sexta-feira, 24 de agosto de 2018

MISCONDUCTERS - Reanimated



Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Denfire Music
Nacional


Tracklist:

1. Unleash
2. Control Evasion
3. Stagnant
4. Deceived
5. No More


Banda:


Denfire - Guitarras, vocal
Mr Blue Note - Baixo
Tony King - Bateria


Ficha Técnica:

Denfire - Produção, artwork da capa


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Bandas e mais bandas dão continuidade à suas carreiras musicais. Algumas vão se modificando conforme o tempo (graças à adição de novas influências musicais), outras preferem permanecer onde estão. Ambas as formas são extremamente válidas, e podemos aferir que o trio MISCONDUCTERS se encontra no segundo grupo, ainda mais com esse novo trabalho deles, o ótimo EP “Reanimated”.

O fato é: a banda aglutina influências de Heavy Metal tradicional, Punk Rock/Hardcore e Rock ‘n’ Roll. É como se juntássemos a energia espontânea de bandas como MOTORHEAD, RAMONES e AC/DC, mas com a personalidade bem definida que guia a banda desde seus primeiros passos. O trabalho em termos técnicos busca ser simples e direto, totalmente “in your face”, mas justamente por isso que desce bem. Não é inovador, nem o suprassumo da técnica, e por isso é tão empolgante, divertido e pesado de doer os ouvidos dos menos acostumados. Ah, sim: essas músicas grudam nos ouvidos e não saem mais, nem adianta!

O guitarrista/vocalista Denfiremais uma vez fez a produção sonora. E mais uma vez ele acerta a mão na combinação de peso e sujeira orgânica (pois o trabalho deles é daqueles que tem que ter certo tom de crueza sonora) com uma sonoridade bem definida, onde possamos compreender o que é tocado. Tudo é tão orgânico que mesmo a arte da capa nos remete aos anos 70 e 80. Tudo do jeito que realmente se adequa ao trabalho musical do trio.

Na verdade, “Reanimated”merece o nome que tem, já que todo material são revisões de canções de seus dois primeiros álbuns e do terceiro EP da banda (lembrando que eles já possuem uma discografia longa nesses 10 anos de existência). Mas estas roupagens novas deram um sabor especial às músicas, tornando tudo ainda melhor, e elas são preenchidas por arranjos ótimos. E se preparem: o MISCONDUCTERSse mostra inspirado e cheio de vontade mesmo quando faz cover de si mesmo.

Unleash” já começa o EP em alto nível, com aquele jeitão mezzo Metal/mezzo Punk Rock tão vibrante e soltando energia para todos os lados (e que belas guitarras, mostrando riffs e arranjos simples e diretos, além de solos melodiosos de primeira), E a mesma pegada se dá em “Control Evasion”, que é mais agressiva, mas mantendo o apelo envolvente (a base rítmica está de parabéns, pois essas mudanças de ritmo são ótimas). Já não tão rápida (só em algumas partes) é “Stagnant” com sua aura Metal Punk de guetos (e os vocais ficaram ótimos, fora os arranjos do baixo). Já para chutar o pau da barraca, temos a curta e grossa “Deceived”, onde a bateria se destaca junto com os riffs de guitarra (criatividade é pouco para definir o quanto são grudentos). Um pouco mais acessível (mais ainda com jeitão de pub esfumaçado) temos “No More”, que vai causar muitos moshpits, pois é um convite claro a isso (e na simplicidade técnica eles ganham de goleada, sem falar que os vocais estão muito bem encaixados, com boa dicção e certo tom de ironia).

Ou seja, “Reanimated” vem nos apresentar a nova formação do MISCONDUCTERS, e assim, se percebe que o trio está revigorado e pronto para encarar novos desafios.

Vai encarar?

Ah, sim: o lançamento de “Reanimated” está previsto para 11 de setembro próximo, logo, podem ir juntando uma grana, pois vai valer cada centavo. Satisfação garantida!

Nota: 96%

HELLWAY PATROL - Desert Ghost


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Desert Ghost
2. Fear the War Machine
3. Satan Free Me


Banda:


Ricardo Pigatto - Vocais, baixo
Thiago Franzim - Guitarras
João Bolognini - Bateria


Ficha Técnica:

Michel Kuaker - Produção, mixagem
Absolute Master Studio - Masterização
David Paul Seymour - Artwork (capa)
Silvano Aguilera - Vocais em “Fear the War Machine”
Mayara Puertas - Vocais em “Satan Free Me”


Contatos:

Site Oficial:

Texto: M. Garcia


Um dos fatos que em geral vemos é a formação de novos grupos com músicos que tenham bandas de certo renome no cenário. É bem comum até, mas muitas vezes, isso nos gera expectativas, especialmente sobre o que a banda nova irá fazer em termos musicais. Em alguns casos, o novo tem semelhanças com o antigo, em outros, nem tanto. E o segundo caso é justamente onde se encaixa o trio paranaense de Londrina HELLWAY PATROL, que está lançando seu segundo trabalho, o EP “Desert Ghost”.

É fato bem conhecido que o baixista/vocalista Ricardo Pigatto fez parte do DOMINUS PRAELII (onde gravou o álbum os discos “Holding the Flag of War” e “Bastards and Killers”), mas a musicalidade do HELLWAY PATROL segue por outro rumo: o trio faz algo mais próximo a uma mistura de Heavy Metal tradicional com aspectos do Speed Metal e do Thrash Metal, certo acento Old School, além de muita energia. Óbvio a experiência dos músicos os ajuda a criar algo que, embora não soe exatamente novo, tem muito valor pela personalidade. E como a energia flui dessas canções é algo absurdo.

As linhas instrumentais de “Desert Ghost” foram gravadas na cidade natal da banda, enquanto os vocais, mixagem e masterização foram feitos em São Paulo. No que tange à sonoridade, os trabalhos de Michel Kuaker na produção e mixagem, mais os da masterização feita no Absolute Master Studio ajudaram a dar clareza sonora ao grupo, sem que a estruturação mais orgânica fosse afetada (uma vez que os instrumentos foram gravados “ao vivo” em estúdio, ou seja, todos juntos), ou seja, está pesado e agressivo, mas artesanal e bem acabado. Além disso, gravar os vocais em SP lhes possibilitou a presença de Silvano Aguilera (do WOSLOM) e Mayara Puertas (do TORTURE SQUAD) como convidados especiais. A arte da capa, por sua vez, é assinada pelo artista norte-americano David Paul Seymour (que assina trabalhos do SLAYER, ANTHRAX, OPETH, MASTODON, PENTAGRAM, entre outros), e na simplicidade, passa sua mensagem e transparece o que o trio faz musicalmente.

Furioso, melodioso e bem feito, o trabalho do HELLWAY PATROL não chegar a ser complicado tecnicamente falando, mas nem de longe é simplório na base do “1, 2, 3 e desce o braço”. Não, a banda busca fazer algo direto e cheio de energia, mas bem arranjado. E se preparem, pois essas canções vão agarrar em seus ouvidos e não soltam mais, especialmente no tocante aos refrães. É quase como um MOTORHEAD tocando Metal tradicional em alguns momentos (especialmente nos solos de guitarras). 

Em “Desert Ghost”, temos uma faixa refreada, com um andamento lento empolgante, e que nos mostra excelentes riffs e bons solos (e boa técnica instrumental, sem ser complexamente pedante). “Fear the War Machine” tem algumas passagens mais técnicas em alguns pontos, mas onde o lado Heavy Metal tradicional se evidencia graças às linhas melódicas (e que trabalho legal nos vocais). Fechando, “Satan Free Me”tem uma pegada mais cheia de energia, sendo a faixa mais veloz do EP, e com uma solidez imensa na base rítmica.

Ou seja, “Desert Ghost” é tão bom que nos perguntamos porque raios o grupo ainda não lançou um álbum!

Nota: 85%

FALANGE - Falange


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Destruction of Sky
2. Madness
3. Fight
4. Humano Debilmental
5. Fuck Your Play
6. Fogueira


Banda:


Luciano Piagentini - Vocais
Ivan Miotto - Guitarras
Marcelo Coletti - Baixo
Caio Imperato - Bateria


Ficha Técnica:

Falange - Mixagem, masterização
Rafael Romanelli - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: M. Garcia


É interessante ver como o Metal é viciante. Além dos fãs que nunca deixam de sê-lo por uma vida, ainda existem aqueles viciados em fazer música. Sim, não dá para ficar quieto por muito tempo, que o diga o FALANGE, quarteto do ABC Paulista (especificamente Santo André), que nos chega com seu EP de estreia, que leva o nome da banda.

O grupo é formado por quatro sujeitos com nomes clássicos do cenário Metal brasileiro nas costas (entre eles, SLAUGHTER, BLASPHEMER, ANTICHRIST, ATOMIC THRASHER, FORKA, entre outros). Mas o que chama a atenção é que eles criaram um híbrido: o jeitão do grupo é totalmente voltado à Thrash Metal Old School (com um forte carrego de EXODUS, SLAYER e ANTHRAX, e alguma coisinha de NUCLEAR ASSAULT), mas com uma sonoridade impactante e feroz que mostra uma vibração jovem e cheia de energia. Sim, e justamente por isso eles tendem a angariar fãs de todos os lados. Para ser bem sincero, para gostar da música deles basta ser fã de Metal e não ser surdo! Simples assim!

O EP foi gravado no Bay Area Studios, tendo o agora baterista do grupo Diego Henrique cuidando da mixagem e da masterização. E é justamente o que afirmo tantas vezes: para ser Old School não precisa soar cru além do ponto. No caso do FALANGE, a crueza vem do jeito que gravaram (soa bem “plug ‘n’ play” aos ouvidos), pois a estética é clara e limpa, mas com um peso rascante e timbres instrumentais ferozes. Ou seja, um feliz casamento entre o velho e o novo.

Na arte gráfica, algo bem mais orgânico, que realmente fica a cara da banda.

A verdade é que o grupo tem personalidade, mostrando uma agressividade impar em sua música, é evidente que eles não estão nem aí, descem a marreta e pronto. Mas ao mesmo tempo, em termos de arranjos musicais, eles estão ali, dando peso e preenchendo as linhas harmônicas de forma incrível. Estamos vendo um grupo promissor se erguendo do underground!

O EP abre com a brutal, curta e grossa “Destruction of Sky”, uma enxurrada de guitarras insanas (que é uma releitura de uma canção do ATOMIC THRASHER, da Demo Tape de 1988, “Atomic Future”, e percebe-se que ela não perdeu sua pegada e energia, pelo contrário), seguida da velocidade empolgante e feroz “Madness” (refrão de primeira, além de um trabalho fantástico de baixo e bateria), e de “Fight” (vai criar riffs grudentos assim na China, mesmo nos momentos mais refreados durante o refrão). Mais pesada e cadenciada é “Humano Debilmental” (que dá uma acelerada próxima ao fim, mas mostra uma força ímpar nos vocais urrados), seguida da paulada quase Crossover de “Fuck Your Play” (que bela técnica da bateria e do baixo na condução dos tempos). O EP fecha com “Fogueira”, outra com uma levada bem mais lenta e opressiva no início, antes de explodir em uma velocidade ganchuda e muita rispidez nas guitarras.

Faço questão de frisar: se gostas de Thrash Metal à lá Bay Area, vai gostar do FALANGE com certeza, que é mais um dos ótimos representantes do “SP/ABC Area Thrash Metal”.

Nota: 87%


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

SLAYER - Reign in Blood


Ano: 1986
Tipo: Full Length
Selo: Geffern Records
Nacional


Tracklist:

1. Angel of Death
2. Piece by Piece
3. Necrophobic
4. Altar of Sacrifice
5. Jesus Saves
6. Criminally Insane
7. Reborn
8. Epidemic
9. Postmortem
10. Raining Blood
11. Aggressive Perfector
12. Criminally Insane (Remix)


Banda:


Tom Araya - Vocais, baixo
Kerry King - Guitarras
Jeff Hanneman - Guitarras
Dave Lombardo - Bateria


Ficha Técnica:

Rick Rubin - Produção
Howie Weinberg - Masterização
Andy Wallace - Engenharia de som
Larry Carroll - Arte da capa


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


1986.

Neste ano que começava a segunda metade dos anos 80, as bases e características do que chamamos de Thrash Metal foram finalmente assentadas com o lançamento de “Master of Puppets” do METALLICA. Mas já seguidos por uma imensa legião de fãs, o SLAYERera considerado o mais insano e brutal grupo daqueles anos. E parecia que eles não estavam dispostos a deixar que ninguém lhes tirasse isso, já que o mercado foi inundado por discos extremos na agressividade naqueles anos.

Mal sabiam, mas o quarteto de Huntington Park (California) estava preparando um disco definitivo, que iria fazer todos os grupos extremos virarem seus seguidores. E sinceramente, poucos discos podem ser tão marcantes e influentes como “Reign in Blood”.

A verdade é que “Hell Awaits” (de 1985) havia recebido uma resposta em termos de venda muito boa. Eles estavam prontos para o pulo do gato com seu próximo disco, logo, o batalhador Brian Slagel (dono da Metal Blade Records e produtor do grupo) correu atrás de uma gravadora grande. E de todos, foi a Def Jam Recordings (especializada em Hip Hop, que tinha Rick Rubin como Manda-Chuva) quem levou, pois Rick foi conversar em pessoa com o grupo, para convencê-los a dar este passo. E lembrando: a Def Jamera um selo que tinha distribuição da Columbia Records, logo, portas poderiam se abrir.

Mas os fãs da época suaram frio vendo o SLAYER assinando com um selo enorme, ainda mais um que trabalhava prioritariamente com Hip Hop. Para quem viveu aqueles tempos, é fácil lembrar-se de quantos grupos saíram de selos independentes como ótimos e viraram bandas de Glam Metal nas “majors”.

Mal sabiam o que “Reign in Blood” faria com a percepção de todos...

Antes de gravarem o disco, pela primeira vez, o grupo fez uma sessão de fotos profissionais, usada em um “tour book”, bem como uma das fotos é a clássica da contracapa da versão em vinil. Algumas mostravam a banda de bermudas coloridas, e que provocaram comoções nos radicais da época. Nunca esqueço que a revista Metal chegou a ser acusada de montagem.

Mas o que “Reign in Blood” tem de revolucionário?

A primeira coisa é que eles fugiram completamente do modelo!

Antes de tudo, as músicas ficaram bem mais curtas. Óbvio que era uma influência do Hardcore/Punk Rock, mas ao mesmo tempo, o grupo estava cansado de ouvir muitas repetições de riffs (o que eles tiveram ao ouvir os discos recentes do METALLICA e MEGADETH). Por isso, tudo mais curto, mais rápido, e uma ferocidade absurda. É o SLAYERmostrando que ninguém tinha condições de batê-los em termos de agressividade e brutalidade. Menos de 30 minutos de amassa-crânios, de um festival de ferocidade ímpar. Sinceramente, eis aqui o disco que veio para lançar as bases do que seria o Death Metal dos anos 90.

Traduzindo: o SLAYERfoi além, criando músicas rápidas e muito brutais, abandonando das evidentes influências da NWOBHM que existiam em “Show No Mercy”, e deixando para trás as canções longas que são a característica de “Hell Awaits”. Aqui, nasceu o SLAYER que se popularizou, com seus riffs de guitarras marcantes, agressivos e de fácil assimilação (uma descrição interessante dos 80 era que a velocidade era tamanha que lembrava um ataque de vespas, devido ao zunido), solos doentios que duelam em questão de segundos, uma base rítmica sólida e veloz (sem deixa de ser técnica em termos de bateria), e vocais em tons agressivos próximos ao normal. Uma fórmula triunfal que ganhou o mundo e influenciou gerações.

Em “Reign in Blood”, pela primeira vez, o quarteto teve uma produção sonora de ponta. Rick Rubin chamou a responsabilidade de produzir, pela primeira vez, um disco de uma banda de Metal, tendo Howie Weinberg na masterização e Andy Wallace na engenharia de som. Ele ajudou a moldar o som do SLAYER por toda sua carreira, pois de lá para cá, esse “inprint” não mudou continua. No caso, Rock limpou o som deles de todos os efeitos que eram usados “no talo”, ficando algo mais orgânico, direto e seco, fazendo com que os timbres abrasivos ficassem mais audíveis. Sim, era uma qualidade de banda grande à disposição deles, que souberam usar disso muito bem.

Na arte, fugindo do primitivismo ingênuo dos discos anteriores, o artista Larry Carroll(especialista em ilustrações de cunho político, com trabalhos feitos para The Progressive, Village Voice, The New York Times e outras publicações) trouxe algo estilisticamente mais complexo e marcante, mas sombrio e completamente doentio. E capa mostra tudo o que o som do disco é sem tirar e nem pôr.

A verdade é que com “Reign in Blood”, o SLAYER estabelece um novo paradigma musical dentro do Thrash e do Death Metal: a velocidade insana, aliada à musicalidade impactante, dura e sem firulas da banda, mais os temas agora mais maduros de suas letras (o satanismo infantilóide deu lugar a algo mais violento, totalmente focado em mortes, medos humanos em uma abordagem subjetiva entre outras coisas mais agressivas).

Contracapa da versão em vinil.
Nesse disco curto e grosseiro, dez temas icônicos transformam a audição em algo traumático, já que um novo modelo foi estabelecido. É ame ou odeie, sem meios termos. E verdade seja dita: o impacto de “Angel of Death” com sua muralha de riffs insanos e duelos de solos ogrescos (haja alavancas!), a grosseria curta e grossa de “Necrophobic” (vai cantar rápido e firme assim no raio que o parta, vai!), as mudanças de ritmo grotescas da insana “Altar of Sacrifice” (baixo e bateria firmes, e as baquetas e bumbos guiam o assassinato musical), os contrastes dos andamentos em “Criminally Insane”, as melodias duras e opressivas de “Reborn” (riffs insanos herdados diretamente do Hardcore, e que refrão!), as guitarras marcantes de “Postmorten” (os vocais estão com uma dicção ótima, e se essa canção não te faz bater cabeça em sua metade lenta e na outra mais veloz, você não é do meio, simples assim), e a marcante introdução brutal de “Raining Blood”são clássicos absolutos, que o tempo estabeleceu. E na versão CD remasterizada ainda temos dois bônus: uma versão regravada de “Agressive Perfector” (mais curta e hardcorizada que a original) e a mixagem diferente para “Criminally Insane”. Mas mesmo assim, “Piece by Piece”, “Jesus Saves” e “Epidemic” são autênticos hinos à agressividade que o quarteto criou.

E sem tocar em rádios, sem vídeos na MTV, “Reign in Blood” vendeu mais de 500.000 cópias!

Tal como todos os discos clássicos, “Reign in Blood” tem suas muitas polêmicas:

1. O conteúdo lírico do disco e a capa fizeram com que a Columbia Records se negasse a distribuí-lo. Resultado: a Geffen Records se responsabilizou pela distribuição;

2. “Reign in Blood”não pode ser veiculado em rádios pelas letras;

3. No ano de 1988, em uma matéria da finada Metal, pouco depois do lançamento de “South of Heaven”, é mencionado que o SLAYER foi acusado de causar problemas idênticos aos que sabemos do JUDAS PRIEST e OZZY OSBOURNE por suas letras. Embora não se encontrem informações na internet sobre isso (eu procurei e não achei);

4. O único caso que vi de assassinatos relacionados à banda: os pais de Elyse Pahler (uma jovem de 15 anos que foi estuprada e morta por Jacob Delashmutt, Joseph Fiorella e Royce Casey) acusaram e processaram o quarteto em 1996 de “inspirarem os assassinos”. Óbvio que o caso foi encerrado em favor do quarteto;

5. A maior de todas: a letra de “Angel of Death” trata do médico nazista Joseph Mengele e seus experimentos com seres humanos no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Só que isso causou uma comoção enorme entre os sobreviventes do campo de concentração em questão, e que dura até os dias de hoje, sendo que vez por outra o grupo se vê obrigado a dar declarações negando qualquer tipo de simpatia pelo regime nazista.

Sim, apesar de ser estranho, já havia o pensamento do politicamente correto na época. A sorte é que na época, os fãs de Metal estavam mais preocupados com a música do que com vertentes políticas e orientações morais. Cada um com a sua, mas os amigos pessoais desse que vos escreve que são fãs incondicionais de “Reign in Blood”nunca fariam mal a uma mosca sequer. Hora de repensarem suas prioridades.

Este autor tem uma: ouvir “Reign in Blood”, esse clássico da música extrema mundial.

