segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

DORSAL ATLÂNTICA - Canudos (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Canudos
2.      Belo Monte
3.      Não Temos Nada a Temer
4.      O Minuto Antes da Batalha
5.      Carpideiras
6.      A Conselheira
7.      Sonho Acabado
8.      Cocorobó
9.      Araçá do Peito Azul de Lear
10.  Gravata Vermelha
11.  Liberdade
12.  Favela
13.  Ordem e Progresso


Banda:


Carlos “Vândalo” Lopes - Vocais, guitarras
Cláudio “Cro-Magnon” Lopes - Baixo
Américo Mortágua - Bateria


Contatos:

Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://www.blacklegionprod.com (Black Legion Productions)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um dos episódios mais tristes, e ainda assim inspirador, da história de nosso país é, sem sombra de dúvidas, a Guerra de Canudos.

Para aqueles que não conhecem bem a história, o conflito ocorreu entre 1896 e 1897, quando o exército brasileiro entrou em combate contra integrantes do arraial de Canudos, no interior da Bahia, e que era liderada pelo Beato Antônio Conselheiro.

O crime: a comunidade de Canudos era um arraial onde os menos favorecidos, sempre humilhados pelos grandes senhores da produção agropecuária de nosso país e abandonados pelo poder público, se reuniam e produziam para si mesmo os alimentos e viveres necessários. E pela orientação de Antônio Conselheiro(um líder social e religioso), tudo era partilhado de forma igualitária entre todos os habitantes do arraial (que ele batizara de Belo Monte). Nele, os excluídos e pobres, bem como os recém-libertos escravos, tinham um lugar no mundo onde poderiam ter uma vida simples, mas muito menos amarga e sofrida do que a alternativa oferecida pelo governo do país ou os grandes coronéis das fazendas, sob as bênçãos da igreja.

Antônio Conselheiro sofreu um longo e penoso processo de difamação pública, onde fora alegado que ele seria defensor da monarquia, e que os habitantes de Canudos iriam buscar reinstaurar um governo monárquico com armas compradas pela Princesa Isabel. Até mesmo fora acusado de loucura, tese que até os dias de hoje impedem o reconhecimento dele como um líder comunitário empreendedor. No fundo, Conselheiro seria, aos olhos de todos os mais atentos, um homem que queria apenas dar uma opção de vida melhor aos menos favorecidos, usando uma visão religiosa voltada ao cristianismo bíblico original, citado em Atos dos Apóstolos (capítulo dois, versículos 44 a 47), onde tudo era dividido entre todos.

Canudos resistiu e rechaçou três expedições militares, caindo diante da quarta. A opinião pública exigiu a aniquilação total do arraial, e assim, o sangue de 20.000 pessoas regou o sólido árido do sertão baiano. Muitos foram degolados, e o cadáver de Antônio Conselheiro (que morrera poucos dias antes do final da guerra, possivelmente tendo por causa mortis disenteria) foi retirado de seu túmulo e decapitado, e sua cabeça enviada para análise na Faculdade de Medicina de Salvador, onde seria examinada Dr. Nina Rodrigues (a ciência da época tinha a crença de que “a loucura, a demência e o fanatismo” deveriam apresentar alterações de seu rosto e crânio). Em 03/03/1905, um incêndio atinge a antiga Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, em Salvador (BA), destruindo a cabeça de Antônio Conselheiro (que lá estava desde o final da guerra de Canudos).

Triste, mas inspirador para todos aqueles que, independente de orientação política, acreditam em um mundo melhor, e que Conselheiro teria sido um homem de visão.

E tendo este tema histórico rico como fundo, eis que o trio carioca DORSAL ATLÂNTICA vem com seu disco mais recente, “Canudos”, e mais uma vez, mostram que continuam sendo pioneiros.

O estilo do grupo continua sendo o mesmo de sempre, aquela mistura de Metal e Hardcore cheia de energia, que tem a crueza dos anos 80, mas que nas mãos da banda ganha um brilho cheio de vida. Ou seja, diferente de muitos, o som do grupo não soa velho ou datado, mas com uma agressividade enorme, e disposto a continuar ensinando sua filosofia musical destruidora de ouvidos a todos. Isso é o que o DORSAL ATLÂNTICA oferece, e acredite: é de primeira!

