quarta-feira, 30 de agosto de 2017

THRESHOLD: Richard West discusses the new album title!


UK progressive metal quintet THRESHOLD are set to release their colossal double album »Legends Of The Shires« on September 8th via Nuclear Blast. In anticipation of the new release, the band have started rolling out trailers discussing various aspects of the album. In today's trailer, keyboard player Richard West discusses the new album title and whether or not the band were influenced by Tolkien: https://www.youtube.com/watch?v=aJStwMgnQtk


Pre-order »Legends Of The Shires« now: http://nblast.de/ThresholdLOTSNB
Pre-order »Legends Of The Shires« digitally: http://nblast.de/ThresholdDigital

Watch Richard discuss Glynn Morgan returning to take on vocal duties for the first time since 1994's »Psychedelicatessen« album, as well as the cameo appearance by founder member Jon Jeary: https://www.youtube.com/watch?v=pSwnotvwGio


Watch the stunning official video for 'Small Dark Lines', here:


Speaking about the track and video, Karl Groom commented: "The people at Sitcom Soldiers have created just the right atmosphere in our new video clip and it was an enjoyable experience to film for the band. We managed to find some excellent extras and tortured them with freezing showers in the clip, with some travelling as far as Sweden for the pleasure! It is great to have Glynn back in the band with 'Small Dark Lines' showcasing all his power and versatility. This single should give people another glimpse into the double album »Legends Of The Shires« and an idea of what is to come on release day 8 September 2017."

»Legends Of The Shires« - Track Listing:

CD 1
01. The Shire (Part 1) 2:03
02. Small Dark Lines 5:24
03. The Man Who Saw Through Time 11:51
04. Trust The Process 8:44 
05. Stars And Satellites 7:20
06. On The Edge 5:20

CD 2
07. The Shire (Part 2) 5:24
08. Snowblind 7:03
09. Subliminal Freeways 4:51
10. State Of Independence 3:37
11. Superior Machine 5:01
12. The Shire (Part 3) 1:22
13. Lost In Translation 10:20
14. Swallowed 3:54


ICYMI:

Listen to the 10 minute epic first single 'Lost In Translation': https://www.youtube.com/watch?v=MT7vFM7U9gU


One of THRESHOLD's founder members Jon Jeary, who last performed with the band in 2002 also appears on the new album. Jon can be heard performing vocals on 'The Shire (Part 3)'.

Speaking about his cameo, Jon commented: "I always look forward to hearing a new THRESHOLD album and this time I'm doubly excited because Glynn will be singing and also, I am proud to say, there will be a small cameo vocal performance from me on 'The Shire (Part 3)'. It's great to be able to appreciate what THRESHOLD do now as one of their faithful army of fans and a privilege to make a small contribution."

Jon Jeary was the band's bassist and also performed backing vocals on songs such as 'Eat The Unicorn'. He co-wrote a number of the band's early classics, including 'Sanity's End', 'Into The Light' and 'The Ravages Of Time'. Jon previously appeared on the THRESHOLD albums»Wounded Land« (1993) to »Critical Mass« (2002).



THRESHOLD live:

»Legends Of The Shires« Tour 2017

12.11. GR Athens - Kyttaro Live Club
17.11. UK Pwllheli - HRH Prog

w/ DAMNATION ANGELS, DAY SIX
28.11. NL Weert - De Bosuil
29.11. D Hamburg - Markthalle
30.11. D Berlin - Lido
01.12. D Aschaffenburg - Colos-Saal
02.12. D Munich - Feierwerk
03.12. CH Pratteln - Z7
05.12. D Stuttgart - Club Cann
06.12. D Hanover - Musikzentrum
07.12. B Kortrijk - De Kreun
08.12. D Essen - Turock
09.12. NL Zoetermeer - Boerderij
10.12. UK London - o2 Islington Academy

THRESHOLD is:
Steve Anderson | bass
Karl Groom | guitars
Glynn Morgan | lead vocals
Richard West | keyboards
Johanne James | drums

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More info:

terça-feira, 29 de agosto de 2017

ACCEPT - The Rise of Chaos (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,6/10,0

Tracklist:

1. Die by the Sword
2. Hole in the Head
3. The Rise of Chaos
4. Koolaid
5. No Regrets
6. Analog Man
7. What’s Done is Done
8. Worlds Colliding
9. Carry the Weight
10. Race to Extinction


Banda:


Mark Tornillo - Vocais
Wolf Hoffmann - Guitarras
Uwe Lulis - Guitarras
Peter Baltes - Baixo
Christopher Williams - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Alguns nomes no Metal são icônicos, apesar de não terem nos dias de hoje a projeção do seu passado de glórias. E o melhor exemplo para ilustrar estas palavras é o quinteto alemão ACCEPT. Antes de tudo, o grupo é o pai por direito do que viemos a chamar de “Heavy Metal Germânico”, com sua energia envolvente, corais e refrãos marcantes, e a base instrumental de primeira. Eles tiveram suas glórias maiores nos 80, pararam, voltaram nos 90, pararam, e desde que voltaram, estão mantendo o alto nível de seus discos. Que o diga o mais recente disco deles, “The Rise of Chaos”, lançado no Brasil ela Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil em mais uma parceria.

