terça-feira, 14 de maio de 2019

THERION - Theli


Ano: 1996 (Lançamento) / 2019 (Relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Preludium
2. To Mega Therion
3. Cults of the Shadow
4. In the Desert of Set
5. Interludium
6. Nightside of Eden
7. Opus Eclipse
8. Invocation of Naamah
9. The Siren of the Woods
10. Grand Finale / Postludium
11. In Remembrance
12. Black Fairy
13. Fly to the Rainbow


Banda:


Christofer Johnsson - Guitarras, vocais, teclados
Jonas Mellberg - Guitarras, guitarra acústica, teclados
Lars Rosenberg - Baixo
Piotr Wawrzeniuk - Bateria, vocais


Ficha Técnica:

Therion - Produção
Gottfried Koch - Produção, engenharia de som
Jan Peter Genkel - Produção, engenharia de som, mixagem
Peter Grøn - Arte da capa
Joachim Gebhardt - Vocais (baixo)
Klaus Bülow - Vocais (baixo)
Constanze Arens - Vocais (soprano) em “Interludium”
Riekje Weber - Vocais (alto) em “Interludium”
Stephan Gade - Vocais (tenor) em “Interludium”
Dan Swanö - Vocais
Anja Krenz - Vocais (soprano)
Axel Pätz - Vocais (barítono, baixo)
Raphaela Mayhaus - Vocais (soprano)
Bettina Stumm - Vocais (soprano)
Ursula Ritters - Vocais (alto)
Ergin Onat - Vocais (tenor)
Jan Peter Genkel - Piano, teclados, programação
Gottfried Koch - Teclados, programação


Contatos:

Site Oficial: http://therion.se
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A primeira metade dos anos 90 viu o Metal ter que retornar ao underground após o período mainstream dos anos 80 (quando Glam Metal e Thrash Metal estavam mais em evidência). A queda de produção dos titãs parece ter sido um catalisador para o renascimento do Death Metal. E quem viu os anos 80, lembra o rebuliço que “Into the Pandemonium” do CELTIC FROST, pois era bem indigesto ao radicalismo da época algo tão diferente e inovador.

Mas a verdade é que eles semearam algo que, no futuro, se tornaria uma vertente sólida do Metal, o famoso Symphonic Metal. E nisso, o grupo sueco THERION é um dos responsáveis por tirar o estilo do ostracismo e dar-lhe uma repaginada. E o fruto do que já vinha começando a surgir em “Beyond Sanctorum” (1992) e foi evoluindo em “Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas” (1993) e “Lepaca Kliffoth” (1995) desabrocha de vez em “Theli”, disco que redefiniria não só o som da banda, mas gera toda uma nova visão do que seria o Symphonic Metal dali por diante. E para os “atrasildos” de plantão, a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil prestaram um serviço de primeira e tornaram-no acessível a todos, brindando os fãs com uma versão nacional dele.


Análise geral:

Talvez para os mais jovens, “Theli” possa não ter o mesmo charme de sua época, tendo em vista o quanto o estilo já evoluiu (inclusive por contribuições posteriores do próprio THERION), mas existe nele uma magia, um gosto de novidade que transcendeu o tempo. Muito pouco do jeito Death Metal das origens aparecem no disco, que é recheado por orquestrações perfeitas e vocais operísticos, contribuições da North German Radio Choir e do Siren Choir. Mas se permitam perceber as influências de Metal tradicional, Classic Rock e outros que permeiam todo o álbum.

Pode-se dizer que “Theli”é a expansão das possibilidades mostradas pelos mestres dos anos 80, mas dando consensualidade ao estilo, tornando-o coerente.


Arranjos/composições:

THERION
Se antes a banda, mesmo usando de expressões Death Metal com Doom Metal, e mesmo traços de Metal tradicional europeu, aqui elas se diluem e ganham corpo e grandiosidade. “Theli”não é um disco de Metal extremo, embora muito de sua ambientação seja soturna.

