Headbanger Fest (NERVOSA, SIRIUN, VORGOK - La Esquina - RJ) No Class Festival (REBAELLIUN, LACERATED AND CARBONIZED, FUNERATUS, FORCEPS, D.I.E., VORGOK, 7PELES - Casarão Ameno Resedá - RJ)
Decepções:
Bolsobangers, brigas no cenário, preconceitos (homofobia, machismo, racismo, e outros), conservadores contra artes degeneradas (sendo o Metal, o Punk, o Hardcore artes degeneradas), ausência de grandes nomes do Metal no Rock in Rio.
Esperanças para 2018: Que o mundo seja melhor para todos, e que o Metal, o Hardcore, o Punk, o Rock em geral, sejam ferramentas nessas mudanças.
O caos sempre rendeu bons furtos musicais. E por caos, definimos aquela forma de fazer música que para muitos não faz sentido, porque ela transcende limites, atravessa limites e funde estilos. Bandas como FAITH NO MORE, BAD BRAINS, MINISTRY, NINE INCH NAILS e outros mostraram que era possível fazer isso (para desespero dos conservadores mais puritanos). Hoje, essa fórmula já foi usada muitas vezes, mas no nosso país, devido à latinidade musical que o brasileiro carrega em seu DNA, esse jeito de fazer música nunca fica esgotado. Que o diga o quarteto MAQUINAMENTE, que chega com seu primeiro disco, “Bom Dia Vó”.
Em termos de estilo, o quarteto monta um quebra-cabeça eclético. No meio do Rock cheio de energia do grupo, surgem ritmos e timbres diferentes do que muitos estão acostumados, com passagens de Jazz, Reggae, Funk, Samba, Hip-Hop, música eletrônica e MPB. Mas não fique preocupado: tudo flui de forma consensual no meio do caos sonoro, sempre soando de primeira, cheio de energia. E a cada nova ouvida em “Bom Dia Vó”, se percebe algo novo. E algo sempre bom!
O próprio grupo (que é bem experiente em termos musicais, já que compuseram e gravaram mais de 3.600 músicas para programas de TV em 3 anos) fez a produção do álbum. E em termos de sonoridade, não há do que reclamar: tudo soa perfeito, no devido lugar, coeso e muito bem feito. A timbragem, a alma das músicas, foi cuidada com muito esmero.
A arte gráfica, usada em um digipack muito bem feito, é simples, toda em preto e branco. Mas ela casou perfeitamente com a proposta do grupo, além de nos permitir prestar atenção somente no aspecto musical. William Estrela fez um ótimo trabalho na arte e no design, verdade seja dita.
Pode-se afirmar que o MAQUINAMENTEé focado na criatividade. O grupo não tem pudores de ousar, sendo que criar algo novo e diversificado seu compromisso maior em termos musicais. E em termos de arranjos, ninguém segura o quarteto, já que o que parece caótico e intragável para muitos, nas mãos deles vira algo sensacional!
Musicalmente, em 11 canções, o grupo mostra maturidade e ousadia, além de uma energia absurda. Mas o jeito funkeado e com elementos de Reggae de “Voar Alto”, o jeitão Jazz/MPB com seus inserts eletrônicos de “Máquinas Pensantes”, a curta e intimista “Hélice do Tempo”, o clima forte e intimista cheio de metais de “Bom e o Bem” (reparem no protesto pró-arte das letras), o Reggae/Rock hipnótico de “Amizade Colorida”, o jeitão meio Blues meio MPB com toques de Pop em “Variações”, e a força densa de “Parte à Parte” são os melhores momentos do álbum.
O segundo disco, como já dito, é um DVD.
O caos continua nele, pois temos vídeos para todas as faixas do CD, cada um deles com sua devida expressividade visual, sua mensagem para o ouvinte. Nos extras, documentários da banda sobre sua trajetória, gravações e algumas surpresinhas muito interessantes, que manterei o segredo para que o leitor possa ter a experiência por si mesmo.
Um ponto que precisa ser salientado: música e letras forma um contexto, pois a banda tem mensagens para os ouvintes, manifestos para que a mente do ouvinte possa se abrir e atingir a independência.
No mais, “Bom Dia Vó”é um disco que faz você ficar pensando quando virá o próximo, pois é viciante. Mas no caso do MAQUINAMENTE, o novo álbum já está vindo por aí, a ser lançado em 2018.
Em 1995, o GAMMA RAYhavia conseguido chegar ao sucesso com “Land of the Free”, e logo veio a “Man on a Tour”, uma excursão que tomou de assalto vários países europeus. Com cinco discos de estúdio nas costas, a banda não pensou duas vezes, e para coroar o bom momento, lançaram “Alive ‘95”, seu primeiro disco ao vivo em 1996. Mas como todos os discos anteriores foram relançados, nada mais justo que este ao vivo ganhasse uma nova edição remasterizada, e agora dupla. E como a Shinigami Recordse a earMUSIC andam bombando nessa parceria, aqui temos a versão nacional.
“Alive ‘95” é um excelente ao vivo, transpirando a energia da dos shows do quarteto. A performance de Kai nos vocais ficou ótima, cantando muito bem e tocando perfeitamente, assim como seu comparsa Dirk completa-o perfeitamente, tanto nos riffs trabalhados ou nos duelos e duetos de solos; a base de Jan (baixo) e Thomas (bateria) é maciça como uma muralha, mas sempre bem trabalhada e cheia de peso. E a energia que flui do disco é absurda, com a participação clara da plateia.
O disco foi gravado em Outubro e Novembro de 1995 em Milão (Itália), Paris (França), Madrid e Pamplona (ambas na Espanha), e Erlangen (Baviera, Alemanha). Kai e Dirk produziram e mixaram “Alive ‘95”, enquanto a masterização original é de Ralf Lindner. Mas esta versão tem a remasterização de Eike Freese (o mesmo que remasterizou todos os relançamentos anteriores), e assim, o som de antes ganhou mais brilho e nova vida, além de estar mais claro aos ouvidos.
Assim como foi em todos os discos anteriores, aqui também temos uma arte gráfica completamente nova. Mais uma vez, as ilustrações são de Hervé Monjeaud e o design foi feito por Alexander Mertsch. Óbvio que tudo ficou muito bonito, cheio de fotos da época, e mesmo as letras das canções estão presentes (um recurso que poucos grupos usam em discos ao vivo). Mas não se preocupe se for saudosista: a capa original vem na contracapa do encarte do CD.
Ao vivo, a formação em quarteto funciona muito bem, sem deixar espaço para críticas. Eles são muito coesos e a energia que flui do disco é algo assombroso. Tudo funciona perfeitamente, e mesmo algumas limitações causadas por conta de ser ao vivo (como alguns tons mais baixos de voz em certas canções), o resultado final é absurdo.
E como é a excursão de “Land of the Free”, fica óbvio que é desse disco que vem a maior parte das músicas. As versões ao vivo para “Land of the Free”, “Man on a Mission”, “Rebellion in Dreamland”, “Fairytale”, “The Saviour” e “Abyss of the Void” são incríveis, mais rápidas e cheias de energia, coisa de quem leva a sério os ensaios. Mas como a banda não poderia desapontar seus fãs antigos, a presença de algumas canções de seus discos mais antigos é certa, como a clássica “Space Eater”, a fogosa e veloz “Tribute to the Past” e “Heal Me” (metade lenta, metade pesadona), em que se percebe que os vocais de Kai renderam muito bem, pois seu timbre mais rasgado e agressivo encaixou perfeitamente. Mas para completar a festa, eles ainda tocaram “Heavy Metal Mania” do HOLOCAUST, que ficou excelente ao vivo. Agora, as paredes tremem muito com a passagem das clássicas “Ride the Sky” e “Future World” do HELLOWEEN(e digamos de passagem: os olhos encheram de lágrimas de felicidade, e diria que Dirk tocando encaixa melhor com Kai que Michael Weikath, e, além disso, Kai se deu muito bem cantando a segunda, eternizada por Michael Kiske). E para acabar com o fôlego de vez, esta versão tem como faixa bônus no disco 1 uma versão ao vivo para “Lust for Live”, antes restrita à versão japonesa.
Mas esta versão é dupla, logo, o disco 2 tem mais!
Aqui, seis canções gravadas em 1993, provavelmente da turnê de divulgação de “Insanity and Genius”, ainda com Ralf Scheepers cantando. E como é bom poder ouvir canções como a bela e cheia de energia “No Return”, “Changes” e seu jeitão mais cadenciado à lá ACCEPT, a clássica “Insanity and Genius”, a pancadaria Power Metal de “Last Before the Storm” e de “Future Madhouse”, e a variada, longa e cativante “Dream Healer”. Essas canções, em suas versões ao vivo, ficaram excelentes!
Uma curiosidade sobre “Alive ‘95”: o disco é o último trabalho do GAMMA RAY a ter a presença de Jan e Thomas, pois ambos saíram após a turnê. Dan Zimmermann entrou no grupo como novo baterista, ficando no grupo até 2012, e Henjo Richter assumiu as guitarras (bem como os teclados), com Dirk retornando a seu instrumento original, o baixo (como ele aparece no vídeo “Heading for the East”, de 1990).
Um disco ao vivo memorável, e que vale a aquisição, seja você fã do GAMMA RAY ou apenas um fã de Metal de bom gosto.