quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

“Fast” Eddie Clarke (* 05/10/1950 - + 10/01/2018).


Em 11/01/2018, o mundo do Metal e do Rock perdeu um de seus guitarristas mais importantes: aos 67 anos de idade, Edward Allan Clarke, mais conhecido como “Fast” Eddie Clarke, ex-guitarrista do MOTORHEAD entre 1976 e 1982, faleceu de pneumonia.

Fã de Eric Claptone com um jeito mais voltado ao Rock clássico e ao Blues, a história de vida de Eddie veio a mudar quando se juntou a Lemmy Kilminster e Philthy Animal Taylor em 1976, começando a segunda formação do MOTÖRHEAD. E justamente esta formação veio a transformar o trio em um dos 3 pilares de sustentação do Metal, junto ao BLACK SABBATH e ao JUDAS PRIEST.

Lemmy, Eddie e Phill na clássica sessão de fotos da capa de “Ace of Spades”

Em seis anos com o grupo, Eddie gravou alguns dos maiores clássicos do Metal, que são “Motörhead”, “Overkill”, “Bomber”, “Ace of Spades”, o ao vivo “No Sleep ‘til Hammersmith”e “Iron Fist”. Seus riffs rápidos e sujos viriam a se tornar a base para os estilos extremos do Metal nos anos que viriam, bem como seus solos melodiosos influenciaram a muitos. Aliás, Eddie será um dos popularizadores da Fender Stratocaster no Metal, já que seu uso não era comum ao gênero por seus timbres.

Após sair do MOTÖRHEADem 1982, Eddie fundou o FASTWAY junto com o baixista Pete Way (ex-UFO), fora outros trabalhos que vieram posteriormente. Ao mesmo tempo, também produziu bandas como ASSASSIN, o próprio MOTÖRHEAD em alguns de seus Singles (e também o álbum “Iron Fist”), TANK, PLASMATICS, entre outros.

Lemmy, Phill e Eddie.

“Fast” Eddie Clarke era o último membro da formação clássica do MOTÖRHEADque ainda estava vivo. E a esta altura, já se junto a Lemmy e Phill para tomar umas, fumar uns cigarros e começar uma apresentação do outro lado.

NO CLASS FOREVER!

OM SHANTI, obrigado por todo seu legado, e Rock in Peace!







IRON MAIDEN - The Book of Souls: Live Chapter


Ano: 2017
Tipo: Ao Vivo (Duplo CD)
Nacional


Tracklist:

Disco 1:

1. If Eternity Should Fail (Sydney, Austrália)
2. Speed of Light (Cidade do Cabo, África do Sul)
3. Wrathchild (Dublin, Irlanda)
4. Children of the Damned (Montreal, Canadá)
5. Death or Glory (Breslávia, Polônia)
6. The Red and the Black (Tóquio, Japão)
7. The Trooper (San Salvador, El Salvador)
8. Powerslave (Trieste, Itália)

Disco 2:

1. The Great Unknown (Newcastle, UK)
2. The Book of Souls (Donington, UK)
3. Fear of the Dark (Fortaleza, Brasil)
4. Iron Maiden (Buenos Aires, Argentina)
5. Number of the Beast (Wacken, Alemanha)
6. Blood Brothers (Donington, UK)
7. Wasted Years (Rio de Janeiro, Brasil)


Banda:


Steve Harris - Baixo
Dave Murray - Guitarras
Adrian Smith - Guitarras
Janick Gers - Guitarras
Bruce Dickinson - Vocais
Nicko McBrain - Bateria


Ficha Técnica:

Steve Harris - Produção
Tony Newton - Produção, mixagem
Ade Emsley - Masterização
Stuart Crouch - Artwork
Hervé Monjeaud - Ilustrações
Anthony Dry - Ilustrações


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ser um gigante com história no Metal pode ser, muitas vezes, um imenso revés, já que quanto maior a banda em termos de popularidade, maior o nível de cobranças de público e crítica, e maior o peso da responsabilidade. E o IRON MAIDEN, maior nome do Metal mundial e maior divulgador do estilo, fez feio demais em “The Book of Souls: Live Chapter”, seu décimo-segundo e mais recente disco ao vivo.

