terça-feira, 8 de janeiro de 2019

HAIDUK - Exomancer

Ano: 2018 
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado

  
Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Entre o final dos anos 70 e meados dos anos 80, o Canadá era um forte exportador de bandas de Metal de alta qualidade. Mas os anos foram passando, e conforme outros países foram mostrando mais e mais bandas novas e maior diversidade musica, o cenário Metal do Canadá foi ficando cada vez mais “doméstico”, ou seja, mais voltado para o consumo interno. Mas vez por outra, ótimos nomes surgem de lá, como o do HAIDUK, uma “one man band” que nos chega com seu terceiro álbum, “Exomancer”.

Análise geral: Sendo direto ao ponto, o trabalho musical do HAIDUKé o mais puro e bruto Death/Black Metal que se possa imaginar, como as primeiras bandas que ousaram fazer tal mistura nos anos 90, sendo apenas muito bem tocado em termos técnicos, com muitos momentos bem minimalistas. Mas isso não deixa que a música soar pedante ou mesmo tediosa. Nada disso: tudo soa com enorme energia e é altamente empolgante aos fãs de Metal extremo.

Arranjos/composições: Tendo apenas um integrante, fica óbvio que “Exomancer” mostra um trabalho musical bem pessoal. E é óbvio que a expressão musical do disco é acessível aos fãs, com linhas melódicas muitas vezes simples (que lembram as bandas da SWOBM dos anos 90). Se as músicas soam minimalistas e caóticas em vários momentos, foram um conjunto extremamente envolvente, com arranjos musicais que grudam em nossos ouvidos.

Luka Milojica (HAIDUK) 
Qualidade sonora: Com sua aura Death/Black Metal dos anos 90, fica óbvio que a sonoridade de “Exomancer” tem uma orientação mais para a crueza. Mas isso não significa que soe sujo demais ou mesmo sem que seja possível compreender o que é tocado. Longe disso: a crueza faz parte do trabalho, logo, é uma sonoridade emparelhada ao que as músicas pedem (embora um pouco mais de clareza fosse deixar tudo no ponto ideal).

Arte gráfica/capa: Para a concepção sombria do álbum, a capa não poderia ficar de outra forma: trabalhada em tons de preto, verde e branco, é algo sinistro, que encaixa no contexto musical/lírico ouvido em suas canções..

Destaques musicais: Se “Exomancer” possui elementos musicais que já são conhecidos, existe a personalidade de Luka Milojica (mentor e único músico do HAIDUK) pulsando em cada uma delas, que leva o grupo a nos dar algo bem pessoal. E se destacam entre as canções.

“Death Portent”: Muitas partes dissonantes, com técnica apurada e boas mudanças de ritmo. Se a técnica musical soa detalhista, a música sangra em vitalidade, sempre com ótimas guitarras.

“Unsummon”: Cheia de melodias e partes técnicas não convencionais, o ritmo é mais cadenciado, priorizando uma ambientação fúnebre e melancólica. As partes rítmicas estão ótimas.

“Evil Art”: Mais e mais as partes técnicas surgem de forma espontânea, mantendo a força da canção em seu jeito denso e mórbido de ser. Isso graças aos riffs de guitarra que remetem justamente aos primórdios da SWOBM.

“Icevoid Nemesis”: o Minimalismo técnico do grupo se mescla perfeitamente a uma ambientação soturna fúnebre semelhante a de clássicos como “De Mysteriis Dom Sathanas”e “The Shadowthrone”. Os vocais guturais aparecem menos, mas são bem marcantes.
“Crypternity”: Mais uma que se destaca devido aos arranjos bem encaixados de guitarras.

Ainda existem as instrumentais “Subverse”, “Doom Seer”e “Pulsar”, cada uma com sua própria estória a contar ao ouvinte.

Conclusão: A bem da verdade, o HAIDUK mostra em “Exomancer” que ainda tem muito potencial para transformar em música, e digamos de passagem: que a banda dure muitos anos, pois nos brindou com algo incomum e ótimo nos tempos atuais.

