O Metal Samsara é um Blog que visa atender a todos. Mas para questões de resenhas de discos digitais, é preciso que todos tenham em mente que não existe uma equipe. O autor das resenhas é a mesma pessoa sempre, e que como todos, possui uma vida a qual necessita dar atenção.
Por este motivo, bandas que usem arquivos digitais precisam se adequar aos modelos usados por este autor. No fundo, se observarem, os textos abaixo mostram a construção de kits digitais e releases nos moldes que são feitos por gravadoras europeias e americanas. É trabalhoso em um país como o Brasil, onde basicamente tudo fica nas mãos das bandas. Mas se não aprender conosco, vai necessitar pagar por este trabalho (que nem sempre é barato), sendo que aqui, ele é dado de graças. Dinheiro este que a banda poderia muito bem usar para outras necessidades.
Os kits e releases que não se enquadrarem nestes modelos não serão considerados, pois escrever resenhas no formato do Metal Samsara não é simples.
Ele dá trabalho, mais em compensação, todas as informações que um leitor deseja estão nelas. E não há como perder tempo caçando informações na internet que as próprias bandas já possuem. O tempo que é gasto, em média, na caça por informações preciosas excede os 10-15 minutos. Pode ser que para muitos pareça pouco, mas para alguém que posta notícias, escreve resenhas e entrevistas, e sem contar as responsabilidades com outros canais de informação e mesmo com a vida privada, são 10-15 minutos que fazem muita falta ao autor.
Lembrem-se: quanto melhor seu release e kit, mais tempo você poupa a este autor. Pense que gentileza gera gentileza, e quanto melhor a informação, melhor poderá ser a resenha, já que, com elas todas na mão, não existirá desgastes desnecessários na busca por links de contato, links de audição e outros.
Jeff Britto - Produção, mixagem, masterização, artwork
Rafael - Músico convidado (Guitarras em “Brotherhood of Man”, “The Embrace of the Cold”, “Christ’s Death”, “Raise the Dead”, “Countess Bathory”, e “ To Walk the Infernal Fields”)
Criar um disco pode ser algo trabalhoso, dependendo da ideai da banda envolvida no processo. A pressa em acabar uma gravação e pôr o disco nas lojas pode sempre trazer mais prejuízos do que ajudar. Por isso, o grupo mineiro IN APOSTASIA, de Governador Valadares, fez a coisa mais certa em seu terceiro trabalho de estúdio, o álbum “Hail the Kings”: trabalharam bem as ideais até chegarem onde queriam. E ficou muito bom o resultado final.
A banda faz um Black Metal agressivo e bem soturno, focado na velha escola do início dos anos 90, ou seja, a SWOBM. O trio não prima pela técnica (embora estejam longe de serem simplistas em termos técnicos), focando seus esforços em criar algo bruto e rápido, mas com muitos momentos mais cadenciados e atmosféricos. A profusão de riffs raçudos e diretos (mas muito bons), vocais rasgados de dar calafrios, baixo e bateria formando uma base rítmica sólida e com boas mudanças de ritmo é absurda o disco todo, criando algo de fácil assimilação pelos fãs do gênero, mas ríspido e mórbido.
Sim, traduzindo este parágrafo, “Hail the Kings” é um disco de alto nível em termos de Black Metal.
Ao se falar da sonoridade, muitas vezes o calcanhar de Aquiles de muitas bandas do gênero, se percebe que houve uma preocupação em ter uma sonoridade crua que esboce a personalidade musical do trio. Mas ao mesmo tempo, o produtor não se furtou em conceder a “Hail the Kings” um nível delimpeza que torna cada uma das canções compreensível aos ouvidos dos menos iniciados. E mesmo com uma produção digital, se percebe que houve uma preocupação com a estética dos timbres sonoros, de forma que tudo se encaixasse para fazer com que as canções soassem sólidas como rochas. E a arte ficou muito boa, refletindo a proposta negra do conteúdo lírico das canções.
“Hail the Kings”foi concebido como os antigos discos de vinil, com dois lados: “The Hail Side” é o disco em si, apresentando suas 10 faixas (uma introdução, uma outro, 7 canções próprias e uma versão para “Brotherhood of Man”, do MOTORHEAD). Já “The Kings Side” são versões deles para clássicos do gênero, bandas que os influenciaram e ajudaram a caracterizar o Black Metal. E em todas as composições, se percebe inteligência e esforço nos arranjos, mas coração para que a proposta sonora do grupo não fosse alterada. E como esses caras são talentosos!
