terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

ALCATRAZZ - Live in Japan 1984: Complete Edition


Ano: 2019 
Tipo: Duplo CD + DVD
Selo: Shinigami Records
Nacional


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Do final dos anos 70 até aproximadamente 1985, o Hard Rock clássico dos anos 70 (que hoje muitos denominam de Classic Rock em várias publicações) teve picos de popularidade bem elevados, alguns motivados pelo retorno do DEEP PURPLE com sua MK II em 1984, e mesmo pelo sucesso comercial que o RAINBOW teve na fase mais acessível dos discos “Difficult to Cure”, “Straight Between the Eyes” e “Bent Out of Shape”. Deste último, pode-se dizer que o crescimento popular da banda se iniciou com “Down to Earth”, disco com o vocalista inglês Graham Bonnet, que depois de passar pela banda de Ritchie Blackmore, ainda passou pelo MSG, até decidir criar o ALCATRAZZ, sua própria banda. E Graham parece ter nutrido o gosto por ter guitarristas virtuosos, pois o primeiro nome das seis cordas do grupo foi o do sueco Yngwie J. Malmsteen(com apenas 21 anos de idade, e que já havia passado pelo STEELER). Uma pena que a banda só teve dois discos lançados com a formação original, o clássico “No Parole from Rock ‘n’ Roll”de 1983, e “Live Sentence: No Parole from Rock 'n' Roll” de 1984. Isso até hoje, pois temos em mãos agora “Live in Japan 1984: Complete Edition”, um super-pacote lançado no Brasil pela Shinigami Records.

Análise geral: Sendo um disco lançado bem depois de seu tempo (antes era apenas um home video lançado exclusivamente no Japão), cujo conteúdo foi gravado no Nakano Sun Plaza em Tóquio, na apresentação do grupo em 28 de janeiro. As fitas originais foram encontradas, remixadas e remasterizadas e viraram este CD duplo que capta bem a música do quinteto: Hard Rock clássico, mostrando uma estética musical elegante e bem feita, com boas doses de peso e acessibilidade. Não chega a ser nenhuma blasfêmia em assumir que é as experiências no RAINBOW e MSG aparecem no disco, mas sempre com a visão de Grahame do virtuosismo neoclássico de Malmsteeen. Mas é injusto não falar no talento de Jimmy Waldo (teclados, que depois iria parar no VINNIE VINCENT INVASION), Gary Shea (baixo, que também iria tocar no VINNIE VINCENT INVASION), e Jan Uvena (bateria, ex-ALICE COOPER e ex-IRON BUTTERFLY), que fazem um trabalho e tanto. Aliás, que trabalho essa formação do ALCATRAZZ fazia, é de cair o queixo!

Graham Bonnet e Yngwie Malmsteen
Arranjos/composições: O nível das composições do quinteto é bem alto. Aliás, era um traço daqueles tempos se criar música em alto nível, com uma boa dinâmica entre os instrumentos e com os vocais fazendo um ótimo trabalho. Eram tempos em que não se reinventava a lâmpada, tinha-se que ter personalidade. E soando elegante e com sua devida dose de peso, as canções do ALCATRAZZconseguem ser acessíveis a um público maior por conta das melodias bem feitas. E a influência neoclássica nas guitarras encaixou perfeitamente na proposta musical da banda.

Qualidade sonoraTalvez a qualidade sonora de “Live in Japan 1984: Complete Edition” mostre a muitos como as tecnologias digitais podem ser úteis. Todo o trabalho de recuperação, remixagem e remasterização da sonoridade original resulta em algo orgânico, com todo o “feeling” ao vivo preservado. Tudo funciona, tudo soa bem e com peso. Quem fez esse trabalho de recuperar merece um prêmio, pois ficou excelente.

Arte gráfica/capa: A apresentação de “Live in Japan 1984: Complete Edition” é muito bonita, com o foco justamente nos talentos de Graham e Yngwie, usando de fundo a bandeira estilizada do Japão. E isso em um Digipack muito bonito.

