sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Melhores de 2017 - Nacional

Discos (não existe ordem de preferência):

MIASTHENIA - Antípodas

ALÍRIO NETO - João de Deus

DARK AVENGER - The Beloved Bones

WAEL DAOU - Sand Crusader

POP JAVALI - Resilient

NOTURNALL - 9

MYRKGAND - Myrkgand

RUINS OF ELYSIUM - Seeds of Chaos and Serenity

THIAGO BIANCHI'S ARENA - Thiago Bianchi’s Arena

WEAKLESS MACHINE - Manipulation

SODOMA - Mutapestaminação

FORCEPS - Mastering Extinction

LE CHANT NOIR - Ars Arcanvm Vodvm

PEDRO ESTEVES - Novos Tempos

FIRE STRIKE - Slaves of Fate


SHADOWSIDE - Shades of Humanity


GREYWOLF - The Beginning


TRANSCENDENT - Awakening

METALMORPHOSE - Ação & Reação

PRIMORDIUM - Old Gods



Melhor disco ao vivo

MORCROF - Live at the Brazilian Swamp

Melhor DVD:

-

Melhor EP: 

KAMALA – Consequence of Our Past – Vol. 1


Revelações

WEAKLESS MACHINE



RUINS OF ELYSIUN



VILETALE



Melhor show

Headbanger Fest (NERVOSA, SIRIUN, VORGOK - La Esquina - RJ)

No Class Festival (REBAELLIUN, LACERATED AND CARBONIZED, FUNERATUS, FORCEPS, D.I.E., VORGOK, 7PELES - Casarão Ameno Resedá - RJ)


Decepções:

Bolsobangers, brigas no cenário, preconceitos (homofobia, machismo, racismo, e outros), conservadores contra artes degeneradas (sendo o Metal, o Punk, o Hardcore artes degeneradas), ausência de grandes nomes do Metal no Rock in Rio.


Esperanças para 2018:

Que o mundo seja melhor para todos, e que o Metal, o Hardcore, o Punk, o Rock em geral, sejam ferramentas nessas mudanças.

MAQUINAMENTE - Bom Dia Vó


Full Length (CD+DVD)
2017
Selo: Independente
Nacional

Tracklist:

CD:

1. Bom Dia Vó
2. Voar Alto
3. Máquinas Pensantes
4. Hélice do Tempo
5. Bom e o Bem
6. Amizade Colorida
7. Noite de Caça
8. Variações
9. Parte à Parte
10. Mudar o Mundo
11. Antes Ser do Que Tarde


DVD:

Vídeos para todas as canções, documentário, extras.


Banda:


Glébo - Baixo, guitarras, vocais
Marinho - Guitarras
Fefo - Pick-up, Teclados
K-Reca - Bateria

Convidados:

Felipe Coelho - Trombone
Bruno Brito - Trompete
Heber Souza - Saxofone/Clarinete
Wagner Mariano - Bateria em “Máquinas Pensantes”
Vó Mariana - Voz em “Bom Dia Vó”
  

Contatos:

Twitter:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O caos sempre rendeu bons furtos musicais. E por caos, definimos aquela forma de fazer música que para muitos não faz sentido, porque ela transcende limites, atravessa limites e funde estilos. Bandas como FAITH NO MORE, BAD BRAINS, MINISTRY, NINE INCH NAILS e outros mostraram que era possível fazer isso (para desespero dos conservadores mais puritanos). Hoje, essa fórmula já foi usada muitas vezes, mas no nosso país, devido à latinidade musical que o brasileiro carrega em seu DNA, esse jeito de fazer música nunca fica esgotado. Que o diga o quarteto MAQUINAMENTE, que chega com seu primeiro disco, “Bom Dia Vó”.

Em termos de estilo, o quarteto monta um quebra-cabeça eclético. No meio do Rock cheio de energia do grupo, surgem ritmos e timbres diferentes do que muitos estão acostumados, com passagens de Jazz, Reggae, Funk, Samba, Hip-Hop, música eletrônica e MPB. Mas não fique preocupado: tudo flui de forma consensual no meio do caos sonoro, sempre soando de primeira, cheio de energia. E a cada nova ouvida em “Bom Dia Vó”, se percebe algo novo. E algo sempre bom!