É preciso estabelecer algo: o disco não tem absolutamente nada de novo. Não, é apenas o bom e velho ACCEPTde sempre, com seu estilo melodioso, agressivo e marcante (o que já é bem mais que suficiente). Assim como “Stalingrad: Brothers in Death” e “Blind Rage”,podemos dizer que “The Rise of Chaos” honra o nome do grupo, mesmo estando longe do nível de seus discos mais clássicos.

As guitarras do novato Uwe Lulis (ex-GRAVE DIGGER, REBELLION) e do veterano Wolf Hoffman estão excelentes, om riffs envolventes e de fácil assimilação, e solos de primeira. A base rítmica de Pete Baltes (baixo) e do também novato Christopher Williamsé sólida e pesada, mantendo a coerência e solidez dos ritmos das canções. E Mike Tornillo está cada vez mais entrosado, cantando bem e impondo agressividade em sua voz em cada uma das faixas. Talvez “The Rise of Chaos”tenha sua melhor performance em um álbum desde que entrou na banda.

Esclarecendo: “The Rise of Chaos” não inova, mas o ACCEPTprecisa inovar mais o que?

A produção, mixagem, masterização e gravação são, mais uma vez, de Andy Sneaps. A parceria que vem dando certo não foi mexida, justamente para quilo que Wolf tem dito em algumas entrevistas: a fusão da velha essência e identidade do ACCEPT com uma sonoridade mais forte e “cheia” que os equipamentos modernos permitem. Dessa maneira, a sonoridade se torna híbrida, com muita energia e pesada, mas sempre com o feeling de que existe uma banda tocando.

A arte da capa e o layout são de Gyula Havancsák, artista húngaro que já fez capas para bandas como ANGELUS APATRIDA, ANNIHILATOR, DESTRUCTION, GRAVE DIGGER e outros. E a imagem da capa é icônica, deixando clara a idéia do título. E a versão nacional é em formato Digipack!

O que se pode dizer de “The Rise of Chaos” além de que é um dos fortes concorrentes ao Top 10 de muitos ao final do ano?

Como dito acima, seguindo o velho estilo eles lançaram um disco ótimo, com músicas excelentes e arranjos fantásticos. A banda parece mais cheia de vigor que em “Blind Rage”, com vontade de fazer música de alto nível. E quem ganha somos nós.

Pedradas como a energia seca e cativante de “Die by the Sword” (andamento com velocidade média, esbanjando melodia, ótimo refrão e Mike pondo os pulmões para fora, cantando muito bem), a trampada e com aquele jeitão clássico do quinteto “The Rise of Chaos” (aqui a sessão rítmica mostra sua força e peso, sem exagerar na técnica), a levada pegajosa e mamutesta de “Koolaid” (aquela pega em meio tempo tão ACCEPT, um refrão com bons backing vocals e um trabalho primoroso das guitarras), o peso “Metal Made in Germany” de “No Regrets” e “Analog Man” (a primeira com boas passagens mais melodiosas, e mesmo certo tom de acessibilidade musical, e a segunda com aquelas pequenas paradas que o quinteto sempre fez muito bem, com os vocais ótimos, excelentes backing vocals e guitarras excepcionais), aquelas melodias bem feitas e grudentas do grupo apresentadas em “Worlds Colliding”, e as melodias em um andamento “up tempo” de “Race to Extinction”.

“The Rise of Chaos” veio para mostrar que o grupo está vivendo um ótimo momento na carreira. E usando a frase de um grande amigo meu, quem gosta de Metal, gosta de ACCEPT.


OS CAPIAL - Emboscada Caipira de Plasma (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 8,7/10,0


Tracklist:

1. Aguacero
2. Ácaro
3. Agrotóxico
4. Alfobre
5. Anarkofobocolatras
6. Arreio
7. Baruio
8. Brejo
9. Cabaça
10. Carreador
11. Cevar
12. Colonião
13. Comitiva
14. Dois Potros
15. Emboscada Caipira de Plasma
16. Esterco
17. Farpa
18. Flatulando e Andando
19. Fossa
20. Forquilha
21. Gabiroba
22. Geada
23. Lobeira
24. Metalinguagem Grindcoreana
25. Praga de Bicho Pega - Oxiuríase Mandada
26. Tríplice Lavagem
27. Xepa
28. Zinabre


Banda:


Dito Paieiro da Silva - Guitarras, vocais
Bento Chapéu de Paia Pereira - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria:

E-mail: marcelocaraciolotucci@hotmail.com

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Antes de tudo, a música precisa ser divertida. Sim, pois ouvir algo por mera militância é chato (que o diga os fãs de certos músicos da MPB, pois sabem ser um chute no saco), e aliar a isso música de alto nível dentro da proposta que o grupo adota para si. E sabendo entreter e apresentar um trabalho musical muito bom vem a dupla de Araraquara (SP) OS CAPIAL, dispostos a causar surdez precoce nos ouvintes com seu mais recente disco, “Emboscada Caipira de Plasma”.

É o terceiro disco dos matutos do Death/Grind nacional. Visual e liricamente evocando a vida do trabalhador braçal das roças, mas musicalmente explodindo ouvidos e sangrando pescoços com uma música com bastante influência de NAPALM DEATH, MACABREe outros nomes da extrema podridão do Metal extremo, percebe-se que o dueto desce a marreta (ou a enxada) em todos com uma música muito agressiva e extremada, mas sempre de bom gosto. Sim, a música dessa dupla caipira é de muito bom gosto, e cheia de personalidade.

Artur Rinaldi é o produtor de “Emboscada Caipira de Plasma”, bem como ele mesmo fez a mixagem e masterização. Embora o grupo não necessite de uma superprodução em termos sonoros, Arturfez um bom trabalho, já que a podreira aqui fica na música e a agressividade vem dos timbres instrumentais, já que a qualidade sonora é bem limpa e seca, nos permitindo entender bem o que esses dois sujeitos estão aprontando.

A capa de Luciano Salles ficou muito boa, com um desenho simples que enfoca os temas líricos do grupo.

OS CAPIAL é mesmo um grupo diferente, já que é preciso, antes de tudo, ter coragem de fugir do ponto comum de muitos, e usar essa temática lírica e visual requer colhões. E esses caipiras conseguiram, pois sua música é divertida e um prato cheio para os fãs de estilos extremados. Só aquele seu coleguinha mais trevosos vai ficar triste, mas não ligue: um pirulito e um toddynho gelado, e ele fica quieto e não enche mais o saco.

Arranjos bem feitos, uma música madura e com muito potencial, tudo isso transforma a audição de “Emboscada Caipira de Plasma” em algo muito agradável. São 28 esporros sonoros pesados como um trator, mas destacamos os urros guturais e passagens diversificadas de “Ácaro”e “Agrotóxico”, o massacre caipira presente nos riffs de “Alfobre”, “Anarkofobocolatras” e “Arreio”, a barulheira de porcos sendo castrados em “Baruio” (reparem nos urros), na trinca-botinas “Cabaça”, os arranjos bem feitos de “Cevar”, a matança extrema de “Dois Potros”(ritmos mais cadenciados e azedos de cara, mas logo a velocidade retoma seus picos elevados, com a bateria indo muito bem) e de “Emboscada Caipira de Plasma” (o contraste entre urros guturais e berros rasgados, e solos doentios fazem a festa), a cômica “Flatulando e Andando” (ouça e entenderão o que digo), a levada mais Death Metal/Hardcore de “Forquilha”, e os riffs extremos e tempos mais lentos de “Metalinguagem Grindcoreana” formam uma espinha dorsal excelente do trabalho do OS CAPIAL.

É melhor tomarem cuidado, pois esses dois “Matutos from Hell” vieram mostrar que existe um ponto comum entre Jeca Tatu e Death/Grindcore. E ai de quem discordar deles, pois pode levar uma enxadada ou um golpe de facão no lombo!


MYRKGAND (Black/Death/Power/Epic Metal - João Pessoa/PB)


Banda: MYRKGAND

Início de atividades:2012

Discos lançados: “Myrkgand” (2017)

Formação atual: Dmitry Luna (todos os instrumentos, vocais)

Cidade/Estado:João Pessoa/PB

Dmitry Luna (MYRKGAND)

BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

Começou quando eu criava músicas por conta própria e guardava essas composições com a intenção de formar uma banda, mas como aqui na região é muito difícil (pra não dizer impossível) encontrar músicos que sejam ao mesmo tempo bons e responsáveis, acabei eu mesmo tomando a iniciativa de gravar tudo sozinho. Demorei uns anos até poder gravar, pois estive juntando a grana necessária pra isso. Sempre fui eclético, e sou fã de muitas bandas de várias vertentes do Metal, então pensei que seria uma boa dar uma mesclada nos gêneros que eu mais me identifico (Death, Black, Folk e Power Metal). Sempre fui fã de RPGs, fantasia, mitologia, monstros, demônios, espadas e magia, nisso tenho facilidade em tratar desse tipo de temática, como também um prazer especial pelo assunto. O que mais me incentivou foi minha paixão por música e arte, a vontade de fazer algo totalmente meu, sem interferências, e também sem me moldar de acordo com mercado ou com o gosto alheio. Busco agradar a mim mesmo acima de tudo, se alguém gostar, massa! Falando de incentivo, um músico que sempre me incentivou e até hoje é minha maior influência é o Chuck Schuldiner, fundador do DEATH, que sem dúvidas é minha banda favorita. A banda alemã BLIND GUARDIANé outra que sempre me influenciou como músico e pessoa, me baseio muito neles e me influencio. Os livros de J.R.R. Tolkien também me incentivaram muito e ajudaram a construir quem sou, a mitologia nórdica também... E por aí vai. Muitas bandas, leituras e jogos me influenciaram durante a vida, e com o MYRKGANDeu busco depositar toda a minha essência, algo que eu faço com toda sinceridade, do fundo da minha alma.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

A cena brasileira enfrenta vários problemas... Desunião e ignorância reinam, inversão de valores, antiprofissionalismo de todas as partes em todos os âmbitos, rixas sem sentido e rivalidades criadas a troco de nada. Acho que o problema maior do brasileiro com o Metal é a falta de visão: é não apoiar os eventos como se deve fazer, é não comparecer e não fortalecer os shows, é ir beber na frente e não pagar ingresso... coisas desse tipo. As pessoas usam a desculpa que “ah, só vou pro show da banda que eu gosto”, mas não pensam que se são sempre os mesmos produtores trazendo, no dia que eles tiverem prejuízo com uma banda que você não gosta, eles acabam por não trazer no futuro as bandas que você gosta. Ir aos eventos, estar vivendo o Metal e trocando brindes e vivência com as pessoas das variadas cenas (estados diferentes) deveria ser algo mais frequente, algo que estivesse realmente em nossas veias, deveria ser tradição! Isso daqui é cultura, mas por vezes nos deparamos com retardados que sequer sabem o que significa cultura. Muitas vezes vejo pessoas das próprias bandas da cena que sequer comparecem a evento NENHUM, só os que eles tocam. Egoísmo reina, falta de visão e falta de noção e humildade. Mas é claro que há exceções, tem também uma galera que resiste e faz sua parte! Tomara que um dia consigamos reverter este quadro.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

João Pessoa não tem estrutura nenhuma, deplorável. Quando tem show é um milagre, e quando tem vemos pseudo-produtores amadores e meia-boca... Geralmente um povo que defende que “Ahhh o underground é assim mesmo, tudo na doideira”. Mais uma vez falamos aqui de inversão de valores, hehe. Uma galera que acha que ser underground é não ser nada profissional, é ser atrasado, não cumprir horários, é não ter PA, não fazer o que foi acertado em contrato, não ter o mínimo pra uma banda se apresentar... Isso é quase que frequente por aqui. Fora o público que ainda é uma merda, mal comparece. Eu há anos organizo excursões saindo daqui pra cidades próximas como Recife, Natal, Fortaleza, que trazem bem mais shows, e mesmo assim é bem difícil arrumar a galera pra ir, mesmo nos shows internacionais, pois muitos se contentam em ficar no YouTube assistindo shows. E repetindo o que falei na resposta da pergunta anterior: as pessoas não possuem visão suficiente pra chegar à conclusão que: ao fortalecer outros shows da cena você está contribuindo para no futuro acontecer os shows que você mais deseja.


BD: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas você, como banda, como encara esse tipo de comentário?

Eu não concordo com isso de “fim do Metal”. É ser radical e conservador demais! Há boas bandas surgindo e mesclando Metal com vários outros gêneros musicais, inovando e surpreendendo muita gente. Muitos dos que falam isso são só ranzinzas que têm preguiça de procurar e conhecer novas bandas. Bandas brasileiras como Cangaço, que mistura baião e cultura nordestina no Death Metal progressivo; o Hate Embrace, que lançou um disco na mesma pegada falando sobre a saga do cangaceiro Lampião pelo nordeste, com um instrumental espetacular; Arandu Arakuaa que mescla com cultura dos índios brasileiros (inclusive explorando línguas indígenas em suas letras)... isso estou só citando bandas brasileiras, mas pelo mundo há muita banda boa surgindo. Bandas inovadoras e promissoras! Inclusive há bandas antigas que estão lançando novos trabalhos espetaculares, caso de KREATOR, TESTAMENT, DARK FUNERAL, ABBATH, que fizeram discos ótimos recentemente, deram verdadeiras aulas. Creio que: essas bandas que estão ficando velhas, morrendo/se acabando, esses anciões deixam legados, ensinamentos, fazem escola e influenciam as novas bandas a criar, não só imortalizando seus trabalhos, mas com a convivência que muitos desses astros do Metal têm com outras bandas mais novas, em shows e turnês mundo afora. Isso deixa marcas fortes e muda realidades. Fora que em todas as gerações da humanidade vemos seres humanos geniais com capacidade de criação de coisas magníficas, no futuro não será diferente.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Acho que isso já foi respondido nas questões anteriores. Resumindo: falta visão, união, compromisso com a cena e encarar o Metal como um movimento realmente cultural, não só um entretenimento em eventos isolados.


