terça-feira, 15 de maio de 2018

MICHAEL SCHENKER FEST - Resurrection


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Heart and Soul
2. Warrior
3. Take Me to the Church
4. Night Moods
5. The Girl with the Stars in Her Eyes
6. Everest
7. Messin’ Around
8. Time Knows When It’s Time
9. Anchors Away
10. Salvation (instrumental)
11. Livin’ a Life Worth Livin’
12. The Last Supper


Banda:


Michael Schenker - Guitarras
Steve Mann - Guitarras, teclados
Chris Glen - Baixo
Ted McKenna - Bateria


Ficha Técnica:

Michael Voss-Schön - Produção
Kirk Hammett - Guitarras em “Heart and Soul”
Robin McAuley - Vocais em “Heart and Soul”, “Warrior”, “Time Knows When It’s Time”, e “The Last Supper”
Gary Barden - Vocais em “Warrior”, “Messin’ Around”, “Livin’ a Life Worth Livin’” e “The Last Supper”
Doogie White - Vocais em “Take Me to the Church”, “The Girl with the Stars in Her Eyes”, “Anchors Away” e “The Last Supper”
Graham Bonnet - Vocais em “Warrior”, “Night Moods”, “Everest” e “The Last Supper”


Contatos:

Assessoria: markus.wosgien@nuclearblast.de (Nuclear Blast)

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Uma consciência que tomou de assalto o Metal em meados dos anos 80 foi o quanto o uso e abuso de álcool e drogas poderiam corroer a carreira artística de muitos músicos, bem como ceifar suas vidas. Muitos recorreram a clínicas de desintoxicação (os famosos rehabs) para manter suas carreiras e vidas. Um dos músicos mais brilhantes e que sofreram nessa lua foi o guitar hero alemão Michael Schenker, irmão mais novo de Rudolf (do SCORPIONS). Sua carreira seguiu começando no próprio quinteto alemão, seguida por uma meteórica passagem pelo UFO e gravando discos como “Phenomenon”, “Force It”, “No Heavy Petting”e “Lights Out”, e por fim chegando a sua própria banda, o MSG, mas suas lutas internas nunca cessaram. Até agora, que, enfim livre, este monstro das seis cordas e influenciador de muitos (ou não sabiam o motivo de tantos guitarristas usarem uma Flying V?) está de volta, vivo e arrasando em “Resurrection”, primeiro disco sob o nome MICHAEL SCHENKER FEST. E que disco, meninos e meninas, que ainda ganhou versão nacional pela Shinigami Records e pela Nuclear Blast Brasil!

Aqui, temos uma belíssima mostra do bom e velho Hard Rock/Classic Rock pesado e bem trabalhado, com boa dose de peso e a boa e velha pegada germânica. Óbvio que se procurar algo de cada um dos trabalhos dele em “Resurrection”, vai encontrar. Não se lava as listas de um tigre.

Mas como esse disco soa atual, vivo e cheio de uma energia selvagem. E nem um pouco clichê. As melodias são fáceis de serem compreendidas, cada refrão parece ter sido criado milimetricamente para grudar em nossos ouvidos, e o melhor de tudo: distante de pretensos heróis da guitarra, Michael e sua trupe preferem compor como banda, não para exercício de egolatria do “Boss” da banda. Mesmo porque Michael não usa sua guitarra como vibrador para excitar cérebros!

Preparem-se para uma aula de quem manja do assunto e tem esse gênero musical no sangue!

Em termos de sonoridade: perfeita. O feeling musical do grupo soa atualizado, distante desse monte de clones que se acham anos 60, 70 ou 80 que empesteiam o cenário atualmente. A clareza e força provêm do presente, mas a garra, a técnica e musicalidade são todas de Hard Rock lá dos bons tempos. Tudo está em seu devido lugar e com devido volume, sem tirar ou pôr nada. E a arte é muito legal, mostrando a gangue do MICHAEL SCHENKER FEST reunida à mesa, onde o prato principal é boa música.

Para quem ainda não percebeu, “Resurrection” tem quatro vocalistas que já estiveram no MSG no passado, e todos ao mesmo tempo, dando um toque belíssimo e bem pessoal às canções.

Isso mesmo, quatro vocalistas diferentes, e muitas vezes, na mesma canção!

E os timbres vão dos mais secos e rockers de Graham Bonnet, passando pelas vozes melodiosas de Doogie White e Gary Barden, e ao jeito mais AOR suave de Robin McAuley, e tudo funciona em perfeita harmonia, e ainda endossado pela força rítmica de Chris Glen (baixo) e Ted McKenna (bateria), e as bases de guitarras e teclados de Steve Mann, todos com passagens pelo MSG. Mas poder ouvir o vibrato, os licks, riffs e solos de guitarra de Michael é algo prazeroso e único.

E como tudo parece correr certo com a banda, as músicas são todas excelentes.

Sem nos prender ao passado, canções como a grudenta “Heart and Soul” com suas belas harmonias (e que trampo dos vocais, e onde temos solos de Kirk Hammet, um dos convidados do disco), a pesada e elegante “Warrior” (reparem na força de baixo e bateria, dando suporte às guitarras), à dinâmica perfeita entre os vocais que se ouve em “Take Me to the Church”, o peso germânico evidente na energia crua e agressiva de “Night Moods” e de “The Girl with the Stars in Her Eyes”, a levada mais espontânea e baseada no mais puro Rock’n’Roll de “Messin’ Around”, o toque de classe dado por “Anchors Away”e suas melodias de fácil assimilação, e a belíssima e bem trabalhada “The Last Supper”, onde todos os vocalistas participam. Agora, se querem ver com mais detalhes a fluência técnica de Michael, basta ouvirem como a guitarra é bem tratada em termos de solos na instrumental “Salvation”.

Sem fritadas exageradas, sem técnica autoindulgente, “Resurrection” nos mostra o quanto o “V Killer” Michael Schenker continua atual e importante. E que o MICHAEL SCHENKER FEST não fique apenas nesse disco, por favor!

Ah, você achou que algumas partes de guitarra te lembravam alguém, não é? Na realidade, são esses “alguéns” que pensou que são crias de Michael Schenker e você não sabia.

Nota: 100%


IHSAHN - Àmr


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Lend Me the Eyes of Millenia
2. Arcana Imperii
3. Sámr
4. One Less Enemy
5. Where You Are Lost and I Belong
6. In Rites of Passage
7. Marble Soul
8. Twin Black Angels
9. Wake


Banda:


Ihsahn - Vocais, guitarras, baixo, teclados


Ficha Técnica:

Ihsahn - Produção
Linus Corneliusson - Mixagem
Jens Bogren - Masterização
Tobias Ørnes Andersen - Bateria
Fredrik Åkesson - Guitarras em “Arcana Imperii”
Ritxi Ostáriz - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia



Desde o encerramento das atividades do EMPEROR, o vocalista/guitarrista Ihsahn leva uma carreira solo adiante. Apesar de bem sucedido e reconhecido na Europa, seus trabalhos nunca tiveram ampla aceitação no meio Metal. A veia mais Progressiva/experimental que ele apresenta no IHSAHN não é muito palatável para fãs de música extrema, ou soa agressiva demais para os fãs de gêneros mais tradicionais. Mas é fato que o trabalho dele é cheio de qualidades, como se pode ouvir em seu sétimo e mais recente disco de estúdio, “Àmr”.

A palavra “àmr”, em norueguês antigo, significa algo como “negro” ou “repugnante”, que poderia ser a melhor descrição para o sentimento que muitos fãs de Metal não iniciados nesse formato experimental têm com um disco assim. Mas a verdade seja dita: “Àmr”é um disco fenomenal, cheio de melodias introspectivas densas, de uma profundidade inesperada. Para ser sincero, é o disco mais melodioso da carreira solo de Ihsahn, mas ainda assim, é complexo e bem difícil de ser digerido. Os toques Industriais aqui, mais experimentais ali, encaixam como uma luva.

Traduzindo: “Àmr”é um senhor disco, talvez o melhor dele desde que voltou à música em 2005.

Pesada e limpa é a sonoridade desse play, embora possua uma boa dose de agressividade para dar um contraste bem feito com a suavidade melancólica e progressiva em muitos pontos. Mas tudo soa em seu devido lugar, e com bons timbres, criando a ambientação perfeita para cada uma das canções do play. Ela tem um tom de sujeira um pouco mais evidente que em álbuns anteriores, talvez para ressaltar os momentos mais agressivos. E a arte gráfica ficou muito boa, bela e macabra em certos detalhes.

