Via de regra, os países europeus que fizeram parte do bloco socialista após a segunda Guerra Mundial, ou que estiveram sob um regime nos moldes da antiga U.R.S.S., manifestam um lado voltado ao Folk/Pagan Metal. Conforme entrevistas com membros de bandas desses países, esta “busca” pelas velhas culturas é árdua, uma vez que os regimes supracitados tenderam a erradicar o paganismo (um ótimo exemplo foi a caçada de Mao Tsé-Tung aos templos budistas, quase destruindo o Kung Fu Shaolin), mas mesmo assim, ela existe.
Dessa forma, não é de estranhar que o trabalho de bandas e mais bandas do leste europeu sejam permeadas por elementos pagãos e Folk. E o AEGONIA, da Bulgária, é mais um deles, conforme “The Forgotten Song”, primeiro disco do grupo, deixa claro.
Análise geral:
O quarteto cria algo que transpira toda uma aura Folk/Pagan mixada a ambientações Doom/Gothic modernas, criando algo melancólico e que envolve o ouvinte, permitindo uma viagem mental pelo passado. Mas é bom saber que as canções do grupo mostram peso e energia, e eles mostram personalidade bem própria.
Sem querer estabelecer comparativos que influenciem demais os leitores, o trabalho do grupo vai lembrar uma mistura de elementos usados por nomes como TRISTANIA, TIAMATantigo (da época de “Wildhoney”) e THE SINS OF THY BELOVED com partes folk à lá KORPIKLAANI em seus momentos mais densos e introspectivos (como pode ser ouvido em “Pine Woods”).
Sim, é muito bom mesmo!
Arranjos/composições:
Tal tipo de trabalho exige sabedoria em termos de arranjos, e eles mostram isso em todo disco.
O grupo faz uso de violino e kaval (um tipo de flauta) para criar suas partes folk, se afastando de outros que não sejam guitarras, baixo e bateria. Nisso, se percebe que o grupo é realmente um pouco mais voltado aos aspectos mais pesados do Metal, sabendo usar os instrumentos clássicos para criar suas ambientações.
Óbvio que há um dinamismo em termos de arranjos, bem como contrastes entre o suave e melancólico com partes mais pesadas, mas sempre sem ser algo que choque os ouvidos. Longe disso, a suavidade é uma marca registrada da banda.
Qualidade sonora:
Como o grupo foi criado por Nikolay Nikolov e Elitsa Stoyanova em 2011, ele cuidou da gravação, mixagem e masterização de “The Forgotten Song”, criando algo limpo e bem definido, mas com peso nas devidas proporções quando exigido (especialmente nos momentos de vocais com timbres urrados). Pode não estar 100% dentro do que o grupo precisa, mas está de bom nível.
Arte gráfica/capa:
O grupo mostra algo mais simples como capa do disco. Algo que remete ao conteúdo musical, óbvio, mas simples, permitindo que as atenções fiquem todas na música.
AEGONIA ao vivo
Destaques musicais:
12 boas canções desfilam pelos alto-falantes, mostrando que o AEGONIA tem potencial para se firmar como um grande nome do gênero.
As melhores canções: a densa “In the Lands of Aegonia”, que antecede a Folk/Gothic “Rain of Tears” (uma canção rica em ambientações, com ótimas partes de vocais femininos e violinos, mas com a presença marcante do baixo nos momentos limpos), as belas flautas e partes introspectivas de “With the Mists She Came” (lindas linhas melódicas com guitarras mostrando riffs de primeira), o jeito Doom/Gothic tradicional de “Restless Mind”, o jeitão mais melancólico e profundo de “Battles Lost and Won” e de “The Offer”, e o Folk Metal introspectivo mostrado em “Gone”, em que pese o fato do disco inteiro ser muito bom. Tanto que parecem veteranos em termos de profissionalismo e musicalidade.
Conclusão:
Óbvio que o AEGONIAtem talento suficiente para ir ainda mais longe do que aquilo que compuseram para “The Forgotten Song”, mas por agora, é uma ótima pedida, realmente.
Há alguns dias, eu estava eu olhando o Facebook após uma maratona insana de resenhas. Cansado, olho e de repente surge em minha linha do tempo (ou timeline, como queiram), dou de cara com uma postagem sobre dois integrantes de uma banda lascando um beijo na boca, dizendo ser um protesto contra a homofobia na Rússia. Não sou fã da banda, logo, não citarei nomes (mesmo porque acredito que todos os leitores saibam a quem me refiro)...
Particularmente, não dou IBOPE para aquilo que não gosto, logo, só vi mesmo a manchete, e tão pouco o beijo deles comoveu minha pessoa. É cada um na sua, eu penso e vivo do meu jeito, o leitor da mesma forma, e por aí vai. Cada um na sua, e o mundo continuará girando.
