terça-feira, 19 de dezembro de 2017

SAND CRUSADER (Death Metal Progressivo - Belém/PA)


Estilo: Death Metal Progressivo

Início de atividades: 2016

Discos lançados: "Sand Crusader"

Formação atual:
Wael Daou - guitarra
Tiago Belem - bateria
Gleyson Souza - baixo
Edu Lobo - vocal

Cidade/Estado: Belém/PA

Influências musicais: DEATH, Jason Becker.


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Wael Daou: A banda começou com o intuito de tocar o álbum recém lançado do guitarrista Wael Daou, e com o passar do tempo foi tomando proporções maiores a cada show! Hoje estamos em processo de composição de um novo disco.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Wael: Locais para shows, estrutura e incentivo, falta de cachês e dificuldade em vender material autoral.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Wael: Temos pessoas focadas e esforçadas pra fazer com que cena ande! Graças a elas estamos conseguindo nos apresentar. A cena autoral em Belém é enorme e cheia de bandas incríveis esperando oportunidades.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Wael: O Metal é um estilo de vida... um modo de pensar e nunca morrerá! Basta o público se interessar por bandas novas e dar espaço a elas.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Wael: Apoio do público. Artista de modo geral no Brasil e no mundo não é valorizado até que estoure...


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Wael: Apoie a cena local e consuma os seus produtos! Isso ajuda a banda a manter suas atividades!




Vejam o vídeo de "Thorns of Joy", do disco "Sand Crusader":

ASKE - Broken Vow


EP
2018
Nacional

Tracklist:

1.      Meadows in Shade
2.      Menschwerdung
3.      Broken Vows
4.      Mardi Gras
5.      Übermensch


Banda:


Filipe Salvini - Vocais, baixo
Lucas Duarte - Guitarras


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/bandas/ASKE/27(Sangue Frio Produções)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As terras de São Carlos (SP) estão realmente em polvorosa em termos de Metal há alguns anos. Parece que a cidade virou um criadouro de nomes promissores. Um deles é o da dupla ASKE, que está há 8 anos na estrada, e que acaba de lançar o EP “Broken Vow”, um material de primeira para fãs de Meta extremo.

Tramitando em um meio termo entre o Death Metal e o Black Metal, a banda mostra intimidade com o que faz, além de ir além do que muitos medalhões do gênero fazem. Existem passagens onde melodias surgem em meio ao clima agressivo criado pelas canções do grupo, tempos que mudam bastante, boa técnica instrumental e um trabalho bem diferente em termos de vocais, com o uso de um timbre gutural mais enxuto. E sim, eles são bem criativos, algo que anda em baixa no Death/Black Metal.

Em termos de sonoridade, o trabalho feito na produção de “Broken Vow” é muito, muito bom, e vai além das expectativas. Os timbres instrumentais estão enxutos, claros e acessíveis aos ouvidos, mas mantendo o peso e agressividade que as músicas precisam. Parabéns ao produtor, pois em um país onde produzir Metal é um processo semelhante a tirar água de pedra, está ótima a sonoridade do EP.

A arte é bem simples, funciona e direta, mantendo a atenção do ouvinte apenas naquilo que o grupo tem de melhor: sua música.

E como eles têm talento!

Ouvir “Broken Vow”é um prazer, pois como já dito acima, o ASKEnão tem compromisso com fórmulas musicais, faz o que lhes dá na telha, e que se dane o resto. Os arranjos da banda são de primeira, com muito esmero, a dinâmica entre os instrumentos e vocais é excelente. É daquelas bandas que se ouve e se pergunta logo “por que diabos não os conheci antes?”, e não é exagero: eles estão no ponto para serem uma referência para muitos.

