quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TORTURE SQUAD - Far Beyond Existence (Álbum)


2017
Importado

Nota: 8,1/10,0

Tracklist:

1. Don’t Cross My Path
2. No Fate
3. Blood Sacrifice
4. Steady Hands
5. Hate
6. Hero for the Ages
7. Far Beyond Existence
8. Cursed by Disease
09. You Must Proclaim
10. Just Got Paid
11. Torture in Progress
12. Unknown Abyss


Banda:


Mayara “Undead” Puertas - Vocais
Renê Simionato - Guitarras
Castor - Baixo, backing vocals
Amílcar Christófaro - Bateria


Convidados:

Dave Ingram - Vocais em “Hate”
Edu Lane - Narração em “Cursed by Disease”
Luiz Carlos - Vocais em “You Must Proclaim”
Marcelo Schevano - Órgão Hammond em “Torture in Progress”
Alex Carmargo - Vocais adicionais em “Just Got Paid”


Contatos:

Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: www.metalmedia.com.br (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas bandas constroem carreiras sólidas sob os pilares da evolução. O trabalho de um grupo que satisfaz alguns fãs hoje e não a outros no dia de hoje, dentro de um intervalo de tempo considerável, pode ter efeito reverso. E o TORTURE SQUAD, de São Paulo (SP), vem com mais um disco, “Far Beyond the Existence”, e mais uma vez, diferente, até mesmo inusitado, diante de seu passado.

O Death/Thrash do passado, de discos como “Hellbound” e “Æquilibrium” com boas melodias deu lugar para um Thrash Metal mais seco e sujo em “Esquadrão de Tortura”. Quatro anos após o último, “Far Beyond the Existance” é uma continuação em relação ao estilo delineado no EP “Return of Evil”, ou seja, a banda rebuscou seu lado mais Death Metal, mantendo a influência de Thrash Metal em muitos momentos (especialmente nas guitarras).  Até aqui, só elogios, mas nem tudo são flores em “Far Beyond Existance”.

O disco foi produzido e mixado pelo quarteto, com a parceria entre eles, Tiago Assolini e Wagner Meirinho (este último também fez a masterização). A gravação ficou em um nível ótimo, equilibrando bem a agressividade, o peso e a clareza para que o álbum seja entendido em sua totalidade. Talvez o melhor ponto de todo o processo seja a valorização do trabalho do baixo e bateria, pois o primeiro está muito audível, algo bem raro em discos de bandas do gênero.

A arte de Rafael Tavarespara a capa de “Far Beyond Existance”é muito bonita, em uma arte bem soturna e agressiva, mas feita com esmero e bom gosto. Ela tende a um lado mais sombrio, o que de certa forma é a tônica estilística do álbum.

A coisa começa a ter problemas justamente em um ponto que o TORTURE SQUAD não falha: na questão de “conjunto”, ou seja, como os integrantes soam tocando ao mesmo tempo, como uma banda.

Esmiuçando: Amílcarestá ótimo como sempre na bateria, com muita técnica e peso, Castor é a segurança do ritmo do grupo (e mostra alguns momentos técnicos de primeira), e ambos formam uma das melhores sessões rítmicas do Metal brasileiro. O trabalho de Renê nas seis cordas é fantástico, com ótima técnica e riffs certeiros, e solos melodiosos (de onde as linhas melódicas), seguindo a tradição do grupo sempre ter bons guitarristas. Mayara canta bem, dona de um vocal gutural diferente do agressivo feminino comum (ela tem um jeito mais próximo de George “Corpsegrinder” Fisher do que para Angela Gossow, uma tendência bem comum), bons urros rasgados e uma dicção muito boa, mas é onde a coisa começa a mostrar problemas, já que a coesão entre partes instrumentais e vocais não está 100%. Ao contrário de “Return of Evil”, onde se percebia que a banda ainda necessitava de mais ensaios e estrada para a nova formação se ajustar. E este problema já deveria estar resolvido pelo tempo, idéia que a banda deu em sua participação no tributo ao MOTORHEAD. É preciso se reinventar, se ajustar, para que as peças do quebra-cabeça musical da banda se encaixem. Não basta talento, mas eficiência.

