segunda-feira, 30 de abril de 2018

BARRIL DE PÓLVORA - Barril de Pólvora


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. O Som do Trovão
2. Muito Papel pra Pouca Solução
3. Inércia
4. Tocando no Inferno
5. Loucuras, Sonhos e Delírios
6. Blues da Saudade
7. Barril de Pólvora
8. Tempestade


Banda:


Flávio Drager - Vocais
Emerson Martins - Guitarras
Saulo Santos - Baixo
Alexis Bomfim - Bateria


Ficha Técnica:

Rodrigo Garcia - Produção
André Cabelo - Mixagem, masterização
Gath Comunicativa - Capa
Vinícius de Souza - Arte, design


Contatos:

Assessoria: http://www.braunamusicpress.com(Brauna Music Press - Comunicação Musical)


Texto: Marcos Garcia


Existem bandas que vivem de passado, remixando os velhos clichês e indo a lugar nenhum. Sinto muito, mas ser “Old School” é algo que está além das meras palavras, e ainda mais além do que se dizer da Velha Guarda. Ser da Velha Guarda é ter vivido o tempo certo. Óbvio que isso não significa que você não pode fazer algo mais voltado aos velhos tempos, mas é bom tomar cuidado para não ser um clone musicalmente vazio (ou seja, sem nada a oferecer de si mesmo). Mas quando bandas como o BARRIL DE PÓLVORA, quarteto de Belo Horizonte (MG), cima de pôr a mão na massa, é melhor se prepararem. E “Barril de Pólvora”, primeiro disco da banda, é uma aula de como ser “à moda antiga” sem soar clichê.

O som deles nos remete ao Metal/Rock da primeira metade dos anos 80, onde rótulos e regras pouco importavam. Era fazer música e pronto, e se percebe que o grupo busca suas influências musicais em nomes como JIMI HENDRIX, AC/DC, BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST, UFO, RAUL SEIXAS, CELSO BLUES BOY, SECOS E MOLHADOS, O TERÇO, entre outros. E mesmo assim, a identidade do grupo pulsa vigorosa, transformando a audição do disco em algo extremamente agradável aos ouvidos e ao coração. É muita energia crua permeando as ótimas melodias desse quarteto sólido e espontâneo.

Isso é ser à moda antiga de verdade, e com pedigree!

A produção sonora de “Barril de Pólvora”busca ser bem orgânica e crua, como os antigos registros, mas sem negar que estamos no presente. Ou seja, tem aquele som mais cru e simples do passado (o velho “plug and play”), mas com aquele alinhavo moderno e claro. E que fusão mais bem feita, digamos de passagem!

E mesmo simples, a arte e design do encarte são muito legais!

Pesado e espontâneo, Old School e cheio de energia, o BARRIL DE PÓLVORA faz um trabalho excelente. A energia é assombrosa, os arranjos musicais são de primeira, e tudo em uma embalagem espontânea. E cantando em português, vai lembrar muitos fãs da era em que gigantes como SAGRADO INFERNO, STRESS, ÁGUA BRAVA, MORTALHA, VÊNUS e outros faziam a alegria dos fãs aos sábados à noite, após uma semana estressante de estudos.

O disco inteiro é muito bom, mas a energia crua de canções como “O Som do Trovão” (muito peso e ótimas linhas melódicas), a força densa do andamento mais pesado e cadenciado de “Muito Papel pra Pouca Solução”, o jeitão Bluesy de “Inércia” (reparem nos andamentos bem conduzidos por baixo e bateria), a ferocidade extremamente divertida de “Tocando no Inferno”, o peso sedutor de “Loucuras, Sonhos e Delírios”, e a selvageria espontânea e politicamente consciente de “Barril de Pólvora” são os destaques em um disco que é essencial para todo bom fã de Metal/Rock à moda antiga.

Discão para ser ouvido após o dia estressante na sexta-feira, para se libertar de tudo!


