da presença de cítaras.

“Until the Day It Comes”: Linhas melódicas com partes mais agressivas e toques dissonantes nas guitarras. A riqueza de arranjos nas seis cordas é algo sensível, e ficou excelente.

“Hymn to Sirius”: O estilo do grupo aqui ganha alguns toques melodiosos que aparentam vir de influências da escola norte-americana de Heavy Metal tradicional, e mostram uma solidez rítmica interessante.

“Asaty”: Os moldes da estruturação harmônica dessa canção lembram os trabalhos mais seminais do grupo, com algo de encorpado vindo do conceito musical do disco. A agressividade é latente por conta dos tempos mais lentos, bem como os elementos orientais dão um toque de classe e diversidade.

“Rising Power”: Doses de agressvidade vinda do Metal extremo aparecem vez por outras (algumas bem evidentes, outras nem tanto), mas mesmo assim alguns momentos melodiosos vão dando aquele “insight” de classe à canção. Belos solos, diga-se de passagem, além de momentos voltados à World Music.

Conclusão: Estas linhas são escritas no momento em que a banda já se encontra com um disco novo disponível, “Barbarism”. Mas como tudo que é bom possui longevidade indeterminada, “To the False” mostra o quanto o HERETIC merece de aplausos e tem tudo para se tornar um gigante no Metal nacional.


Nota: 92%

Unpacking Video de “To the False”: https://www.youtube.com/watch?v=4Hfw92rd4x4&t=2s










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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

INITIATE DECAY - Awaken the Extinction

Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente 
Nacional 


















Tracklist:


1. Spreading Latent Hate
2. Proliferation of Manipulated Perceptions
3. Awaken the Extinction


Banda: 


Tiago Vargas - Vocais, baixo
Wagner Santos - Vocais, guitarras
Alexandre Graessler - Guitarras
Aires Trajano - Bateria


Ficha Técnica:

Sebastian Carsin - Produção, mixagem, masterização
Douglas Veiga - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/INITIATEDECAY/
Instagram: https://www.instagram.com/initiatedecay
Assessoria:
E-mail: initiatedecay@gmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: O Rio Grande do Sul tem sido um celeiro e tanto para as vertentes mais extremas do Metal no Brasil. Só os nomes do KRISIUNe REBAELLIUN atestam tal afirmativa, mas fora elas, o RS tem muitas bandas boas em sua cena underground que mostram potencial para serem maiores. É o caso do INITIATE DECAY, formado por membros das cidades de Esteio, São Leopoldo e Porto Alegre, que chega com seu EP “Awaken the Extinction”.

Análise geral: Explosivo de mesmo doentio, o trabalho do quarteto tem claras influências de CANNIBAL CORPSE, SUFFOCATION, MONSTROSITYe IMMOLATION (os vocais são bem nos moldes dos de Ross Dolan em termos de timbres graves), ou seja, nada mais é que o bom e velho Death Metal tradicional bruto, duro e cru, embora feito com boa técnica instrumental. Ainda carece de aparar umas arestas em termos de personalidade (isso eles têm, mas ainda um pouco oculta pelas influências musicais do grupo), mas estão no caminho certo.

Arranjos/composições: Em termos de técnica, o grupo realmente é capaz de tocar muito bem, além de saberem como arranjar suas canções e pôr mudanças de ritmo interessantes aqui e ali. As guitarras tecem riffs muito bons e com certa influência do Death/Thrash Metal (justamente nas partes mais empolgantes), a cozinha rítmica é técnica e pesada, os vocais entremeiam guturais com gritos rasgados à lá Glenn Benton, ou seja, tudo funciona. Os arranjos são bons, mas podem melhorar.

INITIATE DECAY
Qualidade sonora: Captar, mixar e produzir esse tipo de música não é lá muito simples, já que permitir que tudo seja entendido a contento, mas mantendo a sonoridade grave e crua é sempre difícil. Mas o veterano Sebastian Carsin sabe o que faz, logo, tudo ficou de alto nível nesse ponto. 