Os arranjos são grandiosos graças às orquestrações de teclado muito bem feitas, aos pianos e aos sons programados que trazem aquele “feeling” de uma orquestra por trás dos instrumentos clássicos do Metal. E apesar de alguns vocais típicos de Metal, a maior parte é focada em corais operísticos. Basicamente, é uma orquestra Metal com seus cantos. Nas guitarras, baixo e bateria, não se chega a ter algo extremamente técnico, justamente para que as músicas sejam simples de serem assimiladas. A diversidade musical vem das variações rítmicas dentre as músicas, que são bem diferentes mutuamente.

Óbvio que muitos poderiam pensar que tanta diversidade faria de “Theli” um disco difícil de ser assimilado pelos ouvintes. Longe disso, pois a base instrumental tece arranjos não muito complicados, e cada refrão é de uma beleza envolvente e acessível.


Qualidade sonora:

Jan Peter Genkel (do LACRIMOSA, e que produziu CRADLE OF FILTH, DREAMS OF SANITY, entre outros) e Gottfried Koch (também do LACRIMOSAe que trabalhou com DREAMS OF SANITY, PYOGENESIS, NIGHTFALL) fizeram a produção de “Theli”, fugindo aos padrões da época, justamente por fazerem algo que fundisse o peso e agressividades de guitarras, baixo e bateria com uma ambientação clássica que desse ênfase ao lado sinfônico.

Além disso, a produção consegue dar um “boost” quando necessário no peso (como nas guitarras de “Cult of the Shadows”), mostrando que foi um trabalho esmerado e feito com bastante calma, além de que a adição de tantos cantores de ópera resultou no disco em que a gravadora mais gastou grana (aparentemente, 28000 Euros, tanto que narra uma lenda que Markus Staiger, dono da Nuclear Blast Records, na época ainda um selo pequeno, vendeu o carro para poder bancar o disco, tanto que aparece um agradecimento da banda a ele no encarte remetendo a isso, embora digam por aí que foi apenas uma piada). Mas valeu cada centavo.


Arte gráfica/capa:

THERION ao vivo
Se a banda mostrava em seus discos anteriores capas que ainda remetiam ao Metal, até nisso “Theli”foi um passo adiante. Na capa, uma arte de Peter Grøn que mostra Set, deus egípcio do mal. Pode ser uma figura ligada ao termo caldeu “theli”, que vem a ser o grande dragão que circunda todo universo.

E que trabalho bonito, bem feito e de bom gosto, que combina com o conteúdo musical.


Destaques musicais:

Hoje, mesmo depois de quase 23 anos de seu lançamento original (o disco foi lançado em 9 de Agosto de 1996), “Theli” continua sendo maravilhosamente envolvente e criativo, sedutor e grandioso. Embora o disco não soe datado (pois é um clássico), os fãs que adoram exageros podem achá-lo simples (o que em essência ele é) em relação ao que o próprio THERION faria mais adiante, ou o que outras bandas com elementos sinfônicos fariam.

Aliás, é bom que se diga: a estrutura de “Theli” é semelhante a de uma ópera, com introdução, interlúdio e final.

Preludium: é uma introdução climática, focada em teclados e piano. Serve como uma preparação aos ouvidos

To Mega Therion: e aqui começa o êxtase. Uma introdução com vocais operísticos com partes de guitarras em crescendo, mas é uma faixa sinuosa, quase como se uma música clássica escrita para o formato Metal, cheia de arranjos maravilhosos de teclados e guitarras. Basicamente, é a canção mais conhecida do disco.

Cults of the Shadow: essa é outra clássica do disco. Mezzo grandiosa, mezzo acessível, a presença de vocais normais é sensível e brilhante, sem mencionar que o ritmo é grudento, com uma solidez incrível por parte da base rítmica.

