quinta-feira, 12 de outubro de 2017

PRONG - Zero Days (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. However It May End
2. Zero Days
3. Off the Grid
4. Divide and Conquer
5. Forced Into Tolerance
6. Interbeing
7. Blood Out of Stone
8. Operation of the Moral Law
9. The Whispers
10. Self Righteous Indignation
11. Rulers of the Collective
12. Compulsive Future Projection
13. Wasting of the Dawn
14. Reasons to Be Fearful


Banda:


Tommy Victor - Guitarras, vocais
Mike Longworth - Baixo, backing vocals
Art Cruz - Bateria


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Por Marcos “Big Daddy” Garcia


No cenário Metal mundial, existem bandas tão lendárias e de status “Cult” que, quando lançam discos, podem não vender como as bandas do mainstream, mas fazem trabalhos tão sublimes quanto, quando não as ultrapassam em termos de qualidade musical. E talvez o mais influente e importante desses grupos Cult seja o trio PRONG, de Nova York (EUA). E nem se passou um ano e meio desde “X - No Absolutes”, e lá o grupo com um novo trabalho, o excelente “Zero Days”.

A fase criativa dessa gangue está ótima, já que a mistura de Thrash Metal e Hardcore com timbres e elementos Industriais, além de toques de Groove, está afiadíssima. Mesmo com a substituição de Jason Christopher por Mike Longworth (que já havia passado pelo trio entre 2003 e 2006), a força bruta e cheia de energia do disco não foi afetada. Aliás, em relação ao seu antecessor, “Zero Days” soa ainda mais agressivo, pesado e menos experimental, mas é de um bom gosto e consensualidade com o estilo do grupo, só um pouco mais bem esmerado. Ou seja, o grupo trabalhou duro e chega com mais um disco de primeira.

Novamente, o guitarrista/vocalista e líder do grupo, Tommy Victor, que desta vez teve a ajuda de Chris Collier na engenharia de som e na produção (e ele ainda mixou e masterizou o álbum). A sonoridade resultante é polida e translúcida, com timbres muito agressivos e secos (reparem bem como as guitarras estão bem pesadas), e o grupo soa compacto e abusivamente pesado. É bom tomarem cuidado com os ouvidos, já que a carga sonora de “Zero Days” é massiva e bruta!

A arte gráfica de Sebastian Rohde ficou de primeira, com uma capa crítica, e um layout mais simples, mas funcional e que se enquadra na crítica azedadas letras. É quase uma charada, que fica para o leitor decifrar.

Em “Zero Days”, o PRONG veio para triturar ossos com sua música bruta e moderna, que nunca soa datada, mas viva e agressiva até a alma. Como dito acima, por soar mais agressivo e direto que seu antecessor, o que os leva ao lado mais “hardcorizado” de sua música. Tanto o é que a duração média das canções não ultrapassa os 4 minutos. Mas é tempo suficiente para percebermos que o trio criou mais um disco fantástico, bem arranjado, e muito empolgante. E ponham no molho as participações especiais de Fred Ziomek nas guitarras adicionais em “Ruler of the Colletive”, e nas guitarra solo temos Chris Canella em “Interbeing”, Greg Harrison em “Zero Days”, e Marzi Montazeri em “Operation of the Moral Law”, além dos backing vocals de Steve Hernandez,  Justin “Rodan” Manning, Jason Williams e Chris Collier.

A ultra-agressiva e moderna “However It May End” com seu andamento veloz (mostrando uma base rítmica coesa e pesada), o massacre de riffs impostos na também veloz “Zero Days”, a mistura de Hardcore com sonoridades modernas de “Off the Grid” (preenchida por uma ambientação abrasiva, com muitos “inserts” Industriais), as melodias sedutoras e evolventes de “Divide and Conquer”, o tanque de guerra Crossover de “Forced Into Tolerance” e seu refrão empolgante (os vocais são sensacionais), as linhas melódicas introspectivas e quase melancólicas de “Blood Out of Stone”, o bombardeio de riffs ganchudos em “Operation of the Moral Law” (como as guitarras estão ótimas no disco todo!), a acessibilidade moderna e provocante de “The Whispers” (permeada por um trabalho rítmico ótimo), a crueza dura e direta de “Self Righteous Indignation”, e as linhas melódicas caprichadas dos vocais em “Compulsive Future Projection” e “Wasting of the Dawn” formam uma lista das melhores músicas, embora o disco inteiro seja maravilhoso. E como de praxe, a Shinigami Records nos brinda com uma versão brasileira exclusiva, já que temos a faixa-bônus “Reasons to Be Fearful”, que apesar do peso mamutesco das guitarras e da base rítmica, possui linhas melódicas bem pegajosas e um refrão daqueles que se ouve e não se esquece mais.