No aspecto musical, a banda realmente andou se superando. Embora não esteja reinventando a roda, óbvio que eles apresentam em “Far Beyond the Existence” músicas muito boas.

A versão que este autor tem em mãos tem 12 canções (um cover para “Just Got Paid” do ZZTOP, e uma outro sinistra, “Unknown Abyss”). E as melhores canções são “Don’t Cross My Path” e sua pegada Thrasher com tempos rápidos (onde a bateria está perfeita nas conduções e viradas, além das incursões no Death Metal), o massacre opressivo de “No Fate” (já um pouco mais voltada ao Death Metal, com riffs diretos e certeiros), a mais cadenciada e bem trabalhada “Steady Hands” com suas belas passagens de baixo, a veloz “Hate”(que tem a presença de Dave Ingram, ex-vocalista do BENEDICTON em alguns momentos nos vocais), a cadência bem trabalhada de “Far Beyond Existence” e a aula de riffs e solos das guitarras, a exibição de gala de baixo e bateria nas partes mais ganchudas de “You Must Proclaim”, a roupagem mais agressiva de “Just Got Paid”, onde nota-se como a voz limpa de Alex Camargo é muito boa e encaixa (e em nenhum momento a aura Southern Rock/Blues Rock da canção foi afetada, onde as guitarras mostram partes com slides, e o baixo está ótimo), e a instrumental “Torture in Progress”, onde se percebe um Groove forte, um swing apurado, e embora o trabalho nas guitarras seja perfeito, baixo e bateria estão muito bem, sem contar a presença de um Hammond que dá um toque psicodélico/lisérgico (uma participação especial de Marcelo Schevano, do CARRO BOMBA, GOLPE DE ESTADO, CASA DAS MÁQUINAS, e uma lição de que o ecleticismo musical pode sempre fazer a diferença na hora certa). Não há menção aos vocais justamente por eles não estarem em perfeita sintonia com o que o grupo exibe em termos instrumentais.

Embora não tenha rendido tudo que poderia, “Far Beyond Existence” é um disco muito bom, mostra um TORTURE SQUADrenovado e pronto para novos desafios.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

PESTILENCE - Hadeon


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Unholy Transcript
2. Non Physical Existent
3. Multi Dimensional
4. Oversoul
5. Materialization
6. Astral Projection
7. Discarnate Entity
8. Subvisions
9. Manifestations
10. Timeless
11. Ultra Demons
12. Layers of Reality
13. Electro Magnetic


Banda:


Patrick Mameli - Vocais, guitarras, baixo
Santiago Dobles - Guitarra solo
Tilen Hudrap - Baixo
Septimiu Hărşan - Bateria


Ficha Técnica:

Christian “Moschus” Moos - Mixagem
Dan Swanö - Masterização
Michał “Xaay” Loranc - Capa


Contatos:

Twitter:
Youtube:
Instagram:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Há estilos do Metal que ficam em evidência em certos momentos, e por isso, acabam marcando a vida de quem passou por eles. Só quem viveu a abrangência da NWOBHM, do US Metal e do Metal germânico na primeira metade dos anos 80, o Thrash Metal na segunda, a invasão do Death Metal nos anos 90, a chegada da SWOBM a partir de 1994 e outros pode explicar o sentimento de cada um desses movimentos. E como em cada movimento musical, existem aquelas bandas que sempre acabam ficando em nossa memória, mesmo que sejam as de status “cult”, ou seja, as que são importantes, mas que nunca se tornaram gigantes. E quando se fala em Death Metal holandês, dificilmente o nome do pioneiro PESTILENCE é deixado de lado. E após um segundo hiato, eles retomam a carga e lançam mais um míssil destruidor de ouvidos, chamado “Hadeon”.

Quem conhece o quarteto, sabe bem do que eles são capazes: Death Metal puro sangue, brutal e opressivo, e são capazes de deixar qualquer fã do estilo arrepiado. Mas mesmo usando da brutalidade tradicional, o “approach” usado em “Hadeon” é pode ser descrito da seguinte forma: o grupo continua com sua identidade Death Metal, mas com uma estética técnica muito bem feita e interessante. Basicamente, podemos dizer que “Hadeon” seria uma sequência natural de “Testimony of the Ancients”, de 1991, com aquela preocupação em ser diferente do que os outros faziam na época, impondo um pouco mais de técnica ao som agressivo costumeiro.

