quinta-feira, 16 de maio de 2019

POSSESSED - Revelations of Oblivion


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Chant of Oblivion
2. No More Room in Hell
3. Dominion
4. Damned
5. Demon
6. Abandoned
7. Shadowcult
8. Omen
9. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple of Samael


Banda:

Jeff Becerra - Vocais
Daniel Gonzalez - Guitarras
Claudeous Creamer - Guitarras
Robert Cardenas - Baixo
Emilio Marquez - Bateria


Ficha Técnica:


Jeff Becerra - Produtor
Daniel Gonzalez - Co-Produtor
Peter Tägtgren - Mixagem, masterização
Zbigniew Bielak - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial: www.possessedofficial.com
Facebook: www.facebook.com/possessedofficial
Instagram: https://www.instagram.com/possessed_official
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Quem criou o Death Metal, afinal de contas?

Eis a pergunta que nunca terá uma resposta satisfatória. As teses são múltiplas, e a documentação escassa. Mas há um consenso que DEATH e MASTER (quando ainda era chamado DEATH STRIKE) são pioneiros, mas a verdade é que o quarteto POSSESSED, de San Francisco (Califórnia), foi o primeiro a lançar um disco que se tornou uma das fundações do gênero, o clássico “Seven Churches” (1985). Mas mesmo com isso, a banda se dizia “uma banda de Thrash Metal influenciada por EXODUS e bandas de Hardcore” (conforme uma antiga Rock Brigade de 1987), o que ficaria bem evidente em “Beyond the Gates” (1986) e em “The Eyes of Horror” (EP de 1987).

Deixando de lado qualquer polêmica sobre isso, a grande pergunta desse review é: a que o POSSESSED vem com “Revelations of Oblivion”, seu primeiro álbum depois de 31 anos de seu último disco oficial?

Todos podem conferir, pois a Shinigami Recordsem conjunto com a Nuclear Blast Brasillançaram esta pedrada por aqui.


Análise geral:

POSSESSED

É preciso passar uma borracha no que o grupo fez em “Beyond the Gates” e “The Eyes of Horror”, pois apesar de alguns toques Thrash Metal aqui e ali (que lhes eram tão naturais que chegaram a ser comparados aos SLAYER entre 1985 e 1986), “Revelations of Oblivion” pode ser dito uma continuação do Death Metal clássico do grupo.

Basicamente, pode-se dizer que Jeff Becerra(vocalista e único membro da formação clássica do grupo) conseguiu pegar a essência musical do POSSESSEDdaqueles tempos e trazer para a atualidade, mas sem que soe datado.

Sim, é o mais puro Old School Death Metal, o mesmo que fez com que nomes como MORBID ANGEL, CANNIBAL CORPSE, BOLT THROWERe outros começassem a despedaçar ouvidos.


Arranjos/composições:

O estilo do grupo (hoje um quinteto) não tem erros, pois fazer Old School Death Metal não chega a ser difícil. Mas a criatividade em termos de arranjos mostrada aqui é prova de que os outros membros da banda têm espaço para destilarem suas idéias.

Sim, é o som do POSSESSED, mas adornado com as influências novas, que dão um frescor de novidade a “Revelations of Oblivion”. Aliás, é bom que se diga que o aspecto técnico ficou ótimo, mas sem criar algo que destoe do passado.


Qualidade sonora:

A escolha por Peter Tägtgren para cuidar da mixagem e masterização se mostrou acertada, criando uma aura nova e fresca para as canções, criando uma sonoridade que é brutal e agressiva, mas que permite que tudo soe claro e audível sem esforços extra.

O mais interessante são os timbres: embora soem modernos e claros, existem alguns (como os dos tons da bateria durante as viradas) soam próximos aos de “Seven Churches” em alguns momentos.


Arte gráfica/capa:

A arte de Zbigniew Bielak ficou muito bem trabalhada, dando a idéia de que o conteúdo musical é um pandemônio (o que não é irreal). Muito bonita, verdade seja dita.