Ah, sim: Kerry King ainda tinha cabelos compridos na época.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

BULLET - Dust to Gold


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Speed and Attack
2. Ain’t Enough
3. Rouge Soldier
4. Fuel the Fire
5. One More Round
6. Highway Love
7. Wildfire
8. Screams in the Night
9. Forever Rise
10. The Prophecy
11. Hollow Grounds
12. Dust to Gold


Banda:


Hell Hofer - Vocais
Alexander Lyrbo - Guitarras
Hampus Klang - Guitarras
Gustav Hector - Baixo
Gustav Hjortsjö - Bateria


Ficha Técnica:

Magnus Sedenberg - Produção, mixagem


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


O Metal possui momentos em que um ou outro de seus subgêneros está na moda, ou seja, fica mais evidente que os outros. A atual é o resgate sonoro dos anos 80 por bandas mais jovens. Isso não é ruim, contanto que as bandas sejam adeptas de fazer as coisas ao jeito delas. Repetir o passado por repetir é perda de tempo. Muitos se perdem e fazem trabalhos aquém de suas possibilidades, enquanto outros, mesmo sem serem originais, nos brindam com discos excelentes. No último grupo, temos os suecos do BULLET, que chegam ao Brasil via Shinigami Records, que lançou “Dust to Gold”, mais recente disco deles, por aqui.

Podemos dizer que o trabalho deles é baseado na fusão de elementos melodiosos do Heavy Metal germânico (nomes como ACCEPT, GRAVE DIGGER, eRUNNING WILD vêm às nossas mentes) com alguma coisa do Hard ‘n’ Heavy da NWOBHM, melodias grudentas que eram comuns em bandas de Heavy Metal da Bélgica e a energia crua de um AC/DC. E tudo isso feito com uma pegada voltada ao Metal dos anos 80. Assim, temos uma música forte, cheia de vida e energia (pois eles preferem fazer as coisas ao jeito deles), refrães extremamente grudentos, e uma personalidade sólida.

Sim, “Dust to Gold”é um discão, e vai causar dores de pescoço em muitos!

As mãos de Magnus Sedenberg (que fez a produção e mixagem do disco) deram uma vida e brilho ao estilo à moda antiga do quinteto, trazendo para os dias de hoje o estilo da banda. Ou seja, é Metal Old School, mas com a força, intensidade e clareza da modernidade, ou seja, é como se a banda plugasse seus instrumentos e tocasse na forma mais orgânica possível, mas com captação digital, e dessa forma, a crueza vem dos timbres instrumentais, o que é um ponto muito positivo. A capa, por sua vez, é bem retrô, algo bem pensado.

Chega a ser uma covardia com o coração dos bangers mais velhos o que o BULLET faz em suas canções, e vai conquistar muitos fãs mais jovens também. “Dust to Gold” é o típico disco onde a energia e as melodias se mesclam de forma inspirada, e quem ganham no final de tudo é o ouvinte, pois esse disco é “bão pra mais de metro”, com uma forma bem espontânea de nos tomar de assalto!

Embora todas as músicas sejam excelentes, destacam-se a força e peso de “Speed and Attack” (um andamento sólido, sem ser veloz, e com um trabalho ótimo de baixo e bateria), o jeito envolvente e intenso de “Ain’t Enough” (as melodias Hard ‘n’ Roll no meio do peso que eles conjuram são ótimas, com excelentes guitarras tanto nos riffs como nos solos) e de “Rouge Soldier” (se você não gostar, é sinal que está morto, pois haja grude, e os vocais à lá Chris Boltendhal são excelentes), a energia abrasiva e empolgante de “Fuel the Fire”, a força opressiva das linhas harmônicas de “Highway Love” e do jeito setentista de “Wildfire”(puro AC/DC com ACCEPT, só que vibrante, atual e grudenta como ela só), o charme Old School de “Hollow Grounds”, e os tempos não tão velozes (mas pesados de doer os tímpanos) de “Dust to Gold”. Mas este é um play que vocês ouvirão do início ao fim sem reclamar.

É o sexto disco desses veteranos suecos, mas acreditamos que “Dust to Gold” será um pulo do gato para o BULLET, que os levará a um patamar mais alto, pois merecem. Eles têm música para tanto. E recomendo fortemente que todos ouçam!

Nota: 95%


MY REFLECTION - Homeland


Ano: 2018
Tipo: Websingle
Importado


Tracklist:

1. Homeland


Banda:


Jenni Räikkönen - Vocais
Petja Haapaniemi - Guitarras, vocais
Henri Vuorenmaa - Guitarras
Aki Tainio - Baixo
Petri Inkinen - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Para aqueles que acompanham a história do Metal e sua evolução, não é difícil perceber que o estilo, a cada época, parece ser estar mais evidente em um país ou região do mundo. Nos anos 70, a Inglaterra tinha a primazia; nos anos 80, EUA e Alemanha eram os centros; nos anos 90, maior foco na Noruega e Suécia. Mas desde a segunda metade dos anos 90, a potencialidade da Finlândia explodiu. Talvez seja hoje o país que mais exporta bandas de Metal do mundo, todas elas com muita qualidade. E é interessante perceber o amor de muitos finlandeses por sua terra natal. No caso do quinteto MY REFLECTION, eles levaram esse sentimento a extremos com seu novo Single, o recém-lançado “Homeland”.

O quinteto tem por estilo uma vertente do Symphonic Metal, que ora é melodioso e introspectivo e recheado de melodias ternas, e ora soa mais agressivo e preenchido por uma estética moderna. Óbvio que estes contrastes geram uma forma musical elegante e bastante dinâmica, cheia de peso e energia. Óbvio que esse jeito de se fazer Metal não chega a ser novo, e este tipo de ideia já anda em prática por aí, mas a forma com a qual o quinteto lida com sua música é bem pessoal, apaixonante e cheia de vida. Partes melódicas bem feitas, refrão muito bem cuidado, e tudo em seus devidos lugares.

Sim, o MY REFLECTIONfaz bonito, e muito, em “Homeland”.

A produção sonora realmente foi bem feita, buscando deixar a banda clara tanto nos momentos mais agressivos como nos mais melódicos, e consegue deixar a música em si soando grandiosa. Os timbres instrumentais foram muito bem escolhidos, bem como a impostação das vozes é muito boa. Tudo bem feito e na medida justa.

No caso da capa, ela nos mostra uma paisagem da Finlândia, buscando dar a ambientação correta para a canção. E verdade seja dita: como é bonita a foto.

Se por um lado o estilo do grupo não chega a ser inovador, por outro eles mostram valor ao reescreverem as regras à moda deles. Por isso, a sedução sonora de “Homeland” é irresistível, e em termos de arranjos musicais, o MY REFLECTION mostra muita personalidade, e sabem encaixá-los perfeitamente.

Em seus pouco mais de seis minutos, “Homeland” nos envolve com suas melodias bem feitas, orquestrações belíssimas e contrastes entre momentos brutos (onde os timbres modernos das guitarras e força da base rítmica se mesclam aos ótimos vocais rasgados) e mais suaves (onde as orquestrações e vozes femininas suaves comandam as linhas melódicas) transformam a audição desta canção em momentos de puro prazer. Mas não se enganem: “Homeland” é envolvente, de simples assimilação para nossos sentidos.

“Homeland” é um tributo do MY REFLECTION à Finlândia, uma exposição das belezas do país e sua história (e justamente quando a nação completa 100 de sua independência), bem como das características do Metal finlandês.

E digamos de passagem: tudo isso nos leva a querer conhecer mais e mais do trabalho do grupo.

Ah, sim: “Homeland” pode ser ouvido nas plataformas digitais abaixo.


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MAESTRICK - Espresso Della Vita: Solare


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Origami
2. I a.m. Living
3. Rooster Race
4. Daily View
5. Water Birds
6. Keep Trying
7. The Seed
8. Far West
9. Across the River
10. Penitência
11. Hijos de la Tierra
12. Trainsition


Banda:


Fábio Caldeira - Vocals, piano
Renato Somera - Baixo, backing vocals
Heitor Matos - Bateria, percussão
Neemias Teixeira - Teclados


Ficha Técnica:

Adair Daufembach - Guitarras, produção
Fernando Freitas - Percussão
Juh Leidl - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Existem grupos que levam logos intervalos de tempo entre seus lançamentos. Nos dias de hoje, onde as apresentações ao vivo se transformaram na opção de sobrevivência de grupos profissionais (pois são nos shows em que eles conseguem vender algum merchandising), o hiato que antes durava, no máximo, dois anos, se expandiu. Algumas bandas perdem algo nesses períodos, enquanto outros justificam a nossa longa espera. O MAESTRICK, grupo de Prog Metal/Rock de São José do Rio Preto (SP) levou cinco longos anos entre “Unpuzzle!” (de 2011, seu primeiro álbum) e o EP “The Trick Side of Some Songs” (feito de covers e lançado em 2016), e agora, chega com seu segundo “full length”, que se chama “Espresso Della Vita: Solare”.

Mas o que podemos esperar do disco?

Para início de conversa, o estilo do grupo foi ficando mais lapidado e conciso, mas a personalidade eclética de antes continua presente. E dois aspectos os diferem de tantos grupos do gênero: eles têm uma inclinação um pouco maior para o lado Prog (e que é mais influenciado por JETHRO TULL, YES e GENESIS que por PINK FLOYD, o caso da maioria quase esmagadora), o que nos trás algo mais diversificado musicalmente; e eles são bem mais ecléticos que a maioria que foca-se apenas na mistura de Metal com Rock Progressivo (ou seja, o modelo europeu do estilo), com “inserts” de influências regionais (como se percebem no uso de viola caipira e berrante no início de “Rooster Race”), Pop e Classic Rock (reparem nos arranjos à lá BEATLES de “Daily View”), mantendo a elegância e o bom gosto musical como constantes em seu trabalho. Mas mesmo com canções grandes e trabalhadas, o que se ouve nesse álbum é extremamente envolvente, gruda nos ouvidos e na mente, e não sai mais. Ou seja, se gostaram de “Unpuzzle!”, é mais que certo que irão adoram  “Espresso dela Vita: Solare”.

A sonoridade do disco foi construída com calma, para conseguir associar tantos elementos musicais diferentes em uma forma única e coerente. Mas Adair Daufembach (que produziu o disco, além de tocar as guitarras) fez um trabalho de primeira, pois o grupo soa pesado, mas mantendo aquela clareza vital para o trabalho do grupo, sem contar que nas partes mais trabalhadas, há uma estética sonora que nos remete ao Progressive Rock dos anos 70 (mas nada de datado). Além disso, a escolha dos timbres para os instrumentos musicais ajudou bastante. E, além disso, a arte da capa é convidativa, revela o conceito por trás do álbum: a vida é como um trem em seus trilhos, onde cada um testemunha os eventos como um passageiro.

E conduzindo este expresso, o MAESTRICK mostra como se evolui sem perder a essência. E o trabalho deles ficou de primeira, com arranjos muito bem pensados em canções inspiradas, com detalhes minimalistas, mas sem que sua música perca a energia e pegada espontâneas. Ou seja, eles conseguem juntar o melhor do Metal e do Rock Progressivo de uma vez só, usando influências diferenciadas (mencionadas acima) como alinhavo para tudo. Rodrigo Pimentel e Leonardo Almeida são convidados, que deram um toque diferenciado ao trabalho pelo uso de banjo, ukulelê e sobro, fazendo com que “Espresso Della Vitta: Solace” tenha uma sonoridade não convencional ao estilo.

E ficou de primeira o trabalho!

Destaques: o jeito Prog Metal pesado e melodioso de “I a.m. Living” (ótimo nível técnico, refrão de primeira, além de excelente técnica de baixo e bateria), os toques regionais e a energia envolvente de “Rooster Race” (um pouco mais direta e compacta, mas novamente com um refrão excelente), o jeito Pop/Heavissívo de “Daily View” (vocais de primeira, melodias de fácil assimilação), o jeito técnico envolvente das cordas de “Keep Trying”, as belas partes de teclados e violão que permeiam o início da multivariada “The Seed” (em seus mais de 15 minutos, eles conseguem fazer uma viagem musical de ótimo gosto, cheia de mudanças de ritmos e partes grandiosas, ou seja, é uma música que mostra a totalidade do trabalho musical deles), a introspectiva “Across the River”, a pegada mais agressiva e com Groove brasileiro à lá Samba Rock de “Penitência” (que foge um pouco ao estilo, mas que também mostra a versatilidade musical da banda), o jeito mais etéreo e “noir” de “Hijos de la Tierra”, e o final apoteótico na também à técnica e multifacetada “Trainsition” (sim, a grafia está correta, e fortemente correlacionada ao conceito do disco, e a canção varia do suave ao elétrico sem pudores).

Todos a bordo, pois o “Espresso Dela Vita: Solace” vai partir, e o MAESTRICKnos convida a ocupar lugares especiais.

Ah, sim, o disco pode ser ouvido nas plataformas digitais.

Deezer: https://bit.ly/2lV1v3R

Um dos melhores grupos do estilo no Brasil, sem sombra de dúvidas!

Nota: 100%