Após o lançamento de “The Book of Souls”, mesmo os detratores do sexteto tiveram que aceitar que a banda parecia viver um bom momento em termos de criatividade. Mas ao lançar este ao vivo se percebe que a banda está, primeiramente, mal de gestão. Ou seja, quem gerencia e faz as escolhas em termos de produção de discos está totalmente perdido!

Não é preciso descrever o Heavy Metal tradicional que o grupo faz. Como dito acima, por ser o maior nome do gênero, pormenorizar a música deles seria mera burocracia para encher linguiças. O pior defeito do disco é o seu tracklist, ou seja, relação das músicas que estão nele.

Óbvio que por ter sido gravado em shows da “The Book of Souls World Tour”, a prevalência seria de canções do último álbum de estúdio (algo óbvio): seis canções dele, o que ocupa quase que metade do álbum em si. Sim, “The Book of Souls: Live Chapter” tem 15 canções, e como a produção/gestão parece ter fechado os olhos, faltou equilíbrio na dualidade músicas novas x músicas antigas, algo importante quando estamos tratando de discos ao vivo. Em comparação, “Live After Death” tem 20 canções (em sua versão com dois CDs), sendo quatro do disco divulgado naquela turnê (o clássico “Powerslave”), o que daria 4/5 para ser preenchido com canções de discos anteriores. E piora quando se percebe que a produção ignorou completamente músicas de “Seventh Son of a Seventh Son”, “No Prayer for the Dying” (tá certo que este é o mais fraco dos discos de estúdio do grupo, mas nenhuma canção dele?), absolutamente NADA da fase de Blaze Bayley (embora os fãs mais chorões não vejam isso como um problema), e nada de “Dance of Death”, “A Matter of Life and Death” ou “The Final Frontier”. É compreensível que certas músicas deveriam realmente estar no disco, como “The Number of the Beast” e “Iron Maiden”, mas como deixar canções como “Revelations”, “Flight of Icarus”, “Two Minutes to Midnight”, “Caught Somewhere in Time”ou “The Evil That Men Do”, só para citar algumas, de fora, e insistir em outras mais que manjadas como “Fear of the Dark”? Basta não encarar a Donzela de Ferro como uma religião (como muitos insistem em fazer no Brasil) e perceberão o que digo.

A sonoridade do disco em si não é ruim, mas deixa a desejar em alguns pontos. A crueza e energia que fluem são aquelas que conhecemos de shows, a bateria está com timbres excelentes, o baixo também, e os vocais ficaram bem audíveis, mas existem momentos em que as bases de guitarras ficam em volumes baixos e com timbres muito ruins, o que denuncia um mixagem longe do ideal. Novamente: estamos falando do IRON MAIDEN, logo, a estrutura financeira para montar uma qualidade sonora digna eles têm de sobra. Não se trata de fazer um disco com infinitos overdubs e obliterar a sensação de estarmos ouvindo um show ao vivo, mas de ter uma produção mais caprichada. Pelo menos, Kevin Shirley não está mais cuidando da produção sonora, o que já é um ponto positivo, e se forem fatos boatos que dizem que Stevefaz questão de controlar tudo em estúdio, melhor seria para a banda que ele se dedicasse apenas a tocar e compor, como era nos tempos de Martin Birch.

O lado gráfico, indo na direção oposta, ficou ótimo. Além das belas ilustrações, as fotos da turnê são bem feitas, com takes excelentes, fora as informações sobre a turnê em si estarem no encarte.

Ao vivo, o sexteto funciona muito bem, como é de praxe.

Steve e Nicko se entendem bem na base rítmica, e a coesão que apresentam é algo absurdo, fruto de mais de 30 anos tocando juntos. As guitarras estão muito bem também, mostrando que Adrian, Dave e Janick se entendem bem (e parem de reclamar e jogarem a culpa de tudo nas costas de Janick, que se mostra um ótimo guitarrista ao vivo, bem como é um excelente compositor, logo, cresçam de uma vez, crianças! Esse choro já deu na paciência!). Já Bruce está bem, mas apresenta os velhos problemas de sempre, como a falta de fôlego em alguns momentos, algo claro em “The Trooper”, “Iron Maiden” e “Wasted Years” e em canções rápidas ou de tons muito altos (o que demonstra o quanto é importante um vocalista se cuidar e ter aulas de canto, já que talento é inútil se não for exercitado), mas ele pelo menos consegue fazer entre 50-70% do que ele faz em estúdio.