POSSESSED ao vivo


Destaques musicais:

É bom que se evite buscar algo dos discos anteriores da banda em “Revelations of Oblivion”. O disco é um murro nos ouvidos, o mais puro Old School Death Metal possível feito com uma estética moderna e fresca. Mas as músicas são ótimas, todas elas.

No More Room in Hell: uma faixa veloz e brutal de abertura, como o grupo costumava fazer, sendo que a diferença fica por conta dos bumbos velocíssimos e toques mais técnicos. E a voz não perdeu nada, parece que retornamos a 1986.

Dominion: outra em que a velocidade impera (talvez seja a única coisa mais atualizada em termos de elementos musicais do grupo). Uma aula de solidez e boas conduções rítmicas extremas.

Damned: apesar dos bumbos duplos velozes, muito dos riffs trazem um carrego Thrash Metal semelhante ao que se ouve em “Beyond the Gates”: técnica, partes insanas e envolventes.

Shadowcult: de novo partes muito bem trampadas surgem nas guitarras, mas logo a base rítmica impõe mudanças de tempo absurdas. Ótima, inclusive com momentos mais cadenciados de primeira.

Omen: teclados tenebrosos adornam os riffs iniciais, mas logo o foco se torna o trabalho as guitarras. Esta canção mostra a clara influência do MOTÖRHEAD por conta de um toque sutial (mas perceptível) re Rock ‘n’ Roll sujo nos riffs.

The Word: alguns elementos de Death Metal pós anos 90 surgem nas guitarras (especialmente nos solos bem feitos, evitando aqueles em que a guitarra aparenta estar sendo estrangulada), que que bases chapantes e vocais insanos!

Graven: uma pancadaria mais simples e direta, uma golfada Death Metal cheia de energia, novamente com ótimas partes cantadas.

A bem da verdade, o que pode incomodar os fãs mais antigos é justamente porque o POSSESSED vem para mostrar vida, mostrando que souberam evoluir sem perder a essência dos anos 80.


Conclusão:

É fato que o nome do agora quinteto tem um peso enorme, e é fato que eles fizeram de “Revelations of Oblivion” um disco excelente, e doa a quem doer, o POSSESSED está vivo e disposto a retomar seu devido lugar.


Nota: 93,0/100,0


No More Room in Hell



Spotify


MAGNETRON - Rotting


Ano: 2016
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Mutilation Eternal                   
2. Rotting              
3. Nightmare         
4. Decay


Banda:


Dan - Bateria,Vocais
Bruno - Guitarras
Antônio - Baixo


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Aquilo que se convencionou chamar de Death/Thrash Metal tem renascido pelo mundo todo após anos no ostracismo. Bandas e mais bandas surgem todos os dias devotando seus esforços nesse estilo que por si só é cheio de misturas diferentes. E em uma vertente mais clássica do gênero, o trio MAGNETRON, de Rio Bonito (RJ), mostra a cara com seu segundo trabalho, o EP “Rotting”, lançado em 2016, e que agora é centro das atenções desse “review”.


Análise geral:

Basicamente, temos o formato do gênero que foi amplamente ouvido nos anos 90, ou seja, uma música feita prioritariamente com vocais guturais, mas cujos riffs remetem diretamente ao Thrash Metal mais sujo e agressivo de nomes como SLAYER. Nos solos, muita melodia e boa técnica, a base rítmica é sólida, e tudo isso permite a banda mostrar sua personalidade.

Ainda carecem de mais maturidade, mas mostram potencial para deixarem pescoços com torcicolos por semanas!


Arranjos/composições:

É justamente o ponto onde o grupo precisa amadurecer.

Eles estão em um nível muito bom, com arranjos de assimilação simples pelos ouvidos, boa diversidade técnica (sem ficarem carregados demais, o que os colocaria com uma banda de Techno Thrash Metal), mas ainda tem certo ar de ingenuidade. Não, não está ruim de forma alguma, e nem chega a ser comum (ou seja, estariam na média), mas poderia ser ainda melhor, algo que shows e ensaios irão corrigir.

