quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

GAMMA RAY - Land of the Free (Anniversary Edition)


Full Length (Duplo CD - Relançamento)
2017


Tracklist:

CD 1 (Land of the Free):

1. Rebellion in Dreamland
2. Man on a Mission
3. Fairytale
4. All of the Damned
5. Rising of the Damned
6. Gods of Deliverance
7. Farewell
8. Salvation’s Calling
9. Land of the Free
10. The Saviour
11. Abyss of the Void
12. Time to Break Free
13. Afterlife

CD 2 (Bônus):

1. Heavy Metal Mania (cover do HOLOCAUST)
2. As Time Goes By (versão da pré-produção)
3. The Silence ‘95
4. Dream Healer (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2017)
5. Tribute to the Past (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2017)
6. Heaven Can Wait (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2016)
7. Valley of the King (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2016)


Banda:


Kai Hansen - Vocais, guitarras
Dirk Schlächter - Guitarras
Jan Rubach - Baixo
Thomas Nack - Bateria, backing vocals

Convidados:

Michael Kiske - Vocais em “Time to Break Free”, vocals adicionais e chorais em “Land of the Free”
Hansi Kürsch - Vocais adicionais em “Farewell”, corais em “Rebellion in Dreamland”, “Farewell” e “Land of the Free”
Catharina Boutari - Corais em “Rebellion in Dreamland”, “Man on a Mission”, “All of the Damned” e “Abyss of the World”
Sascha Paeth - Teclados adicionais
Hacky Hackmann - Corais
Axel Naschke - Corais em “Man on a Mission”, “All of the Damned”, “Gods of Deliverance”, “Salvation’s Calling” e “Abyss to the World”


Contatos:

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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ano de 1995.

Ralf Scheepersvivia em uma cidade ao sul da Alemanha, enquanto o resto do grupo residia em Hamburgo, ao norte. Ralf só poderia ir para Hamburgo nos fins de semana, e isso deixava tudo mais difícil. O GAMMA RAYjá estava se profissionalizando e tendo muitas exigências, já que “Insanity and Genius” os catapultara para o sucesso, especialmente no Japão.

Ralf ficava ressentido, se achando incomodado com sua posição (somente ele não era da cidade), então conversou com a banda e saiu de forma amigável (que foi em busca da vaga deixada por Rob Halford no JUDAS PRIEST). Óbvio houve uma busca para alguém que pudesse assumir o posto de vocalista (inclusive muitos acreditaram que Michael Kiske, que havia acabado de sair do HELLOWEEN e era amigo de longa data de Kai Hansen, iria entrar no grupo, o que não ocorreu por que Michaelqueria fazer algo em termos de carreira solo). Mas devido aos pedidos de amigos e fãs, e porque ele já cantava nos ensaios do grupo na ausência de Ralf, Kai resolveu assumir o posto.

Pronto, tudo que era preciso para que o GAMMA RAY alcançasse o sucesso mundial aconteceu. Mesmo com “Heading for Tomorrow”, “Sigh No More” e “Insanity and Genius” sendo muito bem recebidos por público e crítica, é “Land of the Free” que causou um autêntico “boom” na carreira do quarteto, elevando-os definitivamente ao sucesso. E hoje, 22 anos depois, ele é relançado em uma versão comemorativa de aniversário do grupo, remasterizado e em versão dupla em CD. Um presente aos fãs que a Shinigami Records (em parceria com a earMUSIC) lança em nosso país.

Mas o que o disco tem que chamou tanto a atenção do público assim?

É fato que o GAMMA RAY estava crescendo muito desde seu surgimento em 1989, mas como uma grande parte dos fãs da banda eram herdados dos tempos dele no HELLOWEEN, e muitos amavam a voz de Kai (que cantara no EP “Helloween”, no álbum “Walls of Jericho” e no Single “Judas”). Além disso, o álbum vem com um material de alto nível (sendo o primeiro de uma trinca imbatível), muito bem arranjado. Mas ao mesmo tempo, o estilo da banda deu uma guinada para algo mais rápido e agressivo, bem próximo do que era feito pela antiga banda de Kai quando ele ainda cantava, mas sem perder o pique e características mais intrínsecas de sua personalidade.

“Land of the Free” tem a produção assinada por Kai e Dirk (eterno companheiro na banda), enquanto Charlie Bauerfeind fez a mixagem. A masterização original é de Ralf Lindner. Tudo para que o disco soasse pesado, agressivo e limpo. Para a época, era uma produção de alto nível, dando à “Land of the Free” uma sonoridade cheia, que nos permitisse compreender tudo que é tocado sem muitos esforços. E para dar uma atualizada, um novo frescor, Eike Freese, como nos relançamentos anteriores, foi quem deu uma remasterizada.

