terça-feira, 16 de janeiro de 2018

OBSKURE - Sacrifice of the Wicked


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Sacrifice of the Wicked
2. Rise of a Despot
3. Devils


Banda:


Germano Monteiro - Vocais
Amaudson Ximenes - Guitarra
Daniel Boyadjian - Guitarra solo
Fábio Barros - Teclados
Jolson Ximenes - Baixo
Mardonio Malheiros - Bateria


Ficha Técnica:

Sem informação


Contatos:

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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas vezes, quando penso em meu passado como um Metalhead, tenho a certeza absoluta que nunca teria a mínima idéia de como o Metal iria se tornar um gênero tão amplo musicalmente e abrangente em termos territoriais no Brasil. Hoje, o nosso país tem bandas de alto gabarito por todos os seus estados, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. E também seria difícil de prever a longevidade de alguns veteranos. E um desses veteranos é o OBSKURE, um sexteto de Death Metal vindo de Fortaleza (Ceará) que detona ouvidos desde 1989. E é prazeroso saber que a banda está firme e forte, como seu recém-lançado EP, “Sacrifice of the Wicked”, está aqui para mostrar.

Firmes e fortes, o grupo não abre mão de sua música, de seu Death Metal Old School técnico e agressivo, mas cheio de passagens atmosféricas criadas pelos teclados. Óbvio que o tempo fez sua parte e foi tornando o trabalho musical deles cada vez mais conciso e lapidado, mostrando como sua música poderia render mais e mais. Logo, se percebe que no EP, a identidade musical do grupo está intocada, mas que eles voltaram tão brutais e técnicos como sempre. Óbvio que a cada lançamento eles vão evoluindo, mas nunca abrem mão daquilo que são ou de seu discurso azedo. É um tiro nos tímpanos dos mais chatos e conservadores, mas um deleite para os fãs.

Pode-se dizer que a produção de “Sacrifice of the Wicked” é a melhor que tiveram até os dias de hoje, pois é a que consegue aliar a crueza dura da musicalidade da banda com uma qualidade de audição ótima. A percepção é que os timbres continuam crus como sempre, dando agressividade extra às músicas, mas em termos de mixagem e masterização, a música soa clara, compacta e com muito peso. Na arte, tem-se o teor azedo das críticas da banda ao momento político e econômico do Brasil.

O amadurecimento da banda é evidente no EP. Em termos de composição, o OBSKURE está cada vez mais exigente, sem perder sua espontaneidade. Percebe-se que os arranjos criados para cada canção se encaixam perfeitamente, sem deixar espaços vazios. Tudo funciona em harmonia, para que a banda soa cada vez mais compactada e sólida para os ouvintes.

Belos arranjos sinistros de teclados adornam a brutalidade de “Sacrifice of the Wicked”, cheia de mudanças de ritmo que mostram o quanto baixo e bateria estão bem nesse EP. Pianos sinistros dão o início ao massacre abusivamente bruto de “Rise of a Despot”, onde os riffs das guitarras criam uma muralha compacta e sinuosa, fora os vocais variando bem os timbres guturais (que contrastam com alguns urros guturais), e na letra se percebe a dureza contra todos os políticos corruptos e ditadores. E fechando, temos “Devils”, versão do velho clássico do MOTORHEAD que está presente no CD “Going to Brazil … The Brazilian Tribute to MOTORHEAD”, lançado ano passado pela Secret Service Records, e que mostra que a banda sabe colocar sua personalidade em uma canção que não é de seu estilo (a resenha do tributo pode ser lida aqui: https://metalsamsara.blogspot.com/2017/06/going-to-brazil-brazilian-tribute-to_30.html).

Esperemos que “Sacrifice of the Wicked” seja o prenúncio de um novo álbum vindo por aí, pois já faz cinco anos desde o lançamento de “Dense Shades of Mankind”. No mais, divirtam-se, pois este EP é uma cacetada nos tímpanos!