As versões ao vivo para as canções de “The Book of Souls” são muito boas (descontando os problemas da sonorização). “If Eternity Should Fail”, “Speed of Light” (essa está muito boa mesmo, com baixo e bateria dando um show), “Death or Glory”, “The Red and the Black”, “The Great Unknown” e “The Book of Souls”são bem legais, mas se enxerga um erro de gestão/produção ao perceber que a banda colocou duas músicas enormes (as duas últimas) em um mesmo ao vivo. Desperdício de espaço.

Nas músicas antigas que preenchem o restante do disco, mais uma vez: são aquelas velhas canções que mostram o quanto o IRON MAIDEN está contente em permanecer na sua zona de conforto, que já foram repetidas tantas vezes que a paciência acabou. O fanatismo de muitos aceita e defende, mas o bom senso denuncia como um golpe. E, além disso, se percebe a diminuição nos ritmos de “Iron Maiden” e “Wasted Years” em relação às originais, um recurso usado bastante por muitas bandas para aguentarem o tranco. Mas é muito bom poder ouvir canções como “Wrathchild”, “Children of the Damned” (um dos melhores momentos do disco, verdade seja dita, pena que os timbres das guitarras não está ajudando), “Powerslave”, e “The Number of the Beast” (mesmo com Bruce perdendo o fôlego vez por outra, o que espero de coração não ser um reflexo tardio do tumor que ele teve na garganta há alguns anos) e “Wasted Years”.

Já sei, já sei: os mais fanáticos dos fãs da Donzela de Ferro já estão de mimimi, revoltados e frustrados com minhas palavras nesta resenha... Imaginem a minha frustração e revolta com esse disco. Justo eu que, em 1983, fui introduzido nessa vida de Heavy Metal por eles... Eu canso de dizer que devo muito a Steve Harris, mas como crítico, preciso ser correto.

Sinceramente, prefiro ouvir o bom e velho “Live After Death” que perder mais tempo do que já perdi com “The Book of Souls: Live Chapter”.

O que me resta agora: torcer que o próximo disco da banda de estúdio (que provavelmente deve ser o último, se algumas entrevistas com Steve após o lançamento de “The Book of Souls” estiverem corretas) seja produzido por produtores jovens e ambiciosos como Andy Sneap, Jens Bogren ou Fredrik Nordström, e que eles tenham total liberdade para fazerem o que fizeram com ACCEPT, JUDAS PRIEST, SEPULTURA, AMON AMARTH, DRAGONFORCE e outros: lhes dar nova vida.

O IRON MAIDENmerece mais que isso…


Nota: 47%


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TORTURE SQUAD - Far Beyond Existence (Álbum)


2017
Importado

Nota: 8,1/10,0

Tracklist:

1. Don’t Cross My Path
2. No Fate
3. Blood Sacrifice
4. Steady Hands
5. Hate
6. Hero for the Ages
7. Far Beyond Existence
8. Cursed by Disease
09. You Must Proclaim
10. Just Got Paid
11. Torture in Progress
12. Unknown Abyss


Banda:


Mayara “Undead” Puertas - Vocais
Renê Simionato - Guitarras
Castor - Baixo, backing vocals
Amílcar Christófaro - Bateria


Convidados:

Dave Ingram - Vocais em “Hate”
Edu Lane - Narração em “Cursed by Disease”
Luiz Carlos - Vocais em “You Must Proclaim”
Marcelo Schevano - Órgão Hammond em “Torture in Progress”
Alex Carmargo - Vocais adicionais em “Just Got Paid”


Contatos:

Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: www.metalmedia.com.br (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas bandas constroem carreiras sólidas sob os pilares da evolução. O trabalho de um grupo que satisfaz alguns fãs hoje e não a outros no dia de hoje, dentro de um intervalo de tempo considerável, pode ter efeito reverso. E o TORTURE SQUAD, de São Paulo (SP), vem com mais um disco, “Far Beyond the Existence”, e mais uma vez, diferente, até mesmo inusitado, diante de seu passado.