O disco inteiro é ótimo, vale a ouvida de ponta a ponta. Mas para que o leitor tenha suas referências iniciais em “The Hail Side”, podem começar pela postura agressiva e brutal de “Never” e de “The Fire Within”, com ambas mostrando ótimas suas mudanças de ritmo (baixo e bateria fazendo um trabalho de primeira), a rapidez extrema da curta “They All Must Die”, o peso absurdo e atmosférico das partes mais cadenciadas de “Burning Crosses” (riffs muito bons, com uma dinâmica ótima com a base rítmica) e de “Hunting Ground”(aqui, os vocais estão muito bem, mostrando um tipo de vocal rasgado mais grave), além da ganchuda “War” e suas passagens em velocidade mediana que são empolgantes. E a versão deles para a magistral “Brotherhood of Man” é destruidora, com um ritmo lento e azedo, onde o vocal rasgado encaixou perfeitamente nas linhas roucas do finado Lemmy, sem falar que esses timbres crus de guitarra ficaram perfeitos.
“The Kings” é um tributo do IN APOSTASIA aos seus mestres. E ver a roupagem mais atual e agressiva que velhos hinos como “The Embrace of the Cold” (do grupo norueguês GRIMM, que aqui ficou com uma sonoridade melhor), a ríspida “Christ’s Death” (do SARCÓFAGO, que ganhou uma pegada mais Black Metal, graças aos vocais rasgados), a azeda e cadenciada “Raise the Dead” (do BATHORY, que já nasceu perfeita e o grupo respeitou suas características), a fogosa “Countess Bathory” (do VENOM, que ficou ótima com essa estética mais Black Metal e não tão Metal Punk), e a longa e gélida “To Walk the Infernal Fields” (um dos maiores clássico do DARKTHRONE, que soa mais limpa, mas não menos agressiva por isso).
O IN APOSTASIAtem tudo para se tornar um dos maiores nomes do Black Metal brasileiro, pois “Hail the Kings” mostra que o trio tem talento para isso.
O Metal brasileiro tem uma história bem longa, e nem sempre temos finais felizes.
Além do grande número de bandas que surgem todos os dias, o desprezo de muitos bangers pelo produto nacional, as dificuldades sócio-econômicas acabam se tornando cruéis fatores de corte. E assim, muitas bandas de potencial nunca chegam a ter grande expressão, e quando estas lançam um disco, este acaba desaparecendo nas areias do tempo. Hoje, com a ajuda de selos interessados em resgatar um pouco dessa história, alguns discos tem recebido uma nova chance, como “Dreadful Dreams”, único disco do quinteto GLADIATOR, de Porto Alegre (RS), relançado pela Rising Records.
O grupo é um dos precursores do Thrash Metal no RS, e se percebe no trabalho deles uma boa estética técnica, muito peso e melodia permeando a agressividade à lá EXODUS do quinteto. Já se percebe nas músicas de “Dreadful Dreams” uma banda um pouco adiante de seu tempo, já que mostram momentos mais técnicos e toques de Metal tradicional, além de uma estética que remete ao Rock 70. Algo bem incomum naqueles tempos.
Óbvio que a produção sonora não é lá essas coisas para os padrões atuais. Mas não estamos analisando um disco lançado em 2018, mas em 1992, época em que ser independente no Brasil era um ato de coragem, pois os investimentos eram parcos. Mas também não chega a ser algo que não se compreenda. Está até boa para os padrões da época, e que foi melhorada pela remasterização. E mesmo a arte ficou bem legal, uma imagem que mexe com os sentidos do ouvinte, fora o encarte com letras, o depoimento de Luiz Carlos Louzada (do VULCANO), fotos da época e de hoje, além de recortes de notícias de jornal.
Talvez o grande valor de “Dreadful Dreams” seja, além do musical, o de seu legado. Dessa época, no RS (assim como no RJ e SP), não era incomum vermos bandas de vários estilos de Metal tocando juntas. Isso é algo que muitos hoje em dia não suportam nem pensar, quanto mais aceitar que seja feito. Além disso, como dito acima, o GLADIATOR mostrava incursões corajosas no Metal tradicional e no Hard Rock 70.