O próprio grupo (que é bem experiente em termos musicais, já que compuseram e gravaram mais de 3.600 músicas para programas de TV em 3 anos) fez a produção do álbum. E em termos de sonoridade, não há do que reclamar: tudo soa perfeito, no devido lugar, coeso e muito bem feito. A timbragem, a alma das músicas, foi cuidada com muito esmero.

A arte gráfica, usada em um digipack muito bem feito, é simples, toda em preto e branco. Mas ela casou perfeitamente com a proposta do grupo, além de nos permitir prestar atenção somente no aspecto musical. William Estrela fez um ótimo trabalho na arte e no design, verdade seja dita.

Pode-se afirmar que o MAQUINAMENTEé focado na criatividade. O grupo não tem pudores de ousar, sendo que criar algo novo e diversificado seu compromisso maior em termos musicais. E em termos de arranjos, ninguém segura o quarteto, já que o que parece caótico e intragável para muitos, nas mãos deles vira algo sensacional!

Musicalmente, em 11 canções, o grupo mostra maturidade e ousadia, além de uma energia absurda. Mas o jeito funkeado e com elementos de Reggae de “Voar Alto”, o jeitão Jazz/MPB com seus inserts eletrônicos de “Máquinas Pensantes”, a curta e intimista “Hélice do Tempo”, o clima forte e intimista cheio de metais de “Bom e o Bem” (reparem no protesto pró-arte das letras), o Reggae/Rock hipnótico de “Amizade Colorida”, o jeitão meio Blues meio MPB com toques de Pop em “Variações”, e a força densa de “Parte à Parte” são os melhores momentos do álbum.

O segundo disco, como já dito, é um DVD.

O caos continua nele, pois temos vídeos para todas as faixas do CD, cada um deles com sua devida expressividade visual, sua mensagem para o ouvinte. Nos extras, documentários da banda sobre sua trajetória, gravações e algumas surpresinhas muito interessantes, que manterei o segredo para que o leitor possa ter a experiência por si mesmo.

Um ponto que precisa ser salientado: música e letras forma um contexto, pois a banda tem mensagens para os ouvintes, manifestos para que a mente do ouvinte possa se abrir e atingir a independência.

No mais, “Bom Dia Vó”é um disco que faz você ficar pensando quando virá o próximo, pois é viciante. Mas no caso do MAQUINAMENTE, o novo álbum já está vindo por aí, a ser lançado em 2018.

Nota: 10,0/10,0

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

GAMMA RAY - Alive ’95 (Anniversary Edition)


Full Length (Duplo CD ao vivo - Relançamento)
2017
Nacional

Tracklist:

Disco 1:

1. Land of the Free
2. Man on a Mission
3. Rebellion in Dreamland
4. Space Eater
5. Fairytale
6. Tribute to the Past
7. Heal Me
8. The Saviour
9. Abyss of the Void
10. Ride the Sky (Helloween cover)
11. Future World (Helloween cover)
12. Heavy Metal Mania (Holocaust cover)
13. Lust for Live


Disco 2:

1. No Return
2. Changes
3. Insanity and Genius
4. Last before the Storm
5. Future Madhouse
6. Heading for Tomorrow


Banda:


Kai Hansen - Vocais (disco 1), guitarras
Dirk Schlächter - Guitarras
Jan Rubach - Baixo
Thomas Nack - Bateria, backing vocals
Ralf Scheepers - Vocais (disco 2)


Contatos:

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Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em 1995, o GAMMA RAYhavia conseguido chegar ao sucesso com “Land of the Free”, e logo veio a “Man on a Tour”, uma excursão que tomou de assalto vários países europeus. Com cinco discos de estúdio nas costas, a banda não pensou duas vezes, e para coroar o bom momento, lançaram “Alive ‘95”, seu primeiro disco ao vivo em 1996. Mas como todos os discos anteriores foram relançados, nada mais justo que este ao vivo ganhasse uma nova edição remasterizada, e agora dupla. E como a Shinigami Recordse a earMUSIC andam bombando nessa parceria, aqui temos a versão nacional.