Ao falar da questão da produção sonora, é preciso ter em mente que o grupo sempre busca uma sonoridade mais visceral e crua. Por isso, a qualidade é muito boa e orgânica, casando perfeitamente com a proposta sonora do disco. Os timbres são os mais simples que se possa ter, de forma que reflitam um tipo de som próximo ao que se ouve em shows. E embora a estética seja simples, o trabalho de Carlos Lopes na produção, mais a captação e mixagem de Elton Bozza no Superfuzz Studio (SP), e a masterização de Gabriel Zander no Costella Studio (SP) são garantias de que tudo funcionasse como a concepção de “Canudos”demanda.

Foto de Antônio Conselheiro tirada por Flávio de Barros.
Agora, falar do lado gráfico é algo que requer muita paciência, pois é lindíssima a apresentação. A capa é como a dos antigos discos de vinil, dupla, tendo em seu interior o tradicional crânio cheio de pregos e mais uma imagem estilizada da única foto conhecida de Antônio Conselheiro (tirada por Flávio de Barros no dia 6 de outubro de 1897, quando o corpo foi retirado da sepultura). O disco tem dois encartes: um onde as letras são disponibilizadas sobre uma textura que lembra o solo do sertão, e o outro, onde constam os agradecimentos aos financiadores do projeto, bem como tem um pôster de Antônio Conselheiro transfigurado como um anjo a defender os menos favorecidos. Nele, ainda constam imagens e textos referentes a mortes (ou seriam execuções) arquitetadas por governantes. Um manifesto que mostra que a Guerra deCanudos é mais um evento onde a morte dos que buscam a melhoria de muitos é o desejo dos que possuem o poder e o dinheiro, e que não estão dispostos a dividir uma migalha que seja.

Musicalmente, “Canudos”representa um lado mais maduro do DORSAL ATLÂNTICA, uma vez que no meio da massa sonora da banda se percebem algumas passagens que remetem aos ritmos regionais do Nordeste (como fica claro em “Favela”), mas o foco é mesmo aquele Hardcore Metal/Metal Punk com jeitão Thrash que o trio sempre fez. Além disso, o lado militante e consciente surge porque essa obra não só fala do passado, mas do presente. Sim, os temas de “Canudos”perfazem a atual situação política/social de nosso país, já que apesar das mudanças visíveis, a alma do governo atual é a mesma dos tempos de Prudentes de Moraes (que iniciou a ofensiva contra Canudos e autorizou a carnificina), que promove os mesmos genocídios que Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, que demanda o sangue dos pobres como Getúlio Vargas em seu período ditatorial (que chacinou sem dó os cangaceiros), e mesmo no período do Regime Militar (quantas vidas não foram ceifadas nos porões do DOI CODI). Entre eles e Michel Temer, a diferença é apenas o tempo e a metodologia, mas o sangue derramado e as injustiças não mudam.