O Death/Thrash do passado, de discos como “Hellbound” e “Æquilibrium” com boas melodias deu lugar para um Thrash Metal mais seco e sujo em “Esquadrão de Tortura”. Quatro anos após o último, “Far Beyond the Existance” é uma continuação em relação ao estilo delineado no EP “Return of Evil”, ou seja, a banda rebuscou seu lado mais Death Metal, mantendo a influência de Thrash Metal em muitos momentos (especialmente nas guitarras).  Até aqui, só elogios, mas nem tudo são flores em “Far Beyond Existance”.

O disco foi produzido e mixado pelo quarteto, com a parceria entre eles, Tiago Assolini e Wagner Meirinho (este último também fez a masterização). A gravação ficou em um nível ótimo, equilibrando bem a agressividade, o peso e a clareza para que o álbum seja entendido em sua totalidade. Talvez o melhor ponto de todo o processo seja a valorização do trabalho do baixo e bateria, pois o primeiro está muito audível, algo bem raro em discos de bandas do gênero.

A arte de Rafael Tavarespara a capa de “Far Beyond Existance”é muito bonita, em uma arte bem soturna e agressiva, mas feita com esmero e bom gosto. Ela tende a um lado mais sombrio, o que de certa forma é a tônica estilística do álbum.

A coisa começa a ter problemas justamente em um ponto que o TORTURE SQUAD não falha: na questão de “conjunto”, ou seja, como os integrantes soam tocando ao mesmo tempo, como uma banda.

Esmiuçando: Amílcarestá ótimo como sempre na bateria, com muita técnica e peso, Castor é a segurança do ritmo do grupo (e mostra alguns momentos técnicos de primeira), e ambos formam uma das melhores sessões rítmicas do Metal brasileiro. O trabalho de Renê nas seis cordas é fantástico, com ótima técnica e riffs certeiros, e solos melodiosos (de onde as linhas melódicas), seguindo a tradição do grupo sempre ter bons guitarristas. Mayara canta bem, dona de um vocal gutural diferente do agressivo feminino comum (ela tem um jeito mais próximo de George “Corpsegrinder” Fisher do que para Angela Gossow, uma tendência bem comum), bons urros rasgados e uma dicção muito boa, mas é onde a coisa começa a mostrar problemas, já que a coesão entre partes instrumentais e vocais não está 100%. Ao contrário de “Return of Evil”, onde se percebia que a banda ainda necessitava de mais ensaios e estrada para a nova formação se ajustar. E este problema já deveria estar resolvido pelo tempo, idéia que a banda deu em sua participação no tributo ao MOTORHEAD. É preciso se reinventar, se ajustar, para que as peças do quebra-cabeça musical da banda se encaixem. Não basta talento, mas eficiência.

No aspecto musical, a banda realmente andou se superando. Embora não esteja reinventando a roda, óbvio que eles apresentam em “Far Beyond the Existence” músicas muito boas.

A versão que este autor tem em mãos tem 12 canções (um cover para “Just Got Paid” do ZZTOP, e uma outro sinistra, “Unknown Abyss”). E as melhores canções são “Don’t Cross My Path” e sua pegada Thrasher com tempos rápidos (onde a bateria está perfeita nas conduções e viradas, além das incursões no Death Metal), o massacre opressivo de “No Fate” (já um pouco mais voltada ao Death Metal, com riffs diretos e certeiros), a mais cadenciada e bem trabalhada “Steady Hands” com suas belas passagens de baixo, a veloz “Hate”(que tem a presença de Dave Ingram, ex-vocalista do BENEDICTON em alguns momentos nos vocais), a cadência bem trabalhada de “Far Beyond Existence” e a aula de riffs e solos das guitarras, a exibição de gala de baixo e bateria nas partes mais ganchudas de “You Must Proclaim”, a roupagem mais agressiva de “Just Got Paid”, onde nota-se como a voz limpa de Alex Camargo é muito boa e encaixa (e em nenhum momento a aura Southern Rock/Blues Rock da canção foi afetada, onde as guitarras mostram partes com slides, e o baixo está ótimo), e a instrumental “Torture in Progress”, onde se percebe um Groove forte, um swing apurado, e embora o trabalho nas guitarras seja perfeito, baixo e bateria estão muito bem, sem contar a presença de um Hammond que dá um toque psicodélico/lisérgico (uma participação especial de Marcelo Schevano, do CARRO BOMBA, GOLPE DE ESTADO, CASA DAS MÁQUINAS, e uma lição de que o ecleticismo musical pode sempre fazer a diferença na hora certa). Não há menção aos vocais justamente por eles não estarem em perfeita sintonia com o que o grupo exibe em termos instrumentais.

Embora não tenha rendido tudo que poderia, “Far Beyond Existence” é um disco muito bom, mostra um TORTURE SQUADrenovado e pronto para novos desafios.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

PESTILENCE - Hadeon


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Unholy Transcript
2. Non Physical Existent
3. Multi Dimensional
4. Oversoul
5. Materialization
6. Astral Projection
7. Discarnate Entity
8. Subvisions
9. Manifestations
10. Timeless
11. Ultra Demons
12. Layers of Reality
13. Electro Magnetic


Banda:


Patrick Mameli - Vocais, guitarras, baixo
Santiago Dobles - Guitarra solo
Tilen Hudrap - Baixo
Septimiu Hărşan - Bateria


Ficha Técnica:

Christian “Moschus” Moos - Mixagem
Dan Swanö - Masterização
Michał “Xaay” Loranc - Capa


Contatos:

Twitter:
Youtube:
Instagram:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Há estilos do Metal que ficam em evidência em certos momentos, e por isso, acabam marcando a vida de quem passou por eles. Só quem viveu a abrangência da NWOBHM, do US Metal e do Metal germânico na primeira metade dos anos 80, o Thrash Metal na segunda, a invasão do Death Metal nos anos 90, a chegada da SWOBM a partir de 1994 e outros pode explicar o sentimento de cada um desses movimentos. E como em cada movimento musical, existem aquelas bandas que sempre acabam ficando em nossa memória, mesmo que sejam as de status “cult”, ou seja, as que são importantes, mas que nunca se tornaram gigantes. E quando se fala em Death Metal holandês, dificilmente o nome do pioneiro PESTILENCE é deixado de lado. E após um segundo hiato, eles retomam a carga e lançam mais um míssil destruidor de ouvidos, chamado “Hadeon”.

Quem conhece o quarteto, sabe bem do que eles são capazes: Death Metal puro sangue, brutal e opressivo, e são capazes de deixar qualquer fã do estilo arrepiado. Mas mesmo usando da brutalidade tradicional, o “approach” usado em “Hadeon” é pode ser descrito da seguinte forma: o grupo continua com sua identidade Death Metal, mas com uma estética técnica muito bem feita e interessante. Basicamente, podemos dizer que “Hadeon” seria uma sequência natural de “Testimony of the Ancients”, de 1991, com aquela preocupação em ser diferente do que os outros faziam na época, impondo um pouco mais de técnica ao som agressivo costumeiro.

Ou seja, “Hadeon”veio para quebrar ossos!

A sonoridade do disco é altamente explosiva e impactante, como um álbum de Death Metal precisa ser. Obviamente que a banda não renega a estética sonora mais burilada e que permite que seu som impactante seja compreendido. A crueza estilística do gênero repousa totalmente nas canções, nos timbres instrumentais que foram escolhidos. E a capa é uma repaginada nos elementos clássicos vistos nos anos 90, nas capas de “Testimony of the Ancients” e “Spheres”, só que transpostas para os tempos atuais. E isso mostra que o PESTILENCE está voraz, faminto por retomar seu lugar devido!