Nota: 88%


Tracklist:

1. Death Portent
2. Unsummon
3. Evil Art
4. Subverse (instrumental)
5. Icevoid Nemesis
6. Doom Seer (instrumental)
7. Pulsar (instrumental)
8. Blood Ripple
9. Once Flesh
10. Crypternity


Banda:


Luka Milojica - Vocais, todos os instrumentos


Ficha Técnica:

Luka Milojica - Gravação, mixagem, masterização
Caelan Stokkermans - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.haiduk.ca
Instagram:
Assessoria:





Bandcamp:

SOLFERNUS - Neoantichrist

Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Satanath Records
Nacional


Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: A ruptura dos países ligados ao antigo regime comunista da finada URSS trouxe ao mundo uma nova leva de bandas vindas de locais onde antes o Rock era visto como “subverso” e “causa do desvio” para a juventude. Hoje, onde outrora existiu a opressão, o Metal cresce e se desenvolve. E a República Tcheca há anos revela nomes muito bons. E não é à toa que bandas como o SOLFERNUS, de Brno, vem destroçando os ouvidos com “Neoantichrist”, seu segundo disco, lançado em 2017.

Análise geral: É um traço de bandas de países que antes estiveram atrás da finada Cortina de Ferro terem pessoalidades diferentes. E no caso do quarteto, não é diferente. O Black Metal do grupo é permeado de influências de Death Metal, Thrash Metal e mesmo vários elementos melodiosos, sem deixar de ser brutal e agressivo. Basicamente, a música é bem pessoal, diferente, e que tende a surpreender os fãs do gênero. E sim, é excelente!

Arranjos/composições: É fato que o SOLFERNUS evita se enquadrar dentro de um ou outro modelo musical, se nega a seguir regras. Por isso, a música do grupo sangra em energia, mas é feita sobre arranjos musicais ótimos. Tudo é bem feito, e ao mesmo tempo, as mudanças de ritmo evitam que os ouvintes fiquem se sentindo entediados. Longe disso, tudo em “Neoantichrist” é precioso e desce bem. Basicamente, é algo feito baseado em contrastes entre a brutalidade e o requinte. 

Qualidade sonora: O trabalho de Paul Dread e Pavel Kolařík na produção (com o último tomando conta da mixagem e masterização) garantiram uma sonoridade muito bem feita. Tudo é audível, sem que se perca a agressividade, e mantendo a energia nas alturas. Ao mesmo tempo, a escolha dos timbres dos instrumentos é de primeira. Pode-se dizer que a banda fez um esforço enorme para criar a excelente sonoridade de “Neoantichrist”, mas valeu a pena: tudo funciona bem balanceado.


SOLFERNUS

Arte gráfica/capa: Para uma banda de Black Metal, a arte da capa tem que ser algo chamativo, e mesmo polêmico. E Thomas Bruno criou algo do tipo, que é simples em termos de traços e cores. E além de despertar a atenção, é bem feito e que se encaixa com a proposta sonora do grupo.

Destaques musicais: No fundo, “Neoantichrist” é o tipo de disco que todo fã gostaria de encontrar mais vezes, pois é muito bem feito e a qualidade musical se distribui homogeneamente por todas as canções do disco. Mas destacam-se as seguintes.

“Ignis ~ Dominion”: Uma introdução com guitarras prepara o ouvinte para uma canção brutal, veloz e agressiva, que apresenta a banda e o disco aos ouvintes. Mas mesmo assim, mostra excelente nível técnico e belas melodias, além de toques de Thrash Metal em vários riffs de guitarra (sem contar que ainda existem partes de violão com melodias orientais aqui e ali).

“Glorifired”: A velocidade diminui um pouco, mas não a agressividade e o peso. As partes mais cadenciadas realmente se agarram aos nossos ouvidos, levando a cabeça do ouvinte a balançar sozinha. E é que trabalho de primeira dos vocais.

“Mistresserpent”: Mais arrastada e cadenciada, é uma canção de ambientação soturna, com o uso de efeitos fazendo fundo. Mas como as guitarras estão fabulosas, seja nas melodias transcendentais, seja nos riffs introspectivos.

“Pray for Chaos!”: A velocidade tramita entre o veloz e algo mais climático, e influências de Crossover/Thrash Metal surgem nas linhas melódicas. É a típica canção que se ouve e não se consegue esquecer, e ótimo trabalho de contrastes nos vocais e nos solos de guitarras.

“That One Night”: E o quarteto não cansa de nos surpreender, usando linhas de efeitos que realmente encaixam no meio de tanta agressividade. E é incrível o trabalho de baixo e bateria em termos de peso e técnica.

“Once Upon a Time in the East”: A força das influências externas ao Metal surge nessa canção, cujo andamento é cadenciado e bruto (com alguns momentos mais velozes à lá Old School Black Metal). Mais uma vez belas melodias aparecem, com ótimo uso de contrastes de timbres dos vocais.

“Neoantichrist”: Andamento mais lento na linha das primeiras bandas da SWOBM, mas sempre com excelentes melodias rascantes. Mais uma vez, a técnica de baixo e bateria surgem no meio desse azedume enegrecido e de bom gosto.

Conclusão: “Neoantichrist” vem para mostrar o que a República Tcheca tem de melhor em termos de Metal extremo, e verdade seja dita: o SOLFERNUS tem tudo para se estabelecer como uma das pontas-de-lança do Metal de seu país, pois qualidade não lhes falta.


Nota: 96%


Tracklist:

1. Ignis ~ Dominion
2. Glorifired
3. Mistresserpent
4. Pray for Chaos!
5. That One Night
6. Between Two Deaths
7. Once Upon a Time in the East
8. My Aurorae
9. Neoantichrist
10. Stone in a River


Banda:


Khaablus - Vocais
Igor - Guitarras, backing vocals, teclados, effeitos
Mamba - Baixo
Paul Dread - Bateria


Ficha Técnica:

Paul Dread - Produção
Pavel Kolařík - Produção, mixagem, masterização
Thomas Bruno - Arte da capa
Khaablus - Layout
Big Boss - Vocais em “Pray for Chaos!”
Hanz - Violão em “Ignis ~ Dominion” e “My Aurorae”


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:




Bandcamp:


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

REPRESSOR - Agnoia


Ano: 2018 

Tipo: Full Length 
Selo: Independente 
Nacional 

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Cada vez mais as influências do Thrash Metal moderno (que em algumas concepções é chamado de Thrash Metal pós anos 90, devido à clara influência de PANTERA, DOWN e outros) têm sido sentidas na escola brasileira do gênero, que sempre teve óbvia influência das escolas norte americana e europeia. E é justamente vindo com uma “vibe” mais moderna que o quarteto carioca REPRESSOR (de Maricá) chega em “Agnoia”, seu segundo álbum.

Análise geral: Embora seja um estilo já bem erodido pelo reincidente uso de muitas bandas, o quarteto mostra que a experiência de 13 anos de estrada faz a diferença: eles mostram uma personalidade forte, já que misturam o Groove/Thrash Metal com o Bay Area Thrash Metal de expressão mais agressiva. É como se fossem possível jogar em um caldeirão de altas temperaturas a música de FORBIDDEN e VIO-LENCEmais o Groove moderno de PANTERA, e mais a personalidade musical dos integrantes do grupo. A abordagem deles é bem pessoal.

Arranjos/composições: Com bom “approach” técnico, peso abrasivo e a intensidade do Groove Metal, o trabalho deles é de primeira. Sabendo criar diversidade rítmica e encaixar os arranjos uns nos outros como se montando um quebra-cabeça musical, eles uma dinâmica interessante entre os instrumentos e os vocais (que poderiam não ser tão graves assim). Bases bem feitas, solos caprichados, base rítmica sólida, além de bons vocais é o que eles oferecem ao ouvinte.

Qualidade sonora: Como toda boa produção do gênero, o trabalho de Gabriel Russel e Caio Kattenbach na mixagem e masterização buscou deixar tudo com a medida certa de efeitos, fazendo com que as músicas sejam compreendidas e os instrumentos sejam ouvidos separadamente, o que por consequência mostra que os timbres escolhidos para os instrumentos é muito bom. Se não é perfeito, é algo muito bom..

Arte gráfica/capa: A capa do disco nos mostra uma arte enigmática. Tendo em vista de “Agnoia” vem do grego e significa “ignorância, descuido, erro”, e que é usada para definir a “falta de conhecimento, estado dos doentes que não reconhecem as pessoas que os rodeiam” conforme o Dicionário infopédia de Termos Médicos, e pelos temas tratados nas letras (onde se percebe que os temas sociais e o protesto contra o “establishment”), a arte fala da completa ausência de conhecimento do mundo real.

Destaques musicais: Pode-se aferir que “Agnoia” é um disco sólido e bem caprichado, fazendo com que a qualidade das músicas se nivele por cima. Mas destacam-se as seguintes canções.

“Mecanismo”: Como toda boa faixa de abertura, é um cartão de apresentação do trabalho deles. Cheia de boas mudanças de ritmo e uma energia encorpada, e preenchida por guitarras de primeira, seja nos riffs ou nos solos.

