sexta-feira, 5 de julho de 2019

ANDRALLS - Bleeding For Thrash


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Distro Rock Records / Metal Under Store
Nacional


Tracklist:

1. We Are the Only Ones
2. Andralls on Fire Part III
3. 64 Bullets
4. Bleeding For Thrash
5. Legion
6. Noiséthrash
7. After Apocalypse
8. Imminent Cancer
9. Acid Rain - Fasthrash Version (Subtera)
10. On Fire
11. 27*02*18


Banda:


Alex Coelho - Vocais, Guitarras
Felipe Freitas - Baixo, Backing Vocals
Alexandre Brito - Bateria, vocais em Noiséthrash”


Ficha Técnica:

Caio Monfort - Produção, Gravação, Mixagem
Neto Grous - Masterização
Edu Nascimentto - Artwork


Contatos:

Site Oficial:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A ausência pode destruir todo um trabalho musical criado na base da raça e de muito suor. Isso porque os fãs tendem a ficar desnorteados. Mas ao mesmo tempo, um retorno depois das dificuldades pode dar sangue novo a um grupo.

E é justamente este o caso do trio de Thrashers ANDRALLS, de São Paulo. Depois de um quase fim com a ruptura da formação em 2015 e outros aspectos, eis que eles voltam com sangue nos olhos com “Bleeding For Thrash”, disco que vai causar dores de pescoço!


Análise geral:

Sem Eddie C. (baixo) e Cléber Orsioli (vocais, guitarras), a banda tinha as alternativas de parar ou reformular-se. Escolheram a segunda alternativa, trazendo de volta Alex Coelho (vocalista/guitarrista original), além da entrada de Felipe Freitas (baixo, backing vocals, e ex-NERVOCHAOS), e junto com o remanescente Alexandre Brito(bateria), o grupo deu continuidade à sua saga Fasthrash.

Óbvio que algumas mudanças sutis são perceptíveis, mas sem que a identidade do grupo tenha sido alterada.

Basicamente, “Bleeding For Thrash” é mais um disco ótimo do trio.


Arranjos/composições:

O trio sempre se caracterizou por arranjos não tão rebuscados e técnicos, sempre deixando um toque de Hardcore evidente. Agora, elementos de Metal tradicional, Death Metal e mesmo estilos não convencionais aparecem de forma subjetiva, dando uma requintada ao trabalho musical deles.

Basicamente, soa mais sujo e encorpado, com um enfoque mais denso, mais ainda assim continuam bem velozes, e mantendo a brutalidade. Mas cuidado: não é porque eles tocam rápido que a diversidade rítmica não existe, sem falar que a dinâmica dos arranjos ficou excelente.


Qualidade sonora:

O disco foi gravado no Papirys Studio, tendo Caio Monfort cuidando da produção, gravação, e mixagem, sendo que a masterização é de Neto Grous do Absolute Máster Studio, tudo para dar uma sonoridade vibrante e feroz a “Bleeding For Thrash”.

Todos os instrumentos podem ser ouvidos com clareza e com ótimos timbres em cada um, além de sua devida quantidade de peso. Tudo soa claro, mas mantendo aquela apresentação pesada e agressiva de sempre.



Arte gráfica/capa:

Edu Nascimentto é quem fez a arte da capa, que mostra um lado agressivo e brutal. É algo chamativo, mas que desperta a curiosidade de quem não conhece a banda, bem como deixa claro que eles não perderam a pegada.

Aliás, existe certo “q” orgânico presente nessa arte, coisa de quem é tatuador (como Eduo é).


Destaques musicais:

Pode-se dizer que “Bleeding for Thrash” reapresenta o ANDRALLSaos fãs depois desse tempo todo sem disco inédito (foram 7 anos desde o lançamento de “Breakneck”), e não irá desapontar os antigos seguidores, bem como deve atrair alguns novos.

