terça-feira, 9 de janeiro de 2018

FABIANO NEGRI - When Nothing is Right, Anything is Possible


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Modern Old Times
2. Dear Captain
3. The Long Run
4. My Flesh
5. Absolutely!
6. The Apple and The Beast (Bonus)


Banda:


Fabiano Negri - Vocais, violão, baixo, bateria, teclados


Ficha Técnica:

Fabiano Negri - Produção
Ric Palma - Produção, gravação, mixagem, masterização, baixo, violão
Arte - Atila Fabbio
Cyro Zuzi - Bateria
Rodrigo Andreiuk - Piano


Contatos:

Site Oficial: www.fabianonegri.com
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em termos de crise econômica (e muitas vezes, criativa) em nosso país, em que um novo episódio histórico tenebroso começa a se desenhar no horizonte, o bom e velho Rock’n’Roll parece ser a saída que FABIANO NEGRI (conhecido por seu trabalho com o REI LAGARTO) nos aponta. E usando de seu talento como cantor e compositor, ele nos brinda com mais um ótimo trabalho, que se chama sugestivamente “When Nothing is Right, Anything is Possible”.

Quando nada está correto, tudo é possível, logo, o que temos em mãos é o bom e velho Rock’n’Roll de raiz, melodioso e com aquele toque de psicodelia dos anos 70. Mas não se preocupem, pois o trabalho soa atual e vibrante, com uma energia envolvente e terna. Refrãos de primeira ajudam as canções a serem assimiladas mais facilmente pelo ouvinte, bem como alguns elementos de Pop e MPB dão as caras vez por outra no disco. E sim, é viciante!

A produção ficou muito boa. Em termos sonoros, trazer o Rock do passado ao presente sem soar datado e mofado é uma tarefa ingrata, mas que em “When Nothing is Right, Anything is Possible”se tornou uma realidade. Tudo está esteticamente perfeito, em seus devidos lugares, e com timbres bem sacados. E a capa é muito boa, bem feita e com o devido cuidado para não ser algo opulento, ou mesmo cheio de detalhes que desviariam a atenção da música.

A voz versátil de Fabianoé um dos pontos fortes do trabalho, mas para tanto, é necessário um instrumental igualmente capaz de lhe dar sustento. E encontramos isso em cada uma das seis faixas de “When Nothing is Right, Anything is Possible”, pois os arranjos de guitarras, baixo, bateria, teclados, violão e piano foram muito bem pensados, explorando possibilidades que permitiram que todo feeling delas fosse sentido.

“Modern Old Times”é um rockão denso e com boas melodias, além de uma dose saudável de psicodelia (reparem como baixo e bateria estão bem, criando uma base sólida e bem feita), enquanto “Dear Captain” já mostra um andamento não tão veloz e um foco mais intimista (onde vocais e backing vocals estão muito bem). Ainda mais intimista e cativante é “The Long Run”, com uma forte carga de sentimento e uma estruturação harmônica que dá aos vocais, seja nos momentos mais lentos ou nos de maiores crescendo. “My Flesh” é pesada, permeada por um azedume das guitarras que deixa tudo mais agressivo, mas sem que as melodias sejam perdidas. O lado mezzo melancólico do Jazz surge em “Absolutely!”, com belos pianos dando aquela ambientação intimista e noir onde baixo e bateria são muito importante. E fechando, temos a belíssima versão para “The Apple and The Beast”, com belos violinos e muito feeling fluindo das caixas de som.

O disco é do ano passado, mas se percebe que o talento de Fabiano faz com que “When Nothing is Right, Anything is Possible” seja atemporal. Ouça hoje e amanhã, ouça para sempre, pois esse disco é fenomenal!

Nota: 93%


KINGS WILL FALL - Thrash Force.One


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado


Tracklist:

1. In Dead & Mud & Misery
2. Toxic War  
3. Shots for Glory
4. Burn All Fuel
5. Endless Pain
6. Damage Crown
7. Buster
8. Gängster 1948
9. We Are Motörhead


Banda:


Fabian Jung - Vocais
Daniel Vanzo - Baixo, backing vocals
Rene Thaler - Guitarras
Lukas Gross - Bateria


Ficha Técnica:

Sem informações


Contatos:

Site Oficial:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem discos que parecem verdadeiras usinas nucleares em termos de energia. Óbvio que este não é o único ponto para se fazer um bom trabalho, mas já é um ótimo início. E o quarteto italiano KINGS WILL FALL é capaz de desencadear energia em escalas semelhantes àquela medida em um desastre nuclear. Basta uma ouvida no primeiro “Full Length” da banda, chamado “Thrash Force.One”.