E verdade seja dita: eles merecem muito respeito, pois o Death Metal como um todo seria mais pobre sem o PESTILENCE. São uma das primeiras bandas a investir no que viria a ser chamado Techno Death Metal, e mostrar que existiam possibilidades infinitas no estilo. E em “Hadeon”, eles destilam uma forma de música que é superior ao que fizeram na volta do primeiro hiato. Além de uma musicalidade bem trabalhada e brutal, se percebe que os arranjos criados só adicionam mais tempero a pancadaria desenfreada que eles desencadeiam.

E é bom prepararem os ouvidos, pois a carnificina é evidente!

Melhores momentos de um disco excelente: a massacrante e moedora de ossos “Non Physical Existent”, uma canção rápida, recheada de riffs trabalhados com aquele toque pessoal do grupo; a brutalidade extrema de “Multi Dimensional” (mas percebam que baixo e bateria dão uma exibição de gala, criando uma base rítmica muito bem trabalhada, embora muito pesada); a azeda e cadenciada “Oversoul” e seus riffs sinuosos e solos rascantes; “Materialization”e seu jeito um pouco mais tradicional (mas com as guitarras vomitando riffs de primeira); a podreira veloz e empolgante de “Discarnate Entity” e seus tempos bem trabalhados; a força bruta de baixo e bateria nos tempos variados de “Manifestations”; a expressividade sufocante e opressiva de “Timeless”e seus vocais guturais alinhavados com uma base instrumental instigante; e o assassinato musical cometido pela fabulosa “Layers of Reality”.

Se você é fã de Metal extremo, “Hadeon” foi feito para você, logo, presencie o renascimento do PESTILENCE, e aproveitem, pois além desse, a Hammerheart Records Brasiljá relançou as versões duplas de “Malleus Maleficarum” (1988), “Consuming Impulse” (1989) e “Testimony of the Ancients” (1991). E a “Consuming Latin America” vem aí, com 6 shows no Brasil em Abril!


Até lá, “Hadeon”é uma excelente pedida, e será lançado em março no Brasil, simultaneamente ao Velho Continente.

Nota: 100%

FABIANO NEGRI - When Nothing is Right, Anything is Possible


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Modern Old Times
2. Dear Captain
3. The Long Run
4. My Flesh
5. Absolutely!
6. The Apple and The Beast (Bonus)


Banda:


Fabiano Negri - Vocais, violão, baixo, bateria, teclados


Ficha Técnica:

Fabiano Negri - Produção
Ric Palma - Produção, gravação, mixagem, masterização, baixo, violão
Arte - Atila Fabbio
Cyro Zuzi - Bateria
Rodrigo Andreiuk - Piano


Contatos:

Site Oficial: www.fabianonegri.com
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em termos de crise econômica (e muitas vezes, criativa) em nosso país, em que um novo episódio histórico tenebroso começa a se desenhar no horizonte, o bom e velho Rock’n’Roll parece ser a saída que FABIANO NEGRI (conhecido por seu trabalho com o REI LAGARTO) nos aponta. E usando de seu talento como cantor e compositor, ele nos brinda com mais um ótimo trabalho, que se chama sugestivamente “When Nothing is Right, Anything is Possible”.

Quando nada está correto, tudo é possível, logo, o que temos em mãos é o bom e velho Rock’n’Roll de raiz, melodioso e com aquele toque de psicodelia dos anos 70. Mas não se preocupem, pois o trabalho soa atual e vibrante, com uma energia envolvente e terna. Refrãos de primeira ajudam as canções a serem assimiladas mais facilmente pelo ouvinte, bem como alguns elementos de Pop e MPB dão as caras vez por outra no disco. E sim, é viciante!

A produção ficou muito boa. Em termos sonoros, trazer o Rock do passado ao presente sem soar datado e mofado é uma tarefa ingrata, mas que em “When Nothing is Right, Anything is Possible”se tornou uma realidade. Tudo está esteticamente perfeito, em seus devidos lugares, e com timbres bem sacados. E a capa é muito boa, bem feita e com o devido cuidado para não ser algo opulento, ou mesmo cheio de detalhes que desviariam a atenção da música.