Arte gráfica/capa: Focada em uma concepção distópica e pós-apocalíptica, a arte de Douglas Veiga encaixa como uma luva no trabalho musical da banda, sendo uma apresentação visual e tanto para o que o quarteto apresenta em suas músicas.

Destaques musicais: Embora o trabalho do grupo ainda precise sair da sombra de suas influências musicais, suas três canções são muito boas, capazes de deixar qualquer fã de Metal extremo mais que satisfeito.

“Spreading Latent Hate”: uma pancadaria brutal com tempos que ficam transitando entre o cadenciado brutal e a velocidade caótica, com um trabalho muito bom das guitarras, sem mencionar os gritos à lá “porco-sendo-esganado” que surgem em alguns momentos.

“Proliferation of Manipulated Perceptions”: Com conduções rítmicas um pouco mais focada no Old School Death Metal dos anos 90, se percebem que o trabalho de baixo e bateria (especialmente nos bumbos) é muito bom, mantendo o peso e conduzindo bem a canção.

“Awaken the Extinction”: outra em que as variações de ritmo são o tempero especial, indo de partes cadenciadas à alta velocidade da Velha Guarda do gênero. Os vocais estão ótimos, mas podem dar uma melhorada (uma maior diversidade de timbres seria bem vinda), além de solos de guitarra bem tradicionais.

Conclusão: “Awaken the Extinction” é uma ótima carta de apresentação do INITIATE DECAY, e que por ser um grupo ainda jovem (dois anos apenas, pois foi formado em Agosto de 2016), ainda tende a melhorar. Mas por agora, estão em um nível muito bom.

Ah, sim: “Awaken the Extinction” pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais.

Spotify: https://spoti.fi/2I0H1EQ
Google Play Music: https://bit.ly/2SBjOgn
Amazon: https://amzn.to/2tcj9Uk


Nota: 80%

“Proliferation of Manipulated Perception”: https://youtu.be/DIVaOxpuctI

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

KHORIUM - Manual Prático do Brasil

Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Mosh Records / Voice Music
Nacional

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: A mistura de Hardcore, Thrash Metal e Rap é fruto do experimentalismo que imperou na segunda metade dos anos 80 (no underground) e nos primeiros anos da década de 90 (já sendo sucesso com bandas como BODY COUNT). Ainda hoje, muitos bons trabalhos do gênero aparecem, e vindo diretamente de Volta Redonda (RJ), vem o trio KHORIUM, que faz algo do gênero em “Manual Prático do Brasil”, um EP que nos mostra um enorme potencial.

Análise geral: É possível explicar o trabalho do trio como Thrash/Rapcore Metal, uma vez que o trabalho musical da banda mostra influências do Hardcore/Crossover nova yorkino dos anos 90 (em especial de nomes como BIOHAZARDe AGNOSTIC FRONT, de onde fluem muito os toques de groove, Rap e Hip Hop), mais a fúria de estruturas harmônicas do Thrash Metal da escola norte-americana (uma forte carga de influência do PANTERA pode ser percebida de forma subjetiva em muitos momentos). Mas com tudo isso, o trio mostra personalidade, força e mangas arregaçadas para encararem desafios. E música para isso eles têm, e muito.

Arranjos/composições: O jeito de fazer música do grupo é permeado por influências de Groove Metal (especialmente nos toques técnicos cheios de toques Soul/Funk no baixo), com a agressividade do Thrash/Rapcore evidenciados nos momentos elétricos. Óbvio que vocais “rapeados” aparecem em muitos momentos, mas sem deixar a agressividade de lado (especialmente em partes onde timbres mais viscerais surgem), algo que encaixa bem na base instrumental. Em termos de técnica, o instrumental sólido formado por guitarras, baixo e bateria está muito bem, com arranjos bem feitos e criativos, o que permite aferir que a banda tem talento e personalidade.

KHORIUM
Qualidade sonoraO grupo tem uma qualidade que buscou associar peso, agressividade de uma maneira que possa ser compreendida pelos ouvintes, ou seja, algo que aponta para um nível de clareza de primeira (ou seja, soa limpo). Mas ao mesmo tempo, existe a noção de algo mais orgânico e visceral (tanto que em algumas partes de solos, não se tem linhas de guitarra base por baixo deles, como se nota claramente em “Pena de Morte”). Não está 100%, pois o trabalho do trio pede algo ainda melhor, mas está muito bom.

Arte gráfica/capa: A idéia de manipulação permeia a capa de “Manual Prático do Brasil”. Algo que denuncia o conteúdo lírico azedo e crítico do grupo, que dispara diretamente contra o modelo corrupto vigente, sem dó de ninguém.

Destaques musicais: O grupo tem enorme potencial a ser aproveitado, já que poucos ousam trilhar esse caminho no Brasil. Nisso, “Manual Prático do Brasil” mostra-se um compêndio de boas idéias que tendem a amadurecer mais e mais. E são cinco murros nos ouvidos que são apresentados aos ouvintes.

“Quem Vai Pagar”: Alguns toques de Thrash Metal/Hardcore de Nova York aparecem entremeados por momentos de Hip Hop/Funk no meio desse andamento variado. É incrível notar a técnica pesada e fluente em termos de Groove do baixo e dos vocais.

“Levante e Lute”: Mais agressiva e voltada ao Rapcore/Crossover, mostrando uma energia abrasiva e envolvente. O baixo continua destilando boa técnica, mas a bateria mostra em seus tempos quebrados ótima fluência.

“Pena de Morte”: É uma canção mais azeda que as anteriores, alguns vocais com timbres mais baixos lembram algo do R.D.P., mas toda a concepção Crossover com influências de Funk/Hip Hop se mantém intacta, mas bem perto do fim, vira uma pancada Thrash Metal à lá N.Y.T.M. Os vocais rapeados ficaram ótimos, junto com ótimo trabalho das guitarras.

“Midiocracia”: Esta aqui ganha um toque extra de Rock ‘n’ Roll em muitos momentos, sendo um pouco mais acessível que as outras. Só que “mais acessível” não significa sem agressividade, especialmente porque alguns riffs de guitarra são bem ríspidos.

“Cortina de Fumaça”:Nesta, tem-se uma aproximação mais direta e sem muita firula. Ao mesmo tempo, as influências de Groove e Rapcore diminuem, deixando-a como uma faixa mais Crossover convencional, ou seja, é um soco nos dentes, com mais um belo trabalho de baixo e bateria.

Conclusão: Pode-se aferir que “Manual Prático do Brasil” mostra o quanto o KHORIUM tem de potencial em um estilo pouco praticado no Brasil, e que tem espaço. Aliás, melhorando um pouco mais a qualidade sonora, e aprimorando o lado musical (que por si só já é muito bom), ninguém segura esses caras.

Vai encarar? Se vai, pode ouvir o disco nas plataformas digitais abaixo.

Deezer: http://www.deezer.com/album/56334622

Nota: 87%


Tracklist:

1. Quem Vai Pagar
2. Levante e Lute
3. Pena de Morte
4. Midiocracia
5. Cortina de Fumaça


Banda:


G. Moreira - Vocais, guitarras
Dré Almeida - Baixo, backing vocal
Shalon Webster - Bateria


Ficha Técnica:

Total Produções - Gravação, mixagem, masterização, design
Rogério Fortes - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/khorium (Metal Media)



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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

ALCATRAZZ - Live in Japan 1984: Complete Edition


Ano: 2019 
Tipo: Duplo CD + DVD
Selo: Shinigami Records
Nacional


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Do final dos anos 70 até aproximadamente 1985, o Hard Rock clássico dos anos 70 (que hoje muitos denominam de Classic Rock em várias publicações) teve picos de popularidade bem elevados, alguns motivados pelo retorno do DEEP PURPLE com sua MK II em 1984, e mesmo pelo sucesso comercial que o RAINBOW teve na fase mais acessível dos discos “Difficult to Cure”, “Straight Between the Eyes” e “Bent Out of Shape”. Deste último, pode-se dizer que o crescimento popular da banda se iniciou com “Down to Earth”, disco com o vocalista inglês Graham Bonnet, que depois de passar pela banda de Ritchie Blackmore, ainda passou pelo MSG, até decidir criar o ALCATRAZZ, sua própria banda. E Graham parece ter nutrido o gosto por ter guitarristas virtuosos, pois o primeiro nome das seis cordas do grupo foi o do sueco Yngwie J. Malmsteen(com apenas 21 anos de idade, e que já havia passado pelo STEELER). Uma pena que a banda só teve dois discos lançados com a formação original, o clássico “No Parole from Rock ‘n’ Roll”de 1983, e “Live Sentence: No Parole from Rock 'n' Roll” de 1984. Isso até hoje, pois temos em mãos agora “Live in Japan 1984: Complete Edition”, um super-pacote lançado no Brasil pela Shinigami Records.