In the Desert of Set: aqui, certo toque de World Music é percebido por conta de alguns toques orientais. Guitarras e teclados fazendo um trabalho melodioso de ótimo gosto nos solos. Os tempos mais lentos dão um toque mais sombrio ao trabalho dos vocais. Ela ganha um pouco mais de gás e energia do meio em diante, onde os vocais normais e uns tons mais agressivos normais se encaixam perfeitamente.

Interludium: É outra canção instrumental pequena, e como o nome diz, é uma pausa, focada mais em guitarras, baixo e bateria.

Nightside of Eden: É um pouco mais rebuscada e rica em termo de diversidade rítmica, e mais uma vez, a ambientação é mais soturna, e alguns vocais normais dão um toque mais Gothic em alguns momentos. Mas como os riffs de guitarra e as intervenções operísticas dos vocais ficaram lindas.

Opus Eclipse: eis uma longa instrumental com muito peso por causa da base baixo-bateria, belas partes programadas emulando instrumentos clássicos, teclados com incursões inspiradas e guitarra com doses de distorção agressiva. E não cansa os ouvidos ou soa entediante.

Invocation of Naamah: Apesar de uns toques agressivos e conduções nos dois bumbos darem uma aura agressiva, as melodias são belíssima. E é uma das canções onde os vocais normais têm maior prevalência. E alguns teclados clássicos/épicos encaixaram como uma luva.

The Siren of the Woods: longa e rica em ambientações, talvez seja a canção que mais expresse o que Christofer Johnsson quis fazer em “Theli”. O início é cheio de teclados etéreos e guitarras limpas, mas longo ganha alguma distorção, mas mesmo assim, segue-se em uma beleza harmônica que cair o queixo do ouvinte. E é tão rica em detalhes de teclados, pianos, arranjos de guitarra e outros que uma audição não é suficiente para absorver tudo que existe nela.

Grand Finale/Postludium: é outra instrumental, mas que visa encerrar o disco de maneira grandiosa, quase que uma expressão Romântica da Música Clássica em formato Heavy Metal.

Estas são as faixas da versão original de 1996. Mas a versão nacional ainda tem alguns extras para os mais ávidos.

In Remembrance: essa vem das gravações de “Theli”, mas acabou ficando de for a da versão original. Ela foca em algo mais próximo do Heavy Metal tradicional, tendo os vocais de Dan Swanö, e seca das partes operísticas e vocais grandiosos. Mas os vocais estão perfeitos, assim como baixo e bateria.

Black Fairy: outra que fica mais perto do Metal tradicional e também sobrou das gravações originais do disco. Mas nessa, tem-se algumas incursões de teclados, corais simples e toda base instrumental é sólida. Riffs simples e mágicos se mesclam ás vozes e embalam o ouvinte.

Fly to the Rainbow: é costume do THERION graver covers vez por outra, e aqui tem-se uma do SCORPIONS, vindo direto do segundo disco do grupo, de 1974. Eles preservaram o “blend” Hard Rock/Classic Rock original, apenas dando uma atualizada. Respeitaram a original, mas fazendo o trabalho conforme a identidade deles.


Conclusão:

“Theli” marca o fim de uma era, já que este é o último disco em que Christofer fez vocais, e rompe com o passado extremo do grupo. Mas é, ao mesmo tempo, uma banda que abraça um leque de amplas possibilidades musicais.

E sim: “Theli”é um clássico eterno do Metal, que merece aplausos, logo, a aquisição é obrigatória.