No mais, canções como “Selective Eye” (belo trampo de baixo e bateria), “Brainwash”(essa com um jeitão furioso e trabalhado à lá EXODUS), “The Prisioner”e seu jeitão bruto com tempos não muito velozes, a raivosa e excomungante “Holy Words”, além da versão pesada e sinuosa para o velho hino “Sunshine of Your Love”, do CREAM, que ficou ótima. Mas a coisa não para por aí: ainda temos as Demos “Oppression and Pain” de 1989 e “Holy Words” de 1991, resgatadas e disponibilizadas para todos (o que era difícil nos 80, pois raro uma banda comerciar a própria Demo Tape).
Em uma época em que tantos relançamentos sem sal ocorrem no exterior, é ótimo ver a Rising Recordssendo seletiva e trazendo as coisas boas do passado...
Ouça “Dreadful Dreams”em alto volume, e entenda o porquê o GLADIATORmerece aplausos.
A escola brasileira de Thrash Metal anda rendendo frutos muito bons nos últimos anos. Desde que o estilo começou a ser feito por aqui, ainda na primeira metade dos anos 80, muita coisa foi mudando, evoluindo e se ajustado ao tempo. Quando se fala em modernidade, muitos torcem o nariz, pensando nas fusões de Thrash Metal com Groove, mas não é isso. É uma forma mais atualizada e agressiva de se fazer Thrash Metal, e que é diferente do que se fazia nos anos 80. E um ótimo exemplo é o quarteto WORSIS, de Ipê (RS), que veio para detonar pescoços com seu primeiro disco, “Blinded by the System”.
Furioso e bruto, mas com boa técnica e harmonias bem feitas, o quarteto muitas vezes referindo um ritmo mais cadenciado e azedo de tão agressivo, mas em outra com ritmo mais rápido e ganchudo. Percebe-se que a juventude do grupo (que foi formado em 2014) não significa ingenuidade, pois “Blinded by the System” é um disco de gente grande, feito com raça e muita vontade, a ponto da energia que flui dele ser absurda.
Em termos de sonoridade, se percebe que o foco foi em criar algo que fosse agressivo e que fizesse com que as composições do grupo fossem entendidas sem esforços. A meta foi alcançada, mostrando ótimos timbres em cada instrumento, e tudo em seu volume certo. Além disso, o lado visual ficou muito interessante, com uma arte que deixa claro o teor lírico do grupo.
Destilando raiva e Thrash Metal em 11 canções, se percebe que o grupo tem potencial para ir longe. Isso fica claro em canções como a rápida “Sisyphus” e suas guitarras faiscando riffs nervosos e solos bem feitos, “Echoes of Pain” com seus tempos em velocidade mediana e vocais rasgados de primeira, na pegada mais cadenciada e opressiva de “False God” (que riffs raçudos e que grudam nos ouvidos), na energia crua da veloz “Slaves of Corruption” (onde baixo e bateria aplicam um massacre de boa técnica e peso), nas ótimas melodias que permeiam o ritmo denso de “What Remains of the Future?”, na pegada esmaga-crânios de “Under Mud”com suas melodias sombrias, e na opressão brutal feita pela esmagadora “Born to Bleed”.
O WORSIS é uma grata surpresa, e uma revelação e tanto do Metal brasileiro.
Nos dias de hoje, é comum ver muitas bandas tentando emular o que foi feito nos anos 60, 70 e 80. Nada contra, cada um faz o que bem entende, mas existem propostas sonoras que parecem ser mesmo de uma época ou um país. Um dos exemplos mais evidentes está no Thrash Metal alemão. Aquela tradição é tão imitada por aí, mas sinceramente: 80% não funciona e soa artificial, forçado. Parece ter algo no sangue dos alemães que é deles, e de mais ninguém. Emular o jeito que KREATOR, SODOM, TANKARD ou DESTRUCTION têm não é simples. O Thrash Metal germânico é algo deles, por isso, ao ouvir “Empowered By Hate”, disco novo do trio NUCLEAR WARFARE, fica claro porque é assim.