“We Are the Only Ones” começa com batidas tribais e riffs gordurosos, antes de virar um ataque velos e insano, um cartão de apresentação da nova formação (e que vocais insanos). A pancadaria veloz continua em “Andralls on Fire Part III”e “64 Bullets”, ambas apresentando toques modernos nos riffs de guitarra (embora a segunda apresente alguns momentos mais cadenciados). Em “Bleeding For Thrash”, tem-se uma canção mais seca e direta, um murro nos dentes que vai causar danos nos moshpits da vida (sem falar alguns momentos mais técnicos do baixo que surgem). Já “Legion” tem algo de Death Metal em certas partes de guitarra, mas impera a atordoante velocidade do grupo (e a bateria mostra boa condução e mudanças de ritmo), e o refrão se refere ao REBAELLIUN. Em “Noiséthrash” é justamente onde algumas influências de Metal Industrial aparecem, e é uma música não convencional, uma declaração de pouco mais de um minuto de duração. O pique veloz e com bom trampo de guitarras surge mais uma vez em “After Apocalypse”, seguida do Crossover/Thrash Metal bruto e reto em “Imminent Cancer”. Fazendo uma releitura de “Acid Rain” do SUBTERA, o trio mostra uma influência Thrash moderna, dando uma cara própria à canção (que é o primeiro cover que o trio grava em seus 21 anos de vida). Em “On Fire”, a velocidade thrasher do trio alcança níveis insanos, embora momentos rockers à lá MOTÖRHEADpermeiem os solos. e elementos de Death Metal apareçam aqui e ali. Fechando, a triste e soturna instrumental “27*02*18”, que é uma homenagem do trio a Fabiano Penna, que chegou a tocar com a banda e produzir seus trabalhos.

É, eles voltaram por cima, e na voadora sonora!


Conclusão:

“Bleeding For Thrash” é uma declaração do ANDRALLS, onde dizem “estamos vivos e mais agressivos que nunca”, e podem acreditar: eles ainda têm muita, mas muita lenha para queimar!

Preparem-se para torcicolos bem longos e sofridos!


Nota: 9,0/10,0


Bleeding For Thrash



On Fire



Spotify

quinta-feira, 4 de julho de 2019

MYRKGAND - Old Mystical Tales


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Of the Blue Fire
2. Black Thunders of Zýr
3. Foreseeing the Future
4. Aquariü
5. Ghostwoods
6. Dunkelelf
7. Summoning the Cryptic Dæmonium
8. No Ímpeto da Fúria
9. Trolls Filthy Madfeast
10. Chthonian Cyclops


Banda:


Dmitry Luna - Todos os instrumentos, Vocais


Ficha Técnica:

Dmitry Luna - Produção
Roland Grapow - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização, Guitarra Solo #2 em “Chthonian Cyclops”
Emerson Maia - Artwork
Antônio César - Artwork
Christophe Szpajdel - Logotipo
Antônio Araújo - Vocais limpos em “Aquariü”
Luiz Carlos Louzada - Vocais urrados adicionais em “Black Thunders of Zýr”
Renato Matos - Vocais (coros) em “Summoning the Cryptic Dæmonium”
Trollmannen - Vocais urrados adicionais em “Trolls Filthy Madfeast”
Liv Kristine - Vocais limpos em “Chthonian Cyclops”
Ashok - Guitarra Solo #2 em “Of the Blue Fire”
Marcus Siepen - Guitarra Solo em “Black Thunders of Zýr”
Danilo Coimbra - Guitarra Solo em “Foreseeing the Future”
Vito Marchese - Guitarra Solo em “Aquariü”
Micha Meyer - Guitarra Solo em “Ghostwoods”
Rodrigo Berne - Guitarra Solo em “Summoning the Cryptic Dæmonium”
Claydson Silva - Guitarra Solo em “No Ímpeto da Fúria”
Dr. Leif Kjønnsfleis - Guitarra Solo em “Trolls Filthy Madfeast”
Kevin Kott - Bateria


Contatos:

Site Oficial: https://myrkgand.com/
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Embora o cenário Metal brasileiro viva com problemas constantes de todos os tipos (inclusive causados por bandas e fãs), é de se surpreender a criatividade e fertilidade. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, em todos os estados do país, bandas de vários gêneros de Metal criam discos que são memoráveis, e que muitas vezes não recebem a devida acolhida.

Um deles é “Old Mystical Tales”, segundo disco do MYRKGAND, banda de um único integrante de João Pessoa (PB). Realmente, um ótimo disco!


Dmitry Luna
Análise geral:

Não é lá tão simples definir o que a banda faz. Sua música é de origem extrema, mais próxima ao Black Metal por conta de seus elementos estéticos principais, mas alguns toques de Death Metal, junto com adornos melódicos e mesmo influências de Pagan/Folk Metal vão aparecendo e deixando o som mais diversificado. Basicamente, é algo que é extremo, mas que não tem pudores de ser diferente do modelo “Default” que tantos usam.

Além disso, em comparação com “Myrkgand”, primeiro disco do grupo lançado em 2017, a evolução em termos ecléticos se expandiu muito. E é preciso citar que, mais uma vez, músicos reconhecidos no cenário participam do disco. Músicos que possuem experiência em nomes como CRADLE OF FILTH, HELLOWEEN, MASTERPLAN, AT VANCE, BLIND GUARDIAN, THEATRE OF TRAGEDY, VULCANO, KORZUS, IRON ANGEL, entre outros.


Arranjos/composições:

É onde o MYRKGAND ganha o jogo.

Se em “Myrkgand” a música ainda era um pouco presa ao horizonte extremo, agora a diversidade impera. Basicamente, é cheio de melodias (sejam Pagan/Folk, sejam Symphonic Black Metal, ou mesmo de Metal tradicional), ótima diversidade técnica, com tudo sendo consensual.

O caos criativo que se manifesta em “Old Mystical Tales” se mostra em uma dinâmica de arranjos de primeira. Não existe música “reta” nesse disco, é tudo ritmicamente variado.


Qualidade sonora:

Outro ponto extremamente forte do álbum.

“Old Mystical Tales” foi inteiramente gravado na Europa, nos Grapow Studios na Eslováquia, sob a tutela de Roland Grapow (que mixou e masterizou o disco, e ajudou a produzir, sem contar a participação no solo de guitarra em “Chthonian Cyclops”). Por isso a sonoridade está ótima, sendo equilibrado em termos de extremo e melodioso, mas de uma maneira limpa, que o ouvinte consegue assimilar.

O toque de agressividade vem dos timbres instrumentais usados, o que deu um toque de crueza interessante ao resultado final.


Arte gráfica/capa:

A apresentação do disco é em formato Digipack de 3 partes, em um papel especial, inclusive com as partes internas decoradas. A arte de Emerson Maia e Antônio César ficou excelente, com um jeito mais voltado às pinturas antigas de discos brasileiros, mas ao mesmo tempo, usando a estética moderna bem feita. Além disso, o uso de letras prateadas deu um toque extra de requinte.

Veja abaixo alguns detalhes e capa e contracapa:

Capa com letras prateadas

Contracapa com letras prateadas


Destaques musicais:

Basicamente, o MYRKGAND faz de “Old Mystical Tales” uma exibição de músicas de alto nível, equiparadas ao nível europeu. E de suas 10 canções, o disco marca o ouvinte de forma que a audição contínua se torna um vício. “Of the Blue Fire” mostra um corpo típico de Black/Death Metal melodioso, com ótimas mudanças de ritmo e guitarras de primeira. Alguns ritmos quebrados não convencionais aparecem em “Black Thunders of Zýr”, além de momentos mais extremos e velozes (baixo e bateria mostram criam uma base rítmica sólida e com boa técnica), mas as melodias nos solos de guitarra são algo reconfortante, sem mencionar o uso pontual de vocais limpos. O lado Pagan/Folk épico começa a aflorar mais evidentemente nos tempos mais refreados de “Aquariü”, outra canção rica em ambientações e com ótimos teclados. Evocando uma ambientação mais sinistra e seca, vem “Ghostwoods”, onde os riffs cortantes realmente cativam. Em “Dunkelelf”, mais uma vez o andamento se torna cadenciado, priorizando todas as partes de teclados elegantes e sinistras, além do uso de vocais contrastando entre o urrado e o suave agonizante. Ainda em tempos mais lentos, vem a aconchegante e permeada por melodias Folk “Summoning the Cryptic Dæmonium”, com um trabalho bem variado na base rítmica. A opressão musical imposta por “Chthonian Cyclops” vem justamente da fusão de partes extremas com momentos mais melodiosos, inclusive com “inserts” de vocais femininos que encaixaram como uma luva. Estas são as melhores, embora o disco inteiro seja ótimo.


Conclusão:

A verdade é que “Old Mystical Tales” é um disco ótimo, que eleva o nível do que o MYRKGAND já havia feito. E pelo visto, pode levar a banda a um reconhecimento maior no exterior.

Que assim seja!


Nota: 9,4/10,0


Of the Blue Fire



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terça-feira, 2 de julho de 2019

IN FLAMES - I, The Mask


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Voices
2. I, The Mask
3. Call My Name
4. I Am Above
5. Follow Me
6. (This is Our) House
7. We Will Remember
8. In this Life
9. Burn
10. Deep Inside
11. All the Pain
12. Stay with Me
13. Not Alone (Bônus)


Banda:

Crédito foto: William Felch/WombatFire

Anders Fridén - Vocais
Björn Gelotte - Guitarras
Niclas Engelin - Guitarras
Bryce Paul Newman - Baixo
Tanner Wayne - Bateria


Ficha Técnica:

Howard Benson - Produção
Chris Lord-Alge - Mixagem
Ted Jensen - Masterização
Blake Armstrong - Artwork
Howard Benson - Teclados adicionais
Joe Rickard - Bateria


Contatos:

Site Oficial: www.inflames.com
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Vez por outra, bandas antigas acabam se transformando. Para aqueles que observam dois álbuns isolados, é impossível notar a evolução (palavra que anda cada vez mais sendo avacalhada por bangers da Old School, embora não haja motivo para tanto). Para quem acompanha a carreira de uma banda, essa “mudança” é algo consensual, não surge do nada, por mera decisão dos músicos.

Para aqueles que conhecem o quinteto sueco IN FLAMES de longos anos, entenderão que “I, The Mask” não vem nesse formato como um acaso do destino. Aliás, a parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil tornou o acesso ao disco mais simples (e barato).


Análise geral:

O quinteto, um dos fundadores do Melodic Death Metal e pioneiro do “Gothenburg sound”, chega com um disco que é, ao mesmo tempo, fácil de gostar, mas difícil de entender.

“I, The Mask” mostra toda a vibração moderna das bandas de sua região, uma variação moderna e acessível do Melodic Death Metal que está bem próxima ao Metalcore em alguns momentos (graças aos vocais limpos em alguns momentos), com leve acento melancólico. Mas cuidado, pois o grupo ainda pega pesado e agressivo em várias partes desse disco (a própria faixa-título remete ao Melodic Death Metal em muitos elementos). Existe esse contraste, essa coisa de “luz e sombra”, Yin e Yang, que permeia o disco inteiro.

Ou seja, a banda acertou a mão!


Arranjos/composições:

Basicamente, não seria tão heresia dizer que “I, The Mask” quase que compila a carreira do grupo em um único disco. Basicamente, elementos de clássicos como “Whoracle”, “Clayman”, e “Soundtrack to Your Escape” são mesclados à abordagem moderna e atual dos últimos trabalhos. Em comparação a “Battles”, seu último disco, “I, The Mask” seria uma seqüência lógica, bem feita, mas bem mais burilada e consensual.

Em termos de espontaneidade, esse disco soa livre, solto e pronto para ganhar novos fãs.


Qualidade sonora:

O quinteto faz uma aposta alta, pois trouxe Howard Benson para ser o único produtor do disco (uma vez em quem “Battles”, ele teve um parceiro), sem ninguém com quem dividir a responsabilidade, apenas tendo Chris Lord-Alge na mixagem e Ted Jensen na masterização. Tudo para que “I, The Mask” soe solto e livre de preocupações, com uma clareza enorme e bons timbres instrumentais.

Mas cuidado: a banda não abre mão de partes agressivas e velozes em certas canções (como em “I, The Mask”), onde o lado Melodic Death Metal se evidencia e quase que arruína os tímpanos alheios.


Arte gráfica/capa:

Fugindo do jeito “papo cabeça” da arte de alguns discos anteriores, a arte de Blake Armstrong chega a soar um pouco irônica e mesmo divertida, o que encaixa com o jeito solto da música que eles puderam nesse álbum. Mas como existe certa dose de agressividade e mesmo horror na arte, a capa mostra claramente os contrastes musicais criados pelo quinteto.


Destaques musicais:

“I, The Mask” marca duas mudanças na formação do grupo: o baixista Bryce Paul Newman entrou no lugar do veterano Peter Iwers (que estava na banda desde “Colony”), e Tanner Wayne entrou na bateria em substituição a Joe Rickard (que gravou o disco inteiro, deixando para seu sucessor as partes de uma única canção, que é “(This is Our) House”). Mas isso não parece ter influenciado muita coisa, pois quando o IN FLAMES está inspirado, é uma banda difícil de ser segurada.

O disco inteiro é ótimo e inspirado, mas roubam completamente a cena a modernosa e intensa “Voices”com seu jeito melodioso impecável (e que belo uso de contrastes nos timbres vocais, do urrado ao suave sem pudores, e o refrão é uma maravilha), a brutalidade desmedida de “I, The Mask” (a velocidade e explosão levam a mente até os tempos de “Whoracle”/”Colony”, embora o refrão tenha uma pegada mais voltada ao trabalho atual do grupo), os contrastes entre agressividade e suavidade que permeiam “Call My Name” (as guitarras despejam riffs excelentes), a pegada mais soturna e introspectiva de “Follow Me” e de “We Will Remember” (uma escorregadinha e ambas seriam dois Metalcore de respeito, pois são as canções mais acessíveis do disco, ambas mostrando riffs ótimos), “Burn” e seu jeito Melodic Death Metal clássico (embora adornada com melodias ótimas e um refrão marcante, e um trabalho de primeira de baixo e bateria), o tempo mais cadenciado e ganchudo de “Deep Inside” (outra em que boa parte do lado Death Metal do quinteto aparece, mas contrastando com partes extremamente acessíveis, algo que só eles parecem ter a cara dura de fazer), e a sinistra balada “Stay with Me” (onde o lado melancólico aflora de vez, e é uma canção que remeterá o ouvinte a “Siren Charms” em seus momentos mais pesados. E “Not Alone”, faixa extra da versão nacional, despeja um Metalcore intenso que flerta com o Gothic Rock.


Conclusão:

“I, The Mask” é um disco corajoso, mas o IN FLAMES sempre desafia seus fãs. Logo, podem ter certeza: reclamem ou aplaudam, eles mais uma vez fizeram um disco de primeira.


Nota: 9,1/10,0

I, The Mask



Call My Name



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MYRATH - Shehili


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Asl (Intro)                                                    
2. Born to Survive            
3. You’ve Lost Yourself      
4. Dance                            
5. Wicked Dice                 
6. Monster in My Closet   
7. Lili Twil                         
8. No Holding Back         
9. Stardust                      
10. Mersal                         
11. Darkness Arise             
12. Shehili


Banda:


Zaher Zorgati - Vocais
Malek Ben Arbia - Guitarras
Anis Jouini - Baixo
Elyes Bouchoucha - Teclados, Backing Vocals
Morgan Berthet - Bateria


Ficha Técnica:

Kévin Codfert - Engenharia, Gravação, Produção, Mixagem
Eike Freese - Mixagem, Masterização
Jens Bogren - Masterização, Mixagem
Paul Thureau - Arte da Capa
Perrine Perez Fuentes - Artwork
Laura Billiau - Artwork
Lotfi Bouchnak - Vocais adicionais em "Mersal"
Mehdi Ayachi - Vocais em "Asl"
Pierre Danel - Violão
Kévin Codfert - Piano, Guitarras adicionais
Mohamed Gharbi - Violino
Bechir Gharbi - Violino
Hamza Obba - Violino
Riadh Ben Amor - Violino
Mohamed Lassoued - Viola
Samir Sghaier - Viola
Skander Ben Abid - Clarinete
Koutaiba Rahali - Nay, Gasba


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A Tunísia é um país localizado ao norte do continente africano, e historicamente falando, sua maior referência foram as Guerras Púnicas, onde o Império Romano travou uma longa guerra a Cartago, o que levou à destruição completa da cidade. Além disso, tem uma longa história colonial, até se tornar independente em 1956.

Mas o que é interessante é ver uma banda como o MYRATH surgir naquelas paragens, e com um nível musical tão elevado. “Shehili” é uma autêntica obra de arte em termos de Metal.


Análise geral:

Tentar rotular o trabalho do grupo não é muito simples.

Imaginem uma mistura dos melhores elementos do Prog Metal do DREAM THEATER (mas não tão eclético) com as melodias orientais do ORPHANED LAND e algo de modernidade, e mesmo alguns toques épicos. Pois é, o grupo realmente mostra uma identidade única, bem como sua forma de fazer música mistura técnica, peso, ótimas melodias (algumas bem simples de serem assimiladas), refrães marcantes, enfim, tudo na medida certa.

Não é à toa que são a primeira banda tunisiana a assinar com um selo.


Arranjos/composições:

Como dito acima, não seria nenhum pecado rotular a banda como “Oriental Prog Metal”, embora não lhes faria toda justiça. E como “Shehili” é o quinto disco do grupo, tudo soa maduro e em seu lugar, com arranjos instrumentais que se encaixam como um complexo quebra-cabeça, mas sem que soe extremamente técnico ou cansativo.

Além do mais, se percebe que a técnica instrumental tem um propósito, uma motivação, não é uma exibição de egos. Desta forma, a música da banda soa bem esmerada, mas com forte apelo melódico aos ouvidos.

E é de uma beleza ímpar!


Qualidade sonora:

O trabalho de gravar, mixar e masterizar “Shehili” não foi simples, pois teve partes gravadas na Tunísia, na Alemanha e na França. E assim, vários profissionais estão envolvidos nessas etapas, embora a produção seja de Kévin Codfert (tecladista do ADAGIO). Apesar disso, o disco soa consensual, forte e pesado, mas sempre com uma clareza instrumental enorme.

A modernidade que permeia a música do grupo vem da timbragem instrumental, especialmente das guitarras. Mas tudo foi burilado de forma a não soar embolado, e isso levando em consideração que o disco é cheio de instrumentos musicais que não convencionais do Metal (como violinos, violas, e mesmo clarinetes).

Traduzindo: é de alto nível!

MYRATH ao vivo

Arte gráfica/capa:

Paul Thureaué quem fez a capa de “Shehili”. Apesar dos contrastes de cores bem simples (preto, branco e tons de azul), é algo exótico, bem feito e que encaixa em todo conceito musical da banda.


Destaques musicais:

A bem da verdade, pode-se se dizer que “Shehili” brilha por sua música bem trabalhada, mas que é fácil de gostar, especialmente porque a banda evita canções extremamente longas, preferindo ficar sempre transitando entre 3 e 4 minutos de duração.

Das 12 canções, se destacam: “Born to Survive” (que se inicia com um ritmo oriental interessante, antes de mostrar sua vocação Prog Metal, com ótimas melodias e um refrão que gruda nos ouvidos), as melodias sinuosas e densas de “You’ve Lost Yourself” (os teclados providenciam uma colcha sonora ótimas para as partes rítmicas do grupo, que são ótimas, e outro super-refrão surge nessa canção), o ritmo que mistura melodias orientais com elementos Progs modernos de “Wicked Dice” (ótimos vocais, verdade seja dita, com ótimo conjunto de timbres), a sedução melodiosa e tenra do refrão de “Monster in My Closet” (reparem nos violinos presentes e ótimas guitarras), o Prog Metal oriental e cheio de sutilezas de “Lili Twil” (algumas partes com elementos “noir” de Jazz surgem vez por outra, evidenciando baixo e bateria), as melodias mais simples e pegajosas de “No Holding Back” (os elementos percussivos orientais casaram muito bem com os teclados e violas), a beleza introspectiva de “Stardust”, e a grandiosidade Prog/Oriental de “Shehili” são as melhores, mas este disco é ótimo de ponta a ponta.


Conclusão:

Eis que pode estar nascendo uma lenda no Metal, uma vez que o MYRATHtem tudo para agradar os fãs mais exigentes. E se necessário, “Shehili”é o passaporte para vôos mais altos.

Ah, sim: a versão nacional, lançada pela Shinigami Records, pode ser adquirida seja seja em Digipack, seja em Jewelcase.

Nota: 97,0/100,0

Dance





No Holding Back



Spotify