Destaques musicais: É muito difícil fazer análises profundas em um disco ao vivo, ainda mais dos tempos em que grandes shows pelo mundo inteiro eram constantes. Mas das 18 canções, não há como deixar menções honrosas à

Too Young to Die, Too Drunk to Live”: Uma canção vibrante, preenchida por uma aura Classic Rock/Hard Rock elegante e muito envolvente. Belas partes de teclados, e uma aula de interpretação dos vocais.

“Hiroshima Mon Amour”: Nela se tem aquela típica canção mais acessível, que embala o ouvinte. E se repararem, alguns prováveis espaços que poderiam estar vazios são totalmente preenchidos pelo virtuosismo das guitarras (mas desde quando isso acontece onde Malmsteen está?).

“Night Games”:sólida como uma rocha, é onde se vê um trabalho pesado de baixo e bateria. Andamentos com boa velocidade, energia e muita elegância. É uma música que veio diretamente do primeiro disco solo de Graham, “Line-Up”, de 1981.

“Island in the Sun”: Se até estava faltando uma faixa um pouco mais acessível, agora não falta mais. Um refrão grudento, belas linhas melódicas, teclados estratégicos e incursões fantásticas de guitarra.

“Kree Nakoorie”: Pesada, cadenciada e cheia de feeling, ela não nega sua vocação Hard neoclássica, e pode-se ver nela com quem Malmsteen aprendeu a valorizar os tempos mais lentos (embora as debulhadas dele sejam ótimas).

“Coming Bach”: Mais uma vez, o sentimento que preenche “Rising Force” (primeiro disco da empreitada própria de Yngwie) aparece, pois toda a expressividade e influência da música clássica surgem nesse solo de guitarra dele.

“Since You Been Gone”: Aqui temos uma versão para a velha canção do ARGENT, a mesma canção que foi um sucesso na época de Graham no RAINBOW. Ótimo refrão, vocais justíssimos e teclados dando aquele toque de elegância que conhecemos.

Até aqui, só músicas do CD 1. O CD 2 tem algumas belas surpresas.

“Desert Song”: Um Hard pesado e instigante, com aquela marca típica de bandas dos anos 70, além de certo “q” de Hard alemão (o que não é de se estranhar, já que é uma canção do MSG). E é muito interessante ver Yngwie tocando (à moda dele, óbvio), linhas de Michael Schenker.

“Jet to Jet”: Mais uma com um jeito puramente Hard Rock dos anos 70, carregando muita influência tanto do DEEP PURPLE (por conta das linhas de teclados) como do RAINBOW (por conta do trabalho de baixo e bateria), mas o destaque é mesmo do solo de guitarra.

“Evil Eye”: Embora com um trabalho de seis cordas de tirar o fôlego,é uma instrumental onde a banda inteira se mostra muito bem, até mesmo com virtuosismo.

“All Night Long”: Mais uma do RAINBOW, onde o público participa bastante durante o refrão. É uma canção com muita acessibilidade musical, o que não é um pecado, mas justamente o ponto forte da mesma. E que vocais!

“Lost in Hollywood”: A Terceira (e última) canção do RAINBOW do show, essa já do jeito mais clássico da antiga banda de Graham, embora com um acento melodioso mais simples.

DVD: Todas as 18 músicas estão presentes no DVD, que mostram as mesmas qualidade sonoras citadas na resenha.

Conclusão: Pode-se atestar que “Live in Japan 1984: Complete Edition” mostra o quanto a dupla Bonnet/Malmsteen era promissora, mas o último resolveu investir em sua própria banda (que carregava enorme influência do que o ALCATRAZZ havia feito), o primeiro ainda tentou algo com Steve Vai, depois com Danny Johnson, até que a banda encerrou suas atividades em 1988. Mas este ao vivo é um testemunho de uma era de ouro para o Rock e o Heavy Metal, e agora, está acessível a todos, e o show inteiro.