Ou seja, “Hadeon”veio para quebrar ossos!

A sonoridade do disco é altamente explosiva e impactante, como um álbum de Death Metal precisa ser. Obviamente que a banda não renega a estética sonora mais burilada e que permite que seu som impactante seja compreendido. A crueza estilística do gênero repousa totalmente nas canções, nos timbres instrumentais que foram escolhidos. E a capa é uma repaginada nos elementos clássicos vistos nos anos 90, nas capas de “Testimony of the Ancients” e “Spheres”, só que transpostas para os tempos atuais. E isso mostra que o PESTILENCE está voraz, faminto por retomar seu lugar devido!

E verdade seja dita: eles merecem muito respeito, pois o Death Metal como um todo seria mais pobre sem o PESTILENCE. São uma das primeiras bandas a investir no que viria a ser chamado Techno Death Metal, e mostrar que existiam possibilidades infinitas no estilo. E em “Hadeon”, eles destilam uma forma de música que é superior ao que fizeram na volta do primeiro hiato. Além de uma musicalidade bem trabalhada e brutal, se percebe que os arranjos criados só adicionam mais tempero a pancadaria desenfreada que eles desencadeiam.

E é bom prepararem os ouvidos, pois a carnificina é evidente!

Melhores momentos de um disco excelente: a massacrante e moedora de ossos “Non Physical Existent”, uma canção rápida, recheada de riffs trabalhados com aquele toque pessoal do grupo; a brutalidade extrema de “Multi Dimensional” (mas percebam que baixo e bateria dão uma exibição de gala, criando uma base rítmica muito bem trabalhada, embora muito pesada); a azeda e cadenciada “Oversoul” e seus riffs sinuosos e solos rascantes; “Materialization”e seu jeito um pouco mais tradicional (mas com as guitarras vomitando riffs de primeira); a podreira veloz e empolgante de “Discarnate Entity” e seus tempos bem trabalhados; a força bruta de baixo e bateria nos tempos variados de “Manifestations”; a expressividade sufocante e opressiva de “Timeless”e seus vocais guturais alinhavados com uma base instrumental instigante; e o assassinato musical cometido pela fabulosa “Layers of Reality”.

Se você é fã de Metal extremo, “Hadeon” foi feito para você, logo, presencie o renascimento do PESTILENCE, e aproveitem, pois além desse, a Hammerheart Records Brasiljá relançou as versões duplas de “Malleus Maleficarum” (1988), “Consuming Impulse” (1989) e “Testimony of the Ancients” (1991). E a “Consuming Latin America” vem aí, com 6 shows no Brasil em Abril!


Até lá, “Hadeon”é uma excelente pedida, e será lançado em março no Brasil, simultaneamente ao Velho Continente.

Nota: 100%

FABIANO NEGRI - When Nothing is Right, Anything is Possible


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Modern Old Times
2. Dear Captain
3. The Long Run
4. My Flesh
5. Absolutely!
6. The Apple and The Beast (Bonus)


Banda:


Fabiano Negri - Vocais, violão, baixo, bateria, teclados


Ficha Técnica:

Fabiano Negri - Produção
Ric Palma - Produção, gravação, mixagem, masterização, baixo, violão
Arte - Atila Fabbio
Cyro Zuzi - Bateria
Rodrigo Andreiuk - Piano


Contatos:

Site Oficial: www.fabianonegri.com
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em termos de crise econômica (e muitas vezes, criativa) em nosso país, em que um novo episódio histórico tenebroso começa a se desenhar no horizonte, o bom e velho Rock’n’Roll parece ser a saída que FABIANO NEGRI (conhecido por seu trabalho com o REI LAGARTO) nos aponta. E usando de seu talento como cantor e compositor, ele nos brinda com mais um ótimo trabalho, que se chama sugestivamente “When Nothing is Right, Anything is Possible”.

Quando nada está correto, tudo é possível, logo, o que temos em mãos é o bom e velho Rock’n’Roll de raiz, melodioso e com aquele toque de psicodelia dos anos 70. Mas não se preocupem, pois o trabalho soa atual e vibrante, com uma energia envolvente e terna. Refrãos de primeira ajudam as canções a serem assimiladas mais facilmente pelo ouvinte, bem como alguns elementos de Pop e MPB dão as caras vez por outra no disco. E sim, é viciante!

A produção ficou muito boa. Em termos sonoros, trazer o Rock do passado ao presente sem soar datado e mofado é uma tarefa ingrata, mas que em “When Nothing is Right, Anything is Possible”se tornou uma realidade. Tudo está esteticamente perfeito, em seus devidos lugares, e com timbres bem sacados. E a capa é muito boa, bem feita e com o devido cuidado para não ser algo opulento, ou mesmo cheio de detalhes que desviariam a atenção da música.

A voz versátil de Fabianoé um dos pontos fortes do trabalho, mas para tanto, é necessário um instrumental igualmente capaz de lhe dar sustento. E encontramos isso em cada uma das seis faixas de “When Nothing is Right, Anything is Possible”, pois os arranjos de guitarras, baixo, bateria, teclados, violão e piano foram muito bem pensados, explorando possibilidades que permitiram que todo feeling delas fosse sentido.

“Modern Old Times”é um rockão denso e com boas melodias, além de uma dose saudável de psicodelia (reparem como baixo e bateria estão bem, criando uma base sólida e bem feita), enquanto “Dear Captain” já mostra um andamento não tão veloz e um foco mais intimista (onde vocais e backing vocals estão muito bem). Ainda mais intimista e cativante é “The Long Run”, com uma forte carga de sentimento e uma estruturação harmônica que dá aos vocais, seja nos momentos mais lentos ou nos de maiores crescendo. “My Flesh” é pesada, permeada por um azedume das guitarras que deixa tudo mais agressivo, mas sem que as melodias sejam perdidas. O lado mezzo melancólico do Jazz surge em “Absolutely!”, com belos pianos dando aquela ambientação intimista e noir onde baixo e bateria são muito importante. E fechando, temos a belíssima versão para “The Apple and The Beast”, com belos violinos e muito feeling fluindo das caixas de som.

O disco é do ano passado, mas se percebe que o talento de Fabiano faz com que “When Nothing is Right, Anything is Possible” seja atemporal. Ouça hoje e amanhã, ouça para sempre, pois esse disco é fenomenal!

Nota: 93%


KINGS WILL FALL - Thrash Force.One


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado


Tracklist:

1. In Dead & Mud & Misery
2. Toxic War  
3. Shots for Glory
4. Burn All Fuel
5. Endless Pain
6. Damage Crown
7. Buster
8. Gängster 1948
9. We Are Motörhead


Banda:


Fabian Jung - Vocais
Daniel Vanzo - Baixo, backing vocals
Rene Thaler - Guitarras
Lukas Gross - Bateria


Ficha Técnica:

Sem informações


Contatos:

Site Oficial:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem discos que parecem verdadeiras usinas nucleares em termos de energia. Óbvio que este não é o único ponto para se fazer um bom trabalho, mas já é um ótimo início. E o quarteto italiano KINGS WILL FALL é capaz de desencadear energia em escalas semelhantes àquela medida em um desastre nuclear. Basta uma ouvida no primeiro “Full Length” da banda, chamado “Thrash Force.One”.

Furioso, moderno e agressivo, com algumas doses de Groove aqui e ali, a banda não faz uso de uma fórmula musical exatamente nova, mas em compensação, usam de alguns momentos extremos herdados do Death Metal que encaixaram como uma luva no trabalho dele, e lhes confere um toque diferenciado. E se preparem, pois a musicalidade violenta do grupo é viciante!

A sonoridade de “Thrash Force.One” é muito boa. O quarteto e o produtor souberam dar uma qualidade sonora pesada, densa e brutal, mas soando clara e com todos os arranjos instrumentais soando audíveis e sem problemas em serem compreendidos, com algum “feeling” de disco ao vivo (já que há momentos em que não existem bases de guitarras dando suporte aos solos). Sonoramente, é um apocalipse de agressividade, mas limpo e inteligível. E em termos de arte, a capa deixa claro o conteúdo azedo das letras da banda.

Os “Thrash Metal Maniacs” italianos desse quarteto mostram um talento inegável para o estilo, pois mesmo com claras influências de NUCLEAR ASSAULT, EXODUS e outros gigantes americanos, eles mostram uma sonoridade personalizada, reescrevem sua música conforme a vontade deles, e não seguindo modelos pré-estabelecidos. Muita energia, boa técnica, arranjos eficientes, e um tesão absurdo por fazer aquilo que gostam.

Musicalmente, “Thrash Force.One” é bom do início ao fim, viciante para fãs de Thtash Metal, mas a brutalidade desmedida de “Toxic War”e seus riffs de primeira, a ferocidade de “Shots for Glory” e o trabalho excelente de baixo e bateria (reparem que há um pouco de Groove nesta canção), a pancadaria bem trabalhada mostrada em “Burn All Fuel”, a Thrash/Crossover curta e grossa “Damage Crown” (que mostra vocais muito bons), e a opressão dos tempos mais lentos mostrados em “Gängster 1948” são garantias de diversão e torcicolos para todos. Mas não se pode deixar de citar a versão bruta e rasgada para o hino “We Are Motörhead”, do velho esmagador de crânios chamado MOTÖRHEAD, em que os italianos mostram o quanto o trio inglês é seminal para o Thrash Metal.

Com esses caras não se brinca, logo, ouça “Thrash Force.One” no mais alto volume, e veja como o KINGS WILL FALL tem potencial para rachar crânios e causar dores de pescoço.

Nota: 88%

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

TRIANGELUS - I.I. (Indivíduo Incógnito)


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Lamparina
2. Família dos Mortos
3. Eyes That Glow in the Dark


Banda:

Anônimo - Todos os instrumentos


Ficha Técnica:

Anônimo - Produção, mixagem, masterização, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


No Brasil, estamos acostumados a, todos os dias, vermos bandas e mais bandas que não são de caráter experimental. Bandas que busquem influências em nomes que assombram aqueles que possuem forte ligação com o conservadorismo musical. Mas toda evolução é como uma represa que está rachando: melhor fugir antes que as aguas derrubem tudo. E mostrando-se evoluído e capa de gerar algo diferente do usual é o projeto TRIANGELUS, de Joinville (SC), que chega com seu primeiro trabalho, o EP “I.I. (Indivíduo Incógnito)”.

A verdade é: temos em mãos uma banda de Death Metal. Isso mesmo, Death Metal, mas como este autor já disse algumas vezes antes, talvez seja o estilo de Metal que mais permita experimentos e criatividades, e o músico por trás do projeto soube usar bem de um “approach” experimental para criar as canções do EP. Se percebe uma boa estética musical, que beira o Progressive Death Metal, embora mostrando forte ranço dos padrões mais tradicionais. Mas verdade seja dita: estamos vendo a geração embrionária de algo diferente. Tenham certeza, e sem mencionar que não faltam energia e agressividade.

A produção sonora ainda é bem crua, mas nada que chegue a prejudicar a audição do EP. Tudo soa bruto, em seu devido lugar, mas ao mesmo tempo, sente-se que houve uma preocupação estética em que todos os instrumentos fossem bem ouvidos. Da próxima vez, recomendo um carinho maior com a bateria, pois o timbre da caixa está estranho. Não é ruim, mas poderia ser melhor, mais seco e pesado.

Musicalmente, se percebe que a mente por trás do TRIANGELUS busca algo novo e fresco, diferente do convencional. Embora as influências tradicionais que permeiam o EP sejam notáveis, ele também mostra uma banda que envereda por uma riqueza musical e toques estilísticos que não são usuais em termos de Brasil. Sem querer comparar demais ou dar uma falsa impressão, é como se ouvíssemos algo semelhante ao MESHUGGAH, só que um pouco mais simples e menos dissonante, mais ainda assim, é bem incomum.

Em três músicas, o projeto mostra a que veio.