Análise geral: Sendo um disco lançado bem depois de seu tempo (antes era apenas um home video lançado exclusivamente no Japão), cujo conteúdo foi gravado no Nakano Sun Plaza em Tóquio, na apresentação do grupo em 28 de janeiro. As fitas originais foram encontradas, remixadas e remasterizadas e viraram este CD duplo que capta bem a música do quinteto: Hard Rock clássico, mostrando uma estética musical elegante e bem feita, com boas doses de peso e acessibilidade. Não chega a ser nenhuma blasfêmia em assumir que é as experiências no RAINBOW e MSG aparecem no disco, mas sempre com a visão de Grahame do virtuosismo neoclássico de Malmsteeen. Mas é injusto não falar no talento de Jimmy Waldo (teclados, que depois iria parar no VINNIE VINCENT INVASION), Gary Shea (baixo, que também iria tocar no VINNIE VINCENT INVASION), e Jan Uvena (bateria, ex-ALICE COOPER e ex-IRON BUTTERFLY), que fazem um trabalho e tanto. Aliás, que trabalho essa formação do ALCATRAZZ fazia, é de cair o queixo!

Graham Bonnet e Yngwie Malmsteen
Arranjos/composições: O nível das composições do quinteto é bem alto. Aliás, era um traço daqueles tempos se criar música em alto nível, com uma boa dinâmica entre os instrumentos e com os vocais fazendo um ótimo trabalho. Eram tempos em que não se reinventava a lâmpada, tinha-se que ter personalidade. E soando elegante e com sua devida dose de peso, as canções do ALCATRAZZconseguem ser acessíveis a um público maior por conta das melodias bem feitas. E a influência neoclássica nas guitarras encaixou perfeitamente na proposta musical da banda.

Qualidade sonoraTalvez a qualidade sonora de “Live in Japan 1984: Complete Edition” mostre a muitos como as tecnologias digitais podem ser úteis. Todo o trabalho de recuperação, remixagem e remasterização da sonoridade original resulta em algo orgânico, com todo o “feeling” ao vivo preservado. Tudo funciona, tudo soa bem e com peso. Quem fez esse trabalho de recuperar merece um prêmio, pois ficou excelente.

Arte gráfica/capa: A apresentação de “Live in Japan 1984: Complete Edition” é muito bonita, com o foco justamente nos talentos de Graham e Yngwie, usando de fundo a bandeira estilizada do Japão. E isso em um Digipack muito bonito.

Destaques musicais: É muito difícil fazer análises profundas em um disco ao vivo, ainda mais dos tempos em que grandes shows pelo mundo inteiro eram constantes. Mas das 18 canções, não há como deixar menções honrosas à

Too Young to Die, Too Drunk to Live”: Uma canção vibrante, preenchida por uma aura Classic Rock/Hard Rock elegante e muito envolvente. Belas partes de teclados, e uma aula de interpretação dos vocais.

“Hiroshima Mon Amour”: Nela se tem aquela típica canção mais acessível, que embala o ouvinte. E se repararem, alguns prováveis espaços que poderiam estar vazios são totalmente preenchidos pelo virtuosismo das guitarras (mas desde quando isso acontece onde Malmsteen está?).

“Night Games”:sólida como uma rocha, é onde se vê um trabalho pesado de baixo e bateria. Andamentos com boa velocidade, energia e muita elegância. É uma música que veio diretamente do primeiro disco solo de Graham, “Line-Up”, de 1981.