A voz versátil de Fabianoé um dos pontos fortes do trabalho, mas para tanto, é necessário um instrumental igualmente capaz de lhe dar sustento. E encontramos isso em cada uma das seis faixas de “When Nothing is Right, Anything is Possible”, pois os arranjos de guitarras, baixo, bateria, teclados, violão e piano foram muito bem pensados, explorando possibilidades que permitiram que todo feeling delas fosse sentido.

“Modern Old Times”é um rockão denso e com boas melodias, além de uma dose saudável de psicodelia (reparem como baixo e bateria estão bem, criando uma base sólida e bem feita), enquanto “Dear Captain” já mostra um andamento não tão veloz e um foco mais intimista (onde vocais e backing vocals estão muito bem). Ainda mais intimista e cativante é “The Long Run”, com uma forte carga de sentimento e uma estruturação harmônica que dá aos vocais, seja nos momentos mais lentos ou nos de maiores crescendo. “My Flesh” é pesada, permeada por um azedume das guitarras que deixa tudo mais agressivo, mas sem que as melodias sejam perdidas. O lado mezzo melancólico do Jazz surge em “Absolutely!”, com belos pianos dando aquela ambientação intimista e noir onde baixo e bateria são muito importante. E fechando, temos a belíssima versão para “The Apple and The Beast”, com belos violinos e muito feeling fluindo das caixas de som.

O disco é do ano passado, mas se percebe que o talento de Fabiano faz com que “When Nothing is Right, Anything is Possible” seja atemporal. Ouça hoje e amanhã, ouça para sempre, pois esse disco é fenomenal!

Nota: 93%


KINGS WILL FALL - Thrash Force.One


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado


Tracklist:

1. In Dead & Mud & Misery
2. Toxic War  
3. Shots for Glory
4. Burn All Fuel
5. Endless Pain
6. Damage Crown
7. Buster
8. Gängster 1948
9. We Are Motörhead


Banda:


Fabian Jung - Vocais
Daniel Vanzo - Baixo, backing vocals
Rene Thaler - Guitarras
Lukas Gross - Bateria


Ficha Técnica:

Sem informações


Contatos:

Site Oficial:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem discos que parecem verdadeiras usinas nucleares em termos de energia. Óbvio que este não é o único ponto para se fazer um bom trabalho, mas já é um ótimo início. E o quarteto italiano KINGS WILL FALL é capaz de desencadear energia em escalas semelhantes àquela medida em um desastre nuclear. Basta uma ouvida no primeiro “Full Length” da banda, chamado “Thrash Force.One”.

Furioso, moderno e agressivo, com algumas doses de Groove aqui e ali, a banda não faz uso de uma fórmula musical exatamente nova, mas em compensação, usam de alguns momentos extremos herdados do Death Metal que encaixaram como uma luva no trabalho dele, e lhes confere um toque diferenciado. E se preparem, pois a musicalidade violenta do grupo é viciante!

A sonoridade de “Thrash Force.One” é muito boa. O quarteto e o produtor souberam dar uma qualidade sonora pesada, densa e brutal, mas soando clara e com todos os arranjos instrumentais soando audíveis e sem problemas em serem compreendidos, com algum “feeling” de disco ao vivo (já que há momentos em que não existem bases de guitarras dando suporte aos solos). Sonoramente, é um apocalipse de agressividade, mas limpo e inteligível. E em termos de arte, a capa deixa claro o conteúdo azedo das letras da banda.

Os “Thrash Metal Maniacs” italianos desse quarteto mostram um talento inegável para o estilo, pois mesmo com claras influências de NUCLEAR ASSAULT, EXODUS e outros gigantes americanos, eles mostram uma sonoridade personalizada, reescrevem sua música conforme a vontade deles, e não seguindo modelos pré-estabelecidos. Muita energia, boa técnica, arranjos eficientes, e um tesão absurdo por fazer aquilo que gostam.