Óbvio que fica claro que o trabalho IHSAHN é bem mais avant-gardeque muitos fãs de música pesada possam aceitar, mas não é difícil se sentir seduzido por suas melodias hipnóticas. Além disso, o instrumental é muito bem cuidado, buscando juntar o lado progressivo de sua música com sua herança agressiva. E funciona muito bem, digamos de passagem.

Tendo o controle da obra, Ihsahn tocou quase todos os instrumentos (exceto as partes de bateria) e cuidou dos vocais, tudo para que as 9 canções de “Àmr” soassem como ele concebeu. E as melodias experimentais “Lend Me the Eyes of Millenia” com seus riffs raçudos e seus teclados industriais, a beleza Progressiva mesclada a partes mais agressivas de “Arcana Imperii”, o jeitão Jazz/Dark Ambient introspectivo da viajante “Sámr”, a densa e agressiva “One Less Enemy” e seus detalhes técnicos, o caos técnico e Progressivo de “In Rites of Passage” (lembram bem de longe o experimentalismo caótico do finado VED BUENS ENDE), a agressividade um pouco mais digerível de “Marble Soul”, e à “back to Black Metal roots” “Wake”(embora cheio de adornos mais melodiosos incríveis, especialmente as partes de vozes limpas) são os melhores momentos do disco. Mas de ponta a ponta, “Àmr” é um desafio dos mais deliciosos de ser encarado.

No mais, IHSAHNmostra-se prolífico, pois “Àmr” é um discão, tanto para fãs dele quanto para aqueles mais chegados em experimentações.

Nota: 91%


VILETALE - Suicide of Dei


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. OTH - The Last Message (intro)
2. Overlord Murder
3. Santificada Seja a Carne
4. Splatterhouse
5. Suicide of Dei


Banda:


Bruno Jankauskas - Vocais, guitarra solo
Alan Ricardo Wenderlich - Guitarra base, vocais
Filipe Trindade Oliveira - Baixo
Matheus Lunge - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:



Texto: Marcos Garcia


A vocação extrema do Brasil é algo evidente desde a segunda metade dos anos 80. Mais de 80% dos nomes lendários daqueles tempos são de estilos extremos de Metal. Até hoje, por aqui, se percebe essa influência, passada de geração em geração. Óbvio que existem bandas e mais bandas com muito pouco a acrescentar à história do Metal nacional, mas existem outras que possuem enorme talento, ainda que necessite lapidações. E nesse segundo grupo, está o quarteto VILETALE, de Blumenau (SC), que nos chega com “Suicide of Dei”, seu mais recente EP.

O ponto mais forte do grupo é, sem sombra de dúvidas, sua criatividade. Embora a essência Death Metal seja a mais evidente, se percebem influências de Thrash e Black Metal permeando suas canções. Muitos tentam isso, mas o quarteto consegue fazer algo consensual e denso, e desde “Initiation” (o primeiro EP da banda, de 2016), eles têm evoluído bastante musicalmente. Fora a energia bruta que flui de suas canções, dos bons arranjos instrumentais e vocais diversificados em termos de timbres, se percebe intelecto por trás do processo de composição e de letras, algo não tão valorizado por muitos.

Podemos aferir, assim, que o quarteto mostra em “The Suicide of Dei” uma enorme maturidade.

Uma das primeiras coisas que chamam a atenção é que a sonoridade do grupo evoluiu. Agora, a gravação soa mais limpa, mais clara, nos permitindo compreender sem muitos esforços o que eles criam musicalmente, e mesmo aqueles famosos detalhes que fazem um disco brilhar. Óbvio que ainda podem melhorar ainda mais, mas estão com um bom nível de qualidade de gravação. Além disso, a arte da capa realmente é bem chamativa, claustrofóbica, nos fazendo pensar muitos aspectos da vida.

Exibindo boa técnica musical, o VILETALE vem surpreender nossos sentidos, pois quando uma canção surge e forma uma opinião, a outra vem e nos desafia novamente. Sim, cada canção vem mostrando um aspecto de sua personalidade, algo diferente do que se vê comumente no Brasil.