Nota: 90%


ANGEL'S FIRE - O Conto



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. O Conto
2. Anjo de Luz
3. Sacrifício
4. Guardião
5. Além do Horizonte
6. Meu Desejo
7. Novo Reino
8. Pensamentos em uma Linda Noite
9. Tonight
10. Angel’s Fire
11. Meu Desejo (playback)


Banda:


Priscila Lira - Vocais
Israel Lira - Guitarras
Italo Liano - Teclados
Saymo Roberto - Baixo
Andre Lima - Bateria


Ficha Técnica:

Nenel Lucena - Produção, vocais adicionais em “Meu Desejo” e “Angel’s Fire”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: https://www.facebook.com/LexMetalisAA/ (Lex Metalis Assessoria e Agenciamento)


Texto: Marcos Garcia


De uns anos para cá, o Meta sinfônico tem dado uma caída em termos de popularidade. Este autor se arroga o direito de fazer tal afirmativa baseado no número cada vez menor de bandas dedicadas ao estilo. Mas isso, por outro lado, é bom, já que o desgaste pelo uso cede um pouco. E o quinteto pernambucano ANGEL’S FIRE, de Recife, faz bonito demais em seu primeiro álbum, “O Conto”.

Belas orquestrações, vocal feminino afinado e melodioso (e que timbres legais), ótimo trabalho das guitarras tanto nos riffs quanto nos solos (em uma época em que este recurso tem se tornado cada vez menos utilizado), solidez coesa de baixo e bateria, teclados fazendo orquestrações vibrantes, tudo em seus devidos lugares e nas melhores proporções possíveis. Ótimas melodias, boa dose de energia e um trabalho fascinante, que nos seduz, embora não seja algo realmente novo. Mas garanto: é ouvir e gostar.

Em termos de produção, a sonoridade está muito boa, e diferentemente dos grandes nomes do estilo, o quinteto optou por algo mais cru em termos de guitarras e baixo, tornando tudo mais pesado. Mas não se preocupem: as melodias estão intactas, bem como o alinhavo etéreo dos teclados está ótimo. Tudo nos devidos lugares, e em bom nível. E a arte da capa é muito bonita.

Um trabalho muito bem feito em termos de arranjos é o que o grupo nos traz em “O Conto”. Existe muito de NIGHTWISH, EPICA e outros nomes permeando o trabalho do quinteto, mas sem que o ANGEL’S FIRE seja uma cópia destes. É bem maduro, mesmo sendo o primeiro disco deles, e digamos de passagem: como eles sabem criar melodias de fácil assimilação por nossos sentidos. E mesmo cantando em português, a dicção e métrica não são afetadas.

Basicamente, o grupo nos brinda com 9 canções ótimas, mas se destacam as melodias elegantes de “Anjo de Luz” (que lindos teclados e vocais), a pegada mais pesada e densa das guitarras em  “Sacrifício”, a técnica mais bem trabalhada de baixo e bateria em “Além do Horizonte” (que refrão maravilhoso), as nuances atmosféricas criadas pelos teclados em “Meu Desejo” e no Power Metal sinfônico de “Novo Reino”, a beleza sutil e introspectiva de “Pensamentos em uma Linda Noite” (como essa moça canta bem), e a pegada aveludada e pesada de “Angel’s Fire” (uma das duas únicas canções cantadas em inglês do disco). Mas lembrando: “O Conto” funciona como um todo, logo, melhor que ouçam todas as canções.

Antes de encerrar, gostaria de ser bem claro: a banda sofreu certa resistência por parte de alguns veículos por terem temática cristã. Óbvio que todos possuem direito de se expressar como bem entenderem, por isso, o Heavy Metal Thunder não compactua com pensamentos radicais. O mais importante é a música, e isso, o ANGEL’S FIRE tem mais que muito grupo capirotesco por aí.

Tem tudo para ser considerado como uma das revelações de 2018.


Nota: 87%

sexta-feira, 27 de abril de 2018

RIOT V - Armor of Light


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

CD1:

1. Victory
2. End of the World
3. Messiah
4. Angel’s Thunder, Devil’s Reign
5. Burn the Daylight
6. Heart of a Lion
7. Armor of Light
8. Set the World Alight
9. San Antonio
10. Caught in the Witches Eye
11. Ready to Shine
12. Raining Fire
13. Unbelief
14. Thundersteel (2018 version)


CD 2 (Live at Keep It True Festival 2015):

1. Ride Hard Live Free
2. Fight or Fall
3. On Your Knees
4. Johnny’s Back 
5. Metal Warrior
6. Wings are for Angels
7. Sign of the Crimson Storm 
8. Bloodstreets
9. Take Me Back
10. Warrior
11. Road Racin’
12. Swords and Tequila
13. Thundersteel