No mais, a banda capricha e é capaz de mostrar partes que realmente grudam nos ouvidos, além de não serem adeptos de músicas de um fôlego só. É bem diversificado, com alguns toques melodiosos bem vindos.


Qualidade sonora:

A produção busca equilibrar a crueza brutal com um bom nível de clareza. E funciona bem (basta observar que na música “Rotting”, baixo e bateria mostram bons timbres), embora pudesse ser algo ainda mais bem finalizado. Ma verdade seja dita: está em um nível ótimo para um trabalho independente (e todos sabem o quanto é suado fazer algo do tipo no Brasil).


Arte gráfica/capa:

A capa mostra uma ilustração simples, mas direta e cuja mensagem é evidente. Um trabalho bem legal, e que faz com que as atenções fiquem centradas na música.


Destaques musicais:

“Rotting” veio ao mundo para causar torcicolos e dores de ouvidos se ouvidos no volume mais correto possível (ou seja, bem alto). E sangra em energia crua e bruta, logo, é para deixar o ouvinte em com os neurônios apitando!

Mutilation Eternal: basicamente, é um Death Metal dos anos 90 em termos de linhas harmônicas, mas cheia de arranjos de guitarras que remetem ao Thrash Metal (além do solo mostrar ótimas melodias). As partes mais lentas

Rotting: as partes mais lentas podem lembrar os ouvintes do que bandas como MAYHEM faziam em seus trabalhos iniciais, pois a ambientação é bem obscura. Aliás, que boas conduções de ritmo.

Nightmare: nesta, os andamentos ficam em um meio termo, embora existam momentos em que o peso se torna cadenciado e opressivo. Novamente, a base baixo e bateria faz bonito, sem deixar de mencionar que os vocais são bem legais (mas podem melhorar).
                     
Decay: fechando o EP, uma canção mais trampada que as anteriores, com momentos técnicos e ótimas mudanças de ritmo. Destaque para as guitarras, que mostram riffs muito bons e boa dose de criatividade.


Conclusão:

Sendo do segundo trabalho do trio (o primeiro é o EP “Inside of War”, de 2014), o MAGNETRON mostra em “Rotting”que, apesar da necessidade de lapidar um pouco mais suas canções e amadurecer sua personalidade, tem potencial para alçar vôos mais altos.


Nota: 76,0/100,0


Mutilation Eternal




Spotify

terça-feira, 14 de maio de 2019

THERION - Theli


Ano: 1996 (Lançamento) / 2019 (Relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Preludium
2. To Mega Therion
3. Cults of the Shadow
4. In the Desert of Set
5. Interludium
6. Nightside of Eden
7. Opus Eclipse
8. Invocation of Naamah
9. The Siren of the Woods
10. Grand Finale / Postludium
11. In Remembrance
12. Black Fairy
13. Fly to the Rainbow


Banda:


Christofer Johnsson - Guitarras, vocais, teclados
Jonas Mellberg - Guitarras, guitarra acústica, teclados
Lars Rosenberg - Baixo
Piotr Wawrzeniuk - Bateria, vocais


Ficha Técnica:

Therion - Produção
Gottfried Koch - Produção, engenharia de som
Jan Peter Genkel - Produção, engenharia de som, mixagem
Peter Grøn - Arte da capa
Joachim Gebhardt - Vocais (baixo)
Klaus Bülow - Vocais (baixo)
Constanze Arens - Vocais (soprano) em “Interludium”
Riekje Weber - Vocais (alto) em “Interludium”
Stephan Gade - Vocais (tenor) em “Interludium”
Dan Swanö - Vocais
Anja Krenz - Vocais (soprano)
Axel Pätz - Vocais (barítono, baixo)
Raphaela Mayhaus - Vocais (soprano)
Bettina Stumm - Vocais (soprano)
Ursula Ritters - Vocais (alto)
Ergin Onat - Vocais (tenor)
Jan Peter Genkel - Piano, teclados, programação
Gottfried Koch - Teclados, programação


Contatos:

Site Oficial: http://therion.se
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A primeira metade dos anos 90 viu o Metal ter que retornar ao underground após o período mainstream dos anos 80 (quando Glam Metal e Thrash Metal estavam mais em evidência). A queda de produção dos titãs parece ter sido um catalisador para o renascimento do Death Metal. E quem viu os anos 80, lembra o rebuliço que “Into the Pandemonium” do CELTIC FROST, pois era bem indigesto ao radicalismo da época algo tão diferente e inovador.

Mas a verdade é que eles semearam algo que, no futuro, se tornaria uma vertente sólida do Metal, o famoso Symphonic Metal. E nisso, o grupo sueco THERION é um dos responsáveis por tirar o estilo do ostracismo e dar-lhe uma repaginada. E o fruto do que já vinha começando a surgir em “Beyond Sanctorum” (1992) e foi evoluindo em “Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas” (1993) e “Lepaca Kliffoth” (1995) desabrocha de vez em “Theli”, disco que redefiniria não só o som da banda, mas gera toda uma nova visão do que seria o Symphonic Metal dali por diante. E para os “atrasildos” de plantão, a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil prestaram um serviço de primeira e tornaram-no acessível a todos, brindando os fãs com uma versão nacional dele.


Análise geral:

Talvez para os mais jovens, “Theli” possa não ter o mesmo charme de sua época, tendo em vista o quanto o estilo já evoluiu (inclusive por contribuições posteriores do próprio THERION), mas existe nele uma magia, um gosto de novidade que transcendeu o tempo. Muito pouco do jeito Death Metal das origens aparecem no disco, que é recheado por orquestrações perfeitas e vocais operísticos, contribuições da North German Radio Choir e do Siren Choir. Mas se permitam perceber as influências de Metal tradicional, Classic Rock e outros que permeiam todo o álbum.

Pode-se dizer que “Theli”é a expansão das possibilidades mostradas pelos mestres dos anos 80, mas dando consensualidade ao estilo, tornando-o coerente.


Arranjos/composições:

THERION
Se antes a banda, mesmo usando de expressões Death Metal com Doom Metal, e mesmo traços de Metal tradicional europeu, aqui elas se diluem e ganham corpo e grandiosidade. “Theli”não é um disco de Metal extremo, embora muito de sua ambientação seja soturna.

Os arranjos são grandiosos graças às orquestrações de teclado muito bem feitas, aos pianos e aos sons programados que trazem aquele “feeling” de uma orquestra por trás dos instrumentos clássicos do Metal. E apesar de alguns vocais típicos de Metal, a maior parte é focada em corais operísticos. Basicamente, é uma orquestra Metal com seus cantos. Nas guitarras, baixo e bateria, não se chega a ter algo extremamente técnico, justamente para que as músicas sejam simples de serem assimiladas. A diversidade musical vem das variações rítmicas dentre as músicas, que são bem diferentes mutuamente.

Óbvio que muitos poderiam pensar que tanta diversidade faria de “Theli” um disco difícil de ser assimilado pelos ouvintes. Longe disso, pois a base instrumental tece arranjos não muito complicados, e cada refrão é de uma beleza envolvente e acessível.


Qualidade sonora:

Jan Peter Genkel (do LACRIMOSA, e que produziu CRADLE OF FILTH, DREAMS OF SANITY, entre outros) e Gottfried Koch (também do LACRIMOSAe que trabalhou com DREAMS OF SANITY, PYOGENESIS, NIGHTFALL) fizeram a produção de “Theli”, fugindo aos padrões da época, justamente por fazerem algo que fundisse o peso e agressividades de guitarras, baixo e bateria com uma ambientação clássica que desse ênfase ao lado sinfônico.

Além disso, a produção consegue dar um “boost” quando necessário no peso (como nas guitarras de “Cult of the Shadows”), mostrando que foi um trabalho esmerado e feito com bastante calma, além de que a adição de tantos cantores de ópera resultou no disco em que a gravadora mais gastou grana (aparentemente, 28000 Euros, tanto que narra uma lenda que Markus Staiger, dono da Nuclear Blast Records, na época ainda um selo pequeno, vendeu o carro para poder bancar o disco, tanto que aparece um agradecimento da banda a ele no encarte remetendo a isso, embora digam por aí que foi apenas uma piada). Mas valeu cada centavo.


Arte gráfica/capa:

THERION ao vivo
Se a banda mostrava em seus discos anteriores capas que ainda remetiam ao Metal, até nisso “Theli”foi um passo adiante. Na capa, uma arte de Peter Grøn que mostra Set, deus egípcio do mal. Pode ser uma figura ligada ao termo caldeu “theli”, que vem a ser o grande dragão que circunda todo universo.

E que trabalho bonito, bem feito e de bom gosto, que combina com o conteúdo musical.


Destaques musicais:

Hoje, mesmo depois de quase 23 anos de seu lançamento original (o disco foi lançado em 9 de Agosto de 1996), “Theli” continua sendo maravilhosamente envolvente e criativo, sedutor e grandioso. Embora o disco não soe datado (pois é um clássico), os fãs que adoram exageros podem achá-lo simples (o que em essência ele é) em relação ao que o próprio THERION faria mais adiante, ou o que outras bandas com elementos sinfônicos fariam.

Aliás, é bom que se diga: a estrutura de “Theli” é semelhante a de uma ópera, com introdução, interlúdio e final.

Preludium: é uma introdução climática, focada em teclados e piano. Serve como uma preparação aos ouvidos

To Mega Therion: e aqui começa o êxtase. Uma introdução com vocais operísticos com partes de guitarras em crescendo, mas é uma faixa sinuosa, quase como se uma música clássica escrita para o formato Metal, cheia de arranjos maravilhosos de teclados e guitarras. Basicamente, é a canção mais conhecida do disco.

Cults of the Shadow: essa é outra clássica do disco. Mezzo grandiosa, mezzo acessível, a presença de vocais normais é sensível e brilhante, sem mencionar que o ritmo é grudento, com uma solidez incrível por parte da base rítmica.

In the Desert of Set: aqui, certo toque de World Music é percebido por conta de alguns toques orientais. Guitarras e teclados fazendo um trabalho melodioso de ótimo gosto nos solos. Os tempos mais lentos dão um toque mais sombrio ao trabalho dos vocais. Ela ganha um pouco mais de gás e energia do meio em diante, onde os vocais normais e uns tons mais agressivos normais se encaixam perfeitamente.

Interludium: É outra canção instrumental pequena, e como o nome diz, é uma pausa, focada mais em guitarras, baixo e bateria.

Nightside of Eden: É um pouco mais rebuscada e rica em termo de diversidade rítmica, e mais uma vez, a ambientação é mais soturna, e alguns vocais normais dão um toque mais Gothic em alguns momentos. Mas como os riffs de guitarra e as intervenções operísticas dos vocais ficaram lindas.

Opus Eclipse: eis uma longa instrumental com muito peso por causa da base baixo-bateria, belas partes programadas emulando instrumentos clássicos, teclados com incursões inspiradas e guitarra com doses de distorção agressiva. E não cansa os ouvidos ou soa entediante.

Invocation of Naamah: Apesar de uns toques agressivos e conduções nos dois bumbos darem uma aura agressiva, as melodias são belíssima. E é uma das canções onde os vocais normais têm maior prevalência. E alguns teclados clássicos/épicos encaixaram como uma luva.

The Siren of the Woods: longa e rica em ambientações, talvez seja a canção que mais expresse o que Christofer Johnsson quis fazer em “Theli”. O início é cheio de teclados etéreos e guitarras limpas, mas longo ganha alguma distorção, mas mesmo assim, segue-se em uma beleza harmônica que cair o queixo do ouvinte. E é tão rica em detalhes de teclados, pianos, arranjos de guitarra e outros que uma audição não é suficiente para absorver tudo que existe nela.

Grand Finale/Postludium: é outra instrumental, mas que visa encerrar o disco de maneira grandiosa, quase que uma expressão Romântica da Música Clássica em formato Heavy Metal.

Estas são as faixas da versão original de 1996. Mas a versão nacional ainda tem alguns extras para os mais ávidos.

In Remembrance: essa vem das gravações de “Theli”, mas acabou ficando de for a da versão original. Ela foca em algo mais próximo do Heavy Metal tradicional, tendo os vocais de Dan Swanö, e seca das partes operísticas e vocais grandiosos. Mas os vocais estão perfeitos, assim como baixo e bateria.

Black Fairy: outra que fica mais perto do Metal tradicional e também sobrou das gravações originais do disco. Mas nessa, tem-se algumas incursões de teclados, corais simples e toda base instrumental é sólida. Riffs simples e mágicos se mesclam ás vozes e embalam o ouvinte.

Fly to the Rainbow: é costume do THERION graver covers vez por outra, e aqui tem-se uma do SCORPIONS, vindo direto do segundo disco do grupo, de 1974. Eles preservaram o “blend” Hard Rock/Classic Rock original, apenas dando uma atualizada. Respeitaram a original, mas fazendo o trabalho conforme a identidade deles.


Conclusão:

“Theli” marca o fim de uma era, já que este é o último disco em que Christofer fez vocais, e rompe com o passado extremo do grupo. Mas é, ao mesmo tempo, uma banda que abraça um leque de amplas possibilidades musicais.

E sim: “Theli”é um clássico eterno do Metal, que merece aplausos, logo, a aquisição é obrigatória.



Nota: 100,0/100,0


To Mega Therion



Spotify


sexta-feira, 10 de maio de 2019

LEGION OF THE DAMNED - Slaves of the Shadow Realm


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. The Widows Breed
2. Nocturnal Commando
3. Charnel Confession
4. Slaves of the Southern Cross
5. Warhounds of Hades
6. Black Banners in Flames
7. Shadow Realm of the Demonic Mind
8. Palace of Sin
9. Priest Hunt (Bonus Track)
10. Azazel’s Crown (Bonus Track)
11. Dark Coronation / Outro 


Banda:


Maurice Swinkels - Vocais
Twan van Geel - Guitarras
Harold Gielen - Baixo
Erik Fleuren - Bateria


Ficha Técnica:

Andy Classen - Produção, gravação, mixagem, masterização
Gyula Havancsák - Artwork
Christopher Peel - Piano


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Nos dias de hoje, as bandas têm expandido mais e mais os intervalos entre lançamentos de álbuns novos. O fator que pesa mais nesse sentido é que elas, por conta das exigências de terem que tocar cada vez mais (ou seja, aumentar o número de shows) para venderem merchandising e manterem-se na ativa, isso aumenta o nível de estresse, o que afeta a qualidade das composições. Ao mesmo tempo, dependendo das dimensões do grupo, isso pode fazer com que tal fato diminua a base de fãs. É preciso saber equilibrar as coisas em um tempo em que o “streaming” não paga tão bem quanto as vendas de CDs anos atrás.

Pode ser este o fator que fez com que o quarteto holandês LEGION OF THE DAMNED tenha tido um intervalo de cinco anos entre seu último álbum e “Slaves of the Shadow Realm”, seu mais recente trabalho.


Análise geral:

Basicamente, este intervalo de tempo entre “Ravenous Plague” (de 2014) e “Slaves of the Shadow Realm” serviu para dar uma recarregada nas baterias, pois apesar da banda não abrir mão de seu Thrash/Death Metal bem feito de sempre, a inspiração musical está de alto nível, superando o seu antecessor.

Além disso, as canções transpiram a força que esses 8 anos de estabilidade na formação lhes deu, pois é um dos discos mais sólidos do grupo, e além disso, o nível técnico andou dando uma melhorada.

Ou seja: quem já é fã do LEGION OF THE DAMNEDcontinuará sendo, e ainda poderão conquistar alguns novos com “Slaves of the Shadow Realm”.


Arranjos/composições:

Como já dito, o nível técnico da banda melhorou, se percebendo isso na força e solidez da base rítmica (que também está mostrando um ótimo trabalho em termos de variações), os riffs estão ainda mais grudentos que antes (uma das características mais marcantes do quarteto), ao passo que os vocais esganiçados deram uma melhorada substancial.

Os arranjos do quarteto sempre foram de primeira, o que é interessante: usando de clichês simples e muita criatividade, eles ajudam a dinâmica das canções, ou seja, eles preenchem as linhas melódicas sem estarem ali por estar, fazem parte do todo sem destoar. Aliás, como as músicas são fluidas, sem que soem enjoativas ou longas demais.


Qualidade sonora:

Novamente, a banda optou por trabalhar com o produtor Andy Classen tomando conta de tudo (inclusive da mixagem e masterização). Dessa vez, a opção foi por algo mais encorpado e “cheio”, diferente da qualidade mais seca do disco anterior (em que também haviam trabalhado com Andy). E ele soube fazer a mistura de peso e agressividade que é tão marcante da banda, mas sem que se perdesse a noção de definição sonora.

Os timbres sonoros é que surpreenderam, já que o foco foi em algo mais voltado ao Death Metal como haviam feito em “Descent into Chaos”.


Arte gráfica/capa:

Todo o trabalho gráfico é do húngaro Gyula Havancsák, que entendeu perfeitamente o que a banda queria, e fez uma arte muito bonita, enfocada no lado mais sombrio.


LEGION OF THE DAMNED
Destaques musicais:

Com “Slaves of the Shadow Realm”, os holandeses vieram revigorados e prontos para causar dores de pescoço e ouvidos, mas sempre com uma qualidade musical inquestionável.

The Widow’s Breed: a ponta de lança do disco tinha que ser uma música marcante e cheia de energia. A velocidade é de dar torcicolos, mas com boas mudanças de ritmo e um massacre imposto por baixo e bateria (que belas conduções nos bumbos, diga-se de passagem).

Nocturnal Commando: um assalto Death/Thrash Metal de marcar o fã, usando uma estética técnica mais simples, focando em um refrão grudento, e guitarras excelentes (o que sempre foi uma marca registrada da banda).

Charnel Confession: o ritmo diminui, focando em algo um pouco mais duro e bruto, com uma ambientação densa e agressiva que permite que os vocais mostrem um trabalho de primeira.

“Slaves of the Southern Cross”: nesta, o ritmo se alterna entre partes mais ráipidas (no jeito do grupo), e outras mais cadenciadas. O impacto sonoro é tamanho que chega a doer os ouvidos dos mais incautos. E é a faixa do vídeo oficial de divulgação do álbum.

“Warhounds of Hades”: veloz e cheia de partes “Thrashy” empolgantes, é outra em que a combinação de riffs cativantes e vocais bem colocados tem o efeito de prender a atenção do ouvinte.

“Shadow Realm of the Demonic Mind”: outro momento bem marcante do disco, com partes ganchudas que não há como resistir, graças ao ótimo trabalho das guitarras.

Ainda existe uma versão (importada e CD+DVD) com duas faixas extras, as ótimas “Priest Hunt” (cadenciada e empolgante, e com certo acento de Black Metal em alguns momentos) e “Azazel’s Crown” (mais veloz, direta e reta, um murro com ótimo trabalho de baixo e bateria).


Conclusão:

“Slaves of the Shadow Realm” mostra que o LEGION OF THE DAMNED ainda está longe de ficar estagnado, e que honra suas raízes holandesas em termos de Metal extremo. E vale a aquisição, sem sombra de dúvidas!

Nota: 86,0/100,0


The Widow’s Breed



Slaves of the Southern Cross



Bandcamp