quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

H.E.A.T. - Into the Great Unknown


Full Length
2017

Tracklist:

1.      Bastard of Society
2.      Redefined
3.      Shit City
4.      Time on Our Side
5.      Best of the Broken
6.      Eye of the Storm
7.      Blind Leads the Blind
8.      We Rule
9.      Do You Want It?
10.  Into The Great Unknown


Banda:


Erik Grönwall - Vocais
Sky Davids - Guitarras
Jona Tee - Teclados
Jimmy Jay - Baixo
Crash - Bateria, percussão


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Desde que o Hard/Glam Metal (e por consequência, todas as vertentes do mesmo) foi varrido do mainstream norte-americano no início dos anos 90, foi uma sofrida jornada de volta. Apesar de não estar no topo como antes, o gênero refloresceu na Europa e tomou o velho continente. Não é à toa que a Suécia se tornou um criadouro de bandas do gênero. E um dos nomes mais conhecidos daquelas bandas é o do quinteto H.E.A.T., velho conhecido do público brasileiro, e que nos chega com “Into the Great Unknown”, seu mais recente disco. Uma dádiva da Shinigami Records, digamos de passagem.

Apesar da essência musical do grupo estar intacta (aquele Hard/Glam melodioso e com ótimas passagens de AOR/Melodic Rock), em “Into the Great Unknow” surgem elementos extremamente acessíveis, em um trabalho muito bem feito, com boas harmonias, melodias simples e refrãos bem grudentos. Mas ao mesmo tempo, o grupo parece ter ganhando uma dose maior de acessibilidade musical, uma vez que existem momentos que beiram o Pop Rock dos anos 80 e mesmo algumas influências de Synth Pop, embora a sonoridade esteja mais compacta, focada nas guitarras e nos refrãos, tanto que os teclados estão menos evidentes (mas não ausentes, e brilham em momentos em que o grupo fica comercial). Ou seja, o quinteto mudou a abordagem do próprio estilo, mas sem perder suas características.

Tobias Lindell é o produtor de “Into the Great Unknown”, bem como aquele que mixou o disco. A masterização é de Henrik Jonsson. Como o quinteto buscou algo mais simples em termos musicais, a sonoridade do disco é bem seca e sem firulas, com timbres sonoros mais bem definidos e claros. Desta forma, podemos dizer que o H.E.A.T. priorizou ainda mais seu lado acessível, mas sem perder a mão do que eles são.

A arte visual é de Vitality S. Alexius. E apesar da beleza da capa, percebe-se que tudo no aspecto gráfico está bem econômico, direto, em um reflexo do que o grupo apresenta sonoramente. E ficou muito bom.

Se o H.E.A.T. sempre foi um grupo conhecido por seguir um estilo de Hard/AOR próximo a BON JOVIe JOURNEY, agora ganhou alguns contornos mais agressivos na linha do AC/DC em alguns momentos, mas como já dito, o nível de acessibilidade musical também cresceu bastante. Óbvio que a sonoridade do grupo ficou menos elaborada, mas mesmo assim, eles ainda oferecem um trabalho de primeira categoria.

O disco inteiro mantém alto nível de qualidade. Mas das dez canções, destacam-se a grudenta “Bastard of Society” com seus backing vocals e refrão cheios de energia (além dos vocais estarem muito bem), a bem acabada “Redefined”e suas linhas melódicas bem simples (que chegam a beirar o Pop Rock em alguns momentos), a despojada e pesada “Shit City” com suas guitarras ferozes e arranjos de teclados, o Synth/Pop Rock que surge em “Time on Our Side” (onde os teclados se destacam bastante), o hardão seco e agressivo apresentado em “Blind Leads the Blind” (com um ótimo trabalho de baixo e bateria, e mais um ótimo refrão), a grudenta e acessível “Do You Want It?”, e a semi-balada “Into The Great Unknown” e seu peso cavalar.

Pode ser que alguns fãs mais incautos fiquem de ouvidos em pé na primeira audição, mas “Into the Great Unknown” é um ótimo disco, sem sombra de dúvidas!