“Cabral”: Nesta, existem partes que remetem diretamente ao Crossover à lá RxDxP, novamente com guitarras insanas, mas o grande destaque é o trabalho de baixo e bateria (ótima técnica e excelentes conduções). E é a faixa escolhida para vídeo de divulgação.

“Rebelião”: Muito peso, o andamento é mais lento, causando a impressão de algo causticante fluindo dos auto-falantes. Alguns tempos quebrados surgem aqui e ali, mas os vocais se mostram muito bem.

“Ganância”: Aqui o quarteto cai definitivamente para o lado exclusivamente Thrash Metal de sua personalidade, extremamente próximo ao que a segunda geração do San Francisco Bay Area Thrash Metal mostrava. Peso, brutalidade e ótimo trabalho de baixo e bateria é apresentado, fora um fluxo de energia abusivamente insano.

“Sangria”: Veloz em vários momentos (pura influência de HC/Crossover), em outras com maior cadência e ambientação abrasiva, é daquelas canções feitas para bater cabeça como se não houvesse amanhã. E que solos bem feitos!

Conclusão: No mais, o REPRESSOR é daquelas bandas que ainda não estourou por mero desconhecimento do grande público. E tenham certeza: a banda está apenas começando, pois ainda tem muito a oferecer aos fãs. Até lá, ouçam “Agnoia” no volume mais alto possível.

Nota: 84%


Tracklist

1. Mecanismo 
2. Cabral 
3. Depósito 
4. Rebelião 
5. Matador 
6. Sagrado 
7. Ganância 
8. Instável 
9. Sangria 
10. Duna 


Banda: 


Guilherme Marchi - Vocais, guitarras 
Caio Kattenbach - Guitarras 
Gabriel Belão - Baixo 
Gabriel Russel - Bateria 


Ficha Técnica: 

Repressor - Produção 
Gabriel Russel - Mixagem, masterização 
Caio Kattenbach - Mixagem, masterização 
Gabriel Russel - Arte da capa 


Contatos

Site Oficial: 
Assessoria: 








Spotify:


SKULLORD - In Death

Ano: 2019
Tipo: Full Length (DOWNLOAD GRATUITO)
Selo: Independente 
Nacional 

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: O Doom Metal é um estilo que vem sendo construído desde os anos 70. As influências dos primeiros discos do BLACK SABBATH são evidentes, mas nomes como ST. VITUS, TROUBLE e WITCHFINDER GENERALcomeçaram a encorpar cada vez mais os elementos do gênero, e o CANDLEMASS vem trazer aspectos líricos ao estilo. Óbvio que o estilo não tem um “tutorial” definitivo de como deve ser feito, e algumas bandas seguem seus próprios instintos ao criar algo dentro do gênero. E é justamente nisso que o dueto SKULLORD, de Lima Duarte (MG), se encaixa com seu primeiro disco, “In Death”.

Análise geral: A dupla tem uma abordagem mais clássica do Doom Metal, com claras influências de BLACK SABBATH, BEDEMON, PENTAGRAM e WITCHFINDER GENERAL, evitando uma técnica musical rebuscada. A atmosfera de suas canções é densa e pesada, com andamentos cadenciados e um azedume intenso. Existem óbvias influências de Stoner Rock/Metal em várias partes (basta observar os timbres instrumentais) e mesmo de Space Rock dos anos 70. Musicalmente, é uma banda de peso e muita solidez, mas com um apelo melódico essencial que embala o ouvinte.

Arranjos/composições: É preciso dizer que a banda não está criando nada que já não tenha sido abordado antes, ainda mais nessa forma clássica de Doom Metal. Mas isso não quer dizer que não tenha personalidade, ou que suas canções não tenham valor. Muito pelo contrário: é justamente esse jeito “Doom Metal from Life to Death” de raiz que nos envolve, graças a arranjos musicais simples e melodias de fácil assimilação. Existem partes que chegam a ser hipnóticas de tão marcantes.

Qualidade sonora: Mesmo usando de tecnologias modernas, a sonoridade de “In Death” é orgânica (logo, de onde vem o “feeling” Stoner que se percebe permeando o disco), buscando realmente se distanciar de algo excessivamente limpo. Pode-se dizer que a qualidade sonora de discos como “Master of Reality”, “Psalm 9” e “Death Penalty” foi uma referência, e que Léo Schröder acertou a mão.