“Alive ‘95” é um excelente ao vivo, transpirando a energia da dos shows do quarteto. A performance de Kai nos vocais ficou ótima, cantando muito bem e tocando perfeitamente, assim como seu comparsa Dirk completa-o perfeitamente, tanto nos riffs trabalhados ou nos duelos e duetos de solos; a base de Jan (baixo) e Thomas (bateria) é maciça como uma muralha, mas sempre bem trabalhada e cheia de peso. E a energia que flui do disco é absurda, com a participação clara da plateia.

O disco foi gravado em Outubro e Novembro de 1995 em Milão (Itália), Paris (França), Madrid e Pamplona (ambas na Espanha), e Erlangen (Baviera, Alemanha). Kai e Dirk produziram e mixaram “Alive ‘95”, enquanto a masterização original é de Ralf Lindner. Mas esta versão tem a remasterização de Eike Freese (o mesmo que remasterizou todos os relançamentos anteriores), e assim, o som de antes ganhou mais brilho e nova vida, além de estar mais claro aos ouvidos.

Assim como foi em todos os discos anteriores, aqui também temos uma arte gráfica completamente nova. Mais uma vez, as ilustrações são de Hervé Monjeaud e o design foi feito por Alexander Mertsch. Óbvio que tudo ficou muito bonito, cheio de fotos da época, e mesmo as letras das canções estão presentes (um recurso que poucos grupos usam em discos ao vivo). Mas não se preocupe se for saudosista: a capa original vem na contracapa do encarte do CD.

Ao vivo, a formação em quarteto funciona muito bem, sem deixar espaço para críticas. Eles são muito coesos e a energia que flui do disco é algo assombroso. Tudo funciona perfeitamente, e mesmo algumas limitações causadas por conta de ser ao vivo (como alguns tons mais baixos de voz em certas canções), o resultado final é absurdo.

E como é a excursão de “Land of the Free”, fica óbvio que é desse disco que vem a maior parte das músicas. As versões ao vivo para “Land of the Free”, “Man on a Mission”, “Rebellion in Dreamland”, “Fairytale”, “The Saviour” e “Abyss of the Void” são incríveis, mais rápidas e cheias de energia, coisa de quem leva a sério os ensaios. Mas como a banda não poderia desapontar seus fãs antigos, a presença de algumas canções de seus discos mais antigos é certa, como a clássica “Space Eater”, a fogosa e veloz “Tribute to the Past” e “Heal Me” (metade lenta, metade pesadona), em que se percebe que os vocais de Kai renderam muito bem, pois seu timbre mais rasgado e agressivo encaixou perfeitamente. Mas para completar a festa, eles ainda tocaram “Heavy Metal Mania” do HOLOCAUST, que ficou excelente ao vivo. Agora, as paredes tremem muito com a passagem das clássicas “Ride the Sky” e “Future World” do HELLOWEEN(e digamos de passagem: os olhos encheram de lágrimas de felicidade, e diria que Dirk tocando encaixa melhor com Kai que Michael Weikath, e, além disso, Kai se deu muito bem cantando a segunda, eternizada por Michael Kiske). E para acabar com o fôlego de vez, esta versão tem como faixa bônus no disco 1 uma versão ao vivo para “Lust for Live”, antes restrita à versão japonesa.

Mas esta versão é dupla, logo, o disco 2 tem mais!

Aqui, seis canções gravadas em 1993, provavelmente da turnê de divulgação de “Insanity and Genius”, ainda com Ralf Scheepers cantando. E como é bom poder ouvir canções como a bela e cheia de energia “No Return”, “Changes” e seu jeitão mais cadenciado à lá ACCEPT, a clássica “Insanity and Genius”, a pancadaria Power Metal de “Last Before the Storm” e de “Future Madhouse”, e a variada, longa e cativante “Dream Healer”. Essas canções, em suas versões ao vivo, ficaram excelentes!

Uma curiosidade sobre “Alive ‘95”: o disco é o último trabalho do GAMMA RAY a ter a presença de Jan e Thomas, pois ambos saíram após a turnê. Dan Zimmermann entrou no grupo como novo baterista, ficando no grupo até 2012, e Henjo Richter assumiu as guitarras (bem como os teclados), com Dirk retornando a seu instrumento original, o baixo (como ele aparece no vídeo “Heading for the East”, de 1990).