“Lamparina” é uma instrumental pesada e técnica, com muita proeminência do baixo (alguns toques de Jazz ficam bem evidentes em muitas partes, e o final tem uns toques de guitarra limpa dignos de Jazz/Bossa Nova). Em “Família dos Mortos”, apesar da boa técnica, a estruturação lembra bastante o Death Metal tradicional, com muito peso e agressividade, além de bons vocais guturais que variam bastante de timbres. E fugindo de qualquer fórmula, vem a soturna e trabalhada “Eyes That Glow in the Dark”, adornada com melodias sinistras e guitarras completamente diferentes do que acostumamos ouvir dentro do estilo em questão, rebuscando um lado mezzo Progressivo e mezzo Jazz.

Uma banda e tanto, que tende a evoluir mais e mais. Mas “I.I. (Indivíduo Incógnito)” já mostra que vem coisa boa e nova por aí.

Nota: 83%

Resenhas no Metal Samsara - Como proceder?


O Metal Samsara é um Blog que visa atender a todos. Mas para questões de resenhas de discos digitais, é preciso que todos tenham em mente que não existe uma equipe. O autor das resenhas é a mesma pessoa sempre, e que como todos, possui uma vida a qual necessita dar atenção.

Por este motivo, bandas que usem arquivos digitais precisam se adequar aos modelos usados por este autor. No fundo, se observarem, os textos abaixo mostram a construção de kits digitais e releases nos moldes que são feitos por gravadoras europeias e americanas. É trabalhoso em um país como o Brasil, onde basicamente tudo fica nas mãos das bandas. Mas se não aprender conosco, vai necessitar pagar por este trabalho (que nem sempre é barato), sendo que aqui, ele é dado de graças. Dinheiro este que a banda poderia muito bem usar para outras necessidades.



Os kits e releases que não se enquadrarem nestes modelos não serão considerados, pois escrever resenhas no formato do Metal Samsara não é simples.

Ele dá trabalho, mais em compensação, todas as informações que um leitor deseja estão nelas. E não há como perder tempo caçando informações na internet que as próprias bandas já possuem. O tempo que é gasto, em média, na caça por informações preciosas excede os 10-15 minutos. Pode ser que para muitos pareça pouco, mas para alguém que posta notícias, escreve resenhas e entrevistas, e sem contar as responsabilidades com outros canais de informação e mesmo com a vida privada, são 10-15 minutos que fazem muita falta ao autor.

Mostro uma das resenhas que são feitas no Metal Samsara para que compreendam o motivo dessas exigências: https://metalsamsara2.blogspot.com.br/2018/01/tchandala-resilience.html

Lembrem-se: quanto melhor seu release e kit, mais tempo você poupa a este autor. Pense que gentileza gera gentileza, e quanto melhor a informação, melhor poderá ser a resenha, já que, com elas todas na mão, não existirá desgastes desnecessários na busca por links de contato, links de audição e outros.

IN APOSTASIA - Hail the Kings


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

The Hail Side:

1. Our Scars (intro)
2. Never
3. Fire Within
4. Tamoio Confederation
5. They All Must Die
6. Burning Crosses
7. Hunting Ground
8. Brotherhood of Man 
9. War
10. Hear Their Voices (outro)

The Kings Side:

11. The Embrace of the Cold 
12. Christ’s Death
13. Raise the Dead
14. Countess Bathory
15. To Walk the Infernal Fields


Banda:


Jefferson Britto - Baixo, vocais
Lucas - Guitarras
Daniel - Bateria


Ficha Técnica:

Jeff Britto - Produção, mixagem, masterização, artwork
Rafael - Músico convidado (Guitarras em “Brotherhood of Man”, “The Embrace of the Cold”, “Christ’s Death”, “Raise the Dead”, “Countess Bathory”, e “ To Walk the Infernal Fields”)


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria: http://www.blacklegionprod.com/in-apostasia/ (Black Legion Productions)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Criar um disco pode ser algo trabalhoso, dependendo da ideai da banda envolvida no processo. A pressa em acabar uma gravação e pôr o disco nas lojas pode sempre trazer mais prejuízos do que ajudar. Por isso, o grupo mineiro IN APOSTASIA, de Governador Valadares, fez a coisa mais certa em seu terceiro trabalho de estúdio, o álbum “Hail the Kings”: trabalharam bem as ideais até chegarem onde queriam. E ficou muito bom o resultado final.

