sexta-feira, 4 de maio de 2018

AXEL RUDI PELL - Knights Call



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1.      The Medieval Overture (Intro)
2.      The Wild and the Young
3.      Wildest Dreams
4.      Long Live Rock
5.      The Crusaders of Doom
6.      Truth and Lies
7.      Beyond the Light
8.      Slaves on the Run
9.      Follow the Sun
10.  Tower of Babylon


Banda:


Johnny Gioeli - Vocais
Axel Rudi Pell - Guitarras
Ferdy Doernberg - Teclados
Volker Krawczak - Baixo
Bobby Rondinelli - Bateria


Ficha Técnica:

Axel Rudi Pell - Produção
Charlie Bauerfeind - Produção, mixagem, engenharia
Martin McKenna - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Em termos de Classic Rock, ou Hard Rock clássico, vários guitar heroes já tentaram sua sorte no estilo, como Ritchie Blackmore e as várias encarnações do RAINBOW, e mesmo o sueco Yngwie Malmsteen com seu RISING FORCE. E um erro crasso de ambos foi pensar em seus trabalhos como discos solos, nunca como bandas, dando muitas vezes a impressão que as canções eram relegadas à mera presepada técnica. E isso é algo que o alemão AXEL RUDI PELL não se permite, pois mesmo em seus trabalhos não tão bons assim são discos que apresentam um trabalho sólido. E em “Knights Calls”, ele vem realmente cheio de gás.

Melodias clássicas, instrumental bem feito, vocais excelentes, incursões de teclados à lá anos 70 (só pode ser um Hammond soando no disco), e tudo em seus devidos lugares. Estes são os elementos que compõem o sucessor do bem sucedido “Game of Sins”de 2016 (que chegou à 11ª. posição na parada da Billboard), e são os mesmos que encontramos em todos os seus trabalhos. Óbvio que o Hard/Classic Rock elegante (mas com uma dose saudável de acessibilidade) de Axel nos remete à fase mais prolífica do RAINBOW em vários momentos, mas sem ser uma mera cópia. Pelo contrário: mesmo sem ser inovador, “Knights Call” é um disco de primeira linha!

A produção busca aliar um feeling orgânico e cheio de energia com a limpeza e facilidades das tecnologias atuais. O resultado é mais que satisfatório em termos de qualidade sonora, pois tudo está muito claro, mas com a pegada pesada e cheia de energia de sempre. Além disso, se percebe como as linhas melódicas vão evoluindo sem perder a acessibilidade, mas também sem que elas soem piegas.

Podemos aferir que, antes de tudo, “Knights Calls” é um disco que transpira honestidade musical, e mesmo se agarrando aos nossos tímpanos por suas melodias, tem doses homeopáticas de peso, além de arranjos para lá de eficientes. Basicamente, é ouvir e gostar, pois além dos elementos citados, se percebe o velho senso germânico para criar melodias de primeira. É ouvir e sair cantarolando.

9 canções do mais puro Hard/Classic Rock nos esperam (“Medieval Overture” é uma introdução), e é bom se segurarem na poltrona, pois “Knights Call” empolga. “The Wild and the Young” alia o velho estilo dos trabalhos de Axel com algo da estética de bandas melódicas da Alemanha (e mostra um peso enorme, com baixo e bateria mostrando uma técnica muito boa), enquanto a grudenta e clássica “Wildest Dreams”tem um ótimo refrão, além daquele jeitão anos 70 a que estamos acostumados (basta perceberem isso pelos ótimos teclados e incursões das guitarras). Mais pesada (embora acessível) é “Long Live Rock”, cm linhas de guitarras formidáveis e vocais muito bem encaixados. Longa e com andamento mais refreado (por momentos, irão pensar que é uma das baladas dele) é “The Crusaders of Doom” (que esbanja elegância por conta de seus arranjos bem feitos, além dos vocais estarem ótimos mais uma vez), Baixo e bateria mostram sua técnica junto com o feeling setentista dos teclados linhas harmônicas de “Truth and Lies”. A longa “Beyond the Light” é uma balada muito bela, sem ser uma baba, algo que Axel sempre fez muito bem. A energia espontânea do Hard Rock surge em “Slaves on the Run”, mostrando uma dose de acessibilidade agradável e riffs mais simples (e um feeling bem anos 80 de primeira), assim como na mais pesada e melodiosa “Follow the Sun”, ambas mostrando bons teclados. E com uma pegada extremamente pesada é “Tower of Babylon” com suas guitarras sinuosas e arranjos bem feitos.

A verdade é simples: quando se falar em AXEL RUDI PELL, tenha certeza que é sempre um trabalho musical de primeira grandeza.

  
Nota: 89%

quinta-feira, 3 de maio de 2018

AMORPHIS - Queen of Time


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Bee
2. Message in the Amber
3. Daughter of Hate
4. The Golden Elk
5. Wrong Direction
6. Heart of the Giant
7. We Accursed
8. Grain of Sand
9. Amongst Stars
10. Pyres on the Coast


Banda:


Tomi Joutsen - Vocais
Esa Holopainen - Guitarras
Tomi Koivusaari - Guitarras
Olli-Pekka Laine - Baixo
Santeri Kallio - Teclados
Jan Rechberger - Bateria


Ficha Técnica:

Jens Bogren - Produção, mixagem, masterização
Chrigel Glanzmann - Flautas
Albert Kuvezin - Vocais
Jørgen Munkeby - Saxofone
Anneke van Giersbergen - Vocais em “Amongst Stars”


Contatos:

Site Oficial: www.amorphis.net
Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Desde os anos 90 que o grupo finlandês AMORPHIS não cansa de surpreender os fãs de Metal. Sendo um dos pioneiros do chamado Death Metal melódico com “Tales from the Thousand Lakes”, a criatividade deles não parou por ali: foram juntando cada vez mais elementos musicais diferentes e jogando na mistura, se ampliaram fronteiras musicais quando outras bandas começaram a se acomodar em uma determinada fórmula. E mais uma vez, o sexteto surpreende em “Queen of Time”, seu mais recente disco, que a Shinigami Records e a Nuclear Blast lançam no Brasil.

Mais uma vez, o sexteto expandiu fronteiras.

Evitando qualquer rótulo musical possível (já que tentar fazer isso com eles é quase impossível), a música repleta de psicodelia atualizada, aliada à vocais guturais e outros limpos e carregados de emoção, ganhou em termos de elegância, já que eles enriqueceram ainda mais usando de uma orquestra e corais, algo inédito para eles. Se discos como “Silent Waters”, “Skyforger” e “Under the Red Cloud” são mostras do quanto eles podem mudar as regras do jogo e expandir possibilidades, em “Queen of Time” temos um disco irrepreensível, mais denso e com maior profundidade de emoções, maior expressividade, e assim, vemos que o nível que eles alcançaram é bem alto!

E pelo visto, ninguém segura o AMORPHIS!

Na produção de “Queen of Time”, ninguém menos que Jens Bogren, um dos gênios das gravações de discos da atualidade. E pela diversidade musical que permeia o disco, percebe-se que o trabalho distou de algo simples, mas tudo funciona como um relógio, com tudo com seus devidos efeitos e volumes, tudo nos seus devidos lugares e com timbres bem pensados. E, além disso, tudo soa orgânico, vivo, e cheio de energia.

Senhores de um estilo bem próprio, o sexteto busca na diversidade que os cerca dar um acento coeso a “Queen of Time”, e conseguem. A forte psicodelia e elementos progressivos continuam presente, assim como as partes mais agressivas e ritmos quebrados aqui e ali. Mas a dinâmica entre instrumentos e vocais ficou ainda mais apurada, e sente-se que a inspiração foi a tônica a guiar o grupo no processo de composição. E em um disco em que saxofones, flautas, orquestra e vocais diferenciados se misturam dessa forma, somente bandas com uma capacidade criativa além do normal poderiam sobressair. E o AMORPHIS é assim.

Não existem pontos fracos no disco inteiro, todas as faixas são excelentes. E destacam-se a sinuosa e cheia de contraste entre momentos mais amenos e outros brutais “The Bee”, o ranço Folk da grandiosa “Message in the Amber” (onde belas passagens de teclados preenchem todos os espaços, além de toques jazzísticos feitos por baixo e bateria), o peso denso e emotivo de “Daughter of Hate” (alguns ritmos quebrados aparecem aqui e ali, junto com vocais rasgados), a profundidade melódica progressiva e tocante de “The Golden Elk”, os elementos de Space Rock que adornam a bela “Wrong Direction” (que refrão, além de alguns toques Post Rock que surgem nas guitarras, fora o baixo soando gorduroso em vários pontos), a força progressiva e psicodélica de “Heart of the Giant”, com ótimas guitarras e partes orquestrais; “We Accursed” (belíssima e com toques Folk, que apresenta também um solo de guitarra belíssimo e e arranjos bem feitos nos teclados), o peso mais bruto de “Grain of Sand” e a prevalência de vocais guturais (embora existam partes de vozes limpas e o refrão seja todo em contraste de ambos os tons citados e ainda existam corais excelentes), a lindíssima “Amongst Stars”, intensa em suas melodias e combinação de vocais (verdade seja dita: a participação de Anneke van Giersbergennos vocais, mais o enriquecimento feito pelas flautas não tem preço), e a bem trabalhada e cheia de melodias sedutoras “Pyres on the Coast” (que trabalho lindo das guitarras mais uma vez). É, não dá para destacar canções, uma vez que a inspiração e homogeneidade do álbum é enorme. E além disso tudo, este disco marca a volta do baixista Olli-Pekka Laine após 17 anos fora do grupo.

O AMORPHIS dá mais um passo adiante, e coloca “Queen of Time” como um forte candidato a disco do ano.


Nota: 100+%



DIMMU BORGIR - Eonian



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Unveiling
2. Interdimensional Summit
3. ÆTheric
4. Council of Wolves and Snakes
5. The Empyrean Phoenix
6. Lightbringer
7. I Am Sovereign
8. Archaic Correspondence
9. Alpha Aeon Omega
10. Rite of Passage


Banda:


Shagrath - Vocais
Silenoz - Guitarra base
Galder - Guitarra solo


Ficha Técnica:

Dimmu Borgir - Produção
Jens Bogren - Engenharia,
Daray - Bateria
Gerlioz - Teclados
Gaute Storås - Arranjos de ópera e orquestrações
Schola Cantrum Choir - Corais
Francesco Ferrini - Orquestrações
Zbigniew Bielak - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Uma das coisas mais chatas de se ver quando falamos de lançamentos de discos de bandas consagradas são as comparações. Os fãs parecem esquecer que uma banda é composta de pessoas, e uma dinâmica de transformação sempre as guia em busca de novas conquistas e expressões musicais. Raras são as bandas que tendem ao continuísmo puro e simples. Mas existem aqueles que parecem nos desafiar com seus discos novos, de uma forma em que reações estilo “amo ou odeio” começam a surgir. E desde que despontaram para o sucesso, o DIMMU BORGIR sempre causa frisson em seus fãs (e longas reclamações e “mimimis” nas mídias sociais). Com “Eonian” (lançado por aqui pela parceria da Shinigami Recordscom a Nuclear Blast Brasil) não seria diferente.

Para início de conversa, é preciso ter em mente que o grupo possui fases distintas: aquela mais atmosférica e focada em ambientações sombrias (que pode ser ouvida em “For All Tid” de 1995, e “Stormblåst” de 1996), o início do uso de maior agressividade aliada a teclados mais diversificados (em “Enthrone Darkness Triumphant”de 1997 e “Spiritual Black Dimensions”de 1999), a fase de grandiosidade técnica, agressividade ainda maior e orquestrações mais evidentes (que se ouve em “Puritanical Euphoric Misanthropia” de 2001, “Death Cult Armageddon” de 2003, e “In Sorte Diaboli” de 2007), e o início de um trabalho mais esmerado no uso de orquestra e corais operísticos (em “Abrahadabra”, de 2010). Com uma diversidade musical tão grande, é preciso ter em mente que o trio pode lançar mão de muitas possibilidades. Em “Eonian”, oito anos desde seu último álbum de músicas inéditas, o DIMMU BORGIR rebusca a simplicidade técnica da era de “Enthrone Darkness Triumphant” e “Spiritual Black Dimensions”, mas com o mesmo “approach” sinfônico de “Abrahadabra”, só que mais espontâneo e menos mecânico que este (o que nos leva a questionar se as confusões na banda naqueles tempos não influíram nisso).

Ou seja: o trio está de volta em grande estilo, doa a quem doer.

Desta vez, a banda buscou a ajuda de Jens Bogren para a engenharia de som, visando uma sonoridade mais orgânica, e acertaram: o que se ouve em “Eonian”é algo realmente limpo e bem cuidado, mas pesado, denso e com aquela ambientação mezzo sinfônica, mezzo soturna, e com uma escolha de timbres ótima. Tudo está em seu devido lugar, soando pesado e agressivo, mas com as melodias da banda bem evidentes.

E diferentemente do que fazem há um tempo, o trio preferiu uma arte gráfica mais simples, com apenas duas cores, e que foi feita por Zbigniew Bielak. O desenho é ótimo, verdade seja dita, mas esta aproximação um pouco mais simples, provavelmente, deve ser para que os fãs fiquem com as atenções todas voltadas apenas ao mais importante: a música.

E em termos musicais, muito já se viu de “mimimi” desde que a banda lançou as primeiras músicas de divulgação de “Eonian”. No fundo, creio que muitas palavras e poucas audições causaram uma ilusão em massa, pois o disco inteiro é muito bom. O DIMMU BORGIR soube se renovar, e ao mesmo tempo, expandir fronteiras em termo de criatividade e arranjos. E mais uma vez, o grupo levou sua criatividade e capacidade de criar arranjos musicais a extremo, mesmo nessa singela simplicidade em termos de linhas melódicas.

Todas as músicas são excelentes, e vale destacar algumas como referência nas primeiras audições.

A força melódica soturna e simples de “Interdimensional Summit” com seus corais e vocais bem encaixados (esta é o primeiro Single do disco, e mostra um belo contraste entre o suave e o extremo), o sabor suave e denso que possui “ÆTheric”(com arranjos mais simples, mas mostrando um excelente trabalho de guitarras), as passagens sinistras das harmonias bem estruturadas de “Council of Wolves and Snakes”, o toque atmosférico que se percebe em “Lightbringer” (boas variações rítmicas, e um trabalho muito bom na bateria), o mix inteligente de partes orquestrais e corais sinistros de “I Am Sovereign”, o feeling opressivo dos tempos de “Archaic Correspondence” (onde um pouco da velha agressividade do grupo surge de forma mais evidente), e a ótima “Alpha Aeon Omega” (que possui estruturação harmônica que lembra demais os tempos de “Enthrone Darkness Triumphant”, mas usando do alinhavo orquestral e sinfônico de hoje em dia).

Se me perguntarem se os 8 anos valeram a pena, direi que “Eonian” está bem acima das expectativas, e vem para firmar de vez o DIMMU BORGIRcomo um dos grandes nomes do Metal mundial (já que eles transcenderam as barreiras do Black Metal há anos). Mas se vocês querem ficar reclamando da banda e comparando-os a outros grupos, sinceramente, creio que você deveria ir ouvir MPB ou similares...

P.S.: o disco sai agora, dia 4 de Maio, logo, deve estar nas lojas em breve.

Nota: 100%



COSMIC ROVER - Cosmic Rover



Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Never Forget
2. Space Motherfucker
3. Cosmic Rover
4. Bright Highway


Banda:


Edson Graseffi - Vocais, bateria
Rick Rocha - Guitarras
Rodrigo Felix - Baixo


Ficha Técnica:

Henrique Baboom - Produção


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia

  
Um estilo que anda bem em evidência no cenário é o Stoner Rock/Metal.

Todos os dias, bandas e mais bandas nessa mesma pegada referenciando grupos do passado surgem, algumas com trabalhos ótimos, outros nem tanto. E no Brasil, poucos andam fazendo o estilo, e além disso, quando uma banda por aqui coloca a mão em qualquer gênero, sempre mostra algo diferente do original. Se devido à exposição atual a coisa anda ficando desgastada lá fora, grupos como o COSMIC ROVER, trio de SP, ajudam a dar um gás novo. O primeiro EP do grupo, “Cosmic Rover”, é uma mostra clara disso.

Nas fileiras do trio estão músicos bem experientes. Rick Rocha já tocou no LABORATORI, enquanto o baixista Rodrigo Félix é conhecido na noite paulista. Na bateria, Edson Graseffi, do PANZER, que mostra seus dons vocais no trio pela primeira vez. E unidos, o grupo destila um Stoner Rock/Metal pesado, denso e cheio de groove, mas com influências de Space Rock e mesmo SOuthern Rock. Mas o que diferencia o grupo dos similares gringos que infestam o cenário é sua maior fluência melódica, não soando tão “duro” como eles. Pelo contrário, o COSMIC ROVER é bem azeitado, possui um suingue todo próprio, soando solto, vivo e cheio de energia. E a selvageria Stoner não tem fim!

Na sonoridade, o trio conseguiu um mix interessante de algo claro e bem feito em termos estéticos, com o peso e som orgânico tão essencial do gênero, mais uma diferença deles para seus pares de estilo. Tudo é claro e inteligível no EP, fugindo um pouco do padrão, embora exista um evidente clima “ao vivo” na gravação (não existem guitarras base durante os solos, dando uma impressão de gravação em “one take”). E isso é bom.

Soando vivo e com pegada, o trabalho do COSMIC ROVER vem para dar um gás novo, e justamente pela experiência de seus componentes o som deles é mais redondo aos ouvidos, e longe do “mais do mesmo” enjoativo que empesteia o gênero. Muito de C.O.C. e DOWN, e algo de SOUNDGARDEN e MONSTER MAGNET podem ser detectados, mas sem que o grupo soe sem identidade. Pelo contrário, isso se percebe claramente em suas composições.

Em “Never Forget”, uma pegada mais pesada e densa, com guitarras de primeira e um andamento mais arrastado de primeira. Um pouco mais agitada e mostrando influências melódicas do Rock clássico é “Space Motherfucker”, mais reta, direta e cheia de energia, com bons vocais (esses tons roucos pegaram muito bem). Rebuscando o azedume dos anos 70, “Cosmic Rover” é uma clássica canção de Stoner Rock, que mostra riffs sinuosos e melodias mais simples (e com ótima técnica na bateria). Já em “Bright Highway”, toda fluência e peso do groove setentista se evidenciam, algo mais suingado e denso, com boa noção melódica.

“Cosmic Rover” será liberado para audição nos próximos dias, logo, aproveitem para ouvir o quanto o COSMIC ROVER tem para dar ao cenário nacional.


Nota: 88%

segunda-feira, 30 de abril de 2018

ANTIPOPE - Denial/Survival


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Waters Below
2. Flat Circle
3. Denial / Survival
4. Der Sadist
5. Hunt
6. True Anarchist
7. Mindlessness Meditation
8. An Unconditional Ritual to Summon the Prince of Darkness
9. Tragic Vision
10. Resolution


Banda:


Mikko Myllykangas - Vocais, baixo, guitarras
Antti J. Karjalainen - Guitarras
Tuska E. - Bateria


Ficha Técnica:

Juhani Rikberg - Mixagem, masterização
Tiina Kaakkuriniemi - Arte da capa


Contatos:

Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Hoje em dia, os rótulos musicais limitam e podem até mesmo nos dar uma visão distorcida do que uma banda pode estar criando musicalmente. E é triste ver um fã perdendo oportunidades porque se prende a definições e rótulos. Muitas coisas boas acabam ficando ocultas no underground por isso, em plena época em que um clique basta para que conheçamos todo um novo universo musical. E lhes digo: o trio finlandês ANTIPOPEtem muito a oferecer, como o quinto disco deles, “Denial/Survival”, lançado por aqui pela Heavy Metal Rock, nos mostra.

Sendo o quinto disco do grupo, se percebe que temos uma banda madura e que nos brinda com um Progressive Death/Black Metal bem eclético (cheio de influências de Thrash Metal, Groove Metal e Industrial aqui e ali), cheio de passagens mais introspectivas, outras horas usam de uma aproximação mais agressiva, mas sempre mantendo um ótimo nível de criatividade. Há muitas viagens transcendentais que se chocam com partes mais agressivas e que beiram o Djent. Parece estranho, mas é isso que encontramos no caos musical criativo do trio. E verdade seja dita: o trabalho deles é uma surpresa e tanto, e é muito bom!

A produção musical ficou muito boa. A mixagem e masterização de Juhani Rikberg deram uma vida única ao trabalho deles, balancear de forma mais que satisfatória o peso, melodias e agressividade de “Denial/Survival”. E sem que a clareza seja perdida em momento algum. E a arte de Tiina Kaakkuriniemi nos dá uma visão mais subjetiva, mas que se encaixa perfeitamente no que eles criam musicalmente.

“Caos” é uma palavra boa para definir o quão criativo o ANTIPOPE é, capaz de gerar arranjos musicais de primeira. Além do mais, a banda sabe contrastar bem passagens mais sutis e melodiosas com outras em que a agressividade é a tônica. Mas isso tudo faz com que “Denial/Survival” seja um disco difícil de muitos simplistas digerirem. O melhor é a prova do ouvido: ouçam, façam a digestão, e duvido que não irão gostar.

Em 10 canções (todas elas excelentes), o grupo nos conquista aos poucos. Vejam as influências Post Rock/Space Rock que permeiam a agressividade explícita de “Waters Below”(que belos arranjos de guitarras), as belas melodias de “Flat Circle” e o contraste dos timbres dos vocais, a experimentação brutal e opressiva de “Denial/Survival”(reparem mais uma vez como os vocais exploram bastante uma enorme diversidade de timbres), a técnica sóbria e passagens etéreas criativas de “Hunt”, a agressividade moldada com efeitos de “True Anarchist” (alguns elementos Post Rock dão as caras, e reparem bem como baixo e bateria estão muito bem), mesmos elementos da introspecção experimental que permeia “Mindlessness Meditation”, e os teclados grandiosos que rebuscam uma ambientação Black Metal de “An Unconditional Ritual to Summon the Prince of Darkness” são ótimos momentos de um disco excelente.

Um ótimo disco, que realmente mexe com as concepções de muitos, logo, deixe que o ANTIPOPE o guie por um mundo de idéias ainda bem inexplorado com “Denial/Survival”.


Nota: 96 %

HAVOK666 - Sodomized by Divine Order


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Intro                      
2. Not Enslaved                   
3. Scars of the Imposed Law                     
4. Apostasy of Disciple of Messiah            
5. Dethroned and Slain Pope                     
6. Legion of Satanic Statements                
7. Christian Church Thrives on Hypocrisy                     
8. Sodomized by Divine Order                  
9. Praise the Empty Christ


Banda:


Andre Brutaller - Guitarras, vocais, baixo
Felipe Wrecker - Bateria


Ficha Técnica:

Havok - Produção
Sebastian Carsin - Mixagem, masterização
Alcides Burn - Capa, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Uma das piores concepções que muitos podem ter é que estilos extremos não possuem musicalidade, ou mesmo noções harmônicas. Pelo contrário: no meio de tanta agressividade e brutalidade, sem isso, a música soa oca e sem propósito. E digamos de passagem: nesse ponto, o Brasil está bem servido, pois como se faz Metal extremo de qualidade por aqui. E o HAVOK666 (antigo HAVOK), dupla de Salto (SP) mostra que pesar a mão é com eles mesmos. O segundo álbum deles, “Sodomized by Divine Order”, já nasceu com pedigree Death Metal!

No disco, se percebe o mais puro e opressor Brutal Death Metal que se possa pensar. Mas cuidado, pois por trás dessas concepções musicais estão mentes pensantes. Por trás de tana agressividade e peso, se percebe uma preocupação estética em criar algo diferenciado. Óbvio que os elementos comuns do estilo estão presentes, mas todos sob um alinhavo técnico muito bom, com boas mudanças de ritmo e uma técnica musical ótima. E o bom gosto faz de “Sodomized by Divine Order”um disco obrigatório para fãs de Metal extremo em geral!

Tamanha brutalidade necessita de uma produção musical bem feita. E o dueto deixou nas mãos do conhecido produtor Sebastian Carsin. Óbvio que a agressividade e crueza do Brutal Death Metal estão evidenciadas, bem como os elementos instrumentais necessários. Mas a estética limpa e a escolha sábia dos timbres ajudou a banda a ganhar peso e às canções se mostram cheias de energia e vigor, além de um poder destruidor de ouvidos de primeira. E Alcides Burn, um dos grandes artistas gráficos do Brasil, deu aquela valorizada na arte, evocando o espírito da mensagem da banda.

Se há uma coisa que se pode garantir é que o HAVOK666 sabe o que quer de sua música, e é capaz de gerar arranjos musicais que corroborem com a massa sonora que eles criam. Só que a inteligência na hora de compor é evidenciada em boas passagens em que a base rítmica mostra técnica refinada. Assim, fica claro que “barulho” é uma concepção errônea de muitos ao lidar com o dueto.

Musicalmente, “Sodomized by Divine Order” tem muito a oferecer, e muito a ensinar a quem pensa que gravação podre ou músicas mal feitas são sinônimo de Brutal Death Metal. Aqui é uma aula, logo, lições como ouvidas na explosiva e bem trabalhada “Not Enslaved” (riffs diretos, e os urros guturais entremeados de gritos agonizantes são de primeira), na simplicidade mais direta e bem feita de “Scars of the Imposed Law” (mas reparem em uns detalhes bem feitos das guitarras), na artilharia de riffs intensos apresentada em “Dethroned and Slain Pope” (o trabalho de baixo e bateria está fantástico), no trabalho técnico extremo de “Legion of Satanic Statements”, e na diversidade rítmica apresentada em “Sodomized by Divine Order” esta é para quem pensa que velocidade elevada é tudo, uma lição de partes cadenciadas brutais e com belos vocais guturais).

Lição dada, logo, aprendam com quem sabe, e vejam como o HAVOK666 tem a oferecer. E “Sodomized by Divine Order” é para marcar os fãs e destroçar ouvidos!

Nota: 85 %

WARSHIPPER - Black Sun


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Nemesis (Intro)
2. Glowworm Dragon
3. Cry of Nowhere
4. Black Sun (Part I, II & III)
5. Rebirth     
6. Abandoment
7. Descending - Genesis & Ontogenesis
8. Deathblast Overhead (Intro)
9. M.E. 262   
10. Delusions of Grandeur


Banda:


Renan Roveran - Guitarras, vocais
Rafael Oliveira - Guitarras
Rodolfo Nekathor - Baixo
Roger Costa - Bateria


Ficha Técnica:

Warshipper - Produção
Rafael Augusto Lopes - Produção, mixagem, masterização, engenharia de som
Alcides Burn - Capa, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://wargodspress.net/site/  (Wargods Press)


Texto: Marcos Garcia


Uma das maiores vantagens de se escrever resenhas de discos é a possibilidade de encontrarmos novos nomes muito bons. Há 2,3 anos, este autor teve a oportunidade de conhecer e resenhar o EP “Worshippers of Doom”, do quarteto WARSHIPPER, de Sorocaba (SP). Na época, o trabalho deles deu uma impressão ótima. Agora, em 2018, tenho a oportunidade de resenhar “Black Sun”, o primeiro full length da banda, que foi lançado por um agrupamento de selos.

As perguntas a serem respondidas: como eles estão agora, e se o disco é bom.

A primeira resposta é simples: os anos ajudaram a banda a ajustarem sua musicalidade, e o Death Metal bruto e com um alinho melodioso que eles tocam está sólido. Agora, a música ganhou um pouco mais de agressividade e impacto, mas sem abrirem mão da sobriedade. Ou seja, continuam o mesmo estilo, apenas mais evoluído. E para responder a segunda questão, é simples: “Black Sun” é um verdadeiro festival de riffs ganchudos, base rítmica sólida e técnica, e vocais urrados de primeira!

Traduzindo: é excelente!

Em termos de produção, digamos de passagem: gravar, mixar e masterizar discos de Death Metal não é lá muito simples. Mas o grupo juntou forças com Rafael Augusto Lopes, e o resultado ficou muito bom, com uma timbragem muito boa e que não permite que a agressividade do grupo fique confusa (a limpeza é muito grande, verdade seja dita). Além disso, Alcides Burn criou com uma arte primorosa e que encaixa como uma luva no trabalho musical deles (e foge um pouco do simplismo que já conhecemos de outras experiências).

O WARSHIPPER vem mostrar em “Black Sun” que é um dos nomes mais fortes no cenário, fugindo do “mais do mesmo” que já cansamos de ouvir por aqui, e ousam criar algo deles, sem medo de opiniões radicais ou modelos já pré-estabelecidos. Aliás, o disco soa vivo, cheio de energia e bem pessoal. E existem passagens que grudam nos ouvidos e não se esquece mais (como se ouve em “Cry of Nowhere”), justamente pelos toques melodiosos.

Por mim, diria apenas “ouçam o disco todo”, pois não vejo como destacar uma canção ou outra. O nível é bem homogêneo em termos de qualidade. Mas para uma mera referência ao leitor, indico a expressividade veloz de “Glowworm Dragon” (que trampo de baixo e bateria, com boa técnica e muito peso), a essência bruta cheia de toques melodiosos de “Cry of Nowhere” (reparem bem no trabalho de guitarras, nos solos e bases), a longa e cheia de momentos interessantes “Black Sun (Part I, II & III)” (sim, ela possui 3 partes distintas, e cada uma delas é um delírio em termos de musicalidade, com passagens mais cadenciadas fantásticas), o esmagamento opressivo feito pelas partes mais lentas de “Rebirth” e de “Abandoment”, a atmosfera densa e terrorosa de “Descending - Genesis & Ontogenesis” (diminuem a velocidade dos andamentos e ficam ainda mais brutos que muitas bandas, e que duetos melodiosos das guitarras), e alguns momentos com elementos de Thrash Metal ouvidos em “Delusions of Grandeur”. Isso é disco para se ouvir dias e dias a fio, sem cansar!

Se o WARSHIPPERcontinuar com essa mesma pegada, ninguém os segura no Brasil. E sim, “Black Sun” vem para estar entre os melhores discos de 2018 com certeza.


Nota: 93 %