Nota: 100,0/100,0


To Mega Therion



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sexta-feira, 10 de maio de 2019

LEGION OF THE DAMNED - Slaves of the Shadow Realm


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. The Widows Breed
2. Nocturnal Commando
3. Charnel Confession
4. Slaves of the Southern Cross
5. Warhounds of Hades
6. Black Banners in Flames
7. Shadow Realm of the Demonic Mind
8. Palace of Sin
9. Priest Hunt (Bonus Track)
10. Azazel’s Crown (Bonus Track)
11. Dark Coronation / Outro 


Banda:


Maurice Swinkels - Vocais
Twan van Geel - Guitarras
Harold Gielen - Baixo
Erik Fleuren - Bateria


Ficha Técnica:

Andy Classen - Produção, gravação, mixagem, masterização
Gyula Havancsák - Artwork
Christopher Peel - Piano


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Nos dias de hoje, as bandas têm expandido mais e mais os intervalos entre lançamentos de álbuns novos. O fator que pesa mais nesse sentido é que elas, por conta das exigências de terem que tocar cada vez mais (ou seja, aumentar o número de shows) para venderem merchandising e manterem-se na ativa, isso aumenta o nível de estresse, o que afeta a qualidade das composições. Ao mesmo tempo, dependendo das dimensões do grupo, isso pode fazer com que tal fato diminua a base de fãs. É preciso saber equilibrar as coisas em um tempo em que o “streaming” não paga tão bem quanto as vendas de CDs anos atrás.

Pode ser este o fator que fez com que o quarteto holandês LEGION OF THE DAMNED tenha tido um intervalo de cinco anos entre seu último álbum e “Slaves of the Shadow Realm”, seu mais recente trabalho.


Análise geral:

Basicamente, este intervalo de tempo entre “Ravenous Plague” (de 2014) e “Slaves of the Shadow Realm” serviu para dar uma recarregada nas baterias, pois apesar da banda não abrir mão de seu Thrash/Death Metal bem feito de sempre, a inspiração musical está de alto nível, superando o seu antecessor.

Além disso, as canções transpiram a força que esses 8 anos de estabilidade na formação lhes deu, pois é um dos discos mais sólidos do grupo, e além disso, o nível técnico andou dando uma melhorada.

Ou seja: quem já é fã do LEGION OF THE DAMNEDcontinuará sendo, e ainda poderão conquistar alguns novos com “Slaves of the Shadow Realm”.


Arranjos/composições:

Como já dito, o nível técnico da banda melhorou, se percebendo isso na força e solidez da base rítmica (que também está mostrando um ótimo trabalho em termos de variações), os riffs estão ainda mais grudentos que antes (uma das características mais marcantes do quarteto), ao passo que os vocais esganiçados deram uma melhorada substancial.

Os arranjos do quarteto sempre foram de primeira, o que é interessante: usando de clichês simples e muita criatividade, eles ajudam a dinâmica das canções, ou seja, eles preenchem as linhas melódicas sem estarem ali por estar, fazem parte do todo sem destoar. Aliás, como as músicas são fluidas, sem que soem enjoativas ou longas demais.


Qualidade sonora:

Novamente, a banda optou por trabalhar com o produtor Andy Classen tomando conta de tudo (inclusive da mixagem e masterização). Dessa vez, a opção foi por algo mais encorpado e “cheio”, diferente da qualidade mais seca do disco anterior (em que também haviam trabalhado com Andy). E ele soube fazer a mistura de peso e agressividade que é tão marcante da banda, mas sem que se perdesse a noção de definição sonora.

Os timbres sonoros é que surpreenderam, já que o foco foi em algo mais voltado ao Death Metal como haviam feito em “Descent into Chaos”.


Arte gráfica/capa:

Todo o trabalho gráfico é do húngaro Gyula Havancsák, que entendeu perfeitamente o que a banda queria, e fez uma arte muito bonita, enfocada no lado mais sombrio.


LEGION OF THE DAMNED
Destaques musicais:

Com “Slaves of the Shadow Realm”, os holandeses vieram revigorados e prontos para causar dores de pescoço e ouvidos, mas sempre com uma qualidade musical inquestionável.

The Widow’s Breed: a ponta de lança do disco tinha que ser uma música marcante e cheia de energia. A velocidade é de dar torcicolos, mas com boas mudanças de ritmo e um massacre imposto por baixo e bateria (que belas conduções nos bumbos, diga-se de passagem).