O que me deixou mordido: lá estou eu olhando a postagem dessa matéria em um grupo do qual fazia parte. A primeira, com a notícia, por motivos de discussões com direito a baixarias foi retirada do ar (uma sábia decisão da moderação); a segunda, explicando os motivos, lá vem um leite com pêra, sem nem ser solicitado a dar opinião, agride a religião alheia, dizendo que “conservadores deveria estar em igrejas, e não no Metal”. Digno de uma criança chorona, e quase respondi. Poderia citar o sucesso comercial do STRYPER nos anos 80 como contra-exemplo, já que os beijoqueiros em questão não chegaram ao mesmo nível nem em seu auge (lembrando que a balada “I Believe in You” chegou a ser tema de novela Global por aqui e tocava toda hora nos programas de rádio), mas deixei para lá. Bruce Dickinson (que é a favor do Brexit), Michael Sweet,Dave Mustaine, Gene Simmons e tantos outros discordam dele sobre conservadores no Metal e no Rock, um tema aborrecido que nem faz sentido estender. Não é meu foco, mesmo porque quem brinca com criança (que é como vejo uma enorme parte desses militantes), acaba sujo de urina...
O que pensei na hora que vi a notícia: “eis mais uma banda desesperada, tentando aparecer de alguma forma”. Há quem discorde, citando o fato que sempre estão em grandes festivais. Mas a ausência de discos de canções inéditas, e mesmo o fato que não vejo muitas news ou postagens sobre a banda são um ótimo termômetro para aferir este fato: esta banda pode estar sendo consumida pelo tempo.
Diferente de prós e contras militâncias LGBT, minha mente viu apenas mais um golpe publicitário.
Basicamente, o motivo disso pode ser explicado por simples palavras: polêmicas vendem, rendem visualizações e “likes”. Mais uma vez, recordo o leitor que estou nessa vida de Metal há mais de 30 anos, logo já vi e li coisas do arco da velha. Coisas que a maioria dessa geração Nutella que se ressente e fica escandalizada teria pavor de saber. Coisas que os transformaria em fãs de coisas chatas com alguns grandes nomes do Pop Brasil dos anos 80 ou da MPB dos 70. Coisas que o tempo foram me revelando que não passam de estratégia de marketing.
Vai um morcego aí, tio?
Explicando por meio de um exemplo: um belo dia, lendo “Eu Sou Ozzy” (se ainda não leram, boa diversão, pois vale cada página), lia algo lá da época em que o Madman ainda vivia seus dias de loucura, chapado de cana, drogas e remédios, arrancou as cabeças de duas pombas na reunião com o pessoal da CBS (era algo sobre o lançamento de “Blizzard of Ozz” na Alemanha, se não me falha a memória). Depois que percebeu que deu uma senhora pisada na bola, Ozzy pensou que tomaria uma bronca épica de Sharon. Mas ela vira para ele, fala algumas coisas em tom ameno, e no final fala “a imprensa vai adorar isso”. Já comentei esse fato em matérias anteriores para revistas em que colaboro, mas continua sendo um ótimo exemplo de como usar algo ruim em seu favor. Até mesmo os processos pelos suicídios acabaram divulgando o trabalho de Ozzy (que sempre foi de alto nível, independente de qualquer coisa).
Outro bom exemplo: a infeliz morte de Cliff Burton acabou se transformando em uma alavanca que colocou o METALLICA ainda mais em evidência. Óbvio que a banda nunca quis isso, e o grupo se encontrava crescendo (em grande parte por conta de eles serem “opening act” de Ozzy na turnê do “The Ultimate Sin”), mas essa notícia os colocou em evidência para muitos fãs que não conheciam a banda. Foi algo muito impactante para a época, e lá fora, chegou a grandes jornais (aqui, só revistas especializadas e zines deram importância, lembrando que essa tragédia foi em setembro de 1986, e eu lembro que estava em um show do VULCANO no RJ).
Até brigas entre bandas davam (e ainda dão) alto Ibope.
No passado, quem lia entrevistas nos velhos zines e revistas cansou de ver tretas como VENOM, X MERCYFUL FATE X MANOWAR (as 3 bandas não se bicavam de jeito nenhum), METALLICA X MEGADETH, SEPULTURA X SARCÓFAGO... Foram tantas que nem dá para lembrar.
Floor Jansen vs Kerry King: quem levaria?
Dos nosso tempos: lembram de Floor Jansen do NIGHTWISH reclamando do assédio dos fãs? Ou da vez em que ela falou publicamente do SLAYER? Ou o infinito (e chato) lamento de Max e IggorCavalera por causa do SEPULTURA? Pois é, cada uma dessas notícias cheira MUITO a oportunismo desmedido, uma oportunidade de ganhar holofotes e divulgar turnês e discos, e atualmente, compartilhamentos gratuitos dessas coisas no Facebook, Instagram e Twitter.
Se eu falar do Metal brasileiro então, a coisa fica feia, e sem necessidade alguma.
Refletindo: quais são as bandas do Brasil que estão conseguindo se manter sem esforços? A resposta é o mesmo grupo seleto de 4 ou 5 bandas, cuja citação é desnecessária, todos sabem quem são.
A maioria vive dentro do underground, logo, não faz muito sentido se envolver em polêmicas, seja lá pelo motivo que for. Aliás, torno a dizer: quem alimentou polêmicas por conta de políticos do ano passado para cá se queimou, e continua se queimando de tal forma que perdeu (e continuará perdendo) público. Em termos comerciais (como já falei antes nesta matéria), bandas não podem querer ter fãs só de um segmento político, mas fãs, pura e simplesmente. Sem essa mentalidade, ou vai ficar relegada ao underground (e nunca conseguirá se bancar, ou seja, será sempre uma fonte de gastos para os músicos), ou acaba desaparecendo de vez. E conseqüentemente, cada vez menos se pagará por seus shows, e assim, menos merchandising vendido, menos apelo, e enfim, o ostracismo que leva a banda em questão a um amargo fim.
Voltando ao tema principal.
Particularmente, eu nem visualizo esse tipo de notícia. Não tenho paciência para notícias que acobertam caçadas a “likes”, audições nas plataformas digitais e seu devido compartilhamento, pois o desespero hoje é nessa direção (pois poucos compram discos físicos), e mesmo assim, elas não pagam tão bem como as bandas precisam. Se é assim, tem-se que ganhar com shows e venda de merchandising, mas como se a banda está fora da mídia? Se quer ganhar algo de mim nesse sentido, mostre música de alto nível.
Entendam: basta uma polêmica, e defuntos aparecem. Sim, aquela banda que você mal vê/ouve falar, quando apronta algo, é por isso.
Por isso, no fundo, a polêmica inicial que mencionei soa como uma busca desesperada por novos fãs, uma vez que o mercado russo parece render bem, e o grupo, que teve muito prestígio na década passada, anda meio que sumido em termos de popularidade por aqui (novamente: quase não vejo nada da banda na imprensa há tempos por conta de seus trabalhos, se bem que é mais fácil ver postagens sobre Bolsonaro, Lula e outros políticos que qualquer matéria do IRON MAIDEN nos últimos dois anos). Por isso, o ato não me soa protesto ou algo do tipo, mas oportunismo e busca por audições e visualizações.
Mais uma: o uso de compartilhamentos nas plataformas sociais gera indicadores. E um dos que mais usa indicadores de internet em seu favor é o IRON MAIDEN. Lembram que foi noticiado que eles usando o número de downloads ilegais como indicador para onde devem fazer mais shows? E deu certo, pois vendem merchandising como água e ainda angariam novos fãs.
IRON MAIDEN: usando indicadores em seu proveito.
Artistas brasileiros, inclusive, adoram meter os bedelhos com o pessoal do Rock, porque já sabem que vai gerar repercussão para eles. Não citarei nomes, mas lembram de certa celebridade (que não canta Rock) usando camisas de bandas de Metal? Ou de certo falido da MPB que falou que “O Rock não chega na favela”? Pois é: viraram notícia em sites de Metal, ganharam visualizações e procuras na internet (e dinheiro) às custas dos fãs. Talvez seja de gente assim que venham os “dislikes” no Youtube, e nem imaginam que qualquer reação é uma reação. Ou seja, é o velho esquema de “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.
Ainda: se você não gosta de um artista, por que gosta de falar dele em seus perfis nas mídias sociais? É justamente isso que todos eles querem! Por isso muitos te provocam, te irritam, te atacam: para que usando seu ressentimento, você poste várias vezes por dia, e por muitos dias, o nome da banda (gerando assim indicadores). Eis aí como você é enganado por artistas, e mesmo por políticos e celebridades. Dê a eles seu silêncio, e aí sim eles ficarão preocupados e incomodados. Nada pior para eles que o desprezo.
No mais, se querem tanto ter um lado nessas questões de polêmicas, seja como quiserem; agora, diferente da criança imatura mencionada no início (o fã leitinho com pêra que nunca deve ter ouvido falar em GODFLESH, NIN, ou mesmo no MINISTRY), façam isso sem mexer com quem está quieto.
Seria uma postura madura, embora não maturidade e educação não estejam em voga nesse meio depois das eleições do ano passado...
P.S.: Depois disso, já saí de mais um grupo por conta do povo da “resistência”, que acha bonito ficar ostentando intelecto de vaquinha de presépio na net. Sempre digo: acredite no que quiserem, votem em quem acreditarem, só que mexer com quem está quieto tem consequências.
Para vocês, o caso se resolve com o negão do WhatsApp...
Não é incomum que, depois dos estresses e desilusões da vida cotidiana, todos busquem algo fora do universo real, algo que leve as pessoas para um universo diferente.
Na literatura, quantos são os escritores que deram asas à própria imaginação e criaram universos literários que permitem aquela boa e velha escapadela por algumas horas. Autores como J. R. R. Tolkien, Julio Verne, Bram Stoker, H. P. Lovecraft, Edgar Rice Burroughs, Robert E. Howard e tantos trouxeram ao mundo a fantasia, que foi penetrando o subconsciente de todos. Quem nunca quis ser Aragorn, Legolas, Van Helsing, Tarzan, Conan, ou qualquer personagem de fantasia em um momento de aborrecimento? Quantas não foram as vezes que se quis deixar esse mundo para trás em busca de aventura e romance?
Pois é. Por isso as bandas que investem nessa temática são tão importantes, pois aliam a música à literatura e nos permitem um alívio.
Por isso, bandas como o sexteto sueco TWILIGHT FORCE são tão importantes, pois elas nos concedem a diversão. Ainda mais que o terceiro disco do grupo, chamado “Dawn of the Dragonstar”, acaba de ser anunciado pela parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasilcomo um de seus próximos lançamentos.
Análise geral:
O grupo é especializado em um formato de Epic/Symphonic Power Metal melódico, rápido e trabalhado na mesma veia que nomes como RHAPSODY OF FIRE, só que realçando ainda mais o lado épico/folk de suas canções. A energia liberada em cada música é extremamente pegajosa e envolvente, tudo graças a melodias perfeitas criadas por ótimas orquestrações.
Aliás, é impossível não se imaginar em Númeror, Nargothrond, Moria, Minas Tirith, ou em outro local da Terra Média, ou mesmo em Shadizar, Aquilônia ou outro canto do mundo durante a Era Hiboriana. Elfo, anão, humano, orc, hobbit, ou outro tipo de personagem que queria, se permita essa viagem!
Sim, a música do grupo, mesmo sem reinventar o gênero, vem para somar e mostrar que eles têm personalidade se sobra!
Arranjos/composições:
A verdade é que o grupo sabe arranjar perfeitamente suas canções.
A Sociedade TWILIGHT FORCE teve uma mudança de “Heroes of the Mighty Magic” (de 2016): Chrileondeixou o grupo, enquanto Allyon se tornou o novo bardo do grupo, ampliando possibilidade musicais.
Sabendo contrastar a força de orquestrações excelentes com riffs de guitarras certeiros, técnica e peso fluindo de baixo e bateria, e tudo isso funcionando perfeitamente para os vocais exibirem contrastes de tons ótimos. Mas o ponto forte do disco: as canções não são complexas em termos técnicos, ou mesmo pedantes. Nada disso, esses guerreiros mostram um trabalho musical extremamente pegajoso, baseado em refrães grandiosos, ambientações bem feitas e mudanças de tempo excelentes. Tudo o que um disco de primeira precisa ter.
Qualidade sonora:
Assim como em “Heroes of the Mighty Magic”, esse discotambém foi forjado pelas mãos de Blackwalde Lynd, tudopara que “Dawn of the Dragonstar” tivesse uma expressão clara, uma qualidade sonora de alto nível. O nível de detalhamento das canções é alto, logo, foi preciso realmente deixar tudo bem claro, mas mantendo a dose correta de peso.
Além disso, a preocupação com os timbres foi tão grande que resolveram usar uma guitarra Fender Stratocaster para a gravação da maioria dos solos de guitarra, ou seja, algo bem definido.
Arte gráfica/capa:
Mais uma vez o sexteto contou com o artista gráfico Kerem Beyit, quefez uma capa muito bonita, antenada com o conteúdo lírico do disco.
A Sociedade do TWILIGHT FORCE
Destaques musicais:
Se já tiverem lembas e cantis com água nas mãos, a espada na cintura, as flechas na aljava e suas devidas vestes de proteção, é momento de se permitirem uma jornada prazerosa pelo mundo de “Dawn of the Dragonstar”.
Que o Poder do Dragão nos guie e nos guarde!
As lendas começam com a grandiosa e sedutora “Dawn of the Dragonstar”, uma canção recheada por belíssimas orquestrações e um refrão marcante (onde os vocais mostram seus timbres agudos exuberantes); na sequência, vem a épica “Thundersword” (uma trova temperada com aço élfico e ótimas passagens clássicas dos teclados, mas como baixo e bateria mostram um trabalho excelente e técnico na base rítmica), seguida de “Long Live the King”, que tem o andamento não tão veloz (o que permite que as melodias sejam mais bem compreendidas), e cujos corais grandiosos são apaixonantes. O equilíbrio entre partes orquestradas e peso é sustentado pela magia os Istari em “With the Light of a Thousand Suns” (reparem nos timbres operísticos dos vocais) e “Winds of Wisdom” (ambas são cheias de belíssimos contrastes de ambientações, e a riqueza melódica permite o ouvinte a entender o precioso trabalho das guitarras nos riffs e solos), as nuances mais acessíveis de “Queen of Eternity” (alguns toques à lá QUEEN surgem nas melodias, e que belíssimas combinações formadas por guitarras e teclados) e “Valley of the Vale” (nesta, os elementos tradicionais do gênero em termos de ritmo são encontrados, ou seja, bateria rápida com bumbos acelerados, mas existem boas mudanças de tempo, mostrando como a base rítmica sabe ser técnica, mas sem perder peso). Moldada pelos malhos dos anões de Moria vem a clássica e grandiosa “Hydra” (épica, com ótima diversidade de ambientações, e como as guitarras estão bem, com riffs bem construídos). Em uma pegada Symphonic Power Metal clássica vem “Night of Winterlight” (adornada por belíssimos vocais e partes orquestrais). Fechando, vem a epopéia de mais de 12 minutos de duração chamada “Blade of Immortal Steel” (basicamente, toda a banda está ótima, e tudo que explora musicalmente está claro, com muitas ambientações diferentes contrastadas). Dessa forma, as heróicas estórias do sexteto são contadas.
E um ponto interessante: os integrantes se apresentam nos shows vestidos como personagens do universo de suas letras. E isso acaba levando os fãs para dentro do universo deles.
Conclusão:
As antigas profecias se confirmam, pois “Dawn of the Dragonstar” é realmente um ótimo disco, e que tende a angariar mais e mais fãs para esses Guerreiros do Poder da Alvorada.
Aproveitem, e deixem que o TWILIGHT FORCE leve-os a um mundo novo, onde a fantasia e a diversão os aguardam...
Estar ativo nos dias de hoje é sinal de força de vontade, uma vez que o cenário mundial tem se mostrado cada vez mais árido de criatividade e combalido pelos downloads, fazendo com que as bandas tenham que tocar cada vez mais e ter cada vez menos tempo na produção de material para seus discos. Alguns parecem não estar nem aí, e mandam discos novos de tempos em tempos.
Mas uma curiosidade assaltou os fãs do grupo alemão DESTRUCTION neste ano: depois de anos como trio (basicamente, desde o retorno em 2000), a eles mais uma vez tornaram-se um quarteto com a entrada de um segundo guitarrista Damir Eskić, logo, como eles soariam?
A resposta é dada por “Born to Perish”, décimo-primeiro disco do agora quarteto desde seu retorno à ativa. E que acaba de sair no Brasil pela parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.
Análise geral:
Não seria uma heresia dizer que o quarteto é um AC/DC Thrash Metal, pois a fórmula é a mesma que estão usando desde seu retorno com “All Hell’s Break Loose”(2000): um Thrash Metal agressivo, cheio de influências de Hardcore e Metal germânico (especialmente nas partes mais refreadas), boas melodias, refrães marcantes e uma estruturação técnica que soa simples aos ouvidos dos fãs, embora o nível de detalhamentos seja grande.
Se por um lado optaram por não ousarem buscar inovações como no passado, pode se dizer que o grupo mostra energia e personalidade para lidar com os novos tempos.
Arranjos/composições:
Não dá para não bater palmas nesse aspecto.
Usando de experiência, o nível de detalhamentos é alto, com mudanças rítmicas bem vindas, encaixe perfeito dos vocais sob a colcha instrumental do grupo, riffs raçudos e que grudam na memória do ouvinte, solos bem feitos (onde se nota que existe diversidade, pois o jeito de Damir solar difere do de Mike), e a solidez da base rítmica é óbvia (a entrada de Randy Black deu maior peso e diversidade técnica à bateria). Nada de novo em termos de DESTRUCTION, mas sempre de ótimo nível.
Qualidade sonora:
Mais uma vez, como ocorre desde “Metal Discharge” (de 2002), V. O. Pulver trabalha com o grupo, e novamente assina a produção.
Basicamente, o quarteto é um dos poucos de sua geração que conseguiram se adaptar aos novos tempos, pois sua música soa moderna e vibrante, mas com clara referência aos velhos tempos. Tudo isso em uma produção sonora que soube explicitar a agressividade de seu instrumental com tons mais bem delineados e claros aos ouvidos (mas que poderiam ser melhores para o baixo).
Arte gráfica/capa:
Nem é preciso dizer que Gyula Havancsák fez uma capa bonita e chamativa. Mesmo com contrastes de cores simples, tudo ficou muito bom, agressivo e referenciando ao título.
Destaques musicais:
Apesar de longe do ápice criativo do grupo, “Born to Perish” ainda é um disco do DESTRUCTIONem essência, cheio de ótimos momentos que divertirão seus fãs.
As melhores: a pegajosa, rápida e técnica “Born to Perish” (exibição de gala da bateria e das guitarras, verdade seja dita, pois riffs e solos são ótimos), as igualmente pegajosas e com melodias mais claras “Inspired by Death” (baixo e vocais em grande performance, resgatando um pouco o “feeling” do que se ouve em “Release from Agony”) e “Betrayal”(boas mudanças de ritmo), o lado mais influenciado pelo MOTÖRHEAD e pelo Punk Rock que aflora em “Filthy Wealth” (onde alguns toques subjetivos da Escola Germânica de Metal aparecem), a variada “Butchered for Life” (o início é como uma balada densa e melancólica, mesmo com o timbre naturalmente agressivo de Schmier, mas logo explode em uma canção bruta e ríspida, e se preparem, pois partes mais lentas aparecerão em outros pontos dessa canção), e o ataque brutal e opressivo de riffs insanos em “Fatal Flight 17”. Mas o disco é bom como um todo, ainda mais com a faixa extra, “Hellbound”, um cover para um velho hino do TYGERS OF PAN TANG, que exalta o lado do Metal tradicional que o DESTRUCTIONcarrega desde sua origem.
Conclusão:
Óbvio que não se pode dizer que “Born to Perish” seja o melhor disco do grupo, longe disso, mas serve como uma preparação futura quando a formação atual estiver consolidada e ajudando a compor.
Mas pode-se dizer que é um item obrigatório para os fãs da banda, e que vale a audição e aquisição.
Nesses tempos em que crenças pessoais e ideologias militantes assolam o Metal, muitas bandas têm metido os pés pelas mãos e caído em arapucas. Por isso, pouquíssimos são aqueles que poderiam entrar no time de SEPULTURA, ANGRA e KRISIUN como bandas brasileiras que têm relevância no mercado internacional. E a idéia é simples: todos têm aniquilado seu potencial comercial por motivos a serem dissertados nesse texto.
Por “potencial comercial”, entenda-se a capacidade de uma banda de Metal tem de crescer sob certas condições, e assim, alcançar sucesso comercial (ou seja, em vendas de discos e merchandising). Ou seja, é quanto a banda pode crescer tendo os devidos investimentos.
Ilustrando o que quero dizer por meio de alguns exemplos históricos.
Nos anos 80, era muito comum que bandas que vinham de selos independentes ter uma sonoridade com energia e mais crua, e ao entrarem em uma grande gravadora, sofriam alterações. As gravadoras contratavam produtores para moldarem (o mais certo seria “polir”) a música de determinado grupo ao público vigente, o que era uma estratégia que podia render bons frutos, mas que também poderia significar fracasso. Nisso, as gravadoras estavam tentando maximizar o potencial comercial desses grupos, mas obviamente erravam mais que acertavam. Não era uma questão bem X mal, mas meramente financeira.
RAVEN: Este é um ótimo exemplo no sentido negativo de potencial comercial.
RAVEN antes da era da Atlantic Records
O trio inglês vinha em uma ascensão em termos de público desde que lançaram “Rock Until You Drop”, e com 3 discos, era uma potência dentro do underground, tanto que o METALLICAfoi banda de abertura na época da “Kill ‘em All For One Tour”. Mas bastou entrarem em uma “major” (a Atlantic Records) que fizeram “Stay Hard” (em 1985, para se exato), um disco que assustou os fãs da época, pois era bem mais voltado ao que fazia sucesso no mercado norte-americano (ou seja, Hard/Glam como MÖTLEY CRÜE, RATT e outros) que a seu jeito Hard/Heavy clássico. Foi um golpe duro aos fãs mais antigos, e a situação piorou ainda mais com “The Pack is Back” (de 1986). A coisa foi tão feia que a banda, que poderia ter sido um novo IRON MAIDEN ou JUDAS PRIEST em termos de sucesso (sim, eles tinham potencial para tanto) ficou apequenada pelo resto de sua carreira. Se de um lado perderam muitos fãs (que os trocaram por bandas emergentes daqueles anos), não conseguiram criar uma base sólida de novos fãs que os permitissem crescer mais. O potencial comercial do grupo (que não era pequeno) foi perdido por uma enorme falta de estratégia de como lidar com a banda e sua música. E se completou com a perda do “timing”, pois a NWOBHM estava perdendo forças e o Thrash Metal começava a crescer e ter apoio das gravadoras grandes. Basta ver o sucesso comercial de “Master of Puppets”, também de 1986). O RAVEN teve que se contentar em ser uma banda “Cult” pelo resto de sua existência, mesmo fazendo ótimos discos de 1987 para cá.
Capa de “The Pack is Back”. Reparem na diferença de visual entre o passado e esse disco. Mais Glam impossível.
Outros como PICTURE(tanto que “Traitor”, de 1985, eclipsou quase tudo que a banda havia feito de bom antes), SAVATAGE (“Fight for the Rock”, de 1986 só não causou estragos piores porque, um ano depois, lançaram o ótimo “Hall of the Mountain King”, mas nunca cresceram o que podiam) caíram nessa mesma arapuca. O hoje chamado clássico do ACCEPT, “Metal Heart” (de 1985), teve uma recepção cheia de narizes torcidos por parte dos fãs naqueles tempos por conta de elementos mais acessíveis em suas músicas.
Uma clara mostra que os fãs desse tipo de Metal não aceitavam mudanças, e como o próprio público estava mudando (lembrando: a NWOBHM e bandas de Metal tradicional em geral estavam perdendo espaço para o Thrash Metal, enquanto o Hard/Glam e o AOR reinavam supremos nas paradas de sucesso).
Exemplo positivo: METALLICA.
RAVEN e METALLICA durante a “Kill ‘em All For One Tour”
Talvez seja o maior exemplo de todos de quem sabe aproveitar oportunidades.
Disco após disco, sempre cresceram até o sucesso de “Metallica”, mas se observarmos direito, eles sempre usaram estratégias de marketing interessantes, e nunca perderam o “timing”. Estavam sempre no lugar certo, na hora certa e fazendo a coisa certa. Mesmo as idas na direção oposta (o fato de não gravarem vídeos, os discursos contra o Hard/AOR que infestava o cenário dos EUA), e mesmo as brigas com Dave Mustaine na imprensa e a (infeliz) passagem de Cliff Burton os ajudou. Óbvio que tudo isso sempre embasado em músicas de alto nível. Aliás, a banda não fazia concessões, era do jeito deles ou não era (apenas em “Metallica” isso foi mudado, pois a visão de Bob Rock os ajudou a chegarem no próximo nível).
O mesmo vale para KISS (ou acreditam que a presença de Bob Ezrin na produção de“Destroyer”, a guinada para o Hard/Glam nos anos 80, o final da fase mascarada, e mesmo a turnê com a formação original e usando as maquiagens não foram estratégias bem pensadas?), IRON MAIDEN (na biografia “Run to the Hills” se vê como as presenças de Rod Smallwood e de Martin Birch foram importantes em termos de estratégia e mesmo de música) e outros que estão ou no time dos gigantes ou dos grandes. Mesmo o AC/DCcom toda sua atitude ‘fuck you’ teve que se curvar diante da sabedoria comercial de “Mutt” Lange (duvido que queriam ter que trabalhar em empregos comuns na Austrália depois de terem tantos discos lançados). É preciso algo além da música em si para se chegar lá. É preciso estratégia de marketing, e tudo mais que for possível para que a banda atinja o maior número de fãs possível. Mesmo algumas polêmicas podem ajudar (Ozzyque o diga).
Estabelecida a definição de potencial comercial e seus exemplos, podemos analisar um momento histórico problemático: a atual fragmentação do cenário nacional em torno de ideologias políticas. Elas podem ser abordadas como um problema severo e perigosas ao potencial comercial de qualquer grupo (menos os que são gigantes, pois estão acima do bem e do mal).
No Brasil, vemos um tiroteio ideológico de todos os lados. Uns exigem que as bandas se postem politicamente (como se alguém fosse obrigado a isso); o outro lado, por sua vez, defende que o Metal não possui uma ideologia partidária. Em ambos os casos, um bom profissional diria que não se deve cair nesse tipo de armadilha, justamente para não se limitar em termos de público. Em uma visão simplesmente pragmática em termos de marketing, não existem fãs de esquerda ou direita em termos financeiros, apenas fãs que pagam pelo trabalho das bandas. Repetindo de forma mais simplificada e clara: não existem fãs opressores e nem fãs oprimidos, existem fãs!
Vejam bem: no momento em que os ânimos estão divididos entre esquerda e direita, exigir que uma banda se posicione de um lado nessa briguinhas de crianças no pátio de escola (perdoem-me ser sincero, mas é a impressão que tenho) é desagradar um ou outro segmento. A conseqüência óbvia é a perda de uma fatia de público, e isso em uma época em que a venda de discos e audições via streaming não rendem quase nada para os grupos. Estes sobrevivem com venda de merchandising e cachê de shows (aquelas que são suficientemente grandes para tanto), logo, isso significa a perda de dinheiro, e assim, a banda vai definhando até sumir de cena. Sinto muito, mas sentimentalismos underground (e ideologias) não pagam as contas... E ninguém fica gastando do próprio bolso ad infinitum sem ter alguma compensação, a menos tenha ótimas condições (o que o feria opositor de um dos segmentos citados).
Se isso ocorresse nos anos 80, no auge do poder das grandes gravadoras, é certo que alguém delas daria uma bela bronca em engraçadinhos do tipo. Sim, isso daria um belo chute nos fundilhos de quem queria se posicionar. A gravadora queria lucrar, logo, nada mais simples que dispensar os insatisfeitos com suas decisões, pois eles, se não vendem, são dispensáveis.
Sendo sincero: todas as bandas que se meteram nesse balaio de gato ideológico deram um imenso tiro no pé (se é que sobrou algo do pé depois de tantas palhaçadas). Em uma perspectiva futura, o número de audições nas plataformas digitais diminuirá, e a mesma coisa pode ocorrer com a presença do público em shows. Se as mesmas já tocam fora, é possível minimizar esse dano, mas as restritas ao Brasil vão sentir isso mais duramente. Danificaram a potencialidade de angariar público, ou seja, de aumentar a receita financeira que oxigena a carreira do grupo, pois nenhum fã gosta de ser ofendido em suas pessoalidades (ao qual todos têm direito, mesmo que o leitor discorde disso). Talvez por isso uma das bandas que mais se posicionou politicamente antes do pleito do ano passado tenha encerrado as atividades: viram a conseqüência dos próprios atos. Tanto é assim que viraram piada nas redes sociais, até bem mais que foram apoiados. Perderam mais que ganharam, não importam ideologias.
Óbvio que este autor sabe (e viu) da tal lista de bandas ditas “antifas” que anda rolando pela internet, e que traduzindo em miúdos, são as que se posicionaram politicamente em prol da esquerda. Por tudo que posso ver, o encolhimento comercial de cada uma delas é questão de tempo. Inclusive os músicos estão marcados por uma enorme parcela do público, que pelo visto, os perseguirá de tal forma que tudo que tentem pode dar burros n’água. Repetindo: comercialmente, uma banda não tem fãs de esquerda ou direita, mas tem fãs. Ao autor da lista, se ler estas palavras, digo que seu tiro saiu pela culatra: o número de pessoas que afirmou que usará esta lista para evitar essas bandas é enorme. Jogou contra o próprio patrimônio. Se tem banda, se é produtor, enfim, alguém que depende um pouco que seja de capital de giro, errou, ainda mais em tempos que sigilo é algo praticamente inexistente em redes sociais.
Há aqueles que desejam ficar fora dessa estória, inclusive com declarações óbvias. O fato de KORZUS, TORTURE SQUAD e outros estarem com essa posição neutra significa que estão, muito provavelmente, preocupados com suas carreiras a longo tempo, e porque (sabiamente) discordam de ambos os lados nessa peleja cômica (ambas as bandas falaram isso com todas as palavras nos eventos em que existiram manifestações políticas por parte dos fãs). E como dito antes, ninguém tem que ter posição política explícita, a lei garante isso. Se posicionar pró ou contra o atual governo do Brasil, pró ou contra os anteriores, vai terminar em desgaste com o público e perdas que podem não ser reparadas, a menos que as bandas tenham suporte financeiro do exterior (ou seja, já tenha público cativo no exterior).
TORTURE SQUAD
O melhor conselho: deixar que a música falar por si (para as bandas que gostam desse tipo de tema) sem alimentar polêmicas desnecessárias nesse assunto, e não fazer de seus shows comícios. Aliás, uma crítica: qual banda dessas que foi chamada para fazer comício político? Há anos o Metal sempre foi ignorado por partidos e candidatos políticos, enquanto pagam fortunas por artistas mais populares. Sim, nenhum deles vai lá sem ganhar grana ou alguma divulgação (lembremos que a MPB está, criativamente falando, falida há anos, logo, seus artistas precisam se mostrar vez por outra, pois musicalmente é um estilo esgotado). Deixem de ser bobos, façam música, toquem e pronto, ninguém quer saber de suas vidas ou ideologias, quanto mais de suas opiniões partidárias ainda mais quando tentam enfiar isso goela abaixo dos outros, em uma mostra de que não sabem viver em democracia e não respeitam o direito de expressão e pensamento alheios. Querem para si, mas nunca para quem não bate palmas para maluco dançar nessa tragicomédia em que transformaram o cenário.
KORZUS
Pensem: existem conservadores e liberais, pessoas de direta e esquerda, entre membros de bandas famosas. Aliás, não é porque apóia seu pensamento político que o músico/grupo se torna bom (ou se torna ruim por discordar de você). Óbvio que muitos músicos do primeiro time já têm públicas suas opções políticas (ou permitem as pessoas pensar dessa forma), mas eles já estão acima do bem e do mal. Kirk Hammet, Dave Mustaine, Alice Cooper, Gene Simmons, Kerry King... A lista é longa, mas vejam os nomes e de que bandas eles são: só de grupos já consagrados, que qualquer polêmica que pense o leitor, não as atinge. E isso não se aplica a bandas que precisam criar uma sólida base de fãs, que quase têm que mendigar “likes” e visualizações nas mídias sociais. Tapinhas nas costas de correligionários não bancam sua banda, mas fãs.
Óbvio que todos podem (e devem ter) um pensamento político, e mesmo partidário, pois é direto constituído. Agora devem manter isso em seus devidos particulares, sem agredirem a outros (como teimam em fazer no Brasil) por pensarem diferentes, pois fãs agredidos são fãs que não pagam pelos seus trabalhos, são fãs que não vão mais aos seus eventos, não usam suas camisas, não ouvem suas músicas. E se serve de termômetro, são menos “likes” em suas páginas no Facebook.
Se alguém viu partidarismo aqui, lhes direi apenas para tirarem a venda dos olhos. Estou falando de aspectos financeiros e adjacências, e sendo mais honesto que muitos bobocas políticos são. Não bato palmas para maluco dançar como alguns professores falidos fazem, te vendendo luxo como lixo em uma série de mentiras em que eles mesmos não acreditam. Desculpem, mas ninguém é fascista-machista-homofóbico e outros gritos de ordem vazios só porque discorda de vocês e de sua agenda ideológica, e nem me venham com perguntas estilo “você acha que...”, pois não caio em arapucas do tipo. Este autor é PRÓ METAL, entenderam? P-R-Ó-M-E-T-A-L, letra por letra, para ver se soletrando suas mentes emperradas pegam no tranco! Não preciso mandar mensagens subjetivas, mando na lata!
Cabe um testemunho: nos anos 80, existiam diferenças políticas entre os fãs. Isso sempre existiu. O que não existia: NINGUÉM tretava com o outro por causa disso. Basicamente, a geração dos nascidos nos anos 70 parece ter, por conta da educação familiar, entendido o bom e velho “me respeite para ser respeitado”. Não são todos (tem uns velhos por aí que andam aprontando das suas), mas era mais ou menos por aí.
Pronto, tudo preto no branco. Agora, se querem continuar com isso, sigam em frente. Escrevi e avisei, e não posso evitar que se destruam, mas não me envolvam em sua pantomima infantil e cega. Não quero e não vou participar de seus joguinhos de intrigas, fofocas e outros!
Encerrando: a banda ter os pés no chão e avaliar suas possibilidades, o público-alvo e a buscar formas de despertar a curiosidade para começar a estender sua base de fãs, e evitar mexer em temas que dividam seu público (como política, militâncias e partidarismos). No mais, que cada um cuide de sua carreira conforme desejar.
No mais, o Metal é para todos, quer gostem, quer não gostem... Aliás, aos que não gostaram, a porta da rua é serventia da casa.