Um disco ao vivo memorável, e que vale a aquisição, seja você fã do GAMMA RAY ou apenas um fã de Metal de bom gosto.

Nota: 10,0/10,0


H.E.A.T. - Into the Great Unknown


Full Length
2017

Tracklist:

1.      Bastard of Society
2.      Redefined
3.      Shit City
4.      Time on Our Side
5.      Best of the Broken
6.      Eye of the Storm
7.      Blind Leads the Blind
8.      We Rule
9.      Do You Want It?
10.  Into The Great Unknown


Banda:


Erik Grönwall - Vocais
Sky Davids - Guitarras
Jona Tee - Teclados
Jimmy Jay - Baixo
Crash - Bateria, percussão


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Desde que o Hard/Glam Metal (e por consequência, todas as vertentes do mesmo) foi varrido do mainstream norte-americano no início dos anos 90, foi uma sofrida jornada de volta. Apesar de não estar no topo como antes, o gênero refloresceu na Europa e tomou o velho continente. Não é à toa que a Suécia se tornou um criadouro de bandas do gênero. E um dos nomes mais conhecidos daquelas bandas é o do quinteto H.E.A.T., velho conhecido do público brasileiro, e que nos chega com “Into the Great Unknown”, seu mais recente disco. Uma dádiva da Shinigami Records, digamos de passagem.

Apesar da essência musical do grupo estar intacta (aquele Hard/Glam melodioso e com ótimas passagens de AOR/Melodic Rock), em “Into the Great Unknow” surgem elementos extremamente acessíveis, em um trabalho muito bem feito, com boas harmonias, melodias simples e refrãos bem grudentos. Mas ao mesmo tempo, o grupo parece ter ganhando uma dose maior de acessibilidade musical, uma vez que existem momentos que beiram o Pop Rock dos anos 80 e mesmo algumas influências de Synth Pop, embora a sonoridade esteja mais compacta, focada nas guitarras e nos refrãos, tanto que os teclados estão menos evidentes (mas não ausentes, e brilham em momentos em que o grupo fica comercial). Ou seja, o quinteto mudou a abordagem do próprio estilo, mas sem perder suas características.

Tobias Lindell é o produtor de “Into the Great Unknown”, bem como aquele que mixou o disco. A masterização é de Henrik Jonsson. Como o quinteto buscou algo mais simples em termos musicais, a sonoridade do disco é bem seca e sem firulas, com timbres sonoros mais bem definidos e claros. Desta forma, podemos dizer que o H.E.A.T. priorizou ainda mais seu lado acessível, mas sem perder a mão do que eles são.

A arte visual é de Vitality S. Alexius. E apesar da beleza da capa, percebe-se que tudo no aspecto gráfico está bem econômico, direto, em um reflexo do que o grupo apresenta sonoramente. E ficou muito bom.

Se o H.E.A.T. sempre foi um grupo conhecido por seguir um estilo de Hard/AOR próximo a BON JOVIe JOURNEY, agora ganhou alguns contornos mais agressivos na linha do AC/DC em alguns momentos, mas como já dito, o nível de acessibilidade musical também cresceu bastante. Óbvio que a sonoridade do grupo ficou menos elaborada, mas mesmo assim, eles ainda oferecem um trabalho de primeira categoria.

O disco inteiro mantém alto nível de qualidade. Mas das dez canções, destacam-se a grudenta “Bastard of Society” com seus backing vocals e refrão cheios de energia (além dos vocais estarem muito bem), a bem acabada “Redefined”e suas linhas melódicas bem simples (que chegam a beirar o Pop Rock em alguns momentos), a despojada e pesada “Shit City” com suas guitarras ferozes e arranjos de teclados, o Synth/Pop Rock que surge em “Time on Our Side” (onde os teclados se destacam bastante), o hardão seco e agressivo apresentado em “Blind Leads the Blind” (com um ótimo trabalho de baixo e bateria, e mais um ótimo refrão), a grudenta e acessível “Do You Want It?”, e a semi-balada “Into The Great Unknown” e seu peso cavalar.

Pode ser que alguns fãs mais incautos fiquem de ouvidos em pé na primeira audição, mas “Into the Great Unknown” é um ótimo disco, sem sombra de dúvidas!