Furioso, moderno e agressivo, com algumas doses de Groove aqui e ali, a banda não faz uso de uma fórmula musical exatamente nova, mas em compensação, usam de alguns momentos extremos herdados do Death Metal que encaixaram como uma luva no trabalho dele, e lhes confere um toque diferenciado. E se preparem, pois a musicalidade violenta do grupo é viciante!

A sonoridade de “Thrash Force.One” é muito boa. O quarteto e o produtor souberam dar uma qualidade sonora pesada, densa e brutal, mas soando clara e com todos os arranjos instrumentais soando audíveis e sem problemas em serem compreendidos, com algum “feeling” de disco ao vivo (já que há momentos em que não existem bases de guitarras dando suporte aos solos). Sonoramente, é um apocalipse de agressividade, mas limpo e inteligível. E em termos de arte, a capa deixa claro o conteúdo azedo das letras da banda.

Os “Thrash Metal Maniacs” italianos desse quarteto mostram um talento inegável para o estilo, pois mesmo com claras influências de NUCLEAR ASSAULT, EXODUS e outros gigantes americanos, eles mostram uma sonoridade personalizada, reescrevem sua música conforme a vontade deles, e não seguindo modelos pré-estabelecidos. Muita energia, boa técnica, arranjos eficientes, e um tesão absurdo por fazer aquilo que gostam.

Musicalmente, “Thrash Force.One” é bom do início ao fim, viciante para fãs de Thtash Metal, mas a brutalidade desmedida de “Toxic War”e seus riffs de primeira, a ferocidade de “Shots for Glory” e o trabalho excelente de baixo e bateria (reparem que há um pouco de Groove nesta canção), a pancadaria bem trabalhada mostrada em “Burn All Fuel”, a Thrash/Crossover curta e grossa “Damage Crown” (que mostra vocais muito bons), e a opressão dos tempos mais lentos mostrados em “Gängster 1948” são garantias de diversão e torcicolos para todos. Mas não se pode deixar de citar a versão bruta e rasgada para o hino “We Are Motörhead”, do velho esmagador de crânios chamado MOTÖRHEAD, em que os italianos mostram o quanto o trio inglês é seminal para o Thrash Metal.

Com esses caras não se brinca, logo, ouça “Thrash Force.One” no mais alto volume, e veja como o KINGS WILL FALL tem potencial para rachar crânios e causar dores de pescoço.

Nota: 88%

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

TRIANGELUS - I.I. (Indivíduo Incógnito)


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Lamparina
2. Família dos Mortos
3. Eyes That Glow in the Dark


Banda:

Anônimo - Todos os instrumentos


Ficha Técnica:

Anônimo - Produção, mixagem, masterização, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


No Brasil, estamos acostumados a, todos os dias, vermos bandas e mais bandas que não são de caráter experimental. Bandas que busquem influências em nomes que assombram aqueles que possuem forte ligação com o conservadorismo musical. Mas toda evolução é como uma represa que está rachando: melhor fugir antes que as aguas derrubem tudo. E mostrando-se evoluído e capa de gerar algo diferente do usual é o projeto TRIANGELUS, de Joinville (SC), que chega com seu primeiro trabalho, o EP “I.I. (Indivíduo Incógnito)”.

A verdade é: temos em mãos uma banda de Death Metal. Isso mesmo, Death Metal, mas como este autor já disse algumas vezes antes, talvez seja o estilo de Metal que mais permita experimentos e criatividades, e o músico por trás do projeto soube usar bem de um “approach” experimental para criar as canções do EP. Se percebe uma boa estética musical, que beira o Progressive Death Metal, embora mostrando forte ranço dos padrões mais tradicionais. Mas verdade seja dita: estamos vendo a geração embrionária de algo diferente. Tenham certeza, e sem mencionar que não faltam energia e agressividade.

A produção sonora ainda é bem crua, mas nada que chegue a prejudicar a audição do EP. Tudo soa bruto, em seu devido lugar, mas ao mesmo tempo, sente-se que houve uma preocupação estética em que todos os instrumentos fossem bem ouvidos. Da próxima vez, recomendo um carinho maior com a bateria, pois o timbre da caixa está estranho. Não é ruim, mas poderia ser melhor, mais seco e pesado.

Musicalmente, se percebe que a mente por trás do TRIANGELUS busca algo novo e fresco, diferente do convencional. Embora as influências tradicionais que permeiam o EP sejam notáveis, ele também mostra uma banda que envereda por uma riqueza musical e toques estilísticos que não são usuais em termos de Brasil. Sem querer comparar demais ou dar uma falsa impressão, é como se ouvíssemos algo semelhante ao MESHUGGAH, só que um pouco mais simples e menos dissonante, mais ainda assim, é bem incomum.

Em três músicas, o projeto mostra a que veio.

“Lamparina” é uma instrumental pesada e técnica, com muita proeminência do baixo (alguns toques de Jazz ficam bem evidentes em muitas partes, e o final tem uns toques de guitarra limpa dignos de Jazz/Bossa Nova). Em “Família dos Mortos”, apesar da boa técnica, a estruturação lembra bastante o Death Metal tradicional, com muito peso e agressividade, além de bons vocais guturais que variam bastante de timbres. E fugindo de qualquer fórmula, vem a soturna e trabalhada “Eyes That Glow in the Dark”, adornada com melodias sinistras e guitarras completamente diferentes do que acostumamos ouvir dentro do estilo em questão, rebuscando um lado mezzo Progressivo e mezzo Jazz.

Uma banda e tanto, que tende a evoluir mais e mais. Mas “I.I. (Indivíduo Incógnito)” já mostra que vem coisa boa e nova por aí.

Nota: 83%

Resenhas no Metal Samsara - Como proceder?


O Metal Samsara é um Blog que visa atender a todos. Mas para questões de resenhas de discos digitais, é preciso que todos tenham em mente que não existe uma equipe. O autor das resenhas é a mesma pessoa sempre, e que como todos, possui uma vida a qual necessita dar atenção.

Por este motivo, bandas que usem arquivos digitais precisam se adequar aos modelos usados por este autor. No fundo, se observarem, os textos abaixo mostram a construção de kits digitais e releases nos moldes que são feitos por gravadoras europeias e americanas. É trabalhoso em um país como o Brasil, onde basicamente tudo fica nas mãos das bandas. Mas se não aprender conosco, vai necessitar pagar por este trabalho (que nem sempre é barato), sendo que aqui, ele é dado de graças. Dinheiro este que a banda poderia muito bem usar para outras necessidades.



Os kits e releases que não se enquadrarem nestes modelos não serão considerados, pois escrever resenhas no formato do Metal Samsara não é simples.

Ele dá trabalho, mais em compensação, todas as informações que um leitor deseja estão nelas. E não há como perder tempo caçando informações na internet que as próprias bandas já possuem. O tempo que é gasto, em média, na caça por informações preciosas excede os 10-15 minutos. Pode ser que para muitos pareça pouco, mas para alguém que posta notícias, escreve resenhas e entrevistas, e sem contar as responsabilidades com outros canais de informação e mesmo com a vida privada, são 10-15 minutos que fazem muita falta ao autor.

Mostro uma das resenhas que são feitas no Metal Samsara para que compreendam o motivo dessas exigências: https://metalsamsara2.blogspot.com.br/2018/01/tchandala-resilience.html

Lembrem-se: quanto melhor seu release e kit, mais tempo você poupa a este autor. Pense que gentileza gera gentileza, e quanto melhor a informação, melhor poderá ser a resenha, já que, com elas todas na mão, não existirá desgastes desnecessários na busca por links de contato, links de audição e outros.

IN APOSTASIA - Hail the Kings


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

The Hail Side:

1. Our Scars (intro)
2. Never
3. Fire Within
4. Tamoio Confederation
5. They All Must Die
6. Burning Crosses
7. Hunting Ground
8. Brotherhood of Man 
9. War
10. Hear Their Voices (outro)

The Kings Side:

11. The Embrace of the Cold 
12. Christ’s Death
13. Raise the Dead
14. Countess Bathory
15. To Walk the Infernal Fields


Banda:


Jefferson Britto - Baixo, vocais
Lucas - Guitarras
Daniel - Bateria


Ficha Técnica:

Jeff Britto - Produção, mixagem, masterização, artwork
Rafael - Músico convidado (Guitarras em “Brotherhood of Man”, “The Embrace of the Cold”, “Christ’s Death”, “Raise the Dead”, “Countess Bathory”, e “ To Walk the Infernal Fields”)


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria: http://www.blacklegionprod.com/in-apostasia/ (Black Legion Productions)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Criar um disco pode ser algo trabalhoso, dependendo da ideai da banda envolvida no processo. A pressa em acabar uma gravação e pôr o disco nas lojas pode sempre trazer mais prejuízos do que ajudar. Por isso, o grupo mineiro IN APOSTASIA, de Governador Valadares, fez a coisa mais certa em seu terceiro trabalho de estúdio, o álbum “Hail the Kings”: trabalharam bem as ideais até chegarem onde queriam. E ficou muito bom o resultado final.

A banda faz um Black Metal agressivo e bem soturno, focado na velha escola do início dos anos 90, ou seja, a SWOBM. O trio não prima pela técnica (embora estejam longe de serem simplistas em termos técnicos), focando seus esforços em criar algo bruto e rápido, mas com muitos momentos mais cadenciados e atmosféricos. A profusão de riffs raçudos e diretos (mas muito bons), vocais rasgados de dar calafrios, baixo e bateria formando uma base rítmica sólida e com boas mudanças de ritmo é absurda o disco todo, criando algo de fácil assimilação pelos fãs do gênero, mas ríspido e mórbido.

Sim, traduzindo este parágrafo, “Hail the Kings” é um disco de alto nível em termos de Black Metal.

Ao se falar da sonoridade, muitas vezes o calcanhar de Aquiles de muitas bandas do gênero, se percebe que houve uma preocupação em ter uma sonoridade crua que esboce a personalidade musical do trio. Mas ao mesmo tempo, o produtor não se furtou em conceder a “Hail the Kings” um nível delimpeza que torna cada uma das canções compreensível aos ouvidos dos menos iniciados. E mesmo com uma produção digital, se percebe que houve uma preocupação com a estética dos timbres sonoros, de forma que tudo se encaixasse para fazer com que as canções soassem sólidas como rochas. E a arte ficou muito boa, refletindo a proposta negra do conteúdo lírico das canções.

“Hail the Kings”foi concebido como os antigos discos de vinil, com dois lados: “The Hail Side” é o disco em si, apresentando suas 10 faixas (uma introdução, uma outro, 7 canções próprias e uma versão para “Brotherhood of Man”, do MOTORHEAD). Já “The Kings Side” são versões deles para clássicos do gênero, bandas que os influenciaram e ajudaram a caracterizar o Black Metal. E em todas as composições, se percebe inteligência e esforço nos arranjos, mas coração para que a proposta sonora do grupo não fosse alterada. E como esses caras são talentosos!

O disco inteiro é ótimo, vale a ouvida de ponta a ponta. Mas para que o leitor tenha suas referências iniciais em “The Hail Side”, podem começar pela postura agressiva e brutal de “Never” e de “The Fire Within”, com ambas mostrando ótimas suas mudanças de ritmo (baixo e bateria fazendo um trabalho de primeira), a rapidez extrema da curta “They All Must Die”, o peso absurdo e atmosférico das partes mais cadenciadas de “Burning Crosses” (riffs muito bons, com uma dinâmica ótima com a base rítmica) e de “Hunting Ground”(aqui, os vocais estão muito bem, mostrando um tipo de vocal rasgado mais grave), além da ganchuda “War” e suas passagens em velocidade mediana que são empolgantes. E a versão deles para a magistral “Brotherhood of Man” é destruidora, com um ritmo lento e azedo, onde o vocal rasgado encaixou perfeitamente nas linhas roucas do finado Lemmy, sem falar que esses timbres crus de guitarra ficaram perfeitos.

“The Kings” é um tributo do IN APOSTASIA aos seus mestres. E ver a roupagem mais atual e agressiva que velhos hinos como “The Embrace of the Cold” (do grupo norueguês GRIMM, que aqui ficou com uma sonoridade melhor), a ríspida “Christ’s Death” (do SARCÓFAGO, que ganhou uma pegada mais Black Metal, graças aos vocais rasgados), a azeda e cadenciada “Raise the Dead” (do BATHORY, que já nasceu perfeita e o grupo respeitou suas características), a fogosa “Countess Bathory” (do VENOM, que ficou ótima com essa estética mais Black Metal e não tão Metal Punk), e a longa e gélida “To Walk the Infernal Fields” (um dos maiores clássico do DARKTHRONE, que soa mais limpa, mas não menos agressiva por isso).

O IN APOSTASIAtem tudo para se tornar um dos maiores nomes do Black Metal brasileiro, pois “Hail the Kings” mostra que o trio tem talento para isso.

Nota: 97%



sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

GLADIATOR - Dreadful Dreams


Tipo: Full Length
Ano: 1992 (relançamento: 2017)
Nacional

Tracklist:

1. Selective Eye                    
2. Joinning the Pieces            
3. Brainwash             
4. Noise                     
5. The Prisioner                     
6. Holy Words                      
7. Sunshine of Your Love                
8. Addicted to Kill               

Demo Tape “Holy Words” (1991):

9. No Violence                        
10. The Prayer                         
11. Boundless Insanity                       

Demo Tape “Oppression and Pain” (1989):

12. Son of Evil Lives                          
13. Shadows of Death                        
14. X-Rated                
15. Opression and Pain                       
16. Nightmares                        
17. Immortal Curse


Banda:


Robson - Vocais
Ivan - Guitarras
Antônio - Guitarras
Luciano - Baixo
Gilson - Bateria


Ficha Técnica:

Gladiator - Produção
Sérgio dos Santos Júnior - Arte


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://braunamusicpress.com/ (Brauna Music Press)

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Metal brasileiro tem uma história bem longa, e nem sempre temos finais felizes.

Além do grande número de bandas que surgem todos os dias, o desprezo de muitos bangers pelo produto nacional, as dificuldades sócio-econômicas acabam se tornando cruéis fatores de corte. E assim, muitas bandas de potencial nunca chegam a ter grande expressão, e quando estas lançam um disco, este acaba desaparecendo nas areias do tempo. Hoje, com a ajuda de selos interessados em resgatar um pouco dessa história, alguns discos tem recebido uma nova chance, como “Dreadful Dreams”, único disco do quinteto GLADIATOR, de Porto Alegre (RS), relançado pela Rising Records.

O grupo é um dos precursores do Thrash Metal no RS, e se percebe no trabalho deles uma boa estética técnica, muito peso e melodia permeando a agressividade à lá EXODUS do quinteto. Já se percebe nas músicas de “Dreadful Dreams” uma banda um pouco adiante de seu tempo, já que mostram momentos mais técnicos e toques de Metal tradicional, além de uma estética que remete ao Rock 70. Algo bem incomum naqueles tempos.

Óbvio que a produção sonora não é lá essas coisas para os padrões atuais. Mas não estamos analisando um disco lançado em 2018, mas em 1992, época em que ser independente no Brasil era um ato de coragem, pois os investimentos eram parcos. Mas também não chega a ser algo que não se compreenda. Está até boa para os padrões da época, e que foi melhorada pela remasterização. E mesmo a arte ficou bem legal, uma imagem que mexe com os sentidos do ouvinte, fora o encarte com letras, o depoimento de Luiz Carlos Louzada (do VULCANO), fotos da época e de hoje, além de recortes de notícias de jornal.

Talvez o grande valor de “Dreadful Dreams” seja, além do musical, o de seu legado. Dessa época, no RS (assim como no RJ e SP), não era incomum vermos bandas de vários estilos de Metal tocando juntas. Isso é algo que muitos hoje em dia não suportam nem pensar, quanto mais aceitar que seja feito. Além disso, como dito acima, o GLADIATOR mostrava incursões corajosas no Metal tradicional e no Hard Rock 70.

No mais, canções como “Selective Eye” (belo trampo de baixo e bateria), “Brainwash”(essa com um jeitão furioso e trabalhado à lá EXODUS), “The Prisioner”e seu jeitão bruto com tempos não muito velozes, a raivosa e excomungante “Holy Words”, além da versão pesada e sinuosa para o velho hino “Sunshine of Your Love”, do CREAM, que ficou ótima. Mas a coisa não para por aí: ainda temos as Demos “Oppression and Pain” de 1989 e “Holy Words” de 1991, resgatadas e disponibilizadas para todos (o que era difícil nos 80, pois raro uma banda comerciar a própria Demo Tape).

Em uma época em que tantos relançamentos sem sal ocorrem no exterior, é ótimo ver a Rising Recordssendo seletiva e trazendo as coisas boas do passado...

Ouça “Dreadful Dreams”em alto volume, e entenda o porquê o GLADIATORmerece aplausos.


Nota: 86%

WORSIS - Blinded by the System


Tipo: Full Length
Ano: 2017
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Sisyphus
2. País Sem Leis
3. Echoes of Pain
4. False God
5. Slaves of Corruption
6. What Remains of the Future?
7. Still Resisting
8. Under Mud
9. Facing the Worms
10. Manipulados Pelo Sistema
11. Born to Bleed


Banda:


Álvaro Jr. - Vocais, guitarras
Lucas Barros - Guitarras
Eduardo Mazui - Baixo
Ale Mussatto - Bateria

Convidados:

Thiago Caurio - Percussão em Facing the Worms


Ficha Técnica:

Thiago Caurio - Produção
Benhur Lima - Mixagem
Marcel Van Der Zwam - Masterização
Hugo Silva - Arte
Álvaro Jr. - Design


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/worsis/ (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A escola brasileira de Thrash Metal anda rendendo frutos muito bons nos últimos anos. Desde que o estilo começou a ser feito por aqui, ainda na primeira metade dos anos 80, muita coisa foi mudando, evoluindo e se ajustado ao tempo. Quando se fala em modernidade, muitos torcem o nariz, pensando nas fusões de Thrash Metal com Groove, mas não é isso. É uma forma mais atualizada e agressiva de se fazer Thrash Metal, e que é diferente do que se fazia nos anos 80. E um ótimo exemplo é o quarteto WORSIS, de Ipê (RS), que veio para detonar pescoços com seu primeiro disco, “Blinded by the System”.

Furioso e bruto, mas com boa técnica e harmonias bem feitas, o quarteto muitas vezes referindo um ritmo mais cadenciado e azedo de tão agressivo, mas em outra com ritmo mais rápido e ganchudo. Percebe-se que a juventude do grupo (que foi formado em 2014) não significa ingenuidade, pois “Blinded by the System” é um disco de gente grande, feito com raça e muita vontade, a ponto da energia que flui dele ser absurda.

Em termos de sonoridade, se percebe que o foco foi em criar algo que fosse agressivo e que fizesse com que as composições do grupo fossem entendidas sem esforços. A meta foi alcançada, mostrando ótimos timbres em cada instrumento, e tudo em seu volume certo. Além disso, o lado visual ficou muito interessante, com uma arte que deixa claro o teor lírico do grupo.

Destilando raiva e Thrash Metal em 11 canções, se percebe que o grupo tem potencial para ir longe. Isso fica claro em canções como a rápida “Sisyphus” e suas guitarras faiscando riffs nervosos e solos bem feitos, “Echoes of Pain” com seus tempos em velocidade mediana e vocais rasgados de primeira, na pegada mais cadenciada e opressiva de “False God” (que riffs raçudos e que grudam nos ouvidos), na energia crua da veloz “Slaves of Corruption” (onde baixo e bateria aplicam um massacre de boa técnica e peso), nas ótimas melodias que permeiam o ritmo denso de “What Remains of the Future?”, na pegada esmaga-crânios de “Under Mud”com suas melodias sombrias, e na opressão brutal feita pela esmagadora “Born to Bleed”.

O WORSIS é uma grata surpresa, e uma revelação e tanto do Metal brasileiro.

Nota: 84 %