quarta-feira, 23 de agosto de 2017

CARPATUS - Malus Ascendant (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,3/10,0

Tracklist:

1. Rites of Fire and Blood
2. The Cold Autumn Sunrise
3. Aeon Damnation
4. Flames to Eternity
5. A Missa Funebre
6. From a Dreadful Past
7. Behold the Mourful Nature


Banda:


Dizruptor - Vocais, guitarras, baixo, teclados
Morbus Deimos - Bateria


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Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/carpatus/ (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Sempre digo que o cenário Black Metal brasileiro é capaz de produzir potências em termos musicais. Uma pena que muito poucos são os fãs brasileiros que valorizam as bandas de nosso país, pois elas são capazes de produzir trabalhos singulares, trabalhos que fariam o queixo de muitos cair da cara. E um deles é o CARPATUS, de Santo André (SP), que nos chega como “Malus Ascendant”, seu terceiro álbum. O nível do grupo é tão bom que o selo sueco Black Lion que lançou o disco (que tem distribuição nacional pela Hammer of Damnation Records).

A banda faz um Black Metal direto, agressivo e pesado, com enfoque na sonoridade fria e ríspida da SWOBM (Second Wave of Black Metal, a geração que se inicia no final dos anos 80). Óbvio que isso já deixa claro que o grupo foca em um trabalho técnico mais simples, em uma ambientação sinistra. Mas isso não quer dizer que o grupo não tenha identidade. Aliás, isso a banda tem, e muita, verdade seja dita.

A sonoridade de “Malus Ascendant” é ótima. A produção de Marcos Cerutti, que também mixou o trabalho. A masterização foi feita pelo sueco músico e produtor sueco Dan Swanö (que já trabalhou com nomes como OPETH e DARK FUNERAL, entre outros). E a qualidade sonora é abusivamente agressiva, seca e pesada, com timbres instrumentais bem definidos, mas com um toque essencial de clareza que permite que os fãs entendam. E cada um dos instrumentos está em seu devido lugar, com o melhor timbre possível.

Já a arte gráfica é mais um trabalho do designer Marcelo Vasco, da PR2Design (o mesmo que já fez trabalhos para SLAYER, SOULFLY, DARK FUNERAL, OBITUARY, BORKNAGAR, e outros). Como o som do grupo é bem ríspido e tradicional, a opção pelo uso de preto, branco e tons de cinza na arte foi ótima, e tudo feito em um formato Digipack de três folhas.

Maduro e mostrado personalidade forte, o trabalho do CARPATUS merece muitos elogios, em especial porque a banda soube arranjar as canções de forma que elas não soem cansativas aos ouvidos dos fãs. Pelo contrário: mesmo na simplicidade técnica, o grupo sabe mudar as regras do jogo quando necessário.

Eles lançam mão de 7 faixas bem brutais e agressivas, mas sempre com aquela aula densa e soturna do estilo. E as melhores são: “Rites of Fire and Blood” com seus ritmos alternados e riffs de guitarra certeiros (além de ótimas partes dos vocais); “The Cold Autumn Sunrise”, que é adornada com belos arranjos de guitarras, vocais insanamente rasgados e certo toque de melodias sombrias (mas se preparem que esta muda do climático para o veloz e bruto sem aviso); “The Cold Autumn Sunrise” com sua pegada mais tradicional em termos de Black Metal, fora o uso de tempos mais lentos aqui e ali (bom trabalho de baixo e bateria, realmente); “A Missa Fúnebre” e suas passagens envolventes (e belíssimo solo de guitarra, diga-se de passagem); e a moenda de ossos chamada “Behold the Mourful Nature”, cheia de passagens mais climática, com momentos mais soturnos e lentos, e outros mais velozes.

Ou seja: se você gosta de Metal extremo, pode reservar sua cópia, pois o CARPATUS caprichou em “Malus Ascendant”.


LE CHANT NOIR - Ars Arcanvm Vodvm (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. Tanz Der Trommeln
2. Forsaken Ghosts
3. Wormslayer
4. Cabaret de L’Enfer
5. The Luciferian Whetstone
6. Bedeviled by Tchort
7. Unleashed Dementia
8. Portal Overture
9. Ars Arcanvm Vodvm
10. My Elders’ Cry
11. Outro


Banda:

Lord Kaiaphas - Vocais, programação
Mantus - Guitarra solo, baixo
Leonardo D. Pagani - Bateria, sintetizadores, guitarra base, marimba, tímpano, Vibrafone, Marimba, percussões


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Cria música diferente do que os fãs estão acostumados é sempre algo sofrido para muitos músicos. Mesmo quando eles tocam em projetos paralelos, lá vem o sujeito mal informado querendo meter o dedo na cara do músico e ditar normas. Nisso, esse tipo de fã se esquece de que ele não manda na vida alheia, e que qualquer músico que se preze possui uma gama enorme de influências que ele precisa expressar vez por outra. Por isso os projetos paralelos existem. E um projeto como o LE CHANT NOIR merece aplausos, pois o resultado final é um disco formidável chamado “Ars Arcanvm Vodvm”.

Por trás do LCNestão figuras bem conhecidas: Leonardo D. Pagani (que já tocou no IMMUNO AFFINITY, TRIBUZY e outros, e baterista do MYSTERIIS), Lord Kaiaphas(do THOKKIAN VORTEX e MINIMAL CRIMINAL, que passou pelo ANCIENT, GRAND BELIAL’S KEY, entre muitos outros), e Mantus (do PATRIA e MYSTERIIS). Pronto, um ou outro já vai acreditar que temos em mão um disco de Black Metal puro e simples. Mas não. Apesar da aura Black Metal, o trabalho do trio tem influências de Death Metal, música clássica, Progressive Metal e outros. Só que nas mãos desses três músicos, o que se ouve em “Ars Arcanvm Vodvm” é uma música experimental, minimalista, com toques de Dark Ambient/Folk, que transita entre momentos medievais épicos e outros mais agressivos. É complexo, mas extremamente palatável, e fácil de assimilar.

Traduzindo: é ouvir e gostar, sem mais que isso.

O disco foi gravado de forma bem estranha, não usual:

As partes de bateria foram gravadas em um instrumento barato e sem peles de recuo, e diretamente em 4 canais para ter um som mais retrô e orgânico. Já as partes de baixo, guitarras, e vocais foram gravadas e pré-mixadas nos próprios home studios de cada um deles. As orquestrações foram feitas em instrumentos de um conservatório, e gravadas lá mesmo. O próprio Leonardo fez a mixagem final e a masterização em seu home studio, e o resultado disso tudo é uma sonoridade forte, pesada, densa e limpa. Sim, ela é bem clara, permitindo que o ouvinte consiga compreender cada nuance sem esforços. A crueza está nos timbres dos instrumentos, não na gravação.

Capa interna

Já a arte é de Marcelo Vasco para a PR2Design. A capa é algo diferente, quase modernista, evocando os cultos Vodu do Caribe. Mas o layout e design do encarte são mais simples, mas ótimos. E isso em um disco que tem um Slipcase protetor muito legal.

A maturidade mostrada em “Ars Arcanvm Vodvm” é enorme, coisa de quem sabe o que está fazendo. Vocais rasgados de alto nível, riffs de guitarra e partes principais geniais, baixo e bateria soando com muito peso, logo, se preparem para esta viagem insana pelo caos negro evocado pelo LE CHANT NOIR.

O disco é excelente de ponta a ponta, mas destacamos por mera referência a criativa e densa “Forsaken Ghosts” e suas partes soturnas e com belas melodias das guitarras (fora as ótimas mudanças de timbres nos vocais), a mais cadenciada e intensa “Wormslayer” e o peso de baixo e bateria muito bons (uma faixa bem climática, com andamento mais lento e com belas passagens de teclados e outros instrumentos), a agressividade latente e old school de “Cabaret de L’Enfer”, a sinistra e atmosférica “The Luciferian Whetstone”, a pegada extremamente envolvente de “Bedeviled by Tchort” (aqui temos um jeitão mais tradicional em termos de Black Metal, mas com belíssimas partes de teclados de fundo, e solo de primeira da guitarra) e de “Unleashed Dementia” (onde alguns toques mais industriais e de pura insanidade criativa nos seduzem), a brutal e intrincada “Ars Arcanvm Vodvm” com suas partes melódicas mais mórbidas criadas pelos teclados e belos riffs (além de baixo e bateria abusarem de fazer uma base bem coesa), e “My Elders’ Cry”(outra que tem o DNA do Black Metal, mas cheia de influências diferentes e criativas que vão nos ganhando rapidamente). E com um detalhe: é ouvir uma vez e não parar mais, pois há algo de hipnótico, de sedutor na música do LE CHANT NOIR. E isso é excelente, pois esse disco é tentador.

“Ars Arcanvm Vodvm” é um dos melhores discos do ano, sem sombra de dúvidas, e o trio mostra-se uma das grandes revelações de 2017. Esperemos que o LE CHANT NOIR não pare em apenas um disco.



ELF - Carolina County Ball (Álbum)


1974 (relançamento: 2017)
Nacional

Nota: 9,1/10,0

Tracklist:

1. Carolina County Ball
2. L.A. 59
3. Ain’t It All Amusing
4. Happy
5. Annie New Orleans
6. Rocking Chair Rock ‘n’ Roll Blues
7. Rainbow
8. Do the Same Thing
9. Blanche


Banda:


Ronnie James Dio - Vocais
Steve Edwards - Guitarra solo
Micky Lee Soule - Teclados, guitarra base
Craig Gruber - Baixo
Gary Driscoll - Bateria

Convidados:

Helen Chappell - Backing vocals
Liza Strike - Backing vocals
Barry St. John - Backing Vocals
Ray Swinfield - Clarinete
Chris Pyne - Trombone
Henry Lowther - Trompete
The Manor Chorus - Vocais em “Blanche”
Roger Glover - Arranjos de cordas
Mountain Fjord - Cordas
M.D. - Cordas
Martyn Ford - Cordas

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Rock dos anos 60 e 70 e toda sua forte carga Bluesy e de Boogie é a base do que viemos a chamar de Heavy Metal mais tarde. É impossível não perceber as similaridades durante uma retrospectiva histórica. E mesmo alguns artistas reconhecidos, que marcaram história no Metal, têm profundas raízes no passado. Basta ouvirem “Carolina County Ball”, segundo álbum do quinteto nova-iorquino ELF (recentemente lançado no Brasil pela Hellion Records) e entenderão o que digo.

Antes de tudo, é preciso entender que o ELF pouco ou nada tem com RAINBOW, BLACK SABBATH, THE RODS ou outro grupo em que seus integrantes estiveram a posteriori. O quinteto tem um enfoque bem Rock ‘n’ Roll/Blues/Hard Rock/Boogie, ou seja, é muito diferente dos trabalhos futuros. Mas mesmo assim, essa força mais orgânica e melódica do quinteto, com partes se exageros técnicos, são os pontos fortes do grupo. Aliás, “Carolina County Ball” é excelente, fascinante!

A qualidade sonora ficou muito boa para a época. A produção é assinada por Roger Glover(baixista do DEEP PURPLE), garantindo que a sonoridade do disco seja de primeira, mesmo para os dias de hoje. Todos os instrumentos estão com bons timbres e soando limpos, nos permitindo compreende e assimilar mais facilmente o trabalho musical da banda. Na capa, uma foto da banda, um recurso bastante utilizado na época, e que ficou muito bom.

Bem acessível e envolvente, o ELF realmente é uma banda de Classic Rock, com todos os elementos mencionando anteriormente. Mas se percebe uma preocupação estética enorme com suas canções, de forma que as mesmas soem espontâneas, mas muito bem acabadas. E sim, são uma tentação para aqueles que (como este autor) pouco se preocupam com o rótulo musical.

Nove canções excelentes nos aguardam, mas é impossível não destacar como a bela Jazz/Bluesy “Carolina County Ball” (bela performance dos vocais, backing vocals e pianos), o Rockão/Boogie de “L.A. 59” e seus arranjos ótimos de baixo e bateria, as linhas melódicas e belos pianos de “Ain’t It All Amusing” e seu jeitão ganchudo (inclusive com percussões quase tribais), aquele Blues melancólico e intimista que se conhece dos EUA em “Happy”(mais uma vez, belos arranjos de pianos), a envolvente “Annie New Orleans” com seu jeito descontraído e baixo gorduroso, aquela típica pegada dos anos 70 em “Rocking Chair Rock ‘n’ Roll Blues”, que tem seus momentos mais rockers (as guitarras são de primeira, os vocais ótimos, mas o baterista é um monstro), e os elementos mais pesados nas guitarras em “Do the Same Thing”.

Não de forma alguma “Carolina County Ball” pode ser como um disco que documenta uma parte da vida profissional de seus músicos, mas é um disco excelente, que merece ser ouvido de novo, e de novo, e de novo...

DANZIG - Black Laden Crown (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 7,8/10,0

Tracklist:

1. Black Laden Crown
2. Eyes Ripping Fire
3. Devil on Hwy 9
4. Last Ride
5. The Witching Hour
6. But a Nightmare
7. Skulls & Daisies
8. Blackness Falls
9. Pull the Sun


Banda:


Glenn Danzig - Vocais, piano, baixo, guitarras, bateria em “Eyes Ripping Fire”, “Last Ride”, e “But a Nightmare”
Tommy Victor - Guitarra solo, baixo
Johnny Kelly - Bateria em “Black Laden Crown” e “The Witching Hour”

Convidados:

Joey Castillo - Bateria em “Devil on Hwy 9” e “Blackness Falls”
Karl Rokfist - Bateria em “Pull the Sun”
Dirk Verbeuren - Bateria em “But a Nightmare”


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

A verdade seja dita: quando Glenn Danzig, lendário ex-vocalista do THE MISFITS prepara um novo trabalho do DANZIG, sempre causa ansiedade e alvoroço. E após sete anos sem lançar material inédito (já que “Skeletons”, de 2015, é um disco de covers), eis que nos chega “Black Laden Crown”, que tem sua versão nacional lançada pela Shinigami Records.

O que falar de DANZIG, depois desses anos todos?

A verdade é que Glenntem em sua diversificada gama de influências musicais, logo, é bem difícil de apontar um estilo único que o grupo segue sob sua liderança. As composições aqui basicamente varrem todos os trabalhos que ele já fez, com momentos que poderiam se encaixar em qualquer um deles. Peso, melodia, boa dose de agressividade e muita energia se encontram nesse álbum, que é bom, embora a qualidade de suas canções esteja distante do que se conhece de discos como “Danzig”, o mais bluesy “Lucifuge” ou do sabor mais seco de “How the Gods Kill”.

O maior pecado de “Black Laden Crown” foi sua produção. Óbvio que foram usados equipamentos analógicos, já que Glenn adora esse tipo de sonoridade mais crua e orgânica. Mas mesmo assim, soa frágil, com vários momentos onde as músicas (que poderiam render mais) são afogadas com guitarras em baixo volume sonoro. O problema não estar em gravar em sistemas analógicos, com amplificadores velhos, já que muitas bandas fazem isso, mas sim na finalização do trabalho. Creio que Glen deveria ter deixado a produção na mão de outro profissional, já que embora não seja tão ruim assim, a sonoridade do disco poderia ser muito melhor. Ainda bem que a mixagem adicional de Chris Rakestraw e a masterização de Howie Weinberg conseguiram dar mais “punch” ao som, senão seria um desastre certo.

Já a arte da capa, feita por Simon Bisley, ficou bem legal, pois esse desenho pegou bem com a força mais visceral e crua do álbum.

Musicalmente, “Black Laden Crown” é um bom disco, com canções que realmente são muito boas. O DNA do DANZIG é sensível em cada uma delas, todas com bons arranjos. E se não consegue chegar ao nível de sua fase mais clássica, também não chegam a desonrar o legado do grupo, mesmo porque temos músicos como Tommy Victor (do PRONG) nas guitarras, Joey Castillo (ex-QUEENS OF THE STONE AGE) e Dirk Verbeuren (do MEGADETH, ex-SOILWORK e ABORTED) na bateria.

“Black Laden Crown”e seu jeito soturno e azedo (mostrando boas vocalizações de Glenn), o peso abusivo das guitarras em “Eyes Ripping Fire”, a ganchuda e explosiva “Devil on Hwy 9” (que esbanja peso e bom trabalho de baixo e bateria), a quase Southern Rock e introspectiva “Last Ride”, a força da bateria pesada e técnica em “But a Nightmare”, e a energia seca, melancólica e envolvente de “Pull the Sun” fazem a diferença e elevam o nível do álbum.


Novamente: se “Black Laden Crown” não está no mesmo nível dos clássicos do grupo, ele honra o trabalho do DANZIG e merece a aquisição.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

AYREON - The Source (CD Duplo)


2017
Nacional

Nota: 9,7/10,0

Tracklist:

Disco 1:

1. The Day That the World Breaks Down
2. Sea of Machines
3. Everybody Dies
4. Star of Sirrah
5. All That Was
6. Run! Apocalypse! Run!
7. Condemned to Live


Disco 2:

1. Aquatic Race
2. The Dream Dissolves
3. Deathcry of a Race
4. Into the Ocean
5. Bay of Dreams
6. Planet Y is Alive!
7. The Source Will Flow
8. Journey to Forever
9. The Human Compulsion
10. March of the Machines


Banda:


Arjen Lucassen - Guitarras, baixo, bandolim, sintetizadores, Hammond, solina strings
Ed Warby - Bateria


Convidados:


James LaBrie - Vocais (como o Historiador)
Tommy Karevik - Vocais (como o Líder da Oposição)
Tommy Rogers - Vocais (como Químico)
Simone Simons - Vocais (como a Conselheira)
Nils K. Rue - Vocais (como o Profeta)
Tobias Sammet - Vocais (como o Capitão)
Hansi Kürsch - Vocais (como o Astrônomo)
Michael Mills - Vocais (como TH-1)
Russell Allen - Vocais (como o Presidente)
Michael Eriksen - Vocais (como o Diplomata)
Floor Jansen - Vocais (como a Bióloga)
Zaher Zorgati - Vocais (como o Pregador)
Will Shaw - Backing vocals
Wilmer Waarbroek - Backing vocals
Lisette van den Berg - Backing vocals
Jan Willem Ketelaars - Backing vocals
Joost van den Broek - Piano
Ben Mathot - Violino
Maaike Peterse - Violoncelo
Jeroen Goossens - Instrumentos de sopro
Paul Gilbert - Guitarra solo
Guthrie Govan - Guitarra solo
Marcel Coenen - Guitarra solo
Mark Kelly - Sintetizadores


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Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Álbuns de Rock Progressivo ou de Prog Metal nunca são muito simples de serem abordados. Digo isso devido à forte carga técnica e às muitas variações instrumentais que existem em trabalhos do gênero. Muitos possuem a mais errada das idéias: que discos do gênero são cansativos, enfadonhos e entediantes.

Este autor costuma dizer que sempre surge um disco que quebra qualquer tipo de concepção errada, que coloca regras e dogmas no chão. E verdade seja dita: o multi-instrumentista e compositor holandês Arjen Lucassen é capaz de fazer qualquer um rever suas idéias, especialmente quando falamos do projeto dele, o AYREON. E o décimo disco de estúdio deste, chamado “The Source”, realmente é destruidor de concepções errôneas.

Musicalmente falando, temos uma mistura de Metal Sinfônico com elementos de Prog Metal e mesmo muita “vibe” de Rock Progressivo fluindo desse disco. Óbvio que esse tipo de mistura não é lá tão novo assim, mesmo porque o projeto já faz isso há quase 25 anos, mas a abordagem de Lucassen foge do trivial, pois mesmo os momentos mis complexos de “The Source”não quebram sua acessibilidade. Sim, é bem trabalhado, cheio de partes Progressivas e sinfônicas, mas mantendo um enfoque melódico (proposital ou não) de que o produto final possa ser assimilado por um público cada vez mais amplo. E isso com uma gama de vocalistas e músicos convidados que faz o conceito de Ópera Rock chegar bem perto de seu sentido mais interior: uma orquestra Heavy Metal, onde somente Lucassen e Ed Warby (baterista do GOREFEST nos anos 90) sejam os músicos que participam de todas as canções. E imaginem isso em um disco duplo de estúdio!

E como já é de praxe, montar uma sonoridade consensual e sólida com tanta gente assim é um verdadeiro parto sem anestesia. Só mesmo a batuta do maestro Arjen Lucassen na produção, mixagem e gravação para garantir isso, sendo que as vozes de James LaBrie, Hansi Kürsch, Tobias Sammet, Russell Allen e Tommy Rogers foram captadas por outros técnicos. E na masterização, Brett Caldas-Lima e Pieter Kop fizeram um ótimo trabalho, garantindo que “The Source” soe pesado, claro e coeso, como se todos estivessem trabalhando ao mesmo tempo e no mesmo estúdio (só o timbre da caixa que poderia ser um pouco mais bem acabado).

A arte, por sua vez, é um trabalho primoroso de Yann Souetre, que buscou retratar todo conceito da obra em sua arte, que ficou excelente, ancorando visualmente a música dos dois discos.

Como já é de praxe em termos de discos do AYREON, “The Source” é um disco conceitual, e apresenta a volta do grupo ao tema de ficção científica, em quatro diferentes partes (“The Frame”, “The Align of the Ten”, “The Transmigration” e “The Rebirth”). Mas óbvio que isso acaba forçando a banda a se superar musicalmente, a ir adiante e criar algo diferenciado. E conseguem, pois o disco é absurdamente ótimo.

É difícil achar uma música que se destaque, mas indicamos as seguintes:

No disco 1, indicamos a longa e variada “The Day That the World Breaks Down”, com suas melodias grandiosas e orquestrações singulares (fora belas guitarras), o belíssimo trabalho dos violinos em “Sea of Machines” e seus belos duetos e teclados, a graça sutil e Folk que surge espontaneamente em “All That Was” (que belíssimos vocais femininos!), o sabor mais agridoce de “Run! Apocalypse! Run!” e suas partes “heavyssívas” com ótimos teclados e bom trabalho de baixo e bateria, e a bem trabalhada e cheia de arranjos melodiosos “Condemned to Live”.

No disco 2, temos uma pedrada bem pesada logo de cara que se destaca, que é “Aquatic Race” e seus riffs mais densos (embora existam partes melodiosas bem envolventes), a mezzo lenta e mezzo pesada “The Dream Dissolves” (nas partes mais introspectivas, os teclados mostram arranjos belíssimos), a belíssimas partes vocais em “Into the Ocean” e seu jeitão Progressivo anos 70, a grandiosa e mais rápida “Planet Y is Alive!” (com muitas guitarras ótimas e uma base rítmica excelente), a cálida e intimista “The Source Will Flow”, a ganchuda e envolvente “Journey to Forever” com seu refrão excelente e seus arranjos Progressivos/Folk que remetem bastante ao Progressivo de nomes como YES e JETHRO TULL em certos momentos, mesmos elementos presentes em “The Human Compulsion”. E o encerramento quase agonizante e mecânico de “March of the Machines” nos chama à reflexão dos perigos de usar demais a tecnologia.

Grandioso e complexo, mas acessível e envolvente, “The Source” irá conquistar ainda mais fãs para o AYREON, sem dúvidas. E aproveitem a versão nacional, que a Hellion Records colocou nas lojas!




SODOMA - Mutapestaminação (Álbum)


2017
Selo: Altera Pars Records
Nacional

Nota: 9,7/10,0


Tracklist:

1. Audiatur et Altera Pars
2. Pesthereticanonica
3. 7Strega
4. Mutapestaminação
5. Libertinos
6. Devora-te
7. Ramaerata
8. Destrói Dei Verbum
9. Viperovz Papisa


Banda:



Hate Devoro - Vocais, baixo
Samidarish - Guitarras
Seth - Guitarras
Dagon - Bateria


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Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/sodoma (Media Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma banda com identidade já definida pode, entre um disco e outro, sofrer um processo evolutivo. Óbvio, mas acontece de forma que, muitas vezes, não somos capazes de prever. E quanto maior o intervalo de tempo entre dois discos, mais claramente se percebe a evolução de um grupo. E no caso do quarteto SODOMA (de João Pessoa, Paraíba), é evidente ao ouvirmos “Mutapestaminação”, seu novo álbum que acaba de sair, o quanto o grupo evoluiu.

Seis anos separam “Sempiterno Agressor” (penúltimo álbum da banda) e “Mutapestaminação”, e vemos que o Death/Black Metal do grupo evoluiu muito em todos os quesitos. Está mais bem acabado, mais agressivo que antes, com um jeitão um pouco mais envolto no Black Metal, de onde o trabalho atual herdou melodias sombrias. O nível de esporreira sonora do grupo cresceu ainda mais, sem dó os ouvidos alheios, mas ao mesmo tempo, a qualidade estética como um todo está em níveis estratosféricos.

Ou seja, “Mutapestaminação”é um disco infernal em todos os sentidos. Inclusive em ser um disco marcante para o gênero.

As nove canções do álbum passaram pelas mãos de Victor Hugo Targino na produção, mixagem e masterização. Mas o resultado é que, apesar de bruto e explosivo na agressividade, “Mutapestaminação” soa claro e limpo, com timbres instrumentais bem selecionados e pesados. Óbvio que tem aquela dose de peso e crueza que os grupos do gênero precisam ostentar em seus discos, mas a qualidade beira o soberbo.

A arte visual é de primeira, com uma capa desafiadora (feita por Rafael Tavares), layout inteligente, além da diagramação do encarte ser mais simples, mas eficiente e chega onde o grupo quer. E isso em um Digipack interessante, que já pudemos ver antes em bandas do Norte e Nordeste.

E se preparem, pois o SODOMAmostra que veio com sede de sangue e luxúria, soando mais agressivo e requintado que antes. Os arranjos estão muito bem feitos, preenchendo todos os espaços, sem contar que a entrada do baterista Dagon deu mais peso e diversidade aos ritmos do grupo. Maduro, requintado e agressivo até a raiz, é uma regurgitada brutal nos cornos de qualquer atrevido que lhes cruze o caminho.

Essa matilha se esforçou para criar um disco de quebrar os ossos e dentes alheios e fazer história. São nove massacres sonoros de primeira grandeza, cantados em português e mostrando letras bem construídas.

Melhores momentos: a insana e técnica “Pesthereticanonica” e sua tempestade de riffs e solos brutais (uma velocidade extrema, mas com boas mudanças rítmicas), o inferno veloz e opressivo de “7Strega” e seus vocais insanos (e isso sobre um instrumental muito bem feito), o ataque assassino de uma base rítmica sólida e técnica em “Mutapestaminação”(como a bateria está técnica, forçando o baixo a se superar), a libidinosa e provocante “Libertinos” e suas melodias brutais, a mais tradicional em termos de Death/Black Metal “Devora-te” (embora o trabalho dos vocais seja bem diferente do que conhecemos), as partes soturnas e mais cadenciadas da foice musical chamada “Ramaerata”(que guitarras as desse quarteto!), a carnificina de “Destrói Dei Verbum” e novamente a base rítmica cometendo um massacre de ótimo bom gosto (com técnica e um peso salutar), e a o holocausto de pecado e morte que exala da veloz “Viperovz Papisa” e seus vocais insanos (mas como os ritmos se alternam sem que a canção oca). E a introdução “Audiatur et Altera Pars”, que inicia o disco, serve para convocar todos os lobos dessa matilha para um massacre sonoro absurdo e de extremo bom gosto. Ou seja, falei de todas para mostrar como o disco é de alto nível.

Deixem-se seduzir pelo trabalho do SODOMA e unam-se à Matilha para uma caçada de sangue, morte e luxúria ao som de “Mutapestaminação”. Vão gostar da experiência!





DESDOMINUS - Without Domain (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. Supremacia Underground
2. Opposition Warrior
3. Without Domain
4. False Creator’s Creator
5. The Other Side... (Atheist Mind)
6. Intro
7. Reality of Whispers Mine
8. Ejaculate in Your Stupidity
9. The Fall and the Vision
10. Judgement of the Souls


Banda:


Douglas - Vocais, guitarras
Willian Gonsalves - Guitarras, violão, vocais limpos
Ney Paulino - Bateria, narrações poéticas


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Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem discos lançados por bandas do Brasil que, mesmo com o desdém do fã nativo, se tornam clássicos com o passar dos anos. E ao mesmo tempo, vão ficando raros, esgotados, ainda mais nesses tempos em que as mídias físicas andam perdendo espaço para o formato digital. Por este motivo, podemos dizer que o selo Heavy Metal Rock é corajoso em disponibilizar mais uma prensagem para “Without Domain”, primeiro disco do DESDOMINUS, de Americana (SP). E tanto gravadora como banda merecem aplausos por isso.

O tempo não passa para “Without Domain”, mesmo depois de 14 anos desde seu lançamento original. E verdade seja dita: a vocação do grupo para criar um Blackened Death Metal melodioso à lá DISSECTION já era perceptível, naqueles tempos. Mas não se enganem: o grupo (um trio na época) já mostrava a que vinha naqueles tempos, que tinha talento e personalidade suficientes para criar algo grandioso, com linhas de guitarras que mostravam a mistura perfeita entre brutalidade e melodia, baixo e bateria com boa técnica, e com vocais bem rasgados típicos do Black Metal. E verdade seja dita: mesmo com esse tempo todo, a música deles não soa datada em nada.

Ou seja, “Without Domain” ainda é um disco maravilhoso.

A produção sonora que o grupo teve na época foi muito boa. Firme, suja nas devidas proporções para manter o trabalho agressivo, mas permitindo a compreensão do ouvinte, cada uma das faixas está com uma sonoridade muito boa. Mesmo nas faixas oriundas da Demo Tape “Judgement of the Souls” (de Junho de 1999) estão com boa sonoridade. Poderiam ser melhores, óbvio, mas elas não só encaixam bem no contexto da música do grupo, mas era o que se podia fazer na época.

A arte, por sua vez, ficou ótima para capa e contracapa, e o encarte poderia ter sido mais bem feito em termos de cores, com letras mais claras nesse fundo escuro. Mas ficou bom, e nessa versão, o disco é em Digipack, um atrativo a mais.

Com bom nível técnico e muita personalidade (inclusive vocais femininos podem ser ouvidos em “Reality of Whispers Mine”), o trio convence por uma música bem feita e agressiva, mas com lindas melodias dando total embasamento ao que eles podiam fazer. E não é pouco, inclusive com narrativas poéticas em nosso idioma no início das canções.

A rispidez e criatividade musical do DESDOMINUS transcendem todas as dificuldades, em especial a raivosa “Supremacia Underground” com seus vocais rasgados e boas mudanças de ritmo (entremeadas por boas melodias), a fúria brutal e trabalhada de “Opposition Warrior” (baixo e bateria mostram boa técnica e entrosamento), a bem feita e com arranjos fenomenais de guitarras e vocais “Without Domain” (alguns vocais limpos aparecem aqui e ali, bem como melodias surgem dos riffs do grupo), “False Creator’s Creator” e seu início com linhas de violão, que logo dão espaço à riffs melodiosos, um andamento um pouco mais lento e com boas variações rítmicas (com baixo e bateria guiando essas mudanças sem nenhum percalço), e o outro melodioso de “The Other Side... (Atheist Mind)”, feito com voz e violão. A idéia que de inicio temos é que “Without Domain” seria um EP, mas que recebeu a adição das faixas da Demo Tape “Reality of Whispers Mine”, onde vemos faixas ótimas como “Reality of Whispers Mine” e seus belas passagens de guitarras, a mais brutal e opressiva “Ejaculate in Your Stupidity”, a mais cadenciada e envolvente “The Fall and the Vision”, e os contrastes entre violência desmedida e partes melódicas introspectivas de “Judgement of the Souls” nos permitem ver que a banda se manteve consensual e fiel às suas raízes, mas sabendo evoluir.

No mais, o DESDOMINUScontinua sua saga no Brasil, mas a facilidade de ter mais uma vez “Without Domain” é algo maravilhoso. Quem já tem a versão original vai querer pelo Digipack, e quem ainda não tem, enfim terá esta obra maravilhosa do Metal brasileiro.

Ouça sem moderação alguma!