“Island in the Sun”: Se até estava faltando uma faixa um pouco mais acessível, agora não falta mais. Um refrão grudento, belas linhas melódicas, teclados estratégicos e incursões fantásticas de guitarra.

“Kree Nakoorie”: Pesada, cadenciada e cheia de feeling, ela não nega sua vocação Hard neoclássica, e pode-se ver nela com quem Malmsteen aprendeu a valorizar os tempos mais lentos (embora as debulhadas dele sejam ótimas).

“Coming Bach”: Mais uma vez, o sentimento que preenche “Rising Force” (primeiro disco da empreitada própria de Yngwie) aparece, pois toda a expressividade e influência da música clássica surgem nesse solo de guitarra dele.

“Since You Been Gone”: Aqui temos uma versão para a velha canção do ARGENT, a mesma canção que foi um sucesso na época de Graham no RAINBOW. Ótimo refrão, vocais justíssimos e teclados dando aquele toque de elegância que conhecemos.

Até aqui, só músicas do CD 1. O CD 2 tem algumas belas surpresas.

“Desert Song”: Um Hard pesado e instigante, com aquela marca típica de bandas dos anos 70, além de certo “q” de Hard alemão (o que não é de se estranhar, já que é uma canção do MSG). E é muito interessante ver Yngwie tocando (à moda dele, óbvio), linhas de Michael Schenker.

“Jet to Jet”: Mais uma com um jeito puramente Hard Rock dos anos 70, carregando muita influência tanto do DEEP PURPLE (por conta das linhas de teclados) como do RAINBOW (por conta do trabalho de baixo e bateria), mas o destaque é mesmo do solo de guitarra.

“Evil Eye”: Embora com um trabalho de seis cordas de tirar o fôlego,é uma instrumental onde a banda inteira se mostra muito bem, até mesmo com virtuosismo.

“All Night Long”: Mais uma do RAINBOW, onde o público participa bastante durante o refrão. É uma canção com muita acessibilidade musical, o que não é um pecado, mas justamente o ponto forte da mesma. E que vocais!

“Lost in Hollywood”: A Terceira (e última) canção do RAINBOW do show, essa já do jeito mais clássico da antiga banda de Graham, embora com um acento melodioso mais simples.

DVD: Todas as 18 músicas estão presentes no DVD, que mostram as mesmas qualidade sonoras citadas na resenha.

Conclusão: Pode-se atestar que “Live in Japan 1984: Complete Edition” mostra o quanto a dupla Bonnet/Malmsteen era promissora, mas o último resolveu investir em sua própria banda (que carregava enorme influência do que o ALCATRAZZ havia feito), o primeiro ainda tentou algo com Steve Vai, depois com Danny Johnson, até que a banda encerrou suas atividades em 1988. Mas este ao vivo é um testemunho de uma era de ouro para o Rock e o Heavy Metal, e agora, está acessível a todos, e o show inteiro.

Nota: 100%




Tracklist:

CD 1:

1. Opening
2. Too Young to Die, Too Drunk to Live
3. Hiroshima Mon Amour
4. Night Games
5. Big Foot
6. Island in the Sun
7. Kree Nakoorie
8. Coming Bach
9. Since You Been Gone
10. Suffer Me

CD 2:

11. Desert Song
12. Jet to Jet
13. Evil Eye
14. Guitar Crush
15. All Night Long
16. Lost In Hollywood
17. Kojo No Tsuki
18. Something Else


DVD:

1. Opening
2. Too Young to Die, Too Drunk to Live
3. Hiroshima Mon Amour
4. Night Games
5. Big Foot
6. Island in the Sun
7. Kree Nakoorie
8. Coming Bach
9. Since You Been Gone
10. Suffer Me
11. Desert Song
12. Jet to Jet
13. Evil Eye
14. Guitar Crush
15. All Night Long
16. Lost In Hollywood
17. Kojo No Tsuki
18. Something Else


Banda:


Graham Bonnet - Vocais
Yngwie J. Malmsteen - Guitarras
Jimmy Waldo - Teclados
Gary Shea - Baixo
Jan Uvena - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/Alcatrazzoriginalband1/
Instagram:
Assessoria:
E-mail: