segunda-feira, 2 de julho de 2018

STATIK MAJIK - Eternamente viciados em música (Entrevista)



Por Marcos Garcia


Para quem conhece o cenário underground do RJ, o nome do veterano STATIK MAJIK é bem conhecido, com um trabalho que transita entre o Metal tradicional, o Stoner Metal/Rock e o Hard Rock. Mas a banda, após vários EPs, demos e dois álbuns, encerrou suas atividades em 2015. Mas como tudo que é bom retorna, eis que eles estão de novo na ativa, tendo junto ao veterano Luis Carlos “Carlinhos” (bateria, backing vocals) o novato Alexandre Pontes (baixo, vocais, também do grupo AS DRAMATIC HOMAGE) e o regresso de Artur Círio (guitarras, vocais, o mesmo que gravou “Stoned on Musik”). E lá fomos nós bater um papo com a banda e saber sobre o passado, o presente e as ambições do trio nesse retorno.

Luis Carlos

MG: Antes de tudo, quero agradecer muito por esta oportunidade, e vamos entrar quente (sem duplo sentido, risos): por mais que a pergunta seja chata e repetitiva, o que levou o STATIK MAJIK a parar em 2015? Aparentemente, a banda vivia um ótimo momento.

Luis Carlos: Não percebi em mim, durante aquela época, que isso estava para acontecer, tanto que volta e meia era algum rompante de acabar com a banda, ou mesmo, sair da Statik. A banda acabou em 2015, mas isso já vinha acontecendo desde 2013. A decisão de sair do grupo, na pior das hipóteses, foi a pior decisão possível, porque muitas pessoas passaram a me dizer que não haveria sentido a banda continuar sem aquele que fundou o grupo e que tanto batalhou para que ela acontecesse, mas elas não sabiam que a Statik estava se tornando mais um fardo do que um prazer para mim. Poucas pessoas percebiam isso, ou, pelo menos aquelas que se importavam comigo e não com o “Luis Carlos baterista da STATIK MAJIK”. Sempre acontecia uma coisa boa aqui e ali, e isso ia amenizando e fazendo com que eu continuasse, mas que no final acabou refletindo em uma péssima escolha de minha parte. A banda vivia um bom momento, mas não eu, porque ninguém ou poucos ainda sabem que o último show da STATIK MAJIK foi um inferno astral devido aos conflitos internos no grupo e que encerrar as atividades da banda alguns dias depois foi um alívio para mim, como foi uma forma de preservar uma banda íntegra e possível de retorno. Vendo hoje, a decisão foi a mais correta possível.


MG: Na época, vocês estavam colhendo os frutos do lançamento de “Wrath of Mind”. Como foi a aceitação do CD, a recepção de público e crítica? Chegaram a ter um bom feedback do exterior?

Luis Carlos: A aceitação foi ótima, e acredite, continua sendo até hoje. Durante todo esse tempo a banda não foi esquecida, tanto que sempre acontecia de alguém vir falar comigo. Tivemos feedback, mas não tanto quanto deveria, já que a turnê europeia não funcionou tão bem quanto as sul-americanas, provavelmente por termos feito com uma agência ruim e amadora. Mas outras coisas que foram se mostrando ruins dentro da Statik foram as turnês, porque nelas é que os problemas começaram a vir à tona. Foi válido tocar em muitos países europeus, vale a experiência, mas não é como muitos ventilam por aí de que tudo é sucesso e um mar de rosas. (risos)


Alex Pontes
MG: Outra pergunta daquelas: você é um workaholic dentro do Metal, pois escreve artigos no A Arte Condenada, colabora em outras publicações, já teve produtora de shows, ou seja, não para nunca. Como lidar com tudo isso agora que o STATIK MAJIK está de volta?

Luis Carlos: Em se tratando de música, a Statik se torna agora a minha prioridade, porque estou tendo que colocar a “casa em ordem” pelos três anos que a banda ficou inativa. O Blog está parado e será mais fácil escrever para algum outro veículo, pois isso não demanda tanta responsabilidade de minha parte em ter que fazer tudo, e quanto a produtora de shows, eu já cogitei voltar, mas provavelmente se eu fizer algum evento agora, será “um na vida e outro na morte”, porque eu vejo o lado comercial e mercadológico de nossa cidade hoje muito deficiente e nada que valha meu esforço e investimento.


MG: Nessa volta, a formação é bem diferente da que parou. Há alguma razão especial para essas novas cabeças contigo no grupo?

Luis Carlos: Artur e Alexandre são “novos integrantes”, mas “velhos conhecidos”. Se existe uma razão especial, essa razão se chama: talento.

MG: Falando nisso, Artur gravou o “Stoned on Musik”, mas os shows foram com foi com Thiago D’Lopes. O que o levou a sair, e como foi que ele retornou ao grupo? E como o Alexandre entrou na banda? E como está o clima na banda com eles dois?

Artur Círio: Na época, em 2010, eu tive compromissos com o COLDBLOOD pela América do Sul e precisei desfalcar a STATIK MAJIK naquela ocasião. Hoje, quase dez anos depois, é muito bom fazer parte do time de novo com pessoas sérias e amigas!

Alexandre Pontes: Eu e o Luis Carlos já trabalhamos musicalmente juntos em outros projetos, e de certa forma sempre viemos acompanhando nossos trabalhos, e digo por mim que sempre admirei e respeitei muito o trabalho que ele exercia com a STATIK MAJIK, então certo dia eu recebi a proposta, conversamos sobre muitas coisas que poderiam influenciar e trazer entusiasmo nessa nova fase e creio que chegamos em um bom consenso, pra mim será ótimo voltar a tocar contrabaixo e com pessoas engajadas musicalmente pois sei que vou aprender muita coisa com eles apesar de todos esses anos.


MG: O STATIK MAJIKé veterano, e com um som que veio evoluindo com o passar dos anos. O EP “Redemption” tem uma pegada mais Doom Metal anos 90 e Stoner Rock, enquanto o “Stoned on Musik” já nos mostra algumas influências mais Hard Rock clássico anos 70, e “Wrath of Mind” tem um jeitão Classic Rock com um toque Hard/Glam. Óbvio que a assinatura sonora não mudou, mais foi aglutinando influências, pelo visto. Dessa forma, o que podemos esperar do que vem por aí?

Alexandre Pontes:A banda tem uma identidade musical mas creio que devido as nossas influências particulares dentro do estilo próximo ao que a banda fez nos 2 CDs gravados, devemos estabelecer uma fonte de renovação no som, nada fora do contexto, e como o Luis disse, estamos trabalhando nas ideias para que as músicas façam jus ao legado da banda.

Luis Carlos: São novos integrantes, e com isso, novos pensamentos e influências. Eu acredito que venha uma STATIK MAJIK bem mais pesada. Sei que todos precisam de um rótulo, mas a Statik procura fazer sua música sem pensar dentro de um estilo. Estamos compondo, colhendo novas ideias, e no decorrer disso tudo, pode ser que acrescentemos novos elementos em nossa música ou quem sabe novos integrantes. Tudo é possível, tudo parece novo e encorajador agora, e estamos muito, muito animados para tocar.


MG: Aliás, já que falamos do que vem por aí, já existem planos para EP, Single ou mesmo álbum novo?

Luis Carlos: Estamos com novas ideias fluindo constantemente e será a partir dos resultados delas que decidiremos se isso vai valer um single ou um EP. Para um álbum novo e mais completo, eu ainda acho prematuro para esse ano, por isso, acredito eu que seja mais provável que lancemos um single, e com isso, quem sabe um lyric vídeo ou clipe.


Artur Círio
MG: Outro ponto que os diferencia de grande parte das bandas que assumem uma postura Stoner Metal/Rock é a qualidade sonora. Tanto “Stoned on Musik” quanto “Wrath of Mind” são discos com sonoridades excelentes, e nem de longe lembram bandas que preferem algo sujo como muitos fazem. O que os leva a preferir esse formato de algo mais claro a algo que beira a podridão?

Luis Carlos: Acredito que o “Stoned” se aproxime mais dessa “sujeira” do que o “Wrath”. Eu acho essas bandas atuais de Stoner um “pé no saco”, pouco me agrada, tudo soa muito parecido e cópia do Black Sabbath, inclusive no visual. Mesmo o KYUSS, banda que é considerada o pai do estilo, nunca foi referência pra Statik, pois quando formei o grupo em 2002, foi pensando em bandas como WITCHFINDER GENERAL, TROUBLE, PENTAGRAM, SAINT VITUS, COUNT RAVEN, que eu queria ter como referência pra banda. Nem é questão de preferência, mas em acreditar que por mais que você esteja inserido em um estilo, isso não significa que tenha que parecer com todas elas. A Statik já foi até criticada por usar “pedais duplos” na bateria e ter um vocal mais Heavy. Olha que ridículo (risos)


MG: Apesar do momento político ruim do país, o STATIK MAJIK volta à ativa, assim como o PAINSIDE, o SYREN anda bem ativo, o IMAGO MORTIS acaba de lançar disco novo, o METALMORPHOSEsegue firme. Isso parece mostrar que as vertentes mais melodiosas do Metal andam abrindo mais espaços no RJ. Acha que isso é fato, e se sim, existe motivos para isso?

Luis Carlos: Acredito que cada um tenha suas motivações e interesses em voltar ou continuar tocando. Nisso tudo, o que é parecido é essa vontade de tocar “Rock Pesado” em um país que não dá valor para o seu estilo.


MG: Por falar em espaços, já existe previsão do show da volta? Se sim, aproveite o espaço e divulgue!

Luis Carlos: Não, ainda não. Por enquanto nossa prioridade é fazer músicas novas e lançar em nossas redes sociais.


MG: Nunca perguntei isso a vocês, logo, é hora: quais são os músicos que te influenciam? Suas bandas favoritas? E como vê o momento em que gigantes como o BLACK SABBATHanunciam a aposentadoria?

Luis Carlos: Se eu falar do meu instrumento, posso citar Bill Ward, John Bonham e Neil Peart, mas se eu colocar a música como um todo, citaria Dave Ghrol (FOO FIGHTERS). Esse cara é sensacional. Quanto as bandas, tem aquelas clássicas, onde se inclui a “aposentada” BLACK SABBATH, porque eles são o “Pai de todos”. (risos)


MG: É isso. Por favor, deixe sua mensagem final aos fãs do STATIK MAJIK e leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Luis Carlos: Quando anunciei o retorno da STATIK MAJIKas respostas foram as melhores possíveis, pois nossas redes sociais tiveram rapidamente um feedback super positivo. Eu só tenho a agradecer por todos aqueles que acreditam na Statik, e também por quem não acredita mais, isso é motivador, acreditem. (risos) Agradeço o espaço cedido, é uma honra para nós fazer parte do Heavy Metal Thunder Brasil!!!


Contatos:

domingo, 1 de julho de 2018

ANTHRAX - Kings Among Scotland


Ano: 2018
Tipo: DVD ao vivo
Nacional


Tracklist:

1.      A.I.R.
2.      Madhouse
3.      Evil Twin
4.      Medusa
5.      Blood Eagle Wings
6.      Fight ‘Em ‘Til You Can’t
7.      Be All, End All
8.      Breathing Lightning
9.      Among the Living
10.  Caught in a Mosh
11.  One World
12.  I Am the Law
13.  A Skeleton in the Closet
14.  Efilgnikcufecin (N.F.L.)
15.  A.D.I. / Horror of It All
16.  Indians
17.  Imitation of Life
18.  Antisocial

  
Banda:

Foto: Ignacio Galvez
Joey Belladonna - Vocais
Scott Ian - Guitarra base, backing vocals
Jonathan Donais - Guitarra solo, backing vocals
Frank Bello - Baixo, backing vocals
Charlie Benante - Bateria


Ficha Técnica:

Paul M. Green (Film24Productions) - Produção, direção, filmagem, edição
Jay Ruston - Mixagem, masterização (som)
Andy Buchanan - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial: http://anthrax.com/
Assessoria:
E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Os DVDs ao vivo estão tomando conta do espaço que, antes, era meramente dos discos ao vivo. A maior vantagem é tornar acessível aos fãs um evento marcante, ou mesmo permitir que fãs de cidades e países aonde as bandas, por um motivo ou outro, não vão, a possibilidade de verem o grupo. Neste último caso, é quase como um prêmio de consolação, mas melhor assim que nada. Mas muito além de qualquer prêmio é o DVD “Kings Among Scotland”, do quinteto norte-americano ANTHRAX. E a parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasilnos permite ter acesso a esta preciosidade.

Nem é muito necessário descrever o que o quinteto faz: é um dos membros do “Big Four”, a quadra de ases do Thrash Metal. E não é sem motivos, pois muitos dos elementos que eles criaram se encontram no trabalho de milhares de bandas pelo mundo inteiro. E assim como o Duplo CD ao vivo de mesmo nome (resenhado aqui: https://heavymthunder.blogspot.com/2018/06/anthrax-kings-among-scotland.html), as gravações foram feitas no dia 15 de fevereiro passado, no Barrowland Ballroom, em Glasgow (Escócia). E pelas imagens, vemos que a banda teve um público enorme, com casa cheia, e que era bem selvagem (muitas rodas de mosh, muita agitação, muita participação desde o início do show). Além disso, apesar dos mais de 30 anos de atividades, o ANTHRAXse mostra muito bem ao vivo, embora a postura seja um pouco mais comportada que no passado (tirando o novato Jonathan, que agita bastante). Além disso, o show é dividido em duas partes: o primeiro set, que foi inteiramente escolhido pelos fãs por meio de uma votação; e o segundo, onde tocam o clássico “Among the Living” na íntegra. Ou seja, um evento bem especial.

Em termos de som e imagem, o DVD é perfeito. A parte visual é toda Paul M. Green (da Film24Productions), que usou 17 câmeras digitais, um guindaste e mesmo algumas câmeras Go-Pro. Tudo para que tudo ficasse visualmente perfeito, e a edição é ótima (pena que ainda insiste-se demais em trocar rapidamente de câmeras certos momentos), e alguns takes são antológicos (a parte que Joey coloca um cocar que foi jogado no palco em “Indians” é uma delas). O som está de primeira, já que a mixagem é do produtor Jay Ruston (o mesmo que produziu “For All Kings”), fiel ao que se espera de um show ao vivo,

A arte é muito boa, com a capa de Andy Buchanan fazendo uma homenagem à capa de “Rock and Roll Over” do KISS(lembrando que os membros do quinteto são fãs declarados do lendário quarteto). O encarte é bem profissional, como fotos do show.

Como temos dois sets, é bom dizer que o palco muda em relação aos dois shows. Pelo visto, quando a banda toca o “Among the Living”, eles buscam usar o mesmo palco (com plataformas e tudo) da época, apenas adaptado às dimensões da casa.

No primeiro setlist, a banda dá um “check” em sua carreira, com clássicos como “A.I.R.”, “Madhouse”, “Medusa”, “Fight ‘Em ‘Til You Can’t”, “Be All, End All”, “Blood Winged Eagle”, e a dobradinha do disco mais recente, “Blood Eagle Wings”e “Breathing Lightning” (um dos hinos recentes do grupo). Óbvio que a ausência de canções de “Fistful of Metal” e “Persistence of Time” é clara, mas como as músicas foram escolhas dos fãs, e uma banda tão antiga como eles tem muitos clássicos, fica difícil mesmo escolher.

Na segunda parte, “Among the Living” e tocado na íntegra, logo, clássicos como “Caught in a Mosh” (sem essa no setlist, não estamos vendo um show do ANTHRAX), “I Am the Law”, “A Skeleton in the Closet” e “Efilgnikcufecin (N.F.L.)”, a conhecida “Indians” (a introdução de bateria leva o público à loucura, com Scott pausando a música e chamando o povo para o moshpit, que vira um caos) causam um caos enorme, e digamos de passagem: não é fácil ficar parado em um show desses. Fechando, eles tocam “Antisocial”, uma versão deles para uma canção do grupo francês TRUST, para acabar logo com os pescoços alheios.

Todas com ótima qualidade de som e vídeo, e temos duas horas de show, e uma apresentação fantástica do quinteto. Como diz um amigo desse autor, Fábio Dias, o ANTHRAX ao vivo é que nem AC/DC: sempre faz um show excelente.

Óbvio que o ANTHRAX já possui uma coleção de ótimos trabalhos ao vivo, mas com certeza “Kings Among Scotland” é um dos melhores, se não for o melhor. Isso mostra o grande momento que o grupo está vivendo.

NOT²!

Nota: 100%



sexta-feira, 29 de junho de 2018

BLUYUS - #Rock


Ano: 2018
Tipo: Ful Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Asas
2.      Bússula
3.      De Pai Para Filho
4.      Jardim
5.      Luz
6.      Nada Mais
7.      Porto
8.      Promessas
9.      Razões do Coração
10.  Vento
11.  Todo Amor
12.  Velhos e Bons Tempos


Banda:


Alexandre Bluyus - Vocais, guitarras
Euclídes - Baixo
Ricardo - Bateria


Ficha Técnica:

Alexandre Bluyus - Produção
Fred Semensato - Mixagem
Estúdio PSP - Masterização
  

Contatos:


Texto: Marcos Garcia


O Rock ‘n’ Roll brasileiro vai muito além do que o grande público sequer imagina.

Longe dos nomes mais conhecidos do dito Rock Brasil dos anos 80 e seus seguidores, muita coisa boa foi feita por aqui. E ainda é, pois a criatividade musical não é volátil como o grande público brasileiro (que está mais preocupado em “estar na moda” como muitos do que estar satisfeito consigo mesmo). Uma prova é “#Rock”, disco de BLUYUS.

Pela ampla experiência do mentor do trio, o guitarrista/vocalista Alexandre Bluyus (que já passou por nomes como Scavenger, Gestalt, Other Dogs, entre outros), já se pode apostar que vem um disco muito bom por aí. E vem, pois aqui temos o mais puro Rock ‘n’ Roll com uma forte conotação comercial, ou seja, um trabalho musical com o jeito Rocker duro e direto, mas com melodias de fácil assimilação, ótimos refrões e boa dose de técnica e feeling. E é uma ótima opção para os ouvidos cansados do dia a dia de tanto lixo musical que somos forçados a consumir nas ruas e pela TV.

A produção é do próprio Alexandre, tendo Fred Semensato na mixagem e a masterização feita pelo Estúdio PSP. Fica óbvio que a opção é pela qualidade sonora mais simples e orgânica possível, sem exagerar em infinitas edições digitais. Tudo soa bem feito e orgânico, mas sem exageros. Tudo apenas para que possamos assimilar com mais facilidade e música do trio.

Sendo o segundo trabalho do BLUYUS, fica claro que a busca por algo que soe acessível, mas que seja Rock, que seja feito com energia e vontade. E mesmo sendo um músico de boa formação (Alexandre é formado pela Faculdade de Música Santa Cecília, pertencente à turma de graduados de 1997), se percebe que o ecleticismo mezzo Rock, mezzo Blues, e com boa fluência no Pop bem feito, funciona muito bem.

Das 12 canções de “#Rock”, se destacam o jeitão intimista com um toque de Blues e certo swing de “Asas” (reparem no uso bem pensando no wah-wah em vários momentos), a força acessível e envolvente de “Bússula”, o intimismo suave e tocante de “De Pai Para Filho” e “Jardim” (ambas com boas conduções de ritmo, ou seja, com baixo e bateria fazendo um bom trabalho), o toque distorcido que se encaixa perfeitamente nas melodias de “Promessas”, e a rocker e cheia de energia “Velhos e Bons Tempos”.

Ou seja, “#Rock” é um disco delicioso de se ouvir. Ouçam e aproveitem!

Nota: 84%

GLOWING TREE - Bucolic


Ano: 2018
Tipo: Ful Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:
  
1.      Animals (This Sounds Black!)
2.      Johnny Parker
3.      Reasons to Cry
4.      Psycho Paper
5.      Slacker Generation
6.      Half Dead Boy
7.      Unfinished Subjects
8.      Pictures of Life
9.      Seeing Red
10.  Goodbye

  
Banda:


Jean Felipe – Vocais, guitarras
Fábio Fiore - Teclados, backing vocals
Scott Denis - Baixo, backing vocals
Ryan Marcel - Bateria


Ficha Técnica:

Marcelo Costa - Produção, mixagem, masterização
Jean Felipe - Produção
Jolene Casko - Arte da capa


Contatos:


Texto: Marcos Garcia


Desde que o Rock saiu da evidência nas grandes mídias, e retornou ao Underground nos anos 90, muitos acreditam que o estilo está morto. Óbvio que sabemos que a coisa não é por aí, pois o público continua presente, apenas fragmentado (sim, estamos falando dos que adoram viver dentro de subdivisões). Sempre existem boas bandas surgindo aqui e ali, e só mesmo os que estão mais despertos conseguem percebê-las. E um grupo muito legal é o GLOWING TREE, quarteto paulista que nos chega com “Bucolic”, seu primeiro disco de estúdio.

Surgido como um projeto do vocalista/guitarrista Jean, que trabalha como produtor de Rock Progressivo e Rock Alternativo, o que temos plena convicção é que o quarteto tem uma forte vocação para misturar ambos os estilos, mais uma boa dose de Classic Rock e Hard Rock, o que nos mostra uma música cheia de energia, melodiosa, e que ora é mais elétrica e empolgante, ora mais densa e introspectiva, mas sempre um trabalho bem feito e que seduz o ouvinte, pois eles evitam algo tecnicamente muito complexo (existe técnica, mas não é o foco deles). É ouvir e assimilar.

A produção buscou algo mais orgânico e seco em termos de sonoridade para “Bucolic”, tentando fugir das infinitas edições digitais. Está limpa na medida certa para compreendamos o que o grupo faz, com uma boa dose de peso e sujeira, embora pudesse ser melhor, pois o trabalho da banda pede (e merece, pois é muito bom). E a arte da capa de Jolene Casko ficou muito boa, transparecendo o que eles buscam sonoramente.

Por ser o primeiro registro de uma banda jovem (embora os músicos pareçam calejados), “Bucholic” mostra um trabalho musical que tende a evoluir mais e mais, pois as possibilidades deles são muitas. Mas mesmo assim, já é algo de respeito, e que vai ganhar muitos fãs.

Em 10 canções, o grupo se mostra inspirado.

O jeitão mais rocker e sujo de “Animals (This Sounds Black!)” (com guitarras muito boas e ótimas melodias mais simples) e de “Johnny Parker” (onde algumas partes mais introspectivas se fazem presentes, e que mostra um refrão muito legal), os toques Progressivos evidentes de “Reasons to Cry”, os toques de Bossa Nova que permeiam a atmosfera claramente Prog de “Slacker Generation”, as belas passagens de teclados que ornamentam a ambientação ‘Rock Progressivo’ anos 70 de “Pictures of Life” (que belas guitarras, e com um jeitão meio JETHRO TULL em alguns momentos), e a pegada mais Hard Rock de “Seeing Red” evidenciam que o grupo tem talento e futuro.

Eles são bons, como “Bucholic” mostra, mas a tendência é que evoluam mais, e o futuro promete.

E o disco pode ser ouvido nas seguintes plataformas:


Nota: 81%

ANTHRAX - Kings Among Scotland


Ano: 2018
Tipo: Duplo CD ao vivo
Nacional


Tracklist:

CD 1:

1.      A.I.R.
2.      Madhouse
3.      Evil Twin
4.      Medusa
5.      Blood Eagle Wings
6.      Fight ‘Em ‘Til You Can’t
7.      Be All, End All
8.      Breathing Lightning


CD 2:

1.      Among the Living
2.      Caught in a Mosh
3.      One World
4.      I Am the Law
5.      A Skeleton in the Closet
6.      Efilgnikcufecin (N.F.L.)
7.      A.D.I. / Horror of It All
8.      Indians
9.      Imitation of Life
10.  Antisocial


Banda:


Joey Belladonna - Vocais
Scott Ian - Guitarras, backing vocals
Jonathan Donais - Guitarras, backing vocals
Frank Bello - Baixo, backing vocals
Charlie Benante - Bateria
  

Ficha Técnica:

Jay Ruston - Mixagem, masterização
Andy Buchanan - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial: http://anthrax.com/
Assessoria:
E-mail:

Texto: Marcos Garcia


E nos Estados Unidos, no início dos anos 80, as bandas do Big Four norte-americano disseram: “que haja o Thrash Metal”, e de lá para cá, muita água rolou embaixo da ponte.

Óbvio que os nomes são bem conhecidos de todos os fãs. Mas um dos mais influentes é o do quinteto nova-iorquino ANTHRAX. Muitos elementos criados pelo grupo são encontrados na musicalidade das bandas mais jovens do gênero. E coroando o bom momento que eles estão vivendo, eis que temos em mãos “Kings Among Scotland”, disco ao vivo (e duplo). E a Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Brasil lançou esta jóia por aqui.

Gravado no show do grupo em 15 de fevereiro passado em um show completamente lotado em termos de público (os ingressos estavam esgotados) no Barrowland Ballroom, em Glasgow (Escócia), a verdade é simples: o quinteto ao vivo ainda mostra a mesma intensidade, o mesmo sentimento de quando ainda eram jovens. A sonoridade está excelente, e assim, fica evidente a participação, bem como a forma excelente do grupo. Nem parece um grupo já com quase 40 anos de vida.

As gravações ao vivo sempre são um desafio, mas a mixagem de Jay Ruston (que produziu “For All Kings”, último trabalho de estúdio do quinteto) deu vida e brilho ao som do grupo, sem que a espontaneidade e energia de um show de Metal sejam perdidas (o que realmente é algo difícil de conseguir). E na arte de Andy Buchanan, uma homenagem/sátira à capa de “Rock and Roll Over” do KISS(lembrando que eles são fãs declarados do quarteto).

Mesmo experiente, a energia ao vivo do ANTHRAX é algo absurdo. E o setlist é ótimo, pois ao lado de clássicos como “A.I.R.”, “Madhouse” e “Caught in a Mosh”, estão “Breathing Lightning”, “Blood Eagle Wings”, mostrando que eles não estão com a mínima vontade de viver de passado, ou mesmo perto da aposentadoria. Aliás, no setlist, percebe-se que eles tocaram o “Among the Living” completo, e por isso, músicas de “Fistful of Metal”e “Persitence of Time” acabaram ficando de fora, o que não desqualifica o disco. É óbvio que sempre falta alguma coisa em discos ao vivo de bandas tão antigas, e estamos falando de um disco com duas horas de duração!

O poder de fogo de “Kings Among Scotland” é para dar torcicolos crônicos em muitos, pois a energia é absurda.

Nem dá para destacar esta ou aquela música, pois a solidez da atual formação é imensa e nada deve às anteriores. Mas não tem como o coração não bater com força quando tocam canções como “A.I.R.” (reparem na solidez do trabalho insano de Frank e Charlie na base rítmica), o hino “Madhouse”(um dos primeiros grandes sucessos do grupo, onde o veterano Scott e o novato Jonathan mostram entrosamento na muralha de riffs da canção, e com o solo de guitarra que busca ser fiel ao original), “Medusa” (uma das canções em que Joey se apresenta melhor), “Fight ‘Em ‘Til You Can’t” (que energia intensa), “Be All, End All” (reparem como o público participa bastante), “Breathing Lightning” (uma das melhores canções mais novas da banda, mostrando que o grupo realmente é fiel ao que faz, mas que sabe se renovar). E isso só no CD 1.

No CD 2 ainda existem massacres para o pescoço como “Among the Living”, a clássica e obrigatória “Caught in a Mosh” (sem essa, não é um show do ANTHRAX), a pancadaria pesada e cadenciada de “I Am the Law”, a dobradinha insana de “A Skeleton in the Closet” e “Efilgnikcufecin (N.F.L.)” (se não entendeu, leia de trás para frente, e eu sempre quis escrever isso em um review deles), o clássico absoluto “Indians” (a introdução de bateria fez com que o público fosse à loucura, com Joey pausando a música e chamando o povo para o moshpit), e a versão Thrasher do grupo para o velho clássico do grupo francês TRUST, “Antisocial” (que muitos ainda devem achar que é deles, já que esta música marcou ossos).

Não é o primeiro disco ao vivo do ANTHRAX, mas com certeza “Kings Among Scotland” é um dos melhores, se não for o melhor.

NOT! (Os fãs mais velhos entenderão a referência)
  
Nota: 97%