Nota: 100%




Tracklist:

CD 1:

1. Opening
2. Too Young to Die, Too Drunk to Live
3. Hiroshima Mon Amour
4. Night Games
5. Big Foot
6. Island in the Sun
7. Kree Nakoorie
8. Coming Bach
9. Since You Been Gone
10. Suffer Me

CD 2:

11. Desert Song
12. Jet to Jet
13. Evil Eye
14. Guitar Crush
15. All Night Long
16. Lost In Hollywood
17. Kojo No Tsuki
18. Something Else


DVD:

1. Opening
2. Too Young to Die, Too Drunk to Live
3. Hiroshima Mon Amour
4. Night Games
5. Big Foot
6. Island in the Sun
7. Kree Nakoorie
8. Coming Bach
9. Since You Been Gone
10. Suffer Me
11. Desert Song
12. Jet to Jet
13. Evil Eye
14. Guitar Crush
15. All Night Long
16. Lost In Hollywood
17. Kojo No Tsuki
18. Something Else


Banda:


Graham Bonnet - Vocais
Yngwie J. Malmsteen - Guitarras
Jimmy Waldo - Teclados
Gary Shea - Baixo
Jan Uvena - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/Alcatrazzoriginalband1/
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Assessoria:
E-mail:

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

FLOTSAM AND JETSAM - The End of Chaos

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Em verdade, a cena norte-americana do Thrash Metal durante os anos 80 não era restrita somente à Califórnia. Em Nova York, nomes de peso como ANTHRAX, OVERKILL, NUCLEAR ASSAULT surgiram basicamente na mesma época em que o “San Francisco Bay Area Thrash Metal” começava a se firmar. Mas é de Phoenix, Arizona, que veio um nome que prometia causar uma forte comoção no meio: FLOTSAM AND JETSAM. Fundindo melodias bem feitas à lá QUEENSRYCHE com o peso e agressividade do METALLICA, era um nome muito promissor, como foi ouvido em seu disco de estréia, “Doomsday for the Deceiver”, de 1986. Mas a saída de Jason Newsted (que fora preencher a vaga deixada pelo finado Cliff Burton) foi sentida, e mesmo lançando uma seqüência de ótimos trabalhos, o grupo nunca conseguiu o sucesso merecido. Mas essa gangue não desanima, e mesmo contra tudo e contra todos, volta à carga com “The End of Chaos”, seu mais recente disco.

Análise geral: De forma bem simplista, pode-se definir o trabalho do grupo como uma mistura dos melhores elementos do QUEENSRYCHE de sua fase inicial (até o álbum “Empire”) com a pegada pesada e agressiva do METALLICA dos anos 80, além de uma energia e personalidade toda do quinteto. Se pode mesmo afirmar que “The End of Chaos” revê as melhores lições que o quinteto aprendeu na sua compreendida entre o primeiro álbum e o clássico “Cuatro”, apenas adicionando a isso a energia de sempre, mais um enfoque evoluído e atualizado.

Arranjos/composições: O tempo fez bem ao grupo, temperando seu som técnico, melodioso e agressivo cheio de nuances Prog Metal Old School com a sabedoria dada pelos calos da estrada e pelos anos de carreira. A capacidade de criar partes grudentas melhorou muito, bem como souberam polir cada refrão que está presente em “The End of Chaos”. As guitarras estão fenomenais em riffs e solos (o veterano Michael Gilbert se entende bem com o colega Steve Conley), baixo e bateria estão muito bem em termos de técnica e peso (o baixista Michael Spencer e o baterista Ken Mary mostram entrosamento), mas como os vocais evoluíram, saindo dos timbres agudos do passado à sabedoria no uso de maior diversidade de timbres (Eric “AK” Knutson está em ótima fase, verdade seja dita), e a coesão entre os cinco criam arranjos ótimos e dinâmicos, resultando em uma forma de música cheia de energia e agressividade, mas melodiosa e de bom gosto, e que gruda nos ouvidos!

Qualidade sonoraA produção sonora de Jacob Hansen (que já trabalhou com nomes como DESTRUCTION, KAMELOT, PRIMAL FEAR, VOLBEAT e outros) consegue conectar o passado do grupo com seu presente, dando peso e força às composições do grupo, mas fazendo com que as canções soem limpas na medida certa. Soa agressivo e com impacto sonoro, mas mantendo o alinhavo melódico que tornou o grupo notório.

Arte gráfica/capa: Em um “revival” do próprio passado, Flotzilla, mascote do grupo apresentado na arte de “Doomsday for the Deceiver”, está de volta em uma arte criada por Andy Pilkington, ganhando uma versão mais real e atual.

Destaques musicais: “The End of Chaos” é um disco maravilhoso, que rebusca o melhor do passado do grupo (da fase compreendida entre “Doomsday for the Deceiver” e “Cuatro”), mas mantendo um formato atual. É o bom e velho Thrash Metal “made in USA” por excelência, e mesmo sendo um disco nivelado por cima em termos de composições, tem por destaques as seguintes canções.

Flotsam and Jetsam
“Prisoner of Time”:Uma canção clássica do quinteto, com uma pegada bem agressiva e um alinhavo melódico ótimo, cheia de boas mudanças de tempos. E os vocais encaixaram muito bem na colcha instrumental do grupo. E que refrão!

“Control”: Velocidade e energia se mesclam nessa canção, mostrando a pegada agressiva do quinteto. Impossível não destacar o trabalho técnico, pesado e veloz de baixo e bateria.

“Recover”: Um pouco mais lenta que as anteriores e mais moderna, enfatizando assim ao lado melodioso do grupo, e novamente, um refrão de primeira, com vocais e backing vocals de primeira.

“Prepare for Chaos”: Esta é um autêntico “juggernaut” de energia crua, que novamente mostra andamentos não tão velozes, mas criando uma ambientação bem pesada. E que guitarras!

“Architects of Hate”: Um “mix” inteligente de melodias e agressividade é apresentando nessa canção, que tem um impacto sonoro evidente, alimentado por ótimas guitarras.

“Demolition Man”: Mais uma vez, equilíbrio entre melodias (especialmente no refrão) e partes agressivas. Há um toque de melancolia em certos momentos, lembrando bastante os momentos mais agressivos de grandes nomes do US Metal.

“Snake Eye”:Outro momento que vai gerar muito moshpit nos shows, com um refrão privilegiando a melodia (e assim criando um contraste muito bom com os riffs agressivos). Novamente baixo e bateria mostram uma técnica ótima.

“The End”: Um arrasa-quarteirão intenso, uma tijolada na cara, e outros adjetivos dessa canção que vem para fechar o disco com muita energia, uma pegada bruta e direta, mas com as melodias de sempre permeando os vocais.

Conclusão: Flotzillaestá de volta, e é certo que o FLOTSAM AND JETSAM mostra que merecem muito estar no time de cima do Thrash Metal de seu país, lançando um dos melhores discos de 2019 logo no início do ano!

Nota: 100%


Tracklist:

1. Prisoner of Time
2. Control
3. Recover
4. Prepare for Chaos
5. Slowly Insane
6. Architects of Hate
7. Demolition Man
8. Unwelcome Surprise
9. Snake Eye
10. Survive
11. Good or Bad
12. The End


Banda:


Eric “AK” Knutson - Vocais
Steve Conley - Guitarras
Michael Gilbert- Guitarras
Michael Spencer - Baixo
Ken Mary - Bateria


Ficha Técnica:

Jacob Hansen - Produção
Andy Pilkington - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial: www.flotsam-and-jetsam.com
Facebook: www.facebook.com/flotsamandjetsam.official/
Instagram: https://www.instagram.com/flotsamandjetsamofficial/
Assessoria:
E-mail: flotztildeath@gmail.com






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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

SPIRITUAL HATE - Diabolical Dominium

Ano: 2018 

Tipo: Full Length 
Selo: Independente
Nacional 

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Falar em Death/Black Metal no Brasil, em geral, pode acabar causando uma enorme confusão nas mentes dos ouvintes, por um simples motivo: qual escola a banda em questão seguirá?

Ela surge porque algumas bandas seguem uma linha Death/Black explosiva à lá BEHEMOTH e HATE; outras, por sua vez, preferem algo mais elaborado e assumem o uso de melodias, como o caso do DISSECTIONde sua fase “Reinkaos”; e por fim, aquelas que são bandas de Death metal com letras com temas blasfemos. Neste último grupo é onde se encaixa o SPIRITUAL HATE, de Diadema (SP) e que chega com “Diabolicum Dominium”, seu primeiro “full length” (depois do Split “Agony in the Profundis Abyss” de 2012, e do EP “Praeludium ad Incursione”, também de 2012). Mas cuidado, pois o grupo tem algo diferente para mostrar.

Análise geral: O que se pode aferir é que o grupo tem 90% de elementos de Death Metal em sua música (com algumas referências na fase “Covenant”/“Domination”do MORBID ANGEL, .e mesmo influências generosas de DEICIDE), mas é impossível não notar o uso de alguns toques mais melodiosos em momentos como “Awating Fucking Jesus”, e mesmo toques de técnica refinada (percebam os toques de Jazz nas partes de baixo de “Ignorance Brought the Decadence”). Além disso, se percebe uma enorme criatividade e energia permeando esse disco em todas as suas canções. Além disso, é uma aula de como se fazer música brutal, mas que gruda nos ouvidos.

Arranjos/composições: O ponto forte do grupo: eles sabem compor muito bem, pois não criam algo que possa ser descartado, ou deixam aquela sensação de que faltou algo. Nada disso, suas canções são justas, bem arranjadas (os solos de guitarra, surpreendentemente, evitam cair no esquema de “estrangulamento-das-notas” que é bem conhecido do Death Metal), com ótimas mudanças de ritmo. Além do mais, ela flui de maneira espontânea, mas sangrando em energia o tempo todo, seja nas partes rápidas ou nos momentos mais cadenciados.


Spiritual Hate
Qualidade sonora: Victor Prospero na produção e Marcos Cerutti na mixagem e na masterização souberam equilibrar bem todos os elementos musicais da banda, fazendo com que cada uma das canções de “Diabolical Dominium” soe limpa, com todos os instrumentos musicais claros, mas com um nível de peso e agressividade inerentes ao Death Metal. Ou seja, tudo está bem equilibrado, na medida certa, sem tirar e nem pôr. 

Arte gráfica/capa: Como se poderia esperar, a arte da capa (muito bem feita e detalhista) é blasfema e explícita, sem abrir espaço para interpretações subjetivas. No encarte, uma diagramação inteligente, focada em tons de preto, branco e vermelho que estão ótimos.


Destaques musicais: O que se ouve nesse disco é algo de alto nível, pesado e agressivo, mas burilado com uma sobriedade. E mesmo sendo um trabalho extremamente equilibrado, destacam-se as seguintes como meras referências para as primeiras audições.

“Excomunion”: apesar de bem trabalhada em termos arranjos, o foco da canção é ser agressiva e bruta de doer os ossos. Oscilando entre uma velocidade estonteante e outros não tão rápidos, é incrível o trabalho técnico de baixo e bateria.

“Awating Fucking Jesus”: outra em que a brutalidade faz os medidores de volume ficarem quase o tempo todo no vermelho. Mas mesmo assim, se percebe uma estética cuidadosa ao arranjá-la, e mesmo sem pudores de usar partes mais melodiosas nas guitarras (especialmente nos solos).

“Ignorance Brought the Decadence”: mais simples em termos de tempos que as anteriores, as partes de guitarra em seus momentos lentos realmente cativam os ouvintes.