Nota: 8,7/10,0


KRUCIPHA - Inhuman Nature


Full Length
Ano: 2017
Nacional


Tracklist:

1.      Hateful
2.      Victimia
3.      F.O.M.O.
4.      Acceptance
5.      Non Efficiens, Non Decorus
6.      Alter the Image
7.      Bureaucrap
8.      Mass Oppression
9.      Mass Catharsis
10.  Unwilling (Bonus Track)
11.  Reason Lost MMXVI (Bonus Track)


Banda:


Fabiano Guolo - Vocais
Luís “RazorB” Ferraz - Guitarras, baixo, vocais
Khaoe Rocha - Baixo, vocais
Felipe Nester - Bateria, percussão

Convidados:

André Nisgoski - Vocais adicionais em “Bureaucrap”


Contatos:

Twitter:
Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Para muitos, a evolução musical dentro dos cenários do Rock deveriam ser parada à força. Essas forças conservadoras ignoram que a evolução é uma força benéfica, que permite que o estilo continue forte e vigoroso, além de se renovar para as gerações futuras. Há mais de 25 anos que a latinidade brasileira começou a entrar no Metal, o que agregou valor ao gênero e criou uma identidade para o Metal brasileiro. E hoje, bandas como o KRUCIPHA podem mostrar um trabalho de primeira como “Inhuman Nature”, que acaba de ser lançado pela Shinigami Records.

Desde o primeiro disco, o famigerado “Hindsight Square One”, o quinteto de Curitiba (PR) já dava sinais de que havia nascido para ser diferente, para fugir do marasmo. O estilo deles, um Thrash/Groove Metal abrasivo e comprometido com a agressividade, deu uma evoluída bem grande, se tornando ainda mais bruto e duro, mas ao mesmo tempo, há uma enorme diversidade musical preenchendo cada uma das canções. E digamos de passagem: eles mostraram coragem ao usar percussões em um momento que o puritanismo no Metal impera. E verdade seja dita: ela incorporou visceralidade, força e latinidade ao som brutal do KRUCIPHA.

Trocando em miúdos: “Inhuman Nature” é um discão!

O próprio quinteto colocou a mão na massa e se encarregou de produzir “Inhuman Nature” junto com o conhecido produtor Karim Serri. E conseguiram equilibrar muito bem o balanço peso-agressividade-clareza, pois o som abrasivo e denso que emana do disco tem qualidade sonora limpa, permitindo que se compreenda o que eles estão tocando.

No tocante à arte gráfica, Carlos Fides (que já fez trabalhos para EVERGREY e ALMAH) fez a capa, que tem esculturas do artista plástico Jeferson Cesar (avô de Felipe Nester, batera do grupo). Tudo para dar uma aclimatação visual soturna ao disco, e isso em uma apresentação no formato digipack.

O nível de amadurecimento do KRUCIPHA é muito evidente. O salto qualitativo em termos musicais entre “Hindsight Square One” e “Inhuman Nature” é evidente. O grupo soa mais coeso, com arranjos musicais mais esmerados, e tudo isso só fez com que a banda crescesse em expressividade. Cada música em si é uma jóia preciosa.

Nos 10 temas do álbum, se destacam a furiosa e bruta “Hateful” (rápida e cativante, se percebe um trabalho ótimo de baixo e bateria), a carga azeda das guitarras em “Victimia” (uma canção com tempos quebrados e com uma aclimatação opressiva, com boas partes de percussão e vocais de primeira), a moderna e técnica “F.O.M.O.”e suas excelentes conduções rítmicas (baixo, bateria e percussões criam um ritmo cadenciado e duro, mas com boa técnica), o ritmo Thrasher veloz de “Acceptance” (uma canção bem expressiva em termos de vocais, riffs e solos, e é o lyric video de divulgação do álbum), as ótimas percussões em ritmos latinos em “Alter the Image”, a bicuda seca da HC/Crossover “Bureaucrap”, e a dobradinha grooveada de “Mass Oppression” (com rimos mais quebrados e andamento lento, privilegiando a base rítmica e as percussões), e “Mass Catharsis” (mais rápida, mas mantendo os ritmos quebrados, onde as guitarras dominam com riffs crus e cheios de energia). E como se já não fosse muito para o coração de qualquer Metalhead de fé, ainda temos como bônus a inédita “Unwilling” (outra faixa caótica e preenchida por um clima opressivo e técnico), além do remake para “Reason Lost MMXVI”, faixa de ““Hindsight Square One” , que está fantástica, com uma sonoridade mais seca e dura, o que privilegia a agressividade do grupo.

Verdade seja dita: se “Inhuman Nature” chegou tarde para a festa de final de ano de 2017, vai entrar em muitos Top10 de 2018, pois o disco é excelente.

Ah, sim: após a gravação do disco, a banda se estabilizou com a seguinte formação:

Fabiano Guolo -Vocais, guitarras
Luís “RazorB” Ferraz - Guitarras, vocais
Khaoe Rocha -Baixo, vocais
Nicholas Pedroso -Percussão
Felipe Nester -Bateria

Avante, KRUCIPHA!

Nota: 9,7/10,0


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

GAMMA RAY - Land of the Free (Anniversary Edition)


Full Length (Duplo CD - Relançamento)
2017


Tracklist:

CD 1 (Land of the Free):

1. Rebellion in Dreamland
2. Man on a Mission
3. Fairytale
4. All of the Damned
5. Rising of the Damned
6. Gods of Deliverance
7. Farewell
8. Salvation’s Calling
9. Land of the Free
10. The Saviour
11. Abyss of the Void
12. Time to Break Free
13. Afterlife

CD 2 (Bônus):

1. Heavy Metal Mania (cover do HOLOCAUST)
2. As Time Goes By (versão da pré-produção)
3. The Silence ‘95
4. Dream Healer (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2017)
5. Tribute to the Past (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2017)
6. Heaven Can Wait (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2016)
7. Valley of the King (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2016)


Banda:


Kai Hansen - Vocais, guitarras
Dirk Schlächter - Guitarras
Jan Rubach - Baixo
Thomas Nack - Bateria, backing vocals

Convidados:

Michael Kiske - Vocais em “Time to Break Free”, vocals adicionais e chorais em “Land of the Free”
Hansi Kürsch - Vocais adicionais em “Farewell”, corais em “Rebellion in Dreamland”, “Farewell” e “Land of the Free”
Catharina Boutari - Corais em “Rebellion in Dreamland”, “Man on a Mission”, “All of the Damned” e “Abyss of the World”
Sascha Paeth - Teclados adicionais
Hacky Hackmann - Corais
Axel Naschke - Corais em “Man on a Mission”, “All of the Damned”, “Gods of Deliverance”, “Salvation’s Calling” e “Abyss to the World”


Contatos:

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Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ano de 1995.

Ralf Scheepersvivia em uma cidade ao sul da Alemanha, enquanto o resto do grupo residia em Hamburgo, ao norte. Ralf só poderia ir para Hamburgo nos fins de semana, e isso deixava tudo mais difícil. O GAMMA RAYjá estava se profissionalizando e tendo muitas exigências, já que “Insanity and Genius” os catapultara para o sucesso, especialmente no Japão.

Ralf ficava ressentido, se achando incomodado com sua posição (somente ele não era da cidade), então conversou com a banda e saiu de forma amigável (que foi em busca da vaga deixada por Rob Halford no JUDAS PRIEST). Óbvio houve uma busca para alguém que pudesse assumir o posto de vocalista (inclusive muitos acreditaram que Michael Kiske, que havia acabado de sair do HELLOWEEN e era amigo de longa data de Kai Hansen, iria entrar no grupo, o que não ocorreu por que Michaelqueria fazer algo em termos de carreira solo). Mas devido aos pedidos de amigos e fãs, e porque ele já cantava nos ensaios do grupo na ausência de Ralf, Kai resolveu assumir o posto.

Pronto, tudo que era preciso para que o GAMMA RAY alcançasse o sucesso mundial aconteceu. Mesmo com “Heading for Tomorrow”, “Sigh No More” e “Insanity and Genius” sendo muito bem recebidos por público e crítica, é “Land of the Free” que causou um autêntico “boom” na carreira do quarteto, elevando-os definitivamente ao sucesso. E hoje, 22 anos depois, ele é relançado em uma versão comemorativa de aniversário do grupo, remasterizado e em versão dupla em CD. Um presente aos fãs que a Shinigami Records (em parceria com a earMUSIC) lança em nosso país.