A arte desse relançamento é nova. As ilustrações são de Hervé Monjeaud, enquanto o design é de Alexander Mertsch. Tudo para dar um brilho extra, inclusive com muitas fotos e memorabilia da época. Mas a arte original se encontra na contracapa do encarte, para manter a lembrança do lançamento de 1995. Nela, se vê a figura que é vista na capa de “Walls of Jericho”, que na época chamavam de Fangface.

E a presença de Fangfacena época já dava pistas do que seria encontrado em termos musicais em “Land of the Free”: pode-se dizer que a musicalidade encontrada é uma sequência lógica de “Walls of Jericho”, algo mais visceral e duro, mesmo em meio às melodias intrincadas e bem feitas da banda. Mas mesmo assim, os duetos de guitarras, os solos, a técnica pesada de baixo e bateria, além das intervenções de teclado, deram uma carga mais pesada ao grupo. E nem mencionamos ainda a presença de convidados ilustres, citados acima.

E musicalmente, “Land of the Free” marca o início de uma ascensão meteórica do GAMMA RAY. Tudo porque em existem clássicos que persistem nos setlists dos shows até os dias de hoje, como as destruidoras de pescoços “Rebellion in Dreamland” e “Man on a Mission” (ambas cheias de ótimas mudanças rítmicas e belos duetos de guitarras, fora os chorais grandiosos), a curta e rápida “Fairytale”, a pegada dura e agressiva de “Gods of Deliverance” (onde baixo e bateria debulham, mantendo um peso absurdo e diversificado), a emotiva “Farewell”e seus lindos arranjos de piano (uma homenagem ao amigo Ingo Schwichtenberg, ex-baterista do HELLOWEEN que se suicidou em março de 1995), a excitante e envolvente “Land of the Free” e seus corais formidáveis (além de bels arranjos), e a selvageria de “Time to Break Free” (os vocais de Michael Kiske casaram como uma luva com o som do grupo). Essas são as melhores do disco 1, que é são as canções originais do disco.

Mas como toda festa tem presentes, eles estão no disco 2.

Primeiro, uma versão do grupo para o clássico “Heavy Metal Mania”, do grupo da NWOBHM HOLOCAUST, que ficou excelente nessa roupagem mais moderna (e era bônus exclusivo da versão japonesa do CD), a inédita “As Time Goes By” (faixa de “Sign No More” em sua versão da pré-produção, com vocais de Kai), além de “The Silence ‘95” (que só aparecera no EP “Silent Miracles”), além das versões instrumentais ao vivo de“Dream Healer”, “Tribute to the Past”, “Heaven Can Wait” e “Valley of the King”, todas Chameleon Studios em 2017 (as duas primeiras) e em 2016 (as duas últimas).

No mais, para quem ainda não tinha “Land of the Free”, é uma ótima chance de adquirir sua cópia. Para quem tem a original vale pela remasterização e pelos extras. E para todos, um disco fenomenal!

Nota: 10,0/10,0



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

EDEN SEED (Thrash/Heavy/Metal Eclético - São Paulo/SP)


Banda: EDEN SEED

Estilo: Thrash Metal/Heavy Metal/Eclético mas sempre Metal

Início de atividades:29/06/2016

Discos lançados: EP “Rising Up” / Single “Maria Candelária”

Formação atual: Luis Henrique (Vocal), Gisele Marie Rocha (Guitarras), Matheus Manente (Baixo), Marcos Henrique (Bateria)

Cidade/Estado: São Paulo (SP)

Influências musicais: Cada vez se torna mais estranho e algo incômodo falar sobre as influências do EDEN SEED, porque a banda tem incontáveis influências, nem todas são de metal, muitas são incompreensíveis e a banda é realmente eclética, embora seja sempre extremamente pesada. Eu (Gisele Marie Rocha) poderia citar aqui PANTERA, MEGADETH, BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST, OZZY, ANTHRAX, mas isto é muito pouco e limitador para citar o grande e variado número de influências da banda.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Gisele Marie Rocha:O EDEN SEED só surgiu devido à minha insatisfação em relação à atuação da banda que eu tocava antes. Então eu saí daquela banda em agosto de 2015 decidida a formar uma nova banda para mim, uma nova banda de metal, com horizontes musicais mais amplos, pesada como todo o meu trabalho até hoje, e mais atuante. Bem, música é o meu trabalho, a minha profissão e a minha vida, e eu acredito que todos os membros da banda também sentem isto, e é por isso que temos uma banda.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Gisele: Tocar em uma banda de Metal no Brasil já é por si só uma dificuldade, mas nós acreditamos de fato na globalização e no alcance mundial através da internet. O cenário no Brasil está difícil porque os espaços para banda autoral são ou limitados ou ineficientes, e o público brasileiro é extremamente colonizado, mas os objetivos do EDEN SEED sempre foram relacionados ao mercado mundial, então seguimos em frente.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Gisele: A estrutura nunca é boa no Brasil, em qualquer cidade. São Paulo não foge à regra, e tudo isto é agravado pela situação difícil do cenário econômico atual. Temos feito shows com certa frequência, mas como o EDEN SEED é uma banda muito nova e nós estamos no momento concentrados na produção do nosso primeiro full álbum, que deverá ser lançado no começo de 2018, então eu acho que vamos começar a encarar shows mesmo a partir do ano que vem.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Gisele: Isto é um tipo de comentário de quem parou no tempo e está olhando para trás em vez de olhar para frente. O Metal é um estilo de música, que nunca irá acabar. Quantas vezes será que o fim do blues, do rock em geral, do jazz, da música erudita, foi declarado? No entanto, todos estes estilos de música continuam mais vivos do que nunca e sempre estarão vivos. Assim é com o Metal, que no fim das contas é um estilo musical, como estes que eu citei! Metal nunca vai acabar! Metal não é moda, é música.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Gisele: O que é dar certo? O Brasil já passou por fases em que o cenário musical em geral, e isto transcende o Metal, era tão bom quanto em qualquer outro canto do mundo, como Europa, Estados Unidos, Ásia... O problema não é o Metal em si, mas sim o cenário brasileiro atual, onde você tem pouco espaço para a arte em geral no país, uma população com poucas oportunidades de variação cultural, cuja atenção e capacidade cognitiva é bem direcionada para descartáveis e coisas fugazes. Mas falando especificamente em termos de Metal, falta muita coisa, falta a atuação realmente profissional de pessoas e equipes que atuam no cenário, falta sempre a união de bandas e público, mas a mudança está em todos nós que atuamos no cenário Metal e não estamos fazendo a nossa parte, todos nós, músicos, produtores, bookmakers, empresários, casas de shows, etc...


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gisele: Não adianta ficar reclamando da realidade se você não tem uma atuação positiva e não faz a sua parte! Cultive e exercite a consciência, opinião própria, senso crítico, seja você mesmo, e paz para todos!


Links para contatos:
EDEN SEED – PÁGINA OFICIAL NO FACEBOOK: https://www.facebook.com/EdenSeedBand/

EDEN SEED – SITE OFICIAL: http://www.eden-seedband.com/

Links para audição: https://soundcloud.com/eden-seed

OBS.: se a banda possuir discos no Bandcamp, Soundcloud, e clipes oficiais, coloque-os aqui.
EDEN SEED – CANAL DA BANDA NO YOUTUBE: https://www.youtube.com/channel/UCt2y9oH-Z3gMv2fDOAhm7Uw

BANDCAMP: https://edenseed.bandcamp.com/


Vejam o vídeo para “No Violence”, novo Single do EDEN SEED:

SAND CRUSADER (Death Metal Progressivo - Belém/PA)


Estilo: Death Metal Progressivo

Início de atividades: 2016

Discos lançados: "Sand Crusader"

Formação atual:
Wael Daou - guitarra
Tiago Belem - bateria
Gleyson Souza - baixo
Edu Lobo - vocal

Cidade/Estado: Belém/PA

Influências musicais: DEATH, Jason Becker.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Wael Daou: A banda começou com o intuito de tocar o álbum recém lançado do guitarrista Wael Daou, e com o passar do tempo foi tomando proporções maiores a cada show! Hoje estamos em processo de composição de um novo disco.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Wael: Locais para shows, estrutura e incentivo, falta de cachês e dificuldade em vender material autoral.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Wael: Temos pessoas focadas e esforçadas pra fazer com que cena ande! Graças a elas estamos conseguindo nos apresentar. A cena autoral em Belém é enorme e cheia de bandas incríveis esperando oportunidades.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Wael: O Metal é um estilo de vida... um modo de pensar e nunca morrerá! Basta o público se interessar por bandas novas e dar espaço a elas.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Wael: Apoio do público. Artista de modo geral no Brasil e no mundo não é valorizado até que estoure...


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Wael: Apoie a cena local e consuma os seus produtos! Isso ajuda a banda a manter suas atividades!




Vejam o vídeo de "Thorns of Joy", do disco "Sand Crusader":

ASKE - Broken Vow


EP
2018
Nacional

Tracklist:

1.      Meadows in Shade
2.      Menschwerdung
3.      Broken Vows
4.      Mardi Gras
5.      Übermensch


Banda:


Filipe Salvini - Vocais, baixo
Lucas Duarte - Guitarras


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/bandas/ASKE/27(Sangue Frio Produções)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As terras de São Carlos (SP) estão realmente em polvorosa em termos de Metal há alguns anos. Parece que a cidade virou um criadouro de nomes promissores. Um deles é o da dupla ASKE, que está há 8 anos na estrada, e que acaba de lançar o EP “Broken Vow”, um material de primeira para fãs de Meta extremo.

Tramitando em um meio termo entre o Death Metal e o Black Metal, a banda mostra intimidade com o que faz, além de ir além do que muitos medalhões do gênero fazem. Existem passagens onde melodias surgem em meio ao clima agressivo criado pelas canções do grupo, tempos que mudam bastante, boa técnica instrumental e um trabalho bem diferente em termos de vocais, com o uso de um timbre gutural mais enxuto. E sim, eles são bem criativos, algo que anda em baixa no Death/Black Metal.

Em termos de sonoridade, o trabalho feito na produção de “Broken Vow” é muito, muito bom, e vai além das expectativas. Os timbres instrumentais estão enxutos, claros e acessíveis aos ouvidos, mas mantendo o peso e agressividade que as músicas precisam. Parabéns ao produtor, pois em um país onde produzir Metal é um processo semelhante a tirar água de pedra, está ótima a sonoridade do EP.

A arte é bem simples, funciona e direta, mantendo a atenção do ouvinte apenas naquilo que o grupo tem de melhor: sua música.

E como eles têm talento!

Ouvir “Broken Vow”é um prazer, pois como já dito acima, o ASKEnão tem compromisso com fórmulas musicais, faz o que lhes dá na telha, e que se dane o resto. Os arranjos da banda são de primeira, com muito esmero, a dinâmica entre os instrumentos e vocais é excelente. É daquelas bandas que se ouve e se pergunta logo “por que diabos não os conheci antes?”, e não é exagero: eles estão no ponto para serem uma referência para muitos.

O EP abre com a trabalhada “Meadows in Shade”, cheia de mudanças de andamento, indo de passagens cadenciadas densas a outras mais velozes, sempre com ótimo trabalho das guitarras (que riffs), seguida por “Menschwerdung”, cheia de agressividade e mais focada na velocidade, com alguns arranjos próximos ao Thrash Metal em muitos momentos, mas é rica de arranjos, logo, fique bem atento. Em “Broken Vows”, a banda usa de harmonias que lembram bastante a de bandas seminais de Death Metal melódico de Gotemburgo, com baixo e vocais fazendo um trabalho de primeira linha (e que belo solo de guitarra, cheio de ótimas melodias). Mais ganchuda e com uma pegada densa e moderna é “Mardi Gras”, com arranjos que beiram o Heavy Metal tradicional, com a base rítmica da banda dando uma aula. E fechando, a banda mostra uma regravação de “Übermensch”, música presente no primeiro álbum do grupo, (“Once...”, de 2015), em que o grupo mostra um jeitão agressivo mais tradicional em termos de Death/Black Metal, mas muito bem temperado de criatividade e boas conduções de ritmo, fora o vocal usando um timbre mais esganiçado que casou muito bem com as linhas melódicas da canção.

O único defeito é ser um EP, e não um álbum. Mas “Broken Vow”, que sairá apenas no formato digital, é uma prévia do que o ASKEestá aprontando para seu segundo álbum, ainda sem data de lançamento precisa. Mas a banda vai ganhar mais fãs com esse EP, isso é certo!

Nota: 9,1/10,0

BELPHEGOR - Totenritual


Full Length 
2017
Nacional


Tracklist:

1. Baphomet
2. The Devil’s Son
3. Swinefever - Regent of Pigs
4. Apophis - Black Dragon
5. Totenkult - Exegesis of Deterioration
6. Totenbeschwörer
7. Spell of Reflection
8. Embracing a Star
9. Totenritual


Banda:


Helmuth Lehner - Vocais, guitarras
Serpenth - Baixo
Bloodhammer - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Algumas bandas, mesmo sem se tornarem lideranças dentro de seus respectivos estilos, são tão criativas e possuem uma legião fiel de fãs que ganham o notório status de “cult”. Um dos mais recentes é o grupo austríaco BELPHEGOR, conhecido pela energia de sua música crua, mas de bom gosto. E após o bem sucedido “Conjuring the Dead”, é a vez do trio destruir pescoços com “Totenritual”, seu mais recente disco, lançado no Brasil pela dobradinha Shinigami Records e Nuclear Blast Brasil.

O estilo do grupo é o mesmo, aquele Death/Black Metal carregado e vibrante, cheio de energia e com boa noção técnica. Mas a banda diminuiu o nível de extremismo musical, já que os tons instrumentais não estão tão baixos e opressivos como em “Conjuring the Dead”. Sim, eles deram um passo atrás em termos de sonoridade, mas deram muitos passos adiante, já que a estética usada no álbum é extremamente criativa, permitindo que algumas melodias surjam de forma espontânea no meio da agressividade de suas canções. Mas a verdade seja dita: a banda está em um nível de criatividade bem alto, mas mantendo a espontaneidade de sempre.

A combinação de um som brutal e intense com uma estética mais limpa (que não deixa o grupo sem peso) é um dos pontos mais fortes de “Totenritual”. Os trabalhos de Jason Suecof na mixagem e de Mark Lewis na masterização permitiram que a música do grupo continuasse com suas características mais primordiais, mas que fosse mais inteligível. E justamente os timbres instrumentais não tão extremos como antes ajudaram muito nesse sentido.

Na capa, com uma arte obscura e sinistra, vemos o sentimento caótico da música da banda exposto de forma gráfica. Mais uma vez, o trabalho de Seth Siro Anton é ótimo, e soma pontos.

Tecnicamente, se percebe que o BELPHEGOR se aprimorou, e que está mais solto e espontâneo. Fruto de muito trabalho e de turnês incessantes, o que lapidou o trabalho do grupo, e novamente, afirmamos que “Totenritual”é o ápice do talento da banda até os dias de hoje, seu melhor trabalho.

Juntando uma qualidade sonora bem feita como talento musical deles, fica claro que as 9 canções do álbum são todas excelentes. Mas por mera referência ao leitor, destacam-se a força técnica e o peso da base rítmica de “Baphomet” (a ambientação agressiva e sinistra, mostrando uma criatividade que antes era mais subjetiva), a velocidade e riffs azedos de “The Devil’s Son” (as guitarras estão excelentes, destroçando os tímpanos dos menos acostumados), a técnica esmagadora de crânios mostrada em “Swinefever - Regent of Pigs”, a mezzo veloz e mezzo cadenciada “Totenkult - Exegesis of Deterioration” (uma mostra de como os vocais urrados da banda podem ser versáteis), a condução perfeita de tempos feita pelo baixo e a bateria em “Spell of Reflection”, os cantos Gregorianos em formatação Death Metal que são ouvidos na ótima “Embracing a Star”, e a velocidade amassa-crânios de “Totenritual”. Mas é necessário frizar mais uma vez: todas as canções são ótimas.

Mesmo que nunca seja reconhecido como merece, o BELPHEGOR é uma das forças-motrizes do Death/Black Metal atual. Ouçam “Totenritual” e comprovem por si mesmos!

Nota: 9,4/10,0
  

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

APPICE - Sinister (Álbum)


2017
Nacional

Tracklist:

1. Sinister
2. Monsters and Heroes
3. Killing Floor
4. Danger
5. Drum Wars
6. Riot
7. Suddenly
8. In the Night
9. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros in Drums
12. War Cry
13. Sabbath Mash


Banda:


Carmine Appice - Bateria, vocais
Vinny Appice - Bateria

Convidados:

Jim Crean - Vocais
Paul Shortino - Vocais (ROUGH CUTT, ex-QUIET RIOT)
Robin McAuley - Vocais (MSG)
Chas West - Vocais (Ex-LYNCH MOB)
Scotty Bruce - Vocais
Craig Goldy - Guitarras (Ex-DIO, ex-GIUFFRIA)
Bumblefoot - Guitarras (Ex-GUNS N’ ROSES)
Joel Hoekstra - Guitarras (WHITESNAKE)
Mike Sweda - Guitarras (BULLETBOYS)
Erik Turner - Guitarras (WARRANT)
David Michael Phillips - Guitarras (KING KOBRA)
Tony Franklin - Baixo (Ex-BLUE MURDER, ex-THE FIRM)
Phil Soussan - Baixo (Ex-OZZY OSBOURNE)
Johnny Rod - Baixo (KING KOBRA, ex-WASP)
Jorgen Carlson - Baixo (GOV’T MULE)
Erik Norlander - Teclados (LANA LANE)
  

Contatos:

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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Embora não seja incomum ver parentes envolvidos no mundo musical, a relação Metal/Rock com a família nunca foi algo muito harmonioso. Mas em alguns casos, familiares próximos se dão bem dentro desse universo. E no caso singular dos irmãos Appice, o mais velho, Carmine (conhecido por seus trabalhos em bandas como VANILLA FUDGE, KING KOBRA, e com músicos como Rod Stewart e Ozzy Osbourne), acabou sendo aquele que levou o mais novo, Vinny(ele mesmo, que passou pelo BLACK SABBATH, HEAVEN AND HELL, DIO, KILL DEVIL HILL, LAST IN LINE e muitos outros) a seguir pelo mesmo caminho: a bateria. Mas estranhamente, os irmãos nunca haviam chegado a um trabalho conjunto até hoje. Mas agora, como “Sinister”, e sob o nome APPICE, eles finalmente estão juntos, dando uma aula de Metal/Rock. E a Shinigami Records deu aquela forcinha providencial e colocou o disco no mercado nacional.

Para início de conversa, em “Sinister”, o estilo musical é bem esperado: aquele sempre ótimo e melodioso Hard’n’Heavy de primeira, com refrãos ganchudos, harmonias de primeira, e uma completa despretensão musical. Isso, os Appice Brothers não estavam a fim de criar um clássico musical (e nem precisam, porque já tocaram em muitos), não quiseram renovar o gênero, e nem nada do tipo, mas apenas tocar livres de qualquer pressão. E é justamente isso que faz do álbum um disco essencial: sua espontaneidade.

Aliás, precisa de algo mais que isso para ser bom demais?

Carmine e Vinny, com toda experiência que têm, produziram “Sinister”, mas gravaram suas partes em locais diferentes (assim como os convidados), e sobrou uma batata quente para Steve DeAcutis, que mixou e masterizou o disco. E o trabalho dele é de primeira, pois conseguiu não só diluir as diferenças, mas deu peso e coesão às músicas, bem como a sonoridade é clara. A arte, assim como a música, é despretensiosa, sem aspirações revolucionárias, mas mesmo assim, muito bem feita, com todas as informações de quem tocou em cada uma das canções.

E se preparem, porque se tem uma característica que “Sinister” ostenta com orgulho é de ser aquele tipo de álbum que se houve vezes e vezes seguidas sem que enjoemos dele. É bateu, grudou, viciou! E um detalhe: eles tocam juntos!

Isso mesmo: eles tocam bateria juntos em todas as faixas, o que dá aquele toque de novidade ao disco!

São 13 pancadas Hard/Metal para nenhum fã botar defeito, todas ótimas, mas o embalo descompromissado e envolvente de “Sinister” (pegada pesada absurda), o toque acessível na pesada “Monsters and Heroes” (única com letra no encarte, uma homenagem ao Mestre e Herói Ronnie James Dio, e uma aula de emoção na voz de Paul Shortino), a quebradeira cadenciada e densa de “Killing Floor” (riffs de primeira) e de “Danger”, os duelos de bateria ouvidos em “Drum Wars” (exibição de gala dessas feras), o toque Blues/Country da hardona “Riot”, a ambientação mais introspectiva, embora pesada, de “In the Night” (um típico Hard’n’Heavy americano dos anos 80), as partes mais cheias de feeling e emoção de “Future Past”, o swing/Groove presente nos ritmos de “Bros in Drums” e em “War Cry”. Mas como é surpreendente a faixa “Sabbath Mash”, obviamente um medley do BLACK SABBATH, mas que vai deixar alguns surpresos por serem trechos de “Iron Man”, “War Pigs” e “Paranoid”, ou seja, nada da época em que Vinny tocou na banda, e parece um tributo ao Mestre Bill Ward e sua influência em todos nós.

Sinceramente, se o APPICEnão lançar mais discos no future, vai ser um enorme desperdício, pois “Sinister” é um discão de primeira categoria!

Nota: 9,6/10,0

DORSAL ATLÂNTICA - Canudos (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Canudos
2.      Belo Monte
3.      Não Temos Nada a Temer
4.      O Minuto Antes da Batalha
5.      Carpideiras
6.      A Conselheira
7.      Sonho Acabado
8.      Cocorobó
9.      Araçá do Peito Azul de Lear
10.  Gravata Vermelha
11.  Liberdade
12.  Favela
13.  Ordem e Progresso


Banda:


Carlos “Vândalo” Lopes - Vocais, guitarras
Cláudio “Cro-Magnon” Lopes - Baixo
Américo Mortágua - Bateria


Contatos:

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Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://www.blacklegionprod.com (Black Legion Productions)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um dos episódios mais tristes, e ainda assim inspirador, da história de nosso país é, sem sombra de dúvidas, a Guerra de Canudos.

Para aqueles que não conhecem bem a história, o conflito ocorreu entre 1896 e 1897, quando o exército brasileiro entrou em combate contra integrantes do arraial de Canudos, no interior da Bahia, e que era liderada pelo Beato Antônio Conselheiro.

O crime: a comunidade de Canudos era um arraial onde os menos favorecidos, sempre humilhados pelos grandes senhores da produção agropecuária de nosso país e abandonados pelo poder público, se reuniam e produziam para si mesmo os alimentos e viveres necessários. E pela orientação de Antônio Conselheiro(um líder social e religioso), tudo era partilhado de forma igualitária entre todos os habitantes do arraial (que ele batizara de Belo Monte). Nele, os excluídos e pobres, bem como os recém-libertos escravos, tinham um lugar no mundo onde poderiam ter uma vida simples, mas muito menos amarga e sofrida do que a alternativa oferecida pelo governo do país ou os grandes coronéis das fazendas, sob as bênçãos da igreja.

Antônio Conselheiro sofreu um longo e penoso processo de difamação pública, onde fora alegado que ele seria defensor da monarquia, e que os habitantes de Canudos iriam buscar reinstaurar um governo monárquico com armas compradas pela Princesa Isabel. Até mesmo fora acusado de loucura, tese que até os dias de hoje impedem o reconhecimento dele como um líder comunitário empreendedor. No fundo, Conselheiro seria, aos olhos de todos os mais atentos, um homem que queria apenas dar uma opção de vida melhor aos menos favorecidos, usando uma visão religiosa voltada ao cristianismo bíblico original, citado em Atos dos Apóstolos (capítulo dois, versículos 44 a 47), onde tudo era dividido entre todos.

Canudos resistiu e rechaçou três expedições militares, caindo diante da quarta. A opinião pública exigiu a aniquilação total do arraial, e assim, o sangue de 20.000 pessoas regou o sólido árido do sertão baiano. Muitos foram degolados, e o cadáver de Antônio Conselheiro (que morrera poucos dias antes do final da guerra, possivelmente tendo por causa mortis disenteria) foi retirado de seu túmulo e decapitado, e sua cabeça enviada para análise na Faculdade de Medicina de Salvador, onde seria examinada Dr. Nina Rodrigues (a ciência da época tinha a crença de que “a loucura, a demência e o fanatismo” deveriam apresentar alterações de seu rosto e crânio). Em 03/03/1905, um incêndio atinge a antiga Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, em Salvador (BA), destruindo a cabeça de Antônio Conselheiro (que lá estava desde o final da guerra de Canudos).

Triste, mas inspirador para todos aqueles que, independente de orientação política, acreditam em um mundo melhor, e que Conselheiro teria sido um homem de visão.

E tendo este tema histórico rico como fundo, eis que o trio carioca DORSAL ATLÂNTICA vem com seu disco mais recente, “Canudos”, e mais uma vez, mostram que continuam sendo pioneiros.

O estilo do grupo continua sendo o mesmo de sempre, aquela mistura de Metal e Hardcore cheia de energia, que tem a crueza dos anos 80, mas que nas mãos da banda ganha um brilho cheio de vida. Ou seja, diferente de muitos, o som do grupo não soa velho ou datado, mas com uma agressividade enorme, e disposto a continuar ensinando sua filosofia musical destruidora de ouvidos a todos. Isso é o que o DORSAL ATLÂNTICA oferece, e acredite: é de primeira!

Ao falar da questão da produção sonora, é preciso ter em mente que o grupo sempre busca uma sonoridade mais visceral e crua. Por isso, a qualidade é muito boa e orgânica, casando perfeitamente com a proposta sonora do disco. Os timbres são os mais simples que se possa ter, de forma que reflitam um tipo de som próximo ao que se ouve em shows. E embora a estética seja simples, o trabalho de Carlos Lopes na produção, mais a captação e mixagem de Elton Bozza no Superfuzz Studio (SP), e a masterização de Gabriel Zander no Costella Studio (SP) são garantias de que tudo funcionasse como a concepção de “Canudos”demanda.

Foto de Antônio Conselheiro tirada por Flávio de Barros.
Agora, falar do lado gráfico é algo que requer muita paciência, pois é lindíssima a apresentação. A capa é como a dos antigos discos de vinil, dupla, tendo em seu interior o tradicional crânio cheio de pregos e mais uma imagem estilizada da única foto conhecida de Antônio Conselheiro (tirada por Flávio de Barros no dia 6 de outubro de 1897, quando o corpo foi retirado da sepultura). O disco tem dois encartes: um onde as letras são disponibilizadas sobre uma textura que lembra o solo do sertão, e o outro, onde constam os agradecimentos aos financiadores do projeto, bem como tem um pôster de Antônio Conselheiro transfigurado como um anjo a defender os menos favorecidos. Nele, ainda constam imagens e textos referentes a mortes (ou seriam execuções) arquitetadas por governantes. Um manifesto que mostra que a Guerra deCanudos é mais um evento onde a morte dos que buscam a melhoria de muitos é o desejo dos que possuem o poder e o dinheiro, e que não estão dispostos a dividir uma migalha que seja.

Musicalmente, “Canudos”representa um lado mais maduro do DORSAL ATLÂNTICA, uma vez que no meio da massa sonora da banda se percebem algumas passagens que remetem aos ritmos regionais do Nordeste (como fica claro em “Favela”), mas o foco é mesmo aquele Hardcore Metal/Metal Punk com jeitão Thrash que o trio sempre fez. Além disso, o lado militante e consciente surge porque essa obra não só fala do passado, mas do presente. Sim, os temas de “Canudos”perfazem a atual situação política/social de nosso país, já que apesar das mudanças visíveis, a alma do governo atual é a mesma dos tempos de Prudentes de Moraes (que iniciou a ofensiva contra Canudos e autorizou a carnificina), que promove os mesmos genocídios que Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, que demanda o sangue dos pobres como Getúlio Vargas em seu período ditatorial (que chacinou sem dó os cangaceiros), e mesmo no período do Regime Militar (quantas vidas não foram ceifadas nos porões do DOI CODI). Entre eles e Michel Temer, a diferença é apenas o tempo e a metodologia, mas o sangue derramado e as injustiças não mudam.

O disco abre com a instrumental intimista “Canudos”, que antecede a agressividade Metal/HC de “Belo Monte”, onde se percebe as mudanças de tempo ótimas da base rítmica (Belo Monte é o nome dado por Conselheiro a Canudos, representando a esperança de uma vida melhor para os desfavorecidos, inclusive citando a profecia que o sertão iria virar mar), seguida da força impactante de “Não Temos Nada a Temer”, onde as guitarras mostram riffs incríveis (se repararem existe uma ligação poética entre o passado e o presente do Brasil nas letras). Toques regionais surgem nas melodias de “O Minuto Antes da Batalha”, com um ritmo um pouco mais cadenciado (onde vemos um discurso de Conselheiro, que fala os nomes do Tenente policial Manuel da Silva Pires Ferreira, de Febrônio de Brito, do carniceiro Moreira César, Artur Oscar, bem como denuncia a falácia de que os canudenses iriam lutar contra a república). “Carpideiras” é uma triste instrumental de guitarras, absorvendo o significado de seu título, antecedendo as linhas harmonias rascantes de “A Conselheira”, onde os vocais vão trazendo aquele velho carrego agressivo dos anos 80 (e a letra narra basicamente a estruturação do arraial, dos postos e lideranças). Um ar que remete diretamente ao clima denso de “Antes do Fim” surge em “Sonho Acabado”, com uma construção musical mais simples e que beira o HC, mas cheia de uma crueza energética de primeira e de ótimas guitarras (a letra traça um paralelo do fim de Canudos com outros momentos históricos do Brasil, onde as forças ocultas do poder mataram tantos que buscaram melhorar o país).  Em “Cocorobó”, o clima agressivo continua, a mesma energia crua do grupo, apenas com uma estética melódica mais apurada, além do peso bruto de baixo e bateria (Cocorobó é um açude da região, que veio a inundar a região original de Canudos, cumprindo a profecia de Antônio Conselheiro, mas a letra fala da encarniçada luta que levou ao fim de Belo Monte). Um toque subjetivo de Rock anos 70 surge em “Araçá do Peito Azul de Lear”, uma canção com peso e uns toques psicodélicos que encaixaram como uma luva (o nome da canção é de um pássaro típico da região, as letras já fazem referência ao dilúvio causado pelo açude meio século depois da guerra). A força dos tempos de “Alea Jacta Est” surge com muita fúria em “Gravata Vermelha”, contrastando com melodias intensas e muito peso, com mais uma aula de mudanças de timbres dos vocais (e o título é uma referência à degola dos canudenses, algo que ocorreu, quebrando a promessa feita de que não existiriam execuções, já que o poder político não possui honra e não cumpre suas promessas, algo que vemos pela história da república de nosso país). “Liberdade” mostra-se regada de ritmos regionais em meio ao peso abrasivo dos arranjos de guitarras e vocais, assim como surgem em “Favela” e seu andamento eclético e bem feito, enquanto a brutalidade e agressividade imperam em “Ordem e Progresso”, que fecha o disco com uma golfada de fúria HC. As letras delas são uma lembrança do legado de liberdade, do sonho de igualdade chamado Canudos (“Liberdade”), que o legado do poder público em todas as suas instâncias é a opressão e a destruição da dignidade humana (“Favela”), e que para alcançar o sonho de um mundo melhor, é preciso lutar, resistir até o fim e sem ceder, já que entre lindas, recatadas e do lar, conservocratas sujos que oram em nome de Deus, mas amam somente o dinheiro e o poder (“Ordem e Progresso”). Todos novos senhores das senzalas, todos os novos demônios denunciados por Antônio Conselheiro no passado.

No mais, “Canudos” é uma opera Rock de primeira qualidade, e já figura entre os grandes discos feitos no Metal brasileiro.

Sobreviventes de Canudos após a rendição.

“Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”. (Euclídes da Cunha - Os Sertões)

Nota 10,0/10,0