Arte gráfica/capa: Trabalhada em tons de preto, cinza e roxo, a arte é simples, direta e objetiva: é uma banda de Doom Metal no sentido mais conservador possível, sem espaços para inovações pós-modernistas do gênero. Ou seja, a arte é completamente paralela ao que se ouve nas canções do grupo.

Destaques musicais: Com um jeito rígido Doom Metal clássico de ser, “In Death” brinda o ouvinte com canções marcantes e envolventes.

“The Death's Bell Tones (Intro)”: O nome já diz tudo, é uma introdução experimental.

“Corpse”: Destilando riffs intensos e azedos, é uma canção com boa dinâmica entre as partes instrumentais e vocais. O ritmo lento é lisérgico, com seus toques de Space Rock aqui e ali.

“Procession”: Um peso cavalar é jogado no ouvinte sem pudores, com o ritmo lento evocando certo toque de Stoner. As linhas melódicas simples vão seduzindo o ouvinte ao ponto do mesmo cantar junto com o disco na segunda audição.

“Lying in the Frost (Burial)”: A mais densa e opressiva canção do disco, cheia de passagens melódicas fúnebres, onde baixo e bateria mostram sua força rítmica, algo semelhante ao que os veteranos do PENTAGRAM e ST. VITUS desencadeavam em seus tempos áureos.

“Ad Sepulcrum (Interlude)”: Um curto interlúdio sinistro, com mais uma vez um toque experimental interessante.

“The Dead City”: A aura introspectiva e soturna dessa canção tem uma pegada mais dinâmica, com boas variações de ritmo. Os vocais se encaixam bem na canção, com timbres limpos bem postados (que podem melhorar no futuro).

“Beyond Thy Grave (Outro)”: Outra instrumental climática, dando o toque de “end of the world” ao disco.

Conclusão: Se uma palavra pode definir bem o que se ouve em “In Death” é honestidade. E embora algumas arestas possam ser aparadas (como os vocais podem dar uma melhorada no futuro), para os fãs de Doom Metal, Stoner Metal/Rock, enfim, para os fãs de Metal de bom gosto, o SKULLORD aqui está e nos brinda um disco de ótima qualidade. E que pode ser baixado de graça no perfil da banda no Bandcamp.

Nota: 83%

Tracklist:

1. The Death's Bell Tones (Intro)
2. Corpse
3. Procession
4. Lying in the Frost (Burial)
5. Ad Sepulcrum (Interlude)
6. The Dead City
7. Beyond Thy Grave (Outro)


Banda


Dean Meadows - Vocais, guitarras, baixo 
Robert Messorem - Bateria, programação 


Ficha Técnica: 

Léo Schröder - Produção 


Contatos
Site Oficial: 
Facebook: https://www.facebook.com/skullorddoom 
Instagram: https://www.instagram.com/skullord_doom 
Assessoria: 
E-mail: skullordpress@gmail.com 



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

PAGAN THRONE - Dark Soldier

Ano: 2018 
Tipo: Extended Play (EP) 
Selo: Eternal Hatred Records 
Nacional

Texto: “Metal Mark” Garcia 


Introdução: Quando se fala em Viking Metal e Pagan Metal, poucos têm a percepção que ambos os estilos são extremamente próximos. O Viking Metal nasce nas mãos do BATHORY em “Blood Fire Death”, enquanto o Folk/Pagan Metal tem suas origens no SKYCLAD com “The Wayward Sons of Mother Earth”, e o tempo foi criando a convergência de ambos ao ponto de não ser incomum vermos bandas de cada vertente usando elementos da outra. Nisso, o quinteto PAGAN THRONE, da cidade do Rio de Janeiro, mostrou-se sempre um baluarte, tendo que seu novo trabalho, “Dark Soldier”, nos brinda com algo realmente fantástico.

Análise geral: Quem conhece a banda desde “The Way to the Northern Gates” (de 2010) consegue ter a percepção de quanto evoluíram a cada lançamento, de quanto a crueza e estética agressiva original foram sendo temperadas com influências musicais diversificadas. E em “Dark Soldier”, eles deram um passo adiante: se já se mostravam mais inclinados a algo mais melodioso com influências de Pagan Metal no álbum “Swords of Blood” (de 2015), e no EP “Pagan Empire - Against the Usurpers of the Throne” (2017) já mostravam a adição de elementos Folk, agora se percebem orquestrações grandiosas, corais épicos, melodias mais soturnas em alguns pontos, mas sempre tendo em vista suas origens extremas. Pode-se dizer que o trabalho do PAGAN THRONE cada vez mais soa pessoal, se diferenciando de tantos outros grupos que são ouvidos todos os dias.