Aqui, se sente o DNA do Thrash Metal da Alemanha em cada momento. Mas ao mesmo tempo, no meio dessa agressividade toda, se percebem boas melodias guiando o trio, além de uma personalidade bem forte. Como este é o quinto disco do grupo em seus 17 anos de vida, fica claro que a experiência faz a diferença, que eles não estão copiando ninguém. Isso flui deles, é algo que vem do coração. É pancada em cima de pancada, uma insanidade de riffs de primeira (e solos muito legais), vocais urrados, baixo e bateria pulsando em uma base rítmica bem feita e sólida. E o melhor de tudo: não soa datado em momento algum.
Tanta energia ser capturada em estúdio não deve ter sido um trabalho muito simples, mas a sonoridade do grupo ficou muito boa, seca e pesada, mas clara de uma forma que compreendamos o que eles estão fazendo. Tudo está em seu devido lugar, sem tirar ou pôr seja lá o que for. A timbragem dos instrumentos poderia ser melhor, mas se mexessem demais, descaracterizaria o trabalho do trio.
A arte, por sua vez, complementa o trabalho do grupo, com uma capa muito boa (embora usando expedientes simples dos anos 80) e uma diagramação muito boa.
Se preparem, pois eles parecem ter sede de Thrash Metal, pois o NUCLEAR WARFARE mostra uma agressividade enorme em suas canções, mas sem que se perca qualidade técnica em momento algum. Tudo flui com energia o tempo todo, arranjos Thrashers de fácil assimilação. Ô banda boa!
Eles vieram trazendo 10 canções muito boas, onde se destacam a veloz e cheia de energia “After the Battle” (com um trabalho de bateria de primeira, com muito peso e boa técnica), o ataque de riffs velozes e certeiros exibido em “Let the Hate Reign”, o Crossover “motorheadiano” que se ouve em “Hata Com Faca” (belo trabalho de guitarras e vocais), o peso azedo e cadenciado de “Fear”, a igualmente cadenciada (apenas mais trabalhada) “Bite of the Viper”, a ganchuda e bem arranjada “A Nice Day” e seu jeito mezzo Thrash e mezzo crossover, a sinuosa e cheia de mudanças de ritmos “Nuclear Warfare” (onde baixo e bateria dão um show à parte, fora as ótimas linhas melódicas), e a veloz e ogra “Thrash to the Bone” (os vocais estão ótimos).
Eis uma banda que merece ser mais bem conhecida pelos fãs de Thrash Metal do Brasil. E que na próxima turnê deles por aqui, que tenham um público digno.
“Empowered by Hate”é um soco nos cornos, daqueles que fazem imitadores arrancarem os cabelos do traseiro com os dentes!
Quando se fala em Metal Progressivo, ou Prog Metal, um amplo espectro de idéias surge para tentar definir quais elementos musicais seriam marcantes. A construção não é simples, mas podemos definir que o estilo se sustenta sobre dois pilares principais:
1.A fusão do peso e melodia do Metal com elementos de Rock Progressivo;
2.Uso de uma técnica instrumental rica.
Assim sendo, o restante fica a gosto de cada banda que se aventura por estes caminhos musicais. O KILLEPSIA, de Porto Alegre (RS), é um quarteto corajoso, e mostra no seu segundo EP, “Killepsia”, que tem muito potencial.
O grupo rebusca bastante nas influências musicais, com toques de Jazz e MPB em muitos pontos, o que lhes dá diversidade musical. Por outro lado, eles procuram fazer algo pesado e coeso, sem que as viagens progressivas/técnicas sejam mais longas que a paciência de ouvintes comuns possa suportar. Ao mesmo temo, a banda tem momentos musicais bem agressivos, deixando claro que o negócio com eles é peso. Eles ainda podem evoluir bem mais nessa mistura, mas já mostram personalidade para sobreviverem às tribulações do cenário.
A produção ficou muito boa. Como o grupo se foca na fórmula de vocais-guitarras-baixo-bateria, a sonoridade ficou muito boa, com boa timbragem e um nível de clareza muito bom. Óbvio que podem melhorar nesse ponto, mas já está bom. A arte, por sua vez, é bem simples e direta, mas funcional, permitindo que a atenção do ouvinte fique focada na música em si.