O EP abre com a trabalhada “Meadows in Shade”, cheia de mudanças de andamento, indo de passagens cadenciadas densas a outras mais velozes, sempre com ótimo trabalho das guitarras (que riffs), seguida por “Menschwerdung”, cheia de agressividade e mais focada na velocidade, com alguns arranjos próximos ao Thrash Metal em muitos momentos, mas é rica de arranjos, logo, fique bem atento. Em “Broken Vows”, a banda usa de harmonias que lembram bastante a de bandas seminais de Death Metal melódico de Gotemburgo, com baixo e vocais fazendo um trabalho de primeira linha (e que belo solo de guitarra, cheio de ótimas melodias). Mais ganchuda e com uma pegada densa e moderna é “Mardi Gras”, com arranjos que beiram o Heavy Metal tradicional, com a base rítmica da banda dando uma aula. E fechando, a banda mostra uma regravação de “Übermensch”, música presente no primeiro álbum do grupo, (“Once...”, de 2015), em que o grupo mostra um jeitão agressivo mais tradicional em termos de Death/Black Metal, mas muito bem temperado de criatividade e boas conduções de ritmo, fora o vocal usando um timbre mais esganiçado que casou muito bem com as linhas melódicas da canção.

O único defeito é ser um EP, e não um álbum. Mas “Broken Vow”, que sairá apenas no formato digital, é uma prévia do que o ASKEestá aprontando para seu segundo álbum, ainda sem data de lançamento precisa. Mas a banda vai ganhar mais fãs com esse EP, isso é certo!

Nota: 9,1/10,0

BELPHEGOR - Totenritual


Full Length 
2017
Nacional


Tracklist:

1. Baphomet
2. The Devil’s Son
3. Swinefever - Regent of Pigs
4. Apophis - Black Dragon
5. Totenkult - Exegesis of Deterioration
6. Totenbeschwörer
7. Spell of Reflection
8. Embracing a Star
9. Totenritual


Banda:


Helmuth Lehner - Vocais, guitarras
Serpenth - Baixo
Bloodhammer - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Algumas bandas, mesmo sem se tornarem lideranças dentro de seus respectivos estilos, são tão criativas e possuem uma legião fiel de fãs que ganham o notório status de “cult”. Um dos mais recentes é o grupo austríaco BELPHEGOR, conhecido pela energia de sua música crua, mas de bom gosto. E após o bem sucedido “Conjuring the Dead”, é a vez do trio destruir pescoços com “Totenritual”, seu mais recente disco, lançado no Brasil pela dobradinha Shinigami Records e Nuclear Blast Brasil.

O estilo do grupo é o mesmo, aquele Death/Black Metal carregado e vibrante, cheio de energia e com boa noção técnica. Mas a banda diminuiu o nível de extremismo musical, já que os tons instrumentais não estão tão baixos e opressivos como em “Conjuring the Dead”. Sim, eles deram um passo atrás em termos de sonoridade, mas deram muitos passos adiante, já que a estética usada no álbum é extremamente criativa, permitindo que algumas melodias surjam de forma espontânea no meio da agressividade de suas canções. Mas a verdade seja dita: a banda está em um nível de criatividade bem alto, mas mantendo a espontaneidade de sempre.

A combinação de um som brutal e intense com uma estética mais limpa (que não deixa o grupo sem peso) é um dos pontos mais fortes de “Totenritual”. Os trabalhos de Jason Suecof na mixagem e de Mark Lewis na masterização permitiram que a música do grupo continuasse com suas características mais primordiais, mas que fosse mais inteligível. E justamente os timbres instrumentais não tão extremos como antes ajudaram muito nesse sentido.

Na capa, com uma arte obscura e sinistra, vemos o sentimento caótico da música da banda exposto de forma gráfica. Mais uma vez, o trabalho de Seth Siro Anton é ótimo, e soma pontos.

Tecnicamente, se percebe que o BELPHEGOR se aprimorou, e que está mais solto e espontâneo. Fruto de muito trabalho e de turnês incessantes, o que lapidou o trabalho do grupo, e novamente, afirmamos que “Totenritual”é o ápice do talento da banda até os dias de hoje, seu melhor trabalho.

Juntando uma qualidade sonora bem feita como talento musical deles, fica claro que as 9 canções do álbum são todas excelentes. Mas por mera referência ao leitor, destacam-se a força técnica e o peso da base rítmica de “Baphomet” (a ambientação agressiva e sinistra, mostrando uma criatividade que antes era mais subjetiva), a velocidade e riffs azedos de “The Devil’s Son” (as guitarras estão excelentes, destroçando os tímpanos dos menos acostumados), a técnica esmagadora de crânios mostrada em “Swinefever - Regent of Pigs”, a mezzo veloz e mezzo cadenciada “Totenkult - Exegesis of Deterioration” (uma mostra de como os vocais urrados da banda podem ser versáteis), a condução perfeita de tempos feita pelo baixo e a bateria em “Spell of Reflection”, os cantos Gregorianos em formatação Death Metal que são ouvidos na ótima “Embracing a Star”, e a velocidade amassa-crânios de “Totenritual”. Mas é necessário frizar mais uma vez: todas as canções são ótimas.

Mesmo que nunca seja reconhecido como merece, o BELPHEGOR é uma das forças-motrizes do Death/Black Metal atual. Ouçam “Totenritual” e comprovem por si mesmos!

Nota: 9,4/10,0
  

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

APPICE - Sinister (Álbum)


2017
Nacional

Tracklist:

1. Sinister
2. Monsters and Heroes
3. Killing Floor
4. Danger
5. Drum Wars
6. Riot
7. Suddenly
8. In the Night
9. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros in Drums
12. War Cry
13. Sabbath Mash


Banda:


Carmine Appice - Bateria, vocais
Vinny Appice - Bateria

Convidados:

Jim Crean - Vocais
Paul Shortino - Vocais (ROUGH CUTT, ex-QUIET RIOT)
Robin McAuley - Vocais (MSG)
Chas West - Vocais (Ex-LYNCH MOB)
Scotty Bruce - Vocais
Craig Goldy - Guitarras (Ex-DIO, ex-GIUFFRIA)
Bumblefoot - Guitarras (Ex-GUNS N’ ROSES)
Joel Hoekstra - Guitarras (WHITESNAKE)
Mike Sweda - Guitarras (BULLETBOYS)
Erik Turner - Guitarras (WARRANT)
David Michael Phillips - Guitarras (KING KOBRA)
Tony Franklin - Baixo (Ex-BLUE MURDER, ex-THE FIRM)
Phil Soussan - Baixo (Ex-OZZY OSBOURNE)
Johnny Rod - Baixo (KING KOBRA, ex-WASP)
Jorgen Carlson - Baixo (GOV’T MULE)
Erik Norlander - Teclados (LANA LANE)
  

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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Embora não seja incomum ver parentes envolvidos no mundo musical, a relação Metal/Rock com a família nunca foi algo muito harmonioso. Mas em alguns casos, familiares próximos se dão bem dentro desse universo. E no caso singular dos irmãos Appice, o mais velho, Carmine (conhecido por seus trabalhos em bandas como VANILLA FUDGE, KING KOBRA, e com músicos como Rod Stewart e Ozzy Osbourne), acabou sendo aquele que levou o mais novo, Vinny(ele mesmo, que passou pelo BLACK SABBATH, HEAVEN AND HELL, DIO, KILL DEVIL HILL, LAST IN LINE e muitos outros) a seguir pelo mesmo caminho: a bateria. Mas estranhamente, os irmãos nunca haviam chegado a um trabalho conjunto até hoje. Mas agora, como “Sinister”, e sob o nome APPICE, eles finalmente estão juntos, dando uma aula de Metal/Rock. E a Shinigami Records deu aquela forcinha providencial e colocou o disco no mercado nacional.

Para início de conversa, em “Sinister”, o estilo musical é bem esperado: aquele sempre ótimo e melodioso Hard’n’Heavy de primeira, com refrãos ganchudos, harmonias de primeira, e uma completa despretensão musical. Isso, os Appice Brothers não estavam a fim de criar um clássico musical (e nem precisam, porque já tocaram em muitos), não quiseram renovar o gênero, e nem nada do tipo, mas apenas tocar livres de qualquer pressão. E é justamente isso que faz do álbum um disco essencial: sua espontaneidade.

Aliás, precisa de algo mais que isso para ser bom demais?

Carmine e Vinny, com toda experiência que têm, produziram “Sinister”, mas gravaram suas partes em locais diferentes (assim como os convidados), e sobrou uma batata quente para Steve DeAcutis, que mixou e masterizou o disco. E o trabalho dele é de primeira, pois conseguiu não só diluir as diferenças, mas deu peso e coesão às músicas, bem como a sonoridade é clara. A arte, assim como a música, é despretensiosa, sem aspirações revolucionárias, mas mesmo assim, muito bem feita, com todas as informações de quem tocou em cada uma das canções.

E se preparem, porque se tem uma característica que “Sinister” ostenta com orgulho é de ser aquele tipo de álbum que se houve vezes e vezes seguidas sem que enjoemos dele. É bateu, grudou, viciou! E um detalhe: eles tocam juntos!

Isso mesmo: eles tocam bateria juntos em todas as faixas, o que dá aquele toque de novidade ao disco!

São 13 pancadas Hard/Metal para nenhum fã botar defeito, todas ótimas, mas o embalo descompromissado e envolvente de “Sinister” (pegada pesada absurda), o toque acessível na pesada “Monsters and Heroes” (única com letra no encarte, uma homenagem ao Mestre e Herói Ronnie James Dio, e uma aula de emoção na voz de Paul Shortino), a quebradeira cadenciada e densa de “Killing Floor” (riffs de primeira) e de “Danger”, os duelos de bateria ouvidos em “Drum Wars” (exibição de gala dessas feras), o toque Blues/Country da hardona “Riot”, a ambientação mais introspectiva, embora pesada, de “In the Night” (um típico Hard’n’Heavy americano dos anos 80), as partes mais cheias de feeling e emoção de “Future Past”, o swing/Groove presente nos ritmos de “Bros in Drums” e em “War Cry”. Mas como é surpreendente a faixa “Sabbath Mash”, obviamente um medley do BLACK SABBATH, mas que vai deixar alguns surpresos por serem trechos de “Iron Man”, “War Pigs” e “Paranoid”, ou seja, nada da época em que Vinny tocou na banda, e parece um tributo ao Mestre Bill Ward e sua influência em todos nós.

Sinceramente, se o APPICEnão lançar mais discos no future, vai ser um enorme desperdício, pois “Sinister” é um discão de primeira categoria!

Nota: 9,6/10,0

DORSAL ATLÂNTICA - Canudos (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Canudos
2.      Belo Monte
3.      Não Temos Nada a Temer
4.      O Minuto Antes da Batalha
5.      Carpideiras
6.      A Conselheira
7.      Sonho Acabado
8.      Cocorobó
9.      Araçá do Peito Azul de Lear
10.  Gravata Vermelha
11.  Liberdade
12.  Favela
13.  Ordem e Progresso


Banda:


Carlos “Vândalo” Lopes - Vocais, guitarras
Cláudio “Cro-Magnon” Lopes - Baixo
Américo Mortágua - Bateria


Contatos:

Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://www.blacklegionprod.com (Black Legion Productions)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um dos episódios mais tristes, e ainda assim inspirador, da história de nosso país é, sem sombra de dúvidas, a Guerra de Canudos.

Para aqueles que não conhecem bem a história, o conflito ocorreu entre 1896 e 1897, quando o exército brasileiro entrou em combate contra integrantes do arraial de Canudos, no interior da Bahia, e que era liderada pelo Beato Antônio Conselheiro.

O crime: a comunidade de Canudos era um arraial onde os menos favorecidos, sempre humilhados pelos grandes senhores da produção agropecuária de nosso país e abandonados pelo poder público, se reuniam e produziam para si mesmo os alimentos e viveres necessários. E pela orientação de Antônio Conselheiro(um líder social e religioso), tudo era partilhado de forma igualitária entre todos os habitantes do arraial (que ele batizara de Belo Monte). Nele, os excluídos e pobres, bem como os recém-libertos escravos, tinham um lugar no mundo onde poderiam ter uma vida simples, mas muito menos amarga e sofrida do que a alternativa oferecida pelo governo do país ou os grandes coronéis das fazendas, sob as bênçãos da igreja.

Antônio Conselheiro sofreu um longo e penoso processo de difamação pública, onde fora alegado que ele seria defensor da monarquia, e que os habitantes de Canudos iriam buscar reinstaurar um governo monárquico com armas compradas pela Princesa Isabel. Até mesmo fora acusado de loucura, tese que até os dias de hoje impedem o reconhecimento dele como um líder comunitário empreendedor. No fundo, Conselheiro seria, aos olhos de todos os mais atentos, um homem que queria apenas dar uma opção de vida melhor aos menos favorecidos, usando uma visão religiosa voltada ao cristianismo bíblico original, citado em Atos dos Apóstolos (capítulo dois, versículos 44 a 47), onde tudo era dividido entre todos.