Musicalmente, “Thrash Force.One” é bom do início ao fim, viciante para fãs de Thtash Metal, mas a brutalidade desmedida de “Toxic War”e seus riffs de primeira, a ferocidade de “Shots for Glory” e o trabalho excelente de baixo e bateria (reparem que há um pouco de Groove nesta canção), a pancadaria bem trabalhada mostrada em “Burn All Fuel”, a Thrash/Crossover curta e grossa “Damage Crown” (que mostra vocais muito bons), e a opressão dos tempos mais lentos mostrados em “Gängster 1948” são garantias de diversão e torcicolos para todos. Mas não se pode deixar de citar a versão bruta e rasgada para o hino “We Are Motörhead”, do velho esmagador de crânios chamado MOTÖRHEAD, em que os italianos mostram o quanto o trio inglês é seminal para o Thrash Metal.

Com esses caras não se brinca, logo, ouça “Thrash Force.One” no mais alto volume, e veja como o KINGS WILL FALL tem potencial para rachar crânios e causar dores de pescoço.

Nota: 88%

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

TRIANGELUS - I.I. (Indivíduo Incógnito)


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Lamparina
2. Família dos Mortos
3. Eyes That Glow in the Dark


Banda:

Anônimo - Todos os instrumentos


Ficha Técnica:

Anônimo - Produção, mixagem, masterização, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


No Brasil, estamos acostumados a, todos os dias, vermos bandas e mais bandas que não são de caráter experimental. Bandas que busquem influências em nomes que assombram aqueles que possuem forte ligação com o conservadorismo musical. Mas toda evolução é como uma represa que está rachando: melhor fugir antes que as aguas derrubem tudo. E mostrando-se evoluído e capa de gerar algo diferente do usual é o projeto TRIANGELUS, de Joinville (SC), que chega com seu primeiro trabalho, o EP “I.I. (Indivíduo Incógnito)”.

A verdade é: temos em mãos uma banda de Death Metal. Isso mesmo, Death Metal, mas como este autor já disse algumas vezes antes, talvez seja o estilo de Metal que mais permita experimentos e criatividades, e o músico por trás do projeto soube usar bem de um “approach” experimental para criar as canções do EP. Se percebe uma boa estética musical, que beira o Progressive Death Metal, embora mostrando forte ranço dos padrões mais tradicionais. Mas verdade seja dita: estamos vendo a geração embrionária de algo diferente. Tenham certeza, e sem mencionar que não faltam energia e agressividade.

A produção sonora ainda é bem crua, mas nada que chegue a prejudicar a audição do EP. Tudo soa bruto, em seu devido lugar, mas ao mesmo tempo, sente-se que houve uma preocupação estética em que todos os instrumentos fossem bem ouvidos. Da próxima vez, recomendo um carinho maior com a bateria, pois o timbre da caixa está estranho. Não é ruim, mas poderia ser melhor, mais seco e pesado.

Musicalmente, se percebe que a mente por trás do TRIANGELUS busca algo novo e fresco, diferente do convencional. Embora as influências tradicionais que permeiam o EP sejam notáveis, ele também mostra uma banda que envereda por uma riqueza musical e toques estilísticos que não são usuais em termos de Brasil. Sem querer comparar demais ou dar uma falsa impressão, é como se ouvíssemos algo semelhante ao MESHUGGAH, só que um pouco mais simples e menos dissonante, mais ainda assim, é bem incomum.

Em três músicas, o projeto mostra a que veio.

“Lamparina” é uma instrumental pesada e técnica, com muita proeminência do baixo (alguns toques de Jazz ficam bem evidentes em muitas partes, e o final tem uns toques de guitarra limpa dignos de Jazz/Bossa Nova). Em “Família dos Mortos”, apesar da boa técnica, a estruturação lembra bastante o Death Metal tradicional, com muito peso e agressividade, além de bons vocais guturais que variam bastante de timbres. E fugindo de qualquer fórmula, vem a soturna e trabalhada “Eyes That Glow in the Dark”, adornada com melodias sinistras e guitarras completamente diferentes do que acostumamos ouvir dentro do estilo em questão, rebuscando um lado mezzo Progressivo e mezzo Jazz.

Uma banda e tanto, que tende a evoluir mais e mais. Mas “I.I. (Indivíduo Incógnito)” já mostra que vem coisa boa e nova por aí.

Nota: 83%