Mas o que o disco tem que chamou tanto a atenção do público assim?

É fato que o GAMMA RAY estava crescendo muito desde seu surgimento em 1989, mas como uma grande parte dos fãs da banda eram herdados dos tempos dele no HELLOWEEN, e muitos amavam a voz de Kai (que cantara no EP “Helloween”, no álbum “Walls of Jericho” e no Single “Judas”). Além disso, o álbum vem com um material de alto nível (sendo o primeiro de uma trinca imbatível), muito bem arranjado. Mas ao mesmo tempo, o estilo da banda deu uma guinada para algo mais rápido e agressivo, bem próximo do que era feito pela antiga banda de Kai quando ele ainda cantava, mas sem perder o pique e características mais intrínsecas de sua personalidade.

“Land of the Free” tem a produção assinada por Kai e Dirk (eterno companheiro na banda), enquanto Charlie Bauerfeind fez a mixagem. A masterização original é de Ralf Lindner. Tudo para que o disco soasse pesado, agressivo e limpo. Para a época, era uma produção de alto nível, dando à “Land of the Free” uma sonoridade cheia, que nos permitisse compreender tudo que é tocado sem muitos esforços. E para dar uma atualizada, um novo frescor, Eike Freese, como nos relançamentos anteriores, foi quem deu uma remasterizada.

A arte desse relançamento é nova. As ilustrações são de Hervé Monjeaud, enquanto o design é de Alexander Mertsch. Tudo para dar um brilho extra, inclusive com muitas fotos e memorabilia da época. Mas a arte original se encontra na contracapa do encarte, para manter a lembrança do lançamento de 1995. Nela, se vê a figura que é vista na capa de “Walls of Jericho”, que na época chamavam de Fangface.

E a presença de Fangfacena época já dava pistas do que seria encontrado em termos musicais em “Land of the Free”: pode-se dizer que a musicalidade encontrada é uma sequência lógica de “Walls of Jericho”, algo mais visceral e duro, mesmo em meio às melodias intrincadas e bem feitas da banda. Mas mesmo assim, os duetos de guitarras, os solos, a técnica pesada de baixo e bateria, além das intervenções de teclado, deram uma carga mais pesada ao grupo. E nem mencionamos ainda a presença de convidados ilustres, citados acima.

E musicalmente, “Land of the Free” marca o início de uma ascensão meteórica do GAMMA RAY. Tudo porque em existem clássicos que persistem nos setlists dos shows até os dias de hoje, como as destruidoras de pescoços “Rebellion in Dreamland” e “Man on a Mission” (ambas cheias de ótimas mudanças rítmicas e belos duetos de guitarras, fora os chorais grandiosos), a curta e rápida “Fairytale”, a pegada dura e agressiva de “Gods of Deliverance” (onde baixo e bateria debulham, mantendo um peso absurdo e diversificado), a emotiva “Farewell”e seus lindos arranjos de piano (uma homenagem ao amigo Ingo Schwichtenberg, ex-baterista do HELLOWEEN que se suicidou em março de 1995), a excitante e envolvente “Land of the Free” e seus corais formidáveis (além de bels arranjos), e a selvageria de “Time to Break Free” (os vocais de Michael Kiske casaram como uma luva com o som do grupo). Essas são as melhores do disco 1, que é são as canções originais do disco.

Mas como toda festa tem presentes, eles estão no disco 2.

Primeiro, uma versão do grupo para o clássico “Heavy Metal Mania”, do grupo da NWOBHM HOLOCAUST, que ficou excelente nessa roupagem mais moderna (e era bônus exclusivo da versão japonesa do CD), a inédita “As Time Goes By” (faixa de “Sign No More” em sua versão da pré-produção, com vocais de Kai), além de “The Silence ‘95” (que só aparecera no EP “Silent Miracles”), além das versões instrumentais ao vivo de“Dream Healer”, “Tribute to the Past”, “Heaven Can Wait” e “Valley of the King”, todas Chameleon Studios em 2017 (as duas primeiras) e em 2016 (as duas últimas).