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Valorizem as novas bandas, não só do Brasil, mas também de todos os outros países. Contribuam para o crescimento do Metal no Brasil comparecendo aos shows da sua cidade e região, viajando para assistir alguns, comprando material das bandas nos eventos ou na internet, CDs, camisas, e todo o resto. Fortaleçam, pois todos têm muito a ganhar com isso! Eventos melhores, com mais estrutura, e ocorrendo com muito mais frequência também! Se instruam, se aprimorem, busquem mais conhecimento e raciocinar mais sobre o que é realmente necessário para uma melhoria da cena como um todo, como uma unidade! Faça sua parte. Se divirtam mais e discutam menos, curtam mais e se confrontem menos. Rivalizem menos e apoiem mais, não percam tempo e saúde em confusões, ganhem tempo e felicidade com o que vocês mais gostam. Vamos manter essa chama acesa \m/


Links para contatos:

Links para audição:







DIPLOMATAS (Punk Rock - RJ)


Início de atividades: Final de 2016

Discos lançados: Uma “Demo” com 7 faixas.

Formação atual: Gringo(Baixo e Vocal), Victor Leal(Trompete), Fabio Garcia (Guitarra), Vitor Hugo (Guitarra) e Torres (Bateria).

Cidade/Estado: Rio de Janeiro/RJ 

DIPLOMATAS


BD: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?

O DIPLOMATAS no início era uma banda de tributo ao Punk nacional. Onde só tocávamos clássicos como INOCENTES, OLHO SECO, CÓLERA, VÍRUS 27 e tantas outras. Mas durante os ensaios, começamos a incluir umas músicas próprias e o repertório começou a crescer absurdamente e vimos que a banda tinha se transformado numa outra coisa com a chegada do Victor Leal que entrou pra fazer uma participação e acabou efetivado. Assim conseguimos explorar mais outros estilos como o Ska por exemplo. O “tributo” deu lugar a um repertório bem legal e com possibilidades ilimitadas.


BD: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Sem dúvida a falta de estrutura nos eventos. Decidimos não queimar cartucho tocando em eventos onde não conseguimos nem nos ouvir. É frustrante preparar um repertório, ensaiar com afinco pra fazer um puta show e na hora não conseguir passar da forma que deve ser. Continuamos trabalhando firme nas novas músicas, fazendo nossos próprios eventos e preparando bons conteúdos pra a web, que incontestavelmente é a realidade, continuamos mandando material e aguardando uma oportunidade pra apresentar nosso trabalho nas casas que hoje valem a pena se apresentar, como o Circo Voador e Imperator, por exemplo, além de algumas poucas no underground carioca.


BD: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Sem querer, acabei respondendo essa pergunta na anterior. Como falei, pra não correr esse risco de tocar num evento sarapa, preferimos fazer nosso próprio evento como a Festa Arriba Cabrón. Fazemos algo temático, por conta da identidade que a banda foi criando. Essa pegada Punk e Ska com uma linha de trompete meio mexicano nos ajuda nesse sentido. Percebemos que os shows de bandas underground no Rio de Janeiro estão se mostrando pouco atraentes. Por isso a gente prefere promover uma festa com DIPLOMATAS encabeçando e uma ou duas bandas convidadas.


BD: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Olha, falta muito. Eu (Gringo) tive oportunidade de ir com a minha outra banda (8MM) para a Europa numa turnê de 30 dias e foi um total choque cultural. Lá fora, por menor que seja a casa, você tem uma estrutura legal de show, um suporte de alimentação e cachê. E o público apoia comprando CDs e camisetas. Temos ótimas bandas aqui, bandas que quando decidem se aventurar no Velho Continente são tratadas como se fossem bandas grandes aqui. No final dos shows quando vinham conversar com a gente o pessoal sempre falava que nossos shows no Brasil deviam ser lotados, eles achavam que a gente só tocava em grandes palcos, enfim... Expectativa versus realidade rsrsrs


BD: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Primeiro gostaríamos de agradecer o espaço, atitudes com essa são fundamentais para a reconstrução de uma cena. Hoje em dia é tanta “facilidade” de informação que é difícil prender a atenção e aguçar a curiosidade do público.

DIPLOMATAS é uma banda de rock que se preocupa em passar um material de qualidade e sempre um show com uma vibe pra cima.


Links para contatos:

www.diplomataspunkrock.com  (Aqui o Download é liberado)

Links para audição:




segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Discos clássicos, notas e escritores, ou o motivo de não sermos novos Nostradamus


Por Marcos “Big Daddy” Garcia


Nós, escritores do cenário Metal, temos muitas responsabilidades a cada letra que postamos em qualquer tipo de texto. Mas as resenhas de discos são as de maior peso. Há muita coisa envolvida, mas por hoje, pretendo falar da questão dos chamados discos clássicos com aqueles que escrevem, e sobre notas aferidas.

Antes de tudo, é preciso conceituar o que é um disco clássico.

Não sei se todos possuem a mesma idéia, mas de uma forma pessoal, este autor adota o pensamento de que um disco clássico não um disco marcante ou o ápice criativo (musicalmente falando) de uma banda, mas sim um disco que se torna uma referência para um determinado gênero. E em geral, os discos clássicos servem para a canonização de um gênero. “Cânone” é uma palavra hebraica que significa “vara”, um instrumento de medida usado na antiguidade pelo povo em questão, logo, “canonizar” uma vertente do Metal ou um estilo musical qualquer é aferir suas características mais fundamentais, aquilo, mesmo variando de banda para banda, não muda.

Um bom exemplo: óbvio que fãs do METALLICA tendem a ser exagerados em suas opiniões, mas “Metallica” (o famoso “Black Album”) não seria considerado um clássico dentro desses parâmetros. E notem que este é o maior sucesso comercial do grupo. O disco do quarteto que se enquadraria no rótulo de “clássico” seria “Master of Puppets”.

Explicando: não é pelo seu conteúdo musical, já que a banda já havia apresentado o Thrash Metal ao mundo em “Kill ‘Em All”, mas porque “Master of Puppets” é o Santo Graal do Thrash Metal, o disco que definiu como o gênero iria soar. E ele virou molde justamente por sua gravação seca, bem feita e que deixa as melodias fluírem sem que se perca a agressividade. Se pararem para pensar, qual banda de Thrash Metal não seguiu este padrão depois do “Master...” ser lançado? Nem mesmo o SLAYER fugiu dele, buscando sempre soar limpo, mas com agressividade (e no caso deles, essa agressividade flui dos timbres que Kerry King e seus comparsas escolhem para tocarem). Antes de “Master...”vir ao mundo, ou se tinha gravações de Metal tradicional (o “Ride the Lightning” é assim), com as melodias muito evidentes e a agressividade ficando em segundo plano, ou o oposto: gravações muito sujas e as melodias acabavam mais subjetivas.

Perceberam?


Ainda tendo “Master...” como exemplo, quem o tornou um clássico do gênero?

Eis o ponto chave: não foi a crítica. Não, não fomos nós, escritores de Metal, que lhe conferimos esse status.

Por isso disse que autores de resenhas não são Nostradamus, o conhecido profeta: não temos condições de saber o futuro, não sabemos nem mesmo o que ocorrerá em meros 5 minutos. E como poderíamos nos dar o direito a aferir que um disco se tornará um clássico?

Mesmo “Master...”não foi entendido de todo quando saiu.

Muitos fãs acharam aquela gravação estranha na época (eu sei por ser da época), e alguns críticos que trituraram o disco. Ainda podem ser encontradas referências a esses “reviews” na internet.

Creio que o leitor se pergunta “como pode um escritor falar mal de um disco clássico?”, mas a resposta é simples, batendo na mesma tecla: nenhum crítico vê o futuro. Nenhum de nós tem como prever a mais ínfima possibilidade de um disco se tornar um clássico ou não. Nem nós, e nem ninguém. Hoje, é fácil olhar para 1986 e aferir que “Master...” é um clássico, e o que qualquer um via na época é que o METALLICA havia lançado mais um grande álbum. Mais nada.

A única coisa que pode nos dar um “insight” se um disco se tornará um clássico ou não é o tempo. Sim, o tempo, pois conforme ele vai passando, o disco em questão vai assumindo o papel de “planta baixa”, ou seja, se tornando uma referência sonora, não importando o que o crítico diga sobre ele.


Alguns exemplos: o finado Lester Bangs crucificou o primeiro disco do BLACK SABBATH na revista Rolling Stone. O mesmo ergueu altares para “Metal Machine Music” de Lou Reed (de quem ele era fã incondicional, segundo boatos) como o “melhor disco já feito”.

Eis os reviews de ambos:



Deixando de lado o que penso particularmente do finado (que é referenciado como o maior crítico de Rock da América por Jim DeRogatis, conforme podem confirmar aqui), isso já demonstra bem como não prevemos o futuro. Aliás, julgamos um disco conforme o presente, algo que muitos leitores não concebem.

Em termos de Brasil, creio que há casos interessantes: tanto o EP “Apocaliptyc Raids” do HELLHAMMER como o EP “Morbid Tales” do CELTIC FROST foram massacrados por aqui (o do HELLHAMMER, então, em muitas revistas pelo mundo). O próprio “Seven Churches” do POSSESSED tomou um 7,5 em um review por aqui, onde a banda foi chamada de repetitiva pelo autor. Não, não estou criticando os colegas, pois entendo que, na época, essas bandas realmente soavam muito estranhas. Hoje, vocês podem idolatrar os discos e chamar cada um deles de clássico (como o são), mas na época em que o Metal extremo ainda estava engatinhando, como julgá-los com mais profundidade, com conhecimento de causa? Já pensaram no choque que um fã de bandas como URIAH HEEP, BLACK SABBATH ou DEEPPURPLE teria ao ouvir os discos acima? E lembrando que eram anos de puro radicalismo e amadorismo, logo, procuro não responsabilizá-los por errarem. Poucos acertariam.


Em contrapartida, na mesma edição da publicação que me refiro e que possui o review de “Seven Churches”, duas resenhas tiveram notas bem altas, mas são de bandas do segundo time: “Open the Gates” do MANILLA ROAD, e o primeiro álbum do NASTY SAVAGE. Nota máxima para ambos, e muitos fãs sequer ouviram esses discos até hoje. E antes que pensem besteiras, não estou dizendo que eles não merecem essas notas. Podem merecer, mas não são clássicos, não se tornaram fundações de algo novo. Mas “Seven Churches”, com 7,5, o é.

Por isso eu bato na tecla: julguemos o disco no tempo atual, e esqueçamos o futuro. Se ele se tornará um clássico ou não, somente o tempo dirá.

Aproveitando, gostaria de abordar mais um tema correlacionado a este: notas de discos e essa noção de “clássico”.

Aparato encontrado com alguns integrantes de bandas por conta de resenhas negativas...

Já notei que existem várias correntes de pensamento entre os escritores: alguns adotam que 10 seria para um disco clássico (da qual eu discordo completamente pelos motivos já expostos), outros que 10 é um disco que satisfaria a todos. Neste último caso, nunca se daria 10, já que nunca existirá um disco que irá conseguir agradar gregos e romanos. E dele eu discordo completamente.

Elucidando o meu pensamento: sou um Metalhead com 34 anos de Metal nos ombros. Desta forma, li muitos reviews das mais variadas formas, e mesmo de pensamentos diferentes. E a forma que eu adoto (que não sei se faz parte desta ou daquela corrente de pensamento) é simples, e a grosso modo, é esta:

1. Ouço o disco - Não necessito de gostar da banda/estilo em questão.

2. Analiso a proposta sonora da banda - se é algo diferente ou não do que já existe, e como o grupo aborda sua sonoridade, e se possui personalidade.

3. A produção sonora - Em especial, não me preocupo se a qualidade sonora é do nível do IRON MAIDEN ou do DARKTHRONE, mas se ela está adequada ao que o grupo se propõe. Óbvio que a banda precisa se fazer entender, mas não adoto um modelo de qualidade sonora como “a mais correta de todas”. Mas óbvio que se vier algo muito cru ou sujo além do ponto, vou abrir a boca (ou digitar, como queiram).

4. As músicas em si - Se possuem energia, pegada e se não existem variações no nível de qualidade musical durante o CD. Lembro que músicas como “Flash of the Blade” do “Powerslave”, e “Gangland” do “The Number of the Beast” (ambas do IRON MAIDEN) acabam caindo nesse grupo das músicas que destoam do conteúdo. E este tipo de canção pode ser ruim, pode ser bom, mas não está no patamar das outras, e isso não é questão de gosto pessoal. É uma comprovação empírica.

Óbvio que existem mais considerações, mas de forma bem direta, é isso.

E não tenho problemas com a nota 10, já que quem me diz isso não é um formato pré-estabelecido de crítica, uma decisão editorial, mas apenas o disco em si. Esse é meu foco, nada mais. E se percebo que o disco é perfeito em tudo, não tenho motivos para negar a nota mais alta porque algo me impede. Mesmo porque se eu fosse obrigado a seguir padrões, eu desistiria, pois isso me tiraria a liberdade que gosto de ter.

Encerrando, gostaria de frisar mais uma vez que não estou criticando meus colegas escritores, não desejo mudar o mundo, mas que as pessoas pensem. Isso mesmo, que elas pensem por si mesmas.


Afinal, somos todos fãs de discos que, sejam clássicos ou não, nós gostamos.

No mais, podem comentar, sugerir, criticar e procurarei ler cada opinião dada.


MYRKGAND - Myrkgand (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,1/10,0

Tracklist:

1. Wanderer
2. The Elemental King
3. Arachnodraco
4. Demon of Ice
5. Orcs & Ogres Brood
6. Dwarvenquest
7. Dangerous Dungeon
8. Shadowforge
9. Mysterious Malediction
10. O Vale da Agonia
11. A Ghastly Aftermath


Banda:


Dmitry Luna - Vocais, todos Instrumentos

Convidados:

Eduardo “Warmonger”Amorim - Bateria
Vito Marchese - Violão baritone em “Wanderer”, “Dwarvenquest”, “A Ghastly Aftermath”
Diego DoUrden - Vocais em “Demon of Ice” como o Demônio do gelo, guitarras adicionais e corais em “Mysterious Malediction”
Lord Vlad Vladimir Senna - Vocais limpos em “Orcs and Ogres Brood”
Rafael Cadena - Guitarra solo em “Dangerous Dungeon”
Armando “Beelzebub” - Guitarra solo em “Shadowforge”
Mike LePond - Solo de baixo em “Mysterious Malediction”
Antonio Araújo - Guitarra solo “Mysterious Malediction”
Andre Tulipano - Vocais limpos em “Mysterious Malediction”
Jairo Neto - Corais em “Mysterious Malediction”
Alysson Drakkar - Vocais e letras em “O Vale da Agonia”
Jafet Amoêdo - Segundo solo de guitarra em “O Vale da Agonia”


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/myrkgand/ (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Projetos musicais são sempre recebidos com muitas expectativas, uma vez que nomes de convidados podem causar certo alvoroço. E alguns surpreendem justamente pela identidade que encontramos neles. E discos que nascem desse tipo de iniciativa, em geral, possuem um saldo bem positivo se o elaborador do projeto estiver centrado no que quer. E o MYRKGAND, uma one man band de João Pessoa (PB) faz bonito em seu disco de estréia, “Myrkgand”.

A mente por trás do MYRKGANDé Dmitry Luna, um multi-instrumentista com passagem por bandas como MALKUTH, NECROHUNTER, WARCURSED, entre outros. Mas se buscarem similaridades musicais entre estes grupos e o atual projeto, darão com a cara no muro. O MYRKGAND é um trabalho focado no Epic/Folk Black/Death Metal, bem criativo e agressivo, mas com muitas passagens melódicas mais atmosféricas. É bem soturno e climático, mas pesado e melodioso, e criativo o tempo todo. E sim, criatividade e energia é o que não falta no disco, bem como uma identidade sólida que vem sendo moldada a mais de 5 anos. E, além disso, as músicas de “Myrkgand”são repletas de belas partes melodiosas entremeadas com agressividade que nos envolvem de uma maneira que nos é impossível deixar de lado.

Ou seja, “Myrkgand”é um disco excelente, sem meias palavras.

Dmitry dividiu a responsabilidade de produzir o disco com Diego DoUrden, baixista/vocalista/tecladista do MYSTIFIER. E tudo foi gravado, mixado e masterizado no Darkside Studio, em Recife. A gravação esboça crueza e agressividade um pouco além do ponto, mas sempre tendo em mente que o produto final deveria ter sua dose de clareza. E apesar de poder ter sido melhor, a qualidade sonora é muito boa, com bons timbres nos instrumentos, tudo casando com a proposta sonora do grupo. E a arte da capa é um trabalho de Emerson Maia, com colorização de Antônio César, sendo que o logo é de Christophe Szpajdel, tudo visando esboçar o amálgama de influências que formam a música do MYRKGAND.

Musicalmente, o MYRKGAND, como já dito, é um trabalho musical bem feito, com arranjos musicais bem feitos, e uma atmosfera que mixa o épico e o obscuro sem problemas. E para deixar tudo ainda mais interessante, temos a participação de convidados de várias bandas, como MYSTIFIER, NOVEMBERS DOOM, THE KAHLESS CLONE, INFESTED BLOOD, MALEFACTOR, CANGAÇO, SYMPHONY X, KORZUS, ONE ARM AWAY, STEEL WARRIOR, CRUOR, E LUXÚRIA DE LILLITH, todos com um toque diferenciado e contribuindo para que “Myrkgand” tenha um brilho todo próprio.

Se o disco tomou 5 anos entre a fundação do projeto até seu primeiro álbum, esse tempo foi mais que suficiente para amadurecer as idéias e tornar “Myrkgand” um excelente trabalho. As 11 canções formam um contexto bem compacto, sendo difícil destacar uma ou outra.

O disco começa a pegar fogo na envolvente e destruidora “The Elemental King” e suas passagens atmosféricas assentadas sob um ritmo não muito veloz (um belo trabalho de vocais, onde timbres guturais e rasgados se alternam, fora teclados muito bem postados), as melodias soturnas criativas de “Arachnodraco” e da Epic/Black Metal “Demon of Ice” (ambas mostrando boa diversidade de ritmos, mas com ótimos riffs de guitarra), a mais trampada e com uma sonoridade mais sujo “Orcs & Ogres Brood” (onde o foco é mesmo no trabalho das guitarras e vocais, que apresentam uma diversidade de timbres bem interessante, que vai do rasgado ao limpo, passando pelo gutural), o jeitão Pagan/Epic de “Dangerous Dungeon”e a força rítmica de baixo e bateria (o clima segue o andamento mais cadenciado e pesado, embora existam partes rápidas), a ríspida e climática “Shadowforge” (boas passagens de guitarra e algumas mudanças de andamento bem sacadas estão presentes, bem como vocais muito bons), o lado mais tradicional do Black Metal infuso com influências épicas pontuais de “Mysterious Malediction” e seu ótimo trabalho de riffs (fora o solo de baixo, que está de primeira), e este mesmo lado mais Black Metal de raiz surge na melancólica e densa “O Vale da Agonia”, onde os vocais mais uma vez dão um show particular. “Wanderer”, “Dwarvenquest”e “A Ghastly Aftermath” são instrumentais que visam dar um toque mais atmosférico e transcendental ao disco.

Sim, “Myrkgand” é um disco ótimo, honesto e que merece aplausos. Mas esperamos que ele seja apenas o primeiro de muitos discos do MYRKGAND.