“Behind the Lies of God”: incrível como existem partes lindas e com traços melódicos no meio de tanta brutalidade. É outra canção onde a técnica não chega a ser exacerbada, mas as partes de baixo e bateria são de deixar qualquer um de queixo caído por conta da técnica individual de ambos.

“Diabolical Dominium”: por ser a faixa mais longa, é onde se tem maior diversidade de ritmos, e assim, maior riqueza de arranjos. Os vocais guturais encaixam bem sobre a base instrumental da banda, e chega a ser surpreendente como os tempos mudam.

Conclusão: “Diabolical Dominium” é um disco que já tem um tempinho lançado (originalmente, é de 2017), mas com essa música de primeira categoria, tende a se tornar atemporal. Se o leitor é fã de Metal extremo, pode ter certeza: é ouvir e gostar, sem meios termos.

Nota: 93%



Tracklist:

1. Intro
2. Excomunion
3. Awating Fucking Jesus
4. Honour et Gloriam
5. Ignorance Brought the Decadence
6. From the Purity to Fornication
7. Behind the Lies of God
8. Sentenced by Dawn
9. Diabolical Dominium


Banda:


Magnus Hellhound - Vocais, guitarras
F. Blackmortem - Guitarras


Ficha Técnica:

Victor Prospero - Produção, baixo
Morbus - Bateria
Marcos Cerutti - Mixagem, masterização


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/SpiritualHateBand
Instagram: https://www.instagram.com/spiritualhate_official/
Assessoria: http://sanguefrioproducoes.com/artistas/SPIRITUAL+HATE/64
E-mail: spiritualhate@bol.com.br



Awating Fucking Jesus”: https://www.youtube.com/watch?v=NtaPI_vjDVo



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VERTHEBRAL - Regeneration

Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Tales from the Pit Records, Eclipsys Lunarys Productions, Nomade Records, Extreme Sound Records, Thrash or Death Records, Totem Records
Nacional

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: A paixão pelo Death Metal dos anos 90 ainda é um sentimento que permeia o cenário mundial do Metal. Ainda existem bandas que preferem uma abordagem mais seminal (ou seja, crua e agressiva) do gênero. E do Paraguai vem o quarteto VERTHEBRAL, e graças aos esforços coletivos de vários selos do Brasil, nos chega com essa versão para “Regeneration”, primeiro álbum do grupo que foi lançado em 2017, e de quebra, ainda tem o EP “Adultery of Soul” (de 2015) como bônus.

Análise geral: O quarteto realmente tem fortes influências da velha escola, especialmente de nomes como DEICIDE, MORBID ANGEL, CANNIBAL CORPSEe MASTER (este último devido a alguns toques de Thrash Metal que surgem nas guitarras vez por outra) e outros da escola norte-americana, buscando usar da própria personalidade para gerar algo mais pessoal. Óbvio que tem aquela aura noventista densa e crua, mas que faz parte do trabalho deles (até soaria artificial sem ela). Sim, é um bom nome, que pode ir mais além, mas já mostra as garras nesse sentido em vários momentos do disco.

Arranjos/composições: O quarteto, como é de se esperar do seu estilo, não tem um trabalho focado em uma técnica rebuscada, embora não seja algo reto e direto. Existem arranjos musicais bem feitos no meio de tanta brutalidade, bem como as variações rítmicas são encaixadas em seus devidos lugares. Óbvio que algumas arestas podem ser aparadas mais adiante, mas já mostram um trabalho promissor, especialmente porque “Regeneration”, se por um lado soa um pouco ingênuo, de outro é um murro de energia empolgante e brutalidade.

Qualidade sonora: Como muitos discos focados no Death Metal Old School, “Regeneration” foca em algo cru e ríspido, e mesmo quase orgânico. Óbvio que a crueza sonora está além do limite certo para sua música, o que acaba deixando os timbres sonoros um pouco mais carregados que o necessário. Mas para um primeiro disco de uma banda do estilo, está muito bom.