No mais, para quem ainda não tinha “Land of the Free”, é uma ótima chance de adquirir sua cópia. Para quem tem a original vale pela remasterização e pelos extras. E para todos, um disco fenomenal!

Nota: 10,0/10,0



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

EDEN SEED (Thrash/Heavy/Metal Eclético - São Paulo/SP)


Banda: EDEN SEED

Estilo: Thrash Metal/Heavy Metal/Eclético mas sempre Metal

Início de atividades:29/06/2016

Discos lançados: EP “Rising Up” / Single “Maria Candelária”

Formação atual: Luis Henrique (Vocal), Gisele Marie Rocha (Guitarras), Matheus Manente (Baixo), Marcos Henrique (Bateria)

Cidade/Estado: São Paulo (SP)

Influências musicais: Cada vez se torna mais estranho e algo incômodo falar sobre as influências do EDEN SEED, porque a banda tem incontáveis influências, nem todas são de metal, muitas são incompreensíveis e a banda é realmente eclética, embora seja sempre extremamente pesada. Eu (Gisele Marie Rocha) poderia citar aqui PANTERA, MEGADETH, BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST, OZZY, ANTHRAX, mas isto é muito pouco e limitador para citar o grande e variado número de influências da banda.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Gisele Marie Rocha:O EDEN SEED só surgiu devido à minha insatisfação em relação à atuação da banda que eu tocava antes. Então eu saí daquela banda em agosto de 2015 decidida a formar uma nova banda para mim, uma nova banda de metal, com horizontes musicais mais amplos, pesada como todo o meu trabalho até hoje, e mais atuante. Bem, música é o meu trabalho, a minha profissão e a minha vida, e eu acredito que todos os membros da banda também sentem isto, e é por isso que temos uma banda.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Gisele: Tocar em uma banda de Metal no Brasil já é por si só uma dificuldade, mas nós acreditamos de fato na globalização e no alcance mundial através da internet. O cenário no Brasil está difícil porque os espaços para banda autoral são ou limitados ou ineficientes, e o público brasileiro é extremamente colonizado, mas os objetivos do EDEN SEED sempre foram relacionados ao mercado mundial, então seguimos em frente.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Gisele: A estrutura nunca é boa no Brasil, em qualquer cidade. São Paulo não foge à regra, e tudo isto é agravado pela situação difícil do cenário econômico atual. Temos feito shows com certa frequência, mas como o EDEN SEED é uma banda muito nova e nós estamos no momento concentrados na produção do nosso primeiro full álbum, que deverá ser lançado no começo de 2018, então eu acho que vamos começar a encarar shows mesmo a partir do ano que vem.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Gisele: Isto é um tipo de comentário de quem parou no tempo e está olhando para trás em vez de olhar para frente. O Metal é um estilo de música, que nunca irá acabar. Quantas vezes será que o fim do blues, do rock em geral, do jazz, da música erudita, foi declarado? No entanto, todos estes estilos de música continuam mais vivos do que nunca e sempre estarão vivos. Assim é com o Metal, que no fim das contas é um estilo musical, como estes que eu citei! Metal nunca vai acabar! Metal não é moda, é música.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Gisele: O que é dar certo? O Brasil já passou por fases em que o cenário musical em geral, e isto transcende o Metal, era tão bom quanto em qualquer outro canto do mundo, como Europa, Estados Unidos, Ásia... O problema não é o Metal em si, mas sim o cenário brasileiro atual, onde você tem pouco espaço para a arte em geral no país, uma população com poucas oportunidades de variação cultural, cuja atenção e capacidade cognitiva é bem direcionada para descartáveis e coisas fugazes. Mas falando especificamente em termos de Metal, falta muita coisa, falta a atuação realmente profissional de pessoas e equipes que atuam no cenário, falta sempre a união de bandas e público, mas a mudança está em todos nós que atuamos no cenário Metal e não estamos fazendo a nossa parte, todos nós, músicos, produtores, bookmakers, empresários, casas de shows, etc...


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gisele: Não adianta ficar reclamando da realidade se você não tem uma atuação positiva e não faz a sua parte! Cultive e exercite a consciência, opinião própria, senso crítico, seja você mesmo, e paz para todos!


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Vejam o vídeo para “No Violence”, novo Single do EDEN SEED: