sábado, 26 de agosto de 2017

EZOO - Feeding the Beast (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,3/10,0

Tracklist:

1. You are Your Money
2. The Flight of the Sapini
3. C’est La Vie
4. Guys from God
5. Feeding the Beast
6. Eyes of the World
7. Colder than Cool
8. Too High to be Falling
9. Motorbike
10. Since You Been Gone
11. Don’t Look Back
12. Coda


Banda:


Graham Bonnet - Vocais
Dario Mollo - Guitarras
Dario Patty - Baixo, teclados
Roberto Gualdi - Bateria

Convidados:

Guido Black - Baixo, backing vocals em “Eyes of the World” e “Since You Been Gone”


Contatos:

Graham Bonnet:

Bandcamp:
Assessoria:



Dario Mollo:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Juntar duas feras (em termos musicais) é sempre um trabalho bem difícil, já que sempre há o problema de agendas. Mas quando acontece, saiam de baixo: vem coisa boa por aí. E o EZZOnada mais é que um projeto de dois músicos fenomenais: o guitarrista italiano Dario Mollo (conhecido por trabalhar com músicos como Glenn Hughes e Tony Martin) e do célebre vocalista Graham Bonnet (famoso por seus trabalhos com RAINBOW, MSG, ALCATRAZZe IMPELLITTERI), acompanhados do baixista/tecladista Dario Patty e do baterista Roberto Gualdi (o primeiro é companheiro de Dario no CROSSBONES, VOODOO COLINA e THE CAGE, enquanto o segundo é do THE CAGE). E o que “Feeding the Beast” tem que nos chama atenção??? Simplesmente música do mais alto gabarito, e a Shinigami Records nos presenteia com esse discão em versão nacional!

Em termos de estilo, aqui você tem o bom e velho Hard Rock/Classic Rock que já se conhece dos trabalhos deles. A diferença está na fusão da voz marcante e forte de Grahamcom o estilo fluido e virtuoso de Dario. Óbvio que pensarão nos trabalhos anteriores deles, mas acho melhor terem calma, pois justamente por ser um projeto, tudo em “Feeding the Beast” é mais solto e espontâneo, sem pretensões de reinventar a roda ou de se exibirem. Longe disso: o trabalho é centrado nas canções, e por isso é tão maravilhosamente envolvente. Cada refrão é excelente, as músicas transitam de uma para a outra de forma espontânea, cheias de feeling e lindas linhas melódicas, mas com boa dose de peso.

A produção foi toda feita por Dario no Damage Inc. Studio, o que garantiu controle sobre a obra. E vemos que ele fez uma produção de primeira, sóbria e sem muitas firulas, para não perder o feeling mais orgânico e livre das canções. A qualidade sonora é clara, com uma estética excelente e ótimos timbres instrumentais. Tudo soa coeso e em seu devido lugar. A arte gráfica do disco é escura, com as letras em branco, fazendo que todas as atenções fiquem somente na música do quarteto.

Como já dito, a música do EZOO é bem espontânea e sem a pretensão de salvar o Rock ‘n’ Roll e o Heavy Metal. Percebe-se que “Feeding the Beast” é um disco que converge musicalmente para a vontade mútua de Graham e Dario trabalharem em algo juntos. E, além disso, na mão deles, as canções não soam datadas, mas bem pesadas e atuais, mesmo em seus momentos mais ternos.

O disco é bom de ponta a ponta, sem exageros ou músicas que se destaquem. Mas este autor (após um esforço enorme) se atreve a citar a provocante e envolvente “You are Your Wallet”e seu peso agradável (além de belos arranjos de guitarra e vocais bem postados), a mais atual e intensa “C’est La Vie”e sua riqueza de arranjos de guitarra (for baixo e bateria estarem muito bem e coesos), o peso boogie presente na pegajosa “Guys from God”, a intensa e diversificada “Feeding the Beast” e suas passagens que se alternam entre melodias mais intimistas e momentos mais secos (reparem na beleza dos arranjos de guitarra e solos, bem como nos teclados, e tudo isso em 11 minutos que passam ligeiros), “Colder than Cool” e “Too High to be Falling” (ambas com um jeitão de Classic Rock modernizado e com belo trabalho dos vocais), a “hardoza” com um jeitão meio anos 80 “Motorbike”, o peso das guitarras com um tempero melodioso dos teclados em “Don’t Look Back”, e as instrumentais “The Flight of the Sapini” (onde a guitarra chega a soltar fumaça pela rapidez de Dario) e “Coda” (em que um ado mais sensível e melancólico das seis cordas está evidenciado).

Acabou?

E vocês acreditam que eu deixaria de for a as versões do EZOO para “Eyes of the World” (do RAINBOW) e “Since You Been Gone” (que o RAINBOW popularizou, mas que é de Russ Ballard, mesmo autor de “God Gave Rock ‘n’ Roll To You 2”) de fora? A primeira mostra o lado mais seco e agressivo do Hard Rock, com enfoque nas guitarras, enquanto a segunda é um clássico, cheia de melodia e boa presença de teclados, baixo e bateria (mas com um refrão único e marcante). E em ambas, os vocais são perfeitos.

Quando dois monstros se juntam para fazer música, e o foco fia somente nela, não tem erro. O EZOOé assim, e “Feeding the Beast” é um disco daqueles que se ouve todos os dias, e várias vezes!



MORTIFER RAGE - Fall of Gods (Álbum)


2017
Selo: Impaled Records
Nacional

Nota: 8,3/10,0


Tracklist:

1. Intro
2. Ethnocentrims
3. Religious Necrosis
4. The Hammer
5. Immolation
6. Tunisian Storm (Instrumental)
7. No Masters, No God
8. Doctrines of Death
9. Hate, my Offer
10. Redeption Blade
11. Genocide of Minds
12. Sword and Blood


Banda:


Carlos ‘Pira’ - Vocais, baixo
Robert Aender - Guitarras
Ramon C. - Guitarras
Wesley Adrian - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O que diferencia uma banda jovem de uma mais antiga?

Basicamente, as bandas de Metal, mesmo que evoluam muito, raramente deixam o estilo inicial. Ou seja: uma banda de Death Metal continuará sendo uma banda de Death Metal. Novamente: raros casos ocorrem em que há uma troca, mas se nasceu bruto, vai morrer bruto. E podemos aferir que o veterano MORTIFER RAGE, de Santa Luzia (MG) nasceu Death Metal e será assim até o fim. Mesmo com quase 20 anos de luta no underground, o que se ouve em “Fall of Gods”é a mais pura expressão do Death Metal Ols School.

Sim, estilisticamente falando, o grupo não mudou em nada seu estilo clássico, que remete à velha escola do Death Metal dos anos 90: sujo, agressivo, ora mais veloz e esporrento, ora mais cadenciado e azedo, mas sempre pesado e bruto como um mamute. Apenas se percebe que sua música (que tem clara influência das escolas bretã e norte americana) amadurece, se torna mais encorpada com o passar do tempo, mas sem perder a identidade traçada lá no já distante 1999, quando o grupo foi fundado. E com tudo, ainda esboça forte personalidade.

É ouvir e ver os ouvidos sangrando!

Produzido, mixado e masterizado por André Damian, podemos dizer que “Fall of Gods” tem uma sonoridade muito boa, e que transparece o DNA Old School do quarteto: crua e agressiva, mas com uma estética clara, ou seja, há a preocupação que o grupo seja compreendido. Pode não ser perfeita, mas a qualidade do áudio está muito boa.

A arte da capa é ótima, uma criação de Marlon Lima, que deixa clara a atitude lírica do quarteto. Já o design do encarte é de Marco Túlio Alves, que fez uma diagramação mais simples, mas funcional e que encaixa em todo contexto visual do grupo.

Se pudermos aferir uma palavra que traduza o que “Fall of Gods” representa ela é “maturidade”. Sim, o MORTIFER RAGE mostra-se mais maduro e consciente de seu potencial, buscando sempre ser diferente da maioria das bandas do estilo. E conseguem isso graças ao “approach” um pouco mais técnico, nos moldes de bandas como MORBID ANGEL e IMMOLATION.

Musicalmente, “Fall of Gods” é um passo adiante em termos de evolução musical, com destaque para a explosão de agressividade de “Ethnocentrims”e sua técnica brutal (boas mudanças de ritmo e um trabalho de primeira de baixo e bateria), a brutal e azeda como fel “Religious Necrosis” (riffs raivosos e cheios de sutilezas interessantes) e de “The Hammer” (ritmo alternando bastante, com ótimos vocais guturais), a força dos arranjos de guitarras presentes em “No Masters, No God”, a velocidade opressiva de “Doctrines of Death”, e as regravações de “Redeption Blade” e “Genocide of Minds”(ambas presentes do EP “Field of Flagellation”, de 2013).

O MORTIFER RAGEpode ser considerado uma instituição do gênero pelos anos de luta, e “Fall of Gods” os leva a outro patamar em termos musicais.

BLIND GUARDIAN - Live Beyond the Spheres (Triplo CD ao vivo)


2017
Selo: Shinigami Records, Nuclear Blast Brasil
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

Disco 1:

1. The Ninth Wave
2. Banish from Sanctuary
3. Nightfall
4. Prophecies
5. Tanelorn
6. The Last Candle
7. And Then There Was Silence

Disco 2:

1. The Lord of the Rings
2. Fly
3. Bright Eyes
4. Lost in the Twilight Hall
5. Imaginations From the Other Side
6. Into the Storm
7. Twilight of the Gods
8. A Past and Future Secret
9. And the Story Ends

Disco 3:

1. Sacred Worlds
2. The Bard’s Song (In the Forest)
3. Valhalla
4. Wheel of Time
5. Majesty
6. Mirror Mirror


Banda:


Hansi Kürsch - Vocais
André Olbrich - Guitarra solo, backing vocals
Marcus Siepen - Guitarra base, backing vocals
Frederik Ehmke - Bateria, percussão

Convidados:

Barend Courbois - Baixo, backing vocals
Michael Schüren - Teclados, backing vocals


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Falar do BLIND GUARDIAN é quase que fazer chover em terra molhada, já que poucas bandas atualmente possuem a projeção do quarteto alemão de Krefeld. São um dos poucos nomes que cresceram e se firmaram nos anos 90, considerado por muitos como uma década negra para o Metal, criando para si um nicho especial dentro do cenário mundial, além de lançarem clássicos absolutos como “Imaginations From the Other Side” e “Nightfall in the Middle-Earth”. Mas erra quem pensa que a melhor fase do grupo passou ou que estejam já sem vigor. Prova disso é o triplo CD ao vivo “Live Beyond the Spheres”, lançado em Junho passado e que chega ao Brasil com sua versão nacional, lançada pela Shinigami Records em sua parceria com a Nuclear Blast Brasil.

Mas o que ainda resta ao Guardião Cego após tantos anos? Como eles ainda podem nos surpreender?

Primeiramente, a banda ousou, já que pela primeira vez, eles chegam com um triplo ao vivo, gravado durante a turnê de 2015, que divulgou o álbum “Beyond the Red Mirror” (seu último trabalho de estúdio). Só isso já nos faz ter idéia do que estes alemães trouxeram.

Segundo, e mais importante, em “Live Beyond the Spheres” existem não apenas músicas do disco mais recente (apenas três, “The Ninth Wave”, “Prophecies” e “Twilight of the Gods”), mas muitos clássicos e mesmo algumas músicas que eles não tocavam ao vivo há um bom tempo. E digamos de passagem: um disco ao vivo conseguir varrer mais de 30 anos de uma carreira sólida e cheia de grandes músicas é praticamente impossível. Mas este triplo ao vivo chega perto de conseguir isso!