Nocturnal Commando: um assalto Death/Thrash Metal de marcar o fã, usando uma estética técnica mais simples, focando em um refrão grudento, e guitarras excelentes (o que sempre foi uma marca registrada da banda).

Charnel Confession: o ritmo diminui, focando em algo um pouco mais duro e bruto, com uma ambientação densa e agressiva que permite que os vocais mostrem um trabalho de primeira.

“Slaves of the Southern Cross”: nesta, o ritmo se alterna entre partes mais ráipidas (no jeito do grupo), e outras mais cadenciadas. O impacto sonoro é tamanho que chega a doer os ouvidos dos mais incautos. E é a faixa do vídeo oficial de divulgação do álbum.

“Warhounds of Hades”: veloz e cheia de partes “Thrashy” empolgantes, é outra em que a combinação de riffs cativantes e vocais bem colocados tem o efeito de prender a atenção do ouvinte.

“Shadow Realm of the Demonic Mind”: outro momento bem marcante do disco, com partes ganchudas que não há como resistir, graças ao ótimo trabalho das guitarras.

Ainda existe uma versão (importada e CD+DVD) com duas faixas extras, as ótimas “Priest Hunt” (cadenciada e empolgante, e com certo acento de Black Metal em alguns momentos) e “Azazel’s Crown” (mais veloz, direta e reta, um murro com ótimo trabalho de baixo e bateria).


Conclusão:

“Slaves of the Shadow Realm” mostra que o LEGION OF THE DAMNED ainda está longe de ficar estagnado, e que honra suas raízes holandesas em termos de Metal extremo. E vale a aquisição, sem sombra de dúvidas!

Nota: 86,0/100,0


The Widow’s Breed



Slaves of the Southern Cross



Bandcamp

ENFORCER - Zenith


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Die for the Devil
2. Zenith of the Black Sun
3. Searching for You
4. Regrets
5. The End of a Universe
6. Sail On
7. One Thousand Years of Darkness
8. Thunder and Hell
9. Forever We Worship the Dark
10. Ode to Death
11. To Another World (Bonus Track) 


Banda:


Olof Wikstrand - Vocais, guitarras
Jonathan Nordwall - Guitarras
Tobias Lindqvist - Baixo
Jonas Wikstrand - Bateria, vocais, teclados, piano


Ficha Técnica:

Olof Wikstrand - Produção, mixagem
Jonas Wikstrand - Produção, mixagem
Howie Weinberg - Masterização
Velio Josto - Arte (capa)


Contatos:

Site Oficial: www.enforcer.se
Assessoria: 
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Um fenômeno que muito ocorria nos anos 80: quando uma banda do underground, e com discos já lançados, ingressava em uma grande gravadora, era quase que 99% certo deles amaciarem o som (a inclinação ao Hard/Glam e ao AOR eram o sinal mais evidente disso), em busca de algo mais comercial e palatável a um público mais amplo. A banda queria sucesso, a gravadora queria vender, e isso causou imensos dissabores aos fãs daqueles tempos. Alguns discos eram terríveis, e houveram discos que marcaram a história de tão bons, sendo reconhecidos mesmo naqueles tempos, ou que a história acabou lhes fazendo justiça.

Por isso, é recomendado aos fãs que tenham muita calma ao lidarem com “Zenith”, novo trabalho do quarteto sueco ENFORCER, que acabou de sair no Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

É fato que “Death by Fire” (2013) e “From Beyond” (2015) conquistaram legiões de fãs pelo mundo inteiro e lhes rendeu reconhecimento, justamente por terem um som selvagem e cheio de energia nos moldes da NWOBHM, ao ponto de ser considerado um dos pilares do “Old School Heavy Metal”. Mas se antes era um Heavy/Speed Metal intenso agora deu uma caída para o Heavy Metal tradicional com muita influência de Hard Rock.

Basicamente, eles deram uma polida em suas músicas, e ao mesmo tempo, aumentaram a ênfase nas melodias, o que fez com que aquela energia desmedida e selvagem dos discos anteriores ficasse mais contida, mais encorpada. E ao mesmo tempo, ficou mais acessível, sem, no entanto descaracterizar o trabalho musical deles, mas ainda existem momentos que remetam ao que estavam fazendo antes como “Searching for You”.

É como se o ENFORCER de antes revisitasse suas influências de DEF LEPPARD (fase “High ‘n’ Dry” e “Pyromania”), TOKYO BLADE (especialmente a fase de “Night of the Blade”) e outros que tinham grande influência de Hard Rock. Mas se por um lado ficou mais acessível e melódico, continua excelente. Em uma analogia, é como olhar um mesmo diamante por um outro ângulo.


Arranjos/composições:

Por ficar mais polido, leia-se: as canções estão estrategicamente arranjadas. É isso, pois a espontaneidade de antes está aliada ao arranjar bem as canções, sem negar que elas continuam soando com boas doses de energia. Mas agora, backing vocals estratégicos à lá Glam Metal/Hard Rock aparecem bastante (uma reparada em “Die for the Devil” esclarece isso). Além disso, a técnica musical da banda deu uma diluída, pois eles preferiram focar mais nas canções em si.

Mas em termos de dinâmica entre os instrumentos musicais e os vocais, além de encaixe de arranjos, pode-se dizer que “Zenith” é o disco em que o ENFORCERmais caprichou no aspecto, bem como soube criar refrães e backing vocals de assimilação bem simples.


Qualidade sonora:

Os irmãos Olof Wikstrand e Jonas Wikstrand capricharam na produção e na mixagem do disco, algo que até o momento era inédito. A crueza de antes deu lugar a uma estética mais limpa e definida. Óbvio que ainda existe uma ambientação “Old School” permeando suas canções porque buscaram tons instrumentais que pudessem soar claros, mas orgânicos.


Arte gráfica/capa:

O quarteto nunca foi dado a ter artes gráficas rebuscadas nas capas de seus álbuns, talvez para manter o foco dos fãs apenas em sua música (tirando a de “Into the Night”). Dessa vez, embora ainda não seja nada extremamente exagerado, destoa da prevalência do preto comum, embora ainda com tons escuros.


Destaques musicais:

Basicamente, “Zenith”é um disco bem feito e com ótimas composições, mas que tende a deixar os fãs mais antigos de ouvido em pé nas primeiras audições por sua acessibilidade musical. Mas conforme os ouvidos vão se acostumando, a impressão é que ele é um dos melhores trabalhos dos suecos.

Die for the Devil: O disco abre com um Hard ‘n’ Heavy poderoso, extremamente acessível e melódico, com momentos limpos contrastando com partes mais pesadas, mas sempre com uma estética grudenta (reparem no refrão). Baixo e bateria mostram uma base sólida e trabalhada na medida certa.

Zenith of the Black Sun: Aqui o ritmo diminui, focando mais no lado pesado da banda. È uma canção pesada, mas com backing vocals e melodias que deixam claro a vocação comercial da mesma. Os vocais estão ótimos.

Searching for You: a energia dessa aqui fará com que os medidores ficarem o tempo todo no vermelho. É como dito acima: é uma música em que o grupo mostra uma pegada mais voltada aos seus trabalhos anteriores, com maior velocidade, vocais em timbres altos e guitarras esbanjando riffs de primeira.

One Thousand Years of Darkness: basicamente, elementos um pouco incomuns (como teclados) dão as caras aqui, e é outra canção em que peso e acessibilidade dão as mãos. Mais uma vez, ótimo trabalho de guitarras.

Thunder and Hell: esta é daquelas que vai levar os fãs á loucura ao vivo, graças a alta velocidade e sua estética completamente NWOBHM. E nisso, a segurança da base rítmica é importantíssima, por isso, apostam em algo mais simples e funcional, mas pesado.