Nota: 8,7/10,0


KRUCIPHA - Inhuman Nature


Full Length
Ano: 2017
Nacional


Tracklist:

1.      Hateful
2.      Victimia
3.      F.O.M.O.
4.      Acceptance
5.      Non Efficiens, Non Decorus
6.      Alter the Image
7.      Bureaucrap
8.      Mass Oppression
9.      Mass Catharsis
10.  Unwilling (Bonus Track)
11.  Reason Lost MMXVI (Bonus Track)


Banda:


Fabiano Guolo - Vocais
Luís “RazorB” Ferraz - Guitarras, baixo, vocais
Khaoe Rocha - Baixo, vocais
Felipe Nester - Bateria, percussão

Convidados:

André Nisgoski - Vocais adicionais em “Bureaucrap”


Contatos:

Twitter:
Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Para muitos, a evolução musical dentro dos cenários do Rock deveriam ser parada à força. Essas forças conservadoras ignoram que a evolução é uma força benéfica, que permite que o estilo continue forte e vigoroso, além de se renovar para as gerações futuras. Há mais de 25 anos que a latinidade brasileira começou a entrar no Metal, o que agregou valor ao gênero e criou uma identidade para o Metal brasileiro. E hoje, bandas como o KRUCIPHA podem mostrar um trabalho de primeira como “Inhuman Nature”, que acaba de ser lançado pela Shinigami Records.

Desde o primeiro disco, o famigerado “Hindsight Square One”, o quinteto de Curitiba (PR) já dava sinais de que havia nascido para ser diferente, para fugir do marasmo. O estilo deles, um Thrash/Groove Metal abrasivo e comprometido com a agressividade, deu uma evoluída bem grande, se tornando ainda mais bruto e duro, mas ao mesmo tempo, há uma enorme diversidade musical preenchendo cada uma das canções. E digamos de passagem: eles mostraram coragem ao usar percussões em um momento que o puritanismo no Metal impera. E verdade seja dita: ela incorporou visceralidade, força e latinidade ao som brutal do KRUCIPHA.

Trocando em miúdos: “Inhuman Nature” é um discão!

O próprio quinteto colocou a mão na massa e se encarregou de produzir “Inhuman Nature” junto com o conhecido produtor Karim Serri. E conseguiram equilibrar muito bem o balanço peso-agressividade-clareza, pois o som abrasivo e denso que emana do disco tem qualidade sonora limpa, permitindo que se compreenda o que eles estão tocando.

No tocante à arte gráfica, Carlos Fides (que já fez trabalhos para EVERGREY e ALMAH) fez a capa, que tem esculturas do artista plástico Jeferson Cesar (avô de Felipe Nester, batera do grupo). Tudo para dar uma aclimatação visual soturna ao disco, e isso em uma apresentação no formato digipack.

O nível de amadurecimento do KRUCIPHA é muito evidente. O salto qualitativo em termos musicais entre “Hindsight Square One” e “Inhuman Nature” é evidente. O grupo soa mais coeso, com arranjos musicais mais esmerados, e tudo isso só fez com que a banda crescesse em expressividade. Cada música em si é uma jóia preciosa.

Nos 10 temas do álbum, se destacam a furiosa e bruta “Hateful” (rápida e cativante, se percebe um trabalho ótimo de baixo e bateria), a carga azeda das guitarras em “Victimia” (uma canção com tempos quebrados e com uma aclimatação opressiva, com boas partes de percussão e vocais de primeira), a moderna e técnica “F.O.M.O.”e suas excelentes conduções rítmicas (baixo, bateria e percussões criam um ritmo cadenciado e duro, mas com boa técnica), o ritmo Thrasher veloz de “Acceptance” (uma canção bem expressiva em termos de vocais, riffs e solos, e é o lyric video de divulgação do álbum), as ótimas percussões em ritmos latinos em “Alter the Image”, a bicuda seca da HC/Crossover “Bureaucrap”, e a dobradinha grooveada de “Mass Oppression” (com rimos mais quebrados e andamento lento, privilegiando a base rítmica e as percussões), e “Mass Catharsis” (mais rápida, mas mantendo os ritmos quebrados, onde as guitarras dominam com riffs crus e cheios de energia). E como se já não fosse muito para o coração de qualquer Metalhead de fé, ainda temos como bônus a inédita “Unwilling” (outra faixa caótica e preenchida por um clima opressivo e técnico), além do remake para “Reason Lost MMXVI”, faixa de ““Hindsight Square One” , que está fantástica, com uma sonoridade mais seca e dura, o que privilegia a agressividade do grupo.

Verdade seja dita: se “Inhuman Nature” chegou tarde para a festa de final de ano de 2017, vai entrar em muitos Top10 de 2018, pois o disco é excelente.