Banda:


Todd Michael Hall - Vocais
Mike Flyntz - Guitarras
Nick Lee - Guitarras
Don Van Stavern - Baixo
Frank Gilchriest - Bateria


Ficha Técnica:

Chris “The Wizard” Collier - Produção
Mariusz Gandzel - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Um dos grandes problemas do chamado “Metal Old School” é a idolatria de muitos pelo passado. Você pode gostar de um disco antigo, é algo comum. Agora, daí você se dizer um fã da Velha Guarda, ou criar uma banda que só é capaz de juntar velhos clichês musicais como uma criança faz com brinquedos de montar, é absurdo. Por isso, muitas bandas do Metal anos 80 atuais soam ocas: falta a vivência. Só quem viveu sabe o que é e do que este autor está dizendo. Agora, se quer uma prova musical à vera, basta que ouçam muitas bandas que andam por aí com nomes da Velha Guarda como o RIOT V, veterano quinteto norte-americano que acaba de soltar a pedrada “Armor of Light”, seu décimo-sexto disco, que a parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil acabar de botar nas lojas.

E parece que 2018 é o ano dos velhinhos!

Assim como o SAXONcom “Thunderbolt”, e o JUDAS PRIEST com “Firepower”, a experiência musical do RIOT V faz com que “Armor of Light” seja um disco fenomenal.

Para quem não sabe, o RIOT V nada mais é que o velho RIOT. O “V” foi adicionado após o falecimento do membro fundador Mark Reale, em 2012. Ou seja, é mesmo quinteto de Nova York que pode ser considerado, junto com o BLUE OYSTER CULT e o THE RODS, pioneiros e pais do que chamamos de US Metal: ótimo nível técnico, melodias excelentes e de fácil assimilação, duetos e riffs de guitarra que grudam nos ouvidos, base rítmica sólida e com um peso absurdo, além de vocais do mais alto nível, além de uma energia musical absurda. Óbvio que a experiência os ajudou na hora de compor, tendo na figura do baixista Don Van Stavern seu principal compositor, e assim, “Armor of Light” mostra a consensualidade da banda com tudo que já fizeram em seu passado, mas fincando os pés no presente e dando uma aula sobre o que é Metal à moda antiga de verdade!

Isso é US Metal puro sangue, o verdadeiro Power Metal no sentido mais profundo do rótulo. Isso é RIOT V!

Em termos de produção, mais um veterano opta por uma qualidade sonora moderna e poderosa, mas mantendo um nível de clareza excelente. Tudo está em seu devido lugar, nada é excessivo ou está faltando, e o acabamento é perfeito. Além disso, peso e agressividade se misturam a uma dose salutar de agressividade. É de deixar o queixo caído o trabalho de Chris “The Wizard” Collier na produção. E a arte de Mariusz Gandzel deixa claro: o quinteto está pronto para a guerra, para mostrar do que são capazes e ensinar aos mais jovens o que é Metal de verdade!

Sentem-se, meninos e meninas, porque a aula vai começar!

Basicamente, sem o RIOT V, o Metal norte-americano poderia existir, mas seria diferente e bem mais pobre. A capacidade do quinteto em criar músicas de uma forma clássica (mas que mantenha uma pegada atual) é fascinante. Não há como ficar parado no lugar, tudo está perfeito. É ouvir e sair cantando!

“Armor of Light”é uma obra-prima de peso, algo que o RIOT V sempre soube fazer.

Eles vieram, viram e estão dispostos a vencer com esse disco. E ele é recheado de momentos fantásticos, como o peso e belas linhas melódicas de “Victory” (uma cacetada, preenchida com ótimos vocais, duetos e bases de guitarras que esbanjam melodia, além de um refrão maravilhoso), as harmonias abrasivas bem construídas de “End of the World” e seu ritmo rápido (reparem o peso e técnica de baixo e bateria), o massacre Power Metal de “Messiah” (outra que mostra um peso feroz, impulsionado por um trabalho bem feito das guitarras), o jeitão Classic Rock anos 70 de “Burn the Daylight”, a pegada grudenta de “Heart of Lion” (que belíssimos backing vocals), a exibição de gala das guitarras contida em “Armor of Light”, o jeitão melodioso atualizado de “Set the World Alight” (que refrão de primeira), o peso intenso e cativante de “Caught in the Witches Eye”, e...