Produzir esse disco não foi simples, verdade seja dita. Escolher o repertório entre versões de 30 shows não foi algo simples, como algumas declarações de Hansi na imprensa deixam isso claro. Mas para realizar tal intento, o trabalho de Sascha Helmstädt e Peter Brand na gravação (ou seja, a captação sonora dos shows), mais a mixagem e engenharia sonora de Charlie Bauerfeind e a masterização de Darcy Proper foram perfeitos, já que a sonoridade do disco é perfeita. Sim, em termos de produção sonora “Live Beyond the Spheres” é uma das melhores qualidades sonoras de um disco ao vivo que este autor já ouviu, conseguindo mostrar a força e complexidade da música do grupo durante um show, bem como capta bem as reações do público, e se percebe a energia da banda ao vivo.

Além dos aspectos sonoros, os esforços da arte gráfica ficaram ótimos, já que o trabalho de Andrea Christen (capa e design) ficou excelente, com uma apresentação linda nesse formato Digipack imenso e de qualidade. E para ficar ainda melhor, as fotos dos shows, creditadas a Hans-Martin Issler e Rodrigo Simas, todas com a diagramação feita por Felix Olschewski, deram uma enriquecida muito grande ao disco.

Resta uma pergunta a ser respondida: a banda ainda tem força em seus shows ao vivo?

Bem, 33 anos (contando os anos em que o nome do grupo ainda era LUCIFER’S HERITAGE) não são 33 minutos, logo, a idade pesa. Os vocais de Hansihá um bom tempo se readaptaram, evitando o uso constante dos tons altos e esganiçados do passado (percebe-se isso claramente em “Bright Eyes” e “Imaginations from the Other Side”, mas isso não quer dizer que ele abandonou totalmente essas partes vocais), mas se perdeu um pouco da agressividade, ganhou em elegância (já que a voz do homem é belíssima), e ele continua com fôlego privilegiado, enquanto André, Marcuse Frederik estarem em ótima forma, bem como os músicos contratados Barende Michael cumprem muito bem seus papéis. E diferente de algumas bandas mais clássicas com vocalistas que perdem a voz ao vivo e outras que tiveram que diminuir os tempos e baixar a afinação, o BLIND GUARDIAN ainda se mantém inteiro, sem chegar a isso. Nem mesmo a complexidade progressiva do grupo é alterada ao vivo.

Falando do repertório: são 22 músicas distribuídas em 3 CDs, logo se percebe que as canções estão com a duração próxima das originais de estúdio, logo, se preparem, pois realmente, o nível do disco é alto!

Do disco 1, impossível não destacar peças como “The Ninth Wave” e sua complexidade técnica, da energia cativante de “Banish from Sanctuary”, a força da clássica “Nightfall” (com a participação ativa do público e lindas partes de teclados, mostrando que Michael não está ali por mero acaso), a embalante “Tanelorn” e a arrasadora “And Then There Was Silence”.

O disco 2 é cheio de clássicos. E como não falar da ótima “The Lord of the Rings” (um dos hinos mais antigos da banda), a trica de ouro formada por “Bright Eyes”, “Imaginations From the Other Side” e “Into the Storm” (onde tanto Hansi como André e Marcus estão perfeitos, e reparem bem como os vocais estão ótimos, mesmo diferentes), e a matadora e climática “And the Story Ends”.

Encerrando a festa, no disco 3, temos a clássica canção dos fãs, “The Bard’s Song (In the Forest)”(percebam como o público acompanha a banda perfeitamente), um dos primeiros clássicos do grupo, “Valhalla” (do segundo disco do grupo, “Follow the Blind”, com uma energia ainda entre o Speed Metal e o Power Metal, apresentando um trabalho primoroso das guitarras), a ótima “Majesty” (que vem de “Batallions of Fear, primeiro álbum do grupo, e é cheia de uma energia mais crua, onde é a vez de Frederik e Barend brilharem), e fechando, uma das músicas mais marcantes e apoteóticas do BLIND GUARDIAN, “Mirror Mirror” (o público participa ativamente cantando durante o refrão, sem mencionar que os vocais estão ótimos, as guitarras magistrais, baixo e bateria perfeitos, e teclados dando aquela perfeita ambientação à música).

E os Bardos do Metal continuam sua saga e não parece que irão parar tão cedo. E “Live Beyond the Spheres” é um excelente disco ao vivo, merece aplausos e a aquisição, mesmo que você não seja fã do grupo.




WITCHOUR - Night Hag/El Pacto (EP)


2017
Selo: Las Brujas Records
Importado

Nota: 9,0/10,0

Músicas:

1. Night Hag
2. El Pacto


Banda:


Alejandro Souza - Vocais
Ezequiel Catalano - Guitarras
Federico Rodriguez - Guitarras
Marco Ignacio Toba - Baixo
Javier Cuello - Batería


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Assessoria: http://www.metalmedia.com.br (Metal Media)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A Argentina possui um cenário muito semelhante ao do Brasil: com uma longa história, raízes profundas, cheio de ótimas bandas e com enorme diversidade estilística. Mas não parece a este autor que os Hermanos, em termos de Metal, sofram do mesmo radicalismo conservador do nosso país. E um ótimo exemplo vem em “Night Hag/El Pacto”, novo EP do quinteto WITCHOUR, de Buenos Aires.

O grupo pratica uma forma coesa e pesada de Metal moderno à lá SOILWORK e IN FLAMES em suas fases mais atuais, ou seja, um estilo agressivo e pesado, com timbres secos e brutais, mas recheado de belas melodias, com vocais opressivos se intercalando com vozes limpas mais melódicas. Podemos dizer que é mezzo Metalcore e mezzo Death Metal melódico moderno, embora esta simplificação não lhes faça justiça de todo.

Em poucas palavras: é uma música ótima para os ouvidos!

A sonoridade que temos no EP é fluída, clara e pesada, com ênfase no lado moderno da música do grupo. A produção e gravação de Ezequiel Catalano em La Cueva de las Brujas, mais a mixagem e masterização de Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. Tudo isso garantiu ao quinteto uma qualidade sonora de alto nível, altamente profissional que nos permite compreender sua música claramente, bem como sobram peso e agressividade. E a arte da capa, feita por Julian Ciceri (Arto Taller) é muito boa, trabalhada apenas em preto e branco.

Um pouco mais melodioso que o material ouvido no EP anterior (“The Haunting”, de 2015), o quinteto está esbanjando energia e juventude, garra e peso. Sua música é bem acabada, com arranjos minimalistas extremamente bem feitos (sem que suas canções percam a espontaneidade), e mostram um valor enorme. Houve apenas uma mudança na formação, já que o baixo está nas mãos de Marco Ignacio Toba agora, mas a coerência de antes permanece.

“Night Hag” tem uma pegada cheia de energia e empolgante, com ótimo refrão, vocais de primeira e riffs grandiosos, enquanto “El Pacto”mostra melodias formidáveis, um trabalho ótimo e diversificado de baixo e bateria, ambas com ritmos que se alternam e linhas harmônicas surpreendentes. E isso mostra a maturidade que o quinteto se encontra, o alto nível que eles atingiram ainda sendo uma banda tão jovem.

“Night Hag/El Pacto”é tão bom que faço coro com meu amigo de imprensa, Júnior Frascá: por que cargas d’água o grupo ainda não lançou um “full-length” deles? O WITCHOUR é um dos melhores nomes da Argentina dessa geração mais recente, não tenham dúvidas!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

BEYOND THE BLACK - Lost in Forever (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,2/10,0


Tracklist:

1. Lost in Forever
2. Beautiful Lies
3. Written in Blood
4. Against the World
5. Beyond the Mirror
6. Halo of the Dark
7. Dies Irae
8. Forget My Name
9. Burning in Flames
10. Nevermore
11. Shine and Shade
12. Heaven in Hell
13. Love’s a Burden
14. The Other Side
15. Dim the Spotlight
16. Our Little Time
17. Rage Before the Storm (Official Wacken Hymn 2015)


Banda:


Jennifer Haben - Vocais
Nils Lesser - Guitarra solo, teclados
Christopher Hummels - Guitarra base, backing vocals
Erwin Schmidt - Baixo
Michael Hauser - Teclados
Tobias Derer - Bateria


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Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

Muitos alardeiam o fim do Metal, baseando suas idéias no encerramento de atividades de alguns gigantes, e do falecimento de outros. Essa é uma visão errada, já que o estilo, diferente de outros, se encontra em constante renovação. É necessário não confundir a fragmentação em que o estilo está imerso e a visão conservadora do Brasil com a falta da chegada de novos talentos. A segunda é constante no Metal, e o sexteto alemão BEYOND THE BLACK é um novato que chega muito bem com seu segundo álbum, “Lost in Forever”, que foi lançado no Brasil pela Hellion Records.

Os esforços da banda são focados na criação de uma fórmula bem particular de Symphonic Metal, cheio de belas orquestrações e melodias muito envolventes. E tudo isso guiado pelo dueto de vocais, onde a suavidade e força das vozes femininas e a aspereza de tons masculinos (tanto guturais como normais) se mesclam, criando algo diferente. E não apenas isso, pois as guitarras são excelentes (seja nos riffs ou nos solos), a base rítmica é pesada e bem trabalhada, e os teclados dão aquele toque de elegância, alinhavando todos os instrumentos. Ou seja, é muito bem feito e com boa dose de acessibilidade.

A produção de “Lost in Forever” é de Sascha Paeth, que trabalhou tanto na engenharia sonora como na mixagem, embora Hardy Krech, Mark Nissen, Thorsten Brötzmann, Hannes Braun e Ivo Moring sejam creditados como produtores e tenham trabalhado na mixagem e gravação do álbum (pois estes contribuíram em canções diferentes uns dos outros), e a masterização é de Sascha “Busy” Bühren. Óbvio que tanta gente junta teria que fazer um trabalho diferenciado, que resultou em uma qualidade sonora excelente, limpa e pesada nas medidas corretas, e com boa dose de agressividade. E a bela arte gráfica de capa e layout realmente são ambos de primeira, transparecendo o conteúdo musical do sexteto.

Apesar de ser apenas o segundo disco do BEYOND THE BLACK, a fluência e diversidade musical são surpreendentes. Os arranjos dos teclados e guitarras realmente se complementam, ao passo que baixo e bateria criam uma base diversificada, enquanto os vocais vão nos cativando pela diversidade de timbres usada. E ainda por cima, existe uma gama enorme de músicos convidados que dão um toque a mais de classe e peso ao trabalho musical o sexteto, logo, preparem os babadores.

Em disco desse nível é difícil poder ressaltar uma ou outra canção. Mas se sobressaem a bela “Lost in Forever” (e suas belas passagens de guitarras melodiosas, com alguns urros mais agressivos), as lindas e amenas melodias Folk de “Beautiful Lies” (quase que uma balada, recheada de belos duetos vocais), a modernosa e pesada “Written in Blood”, o peso grandioso e sinfônico de “Against the World”, que é recheada de ótimas orquestrações dos teclados (onde o ritmo alterna bastante, de partes mais pesadas e outras mais introspectivas); a pegada um pouco mais voltada ao Doom/Gothic de “Beyond the Mirror”, as harmonias aveludadas de “Forget My Name”, que são entremeadas por crescendos pesados (e mais uma vez surgem duetos de vocais femininos melodiosos e urros agressivos, isso em uma música cheia de mudanças de ritmo muito boas), e a presença acentuada do baixo e o peso da bateria que criam um contraste de peso e beleza em “Nevermore”e em “Shine and Shade”. Mas como a Hellion Records sempre presta serviços de alta qualidade, a versão nacional de “Lost in Forever” ainda tem 4 canções bônus: “The Other Side” (que transita entre o intimista e o etéreo com algumas passagens mais agressivas), a intensidade sinfônica aliada a tons modernos de “Dim the Spotlight”, o contraste entre melodias grandiosas e partes mais secas de “Our Little Time”, e “Rage Before the Storm”, o hino official da edição de 2015 do Wacken Open Air (uma canção forte e que nos embala).

No mais, o BEYOND THE BLACK é excelente, logo, levem para casa, pois a satisfação é garantida.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

HANSEN & FRIENDS - Thank You Wacken (CD+DVD ao vivo)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Born Free
2. Ride the Sky
3. Contract Song
4. Victim of Fate
5. Enemies of Fun
6. Fire and Ice
7. Burning Bridges
8. Follow the Sun
9. I Want Out
10. Future World
11. All or Nothing
12. Save Us


Banda:


Kai Hansen - Vocais, guitarras
Eike Freese - Guitarras
Alexander Dietz - Baixo, backing vocals

Convidados:

Michael Kiske - Vocais em “I Want Out” e “Future World”
Clémentine Delauney - Vocais em “Victim of Fate”, “Fire and Ice”, “All or Nothing” e “Save Us”
Frank Beck - Vocais em “Victim of Fate”
Corvin Bahn - Teclados
Michael Ehré - Bateria


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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em geral, alguns músicos conseguem chegar a um status que transcende as meras definições. Alguns se tornam lendas com o passar dos anos, cuja mera menção do nome do mesmo já nos causa a sensação de “vem coisa boa por aí”. Digo isso porque o nome de Kai Hansen é lendário, pois além de fundar o HELLOWEEN e criar o que se convencionou chamar de Power Metal melódico, ele ainda se mostra ativo com o GAMMA RAY, fora projetos como UNISONIC, e suas inúmeras participações em outras bandas. Por isso, quando viemos a conhecer o HANSEN & FRIENDS, que comemora os 30 anos desse grande sujeito no Metal, todo mundo já sabia que vinha coisa boa. Se “XXX - Three Decades in Metal” já deixava isso claro, imagine “Thank You Wacken”, disco ao vivo do grupo.

O que pode ser dito de Kaique já não tenha sido dito?

Criador do Power Metal germânico, um dos músicos mais fluentes e influentes do meio, entre tantas outras. Mas não há nada que esse Rei Midas alemão do Metal faça que não fique bom. É incrível como ele consegue manter uma personalidade musical forte e sólida. E o HANSEN & FRIENDS, a grande diferença é que ele preferiu apostar em uma música mais seca e sem tantas firulas, algo bem raiz e próximo ao Heavy Metal tradicional. Só que mesmo isso nas mãos dele e dos seus companheiros rendeu algo maravilhoso musicalmente falando, e que ao vivo, ganha ainda mais energia e pegada.

Gravado em 05/08/2016, um dos shows da sexta-feira. Óbvio que um show comemorativo pede um repertório generoso, e assim o é, como está eternizado no CD+DVD que temos em mãos.

Antes de tudo, verdade seja dita: a qualidade, tanto sonora quanto visual do DVD, está fenomenal.

Os takes de câmera são de primeira, varrendo banda e público muito bem, com muitos closes bem sacados. Mas fica sempre a idéia que quem administra o sistema de câmeras do Wacken deve ser extremamente nervoso, pois muda muitas vezes cortando momentos bem legais. Não está ruim, muito longe disso, mas esse muda-muda cansa, e alguns detalhes ficam perdidos.

O tratamento que áudio e vídeo receberam ficou de primeira. Thomas Jensen fez um trabalho ótimo na produção, assim como Eike Freese e Alexander Dietz (ambos na mixagem e masterização), e Sebastian Richter(mixagem) fizeram seu melhor, para garantir que a qualidade de som ficasse ótima. Óbvio que o feeling ao vivo está ali, apenas claro e pesado como deve ser, mas sem que a experiência “alive” seja danificada.

A parte gráfica é linda, cheia de fotos do da banda durante o show, e mesmo de seus convidados, inclusive o público.

A banda é bem coesa ao vivo, já que conta com membros experientes. Infelizmente, Daniel Wilding, baterista que gravou “XXX - Three Decades in Metal” não pôde estar no show, já que estava em tour com o CARCASS. Em seu lugar, Michael Ehré, do GAMMA RAY, segurou a responsabilidade com maestria. E fora Kai, Eike Freese nas guitarras (conhecido produtor e guitarrista do DARK AGE) e Alexander Dietz no baixo e backing vocals (guitarrista do HEAVEN SHALL BURN), outros convidados deram o ar da graça e um toque especial ao show: Corvin Bahn nos teclados, Frank Beck (vocalista do GAMMA RAYdesde 2015) nos vocais em “Victim of Fate”, Clémentine Delauney (vocalista do Visions of Atlantis) nos vocais em “Victim of Fate”, “Fire and Ice”, “All or Nothing” e “Save Us”, e o amigo de longa data de Kai, Michael Kiske (que vocês já sabem onde cantou e canta) fazendo os vocais nos clássicos “I Want Out” e “Future World”.

Sim, não estão lendo errado. No setlist do show, junto com músicas de “XXX - Three Decades in Metal” (que viria a ser lançado um mês e meio depois, o que Kai fala durante o show), por ser um show comemorativo, temos algumas músicas do HELLOWEEN, para o delírio dos fãs.

No mais, o show mostra canções escolhidas a dedo, e todas muito divertidas, como “Born Free” e sua energia cativante (um show das guitarras e dos vocais), a clássica “Ride the Sky” com introdução e tudo (onde a afinação está mais baixa, para Kaiaguentar cantar, mas um show das guitarras novamente), o manifesto antissistema de “Contract Song” (um pouco mais refreada, mas com um peso absurdo), a belíssima “Victim of Fate” (que bela exibição dos vocais, o que nos leva a pensar que Frank foi uma ótima escolha para o GAMMA RAY), a pesadíssima “Enemies of Fun”, o show de voz de Clémentineem “Fire and Ice”, a hardona pesada “Burning Bridges” (Kai deixa a guitarra em alguns momentos e fica só nos vocais), a veloz e energética “Follow the Sun”(onde Eike e Alexander se superam, agitando e tocando muito bem), e uma fúria de energia Power/Heavy Metal desencadeada em “All of Nothing” e “Save Us”. Mas haá lgo absurdo: quando Michael Kiskepisa no palco, o Wacken canta com ele, segue seus comandos, o que mostra que ele continua sendo não apenas um grande vocalista (a voz dele ainda é perfeita como era em seus tempos de HELLOWEEN), mas seu carisma e movimentação deixam todas as atenções presas nele, logo, “I Want Out” e “Future World”, já durante a noite, chegam a causar arrepios e despertam em nós inveja de quem pode estar nesse show.

O CD é rigorosamente o mesmo repertório, servindo para ouvirmos o show onde desejarmos. E somos nós que devemos agradecer a Kai Hansen por 30 anos de muitas alegrias e boa música.

No mais, a Shinigami Records está de parabéns por nos permitir um acesso mais simples a este ótimo lançamento.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

LIFE'S DECEMBER: O Dulce Nomen Obitus


LIFE'S DECEMBER performten exklusiv und einmalig den experimental Track O DULCE NOMEN OBITUS ihres Albums 'Fatigue' und veröffentlichen heute den Live-Clip dazu. 

LIFE'S DECEMBER performed the experimental track O DULCE NOMEN OBITUS from their album 'Fatigue' exclusively and uniquely. Today they release the live-clip of the performance. 


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23/09 - Ebrietas, Zürich CH w/ Virvum
06/10 - Flösserplatz, Aarau CH

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