Ah, sim: após a gravação do disco, a banda se estabilizou com a seguinte formação:

Fabiano Guolo -Vocais, guitarras
Luís “RazorB” Ferraz - Guitarras, vocais
Khaoe Rocha -Baixo, vocais
Nicholas Pedroso -Percussão
Felipe Nester -Bateria

Avante, KRUCIPHA!

Nota: 9,7/10,0


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

GAMMA RAY - Land of the Free (Anniversary Edition)


Full Length (Duplo CD - Relançamento)
2017


Tracklist:

CD 1 (Land of the Free):

1. Rebellion in Dreamland
2. Man on a Mission
3. Fairytale
4. All of the Damned
5. Rising of the Damned
6. Gods of Deliverance
7. Farewell
8. Salvation’s Calling
9. Land of the Free
10. The Saviour
11. Abyss of the Void
12. Time to Break Free
13. Afterlife

CD 2 (Bônus):

1. Heavy Metal Mania (cover do HOLOCAUST)
2. As Time Goes By (versão da pré-produção)
3. The Silence ‘95
4. Dream Healer (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2017)
5. Tribute to the Past (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2017)
6. Heaven Can Wait (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2016)
7. Valley of the King (instrumental) (ao vivo nos Chameleon Studios 2016)


Banda:


Kai Hansen - Vocais, guitarras
Dirk Schlächter - Guitarras
Jan Rubach - Baixo
Thomas Nack - Bateria, backing vocals

Convidados:

Michael Kiske - Vocais em “Time to Break Free”, vocals adicionais e chorais em “Land of the Free”
Hansi Kürsch - Vocais adicionais em “Farewell”, corais em “Rebellion in Dreamland”, “Farewell” e “Land of the Free”
Catharina Boutari - Corais em “Rebellion in Dreamland”, “Man on a Mission”, “All of the Damned” e “Abyss of the World”
Sascha Paeth - Teclados adicionais
Hacky Hackmann - Corais
Axel Naschke - Corais em “Man on a Mission”, “All of the Damned”, “Gods of Deliverance”, “Salvation’s Calling” e “Abyss to the World”


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Assessoria:

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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Ano de 1995.

Ralf Scheepersvivia em uma cidade ao sul da Alemanha, enquanto o resto do grupo residia em Hamburgo, ao norte. Ralf só poderia ir para Hamburgo nos fins de semana, e isso deixava tudo mais difícil. O GAMMA RAYjá estava se profissionalizando e tendo muitas exigências, já que “Insanity and Genius” os catapultara para o sucesso, especialmente no Japão.

Ralf ficava ressentido, se achando incomodado com sua posição (somente ele não era da cidade), então conversou com a banda e saiu de forma amigável (que foi em busca da vaga deixada por Rob Halford no JUDAS PRIEST). Óbvio houve uma busca para alguém que pudesse assumir o posto de vocalista (inclusive muitos acreditaram que Michael Kiske, que havia acabado de sair do HELLOWEEN e era amigo de longa data de Kai Hansen, iria entrar no grupo, o que não ocorreu por que Michaelqueria fazer algo em termos de carreira solo). Mas devido aos pedidos de amigos e fãs, e porque ele já cantava nos ensaios do grupo na ausência de Ralf, Kai resolveu assumir o posto.

Pronto, tudo que era preciso para que o GAMMA RAY alcançasse o sucesso mundial aconteceu. Mesmo com “Heading for Tomorrow”, “Sigh No More” e “Insanity and Genius” sendo muito bem recebidos por público e crítica, é “Land of the Free” que causou um autêntico “boom” na carreira do quarteto, elevando-os definitivamente ao sucesso. E hoje, 22 anos depois, ele é relançado em uma versão comemorativa de aniversário do grupo, remasterizado e em versão dupla em CD. Um presente aos fãs que a Shinigami Records (em parceria com a earMUSIC) lança em nosso país.

Mas o que o disco tem que chamou tanto a atenção do público assim?

É fato que o GAMMA RAY estava crescendo muito desde seu surgimento em 1989, mas como uma grande parte dos fãs da banda eram herdados dos tempos dele no HELLOWEEN, e muitos amavam a voz de Kai (que cantara no EP “Helloween”, no álbum “Walls of Jericho” e no Single “Judas”). Além disso, o álbum vem com um material de alto nível (sendo o primeiro de uma trinca imbatível), muito bem arranjado. Mas ao mesmo tempo, o estilo da banda deu uma guinada para algo mais rápido e agressivo, bem próximo do que era feito pela antiga banda de Kai quando ele ainda cantava, mas sem perder o pique e características mais intrínsecas de sua personalidade.

“Land of the Free” tem a produção assinada por Kai e Dirk (eterno companheiro na banda), enquanto Charlie Bauerfeind fez a mixagem. A masterização original é de Ralf Lindner. Tudo para que o disco soasse pesado, agressivo e limpo. Para a época, era uma produção de alto nível, dando à “Land of the Free” uma sonoridade cheia, que nos permitisse compreender tudo que é tocado sem muitos esforços. E para dar uma atualizada, um novo frescor, Eike Freese, como nos relançamentos anteriores, foi quem deu uma remasterizada.

A arte desse relançamento é nova. As ilustrações são de Hervé Monjeaud, enquanto o design é de Alexander Mertsch. Tudo para dar um brilho extra, inclusive com muitas fotos e memorabilia da época. Mas a arte original se encontra na contracapa do encarte, para manter a lembrança do lançamento de 1995. Nela, se vê a figura que é vista na capa de “Walls of Jericho”, que na época chamavam de Fangface.

E a presença de Fangfacena época já dava pistas do que seria encontrado em termos musicais em “Land of the Free”: pode-se dizer que a musicalidade encontrada é uma sequência lógica de “Walls of Jericho”, algo mais visceral e duro, mesmo em meio às melodias intrincadas e bem feitas da banda. Mas mesmo assim, os duetos de guitarras, os solos, a técnica pesada de baixo e bateria, além das intervenções de teclado, deram uma carga mais pesada ao grupo. E nem mencionamos ainda a presença de convidados ilustres, citados acima.

E musicalmente, “Land of the Free” marca o início de uma ascensão meteórica do GAMMA RAY. Tudo porque em existem clássicos que persistem nos setlists dos shows até os dias de hoje, como as destruidoras de pescoços “Rebellion in Dreamland” e “Man on a Mission” (ambas cheias de ótimas mudanças rítmicas e belos duetos de guitarras, fora os chorais grandiosos), a curta e rápida “Fairytale”, a pegada dura e agressiva de “Gods of Deliverance” (onde baixo e bateria debulham, mantendo um peso absurdo e diversificado), a emotiva “Farewell”e seus lindos arranjos de piano (uma homenagem ao amigo Ingo Schwichtenberg, ex-baterista do HELLOWEEN que se suicidou em março de 1995), a excitante e envolvente “Land of the Free” e seus corais formidáveis (além de bels arranjos), e a selvageria de “Time to Break Free” (os vocais de Michael Kiske casaram como uma luva com o som do grupo). Essas são as melhores do disco 1, que é são as canções originais do disco.

Mas como toda festa tem presentes, eles estão no disco 2.

Primeiro, uma versão do grupo para o clássico “Heavy Metal Mania”, do grupo da NWOBHM HOLOCAUST, que ficou excelente nessa roupagem mais moderna (e era bônus exclusivo da versão japonesa do CD), a inédita “As Time Goes By” (faixa de “Sign No More” em sua versão da pré-produção, com vocais de Kai), além de “The Silence ‘95” (que só aparecera no EP “Silent Miracles”), além das versões instrumentais ao vivo de“Dream Healer”, “Tribute to the Past”, “Heaven Can Wait” e “Valley of the King”, todas Chameleon Studios em 2017 (as duas primeiras) e em 2016 (as duas últimas).

No mais, para quem ainda não tinha “Land of the Free”, é uma ótima chance de adquirir sua cópia. Para quem tem a original vale pela remasterização e pelos extras. E para todos, um disco fenomenal!

Nota: 10,0/10,0



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

EDEN SEED (Thrash/Heavy/Metal Eclético - São Paulo/SP)


Banda: EDEN SEED

Estilo: Thrash Metal/Heavy Metal/Eclético mas sempre Metal

Início de atividades:29/06/2016

Discos lançados: EP “Rising Up” / Single “Maria Candelária”

Formação atual: Luis Henrique (Vocal), Gisele Marie Rocha (Guitarras), Matheus Manente (Baixo), Marcos Henrique (Bateria)

Cidade/Estado: São Paulo (SP)

Influências musicais: Cada vez se torna mais estranho e algo incômodo falar sobre as influências do EDEN SEED, porque a banda tem incontáveis influências, nem todas são de metal, muitas são incompreensíveis e a banda é realmente eclética, embora seja sempre extremamente pesada. Eu (Gisele Marie Rocha) poderia citar aqui PANTERA, MEGADETH, BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST, OZZY, ANTHRAX, mas isto é muito pouco e limitador para citar o grande e variado número de influências da banda.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Gisele Marie Rocha:O EDEN SEED só surgiu devido à minha insatisfação em relação à atuação da banda que eu tocava antes. Então eu saí daquela banda em agosto de 2015 decidida a formar uma nova banda para mim, uma nova banda de metal, com horizontes musicais mais amplos, pesada como todo o meu trabalho até hoje, e mais atuante. Bem, música é o meu trabalho, a minha profissão e a minha vida, e eu acredito que todos os membros da banda também sentem isto, e é por isso que temos uma banda.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Gisele: Tocar em uma banda de Metal no Brasil já é por si só uma dificuldade, mas nós acreditamos de fato na globalização e no alcance mundial através da internet. O cenário no Brasil está difícil porque os espaços para banda autoral são ou limitados ou ineficientes, e o público brasileiro é extremamente colonizado, mas os objetivos do EDEN SEED sempre foram relacionados ao mercado mundial, então seguimos em frente.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Gisele: A estrutura nunca é boa no Brasil, em qualquer cidade. São Paulo não foge à regra, e tudo isto é agravado pela situação difícil do cenário econômico atual. Temos feito shows com certa frequência, mas como o EDEN SEED é uma banda muito nova e nós estamos no momento concentrados na produção do nosso primeiro full álbum, que deverá ser lançado no começo de 2018, então eu acho que vamos começar a encarar shows mesmo a partir do ano que vem.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Gisele: Isto é um tipo de comentário de quem parou no tempo e está olhando para trás em vez de olhar para frente. O Metal é um estilo de música, que nunca irá acabar. Quantas vezes será que o fim do blues, do rock em geral, do jazz, da música erudita, foi declarado? No entanto, todos estes estilos de música continuam mais vivos do que nunca e sempre estarão vivos. Assim é com o Metal, que no fim das contas é um estilo musical, como estes que eu citei! Metal nunca vai acabar! Metal não é moda, é música.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Gisele: O que é dar certo? O Brasil já passou por fases em que o cenário musical em geral, e isto transcende o Metal, era tão bom quanto em qualquer outro canto do mundo, como Europa, Estados Unidos, Ásia... O problema não é o Metal em si, mas sim o cenário brasileiro atual, onde você tem pouco espaço para a arte em geral no país, uma população com poucas oportunidades de variação cultural, cuja atenção e capacidade cognitiva é bem direcionada para descartáveis e coisas fugazes. Mas falando especificamente em termos de Metal, falta muita coisa, falta a atuação realmente profissional de pessoas e equipes que atuam no cenário, falta sempre a união de bandas e público, mas a mudança está em todos nós que atuamos no cenário Metal e não estamos fazendo a nossa parte, todos nós, músicos, produtores, bookmakers, empresários, casas de shows, etc...


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Gisele: Não adianta ficar reclamando da realidade se você não tem uma atuação positiva e não faz a sua parte! Cultive e exercite a consciência, opinião própria, senso crítico, seja você mesmo, e paz para todos!


Links para contatos:
EDEN SEED – PÁGINA OFICIAL NO FACEBOOK: https://www.facebook.com/EdenSeedBand/

EDEN SEED – SITE OFICIAL: http://www.eden-seedband.com/

Links para audição: https://soundcloud.com/eden-seed

OBS.: se a banda possuir discos no Bandcamp, Soundcloud, e clipes oficiais, coloque-os aqui.
EDEN SEED – CANAL DA BANDA NO YOUTUBE: https://www.youtube.com/channel/UCt2y9oH-Z3gMv2fDOAhm7Uw

BANDCAMP: https://edenseed.bandcamp.com/


Vejam o vídeo para “No Violence”, novo Single do EDEN SEED:

SAND CRUSADER (Death Metal Progressivo - Belém/PA)


Estilo: Death Metal Progressivo

Início de atividades: 2016

Discos lançados: "Sand Crusader"

Formação atual:
Wael Daou - guitarra
Tiago Belem - bateria
Gleyson Souza - baixo
Edu Lobo - vocal

Cidade/Estado: Belém/PA

Influências musicais: DEATH, Jason Becker.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Wael Daou: A banda começou com o intuito de tocar o álbum recém lançado do guitarrista Wael Daou, e com o passar do tempo foi tomando proporções maiores a cada show! Hoje estamos em processo de composição de um novo disco.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Wael: Locais para shows, estrutura e incentivo, falta de cachês e dificuldade em vender material autoral.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Wael: Temos pessoas focadas e esforçadas pra fazer com que cena ande! Graças a elas estamos conseguindo nos apresentar. A cena autoral em Belém é enorme e cheia de bandas incríveis esperando oportunidades.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Wael: O Metal é um estilo de vida... um modo de pensar e nunca morrerá! Basta o público se interessar por bandas novas e dar espaço a elas.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Wael: Apoio do público. Artista de modo geral no Brasil e no mundo não é valorizado até que estoure...


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Wael: Apoie a cena local e consuma os seus produtos! Isso ajuda a banda a manter suas atividades!




Vejam o vídeo de "Thorns of Joy", do disco "Sand Crusader":

ASKE - Broken Vow


EP
2018
Nacional

Tracklist:

1.      Meadows in Shade
2.      Menschwerdung
3.      Broken Vows
4.      Mardi Gras
5.      Übermensch


Banda:


Filipe Salvini - Vocais, baixo
Lucas Duarte - Guitarras


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/bandas/ASKE/27(Sangue Frio Produções)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As terras de São Carlos (SP) estão realmente em polvorosa em termos de Metal há alguns anos. Parece que a cidade virou um criadouro de nomes promissores. Um deles é o da dupla ASKE, que está há 8 anos na estrada, e que acaba de lançar o EP “Broken Vow”, um material de primeira para fãs de Meta extremo.

Tramitando em um meio termo entre o Death Metal e o Black Metal, a banda mostra intimidade com o que faz, além de ir além do que muitos medalhões do gênero fazem. Existem passagens onde melodias surgem em meio ao clima agressivo criado pelas canções do grupo, tempos que mudam bastante, boa técnica instrumental e um trabalho bem diferente em termos de vocais, com o uso de um timbre gutural mais enxuto. E sim, eles são bem criativos, algo que anda em baixa no Death/Black Metal.

Em termos de sonoridade, o trabalho feito na produção de “Broken Vow” é muito, muito bom, e vai além das expectativas. Os timbres instrumentais estão enxutos, claros e acessíveis aos ouvidos, mas mantendo o peso e agressividade que as músicas precisam. Parabéns ao produtor, pois em um país onde produzir Metal é um processo semelhante a tirar água de pedra, está ótima a sonoridade do EP.

A arte é bem simples, funciona e direta, mantendo a atenção do ouvinte apenas naquilo que o grupo tem de melhor: sua música.

E como eles têm talento!

Ouvir “Broken Vow”é um prazer, pois como já dito acima, o ASKEnão tem compromisso com fórmulas musicais, faz o que lhes dá na telha, e que se dane o resto. Os arranjos da banda são de primeira, com muito esmero, a dinâmica entre os instrumentos e vocais é excelente. É daquelas bandas que se ouve e se pergunta logo “por que diabos não os conheci antes?”, e não é exagero: eles estão no ponto para serem uma referência para muitos.

O EP abre com a trabalhada “Meadows in Shade”, cheia de mudanças de andamento, indo de passagens cadenciadas densas a outras mais velozes, sempre com ótimo trabalho das guitarras (que riffs), seguida por “Menschwerdung”, cheia de agressividade e mais focada na velocidade, com alguns arranjos próximos ao Thrash Metal em muitos momentos, mas é rica de arranjos, logo, fique bem atento. Em “Broken Vows”, a banda usa de harmonias que lembram bastante a de bandas seminais de Death Metal melódico de Gotemburgo, com baixo e vocais fazendo um trabalho de primeira linha (e que belo solo de guitarra, cheio de ótimas melodias). Mais ganchuda e com uma pegada densa e moderna é “Mardi Gras”, com arranjos que beiram o Heavy Metal tradicional, com a base rítmica da banda dando uma aula. E fechando, a banda mostra uma regravação de “Übermensch”, música presente no primeiro álbum do grupo, (“Once...”, de 2015), em que o grupo mostra um jeitão agressivo mais tradicional em termos de Death/Black Metal, mas muito bem temperado de criatividade e boas conduções de ritmo, fora o vocal usando um timbre mais esganiçado que casou muito bem com as linhas melódicas da canção.

O único defeito é ser um EP, e não um álbum. Mas “Broken Vow”, que sairá apenas no formato digital, é uma prévia do que o ASKEestá aprontando para seu segundo álbum, ainda sem data de lançamento precisa. Mas a banda vai ganhar mais fãs com esse EP, isso é certo!

Nota: 9,1/10,0

BELPHEGOR - Totenritual


Full Length 
2017
Nacional


Tracklist:

1. Baphomet
2. The Devil’s Son
3. Swinefever - Regent of Pigs
4. Apophis - Black Dragon
5. Totenkult - Exegesis of Deterioration
6. Totenbeschwörer
7. Spell of Reflection
8. Embracing a Star
9. Totenritual


Banda:


Helmuth Lehner - Vocais, guitarras
Serpenth - Baixo
Bloodhammer - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Algumas bandas, mesmo sem se tornarem lideranças dentro de seus respectivos estilos, são tão criativas e possuem uma legião fiel de fãs que ganham o notório status de “cult”. Um dos mais recentes é o grupo austríaco BELPHEGOR, conhecido pela energia de sua música crua, mas de bom gosto. E após o bem sucedido “Conjuring the Dead”, é a vez do trio destruir pescoços com “Totenritual”, seu mais recente disco, lançado no Brasil pela dobradinha Shinigami Records e Nuclear Blast Brasil.

O estilo do grupo é o mesmo, aquele Death/Black Metal carregado e vibrante, cheio de energia e com boa noção técnica. Mas a banda diminuiu o nível de extremismo musical, já que os tons instrumentais não estão tão baixos e opressivos como em “Conjuring the Dead”. Sim, eles deram um passo atrás em termos de sonoridade, mas deram muitos passos adiante, já que a estética usada no álbum é extremamente criativa, permitindo que algumas melodias surjam de forma espontânea no meio da agressividade de suas canções. Mas a verdade seja dita: a banda está em um nível de criatividade bem alto, mas mantendo a espontaneidade de sempre.

A combinação de um som brutal e intense com uma estética mais limpa (que não deixa o grupo sem peso) é um dos pontos mais fortes de “Totenritual”. Os trabalhos de Jason Suecof na mixagem e de Mark Lewis na masterização permitiram que a música do grupo continuasse com suas características mais primordiais, mas que fosse mais inteligível. E justamente os timbres instrumentais não tão extremos como antes ajudaram muito nesse sentido.

Na capa, com uma arte obscura e sinistra, vemos o sentimento caótico da música da banda exposto de forma gráfica. Mais uma vez, o trabalho de Seth Siro Anton é ótimo, e soma pontos.

Tecnicamente, se percebe que o BELPHEGOR se aprimorou, e que está mais solto e espontâneo. Fruto de muito trabalho e de turnês incessantes, o que lapidou o trabalho do grupo, e novamente, afirmamos que “Totenritual”é o ápice do talento da banda até os dias de hoje, seu melhor trabalho.

Juntando uma qualidade sonora bem feita como talento musical deles, fica claro que as 9 canções do álbum são todas excelentes. Mas por mera referência ao leitor, destacam-se a força técnica e o peso da base rítmica de “Baphomet” (a ambientação agressiva e sinistra, mostrando uma criatividade que antes era mais subjetiva), a velocidade e riffs azedos de “The Devil’s Son” (as guitarras estão excelentes, destroçando os tímpanos dos menos acostumados), a técnica esmagadora de crânios mostrada em “Swinefever - Regent of Pigs”, a mezzo veloz e mezzo cadenciada “Totenkult - Exegesis of Deterioration” (uma mostra de como os vocais urrados da banda podem ser versáteis), a condução perfeita de tempos feita pelo baixo e a bateria em “Spell of Reflection”, os cantos Gregorianos em formatação Death Metal que são ouvidos na ótima “Embracing a Star”, e a velocidade amassa-crânios de “Totenritual”. Mas é necessário frizar mais uma vez: todas as canções são ótimas.

Mesmo que nunca seja reconhecido como merece, o BELPHEGOR é uma das forças-motrizes do Death/Black Metal atual. Ouçam “Totenritual” e comprovem por si mesmos!

Nota: 9,4/10,0