O disco abre com a instrumental intimista “Canudos”, que antecede a agressividade Metal/HC de “Belo Monte”, onde se percebe as mudanças de tempo ótimas da base rítmica (Belo Monte é o nome dado por Conselheiro a Canudos, representando a esperança de uma vida melhor para os desfavorecidos, inclusive citando a profecia que o sertão iria virar mar), seguida da força impactante de “Não Temos Nada a Temer”, onde as guitarras mostram riffs incríveis (se repararem existe uma ligação poética entre o passado e o presente do Brasil nas letras). Toques regionais surgem nas melodias de “O Minuto Antes da Batalha”, com um ritmo um pouco mais cadenciado (onde vemos um discurso de Conselheiro, que fala os nomes do Tenente policial Manuel da Silva Pires Ferreira, de Febrônio de Brito, do carniceiro Moreira César, Artur Oscar, bem como denuncia a falácia de que os canudenses iriam lutar contra a república). “Carpideiras” é uma triste instrumental de guitarras, absorvendo o significado de seu título, antecedendo as linhas harmonias rascantes de “A Conselheira”, onde os vocais vão trazendo aquele velho carrego agressivo dos anos 80 (e a letra narra basicamente a estruturação do arraial, dos postos e lideranças). Um ar que remete diretamente ao clima denso de “Antes do Fim” surge em “Sonho Acabado”, com uma construção musical mais simples e que beira o HC, mas cheia de uma crueza energética de primeira e de ótimas guitarras (a letra traça um paralelo do fim de Canudos com outros momentos históricos do Brasil, onde as forças ocultas do poder mataram tantos que buscaram melhorar o país).  Em “Cocorobó”, o clima agressivo continua, a mesma energia crua do grupo, apenas com uma estética melódica mais apurada, além do peso bruto de baixo e bateria (Cocorobó é um açude da região, que veio a inundar a região original de Canudos, cumprindo a profecia de Antônio Conselheiro, mas a letra fala da encarniçada luta que levou ao fim de Belo Monte). Um toque subjetivo de Rock anos 70 surge em “Araçá do Peito Azul de Lear”, uma canção com peso e uns toques psicodélicos que encaixaram como uma luva (o nome da canção é de um pássaro típico da região, as letras já fazem referência ao dilúvio causado pelo açude meio século depois da guerra). A força dos tempos de “Alea Jacta Est” surge com muita fúria em “Gravata Vermelha”, contrastando com melodias intensas e muito peso, com mais uma aula de mudanças de timbres dos vocais (e o título é uma referência à degola dos canudenses, algo que ocorreu, quebrando a promessa feita de que não existiriam execuções, já que o poder político não possui honra e não cumpre suas promessas, algo que vemos pela história da república de nosso país). “Liberdade” mostra-se regada de ritmos regionais em meio ao peso abrasivo dos arranjos de guitarras e vocais, assim como surgem em “Favela” e seu andamento eclético e bem feito, enquanto a brutalidade e agressividade imperam em “Ordem e Progresso”, que fecha o disco com uma golfada de fúria HC. As letras delas são uma lembrança do legado de liberdade, do sonho de igualdade chamado Canudos (“Liberdade”), que o legado do poder público em todas as suas instâncias é a opressão e a destruição da dignidade humana (“Favela”), e que para alcançar o sonho de um mundo melhor, é preciso lutar, resistir até o fim e sem ceder, já que entre lindas, recatadas e do lar, conservocratas sujos que oram em nome de Deus, mas amam somente o dinheiro e o poder (“Ordem e Progresso”). Todos novos senhores das senzalas, todos os novos demônios denunciados por Antônio Conselheiro no passado.

No mais, “Canudos” é uma opera Rock de primeira qualidade, e já figura entre os grandes discos feitos no Metal brasileiro.

Sobreviventes de Canudos após a rendição.

“Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”. (Euclídes da Cunha - Os Sertões)

Nota 10,0/10,0

STILL LIVING - YmmiJ (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional
  
Tracklist:

1.      Reign of Pills
2.      On the Edge
3.      Call of the Night
4.      Dusty Blue Shadow
5.      Listen to Me
6.      The Man I’ve Become
7.      King of Nothing
8.      Haunted
9.      Peace or Pieces
10.  Who Are You
11.  Mr. Mirror
12.  I.M. Jimmy
13.  Jane
14.  Cult of the Rough Awakening
15.  In the Dark/As Shallow as It Gets
16.  Redemption (European Bonus Track)
17.  Haunted - Piano Version (Japanese Bonus Track)


Banda:


Renato Costa - Vocais
Eduardo Holanda - Guitarras
Thiago Nascimento - Teclados
Aldecy Souza - Baixo, pianos adicionais
Cleber Melo - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer discos conceituais é uma arte que anda cada vez mais escassa no mundo do Metal e do Rock ‘n’ Roll. Talvez seja um reflexo da sociedade imediatista dos últimos dez anos, onde se consome tudo de forma rápida, inclusive arte e cultura. Mas ainda há quem use o formato, e consiga resultados de primeira linha.

E nisso, o terceiro disco do STILL LIVING, “YmmiJ”, vem mostrar que se pode fazer música de qualidade aliada à letras inteligentes.

O Hard Rock/Melodic Rock da banda continua o mesmo, sempre bem feito e com arranjos esmerados, mas de fácil assimilação e com ótimos refrãos, guitarras ótimas, baixo e bateria com uma base sólida e de peso, teclados criando atmosferas interessantes. Mas lembrando: mesmo com melodias grudentas e uma estética acessível, o trabalho do quarteto é pesado e cheio de influências de outros gêneros musicais. E sendo um disco conceitual, a banda precisa ambientar cada canção para expressar a estória em questão, e mesmo nisso eles acertaram a mão.

A produção de “YmmiJ” ficou nas mãos da própria banda, tendo como coprodutor Aldecy Souza (que também mixou e masterizou o disco) . E a experiência acumulada nos anos de estrada os fez chegar a um nível muito bom de qualidade sonora, com uma gravação bem feita e o som fluindo de forma natural e intensa, mas sem que as melodias do grupo sejam perdidas. A crueza que se sente faz parte da música da banda, ela é assim.

Em termos de arte gráfica, verdade seja dita: a capa é ótima, dando uma ideia do conceito abordado nas letras. Mas a apresentação é bem leve e agradável, em um trabalho ótimo de Márcio Abreu (desenhos) e Vinícius Townsend (colorista), e um design ótimo para o encarte (feito por Eduardo Holanda, guitarrista do grupo).

A estória de Jimmy, personagem principal, é a estória de uma noite cheia de reviravoltas e uma mistura de vários sentimentos. É uma estória que poderia ser da sua vida, da minha, da vida de qualquer um, cheia de altos e baixos, enfim, que vale a pena ser decifrada pelo ouvinte com calma.

A grosso modo, o disco tem 15 canções, sendo que as versões europeia e japonesa terão bônus. E destacam-se a melodiosa e envolvente “Reign of Pills”, com seu jeitão meio THE WHO e seu belíssimo trabalho de vocais e teclados (Renato está cantando cada vez melhor, sem contar que se percebe uma ótima interpretação); o peso sujo e acessível de “On the Edge”e suas belas guitarras (Eduardo é mesmo um ás dos riffs); o peso duro, mas acessível, de “Call of the Night” (mostrando o valor do trabalho de Aldecy e Cleber); a grudenta e envolvente “Dusty Blue Shadow” e seu solo melodioso e eficiente; a Glam/AOR “Listen to Me” e suas melodias acessíveis, além dos teclados providenciais (verdade seja dita: Thiago sabe realmente dar vida às canções) e ótimo refrão; a pegada mais pesada de “The Man I’ve Become” e seu jeito Metal de ser; a balada sensível e terna que se ouve em “King of Nothing”(lindos detalhes em pianos, vocais versáteis e bela presença de baixo); o peso moderno e Progressivo de “Peace or Pieces” (lembra algo do DREAM THEATER do “Images and Words” em seus momentos mais lentos); a linda “Mr. Mirror”, recheada de mudanças de ritmo (começa como uma baladinha de voz e piano, mas logo vira um Hardão cheio de energia e vitalidade); a pegada ganchuda e envolvente de “I.M. Jimmy”(mais um refrão daqueles); a energia crua e direta de “Cult of the Rough Awakening”, a canção mais pesada do disco, mas com um swing forte, e a instrumental cheia de narrativas “In the Dark/As Shallow as It Gets”. Além dessas, a versão europeia tem o bônus de “Redemption”, uma linda balada de piano e voz, enquanto a versão japonesa tem como extra uma versão em piano e voz para “Haunted”. Ou seja, tirando as curtas instrumentais/introduções, todas as faixas são ótimas.

O STILL LIVING é uma banda de alto nível, e que já não tem mais espaço no Brasil. A música deles em “YmmiJ” já tem nível internacional.

Nota: 9,5/10,0

sábado, 16 de dezembro de 2017

Proposta de um modelo de release para kits digitais


Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Este autor, pela experiência em lidar com kits digitais do exterior, e tendo sempre em mente ajudar os iniciantes (e mesmo aqueles que não sabem), resolveu montar um modelo de press release que, muitas vezes, chegam sem nenhum tipo de padrão.

Um release não é uma biografia. É uma apresentação de uma banda, especialmente quando ela está em processo de divulgação de um disco. 

Óbvio que o exemplo abaixo tem referências humorísticas (ora, sejamos francos: umas boas risadas ajudam a descontrair).

Se o disco for conceitual, deve-se inserir no release informações sobre o tema. E sugiro o envio de um arquivo PDF avulso com as letras. Isso sempre ajuda o autor.

Lembrem-se sempre que um release simples e bem feito ajuda MUITO não só aos escritores, mas à própria banda.


MODELO:


Banda: Zé das Hortaliças Mutantes Cheias de Dentes 
Disco: O Ataque dos Pepinos Marcianos Devoradores de Lixo 
Selo: Nas Coxas Records (se não tiver um selo, escreva independente
Data de lançamento: 06/06/2666 

Breve histórico (Máximo 4 parágrafos curtos, e se for referente a um disco, todas as informações sobre ele são necessárias, como a ficha técnica) 

O quinteto  ZÉ DAS HORTALIÇAS MUTANTES CHEIAS DE DENTES  é  um grupo formado  por colegas de  expulsos do Seminário de Todos Os Santos (Rio de Janeiro/RJ), e busca fazer um Rock ‘n’ Roll de raiz, com letras cômicas, visando zoar a cara de tudo e todos. 

No disco  “O Ataque  dos Pepinos Marcianos Devoradores de Lixo”, a banda  vai rebuscar suas influências musicais mais primordiais, o que resulta em arranjos simples, mas com muita energia. 

Gravado no  estúdio  Preto Com Um Buraco No Meio,  sendo tutelados pelo produtor Pepino Kid, e tendo a mixagem de Tomate Gordo e a masterização de Jeca Aipo, a sonoridade crua e direta casa perfeitamente com a proposta do grupo.  

“Queríamos algo mais sujo e direto, mas que todos entendessem”, narra o guitarrista Joca Abacaxi

O  álbum é conceitual, e nas letras, sobre uma estética sacana e cheia de piadas, se encontram protestos contra todo mal que o homem faz ao planeta. 

O disco será lançado no formato físico em CD simples e vinil duplo, mas terá também versões digitais nas plataformas de internet. 

A banda disponibilizou duas faixas do disco para a audição:

1. (Usar plataformas que permitam compartilhamento nas redes sociais, em especial que permitam anexação em matérias em blogs e sites)
2. 


Tracklist (ESSENCIAL, pois economiza tempo do escritor): 

1. Os Pepinos Chegam (5:23) 
2. 
3. 
4. 
5. 


Banda (em ordem, um embaixo do outro, não lado a lado): 

Reverendo Mandioca - Vocais 
Joca Abacaxi - Guitarras 
Pastor Inhame - Teclados, backing vocals 
Padre Couve-Flor - Baixo 
Alface 0800 - Bateria 


Contatos  (tudo o que tiverem, mesmo os não listados abaixo, como Soundcloud e outros): 

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

(*07/03/1969 - + 13/12/2017) - Warrel Dane nos deixou


Em geral, somos pegos pelas notícias ruins de assalto, e ficamos muito deprimidos. E como sempre cito, o Metal Samsara não gosta de dar este tipo de notícia. É triste demais...

No dia de hoje, 13/12/2017, chegou a notícia que Warrel Dane, lendário vocalista do SANCTUARY e do NEVERMORE, não está mais entre nós...

Um enfarte fulminante o tirou de nós em um momento em que ele estava no Brasil, gravando seu novo álbum solo, acompanhado de músicos brasileiros, os mesmos que o acompanhavam em suas turnês solo.


Em seus 48 anos de vida (veio ao mundo em 1969), dono de um jeito de cantar extremamente pessoal, Warrel Dane integrou o SANCTUARY, nos deixando clássicos como “Refuge Denied”e “Into the Mirror Black”, e posteriormente, o NEVERMORE, onde obras-primas como “Dreaming Neon Black”e “Dead Heart in a Dead World” nasceram de seu talento. Mas não devemos chorar ou desistir, mas seguir adiante. Tenho certeza que seria isso que ele iria querer de todos nós.

O dia é de luto, mas ao mesmo tempo, lembremos quão grande é a herança musical, as músicas que nos acompanharam em momentos de dor e alegria. Mesmo porque mitos não morrem, apenas despertam do sonho chamado vida para a eternidade em nossos corações...

Sentiremos saudades de ti, de seu talento, mas ao mesmo tempo, cada vez que uma de suas canções for tocada, você estará presente, conosco...

Marcos Garcia com Warrel Dane no RJ, no show de 2014.

OM SHANTI, Mestre Warrel Dane... Parta em paz, chegue à Luz, e obrigado por tantas alegrias….

Nevermore to feel the pain
The heart collector sang
And I won't be feeling hollow for so long
Nevermore to feel the pain
The words fall out like fire
Just believe when you can't believe anymore...” 
(NEVERMORE - The Heart Collector)

Fica o vídeo de “Future Tense”, primeira música em que Warrel canta e que me tornou fã dele...

CANÁBICOS (Metal/Rock Alternativo - Araguari/MG)


Início de atividades: 2013

Discos lançados: “La Bomba” (2013), “Reféns da Pátria” (2014), “Alienígenas” (2015), “Intenso” (2017)

Formação atual: Clandestino (vocal), Murcego González (guitarra e vocal), M.M.(guitarra), Mestre Mustafá (Bateria), Pablo Vieira (baixo)


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda

Murcego Gonzales - A banda começou em 2013; eu e o Clandestino temos uma parceria nas composições há quase uns 20 anos, já haviamos tocado junto em outros projetos e estávamos com um disco gravado (La bomba), porém sem nome e sem banda. Foi quando tivemos a ideia do nome Canábicos! Apresentamos o material para os caras, sabíamos da competência e qualidade musical deles, fizemos o convite e estamos juntos até hoje com quatro discos já gravados.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Murcego - As dificuldades são várias, vão desde o lado financeiro até as oportunidades pra se tocar em eventos legais e bem produzidos. Gravar um disco de qualidade em um bom estúdio com um bom produtor requer investimento, os cachês provenientes dos shows ajudam, mas mesmo assim ainda temos que por a mão no bolso e completar (risos).  Ganhar espaço em grandes eventos e festivais também é complicado, tem muita banda de qualidade para pouco evento. Esse ano tocamos em alguns dos grandes como o Goiânia Noise, Festival Timbre e Festival Triangulice, todos com excelente público, estrutura e organização. Tocar nesses eventos é um dos principais objetivos e a grande recompensa.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Murcego - As condições aqui não são muito favoráveis, cidade pequena do interior (risos). Tem pouco espaço, pouco apoio também, apenas um pub com estrutura legal, mas a gente acaba organizando alguns eventos e festivais pra somar. Tocamos com uma certa regularidade pela região do triângulo mineiro, em outros estados os shows são mais esporádicos, mas essa frequência vem aumentando assim como o reconhecimento. Estamos bem satisfeitos.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Murcego - Acho muito injusto declararem o "fim do Metal" porque os grandes ícones deste estilo estão partindo. Suas obras continuam aqui, estão servindo e vão continuar sendo referência para várias bandas dentro do universo do rock/metal. Eu, particularmente, adoro ouvir sons setentistas de vários artistas que já se foram e usamos muito dessas referências nas composições do Canábicos. Entendo que é quase impossível criar algo que não tenha relação com o que gostamos de ouvir, os ícones se vão, mas o Metal, o Rock e suas obras ficam!


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Clandestino - Acho que principalmente o apoio da grande mídia. A proporção e disseminação do rock/metal em rádios e emissoras é quase nula comparada a outros estilos musicais. O cenário sobrevive devido à persistência dos adoradores do estilo, das bandas e organizadores de eventos que fazem o que podem pra promover e vitalizar a cultura rock/metal.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores

Clandestino - Curtam bastante o Intenso, mas também podem se preparar para o nosso novo disco porque estamos nos esforçando muito pra que seja o ponto alto da nossa carreira até aqui! É Noise!


Mais Informações:
www.monstrodiscos.com.br


Veja o vídeo de “Planeta Estranho”:

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

HEADBANGER FEST - NERVOSA, SIRIUN, VORGOK


Data: 10/10/2017
Local: La Esquina
Cidade: Rio de Janeiro (RJ)

Assessoria: - - -

Fotos: Joseph Silva (Joseph Silver Photographer)
Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um domingo quente, já mostrando as altas temperaturas que esperam a cidade do Rio de Janeiro neste verão que se aproxima. Mas nem por isso o Headbanger Fest, evento marcado para o dia, deixou de ter um público muito bom. Sinal que o cenário da cidade está, depois de muitos problemas e um clima tenebroso, se recuperando aos poucos.

No evento, 3 bandas: a revelação do Thrash Metal carioca VORGOK (RJ), o Extreme Progressive Metal do SIRIUN (RJ), e as rainhas do Thrash Metal nacional, o NERVOSA (SP).

Este autor ainda não conhecia o La Esquina, logo, merece uma descrição. É uma casa muito boa, com aclimatação (tanto que os efeitos do calor da tarde e noite não eram sensíveis em seu interior), três andares e um clima intimista semelhante a um pub. Mas o espaço é muito bom, atende as necessidades de eventos de pequeno e médio porte, e tende a melhorar ainda mais com o tempo.

A organização do evento, feita pela Headbanger Produções, foi um primor: som de boa qualidade, ingressos a preços acessíveis, todo o merchand das bandas disponível logo após a abertura da casa (ponto para as meninas, educadas e com atendimento de primeira), e sem os tradicionais estresses de última hora. Tudo nos conformes e com muito profissionalismo.

Abrindo a tarde, veio o VORGOK.


Edu Lopez(vocais, guitarras), Bruno Tavares(guitarras, backing vocals), João Wilson(baixo) e Marvin “Barba” Tabosa (bateria) mostraram um Thrash Metal cheio de energia, direto e duro, esbanjando uma agressividade enorme.

O VORGOK tem sua referência em nomes como SLAYER, EXODUSe outros nomes mais brutais da Old School do gênero, mas faz suas músicas de uma maneira bem particular, e mesmo algumas influências de Death Metal lá dos primórdios, de nomes como CELTIC FROSTe DEATH aparecem aqui e ali. E sim, é cheio de personalidade!

A postura de palco foi um pouco parada pelas dimensões do palco, exceto Bruno que não parava de agitar, um verdadeiro turbilhão de cabelos para todos os lados. Mas o batera Marvin encaixou como uma luva na banda, tendo uma pegada mais brutal e firme, casando bem com o baixo de Wilson. E Edu mostra bom domínio de palco, se comunicando bastante com a plateia.

E ver a banda tocar canções de seu primeiro álbum, “Assorted Evils”, ao vivo, não tem preço. Usando o início de “Mass Funeral at Sea” como introdução, eles entraram em um ritmo insano de peso e velocidade em “Deception in Disguise”, seguida da insana “Hunger” e desceram a marreta, até fecharem com “Man Wolf to Man”.

Um belo set, e uma certeza: o VORGOK é daquelas bandas que todos devem ver uma vez na vida.

Haja pescoço!





Setlist:

1.      Mass Funeral at Sea (intro)
2.      Deception in Disguise
3.      Hunger
4.      Antagonistic Hostility
5.      Last Nail in Our Coffin
6.      Kill Them Dead
7.      Hell’s Portrait
8.      Headless Children
9.      Man Wolf to Man

Depois de um tempinho para beber uma água e aproveitar para respirar, foi a vez do SIRIUN vir mostrar seu trabalho.


Muitos fãs ficaram surpresos com o Extreme Progressive Metal da banda, já que o som não era a mesma proposta das outras. Mas foram bem aplaudidos e seu trabalho conquistou fãs.