Arranjos/composições: Se por um lado o grupo não cria nada que seja extremamente complicado em termos técnicos, é diversificado, já que não ficam presos a padrões pré-estabelecidos. Desta forma, a música do grupo soa espontânea e cheia de energia, mas com uma beleza incrível. Os vocais ficaram mais diversificados em termos de timbres (o uso dessas variações ficou ótimo), as guitarras estão fundindo bem os aspectos extremos e melodiosos em seus riffs (e esbanjando melodia nos solos, algo bem incomum em termos de Black Metal), baixo e bateria estão criando uma base rítmica sólida e bem trabalhada, e os teclados agora não fazem apenas acompanhamento, mas criam ambientações ótimas. Além disso, existem melodias com certo toque de Ethnic/Oriental Metal (que são evidentes no início de “Empty and Cold”), dando diversidade ao que já era de alto nível. E como a transição de tempos e dinâmica entre os arranjos é espontânea.

Qualidade sonora: Pode-se dizer que o grupo buscou renunciar aos modelos usados para gravações/produções de discos de Metal extremo, mantendo os aspectos crus apenas na timbragem dos instrumentos. A produção acertou a mão ao criar algo limpo e pesado, obedecendo ao que as canções precisavam, e não as adequando a moldes pré-determinados. Pode-se aferir que Rafael Ribeiro fez um trabalho e tanto ao cuidar da produção, mixagem e masterização do disco. 

Arte gráfica/capa: A arte é do vocalista Rodrigo Garm, e diferente dos discos anteriores, ela busca algo mais soturno, simples, e extremamente subjetivo. Algo que se encaixa com o título do EP em várias interpretações possíveis, e que contrasta com as canções. 

Destaques musicais: O EP contém 3 canções novas, todas elas excelentes, e que valem a aquisição do disco.

“The Rise of the Golden Empire”: É uma introdução climática, com maior enfoque nos teclados e corais, mas com a bateria dando aquele toque ritmado bem feito.

“Dark Soldier”: Uma canção rica em detalhes e boas mudanças de andamento. As partes de piano se encaixam como uma luva, e as ambientações épicas criadas pelos corais são excelentes, sem mencionar que baixo e bateria excelentes.

“Empty and Cold”: As influências de algo mais voltado ao Ethnic/Oriental Metal são evidentes em seu início, e seu andamento não tão veloz assim prioriza uma ambientação melódica e alguns momentos mais introspectivos/Folk. Os vocais acompanham bem esta evolução, com timbres variando entre algo mais limpo e outros timbres agressivos não muito extremos. 

“Prelude to a Dark Sun and Blood Moon”Outra intro climática, feita em teclados e pianos, apenas mais densa e melancólica.

“Ascensão ao Poder do Sol”: Essa é cantada em português (a primeira vez que o grupo usa de tal expediente), com uma pegada mais cadenciada e ambientação focada em algo mais “horror story”, e com os teclados fazendo um ótimo trabalho, bem como as guitarras (e a dinâmica entre ambos ficou excelente). É a canção do EP que faz a ligação entre o passado mais extremo e o futuro mais melodioso e épico que parece promissor.

O EP ainda tem as versões orquestrais para Dark Soldier” e “Empty and Cold”.

Conclusão: O PAGAN THRONE anda bem ativo, se recusando a se encaixar no modelo de 1 disco a cada 2-3 anos, e “Dark Soldier” vem para deixar os ouvintes ansiosos pelo novo “full length” do grupo. Até lá, o EP mata a ansiedade.

Nota: 96%

Tracklist

1. The Rise of the Golden Empire 
2. Dark Soldier 
3. Empty and Cold 
4. Prelude to a Dark Sun and Blood Moon 
5. Ascensão ao Poder do Sol 
6. Dark Soldier (Orchestral Version) 
7. Empty and Cold (Orchestral Version) 


Banda


Rodrigo Garm - Vocais 
Renan Guerra - Guitarras, violão, orquestrações 
Thiago Amorim - Baixo 
Hage - Teclados, programação 
Alexandre Daemortiis - Bateria


Ficha Técnica

Rafael Ribeiro - Produção, mixagem, masterização 
Rodrigo Garm - Artwork 


Contatos

Site Oficial: 
Assessoria: 
E-mail: