quinta-feira, 4 de julho de 2019

MYRKGAND - Old Mystical Tales


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Of the Blue Fire
2. Black Thunders of Zýr
3. Foreseeing the Future
4. Aquariü
5. Ghostwoods
6. Dunkelelf
7. Summoning the Cryptic Dæmonium
8. No Ímpeto da Fúria
9. Trolls Filthy Madfeast
10. Chthonian Cyclops


Banda:


Dmitry Luna - Todos os instrumentos, Vocais


Ficha Técnica:

Dmitry Luna - Produção
Roland Grapow - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização, Guitarra Solo #2 em “Chthonian Cyclops”
Emerson Maia - Artwork
Antônio César - Artwork
Christophe Szpajdel - Logotipo
Antônio Araújo - Vocais limpos em “Aquariü”
Luiz Carlos Louzada - Vocais urrados adicionais em “Black Thunders of Zýr”
Renato Matos - Vocais (coros) em “Summoning the Cryptic Dæmonium”
Trollmannen - Vocais urrados adicionais em “Trolls Filthy Madfeast”
Liv Kristine - Vocais limpos em “Chthonian Cyclops”
Ashok - Guitarra Solo #2 em “Of the Blue Fire”
Marcus Siepen - Guitarra Solo em “Black Thunders of Zýr”
Danilo Coimbra - Guitarra Solo em “Foreseeing the Future”
Vito Marchese - Guitarra Solo em “Aquariü”
Micha Meyer - Guitarra Solo em “Ghostwoods”
Rodrigo Berne - Guitarra Solo em “Summoning the Cryptic Dæmonium”
Claydson Silva - Guitarra Solo em “No Ímpeto da Fúria”
Dr. Leif Kjønnsfleis - Guitarra Solo em “Trolls Filthy Madfeast”
Kevin Kott - Bateria


Contatos:

Site Oficial: https://myrkgand.com/
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Embora o cenário Metal brasileiro viva com problemas constantes de todos os tipos (inclusive causados por bandas e fãs), é de se surpreender a criatividade e fertilidade. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, em todos os estados do país, bandas de vários gêneros de Metal criam discos que são memoráveis, e que muitas vezes não recebem a devida acolhida.

Um deles é “Old Mystical Tales”, segundo disco do MYRKGAND, banda de um único integrante de João Pessoa (PB). Realmente, um ótimo disco!


Dmitry Luna
Análise geral:

Não é lá tão simples definir o que a banda faz. Sua música é de origem extrema, mais próxima ao Black Metal por conta de seus elementos estéticos principais, mas alguns toques de Death Metal, junto com adornos melódicos e mesmo influências de Pagan/Folk Metal vão aparecendo e deixando o som mais diversificado. Basicamente, é algo que é extremo, mas que não tem pudores de ser diferente do modelo “Default” que tantos usam.

Além disso, em comparação com “Myrkgand”, primeiro disco do grupo lançado em 2017, a evolução em termos ecléticos se expandiu muito. E é preciso citar que, mais uma vez, músicos reconhecidos no cenário participam do disco. Músicos que possuem experiência em nomes como CRADLE OF FILTH, HELLOWEEN, MASTERPLAN, AT VANCE, BLIND GUARDIAN, THEATRE OF TRAGEDY, VULCANO, KORZUS, IRON ANGEL, entre outros.


Arranjos/composições:

É onde o MYRKGAND ganha o jogo.

Se em “Myrkgand” a música ainda era um pouco presa ao horizonte extremo, agora a diversidade impera. Basicamente, é cheio de melodias (sejam Pagan/Folk, sejam Symphonic Black Metal, ou mesmo de Metal tradicional), ótima diversidade técnica, com tudo sendo consensual.

O caos criativo que se manifesta em “Old Mystical Tales” se mostra em uma dinâmica de arranjos de primeira. Não existe música “reta” nesse disco, é tudo ritmicamente variado.


Qualidade sonora:

Outro ponto extremamente forte do álbum.

“Old Mystical Tales” foi inteiramente gravado na Europa, nos Grapow Studios na Eslováquia, sob a tutela de Roland Grapow (que mixou e masterizou o disco, e ajudou a produzir, sem contar a participação no solo de guitarra em “Chthonian Cyclops”). Por isso a sonoridade está ótima, sendo equilibrado em termos de extremo e melodioso, mas de uma maneira limpa, que o ouvinte consegue assimilar.

O toque de agressividade vem dos timbres instrumentais usados, o que deu um toque de crueza interessante ao resultado final.


Arte gráfica/capa:

A apresentação do disco é em formato Digipack de 3 partes, em um papel especial, inclusive com as partes internas decoradas. A arte de Emerson Maia e Antônio César ficou excelente, com um jeito mais voltado às pinturas antigas de discos brasileiros, mas ao mesmo tempo, usando a estética moderna bem feita. Além disso, o uso de letras prateadas deu um toque extra de requinte.

Veja abaixo alguns detalhes e capa e contracapa:

Capa com letras prateadas

Contracapa com letras prateadas


Destaques musicais:

Basicamente, o MYRKGAND faz de “Old Mystical Tales” uma exibição de músicas de alto nível, equiparadas ao nível europeu. E de suas 10 canções, o disco marca o ouvinte de forma que a audição contínua se torna um vício. “Of the Blue Fire” mostra um corpo típico de Black/Death Metal melodioso, com ótimas mudanças de ritmo e guitarras de primeira. Alguns ritmos quebrados não convencionais aparecem em “Black Thunders of Zýr”, além de momentos mais extremos e velozes (baixo e bateria mostram criam uma base rítmica sólida e com boa técnica), mas as melodias nos solos de guitarra são algo reconfortante, sem mencionar o uso pontual de vocais limpos. O lado Pagan/Folk épico começa a aflorar mais evidentemente nos tempos mais refreados de “Aquariü”, outra canção rica em ambientações e com ótimos teclados. Evocando uma ambientação mais sinistra e seca, vem “Ghostwoods”, onde os riffs cortantes realmente cativam. Em “Dunkelelf”, mais uma vez o andamento se torna cadenciado, priorizando todas as partes de teclados elegantes e sinistras, além do uso de vocais contrastando entre o urrado e o suave agonizante. Ainda em tempos mais lentos, vem a aconchegante e permeada por melodias Folk “Summoning the Cryptic Dæmonium”, com um trabalho bem variado na base rítmica. A opressão musical imposta por “Chthonian Cyclops” vem justamente da fusão de partes extremas com momentos mais melodiosos, inclusive com “inserts” de vocais femininos que encaixaram como uma luva. Estas são as melhores, embora o disco inteiro seja ótimo.


Conclusão:

A verdade é que “Old Mystical Tales” é um disco ótimo, que eleva o nível do que o MYRKGAND já havia feito. E pelo visto, pode levar a banda a um reconhecimento maior no exterior.

Que assim seja!


Nota: 9,4/10,0


Of the Blue Fire



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terça-feira, 2 de julho de 2019

IN FLAMES - I, The Mask


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Voices
2. I, The Mask
3. Call My Name
4. I Am Above
5. Follow Me
6. (This is Our) House
7. We Will Remember
8. In this Life
9. Burn
10. Deep Inside
11. All the Pain
12. Stay with Me
13. Not Alone (Bônus)


Banda:

Crédito foto: William Felch/WombatFire

Anders Fridén - Vocais
Björn Gelotte - Guitarras
Niclas Engelin - Guitarras
Bryce Paul Newman - Baixo
Tanner Wayne - Bateria


Ficha Técnica:

Howard Benson - Produção
Chris Lord-Alge - Mixagem
Ted Jensen - Masterização
Blake Armstrong - Artwork
Howard Benson - Teclados adicionais
Joe Rickard - Bateria


Contatos:

Site Oficial: www.inflames.com
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Vez por outra, bandas antigas acabam se transformando. Para aqueles que observam dois álbuns isolados, é impossível notar a evolução (palavra que anda cada vez mais sendo avacalhada por bangers da Old School, embora não haja motivo para tanto). Para quem acompanha a carreira de uma banda, essa “mudança” é algo consensual, não surge do nada, por mera decisão dos músicos.

Para aqueles que conhecem o quinteto sueco IN FLAMES de longos anos, entenderão que “I, The Mask” não vem nesse formato como um acaso do destino. Aliás, a parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil tornou o acesso ao disco mais simples (e barato).


Análise geral:

O quinteto, um dos fundadores do Melodic Death Metal e pioneiro do “Gothenburg sound”, chega com um disco que é, ao mesmo tempo, fácil de gostar, mas difícil de entender.

“I, The Mask” mostra toda a vibração moderna das bandas de sua região, uma variação moderna e acessível do Melodic Death Metal que está bem próxima ao Metalcore em alguns momentos (graças aos vocais limpos em alguns momentos), com leve acento melancólico. Mas cuidado, pois o grupo ainda pega pesado e agressivo em várias partes desse disco (a própria faixa-título remete ao Melodic Death Metal em muitos elementos). Existe esse contraste, essa coisa de “luz e sombra”, Yin e Yang, que permeia o disco inteiro.

Ou seja, a banda acertou a mão!


Arranjos/composições:

Basicamente, não seria tão heresia dizer que “I, The Mask” quase que compila a carreira do grupo em um único disco. Basicamente, elementos de clássicos como “Whoracle”, “Clayman”, e “Soundtrack to Your Escape” são mesclados à abordagem moderna e atual dos últimos trabalhos. Em comparação a “Battles”, seu último disco, “I, The Mask” seria uma seqüência lógica, bem feita, mas bem mais burilada e consensual.

Em termos de espontaneidade, esse disco soa livre, solto e pronto para ganhar novos fãs.


Qualidade sonora:

O quinteto faz uma aposta alta, pois trouxe Howard Benson para ser o único produtor do disco (uma vez em quem “Battles”, ele teve um parceiro), sem ninguém com quem dividir a responsabilidade, apenas tendo Chris Lord-Alge na mixagem e Ted Jensen na masterização. Tudo para que “I, The Mask” soe solto e livre de preocupações, com uma clareza enorme e bons timbres instrumentais.

Mas cuidado: a banda não abre mão de partes agressivas e velozes em certas canções (como em “I, The Mask”), onde o lado Melodic Death Metal se evidencia e quase que arruína os tímpanos alheios.


Arte gráfica/capa:

Fugindo do jeito “papo cabeça” da arte de alguns discos anteriores, a arte de Blake Armstrong chega a soar um pouco irônica e mesmo divertida, o que encaixa com o jeito solto da música que eles puderam nesse álbum. Mas como existe certa dose de agressividade e mesmo horror na arte, a capa mostra claramente os contrastes musicais criados pelo quinteto.


Destaques musicais:

“I, The Mask” marca duas mudanças na formação do grupo: o baixista Bryce Paul Newman entrou no lugar do veterano Peter Iwers (que estava na banda desde “Colony”), e Tanner Wayne entrou na bateria em substituição a Joe Rickard (que gravou o disco inteiro, deixando para seu sucessor as partes de uma única canção, que é “(This is Our) House”). Mas isso não parece ter influenciado muita coisa, pois quando o IN FLAMES está inspirado, é uma banda difícil de ser segurada.

O disco inteiro é ótimo e inspirado, mas roubam completamente a cena a modernosa e intensa “Voices”com seu jeito melodioso impecável (e que belo uso de contrastes nos timbres vocais, do urrado ao suave sem pudores, e o refrão é uma maravilha), a brutalidade desmedida de “I, The Mask” (a velocidade e explosão levam a mente até os tempos de “Whoracle”/”Colony”, embora o refrão tenha uma pegada mais voltada ao trabalho atual do grupo), os contrastes entre agressividade e suavidade que permeiam “Call My Name” (as guitarras despejam riffs excelentes), a pegada mais soturna e introspectiva de “Follow Me” e de “We Will Remember” (uma escorregadinha e ambas seriam dois Metalcore de respeito, pois são as canções mais acessíveis do disco, ambas mostrando riffs ótimos), “Burn” e seu jeito Melodic Death Metal clássico (embora adornada com melodias ótimas e um refrão marcante, e um trabalho de primeira de baixo e bateria), o tempo mais cadenciado e ganchudo de “Deep Inside” (outra em que boa parte do lado Death Metal do quinteto aparece, mas contrastando com partes extremamente acessíveis, algo que só eles parecem ter a cara dura de fazer), e a sinistra balada “Stay with Me” (onde o lado melancólico aflora de vez, e é uma canção que remeterá o ouvinte a “Siren Charms” em seus momentos mais pesados. E “Not Alone”, faixa extra da versão nacional, despeja um Metalcore intenso que flerta com o Gothic Rock.


Conclusão:

“I, The Mask” é um disco corajoso, mas o IN FLAMES sempre desafia seus fãs. Logo, podem ter certeza: reclamem ou aplaudam, eles mais uma vez fizeram um disco de primeira.


Nota: 9,1/10,0

I, The Mask



Call My Name



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MYRATH - Shehili


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Asl (Intro)                                                    
2. Born to Survive            
3. You’ve Lost Yourself      
4. Dance                            
5. Wicked Dice                 
6. Monster in My Closet   
7. Lili Twil                         
8. No Holding Back         
9. Stardust                      
10. Mersal                         
11. Darkness Arise             
12. Shehili


Banda:


Zaher Zorgati - Vocais
Malek Ben Arbia - Guitarras
Anis Jouini - Baixo
Elyes Bouchoucha - Teclados, Backing Vocals
Morgan Berthet - Bateria


Ficha Técnica:

Kévin Codfert - Engenharia, Gravação, Produção, Mixagem
Eike Freese - Mixagem, Masterização
Jens Bogren - Masterização, Mixagem
Paul Thureau - Arte da Capa
Perrine Perez Fuentes - Artwork
Laura Billiau - Artwork
Lotfi Bouchnak - Vocais adicionais em "Mersal"
Mehdi Ayachi - Vocais em "Asl"
Pierre Danel - Violão
Kévin Codfert - Piano, Guitarras adicionais
Mohamed Gharbi - Violino
Bechir Gharbi - Violino
Hamza Obba - Violino
Riadh Ben Amor - Violino
Mohamed Lassoued - Viola
Samir Sghaier - Viola
Skander Ben Abid - Clarinete
Koutaiba Rahali - Nay, Gasba


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A Tunísia é um país localizado ao norte do continente africano, e historicamente falando, sua maior referência foram as Guerras Púnicas, onde o Império Romano travou uma longa guerra a Cartago, o que levou à destruição completa da cidade. Além disso, tem uma longa história colonial, até se tornar independente em 1956.

Mas o que é interessante é ver uma banda como o MYRATH surgir naquelas paragens, e com um nível musical tão elevado. “Shehili” é uma autêntica obra de arte em termos de Metal.


Análise geral:

Tentar rotular o trabalho do grupo não é muito simples.

Imaginem uma mistura dos melhores elementos do Prog Metal do DREAM THEATER (mas não tão eclético) com as melodias orientais do ORPHANED LAND e algo de modernidade, e mesmo alguns toques épicos. Pois é, o grupo realmente mostra uma identidade única, bem como sua forma de fazer música mistura técnica, peso, ótimas melodias (algumas bem simples de serem assimiladas), refrães marcantes, enfim, tudo na medida certa.

Não é à toa que são a primeira banda tunisiana a assinar com um selo.


Arranjos/composições:

Como dito acima, não seria nenhum pecado rotular a banda como “Oriental Prog Metal”, embora não lhes faria toda justiça. E como “Shehili” é o quinto disco do grupo, tudo soa maduro e em seu lugar, com arranjos instrumentais que se encaixam como um complexo quebra-cabeça, mas sem que soe extremamente técnico ou cansativo.

Além do mais, se percebe que a técnica instrumental tem um propósito, uma motivação, não é uma exibição de egos. Desta forma, a música da banda soa bem esmerada, mas com forte apelo melódico aos ouvidos.

E é de uma beleza ímpar!


Qualidade sonora:

O trabalho de gravar, mixar e masterizar “Shehili” não foi simples, pois teve partes gravadas na Tunísia, na Alemanha e na França. E assim, vários profissionais estão envolvidos nessas etapas, embora a produção seja de Kévin Codfert (tecladista do ADAGIO). Apesar disso, o disco soa consensual, forte e pesado, mas sempre com uma clareza instrumental enorme.

A modernidade que permeia a música do grupo vem da timbragem instrumental, especialmente das guitarras. Mas tudo foi burilado de forma a não soar embolado, e isso levando em consideração que o disco é cheio de instrumentos musicais que não convencionais do Metal (como violinos, violas, e mesmo clarinetes).

Traduzindo: é de alto nível!

MYRATH ao vivo

Arte gráfica/capa:

Paul Thureaué quem fez a capa de “Shehili”. Apesar dos contrastes de cores bem simples (preto, branco e tons de azul), é algo exótico, bem feito e que encaixa em todo conceito musical da banda.


Destaques musicais:

A bem da verdade, pode-se se dizer que “Shehili” brilha por sua música bem trabalhada, mas que é fácil de gostar, especialmente porque a banda evita canções extremamente longas, preferindo ficar sempre transitando entre 3 e 4 minutos de duração.

Das 12 canções, se destacam: “Born to Survive” (que se inicia com um ritmo oriental interessante, antes de mostrar sua vocação Prog Metal, com ótimas melodias e um refrão que gruda nos ouvidos), as melodias sinuosas e densas de “You’ve Lost Yourself” (os teclados providenciam uma colcha sonora ótimas para as partes rítmicas do grupo, que são ótimas, e outro super-refrão surge nessa canção), o ritmo que mistura melodias orientais com elementos Progs modernos de “Wicked Dice” (ótimos vocais, verdade seja dita, com ótimo conjunto de timbres), a sedução melodiosa e tenra do refrão de “Monster in My Closet” (reparem nos violinos presentes e ótimas guitarras), o Prog Metal oriental e cheio de sutilezas de “Lili Twil” (algumas partes com elementos “noir” de Jazz surgem vez por outra, evidenciando baixo e bateria), as melodias mais simples e pegajosas de “No Holding Back” (os elementos percussivos orientais casaram muito bem com os teclados e violas), a beleza introspectiva de “Stardust”, e a grandiosidade Prog/Oriental de “Shehili” são as melhores, mas este disco é ótimo de ponta a ponta.


Conclusão:

Eis que pode estar nascendo uma lenda no Metal, uma vez que o MYRATHtem tudo para agradar os fãs mais exigentes. E se necessário, “Shehili”é o passaporte para vôos mais altos.

Ah, sim: a versão nacional, lançada pela Shinigami Records, pode ser adquirida seja seja em Digipack, seja em Jewelcase.

Nota: 97,0/100,0

Dance





No Holding Back



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segunda-feira, 1 de julho de 2019

DOOM:VS - Earthless



Ano: 2014 (Lançamento Original) / 2019 (Relançamento Brasil)
Tipo: Full Length
Nacional



Tracklist:

1. Earthless
2. A Quietly Forming Collapse
3. White Coffins
4. The Dead Swan of the Woods
5. Oceans of Despair
6. The Slow Ascent


Banda:

Johan Ericson - Todos os Instrumentos, Vocais (Limpos)


Ficha Técnica:

Johan Ericson - Produção, mixagem 
Thomas A. G. Jensen - Vocais (Guturais)


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:


E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:
  
Seria possível conceituar o que é Funeral Doom Death Metal?

Basicamente, os andamentos mais lentos que as formas tradicionais de Doom Metal (ou Doom Death Metal), fazendo assim com que o ritmo seja bem lúgubre (daí o termo “Funeral”), mas toda a instrumentação precisar criar uma ambientação sinistra e angustiante. Basicamente, é extrapolar algumas características originais do Doom Metal clássico.

Dessa forma, podemos encarar o trabalho do DOOM:VS, banda do multi instrumentista sueco Johan Ericsoncomo Funeral Doom Death Metal, como “Earthless”, terceiro disco do grupo, está aqui para provar. E o melhor de tudo: a Cold Art Industry Records resolveu, 5 anos após o lançamento original, botar uma versão nacional no mercado.


Análise geral:

A verdade seja dita: Johan faz de “Earthless” um disco e tanto para o gênero, onde se percebe a criatividade sendo desprendida nos arranjos de cada uma das longas canções do grupo.

Os fãs que gostam da fase mais seminal do MY DYING BRIDE(especialmente os que gostam de canções como “The Sexuality of Bereavement”e outros hinos lentos e com vocais urrados) não podem perder esse disco, pois “Earthless”é nessa linha, embora mostre que o DOOM:VStem sua personalidade própria.


Arranjos/composições:

Para ter andamentos tão lentos e músicas desse tamanho, é necessário mostrar uma dinâmica de arranjos que não deixe o ouvinte entediado. Mesmo com o tempo sendo razoavelmente constante, existem arranjos em profusão que mantém o ouvinte atento.

Basta ouvir alguns momentos (como em “White Coffins”) que todos perceberão o uso de intervenções de guitarras e teclados para dar um “boost” de energia ao clima soturno e fúnebre das canções. Aliás, os contrastes de vocais limpos com guturais é muito bom.


Qualidade sonora:

Johan chamou a responsabilidade de tocar, gravar e mixar “Earthless”, e assim, teve total controle do que queria.

Dessa maneira, o que se ouve em termos de sonorização é algo limpo, bem feito e com bons timbres escolhidos. Mas ao mesmo tempo, a ambientação toda é opressiva, fúnebre e tem aquele charme introspectivo que todo bom fã de Doom Metal que se preze gosta.


Arte gráfica/capa:

Como todos os lançamentos da Cold Art Industry Records, “Earthless”vem com um Slipcase muito bem feito, protegendo o jewelcase. Ainda tem um sticker, ou seja, um cartão bem legal.

A capa evidencia o lado macabro e tenebroso do disco.


Destaques musicais:

“Earthless” é um disco marcante, mesmo para aqueles que não são muito chegados ao gênero. E todas as seis longas canções são de um nível muito bom, embora não soem inovadoras. Além disso, a presença de Thomas A. G. Jensen (vocalista do SATURNUS) nos vocais guturais deu um brilho diferente a cada uma das músicas.


“Earthless” é uma procissão fúnebre com tempos arrastados, ótima presença de vocais guturais e uma ambientação melancólica; “A Quietly Forming Collapse”é permeada por momentos limpos com vocais em timbres normais de voz, fora a densa aura deprê; um pouco mais dinâmica em termos de arranjos, mas ainda assim cadenciada, “White Coffins” é mais um momento forte, embora o enfoque seja bem mais agressivo; em “The Dead Swan of the Woods”, apesar de toda a roupagem Funeral Doom Metal, existem momentos melancólicos elegantes, justamente porque as guitarras fazem um trabalho e tanto nos riffs; mais melancólica e deprê é “Oceans of Despair”, que rebusca bastante o lado soturno da banda, assim como ocorre em “The Slow Ascent”, embora esta última tenha uma vocação mais apavorante e sinistra em termos de instrumental.


Conclusão:

Mesmo evitando ser inovador, o DOOM:VS presenteia seus fãs com uma música vigorosa e cheia de vigor, e “Earthless” só aumenta a ansiedade dos fãs por material fresco da banda.


Nota: 82,0/100,0

Bandcamp

DEATH ANGEL - Humanicide


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Humanicide
2. Divine Defector
3. Aggressor
4. I Came for Blood
5. Immortal Behated
6. Alive and Screaming
7. The Pack
8. Ghost of Me
9. Revelation Song
10. Of Rats and Men
11. The Day I Walked Away (bônus)


Banda:


Mark Osegueda - Vocais
Rob Cavestany - Guitarra Solo
Ted Aguilar - Guitarra Base
Damien Sisson - Baixo
Will Carroll - Bateria


Ficha Técnica:

Jason Suecof - Produção, Engenharia, Mixagem
Ted Jensen - Masterização
Brent Elliott White - Arte da Capa
Alexi Laiho - Guitarra Solo em “Ghost of Me”
Jason Suecof - Guitarra Solo em “Revelation Song”
Vika Yermolyeva - Piano em “Immortal Behated”


Contatos:

Site Oficial: www.deathangel.us
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Existem bandas antigas que, mesmo possuindo clássicos em suas discografias, parecem viver suas melhores fases atualmente. Parece que a maturidade fez bem a eles, uma vez que no passado, os dissabores de uma cena que ainda transitava de algo amador e underground para algo mais profissional deu muitos problemas. E o DEATH ANGEL, quinteto Thrasher de São Francisco, se encaixa muito bem nessa definição.

Mesmo tendo em sua discografia “The Ultra-Violence”, um clássico do gênero para muitos, desde que retornaram em 2001 eles estão muito bem, mas desde “Relentless Retribution”, onde iniciaram uma trilogia focada em lobos (pausada apenas em “The Evil Divide”, de 2016), e que parece chegar ao fim  com o ótimo “Humanicide”, disco recém lançado e que chega em sua edição brazuca pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

Em termos bem gerais, “Humanicide”resgata a sonoridade mais tradicional do grupo, sem perder a modernidade exibida em “The Evil Divide”. Ainda existem melodias excelentes, bem como alguns toques diferenciados (como podem ser ouvidos em “Agressor”). Basicamente, é o mesmo Thrash Metal técnico, bruto e agressivo de antes, sem nada a inovar.