A banda faz um Black Metal agressivo e bem soturno, focado na velha escola do início dos anos 90, ou seja, a SWOBM. O trio não prima pela técnica (embora estejam longe de serem simplistas em termos técnicos), focando seus esforços em criar algo bruto e rápido, mas com muitos momentos mais cadenciados e atmosféricos. A profusão de riffs raçudos e diretos (mas muito bons), vocais rasgados de dar calafrios, baixo e bateria formando uma base rítmica sólida e com boas mudanças de ritmo é absurda o disco todo, criando algo de fácil assimilação pelos fãs do gênero, mas ríspido e mórbido.

Sim, traduzindo este parágrafo, “Hail the Kings” é um disco de alto nível em termos de Black Metal.

Ao se falar da sonoridade, muitas vezes o calcanhar de Aquiles de muitas bandas do gênero, se percebe que houve uma preocupação em ter uma sonoridade crua que esboce a personalidade musical do trio. Mas ao mesmo tempo, o produtor não se furtou em conceder a “Hail the Kings” um nível delimpeza que torna cada uma das canções compreensível aos ouvidos dos menos iniciados. E mesmo com uma produção digital, se percebe que houve uma preocupação com a estética dos timbres sonoros, de forma que tudo se encaixasse para fazer com que as canções soassem sólidas como rochas. E a arte ficou muito boa, refletindo a proposta negra do conteúdo lírico das canções.

“Hail the Kings”foi concebido como os antigos discos de vinil, com dois lados: “The Hail Side” é o disco em si, apresentando suas 10 faixas (uma introdução, uma outro, 7 canções próprias e uma versão para “Brotherhood of Man”, do MOTORHEAD). Já “The Kings Side” são versões deles para clássicos do gênero, bandas que os influenciaram e ajudaram a caracterizar o Black Metal. E em todas as composições, se percebe inteligência e esforço nos arranjos, mas coração para que a proposta sonora do grupo não fosse alterada. E como esses caras são talentosos!

O disco inteiro é ótimo, vale a ouvida de ponta a ponta. Mas para que o leitor tenha suas referências iniciais em “The Hail Side”, podem começar pela postura agressiva e brutal de “Never” e de “The Fire Within”, com ambas mostrando ótimas suas mudanças de ritmo (baixo e bateria fazendo um trabalho de primeira), a rapidez extrema da curta “They All Must Die”, o peso absurdo e atmosférico das partes mais cadenciadas de “Burning Crosses” (riffs muito bons, com uma dinâmica ótima com a base rítmica) e de “Hunting Ground”(aqui, os vocais estão muito bem, mostrando um tipo de vocal rasgado mais grave), além da ganchuda “War” e suas passagens em velocidade mediana que são empolgantes. E a versão deles para a magistral “Brotherhood of Man” é destruidora, com um ritmo lento e azedo, onde o vocal rasgado encaixou perfeitamente nas linhas roucas do finado Lemmy, sem falar que esses timbres crus de guitarra ficaram perfeitos.

“The Kings” é um tributo do IN APOSTASIA aos seus mestres. E ver a roupagem mais atual e agressiva que velhos hinos como “The Embrace of the Cold” (do grupo norueguês GRIMM, que aqui ficou com uma sonoridade melhor), a ríspida “Christ’s Death” (do SARCÓFAGO, que ganhou uma pegada mais Black Metal, graças aos vocais rasgados), a azeda e cadenciada “Raise the Dead” (do BATHORY, que já nasceu perfeita e o grupo respeitou suas características), a fogosa “Countess Bathory” (do VENOM, que ficou ótima com essa estética mais Black Metal e não tão Metal Punk), e a longa e gélida “To Walk the Infernal Fields” (um dos maiores clássico do DARKTHRONE, que soa mais limpa, mas não menos agressiva por isso).

O IN APOSTASIAtem tudo para se tornar um dos maiores nomes do Black Metal brasileiro, pois “Hail the Kings” mostra que o trio tem talento para isso.

Nota: 97%