terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sobre as artes e o livre pensamento - Ou porque não aceitar a censura


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Desde que me entendo como ser humano, as artes sempre estiveram presentes de alguma forma. Fosse pela música, desenhos, ou mesmo documentários que assistia quando era muito jovem. Creio que todos, de uma forma ou de outra, temos a arte ao nosso redor por toda a vida.

Mas qual a definição de “arte”?


Segundo a Wikipedia, arte (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade) pode ser entendida como a atividade humana ligada às manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens, tais como: arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema, em suas variadas combinações. O processo criativo se dá a partir da percepção com o intuito de expressar emoções e ideias, objetivando um significado único e diferente para cada obra.

Desta forma, percebemos que as artes estão presentes em situações e formas que não nos cabe dentro de meros conceitos simplistas. Arte é arte, e se justifica por ela mesma.

Mas porque enfoco essa questão?

Simples: desde a exposição “Queermuseu” e as polêmicas relacionadas, não só uma discussão de proporções enormes tem tomado as mídias sociais, causado discussões ásperas e expondo muitas feridas e preconceitos que as pessoas carregam, mas ao mesmo tempo, mostram que as pessoas estão mais carregadas de preconceitos fúteis, que nem deveriam existir.

Não vou negar que algumas imagens me sobressaltaram de primeira, já que sou fã declarado (em termos de pintura, arquitetura e escultura) do movimento renascentista, e não me dou muito bem com a arte moderna. Isso é apenas uma opinião, logo, sem sermões. Mas tão pouco faria o alarde que vi de muitas pessoas de cunho conservador. O que me irrita é sempre o confronto de quem defende e de quem ataca, especialmente quando as mídias sociais viram campos de batalhas ideológicas.

Nas gravuras, as acusações de pedofilia, zoofilia e outras filias que queiram poderiam ter motivação? Sim. Mas também não poderia ter absolutamente nada. A arte é, muitas vezes, subjetiva, logo, depende do ponto de vista de cada pessoa. Você pode ver algo que te ofenda, outros não.

O que eu discordo: a censura das exposições. Isso eu nunca vou aceitar em hipótese alguma.

Se não quer ver, fique em casa, leia um bom livro (embora livros sejam formas de arte).

Ah, fala por seus filhos? Mas desde quando um artista, um curador ou mesmo o Estado precisam dar educação a eles? Os próprios conservadores alegam que desejam educar os filhos por eles mesmos, logo, como podem jogar o ônus da própria decisão nas costas alheias?

Óbvio que o leitor vai querer saber onde o Metal e o Rock entram nisso.

Antes de tudo: Metal e Rock são formas de música, logo, é um tipo de arte, e bem provocativa. Degenerada, até (em um contexto artístico). Logo, se você ouve qualquer vertente do Metal ou do Rock, como pode querer censurar o trabalho alheio? Quer ser visto como o “good boy” quando lhe convém?


Esteticamente falando, o Metal, tal como as exposições artísticas mencionadas (e censuradas pela bancada evangélica), é provocador. Um de seus primeiros hinos, “Black Sabbath”do nosso querido “Founding Father” BLACK SABBATH usa o trítono que conhecemos como “Diabolos in Musica”, condenado pela igreja nos tempos medievais. Óbvio que a intenção da banda não era causar alardes, apenas fez o uso e pronto (e de acordo com as biografias, foi algo espontâneo, não intencional, tanto que o próprio Tony Iommi nem sabia das estórias por trás do trítono). Ainda falando no nome do BLACK SABBATH, creio que eles e o IRON MAIDEN já foram citados tantas vezes como “música do diabo” justamente por fazerem parte de uma forma de arte que é “ofensiva” aos valores morais de alguns. Estranho que letras, capas e músicas ofendem pessoas adeptas de religiões de cunho cristão, mas a corrupção política provada de membros de suas igrejas enquanto eleitos, não.

Ainda sobre sua moralidade religiosa: pare de usar isso como escudo para seus preconceitos. Sua religião, sua fé, é uma escolha sua. SUA, e somente sua. Assim sendo, nenhuma outra pessoa tem a obrigação de seguir o que você acha correto para sua vida. E ninguém deve legislar sobre a vida de outros, apenas a própria.

Voltando à arte no Metal e no Rock, lembro do DEAD KENNEDYS ter passado um problema sério nas mãos do PMRC (Parental Musical Resource Center), órgão criado pelas “esposas de Washington” e liderado por Tipper Gore (ex-esposa do senador Democrata Al Gore) por conta da capa do CD “Frankenchrist”. A capa é mais uma das artes do famoso H. R. Giger, chamada “Landscape #XX”, sendo que o artista é uma figura bem conhecida no meio Metal. E acreditem: não foi algo pequeno, mas a banda venceu a ação, embora tivesse que trocar a capa do disco (a original virou pôster), e encerrasse as atividades pouco depois (o que não foi causado pelo PMRC). Veja ambas abaixo.

Capa de "Frankenchrist"

Capa original de "Frankenchrist", o famoso painel "Landscapes #22", de H. R. Giger.

Uma matéria muito interessante que vi no site Interdependente explora bem uma coisa: nós, Metalheads, vivemos em um meio onde as artes das capas são pura subversão. Logo, por que a exposição “Queermuseu” causou tanta indignação nos Metalheads? Não faz sentido!


Não entendo como as pessoas podem ser tão puritanas dessa forma imersas em um meio onde a arte é subversiva. Lhes garanto que o deputado Bolsonaro iria pedir seu sangue se visse você em poder de qualquer artefato desses, bem como a bancada evangélica pediria sua execução em uma praça pública, com uma fogueira digna de Joana D’Arc!

Ah, falemos então da arte sacra...

Antes de mostrar algumas referentes ao Metal, vocês por um acaso conhecem o trabalho do famoso artista Michelangelo? Sim, o autor os afrescos que se encontram na capela Sistina no Vaticano. É um festival de nus, pênis para todos os lados, peitinhos e outros. E falo novamente: artes retratando momentos religiosos! E não só Michelangelo fez uso desse tipo de apelo.

A Criação do Homem, de Michelangelo. Eis uma das artes presentes na capela Sistina, e Adão com os bagos de fora...

"A tentação e a Expulsão". Todo mundo peladão!
Se a arte de Jesuscom muitos braços ou a da Madonnacom um filhote de macaco nos braços te incomodaram tanto, bandas como MARDUK, VITAL REMAINS e ARCHGOATpossuem capas de fazer seus cabelos ficarem em pé!

Capa do EP "Fuck Me Jesus", do MARDUK.

Capa de "Heavenly Vulva (Christ's Last Rites)", do ARCHGOAT

Capa de "Icons of Evil", do VITAL REMAINS

Design para camiseta "Christrapping Black Metal", do MARDUK (arte por Kris Verwimp)

Design para a camisa "Slay the Nazarene", do MARDUK (arte de Kris Verwimp)

Ah, você falou em incitação à pedofilia? Sabia que em “Abigail II: The Revenge”, de KING DIAMOND, Jonathan La Fey estupra Abigail?  Ou já viu a capa de uma banda chamada PURULENT? Olhe a capa de “Garavito’s Pedophilia Tales”, e veja sua “santificação” do Metal ir por água abaixo. Até o KORN fez referência a isso. Acredito que todos tenham uma visão negativa quanto à pedofilia, mas como eu sempre digo: a maldade está nos olhos de quem vê, e como a arte é subejtiva...

Capa de "Garavitos Pedophilia Tales", do PURULENT.

Capa do primeiro disco do KORN.


Ah, o estímulo à zoofilia? Quem conhece bem o Metal, já cansou de ver capas onde bodes estão fazendo sexo. É algo muito repetitivo, até.

Logomarca do selo Terratum Possessions. E eis o cramulhão transando com uma cabra.

Este autor se focou nas questões de pedofilia e zoofilia pois foram as maiores alegações em favor da censura das exposições. As outras foram uma do artista brasileiro-catalão José Zaragoza em Brasília, chamada "Não Matarás", na qual membros da bancada evangélica (partidos DEM, PSC e PRB, inclusive com a presença de Marco Feliciano) foram averiguar uma denúncia feita por uma mãe por meio do WhatsApp.

Estranho quererem fiscalizar uma exposição de artes, mas não fiscalizam o poder Executivo (denunciado por corrupção por duas vezes), e ainda se dizem ocupados demais!

Haja paciência!

A outra foi a apreensão da pintura "Pedofilia", da artista Alessandra Cunha, que tinha 31 trabalhos expostos. A obra sugere uma menina cercada por duas figuras masculinas nuas. A exposição era recomendada para maiores de 18 anos, como informava um cartaz. 

"Pedofilia", de Alessandra Cunha (fonte: Estadão)

Ou seja, é a mesma coisa que você estar em um cinema com censura 18 anos, onde só tem pessoas acima da dita faixa etária, e um cara investido com o Poder Público vem, sem mais nem menos, parar a exibição do filme! De que adianta o raio da limitação de faixa etária? E se há um menor dentro da exposição, ele que deve ser retirado e os pais responsabilizados legalmente!

Eu ainda lembro dos males do Regime Militar, sei de pessoas que desapareceram e nunca mais foram vistas. O motivo: pensar diferente. E não, não é porque a pessoa é de direita, esquerda, liberal, anarquista, ou seja o raio da opção política que tenha que merece isso. Ninguém merece morrer por pensar de uma forma que outros não concordem, ninguém!

Vemos e sabemos todos os dias de discos e artistas ligados ao Metal que sofrem censura ou ataques. Há países em que os discos do CANNIBAL CORPSE não podem ser vendidos, e nunca esqueço do "bolsomito" russo atacando Helmut, do BELPHEGOR, no aeroporto.

Refrescando sua memória, eis o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=METmVJhy-Is


Não, este autor não está dizendo que o Metal tem algum tipo de vertente política por natureza. E muito menos é politicamente correto. Mas o maior ensinamento é: seja livre. Sim, livre de regrinhas e dogmas no underground, mas ao mesmo tempo, que não se identifique no cara que te abraça e beija em tempos de eleição, mas que te cospe na cara depois de eleito. E a famosa "bancada evangélica" com essa mania de "brasil para je$u$" já deu no saco. Nem jesus ou outra divindade que seja, pois o país é laico, conforme narrado em sua Constituição Federal.

E não, não estou dizendo para bater palmas para algo que não gosta. Estou dizendo apenas para não falar do que não compreende, não culpar um artista por sua visão distorcida da arte. Não culpar outros porque você tem ódio de tudo que é diferente, mas que de forma alguma lhe diz respeito.

Encerrando, deixo-os refletindo nas palavras de nossa Constituição Federal de 1988, que narra sobre a liberdade de expressão:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

V - o pluralismo político.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e a propriedade, nos termos seguintes:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença

Art. 220 A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

No mais, torno a dizer: não concorda, não vá. Não gosta, não critique. Não entende, não opine.

Nenhuma forma de arte pode ser castigada e censurada porque você não gosta/concorda/entende...

P.S.: Peço desculpas por não ir tão aprofundadamente na questão aos intelectuais da área. Apenas viso contribuir para o maior esclarecimento de todos...

By Norse Music at Vill Vill Vest Music Festival


Simon Füllemann will present the "Case: Wardruna" on Sept. 28th as well as take part in a panel discussion on Management on Sept. 29th at Vill Vill Vest Music Festival (Bergen, NO). More information here, see you there!

By Norse Music at Reeperbahn Festival


Meet Simon Füllemann, By Norse Music CEO and Co-Founder at Reeperbahn Festival (Hamburg, DE) on September 20th-23rd!

ENSLAVED announce support acts for upcoming EU tour


To stay loyal to the underground and support fresh insider tips, they handpicked all their local opening acts. This will allow the fans to see a large variety of promising up-and-coming bands such as Germany's finest IMPERIUM DEKADENZ, post black metallers HERETOIR, atmospheric magicians DARKHER, post-rockers LOST IN KIEV and many more.

See the new tour trailer here

Make sure to secure your tickets for Enslaved special shows in the UK, where they support their label mates OPETH. See all the dates and different line-ups here, more to be announced soon! 

ROCK HARD & LEGACY & METAL.DE present:

10.11. D Hamburg - Logo (w/ IMPERIUM DEKADENZ & HERETOIR)
11.11. D Berlin - Nuke (w/ IMPERIUM DEKADENZ & HERETOIR)
12.11. D Cologne - Underground (w/ IMPERIUM DEKADENZ & HERETOIR)
13.11. NL Utrecht - Tivoli de Helling
15.11 UK Manchester - o2 Ritz (supporting OPETH)
16.11 UK Glasgow - Barrowlands (supporting OPETH)
17.11. UK Belfast - The Limelight 1 (supporting OPETH)
18.11. IRL Dublin - The Academy (supporting OPETH) *sold out*
19.11. UK Nottingham - Rock City (supporting OPETH)
21.11 UK Bristol - o2 Academy (supporting OPETH)
22.11 UK Birmingham - o2 Institute (supporting OPETH)
24.11. UK London - Islington Assembly Hall (w/ DARKHER & SVALBARD)
25.11. F Paris - Trabendo (w/ LOST IN KIEV, WOLVE)
26.11. B Vosselaar - Biebob
28.11. F Rezé - Barakason (w/ LOST IN KIEV, WOLVE)
29.11. F Lyon - CCO Villeurbanne (w/ LOST IN KIEV, WOLVE)
30.11. I Brescia - Circolo Colony
01.12. CH Pratteln - Z7
02.12. D Frankfurt - Das Bett (w/ ZATOKREV)
03.12. CZ Prague - Chelmnice (w/ ZATOKREV)
16.12. RU Moscow - Volta
17.12. RU St. Petersburg - Club Zal

EINAR SELVIK releases EP with music written for vikings


On October 20th, By Norse Music will digitally release a two-tracks EP from Einar Selvik containing an acoustic version as well as the complete studio version of his much requested piece "Snake Pit Poetry", written for History Channel´s VIKINGS and Ragnar Lothbrok's fatal encounter with a Northumbrian Snake Pit. The song features the extraordinary talent of Icelandic singer Hilda Örvarsdottir, a featured soloists on film scores such as Man of Steel (Hans Zimmer), The Eagle, Babylon AD, Mortal Instruments, Colette (Atli Örvarsson) and 300: Rise of an Empire (Junkie XL)

The EP will also be available as a 10-inch vinyl with etched B-side, exclusively in Wardruna's online stores and the upcoming European tour!


Visit the WARDRUNA online stores here: 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

INCURSED - The Slavic Covenant (EP)


Ano: 2017
Selo: Independente
Importado

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. The Slavic Covenant
2. Akelarre
3. Wild! (2017)
4. Fear A’ Bhata
5. Take On Me


Banda:



Lander Lourido - Vocais limpos, guitarras
Asier Fernandez - Guitarras
Jon Koldo Tera “Jonkol” - Teclados, vocais agressivos e limpos
Mikel Llona - Baixo
Asier Amo “Amo” - Bateria

Convidados:

Javi Crosas - Vocais em “The Slavic Covenant”
Narot Santos - Vocais em “Wild! (2017)”
Urtzi Iza - Guitarra solo em “Take on Me”
Javi Rubio - Violinos


Contatos:

Instagram:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Sabem aquela banda que mesmo em Singles ou EPs são arrasadoras, tamanha energia, bom gosto e coração que colocam de si na própria música?

Pois é, o quinteto espanhol de Pagan/Viking Metal INCURSED, de Bilbao (Espanha), é dessas bandas, e o EP “The Slavic Covenant”chega para provar isso.

Se na época de “Morituri”e “Fimbulwinter” o quinteto soava mais cru e agressivo, em “Elderslied”começaram a transitar para uma sonoridade que equilibra a agressividade e os aspectos Pagan/Viking, em que no EP se mostra ainda bem agressivo e bruto, nunca negando seu lado musical que transita entre o Death Metal e Black Metal (especialmente pelos vocais mais guturais), mas cheio de belas harmonias das guitarras e melodias atmosféricas que surgem dos teclados, fora alguns toques de violinos aqui e ali. E meus caros, a energia que flui das composições é algo por demais envolvente, fora o grupo estar mostrando cada vez mais personalidade, com um trabalho técnico mais esmerado e belas linhas melódicas (especialmente nos solos). Além do mais, este EP nos apresenta o novo guitarrista/vocalista do grupo, Lander Lourido, bem como o novo baixista, Mikel Llona, que se mostram ótimas aquisições para o grupo.

Pedro J. Monge é quem gravou, mixou e masterizou “The Slavic Covenant”, com tudo feito nos Chromaticity Studios. Percebe-se que o quinteto optou por uma sonoridade que apresenta uma boa dose de crueza e agressividade, para manter sua identidade, mas sem que a clareza seja afetada. Os instrumentos estão bem audíveis, com timbres mais secos e orgânicos. E a capa nos mostra toda aquela aura Pagã que o grupo sempre ostentou.

Em “The Slavic Covenant”, o INCURSED mostra-se mais variado musicalmente, onde as influências musicais que antes eram mais subjetivas, agora estão ficando mais e mais evidentes, aglutinando valor ao trabalho do grupo. Muitos solos e duetos de guitarras, maior equilíbrio de vocais urrados e limpos, os teclados estão encaixados com maestria, a base rítmica do grupo se mostra mais diversificada que antes, além de maior presença de corais e mesmo partes de violinos. E isso sem mencionar no toque de classe dado por Javi Crosas, do ex-vocalista Narot Santos, Urtzi Iza e de Javi Rubio.

Em “The Slavic Covenant”, temos uma canção que mixa influências de Pagan/Folk com melodias alegres vindas das guitarras, com um jeitão meio FINNTROLL, mas bem diversificada em termos de arranjos, ótimos vocais limpos e grandes corais (fora um refrão bem marcante). Em “Akelarre”, a banda dá uma cadenciada no som, nos permitindo a percepção de como baixo e bateria estão bem no disco, com partes cantadas em timbres limpos fantásticos (fora outro refrão intenso e que nos envolve totalmente). Já “Wild! (2017)” é um “remake” de uma das melhores canções do primeiro disco da banda, “Morituri”, mostrando a mesma agressividade de antes (inclusive pelos vocais urrados de Narot), mas agora com mais enfoque no lado melódico (graças aos belos duetos nas guitarras) e maior prevalência dos corais. Em “Fear A’ Bhata”, mais uma vez o ritmo fica mais cadenciado, com um trabalho técnico precioso de baixo e bateria, boa aclimatação feita pelos teclados, e mais uma vez, os vocais limpos dominam a canção como um todo. Fechando uma versão Pagan Metal para o velho hit pop “Take On Me”, do grupo norueguês A-HA, que ganhou muita agressividade por conta das guitarras, os teclados fazem um fundo perfeito nas partes cantadas, os vocais mais agressivos mostram duetos com os limpos no refrão, e embora a estrutura inicial não tenha sido alterada, o quinteto impõe seu próprio jeito de fazer as coisas e reescreveu muitas passagens (inclusive com a presença de solos de guitarras).

O INCURSED merece maior destaque, e “The Slavic Covenant”mostra isso claramente. E em breve, a banda lançará seu quarto álbum, “Amalur”.

Disparado um dos melhores EPs de 2017!





MOONSCAPE - Entity (Álbum)


Ano: 2017
Selo: Independente
Importado

Nota: 8,7/10,0


Tracklist:

1. Entity Part I: Disconsolation (The Hidden Threat)
2. Entity Part II: A Farewell to Reality
3. Entity Part III: Into the Ethereal Shadows
4. Entity Part IV: Abandonment
5. Entity Part V: Under Absent Clouds
6. Entity Part VI: A Stolen Prayer
7. Entity Part VII: A Crack in the Clouds
8. Entity Part VIII: The Bargaining
9. Entity Part IX: Entity


Banda:

Håvard Lunde - Baixo, guitarra base, guitarra solo, violão, teclados percussão, vocais

Convidados:

Jim Brunaud as “Father” - Vocais
Matthew Brown as “Man” - Vocais, corais
Kent Are Sommerseth as “Demon” - Vocais
David Russell - Piano
Leviathan - Guitarra solo
Andreas Jonsson - Guitarra solo
Diego Palma - Teclados
Simen Ådnøy Ellingsen - Violão, guitarras limpas
Jon Hunt - Teclados
John Kiernan - Guitarra solo
Alex Campbell - Guitarra solo
Noah Watts - Guitarra solo
Sean Winter - Saxofone tenor
Justin Hombach - Guitarra solo


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Youtube:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas vezes, alguns discos parecem que realmente nasceram para nos surpreender por sua abrangência musical. Muitos enxergam essas manifestações musicais como as dores do parto de algo novo que está prestes a vir no Metal. E nisso, o que chamamos de Progressive Metal tem nos proporcionado momentos de extremo prazer. E interessante ver como um grupo jovem como o MOONSCAPE, de Gjøvik, cidade da região de Oppland, na Noruega, vem nos mostrar um trabalho tão bom como “Entity”, seu primeiro trabalho.

Atmosférico, musicalmente denso e cheio de feeling, o trabalho do grupo mixa influências de Folk, Metal tradicional e mesmo de vertentes mais extremas, em uma linha similar a de trabalhos como VINTERSORG. Mas esta one man band idealizada por Håvard Lunde tem uma forte personalidade pulsando em suas canções, já que as canções que formam “Entity” possuem enfoque mais na criação de atmosferas do que em extremismos técnicos. E justamente por este enfoque que o trabalho tem um apelo forte, uma capacidade de nos envolver completamente.

“Entity” foi totalmente gravado e produzido por Håvardnos HLP Sound Studio (onde ele é o próprio dono), sendo que a mixagem e a masterização foram feitas pelas mãos de Shaun Rayment no SDR Audio Production, na Inglaterra. Tudo isso para garantir uma qualidade sonora muito boa, que busca equilibrar a sonoridade mais introspectiva e atmosférica de alguns momentos com as partes mais extremas e agressivas. Tudo com tons instrumentais muito bons e boa noção de clareza para a compreensão de todos.

Já a arte da capa é intrigante, mas paralela ao contexto musical como um todo, já que Mihaela Joefez um trabalho muito interessante.

Misturando as vertentes melódicas e extremas, o trabalho do MOONSCAPE em “Entity” é de primeira, cheio de passagens harmônicas muito boas e lindas melodias. Tudo isso porque estamos lidando com um disco conceitual, onde as passagens se alternam justamente para que elas deem a ambientação adequada ao que as letras vão contando da estória do disco. E para tornar tudo ainda melhor, temos convidados que deram um toque à mais de classe ao disco.

Durante as faixas de “The Entity”, o ouvinte terá uma enorme diversidade de momentos se alternando, como a introspecção bela e com momentos agressivos pontuais em “Entity Part I: Disconsolation (The Hidden Threat)”, a crueza brutal e direta da curta “Entity Part II: A Farewell to Reality” (com alguns vocais mais limpos em meio aos urros guturais), a mescla de melodias envolventes que fluem das guitarras com vocais ásperos em “Entity Part III: Into the Ethereal Shadows”, o jeito mais Stoner Metal dos riffs “sabbathícos” de “Entity Part IV: Abandonment”, a beleza melancólica e soturna da marcante “Entity Part V: Under Absent Clouds” (que possui alguns momentos acústicos providenciais e um belo trabalho de baixo e bateria) e da variada “Entity Part VI: A Stolen Prayer”(solos bem velozes quebrando os tempos mais lentos em alguns momentos), o mesclar de agressividade e melodias bem estruturadas em “Entity Part VII: A Crack in the Clouds” e em “Entity Part VIII: The Bargaining”, e o encerramento em grande estilo que se ouve em “Entity Part IX: Entity” (onde as guitarras criam riffs e linhas melodiosas excelentes).

Desta forma, podemos dizer que “The Entity” é um álbum muito bom, e que o futuro do MOONSCAPE é mais que promissor. E esperamos que o projeto não fique apenas nesse disco.