Alexandre Castellan(vocais, guitarras), Elvis Damigo(guitarras), Ricardo Amorim (baixo), e Braulio Drumond (bateria) mostram energia e coesão, e vejam que em termos técnicos, o trabalho do quarteto é bem exigente. Mas uma coisa é preciso dizer: ao vivo, o grupo soa mais solto, mais agressivo e cheio de energia que no estúdio. E isso é bom, muito bom.

Alexandre se comunica bem, além de tocar e cantar bem ao vivo, enquanto Elvis fica mais concentrado nas guitarras. Ricardo agita sem parar, é uma casa de força. Já Bráulio, para quem conhece, sabe que é um dos melhores bateristas do Brasil, seguro, tocando com técnica absurda e muito peso.

É perceptível que ao vivo a banda tem boa postura, que também ficou mais limitada pelas dimensões do palco. Mas eles fizeram um show muito bom, baseado nas canções de seu primeiro álbum, “In Chaos We Trust”, mostrando a energia pegajosa de “Intent”, “Spread of Hate” e “In Chaos We Trust”. Mas ainda levaram “Spheres of Madness”, do DECAPITATED. E foram bastante aplaudidos pelo público presente.

Uma banda ótima ao vivo, verdade seja dita!





Setlist:

1.      Intent
2.      Mass Control
3.      Spread of Hate
4.      Infected
5.      Spheres of Madness
6.      In Chaos We Trust
7.      Transmutation

Mais um intervalo para todo mundo poder dar aquela descansada, mas a casa ficou ainda mais cheia quando o NERVOSAse preparava para fechar a noite.


Alguns acertos finais nos equipamentos levaram a banda a atrasar o início de sua apresentação, mas nada grave. Afinal, Fernanda Lira (baixo, vocais), Prika Amaral (guitarras, backing vocals) e Luana Dametto (bateria) compensariam isso com um show abusivamente cheio de energia.

Sim, as Primeiras Damas do Thrash Metal brasileiro mostraram o motivo de serem tão respeitadas fora do Brasil: profissionalismo aliado a músicas de primeira e muita simpatia.

Fernanda é insana no palco, agitando e fazendo caras e bocas que se percebe vir da espontaneidade, fora uma comunicação ótima com o público (e obviamente canta e toca muito bem). Prika é mais concentrada nos riffs e solos, mas também agita bastante. E Luana é uma baterista de boa técnica, mas muito peso (essa moça parece ter mãos e pernas de chumbo, tamanha a força que coloca no tocar o instrumento).

Momento inusitado: alguém dentro da casa imitava um cão latindo perfeitamente, até que outra pessoa começou a cantar “É a NERVOSA”, e o imitador levou os latidos no ritmo do conhecido Rap “Who Let the Dogs Out”, do BAHA MEN. Muito engraçado, divertidíssimo e valeu pelas risadas e descontração.

Musicalmente, a banda revisou o EP “Nervosa”, de 2102, mais os discos “Victm of Yourself” e o mais recente, “Agony”, lançando mão de músicas de todos. “Hypocrisy”, a destruidora “Arrogance”, a clássica “Death!”, além de “Masked Betrayer”, a brutal “Hostages” e “Into Moshpit” fizeram surgir uma roda de slamdancing surgir e durar durante todo o show delas. Merecidamente aplaudidas e ovacionadas, o NERVOSA mostra cada vez mais que a representatividade das mulheres no Metal só faz bem.





Setlist:

1.      Hypocrisy
2.      Arrogance
3.      Surrounded by Serpents
4.      Failed System
5.      Death!
6.      Intolerance Means War
7.      Masked Betrayer
8.      Hostages
9.      Victim of Yourself
10.  Guerra Santa
11.  Theory of Conspiracy
12.  Uranio em Nos
13.  Into Moshpit

No mais, um ótimo evento, com um público muito bom.


Este autor gostaria de agradecer de todo o coração a Guilherme Guerra (da Headbanger Produções) por tornar a cobertura possível, e a Joseph Silva(da Joseph Silva Photographer) por nos conceder autorização para o uso das fotos.

E que venha agora o evento dia 25/02/2018, com KRISIUN, FORCEPS e ENTERRO!