Mas no caso do DEATH ANGEL, será que é preciso? Fazendo o que fazem, já são mestres e bem conhecidos, e assim, “Humanicide”vem e dispara para ser um dos grandes discos do ano!


Arranjos/composições:

Mais uma vez, a banda soube caprichar em suas composições.

Muita técnica (que é uma conseqüência do que o grupo faz musicalmente, e não sua motivação), um peso mamutesco de esmagar os ossos, e melodias que entram nos ouvidos e não mais, é ouvir e ficar marcado. É assim que o quinteto escreveu suas canções.

Além disso, as mudanças de ritmo e impacto sonoro de “Humanicide” são absurdamente agressivas em pegajosas.


Qualidade sonora:

Mais uma vez, Jason Suecof trabalhou na produção, engenharia e mixagem, enquanto Ted Jensen cuidou da masterização, numa atitude típica de “em time que está ganhando não se mexe”. E mais uma vez, a qualidade sonora está soberba, limpa a ponto de se compreender todos os instrumentos separadamente, mas o peso e agressividade que emanam do disco são absurdos. Sinal que tudo funcionou como um relógio no estúdio, inclusive na timbragem sonora.


Arte gráfica/capa:

Eis uma mudança: o grupo trouxe Brent Elliott White mais uma vez para arte da capa, justamente pelo grupo retomar o tema dos lobos. E o resultado é muito bonito.


Destaques musicais:

O jeito mais convencional do DEATH ANGEL abordar seu estilo em “Humanicide”contrasta com a beleza moderna de “The Evil Divide”. E isso brinda o ouvinte com um esmaga-ossos Thrasher de primeira, com alguns ótimos momentos.

Humanicide: o disco já abre com um típico Thrash Metal encorpado e veloz, mas com boa diversidade de andamentos e ganchuda, que mostra um ótimo trabalho de baixo (que mostra ótima técnica), além de riffs de guitarra magistrais.

Aggressor: aqui, elementos da Velha Escola são mixados com uma vibe moderna. Tempos quebrados em alguns momentos, riffs insanos, e uma estruturação melódica não muito usual ao quinteto.

I Came for Blood: um Thrash ‘n’ Roll sujo, simples e cheio de energia, com evidente influência de MOTÖRHEADem seu “outfit”. Refrão muito bom, e sem mencionar que a bateria está ótima.

Immortal Behated: uma canção mais refreada e que favorece o lado mais interpretativo dos vocais. É uma pancada bem dada, onde a agressividade e a melodia se misturam para criar uma ambientação densa. E existem partes de piano, tocadas pela convidada Vika Yermolyeva.

Alive and Screaming: e lá vêm tempos mais velozes (embora partes mais refreadas apareçam bastante), toques modernos e muita agressividade serem despejadas sobre o ouvinte. Outra aula dos vocais.

Ghost of Me: mais uma vez, o andamento varia entre partes velozes e empolgantes com momentos mais lentos, e onde as guitarras montam uma verdadeira muralha de riffs (e que solos caprichados, sendo que um é de Alexi Laiho, do CHILDREN OF BODOM).

Revelation Song: essa canção remete a alguns elementos de “Act III”, justamente por conta do groove em alguns momentos. Mas em seus tempos mais cadenciados e partes mais técnicas, o quinteto mostra sua versatilidade. Além disso, que vocais, sem mecnionar o solo feito por Jason Suecof.

Além dessas, a versão nacional tem por bônus mais uma:

The Day I Walked Away: é uma canção com ambientação não muito comum, e que não é comum do quinteto. Mas mesmo assim, é ótima, justamente por diferir.


Conclusão:

Apesar de não superar seu antecessor ou “The Dream Calls for Blood”, “Humanicide” é um disco excelente do DEATH ANGEL, mostrando que eles estão em uma fase muito criativa e exuberante.


Nota: 90,0/100,0


I Came for Blood



The Pack



Spotify