Para, vai!

O disco inteiro é excelente, uma exibição de gala de um veterano, e merece todo respeito de todos. E, além disso, a versão nacional ainda nos dá duas faixas bônus: “Unbelief”, e um ótimo “remake” para o hino “Thundersteel”(considerado um dos maiores clássico pelos fãs da banda).

E não para por aí: a versão nacional de “Armor of Light” é dupla, trazendo no CD 2 a apresentação do quinteto no festival alemão Keep It True, de 2015. Grandes momentos em “Ride Hard Live Free”, “Fight or Fall”, “Johnny’s Back”, “Sign of the Crimson Storm”, as clássicas “Warrior”, “Road Racin’”e “Sword and Tequila” (as 3 lá do passado deles, antes do primeiro hiato), e o hino “Thundersteel”. A maior parte do material é mesmo de “Thundersteel”, mas mostra que o poder de fogo desses sujeitos parece que aumentou com o tempo.

“Armor of Light”é uma lição de Metal à moda antiga. Uma lição preciosa demais, portanto, comprem o disco, vejam o que é ser “Old School” de fato, e mostrem respeito a esses veteranos raçudos.

Um dos melhores discos do ano!!!!


Nota: 100+%



quinta-feira, 26 de abril de 2018

MINISTRY - AmeriKKKant


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. I Know Words
2. Twilight Zone
3. Victims of a Clown
4. TV5-4 Chan
5. We’re Tired of It
6. Wargasm
7. Antifa
8. Game Over
9. AmeriKKKa


Banda:


Al Jourgensen - Vocais, guitarras, programação, teclados
Sinhue Quirin - Guitarras
Cesar Soto - Guitarras
Tony Campos - Baixo
John Bechdel - Teclados
Derek Abrams - Bateria
DJ Swamp - Turntables


Ficha Técnica:

Al Jourgensen - Produção
Burton C. Bell - Vocais
Arabian Prince - Vocais
Michael Rozon - Teclados em “Antifa”, backing vocals em “Victims of a Clown”, “We’re Tired of It”, “Wargasm” e “AmeriKKKa”, bateria programada
Roy Mayorga - Bateria em “Victims of a Clown”, “Game Over” e “AmeriKKKa”


Contatos:

Site Oficial: www.ministryband.com
Google+:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Os anos finais da década de 80 verão surgir um dos maiores pesadelos dos fãs mais tradicionais e radicais do Metal: o famigerado Industrial Metal.

Amado por muitos, execrado e caluniado por outros, o Metal Industrial mostra o uso de samplers e partes cheias de efeitos especiais para criar algo sonoramente caótico, e embora nomes como RAMMSTEIN tenham sido capazes de tornar o estilo mais acessível para muitos, existem nomes que preferem criar algo tão bruto e opressivo.

De outro lado, existem aqueles que se preocupam com os abusos cometidos no mundo. Abusos contra os Direitos Humanos cometidos por todo o mundo, a falta de cumprimento das diretivas constitucionais, a falta de ética e moral dos líderes das nações com seus cidadãos, nada disso é exatamente novo, mas parecem crescer a níveis absurdos nos últimos tempos. E isso é mais que suficiente para enfurecer a muitos, especialmente Al Jourgensen, vocalista e líder do MINISTRY, um dos pioneiros do Metal Industrial. E como a raiva anarquista de Al parece ser o combustível de sua criatividade, nada mais evidente que em tempos de Trump, a banda lance “AmeriKKKant”, seu décimo-quarto disco de estúdio, que chega ao Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast.

A velha fórmula musical da banda está aí: peso misturado com muito Groove, além das partes sequenciais de efeitos sonoros, mais aquele impacto profundamente pesado e avassalador. E embora não se possa comparar “AmeriKKKant” com obras-primas como “Mind is a Terrible Thing to Taste” e “ΚΕΦΑΛΗΞΘ”, ele possui seu charme, mostrando que o MINISTRY está mais vivo que nunca. E que não vai deixar Donald Trump em paz.