Arte gráfica/capa: Marcos Miller (que fez a capa de “Regeneration”), Emisario Karplegia (o artista da capa de “Adultery of Soul”) fizeram trabalhos ótimos, e que rebuscam bastante a arte dos discos dos anos 90 (inclusive a capa de “Regeneration” tem um toque à lá Dan Seagrave), o que por sua vez encaixou no trabalho do grupo. E o design do encarte da versão brasileira foi feito por Filipe Silva, que fez uma editoração simples e eficiente (embora a letra deitada de “Confronting Lies” destoe, mas deve ter sido feito dessa forma por uma questão de espaço).

Destaques musicais: a força do trabalho musical do grupo realmente contagia o ouvinte. E as melhores faixas são:

“Place of Death”: boas mudanças de ritmo, energia fluindo aos borbotões pelas caixas de som, e um trabalho muito bom e sólido da base rítmica (ou seja, baixo e bateria estão muito bem).

“Spirit in Solitude”: o ritmo se torna mais cadenciado em algumas partes, dando diversidade sonora à música do grupo. Mesmo as partes mais velozes apresentam um impacto impressionante, em especial por conta das guitarras mostrarem ótimos riffs.

“Beyond the Garden of Creation”: esta é uma das canções mas ricas em termos de arranjo do grupo, inclusive com melodias pontuais surgindo durante os duelos de solos de guitarras. Isso sem mencionar como os toques Death/Thrash encaixaram muito bem.

“Old Man’s Memories”: outra que mostra momentos mais cadenciados (onde os bumbos duplos são incessantes), mas os momentos mais velozes caem para o lado do Old School Thrash Metal. Empolga o ouvinte justamente por conta do contraste de ritmos.

“The Plague of Insomnia”: novamente uma faixa com 880% dela sendo mais lenta (pois tem partes velozes aqui e ali) e que possui alinhavos melodiosos surgindo em muitos momentos, mostrando que o grupo tem uma personalidade inconformada com modelos musicais, e que pode ser algo explorado no futuro.

“Inside of Me”: mais uma vez, o uso de momentos densos em que o ritmo não é veloz vai mostrando como o grupo sabe ser criativo em termos de arranjos musicais. O vocal gutural da banda mostra uma boa diversidade de timbres que tem potencial para coisas grandes no futuro.

As faixas de “Adultery of Soul” (“Human Limitation”, “Adultery of Soul”, “I Am the Vulture” e “Confronting Lies”) mostram uma sonoridade mais tosca e crua (óbvio que as condições para a gravação eram outras), mas são ótimas, mostrando os mesmos elementos de “Regeneration”, embora menos evoluídos.

Conclusão: Uma coisa sobre o VERTHEBRAL que se pode aferir é sua honestidade e convicção ao que faz. E verdade seja dita: fãs de Death Metal Old School irão amar “Regeneration” sem nada reclamar. Mas verdade seja dita: esse quarteto de Ciudad del Este promete muito!

Nota: 84%


Tracklist:

1. Apocalyptic Seasons (Intro)
2. Place of Death
3. Spirit in Solitude
4. Regeneration
5. Beyond the Garden of Creation
6. Without Any God
7. Old Man’s Memories
8. The Plague of Insomnia
9. Immaterial Essence of Things
10. Inside of Me

Adultery of Soul EP (Bônus):

11. Intro: Final Thoughts
12. Human Limitation
13. Adultery of Soul
14. I Am the Vulture
15. Confronting Lies


Banda:


Cristhian Rojas - Vocais, baixo
Daniel Larroza - Guitarras
Alberto Flores - Guitarras
Gabriel Galeano - Bateria


Ficha Técnica:

Alberto SantaCruz  Produção, mixagem, masterização, remasterização de “Adultery of Soul
Marcos Miller - Capa de “Regeneration”
Emisario Karplegia - Capa de “Adultery of Soul”
Filipe Silva - Encarte (relançamento edição brasileira)


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