Nota: 90%

NINNE - No Christmas Eve


Ano: 2017
Tipo: Single
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. No Christmas Eve


Banda:


Marcelo Alves - Vocais
Pedro Tavares - Guitarras
Rafael Marigo - Baixo
Herbert Loureiro - Bateria


Ficha Técnica:

Rafael Marigo - Mixagem, masterização
Rômulo Dias - Cover Artwork - Romulo Dias


Contatos:

Site Oficial: http://www.ninne.com/
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Cada vez mais as bandas têm apelado para os Singles como ferramenta de divulgação. É claro que as facilidades das mídias sociais tornou o mercado extremamente competitivo e disperso, sendo difícil alguém sobressair na avalanche de bandas e lançamentos de todos os dias. É preciso estratégia e talento para poder não ser engolido nesse dilúvio musical. O NINNE, quarteto de São Paulo, chega agora com o Single “No Christmas Eve”, mostrando que possuem estratégia mercadológica e música para irem longe.

Fazendo um Heavy Metal moderno e pesado, com muitas melodias de fácil assimilação, a banda mostra um trabalho que, mesmo não sendo inovador em termos criativos (traduzido: não inventaram uma nova vertente no Metal), percebe-se que eles têm uma identidade sonora forte, criando uma música que vem para seduzir os fãs por suas belas linhas melódicas, mas ao mesmo tempo, tem peso e agressividade sensíveis, fora muita energia.

Em termos de sonoridade, é evidente que “No Christmas Eve” foi caprichado. A sonoridade pesada e densa da banda foi adornada com uma boa dose de peso, mas com uma clareza bem grande a ponto de se compreender o que é tocado, bem como a participação de teclados e alguns cantos Gregorianos muito bem sacados. A arte, muito bem pensada, é um manifesto contra a noite de véspera de Natal.

E é justamente a arte que evidencia a inteligência do NINNE.

O Single foi lançado na época do Natal de 2017, sendo um manifesto contra a hipocrisia: todos querem presentes e guloseimas nesse dia, mas esquecem de que o Natal também significa fraternidade, e que muitos não têm presentes ou o que comer nesta noite. Ou em todas as outras do ano...

Se o lado mercadológico/ideológico da banda é forte, se percebe que a banda realmente teve uma inspiração e tanto, pois o peso e melodia de “No Christmas Eve” nos embala, fazendo com que percebamos como baixo e bateria são técnicos e seguram uma base rítmica variada, as guitarras usam um peso absurdo criando riffs modernos e melodiosos, e que os vocais são muito caprichados e de calibre pesado.

E 2018 promete ser um ano movimentado, pois vem um EP novo do NINNE por aí.

Até lá, cabe a pergunta: o que você tem feito para que todos possam ter uma noite de Natal melhor?


Nota: 88%

KRAKKENSPIT - Fear My Name


Ano: 2017
Tipo: Demo CD
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Fear My Name
2. Winds of Armaggedon
3. Love Foreve Gone


Banda:


Marcio Cruvinel - Vocais
Aldo Sabino - Guitarras
Julian Stella - Baixo
Italo Brunno - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
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Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Aqueles que possuem ouvidos bem experientes dentro do Metal conseguem reconhecer uma banda formada ou por músicos novatos ou aqueles com muitos calos dos anos. No caso dos que já estão com rodagem na estrada do Heavy Metal, alguns desses músicos são capazes de pegar uma fórmula já desgastada pelo uso e trazer para o presente de uma forma que não só convence, mas ganha fãs. O KRAKKENSPIT de Goiânia (Goiás) que o diga, já que o Demo CD “Fear My Name” merece aplausos de todos.

O quarteto tem raízes bem profundas e antigas, remetendo a grupos como o ESCOLA ALEMÃ e ao TERMINATOR, que possuíam traços mais agressivos. Já o KRAKKENSPIT é uma banda de Heavy Metal tradicional, que é permeada por passagens modernas e “Thrashy” nos moldes de um ICED EARTH ou JUDAS PRIEST. Como dito, esse jeito de se fazer música não é recente, mas nas mãos do quarto, funciona muito bem, é cheio de energia e com ótimo trabalho instrumental, rico em boas harmonias e melodias que grudam nos ouvidos.

Sim, “Fear My Name”é um ótimo trabalho.

A sonoridade criada para esse Demo CD ficou bem além das expectativas. Está bem melhor que muitos EPs oficiais que se ouve por aí, com bom equilíbrio entre as partes mais pesadas e agressivas e as linhas melódicas. E, além disso, percebe-se que o quarteto teve uma preocupação extra em se fazer entender musicalmente, logo, a clareza das músicas é bem evidente.

Agora, em termos de arte gráfica, a banda caprichou: o CD vem em uma pasta (isso mesmo, em uma pasta) semelhante àquelas em que certos documentos são entregues, com as folhas com cada letra de música separada, histórico de cada músico, e todas em tamanho A4 ou semelhante. E a qualidade do papel é impressionante.

Só que esta arte mostra uma banda ousada, que demanda que corresponda à altura na música. E eles fazem, acreditem, pois o grupo realmente tem muito potencial, soa coeso e pesado, sem deixar de ser melodioso e sedutor. Aliás, o grupo tem uma noção melodiosa incrível, mas sem negar suas raízes extremas. Por isso soa tão bom aos ouvidos.

Muitas mudanças de ritmo e doses homeopáticas de agressividade permeiam “Fear My Name”e seu andamento mais cadenciado, onde os vocais agressivos são excelentes, assim como as guitarras. Em “Winds of Armaggedon”, peso “sabbáthico” se mistura à riffs modernos, mas com forte destaque para baixo e bateria. E “Love Foreve Gone”, apesar de o nome sugerir que ela é uma balada, é uma coice de mula pesado e denso, com um andamento pesado e empolgante, um refrão muito bom e uma dinâmica entre vocais e instrumental perfeita.

No mais, o nome do KRAKKENSPIT merece ser acompanhado com toda atenção.

Nota: 87%

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

“Fast” Eddie Clarke (* 05/10/1950 - + 10/01/2018).


Em 11/01/2018, o mundo do Metal e do Rock perdeu um de seus guitarristas mais importantes: aos 67 anos de idade, Edward Allan Clarke, mais conhecido como “Fast” Eddie Clarke, ex-guitarrista do MOTORHEAD entre 1976 e 1982, faleceu de pneumonia.

Fã de Eric Claptone com um jeito mais voltado ao Rock clássico e ao Blues, a história de vida de Eddie veio a mudar quando se juntou a Lemmy Kilminster e Philthy Animal Taylor em 1976, começando a segunda formação do MOTÖRHEAD. E justamente esta formação veio a transformar o trio em um dos 3 pilares de sustentação do Metal, junto ao BLACK SABBATH e ao JUDAS PRIEST.

Lemmy, Eddie e Phill na clássica sessão de fotos da capa de “Ace of Spades”

Em seis anos com o grupo, Eddie gravou alguns dos maiores clássicos do Metal, que são “Motörhead”, “Overkill”, “Bomber”, “Ace of Spades”, o ao vivo “No Sleep ‘til Hammersmith”e “Iron Fist”. Seus riffs rápidos e sujos viriam a se tornar a base para os estilos extremos do Metal nos anos que viriam, bem como seus solos melodiosos influenciaram a muitos. Aliás, Eddie será um dos popularizadores da Fender Stratocaster no Metal, já que seu uso não era comum ao gênero por seus timbres.

Após sair do MOTÖRHEADem 1982, Eddie fundou o FASTWAY junto com o baixista Pete Way (ex-UFO), fora outros trabalhos que vieram posteriormente. Ao mesmo tempo, também produziu bandas como ASSASSIN, o próprio MOTÖRHEAD em alguns de seus Singles (e também o álbum “Iron Fist”), TANK, PLASMATICS, entre outros.

Lemmy, Phill e Eddie.

“Fast” Eddie Clarke era o último membro da formação clássica do MOTÖRHEADque ainda estava vivo. E a esta altura, já se junto a Lemmy e Phill para tomar umas, fumar uns cigarros e começar uma apresentação do outro lado.

NO CLASS FOREVER!

OM SHANTI, obrigado por todo seu legado, e Rock in Peace!







IRON MAIDEN - The Book of Souls: Live Chapter


Ano: 2017
Tipo: Ao Vivo (Duplo CD)
Nacional


Tracklist:

Disco 1:

1. If Eternity Should Fail (Sydney, Austrália)
2. Speed of Light (Cidade do Cabo, África do Sul)
3. Wrathchild (Dublin, Irlanda)
4. Children of the Damned (Montreal, Canadá)
5. Death or Glory (Breslávia, Polônia)
6. The Red and the Black (Tóquio, Japão)
7. The Trooper (San Salvador, El Salvador)
8. Powerslave (Trieste, Itália)

Disco 2:

1. The Great Unknown (Newcastle, UK)
2. The Book of Souls (Donington, UK)
3. Fear of the Dark (Fortaleza, Brasil)
4. Iron Maiden (Buenos Aires, Argentina)
5. Number of the Beast (Wacken, Alemanha)
6. Blood Brothers (Donington, UK)
7. Wasted Years (Rio de Janeiro, Brasil)


Banda:


Steve Harris - Baixo
Dave Murray - Guitarras
Adrian Smith - Guitarras
Janick Gers - Guitarras
Bruce Dickinson - Vocais
Nicko McBrain - Bateria


Ficha Técnica:

Steve Harris - Produção
Tony Newton - Produção, mixagem
Ade Emsley - Masterização
Stuart Crouch - Artwork
Hervé Monjeaud - Ilustrações
Anthony Dry - Ilustrações


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ser um gigante com história no Metal pode ser, muitas vezes, um imenso revés, já que quanto maior a banda em termos de popularidade, maior o nível de cobranças de público e crítica, e maior o peso da responsabilidade. E o IRON MAIDEN, maior nome do Metal mundial e maior divulgador do estilo, fez feio demais em “The Book of Souls: Live Chapter”, seu décimo-segundo e mais recente disco ao vivo.

Após o lançamento de “The Book of Souls”, mesmo os detratores do sexteto tiveram que aceitar que a banda parecia viver um bom momento em termos de criatividade. Mas ao lançar este ao vivo se percebe que a banda está, primeiramente, mal de gestão. Ou seja, quem gerencia e faz as escolhas em termos de produção de discos está totalmente perdido!

Não é preciso descrever o Heavy Metal tradicional que o grupo faz. Como dito acima, por ser o maior nome do gênero, pormenorizar a música deles seria mera burocracia para encher linguiças. O pior defeito do disco é o seu tracklist, ou seja, relação das músicas que estão nele.

Óbvio que por ter sido gravado em shows da “The Book of Souls World Tour”, a prevalência seria de canções do último álbum de estúdio (algo óbvio): seis canções dele, o que ocupa quase que metade do álbum em si. Sim, “The Book of Souls: Live Chapter” tem 15 canções, e como a produção/gestão parece ter fechado os olhos, faltou equilíbrio na dualidade músicas novas x músicas antigas, algo importante quando estamos tratando de discos ao vivo. Em comparação, “Live After Death” tem 20 canções (em sua versão com dois CDs), sendo quatro do disco divulgado naquela turnê (o clássico “Powerslave”), o que daria 4/5 para ser preenchido com canções de discos anteriores. E piora quando se percebe que a produção ignorou completamente músicas de “Seventh Son of a Seventh Son”, “No Prayer for the Dying” (tá certo que este é o mais fraco dos discos de estúdio do grupo, mas nenhuma canção dele?), absolutamente NADA da fase de Blaze Bayley (embora os fãs mais chorões não vejam isso como um problema), e nada de “Dance of Death”, “A Matter of Life and Death” ou “The Final Frontier”. É compreensível que certas músicas deveriam realmente estar no disco, como “The Number of the Beast” e “Iron Maiden”, mas como deixar canções como “Revelations”, “Flight of Icarus”, “Two Minutes to Midnight”, “Caught Somewhere in Time”ou “The Evil That Men Do”, só para citar algumas, de fora, e insistir em outras mais que manjadas como “Fear of the Dark”? Basta não encarar a Donzela de Ferro como uma religião (como muitos insistem em fazer no Brasil) e perceberão o que digo.

A sonoridade do disco em si não é ruim, mas deixa a desejar em alguns pontos. A crueza e energia que fluem são aquelas que conhecemos de shows, a bateria está com timbres excelentes, o baixo também, e os vocais ficaram bem audíveis, mas existem momentos em que as bases de guitarras ficam em volumes baixos e com timbres muito ruins, o que denuncia um mixagem longe do ideal. Novamente: estamos falando do IRON MAIDEN, logo, a estrutura financeira para montar uma qualidade sonora digna eles têm de sobra. Não se trata de fazer um disco com infinitos overdubs e obliterar a sensação de estarmos ouvindo um show ao vivo, mas de ter uma produção mais caprichada. Pelo menos, Kevin Shirley não está mais cuidando da produção sonora, o que já é um ponto positivo, e se forem fatos boatos que dizem que Stevefaz questão de controlar tudo em estúdio, melhor seria para a banda que ele se dedicasse apenas a tocar e compor, como era nos tempos de Martin Birch.

O lado gráfico, indo na direção oposta, ficou ótimo. Além das belas ilustrações, as fotos da turnê são bem feitas, com takes excelentes, fora as informações sobre a turnê em si estarem no encarte.

Ao vivo, o sexteto funciona muito bem, como é de praxe.

Steve e Nicko se entendem bem na base rítmica, e a coesão que apresentam é algo absurdo, fruto de mais de 30 anos tocando juntos. As guitarras estão muito bem também, mostrando que Adrian, Dave e Janick se entendem bem (e parem de reclamar e jogarem a culpa de tudo nas costas de Janick, que se mostra um ótimo guitarrista ao vivo, bem como é um excelente compositor, logo, cresçam de uma vez, crianças! Esse choro já deu na paciência!). Já Bruce está bem, mas apresenta os velhos problemas de sempre, como a falta de fôlego em alguns momentos, algo claro em “The Trooper”, “Iron Maiden” e “Wasted Years” e em canções rápidas ou de tons muito altos (o que demonstra o quanto é importante um vocalista se cuidar e ter aulas de canto, já que talento é inútil se não for exercitado), mas ele pelo menos consegue fazer entre 50-70% do que ele faz em estúdio.

As versões ao vivo para as canções de “The Book of Souls” são muito boas (descontando os problemas da sonorização). “If Eternity Should Fail”, “Speed of Light” (essa está muito boa mesmo, com baixo e bateria dando um show), “Death or Glory”, “The Red and the Black”, “The Great Unknown” e “The Book of Souls”são bem legais, mas se enxerga um erro de gestão/produção ao perceber que a banda colocou duas músicas enormes (as duas últimas) em um mesmo ao vivo. Desperdício de espaço.

Nas músicas antigas que preenchem o restante do disco, mais uma vez: são aquelas velhas canções que mostram o quanto o IRON MAIDEN está contente em permanecer na sua zona de conforto, que já foram repetidas tantas vezes que a paciência acabou. O fanatismo de muitos aceita e defende, mas o bom senso denuncia como um golpe. E, além disso, se percebe a diminuição nos ritmos de “Iron Maiden” e “Wasted Years” em relação às originais, um recurso usado bastante por muitas bandas para aguentarem o tranco. Mas é muito bom poder ouvir canções como “Wrathchild”, “Children of the Damned” (um dos melhores momentos do disco, verdade seja dita, pena que os timbres das guitarras não está ajudando), “Powerslave”, e “The Number of the Beast” (mesmo com Bruce perdendo o fôlego vez por outra, o que espero de coração não ser um reflexo tardio do tumor que ele teve na garganta há alguns anos) e “Wasted Years”.

Já sei, já sei: os mais fanáticos dos fãs da Donzela de Ferro já estão de mimimi, revoltados e frustrados com minhas palavras nesta resenha... Imaginem a minha frustração e revolta com esse disco. Justo eu que, em 1983, fui introduzido nessa vida de Heavy Metal por eles... Eu canso de dizer que devo muito a Steve Harris, mas como crítico, preciso ser correto.

Sinceramente, prefiro ouvir o bom e velho “Live After Death” que perder mais tempo do que já perdi com “The Book of Souls: Live Chapter”.

O que me resta agora: torcer que o próximo disco da banda de estúdio (que provavelmente deve ser o último, se algumas entrevistas com Steve após o lançamento de “The Book of Souls” estiverem corretas) seja produzido por produtores jovens e ambiciosos como Andy Sneap, Jens Bogren ou Fredrik Nordström, e que eles tenham total liberdade para fazerem o que fizeram com ACCEPT, JUDAS PRIEST, SEPULTURA, AMON AMARTH, DRAGONFORCE e outros: lhes dar nova vida.

O IRON MAIDENmerece mais que isso…


Nota: 47%


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TORTURE SQUAD - Far Beyond Existence (Álbum)


2017
Importado

Nota: 8,1/10,0

Tracklist:

1. Don’t Cross My Path
2. No Fate
3. Blood Sacrifice
4. Steady Hands
5. Hate
6. Hero for the Ages
7. Far Beyond Existence
8. Cursed by Disease
09. You Must Proclaim
10. Just Got Paid
11. Torture in Progress
12. Unknown Abyss


Banda:


Mayara “Undead” Puertas - Vocais
Renê Simionato - Guitarras
Castor - Baixo, backing vocals
Amílcar Christófaro - Bateria


Convidados:

Dave Ingram - Vocais em “Hate”
Edu Lane - Narração em “Cursed by Disease”
Luiz Carlos - Vocais em “You Must Proclaim”
Marcelo Schevano - Órgão Hammond em “Torture in Progress”
Alex Carmargo - Vocais adicionais em “Just Got Paid”


Contatos:

Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: www.metalmedia.com.br (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas bandas constroem carreiras sólidas sob os pilares da evolução. O trabalho de um grupo que satisfaz alguns fãs hoje e não a outros no dia de hoje, dentro de um intervalo de tempo considerável, pode ter efeito reverso. E o TORTURE SQUAD, de São Paulo (SP), vem com mais um disco, “Far Beyond the Existence”, e mais uma vez, diferente, até mesmo inusitado, diante de seu passado.

O Death/Thrash do passado, de discos como “Hellbound” e “Æquilibrium” com boas melodias deu lugar para um Thrash Metal mais seco e sujo em “Esquadrão de Tortura”. Quatro anos após o último, “Far Beyond the Existance” é uma continuação em relação ao estilo delineado no EP “Return of Evil”, ou seja, a banda rebuscou seu lado mais Death Metal, mantendo a influência de Thrash Metal em muitos momentos (especialmente nas guitarras).  Até aqui, só elogios, mas nem tudo são flores em “Far Beyond Existance”.

O disco foi produzido e mixado pelo quarteto, com a parceria entre eles, Tiago Assolini e Wagner Meirinho (este último também fez a masterização). A gravação ficou em um nível ótimo, equilibrando bem a agressividade, o peso e a clareza para que o álbum seja entendido em sua totalidade. Talvez o melhor ponto de todo o processo seja a valorização do trabalho do baixo e bateria, pois o primeiro está muito audível, algo bem raro em discos de bandas do gênero.

A arte de Rafael Tavarespara a capa de “Far Beyond Existance”é muito bonita, em uma arte bem soturna e agressiva, mas feita com esmero e bom gosto. Ela tende a um lado mais sombrio, o que de certa forma é a tônica estilística do álbum.

A coisa começa a ter problemas justamente em um ponto que o TORTURE SQUAD não falha: na questão de “conjunto”, ou seja, como os integrantes soam tocando ao mesmo tempo, como uma banda.

Esmiuçando: Amílcarestá ótimo como sempre na bateria, com muita técnica e peso, Castor é a segurança do ritmo do grupo (e mostra alguns momentos técnicos de primeira), e ambos formam uma das melhores sessões rítmicas do Metal brasileiro. O trabalho de Renê nas seis cordas é fantástico, com ótima técnica e riffs certeiros, e solos melodiosos (de onde as linhas melódicas), seguindo a tradição do grupo sempre ter bons guitarristas. Mayara canta bem, dona de um vocal gutural diferente do agressivo feminino comum (ela tem um jeito mais próximo de George “Corpsegrinder” Fisher do que para Angela Gossow, uma tendência bem comum), bons urros rasgados e uma dicção muito boa, mas é onde a coisa começa a mostrar problemas, já que a coesão entre partes instrumentais e vocais não está 100%. Ao contrário de “Return of Evil”, onde se percebia que a banda ainda necessitava de mais ensaios e estrada para a nova formação se ajustar. E este problema já deveria estar resolvido pelo tempo, idéia que a banda deu em sua participação no tributo ao MOTORHEAD. É preciso se reinventar, se ajustar, para que as peças do quebra-cabeça musical da banda se encaixem. Não basta talento, mas eficiência.

No aspecto musical, a banda realmente andou se superando. Embora não esteja reinventando a roda, óbvio que eles apresentam em “Far Beyond the Existence” músicas muito boas.

A versão que este autor tem em mãos tem 12 canções (um cover para “Just Got Paid” do ZZTOP, e uma outro sinistra, “Unknown Abyss”). E as melhores canções são “Don’t Cross My Path” e sua pegada Thrasher com tempos rápidos (onde a bateria está perfeita nas conduções e viradas, além das incursões no Death Metal), o massacre opressivo de “No Fate” (já um pouco mais voltada ao Death Metal, com riffs diretos e certeiros), a mais cadenciada e bem trabalhada “Steady Hands” com suas belas passagens de baixo, a veloz “Hate”(que tem a presença de Dave Ingram, ex-vocalista do BENEDICTON em alguns momentos nos vocais), a cadência bem trabalhada de “Far Beyond Existence” e a aula de riffs e solos das guitarras, a exibição de gala de baixo e bateria nas partes mais ganchudas de “You Must Proclaim”, a roupagem mais agressiva de “Just Got Paid”, onde nota-se como a voz limpa de Alex Camargo é muito boa e encaixa (e em nenhum momento a aura Southern Rock/Blues Rock da canção foi afetada, onde as guitarras mostram partes com slides, e o baixo está ótimo), e a instrumental “Torture in Progress”, onde se percebe um Groove forte, um swing apurado, e embora o trabalho nas guitarras seja perfeito, baixo e bateria estão muito bem, sem contar a presença de um Hammond que dá um toque psicodélico/lisérgico (uma participação especial de Marcelo Schevano, do CARRO BOMBA, GOLPE DE ESTADO, CASA DAS MÁQUINAS, e uma lição de que o ecleticismo musical pode sempre fazer a diferença na hora certa). Não há menção aos vocais justamente por eles não estarem em perfeita sintonia com o que o grupo exibe em termos instrumentais.

Embora não tenha rendido tudo que poderia, “Far Beyond Existence” é um disco muito bom, mostra um TORTURE SQUADrenovado e pronto para novos desafios.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

PESTILENCE - Hadeon


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Unholy Transcript
2. Non Physical Existent
3. Multi Dimensional
4. Oversoul
5. Materialization
6. Astral Projection
7. Discarnate Entity
8. Subvisions
9. Manifestations
10. Timeless
11. Ultra Demons
12. Layers of Reality
13. Electro Magnetic


Banda:


Patrick Mameli - Vocais, guitarras, baixo
Santiago Dobles - Guitarra solo
Tilen Hudrap - Baixo
Septimiu Hărşan - Bateria


Ficha Técnica:

Christian “Moschus” Moos - Mixagem
Dan Swanö - Masterização
Michał “Xaay” Loranc - Capa


Contatos:

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Instagram:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Há estilos do Metal que ficam em evidência em certos momentos, e por isso, acabam marcando a vida de quem passou por eles. Só quem viveu a abrangência da NWOBHM, do US Metal e do Metal germânico na primeira metade dos anos 80, o Thrash Metal na segunda, a invasão do Death Metal nos anos 90, a chegada da SWOBM a partir de 1994 e outros pode explicar o sentimento de cada um desses movimentos. E como em cada movimento musical, existem aquelas bandas que sempre acabam ficando em nossa memória, mesmo que sejam as de status “cult”, ou seja, as que são importantes, mas que nunca se tornaram gigantes. E quando se fala em Death Metal holandês, dificilmente o nome do pioneiro PESTILENCE é deixado de lado. E após um segundo hiato, eles retomam a carga e lançam mais um míssil destruidor de ouvidos, chamado “Hadeon”.

Quem conhece o quarteto, sabe bem do que eles são capazes: Death Metal puro sangue, brutal e opressivo, e são capazes de deixar qualquer fã do estilo arrepiado. Mas mesmo usando da brutalidade tradicional, o “approach” usado em “Hadeon” é pode ser descrito da seguinte forma: o grupo continua com sua identidade Death Metal, mas com uma estética técnica muito bem feita e interessante. Basicamente, podemos dizer que “Hadeon” seria uma sequência natural de “Testimony of the Ancients”, de 1991, com aquela preocupação em ser diferente do que os outros faziam na época, impondo um pouco mais de técnica ao som agressivo costumeiro.

Ou seja, “Hadeon”veio para quebrar ossos!

A sonoridade do disco é altamente explosiva e impactante, como um álbum de Death Metal precisa ser. Obviamente que a banda não renega a estética sonora mais burilada e que permite que seu som impactante seja compreendido. A crueza estilística do gênero repousa totalmente nas canções, nos timbres instrumentais que foram escolhidos. E a capa é uma repaginada nos elementos clássicos vistos nos anos 90, nas capas de “Testimony of the Ancients” e “Spheres”, só que transpostas para os tempos atuais. E isso mostra que o PESTILENCE está voraz, faminto por retomar seu lugar devido!

E verdade seja dita: eles merecem muito respeito, pois o Death Metal como um todo seria mais pobre sem o PESTILENCE. São uma das primeiras bandas a investir no que viria a ser chamado Techno Death Metal, e mostrar que existiam possibilidades infinitas no estilo. E em “Hadeon”, eles destilam uma forma de música que é superior ao que fizeram na volta do primeiro hiato. Além de uma musicalidade bem trabalhada e brutal, se percebe que os arranjos criados só adicionam mais tempero a pancadaria desenfreada que eles desencadeiam.

E é bom prepararem os ouvidos, pois a carnificina é evidente!

Melhores momentos de um disco excelente: a massacrante e moedora de ossos “Non Physical Existent”, uma canção rápida, recheada de riffs trabalhados com aquele toque pessoal do grupo; a brutalidade extrema de “Multi Dimensional” (mas percebam que baixo e bateria dão uma exibição de gala, criando uma base rítmica muito bem trabalhada, embora muito pesada); a azeda e cadenciada “Oversoul” e seus riffs sinuosos e solos rascantes; “Materialization”e seu jeito um pouco mais tradicional (mas com as guitarras vomitando riffs de primeira); a podreira veloz e empolgante de “Discarnate Entity” e seus tempos bem trabalhados; a força bruta de baixo e bateria nos tempos variados de “Manifestations”; a expressividade sufocante e opressiva de “Timeless”e seus vocais guturais alinhavados com uma base instrumental instigante; e o assassinato musical cometido pela fabulosa “Layers of Reality”.

Se você é fã de Metal extremo, “Hadeon” foi feito para você, logo, presencie o renascimento do PESTILENCE, e aproveitem, pois além desse, a Hammerheart Records Brasiljá relançou as versões duplas de “Malleus Maleficarum” (1988), “Consuming Impulse” (1989) e “Testimony of the Ancients” (1991). E a “Consuming Latin America” vem aí, com 6 shows no Brasil em Abril!


Até lá, “Hadeon”é uma excelente pedida, e será lançado em março no Brasil, simultaneamente ao Velho Continente.

Nota: 100%