A sonoridade de “AmeriKKKant”é justamente a que se espera de Al Jourgensen: bem feita, sendo capaz de permitir que o grupo expresse suas ideias musicais com clareza, mas com muito peso. Óbvio que a sonoridade é abrasiva e gordurosa, já que o MINISTRY tem um enfoque mais agressivo do Industrial, beirando o Groove/Thrash Metal. E na capa, a Estátua da Liberdade fazendo um “facepalm”, deixando bem claro a que o título se refere.

“Apocalipse” seria uma boa palavra para descrever o que “AmeriKKKant” nos mostra musicalmente. Mas ao mesmo tempo, o MINISTRYcontinua com seu estilo sonoro característico intacto, mas sem buscar fazer muitas inovações.

Melhores momentos: O caos hipnóticos e opressivo dos tempos de “Twilight Zone”, a força bruta do groove abrasive de “Victims of a Clown”, a rapidez caótica e claustrofóbica com elementos Thrash/Groove Metal de “We’re Tired of It” (ótimos vocais, riffs de guitarras ríspidos e simples, mais as partes sampleadas de sempre), as ótimas melodias ruidosas de “Wargasm”, a ultrajante e agressiva “Antifa”, e os pregos parnasianos de “Game Over”e “AmeriKKKa” . E vejam que os convidados como Burton C. Bell (do FEAR FACTORY), o rapper Arabian Prince e Roy Mayorga deram um sabor especial a “AmeriKKKant”.

Assim, o MINISTRYmostra-se forte e revigorado, pronto para mais pancadaria, e melhor tirarem da cabeça que Al é de esquerda ou direita: ele é apenas um pensador independente que não se enquadra em lado algum (e cospe sua ira anárquica para cima de todos), fazendo de “AmeriKKKant” um manifesto caótico e um dos melhores discos do ano!

Nota: 97%






quinta-feira, 12 de abril de 2018

ATTOMICA - The Trick


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Give Me the Gun
2. Feeling Bad
3. Kill the Hero
4. The Last Samurai
5. The Trick
6. Endless Cycle
7. Land of Giants
8. Mistery


Banda:


André Rod - Baixo, vocais
Marcelo Souza - Guitarras, backing vocals
Argos Danckas - Bateria, teclados


Ficha Técnica:

Vagner Alba - Produção, mixagem, masterização
Fábio Moreira - Artwork (capa)
Pyda Rod - Design de arte


Contatos:

Site Oficial: www.attomica.com
Youtube:
Bandcamp:
Google+: 
Assessoria: https://www.facebook.com/OverMetalAgency/ (Over Metal Agency)

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Bandas de longa carreira tendem, com o tempo, a aperfeiçoarem sua musicalidade. Isso ocorre pelas mudanças de formação, pela experiência de tocar ao vivo, e mesmo o melhor entendimento de como utilizar equipamentos para obter uma sonoridade mais robusta e adequada ao que a banda precisa. Por isso, bandas como o experiente ATTOMICA, de São José dos Campos (SP) conseguem fazer um trabalho de primeira, como “The Trick”, quinto e mais recente disco, nos mostra.

O agora power trio nos brinda com seu Thrash Metal bem trabalhado e com forte influência da escola da Bay Area (especialmente no MEGADETH em sua fase mais clássica, especialmente naquela compreendida entre “Peace Seels... But Who’s Buying?” e “Countdown to Extinction”), pelo lado técnico e com boas melodias, mas sem negar algumas sutilezas da escola alemã do gênero e mesmo do Metal tradicional. Bem trabalhado, fluindo com harmonias bem estruturadas, mas ainda assim agressivo, talvez possamos aferir que “The Trick” seja o ápice em termos de qualidade do grupo. E que se diga: a banda sabe criar partes musicais extremamente envolventes.

A produção sonora do CD é de ótimo nível. Tudo soa bem claro, com timbres instrumentais bem definidos (o baixo está bem audível, nos permitindo ouvir passagens bem técnicas, como em “Feeling Bad”, mas sempre com muito peso e agressividade, e atual (algo que muitos acabam errando sempre na busca desenfreada para soarem “old school”). Além disso, capa e design são muito bem feitos, fugindo um pouco dos velhos chavões.