Forever We Worship the Dark: embora os toques Hard/Glam estejam claros além do necessário, é uma canção muito boa de ouvir graças ás linhas melódicas caprichadas, e aos vocais e backing vocals bem arranjados.

A versão nacional ainda tem um bônus que é “To Another World”, o que valoriza demais o disco. E para quem ama itens, existe uma versão importada toda cantada em espanhol.


Conclusão:

“Zenith” é um disco é muito bom, que mostra que o ENFORCER sabe evoluir, transitando para algo mais acessível sem perder sua essência. Óbvio que muitos fãs antigos irão torcer o nariz de cara, mas se derem uma chance ao disco, perceberão que deram uma chance, mas a si mesmos.

E parabéns a banda por ousar sair do ponto comum e desafiar a si mesma.

Nota: 88,0/100,0

Die for the Devil



Searching for You



Regrets



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sexta-feira, 3 de maio de 2019

TUBLUES - Vinte


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Geração Mimimi (feat. James Buris)
2. De um Jeito Melhor      
3. Palavras (feat. Helton Lobão e William Roger)
4. De Tanque Cheio (feat. Xande Saraiva (Baranga), James Buris e Jairo Martins)
5. Ambição Ardente (feat. James Buris)
6. Máquina de Lavar        
7. Sangue de Barata        
8. Como um Cão de Rua (feat. Caio Durazzo e Aquiles Metalkid)  
9. Um Dia na Vida (feat. James Buris e Guto Domingues)
10. Blues das Onze
11. Baixa a Bola (feat. Matheus Cobianchi e Robson Bastos)
12. Vacilada (feat. James Buris, Percy Weiss e Jairo Martins)


Banda:


Cezar Heavy - Baixo, Vocais
Alexandre Freitas - Guitarras
James Buris - Bateria


Ficha Técnica:

Alexandre Freitas - Mixagem
Fábio Henriques - Masterização


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Rock brasileiro sempre foi um estilo de duas vertentes principais: aquelas mais voltadas ao mainstream e que geraram nomes que, até os dias de hoje, são idolatrados como suprassumo do gênero, justamente as de maior inclinação Pop; e as mais sujas e que estiveram mais restritas ao cenário underground (raros são os que conseguiram algum sucesso comercial, como CELSO BLUES BOY, BARÃO VERMELHO e ULTRAJE A RIGOR).

Mas o modismo do Pop Brasil dos anos 80 passou, e muitos dos que na época eram sucesso, hoje ou acabaram, ou vivem com o pires na mão. Aqueles que faziam algo mais raiz, em sua maioria ainda andam por aí, mesmo com as dificuldades da vida nesse meio. Seguidor da segunda vertente, o TUBLUES de Lorena (SP) é um veterano de vinte anos nas costas, e chega com “Vinte”, seu disco mais recente.


Análise geral:

O trio segue uma linha bem suja e espontânea à lá MADE IN BRASIL, PATRULHA DO ESPAÇO, CASA DAS MÁQUINAS, e mesmo BARÃO VERMELHO e CELSO BLUES BOY (de onde vem uma boa dose de acessibilidade musical “bluesy”), embora tenha uma aura toda própria.

A música deles é cheia de energia, com ótimas melodias ganchudas, bom nível técnico, mas sempre com a capacidade de se adaptar aos tempos modernos, e por isso, o trabalho deles não soa datado. E que energia!


Arranjos/composições:

Nessa vertente, é bom que se diga que a técnica instrumental de cada um dos integrantes não chega a ser exigida. Não é o enfoque, pois a chave da força deles é o conjunto, a unidade entre os instrumentos.

Como é acessível, a música deles possui arranjos musicais bem eficazes em ternos de entrar nos ouvidos e não sair mais, com uma ótima dinâmica dos instrumentos musicais entre si e com os vocais.