O grupo tem potencial para ir longe, isso fica claro nas quatro canções do EP. Mas é preciso que o grupo dê uma atenção especial e urgente aos vocais, já que além de não estarem compatíveis com o som do grupo, lhes falta maior alcance. Um pouco de treino ao ajudará nesse sentido. Já os instrumentos musicais estão bem, com boa técnica e mudanças de ritmos bem pensadas. E eles sabem arranjar as composições de forma que elas não soem cansativas ou mecânicas.
Das quatro composições, “Role Model” é a única cantada em inglês, e que por sua vez, é recheada de ótimos arranjos de guitarras e boa dose de agressividade. Em “Bordado”, se percebe claramente o lado heavyssívo do grupo, embora ela tenda a ser mais simples, com o baixo dando um show à parte. Bem diversificada e com passagens técnicas interessantes é “Império”, que por ser a mais longa (mais de sete minutos de duração), possui um trabalho de bateria muito bom, com boa técnica e peso, fora os inserts de Jazz e MPB. E em “Incertezas”, a pegada é mais pesada e se percebe forte dose de agressividade, mas sem que a técnica que permeia o trabalho deles se perca.
O EP mostra um grupo bem promissor, e acertando os vocais, o resto se acerta.
Para alguns fãs mais radicais, a versatilidade do Hardcore poderia soar algo um pouco fora de dos princípios musicais do gênero. Mas é fato que após a diversificação ocorrida no final dos anos 90, tal qual uma árvore, o Hardcore ganhou ramos bem distintos, mas sempre mantendo os elementos mais seminais, como a agressividade musical e a acidez lírica. Por isso, ao lidar com uma banda como LA RAZA, é preciso ter em mente que ela é fruto de toda uma evolução musical. E, além disso, verdade seja dita: “Bem Vindos a La Raza” é um disco excelente!
A fúria do Hardcore e aqueles corais característicos estão presentes, a presença de riffs simples e bem feitos, e aquela fúria nas letras são todos elementos presentes. Mas ao mesmo tempo, claras influências de Rap, Hip-Hop, toques de Funk/Soul estão presentes, além de scratches. Agressivo, cheio de Groove e musicalmente diversificado, é nisso que se baseia a música do quinteto. E verdade seja dita: não falta energia, e é impossível ficar parado!
Muito bem cuidada foi a produção sonora de “Bem Vindos a La Raza”. Tudo soa limpo e claro, sem estar confuso. Mas nem por isso soa menos agressivo, muito pelo contrário, já que o carrego sonoro do HC está presente em todos os momentos. Óbvio que há momentos em que a música do grupo soa acessível aos menos acostumados (como se ouve em “Atrás de um Sonho”), mas isso mostra como o quinteto é extremamente versátil em termos musicais.
A arte é muito legal. A imagem da banda que fica é de um grupo que, apesar de toda sua militância social, tem uma aura divertida, algo que anda meio fora de moda nos dias de hoje, mas que ficou ótimo.
Nas canções de “Bem Vindo a La Raza”, se percebe que o quinteto não é um grupo de ficar preso a uma musicalidade só. Usando elementos dos estilos citados acima, a música do grupo se torna única e diferente, empolgante e capaz de desencadear pogos infindáveis. E percebam que essa diversidade de influências exige que existam arranjos bem dinâmicos, o que é encontrado em profusão, mesmo em músicas curtas (uma média de 3 minutos de duração cada uma).
E os caras são raçudos!
Percebam que “Bem Vindos da La Raza” é um disco ótimo do início ao fim, se destacando (para mera referência) a ótima e acessível “Bem Vindos a La Raza” e sua levada melodiosa (que riffs e vocais bem construídos, além de um refrão simples), a funkeada e cheia de groove “Na Contra Partida” (baixo e bateria se exibem em termos técnicos, mas mantendo uma base rítmica compacta), as melodias de fácil assimilação em uma canção altamente grudenta que é “Atrás de um Sonho” (que letra legal, além de vocais de primeira), a também acessível “O Bem” (embora o refrão seja um murro nos ouvidos), a energia ais crua mostrada pelas guitarras em “O Dia em Que o Pai Chorou”, o peso denso de “Pra Onde Seguir?”, e a porrada entremeada de scratches de “Cai Dentro”.
“Bem Vindo a La Raza”veio ao mundo no dia mundial do Rock de 2017, demorou um pouco para ganhar sua versão física, mas aí está. E se preparem, pois o quinteto vai conquistar muitos!