Mantendo um equilíbrio muito bom entre energia, técnica e agressividade, o ATTOMICAmostra-se vivo e disposto a impor-se ainda mais dentro de um cenário musical tão disputado. Apesar dos mais de 30 anos de carreira, “The Trick” soa jovial e cheio de vida, e em nada repetitivo ou mesmo clichê. Se preparem!

Em oito ótimas canções, “The Trick” se projeta como um dos melhores discos de Thrash Metal do ano. A energia envolvente e crua de “Give Me the Gun” (ótimo nível técnico, com riffs de guitarra de muita qualidade), a peso-pesado “Feeling Bad” (baixo e bacteria estão ótimos, com boa técnica e alguns tempos não convencionais), o ritmo mais cadenciado e ganchudo de “Kill the Hero” e “The Last Samurai” (observem como os vocais lembram um pouco os timbres mais roucos de Dave Mustaine, embora com uma dicção melhor, em ambas), a técnica fluída e energia da longa “The Trick”, as belas melodias dos solos de guitarra em “Endless Cycle”, a técnica agressiva e espontânea da instrumental “Land of Giants”, e a explosiva “Mistery” com seu impacto bruto são canções que mostram que o trio superou a perda trágica de seu vocalista Alex Rangel (que tem uma participação póstuma em “Mistery”), e que continua firme e forte.

Ainda relevante, o Thrash Metal do ATTOMICA tem espaço não só no cenário, mas também nas coleções de todos os fãs de Metal do Brasil.

Nota: 88%

quarta-feira, 11 de abril de 2018

REVOLUTIO Signed for New Album “Vagrant”, Artwork and Studio Teaser Unleashed! / REVOLUTIO - Firma con Inverse Records e Dettagli Nuovo Album.


Revolutio promo pic by Patrizia Cogliati (Musicphoto) (free to publish)


ENGLISH:

Inverse Records are proud to announce the signing of Italian post-apocalyptic thrashers REVOLUTIO. The band will be releasing their new album “Vagrant” in fall 2018.

Revolutio‘s music is an evolution of thrash/groove metal infused with post-apocalyptic and introspective elements, and describes the decay of modern age and the rise of a new era of man.

The album has been recorded, mixed and mastered at Audiocore Studio (The Modern Age Slavery, Raw Power, Dark Lunacy). A clip from the recording sessions can be seen here: https://youtu.be/Uq-3BxBiyrs The artwork has been created by the Russian studio Mayhem Project Design.

ITALIANO: 
Inverse Records è lieta di annunciare l’ingresso in roster dei thrasher post apocalittici REVOLUTIO. Il loro nuovo album s’intitola “Vagrant” ed è atteso per l’autunno del 2018.

La musica dei Revolutio è un evoluzione del thrash/groove metal dalle tematiche introspettive e post-apocalittiche, che descrive il fallimento dell’era moderna e la nascita di una nuova età dell’uomo.

Di seguito un video delle registrazioni presso gli Audiocore Studio (The Modern Age Slavery, Raw Power, Dark Lunacy), che si sono occupati anche di mixing e mastering. L’artwork è opera dello studio russo Mayhem Project Design.




Album cover by Mayhem Project Design.

REVOLUTIO line-up:
Maurizio Di Timoteo – vocals, rhythm guitars
Luca Barbieri – lead guitars
Francesco Querzé – bass
Davide Pulito – drums

REVOLUTIO online:

INVERSE RECORDS online:


terça-feira, 10 de abril de 2018

STRYPER - God Damn Evil


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Take It to the Cross
2. Sorry
3. Lost           
4. God Damn Evil                 
5. You Don’t Even Know Me                      
6. The Valley             
7. Sea of Thieves                   
8. Beautiful               
9. Can’t Live Without Your Love                
10. Own Up              
11. The Devil Doesn’t Live Here


Banda:


Michael Sweet - Vocais, guitarras
Oz Fox - Guitarras, backing vocals
Perry Richardson - Baixo
Robert Sweet - Bateria


Ficha Técnica:

Michael Sweet - Produção
Matt Bachand - Vocais adicionais em “Take it to the Cross”
John O’Boyle - Baixo


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Existem aqueles que vivem encaracolados com lances de atitudes e “Metal Way of Life” (que já foi tão remendado e costurado em termos ideológicos que nem parece mais que falamos em música), e existem aqueles que se permitem prestar atenção somente na música. E seguramente, este segundo grupo é composto de pessoas capazes de se divertirem bem mais. E é justamente para eles que o quarteto STRYPER volta à carga com mais um disco excelente, “God Damn Evil”, seu mais recente lançamento.

Diferentemente de muitos grupos, o quarteto soube se atualizar, mesmo mantendo suas características musicais seminais. Ou seja, ainda temos o bom e velho Hard’n’Heavy bem trabalhado e melodioso de sempre, com ótimos refrões, instrumental privilegiado e belíssimo trabalho de vocais e backing vocals. Mas eles pegaram pesado em “God Damn Evil”, que vem agressivo e soando moderno, mas sem deixar de ser o bom e velho STRYPER que todos gostamos.

Sim, é isso mesmo: “God Damn Evil” é um arregaço de peso, agressividade e melodias bem feitas.

A produção caprichou, aliando timbres modernos e vibrantes com uma qualidade sonora clara e bem definida, e uma dose de peso absurda. Óbvio que aquele jeitão pegajoso dos anos 80, traço que eles sempre ostentaram em sua música, ainda está ali, alinhavando as harmonias do grupo. Ou seja: temos uma qualidade de som poderosa e moderna, mas mantendo a limpeza e com timbres instrumentais fortes (E isso mostra como Michael Sweet não é um produtor musical parado no tempo). E que capa bonita, digamos de passagem.

Podemos dizer que “God Damn Evil” é um disco que mostra o poder de fogo da banda, que foi rebuscar elementos agressivos de seus discos mais seminais, sem abrir mão de suas melodias pegajosas, e souberam fundir isso à uma sonoridade pesada e moderna. Além disso, os urros de Matt Bachand (SHADOWS FALL, ACT OF DEFIANCE) deram um toque extra de agressividade a “Take It to the Cross”, uma das faixas mais pesadas do disco. Mas existem tantas passagens maravilhosas, tantas melodias bem feitas... É difícil não gostar desse disco, pois nada nele é dispensável.

Para início de conversa, o disco já abre com a agressiva e moderna “Take It to the Cross”, que é um hardão pesado e envolvente, com riffs de guitarras à lá JUDAS PRIEST, mas que tem a pegada agressiva no refrão (também com esses urros guturais inesperados, não teria como ser diferente). Apesar da roupagem moderna, as linhas harmônicas de “Sorry” e “Lost” são do jeitão mais clássico e grudento do quarteto (mais uma vez, que aula de bases, solos e duetos de guitarras). E logo em seguida, tem  aquele hardão pesado e gostoso típico dos anos 80 permeando “God Damn Evil” (há uma leve influência de KISS que permeia a canção, especialmente por conta do trabalho peso-pesado de baixo e bateria). O jeito mais introspectivo e denso de “You Don’t Even Know Me” (o ritmo diminui em termos de velocidade, mas que peso e linhas melódicas) impacta o ouvinte, assim como na densa e também pesada “The Valley”. Já com um jeitão farofa de alto nível, “Sea of Thieves” vem parar grudar nos ouvidos e não sair mais (o Michael parece que não envelhece, pois que vozeirão!). Já com peso e atmosfera também oitentista, “Beautiful”vai lembrar os fãs mais antigos do início do U.S. Metal, especialmente pelo refrão. Em “Can’t Live Without Your Love”, temos uma power ballad pesada e bem feita, que impressiona a todos pelas guitarras com duetos fantásticos e pelas linhas vocais perfeitas. Outra com aquele jeitão Hard mais clássico, “Own Up” tem melodias simples, mas mantendo um peso forte (graças ao trabalho bem feito de baixo e bateria). E fechando, “The Devil Doesn’t Live Here” é uma pancada rápida e cheia de energia, ostentando um refrão de primeira e uma mescla de peso e agressividade de primeira.

Mantendo sua identidade e sabendo aprender com a experiência, o STRYPERchega com força para fazer de “God Damn Evil” um dos melhores discos de 2018. E mais uma lição dos mais experientes para os novatos.

Em tempo: John O’Boyle (que tocou nos dois últimos discos solo de Michael) gravou todas as linhas de baixo de “God Damn Evil”, sendo que o baixista que entrou depois das gravações é Perry Richardson, ex-FIREHOUSE.

Nota: 100+%