Em “Overlord Murder”, temos uma canção mais simples, mas onde se percebem contrastes de tempos interessantes, e nas partes mais cadenciadas, se percebe clara influência do Black Metal grego. Mais agressiva e com boa dose de velocidade, vem “Santificada Seja a Carne”, com seu jeitão mais Brutal Death Metal e bom trabalho em termos de guitarras. A brutalidade fica ainda mais evidenciada em “Splatterhouse”, onde as linhas harmônicas privilegiam uma pegada Death Metal mais tradicional, e onde o baixo debulha várias vezes. E já mostrando um lado mais opressivo, temos “Suicide of Dei”, onde arranjos mais soturnos e um andamento que varia bastante entre uma pegada Death Metal Old School até passagens Black Metal, com ótimas guitarras e bom trabalho de baixo e bateria.

Ainda que existam arestas a aparar (porque o quarteto é uma banda jovem, com quase dois anos de existência apenas), o VILETALE é promissor. E “Suicide of Dei” os ratifica como uma das grandes promessas do Metal extremo brasileiro.

Nota: 84%

segunda-feira, 14 de maio de 2018

MARENNA - Livin’ With No Regrets


Ano: 2018
Tipo: Álbum ao Vivo
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. You Need to Believe
3. Can’t Let You Go
4. Never Surrender
5. Reason to Live
6. Fall in Love Again
7. Come Back
8. Forever
9. Keep On Dreaming
10. About Love
11. So Different
12. Like An Angel
13. Life Goes On
14. No Regrets


Banda:


Rod Marenna - Vocais
Aaron Alves - Guitarras, backing vocals
Arthur Appel - Baixo, backing vocals
Gionathan Sandi - Bateria


Ficha Técnica:

Juliano Boz - Captação
Arthur Appel - Captação, produção, mixagem, masterização
Tiarles Daros - Artwork
Rodrigo Visentin - Artwork
Sasha Z - Guitarra Solo em “Fall in Love Again”
Mauricio Pezzi - Teclados
Jonas Godoy - Guitarras, backing vocals


Contatos:

Assessoria: www.beelyper.com (Agência Beelyper)



Texto: Marcos Garcia


Fazer AOR em um país onde a maior vocação é para o Metal extremo é algo bem difícil. Só que “difícil” é uma palavra, e “impossível” é outra bem diferente. Existem ótimas bandas buscando o AOR/Glam Metal dos anos 80 com todas as suas forças por aqui, e fazendo bons trabalhos. Um dele é o MARENNA, banda de Caxias do Sul (RS), que chega com mais um registro, o disco ao vivo “Livin’ With No Regrets”.

Para quem ainda não conhece o trabalho da banda, o MARENNA é especialista em criar as famosas “músicas para comerciais de cigarros” dos anos 80 (espero que todos tenham entendido a referência e eu não precise desenhar), ou seja, eles criam um trabalho musicalmente acessível, mas esteticamente muito bem feito, cheio de melodias grandiosas, e com enfoque em linhas melódicas e refrãos bem grudentos (com excelente nível dos vocais e das partes instrumentais). Tudo funciona nesse disco ao vivo para nos transportar para dentro do show (gravado em Caxiais do Sul, cidade natal deles).

Há uma magia aqui, logo, deixe-a guiar vocês pelas sinuosas melodias de “Livin’ With No Regrets”.

Gravar um disco ao vivo não é uma tarefa simples, pois a energia de shows nunca é simples de ser captada. Mas a captação ficou muito boa, e se percebe que o MARENNA tem uma forte dose de espontaneidade ao vivo, embora a fidelidade a que fazem no estúdio é enorme. Um trabalho ótimo da produção sonora, e com uma capa realmente antenada com o AOR.

Musicalmente, o MARENNAé bem maduro no que faz. Arranjam bem as composições de maneira que o mais importante seja a fusão de vocais, guitarras, baixo, teclados e bateria, e não apenas um desses elementos. A banda funciona como um todo; e a música transborda em espontaneidade, sem que o quinteto soe piegas, repetitivo ou artificial. Longe disso, há vida nessas canções.

De cabo a rabo, “Livin’ With No Regrets” é um discão que se ouve uma vez e se está fisgado. Mas canções como “You Need to Believe” e seu belo refrão, a energia envolvente e grudenta de “Can’t Let You Go”, a força mais pesada (mas bem arranjada) de “Never Surrender”, o clima mais acessível e beirando o Pop Rock anos 80 de “Reason to Live” e “Fall in Love Again”, a pegada mais seca de “Keep On Dreaming”que contrasta com a acessibilidade de “About Love”, a introspectiva e grandiosa “Like An Angel”, e o ritmo mais abrasivo e pesado de “No Regrets” mostram o quanto você deveria sair do sofá e ouvir este disco.

Podemos dizer que o MARENNAmerece mesmo a Europa, merece ser sucesso. E “Livin’ With No Regrets” é um discão!

Nota: 91%

CANDLEMASS - House of Doom


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Importado


Tracklist:

1. House of Doom
2. Flowers of Deception
3. Fortuneteller
4. Dolls on a Wall


Banda:


Mats Levén - Vocais
Mats “Mappe” Björkman - Guitarra base
Lars “Lasse” Johansson - Guitarra solo
Leif Edling - Baixo
Jan Lindh - Bateria


Ficha Técnica:

Leif Edling - Produção
Tobias Forge - Vocais em “House of Doom” (na versão em vinil do EP)


Contatos:

Assessoria: olebang@newmail.dk (Ole Bang)

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Talvez um dos estilos mais inóspitos do Metal seja o Doom Metal. Sim, pois o jeito de ser lento e azedo, rebuscando os elementos mais pesados e densos que o BLACK SABBATHdeu origem em seus 3 primeiros discos, não é palatável para todos os fãs de Metal. Mas mesmo assim, é um gênero fascinante e cheio de belezas para aqueles que o conhecem a fundo. E assim, um dos pioneiros do estilo, o quinteto sueco CANDLEMASS, retorna à carga com o EP “House of Doom”, mostrando que apesar dos projetos paralelos de Leif Edling(seu baixista e mentor), a banda ainda tem lenha para queimar.

Óbvio que o EP vai trazer polêmicas pela presença de Mats Levén nos vocais, ocupando o lugar de monstros como Messiah Marcolin e Robert Lowe. No fundo, toda troca de vocalistas gera desconforto, mas no caso do quinteto, o que temos no EP é o mais puro Doom Metal que possam imaginar. Embora distante de ser algo revolucionário como o que se ouve em vários álbuns da banda, “House of Doom” é um bom trabalho, e que vem para mostrar que o CANDLEMASSestá vivo, pronto para desafios maiores.

Como falamos de Doom Metal, existe aquela sujeira essencial ao estilo permeando a sonoridade, mas sem que a qualidade sonora limpa e inteligível (coisa a qual o grupo nunca abriu mão). Ou seja, a produção busca caprichar no som mais característico do grupo, sem pesar demais a mão na agressividade e peso, mas sem deixar limpo demais e descaracterizado. É o tipo de sonoridade que nos acostumamos aos últimos discos da banda: pesado e denso, mas bem delineado em termos de instrumental.

Se por um lado “House of Doom” não chega ao alto nível musical que conhecemos de “Nightfall”, “Tales of Creation” e “King of the Grey Islands”, por outro não podemos acusar o CANDLEMASS de estar se repetindo ou de ser um disco ruim. Não, de forma alguma este EP é uma cicatriza na carreira da banda. Com suas diferenças, aponta para o futuro, mostrando que o quinteto ainda tem o que mostrar e ensinar aos mais novos em seu enfoque clássico e melódico do Doom Metal.

“House of Doom” abre o EP mostrando uma energia crua e uma pegada pesada e ganchuda, baseando sua força em riffs de guitarra excelentes e marcantes (além de um refrão magistral e simples de se absorver). Seguindo nessa mesma linha, temos “Flowers of Deception”, outra pesada e com ritmo intenso, mas com boas melodias e uma base rítmica sólida e simples (coisa que sempre foi uma característica da banda). Ambas duram mais de seis minutos.

“Fortuneteller”é uma balada mais melodiosa, baseada em melodias soturnas de violões e um vocal com tons mais naturais (onde se percebe maior versatilidade no trabalho de Mats). Fechando, o azedume carregado e lento da instrumental “Dolls on a Wall”, algo mais rebuscado em termos de Doom Metal, uma releitura dos elementos Sabbathícos de início.

Óbvio que muitos não se adaptaram ao vocal de Mats, algo compreensível. Mas não se pode negar: “House of Doom” vem em boa hora, mostrando que a aposentadoria do CANDLEMASSse encontra distante. E em tempos que as bandas antigas estão mostrando as garras, podemos esperar que o disco novo do quinteto venha matador!

Nota: 81%

quinta-feira, 10 de maio de 2018

LEATHER - II


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Juggernaut
2. The Outsider
3. Lost at Midnite
4. Black Smoke
5. The One
6. Annabelle
7. Hidden in the Dark
8. Sleep Deep
9. Let Me Kneel
10. American Woman
11. Give Me Reason


Banda:


Leather Leone - Vocais
Vinnie Tex - Guitarras
Marcel “Daemon” Ross - Guitarras
Thiago Velasquez - Baixo
Braulio Azambuja - Bateria


Ficha Técnica:

Rodrigo Scelza - Produção
Vinnie Tex - Produção
Stawek Wieslawski - Mixagem, masterização
Wojtek Wieslawski - Mixagem, masterização
Jobert Mello - Capa, artwork
Bruno Sá - Teclados em “Annabelle”
Queridões Gang - Backing Vocals


Contatos:

Assessoria:



Texto: Marcos Garcia


Quando falamos de mulheres no Metal, poucos se lembram de Leather Leone, conhecida por seus trabalhos com o CHAINSTAIN e SLEDGE HAMMER. Mas o que poucos sabem é que ela também é artista solo. E agora, após 29 anos, sob o nome LEATHER, ela lança “II”, seu segundo disco solo. E meus caros, que pedrada!

O mais puro Metal nos 80 pulsa nesse disco, e não é preciso dizer que a tônica é algo pesado e intenso, com excelentes melodias (daquelas que você ouve e não esquece mais), técnica instrumental apuradíssima (tudo muito bem tocado, com peso absurdo), e obviamente vocais excelentes (o tempo não parece passar para Leather, pois a voz dela está melhor que nunca). Óbvio que não soa original, mas tem uma personalidade enorme e é bem pessoal, com aquele jeitão de US Metal anos 80, onde peso, melodia, agressividade e técnica se fundiam para criar algo precioso. E “II” é uma gema preciosa, e um disco formidável.

A produção sonora ficou ótima. Sem dar muita trela para papos Old x New, a sonoridade é moderna, pesada e poderosa, com um impacto enorme. Mas ao mesmo tempo, preserva aspectos orgânicos importantes para que as músicas soem vivas. Além disso, a timbragem dos instrumentos ficou ótima, equilibrando peso, agressividade e melodias muito bem, sem perder a definição (algo precioso para discos desse estilo). E, além disso, que arte bem feita.

Se buscam inovações, não acreditamos que irá encontrar em “II”. Não é esse o objetivo, mas se busca um trabalho sonoro de primeira, e que transpira honestidade, é aqui mesmo que encontrará. Além disso, mesmo com toda a carga anos 80 que existe em “II”, existe modernidade, graças ao instrumental e ao vigor de Leather. Não se enganem: podem ouvir de ponta a ponta sem medo.

Existem 11 cacetadas certeiras te esperando nesse disco. Mas recomendamos lindezas como “Juggernaut”(uma faixa ponderosa, com guitarras faiscando riffs de primeira, duetos melodiosos e solos debulhantes, além de uma aula de Leather nos vocais e um refrão lindo), a pesada e pegajosa “The Outsider” (impossível não bater cabeça, e um trabalho rítmico sólido e pesado), a dose certa de melodias acessíveis que permeiam “Lost at Midnite”e “Black Smoke” (que backing vocals bem colocados), a balada pesada “Annabelle”(onde se percebe a versatilidade dos vocais), a paulada mais refreada em “Sleep Deep”, a aula de riffs dada em “American Woman”, e a levada mais tradicional (e com certo acento de Rock’n’Roll clássico) de “Give Me Reason”. E a versão japonesa ainda tem por bônus a versão Demo de “Black Smoke”.

Ah, uma curiosidade: a banda que gravou é toda de conhecidos músicos brasileiros, com passagens por PAINSIDE, STATIK MAJIK, REPUGNANT GORE e outros. Talvez por isso, exista certa versatilidade em alguns arranjos (o que não destoa a essência anos 80 do disco).

No mais, um disco para detonar pescoços, e Leather Leone merece respeito e esperamos que ela não suma mais, e que não tenhamos que esperar mais 29 anos pelo terceiro disco solo dela.

Nota: 95%

RAGING ROB - Always the True Assassin



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado


Tracklist:

1. Neverending Darkness
2. Innocent Deceiver
3. Disbelief
4. Cancer
5. Rise Against Failure
6. Soul City
7. Enough
8. Freakshow
9. Manifesto
10. Fight (To Stop the Tyranny)
11. Resolution 588
12. Walk All Over You


Banda:


Robert Gonnella - Vocais
Dirk Preylowski - Guitarras
Maik Jansen - Guitarras
Rudi Görg - Baixo
Frank Nellen - Bateria


Ficha Técnica:

Markus Frehn - Mixagem, masterização
Peter Lazar - Artwork (encarte)


Contatos:

Assessoria:



Texto: Marcos Garcia


Falar da escola alemã de Thrash Metal chega a ser desnecessário. Nomes como SODOM, KREATOR, DESTRUCTION, TANKARD e outros são lendários, e moldaram um gênero que influência várias escolas, como a brasileira e a grega. Mas um dos nomes que não tem muita expressão (uma injustiça histórica, digamos de passagem) é o do quinteto ASSASSIN. E por trás deles, sempre esteve o vocalista Robert Gonnella, dono de timbres únicos. Hoje, fora do quinteto, Rob está de volta com o RAGING ROB, que nos chega com “Always the True Assassin”, seu mais recente disco.

O que temos nesse segundo disco do RAGING ROB é o mais puro Thrash Metal germânico, impactante e sólido, com grande dose de agressividade, muita influência de Hardcore, mas ao mesmo tempo, adornado com algumas melodias muito bem pensadas, além de uma pilha de refrães de fácil assimilação. Mas cuidado: não cheguem procurando muito do passado dele por aqui, pois a banda tem um som bem característico. E como soa cheio de energia, ganchudo e cheio de vida, embora com uma pegada “Old School” fantástica.

Sim, “Always the True Assassin” vem para mostrar o quanto essa gangue de Thrashers de Dusseldorf tem de sangue nos olhos e para oferecer.

Ao ouvirmos “Always the True Assassin”, a qualidade sonora se mostra de primeira, atualizada e vigorosa, e ao mesmo tempo, pesada e agressiva sem que a clareza seja perdida. Além disso, a escolha por timbres mais orgânicos foi bem acertada, pois tem aquele feeling “Old School” que agarra qualquer um pelos ouvidos. Na arte, a capa trás uma foto bem legal e divertida de Rob, além de um encarte cheio de artes grafitadas, algo bem diferente em termos de Metal, mas que ficou excelente.

Já lhes digo de início: esqueçam grandes ideias se buscam algo inovador por aqui. Como pedir que alguém renuncie suas raízes, ainda mais alguém que já tem renome dentro do cenário? Aqui é German Thrash Metal, curto, grosso e agressivo nos ouvidos, sem dó de quem quer que seja. Mas os arranjos musicais são excelentes, dando toda uma aclimatação arrasadora de pescoços. Aliás, se o seu pescoço estiver inteiro depois de ouvir esse disco, você é surdo!

“Always the True Assassin” é um disco de calibre pesado, que vai causar palpitações nos fãs do estilo. E embora o nível das músicas esteja bem homogêneo, a porretada hardcorizada de “Neverending Darkness”(ótimos vocais mais roucos, além de riffs de guitarras ótimos), aquele jeitão Thrasher alemão tradicional na veloz “Innocent Deceiver” (verdade seja dita, a base criada por baixo e bateria está ótima) e na cadenciada “Disbelief” (que possui um Groove intenso nessa cadência pegajosa); a rápida de pegajosa “Cancer”, nas partes mais cadenciadas de “Soul City”, o soco na cara direto e bruto de “Freakshow” (esses tons mais baixos de voz pegaram bem demais, fora uma dicção perfeita), a curta e grossa “Manifesto” e sua energia bruta e atual (mais uma em que os vocais estão muito bem), e o massacre hardcorizado veloz e agressivo feito em “Walk All Over You” (como baixo e bateria mostram uma ótima técnica, por conta das mudanças rítmicas). Agora, não tem como o coração não bater mais forte nas versões deles para “Fight (To Stop the Tyranny)” (inclusive, o início foi tirado da introdução de “Forbidden Reality”) e “Resolution 588”, dois clássicos do ASSASSIN que ganharam uma roupagem mais atual, sem perderem a pegada clássica das composições originais.

E é legal ver Robmais uma vez na ativa, e tendo o baterista clássico do ASSASSIN, Frank “Psycho” Nellen, junto com ele. Mas Dirk Preylowski(guitarras), Maik Jansen (guitarras) e Rudi Görg (baixo) são músicos excelentes também.

Um disco e tanto, logo, ouçam e deixem a destruição de pescoços começar!

Nota: 92%