Há ainda certo toque “bluesy”/Pop em algumas partes (como explícito em “De um Jeito Melhor”), mas nada de comercialismo mela-cuecas e calcinhas. É da música deles, algo que realmente agrega valor.

TUBLUES ao vivo

Qualidade sonora:

Em um trabalho tão visceral, é óbvio que não há necessidade de uma qualidade sonora estilo “super-produção hollywoodiana”. O mais simples é o melhor para o TUBLUES, tanto que o “feeling” que permeia esse álbum é quase que de um ensaio gravado, com todo mundo tocando junto. Mas óbvio que se percebe o cuidado estético em cada momento.

A ambientação orgânica do CD vem dos timbres instrumentais mais simples, sem muitos enfeites modernos. Não seria surpresa alguma se a banda tiver gravado com os antigos pedais...


Arte gráfica/capa:

Simples, direta e reta, a arte da capa é uma foto de alguém com uma caveira na mão. Algo funcional, que manda um recado ao ouvinte: o foco aqui é a música!


Destaques musicais:

Antes de qualquer coisa nesse ponto, é preciso destacar que o disco transpira honestidade. Sim, cada uma de suas 12 canções mostra isso claramente, e se preparem, pois as músicas em si são ótimas, e alguns convidados tornam tudo ainda melhor (inclusive o saudoso Percy Weiss deixou seu legado em “Vacilada”).

Geração Mimimi: Um típico Rock ‘n’ Roll cheio de energia, com boa dose de energia equilibrada com melodias simples de assimilar. O andamento embala o ouvinte, e a letra, como fica óbvio, um murro nos chatos de plantão.

De um Jeito Melhor: Aqui surge o que o Rock Brasil era por volta de 1983-1984, ou seja, uma mistura de boas melodias, agressividade na dose certa e uma nítida influência de Blues (especial nas debulhadas da guitarra).
         
De Tanque Cheio: E eis que a velha paixão do Rock surge como tema, os motorizados. Outra dose de energia intensa, com alguns arranjos lembrando AC/DC e KISS pela simplicidade e força.

Ambição Ardente: Uma das mais “Bluesy” de todo o disco, graças ao andamento mais comportado e pelos arranjos de baixo e bateria. E que belas melodias e refrão!

Máquina de Lavar: A estética noir do Jazz/Blues americano dos anos 40 surge nesse Rockão refreado, que chega a dar aquela impressão de ambiente esfumaçado dos filmes. Belos vocais e riffs de guitarra.
         
Como um Cão de Rua: ótima dose de energia, com tempos mais descompromissados, e boa mistura de melodias e agressividade. Essa é para mexer o esqueleto.

Um Dia na Vida: uma das mais empolgantes, justamente porque a acessibilidade musical aumenta, mas mantendo a estética que o trio impõe de sujeira e agressvidade. Belíssimo solo de guitarra, diga-se de passagem.

Blues das Onze: outra em que a ambientação musical vai lembrar um “pub” esfumaçado e com cheiro de bebida. E gruda nos ouvidos que é uma maravilha, cheia de arranjos de baixo e bateria simples, mas ótimos.

Vacilada: A chave de ouro do disco. Um Rock descompromissado e espontâneo, típico dos anos 80 (sem soar datado ou mofado, por favor). E é uma das últimas gravações do querido Percy Weiss, que deu uma canja nos vocais.

Em verdade, existem muitos convidados no disco inteiro, cada um dando aquele toque extra de valor ás músicas.


Conclusão:

Basicamente, “Vinte”é um disco que comemora os 20 anos de existência do grupo, mas ao mesmo tempo, que mostra que eles só estão a fim de se divertir, já que viver de música no Brasil ainda é uma utopia.

Só que, verdade seja dita, é um disco tentador e que vai fazer o ouvinte ligar a tecla “repeat”.


Nota: 88,0/100,0


De um Jeito Melhor



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