Um disco que mostra a essência de uma banda que sempre está adiante de seu tempo, pois o PRONG é assim. Logo, comprem e ouçam esse que é um dos melhores discos do ano!

PRONG é vida!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

THREE SIXES kicks off US tour Thursday


California-based industrial thrash four-piece THREE SIXES will strike out Thursday, October 12 for a two-week tour in support of their latest release, Know God, No Peace.

The band will be joined by PERPETUAL DEMENTIA and ARISE IN CHAOS for the first leg of the tour, which starts with a guaranteed rager in Colorado Springs. The tour will also see THREE SIXES hook up with ALLEGAEON in Denver and play two late October dates with MICHALE GRAVES (ex-MISFITS).

Tour dates are as follows:

w/ PERPETUAL DEMENTIA & ARISE IN CHAOS (10/12 - 10/22)

10/12 - Colorado Springs, CO @ Rocks
10/13 - Denver, CO @ Herman's Hideaway w/ ALLEGAEON
10/15 - Las Vegas, NV @ Adrenaline
10/16 - Long Beach, CA @ Backlight District
10/18 - Bend, OR @ Third Street Pub
10/19 - Lewinston, ID @ 3rd Wheel
10/20 - Portland, OR @ Rock Hard PDX
10/21 - Post Falls, ID @ Cruisers
10/22 - Seattle, WA @ Studio Seven 
10/25 - Ogden, UT @ Funk N' Dive w/ MICHALE GRAVES 

10/26 - Las Vegas, NV @ Count's Vamp'd w/ MICHALE GRAVES 

10/27 - Rialto, CA @ Rizo Scarehouse (THREE SIXES headlining) 

"Know God, No Peace" is now streaming on Spotify and iTunes. Purchase the album at www.threesixes.com.


BIO


"Time doesn't change. Time doesn't heal."

Reflecting on the constant bedlam that festers within the confines of this generation, while drawing influence from personal conflict and the harsh reality of the present, THREE SIXES' newest full-length CD represents the overall basis of our current state.

Produced by Marko Olson, (T.A.S.C., Brain Dead Sound Machine and The Flower Leperds) "Know God, No Peace" delivers a blunt attack to the Metal world, with an improved musicality and explosive lyrical content that truly shows the evolution of a band created - solely as a studio project - in 1999 by original founding member and frontman, Damien. The opening teaser of "Saviour" leads to the aggressive "Lead Winged Angel", based on the short but indicative life of serial killer Aileen Wuornos, and comes full circle to the epic title track, a three-part opus that attacks the constant which creates such civil unrest throughout the world - religion.


THREE SIXES new direction incorporates their Metal, Thrash and Techno roots with Hardcore, while simultaneously mixing in a heavy dose of Industrial influence that has built a foundation for a gruesomely realistic portrayal of the our world, currently situated in its infinite, spiraling, state of decline.

Whereas previous releases from THREE SIXES helped usher in a new twist on Metal and horror, "Know God, No Peace" redefines the band as a whole - from songwriting to execution. Working in perfect unison with Damien and guitarist Mike "Killswitch" Cassidy, Producer Marko Olson's prolific Industrial background induced a re-invigorated, raw feel towards the construction of all songs contained in the new release from the inside out, raising the bar and successfully achieving a new level for THREE SIXES.

Sharing the stage with heavy hitters such as Fear Factory, Body Count, Prong, Strapping Young Lad, Samael, Murderdolls, Death Angel, D.R.I., The Genitortureres and Powerman 5000, THREE SIXES music has been trademarked with a legendary live set that has repeatedly devastated listeners and audiences alike.

With a redefined, definitive, unusual and brazenly unique sound, THREE SIXES has returned. 

"Condemned by all that's holy, that's righteous, that's pure, looked down and spit upon by conformists we refuse to be" THREE SIXES has reached out, opening and freeing the minds of aggressive music fans worldwide with "a stronger faith than heaven knows". As with the changing of the calendars in the ages from Pisces to Aquarius, a new age in Metal has also been initiated.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

RETORTION TERROR / INVIDIOSUS Premiere New Tracks from Upcoming Split


Indy Metal Vault has premiered two tracks from the forthcoming split release from Japan's RETORTION TERROR and Minnesota's INVIDIOSUS. Get your grind on with the former's "Arcane Dogs" and the latter's "Purpose Defeater" below.


The self-titled split will be released October 20 on Horror Pain Gore Death Productions


Check out promo videos for "Cultural Indifference" and "River of Ignorance" from INVIDIOSUS and RETORTION TERROR, respectively.

Horror Pain Gore Death Productions presents this intense split album between Japan's grinding maniacs RETORTION TERROR and US Death/Grind destroyers INVIDIOSUSRETORTION TERROR make their HPGD debut with 5 tracks of raw, blistering grindcore straight from Kyoto Japan. Featuring legendary guitarist Takafumi Matsubara (Gridlink, Mortalized Grindcore) and a mysterious lineup of international grinders, RETORTION TERROR pull no punches on this split. In 2014, Takafumi suffered a brain infection that made it nearly impossible for him to play guitar, and many thought Gridlink's "Longhena" might be Takafumi's last record. Fortunately, he has beaten those odds; his recovery has been nothing short of miraculous, and he has resumed playing guitar and doing karate in spite of what the doctors told him. This is Takafumi's first release since that final Gridlink album, having overcome some impossible odds to return to playing grindcore. His work with RETORTION TERROR shows that he has no signs of slowing down or stopping anytime soon." This is an absolute must listen for fans of Discordance Axis, Wormrot, Noisear and Insect Warfare.

INVIDIOSUS also make their Horror Pain Gore Death debut on this devastating split release! Hailing from Minneapolis, Minnesota, INVIDIOSUS perform vicious, anxiety-driven Death/Grind that is absolutely punishing. INVIDIOSUS features current and former members of Amiensus, Rottenness, Violence Condoned, In Defence and Atrum Inritus. The band has spent the last 3 years relentlessly touring Mexico, Colombia, Argentina, Bolivia and the USA, with an upcoming tour of Japan and South Korea (including a festival performance at Asakusa Deathfest). Blending elements of Grindcore, Death Metal and Thrash, INVIDIOSUS brings their destructive, eclectic style out in full force for their HPGD premiere! Essential for fans of Cephalic Carnage, Phobia, Pig Destroyer, and Brutal Truth.

"This is Karate. This is Grindcore. If the doctors say bad things, I try spinning back kick" - Takafumi Matsubara

"For those of you who need a good dose of chaos, insanity and distortion." - Decibel

Track List:

RETORTION TERROR

1. Arcane Dogs
2. Scorched
3. Trench
4. The Line
5. River Of Ignorance

INVIDIOSUS

6. Cultural Indifference
7. Purpose Defeater
8. OD'd On Technology
9. From The 16th Floor
10. Where Evolution Ends 


INVIDIOSUS Japan/South Korea 2017 Tour Dates:



THEORY - Beyond the Vision (Álbum)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 8,3/10,0

Tracklist:

1. Beyond the Vision
2. My Last Condition
3. Reasons
4. Find Yourself
5. Tears of Blood
6. War for a Dead Land
7. Obsessed
8. Dreams and Nightmares (feat Bruno Paraguay)
9. Haters
10. Beside You


Banda:


Viktor Castro - Vocais, guitarras
Marcelo Augusto - Guitarras
André Soares - Baixo, backing vocals
Rodrigo Damasceno - Bateria


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Bandcamp:
Assessoria:


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer estilos modernos de Metal no Brasil é algo que sempre encontra muita oposição pelas alas mais conservadoras de fãs de Metal. Mas isso, ao mesmo tempo, não é capaz de negar o valor de tais trabalhos. E um bom exemplo é “Beyond the Vision”, álbum do quarteto THEORY, de Vespasiano (MG).

Misturando Modern Death Metal com a intensidade de Groove Metal, mais um pouco daqueles toques de Nu Metal e Metalcore (especialmente no uso de timbres limpos de voz em alguns momentos). A banda, usando a experiência de 8 anos que possui, consegue fazer soar consensual e com personalidade. E sim, o álbum é ótimo, tem “appeal” e irá conquistar os fãs do gênero.

A produção sonora do álbum ficou muito boa, clara e limpa. Óbvio que existem as doses de peso e crueza para que as músicas soem agressivas. Tudo dentro daquilo que o grupo se propõe a ser, inclusive com timbres instrumentais modernos. Aliás, que se diga de passagem que é uma produção muito bem cuidada em termos de Brasil.

A espontaneidade e energia da banda são enormes, mas se percebe que o grupo se preocupou em arranjar bem suas composições, buscando sair de clichês e pontos comuns, buscando se diferenciar de tantos que surgem dia após dia. Embora fique óbvio o talento lhes permita render ainda mais, “Beyond the Vision” é um álbum de primeira.

Em dez canções de muitas mudanças rítmicas e melodias associadas com momentos brutos, a banda mostra enorme potencial, como ouvido no azedume Grooveado à lá SEPULTURA de “My Last Condition” e sua base rítmica sólida e bem trabalhada; a levada instigante de “Reasons” e de “Find Yourself”, ambas apresentando riffs ganchudos (e na segunda, alguns ótimos vocais limpos); o baixo aparecendo muito bem no início da carregada “War for a Dead Land”, onde temos oscilações entre passagens mais agressivas e outras mais climáticas; as passagens quase Djent das guitarras em “Obsessed”e seus vocais oscilando de timbres; o Groove rasgado e ganchudo de “Haters”; e a bela e bem trabalhada “Beside You”, com sua introspecção intensa e linhas melódicas de primeira.

Sim, o THEORY é uma banda madura, talentosa e disposta a ganhar seu espaço no cenário. E desejamos que “Beyond the Vision” leve-os para mais perto desse objetivo.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

MORTHUR - Between the Existence and The End (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Tracklist:

1. Intro
2. Immortals
3. From Life To Death
4. Mortal Desire
5. Warlock of the Underworld
6. Demonized
7. Extremely Against the World
8. Living Blasphemia
9. Alien Tomb


Banda:


Jeferson Casagrande - Guitarras, vocais
Marco Antonio Zanco - Baixo
André Cândido - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://morthur.com/
Twitter:
Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://sanguefrioproducoes.com/artistas/MORTHUR/1(Sangue Frio Produções)


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Em termos de Death Metal, já não é mais segredo que o Brasil é um autêntico criadouro do gênero. Mas poucos parecem perceber que o útero chamado cenário brasileiro é capaz de gerar bandas de Death Metal que não se encaixam muito em certos padrões. Ouvidos mais treinados percebem que algumas bandas parecem se negar a serem rotuladas, como é o caso do trio MORTHUR, de Erechim (RS), que chega detonando os ouvidos alheios com “Between the Existence and The End”, seu primeiro disco.

Em alguns pontos, podemos afirmar que o trio tem um enfoque mais cru e agressivo, como as bandas do início dos anos 90 (especialmente a escola inglesa, onde BENEDICTION e BOLT THROWER reinavam supremos) por sua musicalidade, mas em outros momentos, eles se aproximam bastante do jeito mais bruto e explosivo de se tocar o estilo, remetendo à escola americana (alguns toques de DEICIDE e MORBID ANGEL são sensíveis aqui e ali). Além disso, o “approach” usado pelo grupo de sua música não é ortodoxo ou tradicionalista, e isso agrega muito valor. Ou seja, o MORTHUR une o velho ao novo sem pudores, e se sai muito bem nisso.

Aliás, bem até demais!

A produção de “Between the Existence and The End” é do próprio trio em parceira com a Phobos Dark Arts, tendo a mixagem e masterização feitas pelas mãos de Jeferson Casagrande (guitarrista/vocalista do trio), e a sonoridade é clara e bem pesada, mas com um impacto muito intenso. E é justamente essa sonoridade limpa que os diferencia ainda mais do que já existe.

Em termos de capa, o grupo preferiu algo mais simples e direto, um projeto gráfico todo baseado em tons de preto, branco e cinza. Mas ele encaixa no contexto musical do grupo, e nos permite manter a atenção apenas na música, que é o mais importante.

Energia fluindo dos falantes de uma forma espontânea, agressividade com um alinhavo de qualidade, podemos aferir que o MORTHUR é uma banda inteligente. Como dito, eles usam um “insight” longe de ser puritano, e percebe-se uma preocupação estética enorme com os arranjos. Mas não se preocupem, pois os vocais urrados em timbres guturais diferentes, os riffs raivosos e solos bem pensados, e a coesão e peso de baixo e bateria criam um trabalho musical de primeira.

Em oito pancadas diretas no fígado, o grupo se mostra muito bem. Mas destacam-se a força de baixo e bateria nas mudanças de ritmo de “Immortals” e seu jeito Old School com seus bumbos duplos velozes; a velocidade extrema e rispidez de “From Life to Death” adornadas com riffs raivosos, aquela levada mais cadenciada e azeda que nos agarra pelos ouvidos e transpira em algumas partes de “Mortal Desire” (onde existem partes bem rápidas e violentas também), e esses elementos são ouvidos mais uma vez na bordoada nos dentes chamada “Warlock of the Underworld” (nesta aqui, os vocais estão ótimos), o abuso de velocidade em algumas partes e brutalidade cadenciada em outras nos arranjos extremos de “Extremely Against the World”, e o peso azedo e introspectivo de “Alien Tomb” e suas passagens mais sombrias.

Ou seja, o MORTHUR lutou por anos no underground por sua chance, ela chegou, e eles desceram o malho em “Between the Existence and The End”. Ouçam sem restrições, mas preparem os ouvidos e pescoços!

IMPIEDOSO - Reign in Darkness (Álbum)


2017
Selo: Violent Records, Sangue Frio Records, Brutal Wear
Nacional

Nota: 8,8/10,0

Tracklist:

1. The Sleep of Satan
2. Pelas Desgraças de Deus
3. Domination
4. Eu Vejo o Fim
5. Liberty to Satan
6. Impiedoso
7. Fire
8. Master of Darkness
9. Demônio da Sedução
10. Under the Moon’s Domain


Banda:


Azoth - Vocais
Mortuum - Guitarras, teclados, backing vocals
Jagar - Guitarras
Nahash - Baixo
Aldebaran - Bateria


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Assessoria: http://sanguefrioproducoes.com/artistas/IMPIEDOSO/47(Sangue Frio Produções)


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Poucos são os afortunados que ainda se lembram dos anos dourados da virada da década de 90 para os anos 2000, quando o Black Metal no Brasil florescia de forma exuberante. Era a época em que a essência envolvente do estilo se aliou à juventude de muitos e fez com que o Brasil se tornasse um verdadeiro criadouro de nomes de primeira, como MYSTERIIS, BLACK COMMUNION, EVIL WAR, OCULTAN, GREAT VAST FOREST e tantos outros. Mas um nome que na época ficou oculto foi o do quinteto IMPIEDOSO, de Jaraguá do Sul (SC). Mas se o tempo não lhes fez justiça naqueles tempos, hoje temos acesso ao primeiro álbum do grupo, “Reign of Darkness”.

Ao ouvir o álbum, nossa consciência é levada diretamente para aquela época, uma vez que o trabalho musical do quinteto é bem raiz, ou seja, busca influências no Black Metal da SWOBM (Second Wave of Black Metal), especialmente da cena grega do estilo, com alguma coisa do que se fazia na Noruega, mas com uma aura forte que somente as bandas brasileiras têm. E apesar do trabalho do grupo não ser inovador (o que também não é uma exigência), sangra em energia e vitalidade, além de ser um disco honesto. Sim, percebe-se que a música deles é, antes de tudo, honesta com os fãs e com eles mesmos. Mas se preparem para algumas partes nada ortodoxas, como os solos mais melodiosos em certos momentos de “Liberty to Satan”.

David Lago fez a produção, engenharia sonora e mixagem de “Reign in Darkness”, enquanto Hadelfarfez a masterização. Embora a sonoridade esteja bem suja e crua, distantes do que se faz hoje em dia, é preciso ter em mente que esta crueza é essencial para o que a banda tem em mente para sua sonoridade. Além do mais, falamos de Black Metal anos 90, logo, essa sujeira é essencial e não atrapalha a compreensão do ouvinte.

A arte da capa é de Eliseu Souza, deixando claro que lidamos como uma banda profana e disposta a expor-se ao crivo de todos. E David Lagotambém trabalhou na arte visual, e vemos uma apresentação simples e bem sombria. Casando perfeitamente com a musicalidade do quinteto.

Quando “Reign in Darkness” começa a tocar, fica bem claro que a banda não se esforça para ser “a mais veloz”, “a mais satânica” ou “a mais extrema”. Não, o que o IMPIEDOSO quer de sua música é algo macabro e sombrio, muitas vezes frio e cheio de uma ambientação sepulcral. E justamente por tentar não ser “o mais alguma coisa” que o disco é tão bom, com músicas arranjadas de forma espontânea, sem exageros técnicos, mas bem diversificado.

“The Sleep of Satan” é uma introdução que abre o disco, cheia de passagens acústicas e vocais sussurrados, antes de surgirem cantos sombrios e passagens elétricas e agressiva que introduzem “Pelas Desgraças de Deus” tem um andamento rápido no início, boas mudanças de ritmo e um trabalho ótimo de vocais (que soam bem diferentes do rasgado tradicional, um timbre mais agudo à lá Varg Vikernes), bem como a dualidade vocal entre timbres graves e agudos rasgados de “Domination” fascinam o ouvinte com essa levada mais lenta e azeda. As melodias soturnas das guitarras em “Eu Vejo o Fim” e sua aura totalmente “SWOBM” são envolventes, assim como a longa e variada “Liberty to Satan” e suas mudanças de tempo (que vão do rápido ao cadenciado sem pudores, mostrando a força de baixo e bateria, e isso sem mencionar os excelentes solos de guitarras). “Impiedoso” é um autêntico soco na cara de agressividade e velocidade, com boas guitarras, enquanto “Fire”vem cheia de variações harmônicas interessantes e mais uma vez, ótimos vocais. Embora seguindo o mesmo jeitão tradicional da anterior, “Master of Darkness” é mais bem trabalhada em termos de arranjos, além de baixo e bateria estarem muito bem. Um pouco mais variada em termos rítmicos é “Demônio da Sedução”, embora com uma técnica instrumental simples. E os quase 12 minutos de “Under the Moon’s Domain” também mostram que o grupo não está disposto a fazer uma música dessa duração sem mudanças de ritmo e alguns arranjos fascinantes das guitarras.

O IMPIEDOSO é uma ótima banda, e apesar do atraso (o grupo possui quase 20 anos de muitas lutas no underground), “Reign in Darkness”é um disco excelente!

NECROMANCER - Forbidden Art (Álbum)


2014
Nacional

Nota 9,0/10,0

Tracklist:

1. Necromantia (Intro)
2. Necromancer
3. Deadly Symbiosis
4. Dark Church
5. Havocs and Destruction
6. Middle Ages
7. Plundered Society
8. The Rival
9. Desert Moonlight


Banda:


Marcelo Coutinho - Vocais
Luiz Fernando - Guitarras
Alex Kafer - Guitarras
Gustavo Fernandes - Baixo
Vinícius Cavalcanti - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria: http://sanguefrioproducoes.com/artistas/NECROMANCER/53(Sangue Frio Produções)


Por Marcos Big Daddy Garcia


O passado do Metal é sempre visto como algo muito romantizado, e às vezes, fora da realidade.

Sim, é incrível ver e perceber certa idolatria pelos anos 80, muitas vezes por pessoas que não estavam lá, que nem ao menos eram nascidas. Ou mesmo eram apenas crianças de colo, que não viram o que era a coisa em si. Mas esquecem-se muitas vezes de dizer aos mais novos no gênero sobre as imensas dificuldades sócio/econômicas da época, o que acabava limitando em muito o número de bandas a lançarem discos por aqui, já que os selos sofriam com as mesmas problemáticas nascidas da economia decadente de nosso país.

Mas ao mesmo tempo, é ótimo quando um grupo daqueles tempos retorna para cumprir uma missão em aberto, algo que deveria ter sido feito, mas que problemas e mais problemas evitaram. E podemos enquadrar o quinteto carioca NECROMANCER nessa turma. Sim, eles são veteranos da cena (ainda lembro-me de um de seus shows, quando abriram para MX e TAURUS no antigo Caverna II, em Botafogo), e que agora, mais de 30 anos depois de sua formação (são de 1985), o grupo lança seu primeiro CD, “Forbidden Art”. E agradecimentos à Heavy Metal Rock por comprar esta briga e colocar o CD nas lojas.

Antes de tudo, o estilo da banda é aquela mistura bem crua e pesada de Death Metal com Thrash, o que ocorria muito naquele triênio 85-86-87 no mundo inteiro, já que muitas bandas do Death Metal andavam transitando para o Thrash sem problemas. O incrível é perceber que a fúria musical das canções antigas (das 8 faixas do CD, 5 delas são de suas Demo Tapes “Dark Church” de 1987, “Science of Fear” de 1983 e “Victims of Deranged Maneuverings” de 1996. As outras três são novas, ou então, nunca gravadas) não foi perdida, e a crueza deles não tem o mínimo toque de mofo. Não, muito pelo contrário, o trabalho do NECROMANCER é tão atual e até mais honesto que muitas bandas que reviram discos antigos e apenas acumulam clichês tentando refazer o que já foi feito. E os caras aqui são daqueles tempos, logo, se percebe o DNA do grupo. Os vocais continuam tão furiosos como no início, mudando bem pouco e ainda claramente influenciados por Tom Warrior; as guitarras da banda lembram bastante a escola DESTRUCTION/SODOM, com riffs azedos e pesados, e solos crus (mas bem tocados), baixo e bateria com peso e técnica nas medidas certas. Assim, percebe-se que o grupo não exagera em aspectos técnicos ou de agressividade, mas sabe equilibrá-los muito bem, criando algo deles.

A qualidade sonora é bem crua, respeitando o passado do grupo, mas sem deixar de lhes dar aquele toque de clareza e peso tão necessários. Os timbres foram bem escolhidos, os instrumentos estão nos lugares certos. Nada foi mudado em relação aos anos 80 e 90, apenas atualizado pela qualidade dos equipamentos de hoje.  A arte de Marcelo Vasco é bela e bem pensada, uma capa enigmática e com o layout do encarte repleto de fotos antigas da banda.

Respeitando o passado do grupo, mas olhando o futuro, é preciso deixar claro que o trio que gravou o CD, todos membros das formações seminais do NECROMANCER, soube escolher bem o material que entrou no disco. As músicas mostram o feeling certo, pois as composições são possuem aleatoriedade, mas são bem construídas em sua simplicidade. Arranjos bem postados, boa dinâmica de andamentos, tudo muito bem feito.

É incrível sentir o sopro de vida que “Necromancer” (forte e poderosa, com velocidade não exagerada e excelentes vocais), “Deadly Symbiosis”(mais focada no peso e andamento na maior parte do tempo não tão veloz, azeda e mostrando o talento das guitarras do grupo, com riffs memoráveis), a emblemática “Dark Church” (outra com velocidade moderada, mas que mostra um trabalho de baixo e bateria muito bom, já que existem mudanças dinâmicas nos arranjos), da mais rápida “Plundered Society” (novamente um show por parte dos vocais), e “Desert Moonlight” (onde a qualidade de gravação fica um pouco mais tosca e crua, sem afetar o produto final. Basta ver a força das guitarras, especialmente nos solos, e nos urros), todas músicas das Demo Tapes, ganharam, bem como “Havocs and Destruction” (que começa com uma intro de guitarras bem lenta, preparando o ouvinte para uma faixa abrasiva e pesada de doer os dentes, com riffs crus insanos), “Middle Ages” (que tem partes cadenciadas e pesadas à lá CELTIC FROSTcom uma dinâmica mais germânica, ao passo que existem momentos bem empolgantes, e destaque mais uma vez para o ótimo trabalho das guitarras e bateria), e a brutal “The Rival” mostram uma banda com raízes no passado, mas com os olhos no futuro e concentração no presente.

E tudo isso torna “Forbidden Art” um disco obrigatório para todo bom fã de Metal extremo e para os arqueólogos do Metal, para entenderem, de uma vez, que fazer um som que referencia os anos 80 é para quem estava lá. Assim, o produto final nunca soa clichê ou vazio de alma...

Parabéns ao NECROMANCER, sejam bem vindos de volta, e esperamos shows de vocês em breve!

Em tempo: Gustavo Fernandes (baixo) e Edu Lopez(guitarra) não chegaram a gravar contribuições em “Forbidden Art”Edutambém deixou a banda para se dedicar ao VORGOK, com Alex indo para as guitarras e Vinícius Cavalcanti assumindo a bateria. E o futuro os espera de braços abertos no próximo trabalho do grupo