Canudos resistiu e rechaçou três expedições militares, caindo diante da quarta. A opinião pública exigiu a aniquilação total do arraial, e assim, o sangue de 20.000 pessoas regou o sólido árido do sertão baiano. Muitos foram degolados, e o cadáver de Antônio Conselheiro (que morrera poucos dias antes do final da guerra, possivelmente tendo por causa mortis disenteria) foi retirado de seu túmulo e decapitado, e sua cabeça enviada para análise na Faculdade de Medicina de Salvador, onde seria examinada Dr. Nina Rodrigues (a ciência da época tinha a crença de que “a loucura, a demência e o fanatismo” deveriam apresentar alterações de seu rosto e crânio). Em 03/03/1905, um incêndio atinge a antiga Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, em Salvador (BA), destruindo a cabeça de Antônio Conselheiro (que lá estava desde o final da guerra de Canudos).

Triste, mas inspirador para todos aqueles que, independente de orientação política, acreditam em um mundo melhor, e que Conselheiro teria sido um homem de visão.

E tendo este tema histórico rico como fundo, eis que o trio carioca DORSAL ATLÂNTICA vem com seu disco mais recente, “Canudos”, e mais uma vez, mostram que continuam sendo pioneiros.

O estilo do grupo continua sendo o mesmo de sempre, aquela mistura de Metal e Hardcore cheia de energia, que tem a crueza dos anos 80, mas que nas mãos da banda ganha um brilho cheio de vida. Ou seja, diferente de muitos, o som do grupo não soa velho ou datado, mas com uma agressividade enorme, e disposto a continuar ensinando sua filosofia musical destruidora de ouvidos a todos. Isso é o que o DORSAL ATLÂNTICA oferece, e acredite: é de primeira!

Ao falar da questão da produção sonora, é preciso ter em mente que o grupo sempre busca uma sonoridade mais visceral e crua. Por isso, a qualidade é muito boa e orgânica, casando perfeitamente com a proposta sonora do disco. Os timbres são os mais simples que se possa ter, de forma que reflitam um tipo de som próximo ao que se ouve em shows. E embora a estética seja simples, o trabalho de Carlos Lopes na produção, mais a captação e mixagem de Elton Bozza no Superfuzz Studio (SP), e a masterização de Gabriel Zander no Costella Studio (SP) são garantias de que tudo funcionasse como a concepção de “Canudos”demanda.

Foto de Antônio Conselheiro tirada por Flávio de Barros.
Agora, falar do lado gráfico é algo que requer muita paciência, pois é lindíssima a apresentação. A capa é como a dos antigos discos de vinil, dupla, tendo em seu interior o tradicional crânio cheio de pregos e mais uma imagem estilizada da única foto conhecida de Antônio Conselheiro (tirada por Flávio de Barros no dia 6 de outubro de 1897, quando o corpo foi retirado da sepultura). O disco tem dois encartes: um onde as letras são disponibilizadas sobre uma textura que lembra o solo do sertão, e o outro, onde constam os agradecimentos aos financiadores do projeto, bem como tem um pôster de Antônio Conselheiro transfigurado como um anjo a defender os menos favorecidos. Nele, ainda constam imagens e textos referentes a mortes (ou seriam execuções) arquitetadas por governantes. Um manifesto que mostra que a Guerra deCanudos é mais um evento onde a morte dos que buscam a melhoria de muitos é o desejo dos que possuem o poder e o dinheiro, e que não estão dispostos a dividir uma migalha que seja.

Musicalmente, “Canudos”representa um lado mais maduro do DORSAL ATLÂNTICA, uma vez que no meio da massa sonora da banda se percebem algumas passagens que remetem aos ritmos regionais do Nordeste (como fica claro em “Favela”), mas o foco é mesmo aquele Hardcore Metal/Metal Punk com jeitão Thrash que o trio sempre fez. Além disso, o lado militante e consciente surge porque essa obra não só fala do passado, mas do presente. Sim, os temas de “Canudos”perfazem a atual situação política/social de nosso país, já que apesar das mudanças visíveis, a alma do governo atual é a mesma dos tempos de Prudentes de Moraes (que iniciou a ofensiva contra Canudos e autorizou a carnificina), que promove os mesmos genocídios que Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, que demanda o sangue dos pobres como Getúlio Vargas em seu período ditatorial (que chacinou sem dó os cangaceiros), e mesmo no período do Regime Militar (quantas vidas não foram ceifadas nos porões do DOI CODI). Entre eles e Michel Temer, a diferença é apenas o tempo e a metodologia, mas o sangue derramado e as injustiças não mudam.

O disco abre com a instrumental intimista “Canudos”, que antecede a agressividade Metal/HC de “Belo Monte”, onde se percebe as mudanças de tempo ótimas da base rítmica (Belo Monte é o nome dado por Conselheiro a Canudos, representando a esperança de uma vida melhor para os desfavorecidos, inclusive citando a profecia que o sertão iria virar mar), seguida da força impactante de “Não Temos Nada a Temer”, onde as guitarras mostram riffs incríveis (se repararem existe uma ligação poética entre o passado e o presente do Brasil nas letras). Toques regionais surgem nas melodias de “O Minuto Antes da Batalha”, com um ritmo um pouco mais cadenciado (onde vemos um discurso de Conselheiro, que fala os nomes do Tenente policial Manuel da Silva Pires Ferreira, de Febrônio de Brito, do carniceiro Moreira César, Artur Oscar, bem como denuncia a falácia de que os canudenses iriam lutar contra a república). “Carpideiras” é uma triste instrumental de guitarras, absorvendo o significado de seu título, antecedendo as linhas harmonias rascantes de “A Conselheira”, onde os vocais vão trazendo aquele velho carrego agressivo dos anos 80 (e a letra narra basicamente a estruturação do arraial, dos postos e lideranças). Um ar que remete diretamente ao clima denso de “Antes do Fim” surge em “Sonho Acabado”, com uma construção musical mais simples e que beira o HC, mas cheia de uma crueza energética de primeira e de ótimas guitarras (a letra traça um paralelo do fim de Canudos com outros momentos históricos do Brasil, onde as forças ocultas do poder mataram tantos que buscaram melhorar o país).  Em “Cocorobó”, o clima agressivo continua, a mesma energia crua do grupo, apenas com uma estética melódica mais apurada, além do peso bruto de baixo e bateria (Cocorobó é um açude da região, que veio a inundar a região original de Canudos, cumprindo a profecia de Antônio Conselheiro, mas a letra fala da encarniçada luta que levou ao fim de Belo Monte). Um toque subjetivo de Rock anos 70 surge em “Araçá do Peito Azul de Lear”, uma canção com peso e uns toques psicodélicos que encaixaram como uma luva (o nome da canção é de um pássaro típico da região, as letras já fazem referência ao dilúvio causado pelo açude meio século depois da guerra). A força dos tempos de “Alea Jacta Est” surge com muita fúria em “Gravata Vermelha”, contrastando com melodias intensas e muito peso, com mais uma aula de mudanças de timbres dos vocais (e o título é uma referência à degola dos canudenses, algo que ocorreu, quebrando a promessa feita de que não existiriam execuções, já que o poder político não possui honra e não cumpre suas promessas, algo que vemos pela história da república de nosso país). “Liberdade” mostra-se regada de ritmos regionais em meio ao peso abrasivo dos arranjos de guitarras e vocais, assim como surgem em “Favela” e seu andamento eclético e bem feito, enquanto a brutalidade e agressividade imperam em “Ordem e Progresso”, que fecha o disco com uma golfada de fúria HC. As letras delas são uma lembrança do legado de liberdade, do sonho de igualdade chamado Canudos (“Liberdade”), que o legado do poder público em todas as suas instâncias é a opressão e a destruição da dignidade humana (“Favela”), e que para alcançar o sonho de um mundo melhor, é preciso lutar, resistir até o fim e sem ceder, já que entre lindas, recatadas e do lar, conservocratas sujos que oram em nome de Deus, mas amam somente o dinheiro e o poder (“Ordem e Progresso”). Todos novos senhores das senzalas, todos os novos demônios denunciados por Antônio Conselheiro no passado.

No mais, “Canudos” é uma opera Rock de primeira qualidade, e já figura entre os grandes discos feitos no Metal brasileiro.

Sobreviventes de Canudos após a rendição.

“Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”. (Euclídes da Cunha - Os Sertões)

Nota 10,0/10,0

STILL LIVING - YmmiJ (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional
  
Tracklist:

1.      Reign of Pills
2.      On the Edge
3.      Call of the Night
4.      Dusty Blue Shadow
5.      Listen to Me
6.      The Man I’ve Become
7.      King of Nothing
8.      Haunted
9.      Peace or Pieces
10.  Who Are You
11.  Mr. Mirror
12.  I.M. Jimmy
13.  Jane
14.  Cult of the Rough Awakening
15.  In the Dark/As Shallow as It Gets
16.  Redemption (European Bonus Track)
17.  Haunted - Piano Version (Japanese Bonus Track)


Banda:


Renato Costa - Vocais
Eduardo Holanda - Guitarras
Thiago Nascimento - Teclados
Aldecy Souza - Baixo, pianos adicionais
Cleber Melo - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer discos conceituais é uma arte que anda cada vez mais escassa no mundo do Metal e do Rock ‘n’ Roll. Talvez seja um reflexo da sociedade imediatista dos últimos dez anos, onde se consome tudo de forma rápida, inclusive arte e cultura. Mas ainda há quem use o formato, e consiga resultados de primeira linha.

E nisso, o terceiro disco do STILL LIVING, “YmmiJ”, vem mostrar que se pode fazer música de qualidade aliada à letras inteligentes.

O Hard Rock/Melodic Rock da banda continua o mesmo, sempre bem feito e com arranjos esmerados, mas de fácil assimilação e com ótimos refrãos, guitarras ótimas, baixo e bateria com uma base sólida e de peso, teclados criando atmosferas interessantes. Mas lembrando: mesmo com melodias grudentas e uma estética acessível, o trabalho do quarteto é pesado e cheio de influências de outros gêneros musicais. E sendo um disco conceitual, a banda precisa ambientar cada canção para expressar a estória em questão, e mesmo nisso eles acertaram a mão.

A produção de “YmmiJ” ficou nas mãos da própria banda, tendo como coprodutor Aldecy Souza (que também mixou e masterizou o disco) . E a experiência acumulada nos anos de estrada os fez chegar a um nível muito bom de qualidade sonora, com uma gravação bem feita e o som fluindo de forma natural e intensa, mas sem que as melodias do grupo sejam perdidas. A crueza que se sente faz parte da música da banda, ela é assim.

Em termos de arte gráfica, verdade seja dita: a capa é ótima, dando uma ideia do conceito abordado nas letras. Mas a apresentação é bem leve e agradável, em um trabalho ótimo de Márcio Abreu (desenhos) e Vinícius Townsend (colorista), e um design ótimo para o encarte (feito por Eduardo Holanda, guitarrista do grupo).

A estória de Jimmy, personagem principal, é a estória de uma noite cheia de reviravoltas e uma mistura de vários sentimentos. É uma estória que poderia ser da sua vida, da minha, da vida de qualquer um, cheia de altos e baixos, enfim, que vale a pena ser decifrada pelo ouvinte com calma.

A grosso modo, o disco tem 15 canções, sendo que as versões europeia e japonesa terão bônus. E destacam-se a melodiosa e envolvente “Reign of Pills”, com seu jeitão meio THE WHO e seu belíssimo trabalho de vocais e teclados (Renato está cantando cada vez melhor, sem contar que se percebe uma ótima interpretação); o peso sujo e acessível de “On the Edge”e suas belas guitarras (Eduardo é mesmo um ás dos riffs); o peso duro, mas acessível, de “Call of the Night” (mostrando o valor do trabalho de Aldecy e Cleber); a grudenta e envolvente “Dusty Blue Shadow” e seu solo melodioso e eficiente; a Glam/AOR “Listen to Me” e suas melodias acessíveis, além dos teclados providenciais (verdade seja dita: Thiago sabe realmente dar vida às canções) e ótimo refrão; a pegada mais pesada de “The Man I’ve Become” e seu jeito Metal de ser; a balada sensível e terna que se ouve em “King of Nothing”(lindos detalhes em pianos, vocais versáteis e bela presença de baixo); o peso moderno e Progressivo de “Peace or Pieces” (lembra algo do DREAM THEATER do “Images and Words” em seus momentos mais lentos); a linda “Mr. Mirror”, recheada de mudanças de ritmo (começa como uma baladinha de voz e piano, mas logo vira um Hardão cheio de energia e vitalidade); a pegada ganchuda e envolvente de “I.M. Jimmy”(mais um refrão daqueles); a energia crua e direta de “Cult of the Rough Awakening”, a canção mais pesada do disco, mas com um swing forte, e a instrumental cheia de narrativas “In the Dark/As Shallow as It Gets”. Além dessas, a versão europeia tem o bônus de “Redemption”, uma linda balada de piano e voz, enquanto a versão japonesa tem como extra uma versão em piano e voz para “Haunted”. Ou seja, tirando as curtas instrumentais/introduções, todas as faixas são ótimas.

O STILL LIVING é uma banda de alto nível, e que já não tem mais espaço no Brasil. A música deles em “YmmiJ” já tem nível internacional.

Nota: 9,5/10,0

sábado, 16 de dezembro de 2017

Proposta de um modelo de release para kits digitais


Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Este autor, pela experiência em lidar com kits digitais do exterior, e tendo sempre em mente ajudar os iniciantes (e mesmo aqueles que não sabem), resolveu montar um modelo de press release que, muitas vezes, chegam sem nenhum tipo de padrão.

Um release não é uma biografia. É uma apresentação de uma banda, especialmente quando ela está em processo de divulgação de um disco. 

Óbvio que o exemplo abaixo tem referências humorísticas (ora, sejamos francos: umas boas risadas ajudam a descontrair).

Se o disco for conceitual, deve-se inserir no release informações sobre o tema. E sugiro o envio de um arquivo PDF avulso com as letras. Isso sempre ajuda o autor.

Lembrem-se sempre que um release simples e bem feito ajuda MUITO não só aos escritores, mas à própria banda.


MODELO:


Banda: Zé das Hortaliças Mutantes Cheias de Dentes 
Disco: O Ataque dos Pepinos Marcianos Devoradores de Lixo 
Selo: Nas Coxas Records (se não tiver um selo, escreva independente
Data de lançamento: 06/06/2666 

Breve histórico (Máximo 4 parágrafos curtos, e se for referente a um disco, todas as informações sobre ele são necessárias, como a ficha técnica) 

O quinteto  ZÉ DAS HORTALIÇAS MUTANTES CHEIAS DE DENTES  é  um grupo formado  por colegas de  expulsos do Seminário de Todos Os Santos (Rio de Janeiro/RJ), e busca fazer um Rock ‘n’ Roll de raiz, com letras cômicas, visando zoar a cara de tudo e todos. 

No disco  “O Ataque  dos Pepinos Marcianos Devoradores de Lixo”, a banda  vai rebuscar suas influências musicais mais primordiais, o que resulta em arranjos simples, mas com muita energia. 

Gravado no  estúdio  Preto Com Um Buraco No Meio,  sendo tutelados pelo produtor Pepino Kid, e tendo a mixagem de Tomate Gordo e a masterização de Jeca Aipo, a sonoridade crua e direta casa perfeitamente com a proposta do grupo.  

“Queríamos algo mais sujo e direto, mas que todos entendessem”, narra o guitarrista Joca Abacaxi

O  álbum é conceitual, e nas letras, sobre uma estética sacana e cheia de piadas, se encontram protestos contra todo mal que o homem faz ao planeta. 

O disco será lançado no formato físico em CD simples e vinil duplo, mas terá também versões digitais nas plataformas de internet. 

A banda disponibilizou duas faixas do disco para a audição:

1. (Usar plataformas que permitam compartilhamento nas redes sociais, em especial que permitam anexação em matérias em blogs e sites)
2. 


Tracklist (ESSENCIAL, pois economiza tempo do escritor): 

1. Os Pepinos Chegam (5:23) 
2. 
3. 
4. 
5. 


Banda (em ordem, um embaixo do outro, não lado a lado): 

Reverendo Mandioca - Vocais 
Joca Abacaxi - Guitarras 
Pastor Inhame - Teclados, backing vocals 
Padre Couve-Flor - Baixo 
Alface 0800 - Bateria 


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